P: Em Lev, por que esse livro é chamado de Levítico em inglês?
R: O nome em inglês deriva do latim e significa “relativo aos levitas”. O nome hebraico é extraído da primeira frase: “E Ele [Deus] chamou”.
P: Em Levítico, qual é o principal motivo para a inclusão desse livro na Bíblia hoje?
R: Visto que Jesus e a igreja primitiva aceitaram Levítico como a palavra de Deus, devemos valorizar este livro da Torá como Escritura, independentemente de compreendermos ou não o seu significado.
Na verdade, há tantas lições sobre santidade que se podem extrair do estudo de Levítico que quase se poderia renomeá-lo como “lições ilustradas sobre santidade”.
P: Em Levítico, quais são as diversas maneiras de compreender o livro?
R: Há pelo menos cinco níveis em que se pode analisar o Livro de Levítico.
Um mistério: Deus é extremamente misericordioso e compreensivo, mas alguns tentam ver Deus apenas como misericórdia, sem compreender por que a misericórdia de Deus é necessária. Deus é santo, e, sem que tenhamos santidade, ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Sem compreender esse aspecto fundamental do caráter de Deus e do caráter que possuímos, o Levítico permanecerá um “livro fechado”, com poucas pistas sobre o motivo de sua existência.
Regras para agradar a Deus: Em um nível básico, alguns veem apenas um conjunto de regras cerimoniais e pessoais que os israelitas deviam seguir. É isso mesmo, e Deus levava essas regras a sério, mas também é muito mais do que isso.
Sabedoria antiga para a vida: As pessoas têm analisado Levítico e percebido grande sabedoria para se manter saudável, especialmente em um ambiente insalubre, sem muita água para higiene. Animais e pessoas frequentemente contraíam os parasitas presentes na carne crua que consumiam. De modo geral, animais que se alimentavam de carniça, insetos e outros animais eram proibidos. Enquanto os governantes egípcios às vezes se casavam com suas irmãs, o casamento entre parentes próximos era especificamente proibido em Levítico. Regulamentos específicos sobre doenças de pele não eram apenas sensatos, mas extremamente importantes em um ambiente onde muitas pessoas viviam juntas em um clima com pouca água para se lavar. No entanto, para outras regras, não vemos nenhuma razão prática e terrena. Talvez não houvesse nenhuma. Talvez a única razão fosse um lembrete ao povo de que eles também deveriam ser separados e santos para Deus. Levítico é um livro sábio, mas é menos um livro sobre práticas saudáveis do que um livro que ilustra a santidade.
Lições gerais sobre santidade: a santidade, seja a santidade de Deus ou nossa vida de santidade, não é fácil de compreender; talvez seja por isso que Deus dedicou um livro inteiro para explicá-la. Os israelitas que saíram do Egito vinham de uma cultura que tinha menos reverência por seus ídolos do que a maioria. Quando os egípcios oravam às suas estátuas pedindo ajuda, se a ajuda não chegasse, eles ocasionalmente açoitavam a estátua. Mas Levítico mostra que o Deus verdadeiro possui uma “separação” em relação à vida comum. Eles não podiam simplesmente oferecer sacrifícios a Deus; só podiam oferecê-los da maneira prescrita. Quanto ao parto, à alimentação e às cerimônias religiosas, havia apenas um caminho: o caminho de Deus. Levítico 22 é um capítulo inteiro que mostra como alguém poderia abrir mão de algo para fazer uma oferta ou um sacrifício e, ainda assim, ter isso considerado inaceitável. Hoje, quando desejamos servir a Deus à nossa maneira, sujeitos às nossas condições, devemos ter cuidado, pois, embora possamos fazer sacrifícios, nossos esforços podem não ser aceitáveis se não tivermos noção do que é santidade. Somos chamados individualmente a ser santos (1 Pedro 1:15-16) e somos chamados a ser um povo santo (1 Pedro 2:9). Ao vivermos vidas santas que refletem a santidade de Deus, nós mesmos podemos ser exemplos de santidade (2 Coríntios 1:12), cartas de Cristo escritas pelo Espírito Santo de Deus (2 Coríntios 3:3).
Motivações e padrões específicos em nosso serviço a Deus: A Bíblia contém tanta sabedoria que os cristãos maduros precisam se preocupar com o equilíbrio: será que nos concentramos em um aspecto de conhecer, amar e servir a Deus, negligenciando outros aspectos? Levítico ilumina diversas maneiras de servir a Deus, e um cristão em crescimento pode apreciar, ser nutrido por elas e aprender a louvar a Deus por meio de todas elas.
P: Em Levítico, qual é o esboço do livro?
R: Levítico é o livro do meio do Pentateuco e pode ser organizado em cinco partes.
I. Cinco tipos de ofertas a Deus (Lv 1-7)
A. Oferta queimada (‘Olah) – Compromisso de entrega total (Lv 1,1-17)
1. Um novilho (Lv 1:1-9)
2. Carneiro ou bode (Lv 1:10-13)
3. Pombo ou pomba (Lv 1:14-17)
B. Oferta de cereais (Minchah) – Memória em louvor a Deus (Lv 2:1-16)
1. Farinha crua, azeite e incenso (Lv 2:1-3)
2. Farinha assada com azeite (Lv 2:4-10)
Observação: sem fermento, mas com sal (Lv 2:11-13)
3. Primícias de grãos moídos, azeite e incenso (Lv 2:14-16)
C. Oferta de Paz/Comunhão (Zebach Shalamim) – Gratidão, votos e oferta voluntária (Lv 3:1-16)
1. Vaca ou vaca (Lev 3:1-5)
2. Cordeiro ou cabrito, macho ou fêmea (Lv 3:6-16)
a. Cordeiro (Lv 3:6-11)
b. Cabrito (Lv 3:12-16)
Observação: em nenhuma circunstância se deve comer gordura ou sangue (Lv 3,17)
D. Oferta pelo Pecado (Chattat) – Confissão e Expiação (Lv 4:1-5:13)
1. Pecado de um sacerdote ungido: novilho (Lv 4:1-12)
2. Pecado da comunidade: novilho (Lv 4:13-21)
3. Pecado de um líder: bode (Lv 4:22-26)
4. Pecados individuais cometidos inadvertidamente: cabra ou cordeiro (Lv 4:27-35)
5. Omissão, contato com impureza, juramentos imprudentes: cordeira ou cabra (Lv 5,1-6)
6. Considerações para os pobres: duas pombas, pombos ou farinha (Lv 5:7-13)
E. Oferta de culpa (‘Asham) – Perdão pelos pecados contra a santidade: carneiro (Lv 5:14-6:7)
1. Pecados não intencionais contra as coisas sagradas de Deus (Lv 5:14-16)
2. Pecado não intencional contra os mandamentos de Deus (Lv 5:17-19)
3. Enganar o próximo e restituição de +1/5 (Lv 6,1-7)
II. Sobre ser sacerdote (Lv 8-10)
A. Consagração dos sacerdotes (Lv 8)
1. Preparação para a consagração (Lv 8:1-13)
2. A oferta do touro (Lv 8:14-17)
3. A primeira oferta do carneiro (Lv 8:18-21)
4. A segunda oferta do carneiro (Lv 8:22-30)
5. A refeição e a espera (Lv 8:31-36)
B. Ministério dos sacerdotes (Lv 9)
1. Instruções particulares (Lv 9:1-4)
2. O serviço público (Lv 9:5-22)
3. A satisfação de Deus (Lv 9:23-24)
C. Falhas dos sacerdotes (Lv 10)
1. Servir deliberadamente à sua própria maneira (Lv 10:1-3)
2. Prosseguir após o fracasso de outros (Lv 10:4-15)
3. Atitude diante de falhas não intencionais (Lv 10,16-20)
III. Leis sagradas para os indivíduos (Lv 11-20)
A. Nossa alimentação (Lv 11)
1. Animais terrestres (Lv 11:1-8)
2. Frutos do mar (Lv 11:9-12)
3. Criaturas voadoras (Lv 11:13-23)
4. Animais impuros (Lv 11:24-44)
B. Parto (Lv 12)
C. Doenças de pele e mofo (Lv 13-14)
1. Doenças de pele (Lv 13:1-46)
2. Mofo (Lv 13:47-59)
3. Purificação de doenças de pele (Lv 14:1-32)
4. Purificação do mofo (Lv 14:34-54)
D. Secreções (Lv 15)
E. Yom Kippur (Dia da Expiação) (Lv 16)
F. Proibição de consumir sangue (Lv 17)
G. Relações sexuais ilícitas (Lv 18)
1. Relações sexuais ilícitas (Lv 18:1-20)
2. Proibição de sacrificar crianças a Moloch (Lv 18:21)
3. Proibição da homossexualidade (Lv 18:22)
4. Proibição de relações com animais (Lv 18:23)
5. Não sejam como os povos ao seu redor (Lv 18:24-30)
H. Leis relativas aos outros (Lv 19)
I. Moleque, espiritismo e imoralidade (Lv 20)
1. Proibição do sacrifício de crianças a Molech (Lv 20,1-5)
2. Não seja médium, mas seja santo (Lv 20:6-8)
3. Não amaldiçoar os pais (Lv 20:9)
4. Adultério, inclusive com parentes por afinidade (Lv 20:10-12)
5. Proibição da homossexualidade (Lv 20:13)
6. Relações sexuais ilícitas (Lv 20:14-21)
a. Não se deve ter relações com animais (Lv 20,15-16)
7. Bênçãos e maldições (Lv 20,22-26)
8. Executar os médiuns (Lv 20,27)
IV. Leis sagradas para os sacerdotes (Lv 21-22)
1. Os sacerdotes e suas famílias (Lv 21)
2. O que é inaceitável para os sacerdotes e o povo (Lv 22)
V. A santidade também é coletiva (Lv 23-27)
A. Festas e dias santos para o Senhor (Lv 23)
1. O sábado (Lv 23,3)
2. Páscoa e pães ázimos (Lv 23:4-8)
3. Festa das Primícias (Lv 23:9-14)
4. Festa das Semanas (Lv 23:15-22)
5. Festa das Trombetas (Lv 23:23-25)
6. Dia da Expiação (Lv 23:26-32)
7. Festa das Cabanas (Lv 23:33-44)
B. Nossa Santidade Contínua (Lv 24:1-9)
C. Apedrejamento por blasfêmia (Lv 24:10-23)
D. Anos especiais de sábado e de jubileu (Lv 25)
1. Ano sabático (Lv 25:1-7)
2. O Jubileu no 50º ano (Lv 25:8-17)
3. A abundância inerente aos anos sabáticos (Lv 25:18-23)
4. Redenção nos anos do jubileu (Lv 25:24-54)
E. Consequências da Lei (Lv 26)
1. Recompensa pela obediência (Lv 26:1-13)
2. Punição pela desobediência (Lv 26:14-39)
3. Aceitação do arrependimento (Lv 26:40-46)
F. Dedicação e redenção ao Senhor (Lv 27)
P: Em Levítico 1, o que podemos aprender hoje com o holocausto?
R: O holocausto era um sacrifício total: ninguém podia comer ou utilizar de qualquer outra forma qualquer parte dele. Mas seria possível alguém fazer uma troca com Deus?
Suponhamos que um novilho pesasse 1.000 libras. Alguém poderia tentar argumentar que, como todas as partes do animal eram um aroma agradável a Deus, bastaria comer o novilho e entregar a Deus 1.000 libras de caudas de outros novilhos. Mas não era isso que Deus exigia. Ele exigia o animal inteiro, não apenas as sobras. Hoje, alguns se contentam em servir a Deus com suas “sobras”: o dinheiro que lhes sobra, os talentos não desenvolvidos e o tempo que lhes sobra quando não têm nada melhor para fazer. Mas não é isso que Deus exige. Deus exige dedicação total.
Digamos que alguém quisesse realmente impressionar a Deus, de modo que comesse as partes mais duras de alguns touros e oferecesse a Deus 1.000 libras das melhores partes de cinco touros. Mas isso também não é o que Deus exigia. Ele não exigia que você trabalhasse até a exaustão para comprar cinco touros, mas exigia um touro inteiro. Na verdade, algumas partes do nosso serviço que podemos considerar menos valiosas, mas das quais somos mais relutantes em abrir mão, podem ser justamente as que Deus considera mais preciosas. Deus exigiu apenas um animal, mas exigiu todo o animal. Hoje pode haver outras pessoas com mais dons, talentos e dinheiro, e Deus não exige que dediquemos a Ele o que os outros têm e nós não. Mas nosso Senhor exige que Lhe entreguemos toda a nossa vida.
Como cristãos, hoje não sacrificamos touros, ovelhas, cabras ou aves. Em vez de oferecermos sacrifícios mortos, Romanos 12:1 diz que devemos oferecer nossos corpos como sacrifícios vivos a Deus. Não há barganha com Deus. Mas por que deveríamos querer fazer isso? Deus, em Sua graça, nos concedeu tanto, tanto nesta vida quanto eternamente, que entregar-Lhe tudo o que temos é, na verdade, infinitesimal em comparação com o que Ele nos prometeu.
P: Em Levítico 1-7, todas essas ofertas detalhadas indicam que esse texto foi escrito no século V a.C., já que eles teriam tido tempo para desenvolver o culto no templo e elaborar tudo isso, como declarou Julius Wellhausen?
R: De forma alguma. A afirmação de Wellhausen pressupõe que as pessoas não eram suficientemente inteligentes para possuir sistemas sofisticados de oferendas antes dessa época. No entanto, no século XV a.C., as Tábuas de Ras Shamra, de Ugarit, contêm termos como “oferenda queimada”, “oferenda de paz”, “oferenda pelo pecado”, “oferenda pela transgressão” e, possivelmente, até mesmo uma “oferenda elevada”. Elas também mencionam o cozimento de um cabrito no leite de sua mãe.
P: Em Levítico 1:3, 5, 10; 5:15; 22:19, por que eram exigidos animais machos — e não fêmeas — para um holocausto?
R: As Escrituras apenas dizem que era isso que Deus desejava. Um macho ou uma fêmea eram aceitáveis para as ofertas em Levítico 3:1, e apenas uma cordeira era adequada em Levítico 4:32. Como observação adicional, a palavra “expiação”, kipper, é usada quase 50 vezes em Levítico e cerca de mais 50 vezes no restante do Antigo Testamento, de acordo com o The Expositor’s Bible Commentary, vol. 2, p. 538.
P: Em Levítico 2:11, por que nenhuma oferta podia conter fermento (levedura) ou mel?
R: A Escritura não explica. No entanto, quando eu era um químico iniciante de doze anos, aprendi como o açúcar queimado cheira mal, e o mel é composto principalmente de açúcar. Na Bíblia, o fermento frequentemente representa coisas que crescem, como a tradição e os ensinamentos dos fariseus.
P: Em Levítico 1:14, por que não se especificam apenas aves machos?
R: As Escrituras não dizem. Uma possível razão é que é difícil distinguir o sexo de muitas aves selvagens.
P: Em Levítico 1:17 e Levítico 5:8, por que o sacerdote não pode cortar a ave ao meio?
R: As Escrituras dizem apenas que Deus deseja que seja assim. Em Gênesis 15:10, Abraão também não deveria cortar as aves ao meio em seu sacrifício.
P: Em Levítico 2:13, por que colocar sal nas ofertas?
R: As Escrituras dizem apenas que era isso que Deus queria. No entanto, eis algumas possíveis razões:
1. O sal era um bem valioso no mundo antigo.
2. Os sacerdotes e os levitas comiam parte das ofertas e também precisavam de sal. (Levítico 6:16-18, 26; 7:6-9)
P: Em Levítico 3:2, o sangue da oferta era aspergido sobre o altar ou derramado, como em Deuteronômio 12:27?
R: Existem duas visões.
Derramado vs. derramado no chão: A primeira interpretação, à qual as obras de Haley *Alleged Discrepancies of the Bible* (pp. 219-220) e *When Critics Ask* (p. 89) atribuem ao estudioso judeu medieval Maimônides, observa que os verbos são “derramado/aspersão” versus “derramado no chão”. Assim, uma pequena quantidade do sangue era aspergida sobre o altar, e o restante era derramado no chão.
Em uma época posterior: Três pontos a serem considerados:
Levítico 3:2 menciona especificamente as ofertas sacrificadas na Tenda da Reunião, que só era utilizada antes de entrarem na Terra Prometida.
Deuteronômio 12:1, 18 e 27 menciona explicitamente o sacrifício no local escolhido após a entrada na Terra Prometida. Deuteronômio 12:8 afirma especificamente que algumas das normas relativas aos sacrifícios mudariam quando entrassem em Canaã.
Por quê? As Escrituras não explicam por que Deus desejou essa mudança, mas podemos especular. Todos deveriam sacrificar seus animais para alimentação na Tenda da Reunião, que ficava em terreno aberto. Derramar todo o sangue ali poderia causar problemas logísticos. Posteriormente, Deuteronômio 12:21-22 concede permissão para abater animais longe do centro de adoração, após a entrada em Canaã. Com menos animais sendo abatidos e provavelmente havendo providências para o sangue no local permanente, o sangue poderia agora ser derramado.
P: Em Levítico 4, uma vez que Jesus teve que morrer para expiar nossos pecados, o que dizer da oferta pelo pecado que expiava os pecados no Antigo Testamento?
R: Há dois pontos a serem considerados na resposta.
1. Os sacrifícios do Antigo Testamento apenas encobriam o pecado, mas não o removiam.
2. As ofertas pelo pecado do Antigo Testamento destinavam-se apenas a atos pecaminosos não intencionais e imprudentes, bem como a um estado de impureza. Não havia oferta para o pecado deliberado. (Números 15:22-30; 35:31)
P: Em Levítico 4:13, como um Deus justo pode considerar as pessoas culpadas por pecados não intencionais?
R: As Escrituras nos apresentam três pontos sobre o pecado não intencional.
1. Quando alguém comete um pecado involuntariamente, isso não significa que essa pessoa seja inocente. Pode ser que, ao descobrir que pecou, ela tenha se alegrado por tê-lo feito. Para demonstrar que não é esse o caso, a pessoa oferecia um sacrifício. (Deuteronômio 21:1-9)
2. Tanto a Bíblia quanto a legislação moderna reconhecem que alguns atos não intencionais ainda são criminosos. O homicídio culposo e o ato de colocar a vida de outrem em risco de forma imprudente merecem punição, mesmo que o autor não tenha desejado a morte da vítima (Números 35:22-28). A pena para o homicídio culposo consistia em ser obrigado a permanecer em uma cidade de refúgio até que o sumo sacerdote em exercício falecesse.
3. Independentemente de a ação ter sido intencional ou não, se a pessoa que cometeu o pecado não teve oportunidade de saber que era algo errado, Romanos 4:15 e 5:13 afirmam que o pecado não intencional ainda é pecado, mas o pecado não é imputado onde não há lei.
P: Em Levítico 4:14, a congregação deveria oferecer apenas um novilho como oferta pelo pecado, ou tanto um novilho quanto um cabrito, conforme Números 15:24?
R: O contexto de ambos é toda a comunidade, mas
a) Levítico 4:14 refere-se ao período do Êxodo
b) Números 15:24 se refere desde aquela época até todas as gerações futuras.
Há uma lição que podemos extrair daqui sobre a maneira graciosa como Deus lida com as pessoas. O sacrifício menor em Levítico ocorreu quando a Lei ainda era relativamente nova para eles, e o sacrifício maior em Números ocorreu depois que eles já deveriam ter aprendido. Aparentemente, Deus não apenas distingue entre se alguém agiu errado intencionalmente ou não, mas, no caso de pecados não intencionais, Deus distingue também o tempo que a pessoa teve para aprender o que era certo.
Os livros *When Critics Ask*, p. 105, e *Haley’s Alleged Discrepancies of the Bible*, p. 242, oferecem uma resposta um tanto diferente. Levítico 4:14 refere-se especificamente a “cometer” o erro, ou pecados de “comissão”. Números 15:24 refere-se especificamente ao descumprimento de um mandamento, ou pecados de “omissão”.
P: O que significa Levítico 5:1?
R: Quando há uma convocação pública para testemunhas e uma pessoa permanece em silêncio sobre o que viu, isso constitui pecado. A frase seguinte, que afirma que ela será responsabilizada, pode ter consequências graves. Se uma pessoa inocente for executada injustamente porque uma testemunha se recusou a falar, então a testemunha é, presumivelmente, culpada de homicídio.
P: Em Levítico 5:13, Levítico 9:7, Levítico 16:16, 24, 32-33 e Levítico 17:11; 23:28, foi o sacerdote quem fez expiação pelo povo, ou foi Cristo quem fez isso em Hebreus 10:1-4?
R: Os sacrifícios do Antigo Testamento expiavam os pecados no sentido de que os encobriam, mas não os removiam. Hebreus 9:9-10 afirma que essas práticas externas não purificavam internamente a consciência do adorador. Elas vigoravam apenas até a vinda de Cristo.
Para aqueles que discordam, lembrem-se de que, em João 1:29-31, João Batista disse na presença de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” Jesus não corrigiu João. Pedro disse algo semelhante em 1 Pedro 1:19. Uma das quatro afirmações a seguir deve ser verdadeira:
1. João estava errado ao dizer isso
2. João estava certo
3. João estava certo, mas o significado era diferente, ou
4. O Evangelho de João foi adulterado nesse ponto fundamental.
Se for 1, então Jesus foi negligente ao não corrigi-lo, e Deus foi negligente ao não corrigir João, o apóstolo de Jesus.
Se for 2, então devemos acreditar no que está escrito.
Se for a opção 3, então isso soa como uma falsidade deliberada (mentira), pois, por 1.400 anos, os israelitas sabiam exatamente o que se entendia por “cordeiro sacrificial de Deus”.
Se for 4, então isso deve ter sido desconhecido pelos primeiros cristãos, pois nenhum deles afirmou que fosse. Não poderia ter sido corrompido após 150-200 d.C., pois dispomos de muitos manuscritos contendo João 1, sendo o mais antigo ainda existente o Papiro Bodmer II, datado de 150-200 d.C. Temos também o texto desse versículo registrado por Orígenes (225-254 d.C.) e Crisóstomo (c. 407 d.C.). Se tivesse sido corrompido, então Deus teria desejado — ou, pelo menos, permitido — que todos os Seus seguidores fossem enganados durante todo esse tempo.
P: Em Levítico 5:15, o sacrifício era oferecido a Deus ou aos sacerdotes, como diz Levítico 5:18?
R: Visto que os israelitas não podiam entrar no Céu por conta própria e que os sacerdotes representavam Deus, levá-lo diretamente aos sacerdotes era o meio que Deus estabeleceu para a apresentação de sacrifícios a Ele. O livro “As Supostas Discrepâncias da Bíblia”, de Haley, p. 245, afirma simplesmente que o sacerdote agia como representante de Deus. Consulte “Quando os Críticos Perguntam”, p. 89, para obter essencialmente a mesma resposta.
P: Em Levítico 5:16, quando alguém pecava involuntariamente em relação aos sacrifícios, por que acrescentar uma “quinta parte” como punição?
R: A Escritura, na verdade, não diz. A transgressão da pessoa não foi intencional, mas ela deveria ter conhecido melhor a Lei. Uma quinta parte também era acrescentada como restituição caso alguém obtivesse bens por meio de mentira ou fraude, conforme Levítico 6:5.
P: Em Levítico 6:13, por que o fogo nunca deveria se apagar?
R: As Escrituras não explicam. No entanto, isso poderia simbolizar tanto a necessidade de um sacrifício contínuo quanto a disponibilidade de poder oferecer sacrifícios a Deus a qualquer momento.
P: Em Levítico 7:1-2 e Levítico 8:17, por que os animais eram abatidos fora do acampamento, ou as cinzas levadas para fora do acampamento, conforme Levítico 6:11?
R: As Escrituras não dizem. No entanto, os corpos e as cinzas eram removidos do local onde as pessoas comiam, dormiam e viviam. Hebreus 13:11-13 menciona que Jesus foi crucificado fora do portão da cidade (em desgraça), assim como os corpos dos animais eram queimados fora do acampamento.
P: Em Levítico 7:15, todo o sacrifício da oferta de paz deve ser consumido no mesmo dia, ou parte dele também pode ser consumida no dia seguinte, conforme dizem Levítico 7:16-17 e Levítico 19:6?
R: Três pontos a serem considerados na resposta.
1. Levítico 7:16 distingue entre dois tipos de ofertas de paz: as ofertas de ação de graças e as oferecidas voluntariamente, por livre arbítrio.
2. O sacrifício da oferta de paz em ação de graças deve ser consumido integralmente no mesmo dia, conforme diz Levítico 7:15.
3. O sacrifício da oferta de paz que é voluntário ou feito por livre arbítrio também pode ser consumido no dia seguinte, conforme indicam tanto Levítico 7:16-19 quanto Levítico 19:6.
P: Em Levítico 7:23-25, por que não podiam comer a gordura da carne? E quanto aos pedaços imperceptíveis de gordura na carne?
R: As Escrituras não explicam por que Deus ordenou isso. No entanto, sabemos hoje que grandes quantidades de gordura, especialmente a gordura saturada presente na carne vermelha, não são saudáveis para as pessoas. Embora seja inevitável ingerir alguma gordura, consumir porções microscópicas é muito diferente de consumir banha pura.
P: Em Levítico 7:26-27 e Levítico 17:10-14, por que os israelitas não podiam comer sangue?
R: Na verdade, essa ordem foi dada pela primeira vez em Gênesis 9:4, não apenas para os israelitas, mas para todos. Além disso, em Atos 15:20, a igreja primitiva ordenou a todos que não comessem sangue.
A resposta está em Gênesis 9:4 e Levítico 17:11,14. A vida está no sangue, e é por meio do sangue que a expiação é feita por nós. Nos tempos do Antigo Testamento, o sangue cobria os pecados das pessoas (Hebreus 9:22), até que o sangue de Cristo fosse derramado por nós.
P: Em Levítico 7:30-31, Levítico 8:16,20 e Levítico 16:25, por que deviam queimar a gordura?
R: As Escrituras dizem que era um aroma agradável, conforme Levítico 8:28. Assim como a gordura que escorre em uma churrasqueira tem um cheiro agradável e produz fumaça, queimar a gordura nos sacrifícios provavelmente tinha um efeito semelhante.
P: Em Levítico 7:36 e Levítico 16:31,34, uma vez que os estatutos sobre o sacrifício eram eternos para os israelitas, por que os cristãos judeus deixaram de praticá-los em Atos 15:1-29?
R: Na verdade, os sacrifícios eram oferecidos a Deus não pelo povo, mas pelo sacerdote. Hoje em dia é a mesma coisa. Precisamos de um sacrifício que seja oferecido a Deus pelo nosso sacerdote. Temos isso em nosso Sumo Sacerdote, Cristo Jesus, como sugere João 1:29 e mostram Hebreus 8-10 e 1 João 2:2.
P: Em Levítico 8:8, Deuteronômio 33:8, Esdras 2:63 e Neemias 7:65, o que eram o Urim e o Tumim?
R: Finalidade: Naquela época, o Urim e o Tumim eram um meio pelo qual o sumo sacerdote determinava a vontade de Deus sobre um assunto (Êxodo 28:30; Números 27:21). Às vezes, Deus permanecia em silêncio por meio do Urim e do Tumim (1 Samuel 28:6).
Descrição: Fazia parte do peitoral, que continha doze pedras, uma para cada uma das doze tribos de Israel.
Como funcionava: Não possuía poder intrínseco próprio, mas funcionava apenas porque Deus escolheu usá-lo para se comunicar. Como funcionava? Não sabemos. O historiador judeu Josefo, escrevendo por volta de 93-94 d.C., acreditava que Deus fazia com que as pedras se iluminassem conforme necessário.
P: Em Levítico 9:12-13, como eles poderiam matar e colocar o holocausto sobre o altar, uma vez que ele já havia sido queimado?
R: Os holocaustos são bovinos, ovinos ou caprinos que serão abatidos e queimados, mesmo antes de serem queimados.
P: Em Levítico 10:1-2 e Números 3:4, por que Deus matou os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, que ofereceram fogo não autorizado a Deus?
R: Deus leva muito a sério a adoração a Si mesmo. O fato de eles terem tido a audácia de rejeitar a maneira exata de adorar a Deus e, conscientemente, fazer o que não estavam autorizados a fazer foi punido como um exemplo para os demais. Hebreus 12:18-23 nos diz que as coisas são diferentes agora. Enquanto eles adoravam em uma montanha onde havia fogo ardente, desde a ressurreição de Jesus, hoje nos aproximamos com confiança de uma assembleia alegre.
P: Em Levítico 10:6, por que Arão não pôde lamentar a morte de seus próprios filhos?
R: Levítico 21:1-4 afirma que os sacerdotes podiam tornar-se impuros por causa de seus próprios filhos. No entanto, Levítico 21:10-12 diz que um sumo sacerdote não podia tornar-se impuro de forma alguma, nem mesmo pela morte de seu próprio pai ou de sua própria mãe.
P: Em Levítico 10:16-20, por que Moisés ficou irado com Arão e por que Moisés se acalmou?
R: Considerando que Deus matou dois dos filhos de Aarão por causa de sacrifícios inadequados, Moisés provavelmente estava ao mesmo tempo zangado com Aarão e com medo de que ele pudesse ter o mesmo destino. No entanto, quando ficou claro para Moisés que o erro de Aarão foi acidental e que ele estava arrependido, Moisés, que conhecia o coração de Deus, não ficou preocupado.
P: Em Levítico 11 e Deuteronômio 14, qual é um resumo das leis alimentares?
R: Aqui está um breve resumo.
Sem gordura — Levítico 7:23-25
Sem sangue — Gênesis 9:4; Levítico 7:26-27; 17:10-14; 19:26
Alguns animais herbívoros com cascos fendidos que também ruminam são permitidos. Camelos, damãs, coelhos e porcos não são. — Levítico 11:3-8; Deuteronômio 14:6-8. Como observação adicional, os porcos são portadores de tênias, triquinose, erisipela e febre tifóide.
Apenas peixes, sem frutos do mar, a menos que tenham barbatanas e escamas. Nada de caranguejo, lagosta, camarão, enguia, tubarão ou golfinho (Levítico 11:9-12; Deuteronômio 14:9-10). Como observação adicional, os animais proibidos eram, em geral, necrófagos.
Não são permitidas águias, gaviões, abutres, milhafres, corujas, corvos-marinhos, cisnes, pelicanos, cegonhas ou morcegos (Levítico 11:13-19; Deuteronômio 14:11-18). A título de observação, muitas dessas aves eram necrófagas, e aquelas que não o eram se alimentavam de ratos, camundongos e outros necrófagos.
Poucos insetos, apenas alguns gafanhotos, locustas e besouros. Nada de formigas ou baratas cobertas de chocolate (Levítico 11:20-23; Deuteronômio 14:19). Portanto, o senhor pode dizer à sua esposa que vai dispensar as baratas no jantar desta noite. ;-)
Diversos: nada de ratos, doninhas, tartarugas, lagartos, caracóis ou toupeiras (Levítico 11:26-31).
P: Em Levítico 11 e Deuteronômio 14, será que Moisés teria aprendido seus princípios de saúde com os egípcios?
R: De jeito nenhum. As práticas de saúde egípcias foram bem documentadas e preservadas até hoje. Há inúmeras referências aos poderes curativos do sangue de verme, da água mágica, do excremento de mosca e do estrume, mas elas estão (felizmente) ausentes no Antigo Testamento. Não há menção, nos textos egípcios, às práticas sanitárias do Antigo Testamento.
Os egípcios possuíam, no entanto, algum conhecimento sofisticado, com 48 tipos de cirurgia. Também não há evidência disso na Bíblia.
P: Em Levítico 11 e Deuteronômio 14, os judeus, tanto naquela época quanto hoje, tinham permissão para caçar animais?
R: Alguns judeus hoje acreditam que não. Seu raciocínio é que caçar animais que não se comem é cruel, e os judeus não deveriam comer nem mesmo animais caçados de acordo com as normas kosher, pois seu sangue não foi drenado adequadamente.
No entanto, não é isso que a Palavra de Deus diz. Não há proibição contra a caça para alimentação ou esporte. Na Lei Mosaica, Levítico 17:13 afirma que é permitido caçar animais e aves, desde que se certifique de drenar o sangue. Ora, drenar o sangue de um animal no campo não é tão minucioso quanto o processo kosher dos judeus de hoje, mas drená-lo da maneira como um caçador o faria é tudo o que Deus exigia.
P: Em Levítico 11 e Deuteronômio 14, como é que eles podiam comer aves que voam? As aves que voam têm apenas carne escura, o que se deve a uma porcentagem maior de sangue na carne.
R: O objetivo da ordem contra o sangue era “drenar o sangue”, ou seja, o sangue que escorria do corpo. Não se tratava de remover todos os traços microscópicos de sangue.
P: Em Levítico 11:3-8 e Deuteronômio 14, por que não podiam comer animais que ruminavam, mas não tinham cascos fendidos?
R: As Escrituras dizem apenas que foi isso que Deus ordenou. Deus não apenas descreveu especificamente os animais que eles conheciam, mas também estabeleceu regras gerais para animais com os quais eles talvez ainda não estivessem familiarizados.
P: Em Levítico 11:6 e Deuteronômio 14:7, por que se diz que os damãs (hyraxes) e as lebres (coelhos) ruminam, uma vez que os zoólogos sabem com certeza que eles não o fazem?
R: A palavra hebraica está de acordo com as antigas classificações de animais, não com as modernas. O termo em inglês “ruminar” refere-se a animais chamados ruminantes, que possuem múltiplos estômagos para digerir plantas. Um estômago inicia a digestão e, em seguida, o alimento é parcialmente regurgitado e enviado para outro estômago. Um animal não pode ruminar se seu sistema digestivo não permitir isso. Quatro pontos a serem considerados na resposta.
Não são ruminantes: os coelhos-da-floresta e os coelhos comuns não possuem um sistema digestivo que permita o que hoje chamamos de “ruminar”.
Parecem ruminantes: como as lebres e os coelhos movem as mandíbulas lateralmente como os ruminantes e se alimentam dos mesmos alimentos, dão a impressão de ruminar. Até mesmo o naturalista Linnaeus, a princípio, pensou que fossem ruminantes.
Deus se comunica de forma compreensível: o propósito de Deus era comunicar aos israelitas regras práticas a serem seguidas, por meio de palavras e conceitos que eles pudessem compreender, e os israelitas classificaram a lebre e o coelho como aqueles que “trazem de volta o que foi engolido”.
Utilizando seus próprios termos: Deus utilizou a própria linguagem, os termos e as descrições deles para se comunicar com eles. Qualquer hebreu que vivesse antes da era moderna entenderia que os animais que “ruminam” incluem coelhos e lebres. Aplicar um sistema de classificação diferente e moderno aos escritos de Moisés de forma anacrônica é impor um significado moderno a palavras antigas.
Consulte *When Critics Ask*, p. 89-90; *Hard Sayings of the Bible*, p. 158-160; *Bible Difficulties and Seeming Contradictions*, p. 89-90; *Encyclopedia of Bible Difficulties*, p. 126; o *Wycliffe Bible Dictionary*, p. 78; e Stephen Caesar, “Zoology in the Pentateuch: Três Supostos Erros”, “Science, Scholarship and Scripture” na revista *The Christian News*, 2 de julho de 2001, p. 26, para obter basicamente a mesma resposta.
P: Em Levítico 11:9-10, 31, por que eles podiam comer peixes com barbatanas e escamas, e não outros peixes, lulas e camarões?
R: As Escrituras não explicam, mas uma razão poderia ser que Deus não queria que eles contraíssem doenças ao cozinhar inadequadamente peixes que se alimentam no fundo do mar. O fato de a Lei Mosaica proibir peixes que se alimentam no fundo do mar já havia sido observado em 100 d.C., na Epístola de Barnabé, cap. 10, p. 143-144.
P: Em Levítico 11:11 e Êxodo 35:7, uma vez que as carcaças de golfinhos eram consideradas abominação, por que Deus ordenou que o Tabernáculo fosse coberto com elas?
R: A Bíblia nunca afirmou que os golfinhos fossem animais abomináveis por si só. Ela apenas afirmou que comer golfinhos era abominável e que usar suas peles para fins comuns constituía uma abominação.
Essa não era uma palavra hebraica de uso comum, portanto há alguma incerteza aqui. O golfinho comum vivia no Mar Mediterrâneo. No entanto, o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 97, afirma que o animal em questão era o dugongo (ou vaca-marinha). Os dugongos às vezes nadavam ao longo das margens do Mar Vermelho. A BSB traduz isso como “couro fino”, com uma nota de rodapé indicando que se trata possivelmente de peles de grandes mamíferos aquáticos, e o livro “A Arqueologia Pode Provar o Antigo Testamento?”, p. 31, acrescenta ainda que os dugongos são abundantes nessa região e que, atualmente, os árabes fabricam sandálias com suas peles. Ezequiel 16:10 utiliza a mesma palavra hebraica ao mencionar o “couro” das sandálias.
P: Em Levítico 11:13-19, por que são mencionadas vinte aves, se Deuteronômio 14:11-18 menciona vinte e uma aves?
R: As duas listas contêm as mesmas aves, com as seguintes exceções:
Levítico 11:13-19 Deuteronômio 14:11-18
Qualquer espécie de milhafre-preto Milhafre-preto
Qualquer tipo de falcão
Ambas as listas mencionam qualquer tipo de gavião. Embora os zoólogos modernos classifiquem os falcões como um tipo de gavião, tecnicamente falando, isso é irrelevante, pois não se pode impor classificações modernas a listas antigas em outra língua e cultura. O ponto principal é que os antigos hebreus aparentemente também consideravam os falcões como um tipo de gavião.
Uma segunda resposta, apresentada na obra de Haley, *Alleged Discrepancies of the Bible* (p. 391), é que o termo “falcão” seria um erro de transcrição alheio ao texto. Ele afirma isso porque, em hebraico, “abutre/falcão” (daah) difere em apenas uma letra de “glede” (raah), e “abutre” está ausente no Pentateuco Samaritano, na Septuaginta e em muitos manuscritos hebraicos.
P: Em Levítico 11:20-21, é incorreto afirmar que existem insetos de quatro patas (tanto um ateu quanto um muçulmano fizeram essa pergunta)?
R: A expressão hebraica “de quatro” significa que o animal não anda ereto. Assim, um cão com uma pata amputada ainda anda “de quatro”. Aparentemente, os hebreus não possuíam a palavra “paralelo”. Pensando bem, mesmo em inglês ou chinês, como o senhor explicaria resumidamente a alguém que animais de quatro, seis e muitas patas andam da mesma maneira, sem utilizar a palavra “paralelo”?
P: Em Levítico 12:1-8, por que as mulheres são [supostamente] pecadoras após o parto? (Essa pergunta foi feita por um muçulmano.)
R: As Escrituras não dizem “pecadoras”, mas apenas “impuras”. Quando alguém da família de um levita morria, Deus ordenava que enterrassem o corpo, e eles ficariam impuros até o anoitecer. Tornar-se impuro é diferente de ser pecador, como comprovado pelo fato de Deus ordenar que se tornassem impuros em determinadas situações.
P: Em Levítico 12:1-5, por que uma mãe fica impura após dar à luz?
R: As Escrituras não dizem. No entanto, estar impura a isentaria das tarefas da vida cotidiana, e esse tempo de descanso seria benéfico para ela.
P: Em Levítico 12:1-5, por que uma nova mãe fica impura por 7 dias ao dar à luz um filho e por 14 dias ao dar à luz uma filha?
R: As Escrituras não dizem. No entanto, impura não significa pecadora. Uma razão provável é que os meninos eram circuncidados no oitavo dia e, ao encurtar o período para os meninos, a mãe poderia estar presente na cerimônia de circuncisão.
P: Em Levítico 12:5-7, por que as novas mães traziam uma oferta queimada e uma oferta pelo pecado por terem filhos, já que o Salmo 128:3 diz que a maternidade é uma bênção?
R: A maternidade é uma bênção. No entanto, como quase tudo o que fazemos, ela também está manchada pelo pecado. Até mesmo as crianças que nascem têm uma natureza pecaminosa.
P: Em Levítico 13, por que os sintomas da lepra naquela época não apresentavam as mesmas características que conhecemos como lepra?
R: A palavra hebraica se referia a uma ampla variedade de doenças de pele, e não apenas ao que chamamos de lepra, ou doença de Hansen.
Como observação adicional, imagine o quão importante seria a higiene da pele no mundo antigo, quando as pessoas não tinham condições de tomar banho com frequência.
P: Em Levítico 13, quais doenças daquela época poderiam ser consideradas lepra?
R: O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 462, apresenta a seguinte lista:
Lepra verdadeira (doença de Hansen), sífilis, varíola, sarna, favus, tinea do couro cabeludo, infecções fúngicas sistêmicas, furúnculos e úlceras, pênfigo, dermatite herpetiforme e câncer de pele. Essa lista foi extraída do artigo “Leprosy in Ancient Hebraic Times” (A lepra nos tempos hebraicos antigos), do Dr. Harold M. Spinka. O artigo foi publicado no Journal of the American Scientific Affiliation, em março de 1959.
P: Em Levítico 13:51-52, o que é a lepra corrosiva?
R: Muitas doenças de pele daquela época foram erradicadas nos tempos modernos. O termo hebraico aparentemente se refere a um tipo de mofo ou lepra com o qual não estamos familiarizados hoje.
P: Em Levítico 13:47-59 e Levítico 14:33-53, como as roupas e as casas podem “adquirir a doença” e ter lepra?
R: As roupas podem transmitir doenças de pele. Fungos e mofo podem se desenvolver tanto nas roupas quanto nas pessoas, e as roupas também podem ser portadoras de doenças.
P: Em Levítico 14:12, por que alguém precisava oferecer uma oferta pela transgressão e uma oferta pelo pecado ao ser curado de uma doença?
R: As Escrituras não dizem explicitamente, mas
1. Um sacrifício sempre fazia parte de uma purificação cerimonial.
2. Não há menção de que a pessoa fosse “culpada” ou “mais pecadora” do que as outras por ter essa doença.
Há uma aplicação espiritual que podemos aprender aqui. Além do fato de que Deus perdoa aos crentes todos os seus pecados, ainda precisamos de purificação para nossa natureza pecaminosa.
P: Em Levítico 14:14,17, por que se colocava sangue e óleo na orelha direita, no polegar direito e no dedão do pé direito?
R: As Escrituras não dizem especificamente, mas isso provavelmente serve para identificar aquele que faz a oferta com a própria oferta. Outros exemplos do uso da orelha direita, do polegar direito e do dedão do pé direito encontram-se em Levítico 8:23-24 e Êxodo 29:20.
P: Em Levítico 15:16, uma vez que as pessoas ficavam impuras após o ato sexual até o anoitecer, isso significa que o ato sexual dentro do casamento é, de alguma forma, pecaminoso?
R: Não. Impureza não significa desobediência a Deus, mas maior cuidado devido ao risco sanitário. Por exemplo, quando um parente próximo falecia, era necessário enterrá-lo e (sem ser desobediente) a pessoa ficava impura até o anoitecer. As leis sobre pureza eram muito importantes em uma cultura do deserto com pouca água.
Um exemplo de um sacerdote que se tornou impuro por estar obedecendo à vontade de Deus encontra-se em Números 19:8.
P: Em Levítico 15:19-30,33, por que as mulheres são [supostamente] pecadoras durante a menstruação? (Um muçulmano afirmou isso.)
R: Elas não são pecadoras, apenas impuras. Quando alguém da família de um levita morria, Deus ordenava que enterrassem o corpo, e eles ficariam impuros até o anoitecer. Tornar-se impuro é diferente de ser pecador, como comprovado pelo fato de Deus ordenar que se tornassem impuros em determinadas situações.
Visto que isso era uma preocupação para esse muçulmano, talvez ele queira comentar sobre isso a partir da Sharia: assoar o nariz e menstruar-se são atos de Satanás (Ibn-i-Majah, vol. 2, n.º 969, p. 87).
Ele deveria perguntar aos estudiosos muçulmanos por que as mulheres muçulmanas são proibidas de orar durante o período menstrual. Aqui estão algumas fontes da Sharia que ele pode utilizar para questioná-los.
Um cão preto ou uma mulher, ou um cão e uma mulher menstruada, interrompem a oração. Abu Dawud, vol. 1, n.º 702, 703, p. 181; Ibn-i-Majah, vol. 2, n.º 949-953, p. 78-80
Não é permitido que uma mulher menstruada recite o Alcorão. Abu Dawud, vol. 1, nota de rodapé 111, p. 56
P: Em Levítico 16:1-2, por que Deus concedeu um pouco de tolerância a Arão, uma vez que não concedeu misericórdia alguma aos dois filhos de Arão, Nadabe e Abiú?
R: O contexto mostra que Arão cometeu seu erro por ignorância, e Romanos 4:15 e Romanos 5:13 demonstram que Deus não considera como transgressão os pecados que cometemos por ignorância inocente.
P: Em Levítico 16:8, quem é Azazel e qual é a relação dele com o bode expiatório?
R: O cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, pp. 158-159, alega que isso seria evidência de uma mitologia judaica anterior e mais primitiva. Três pontos para uma resposta cristã.
1. Não, não há absolutamente nenhuma evidência dessa suposta mitologia judaica primitiva. As evidências que temos das práticas idólatras dos israelitas são consistentes com o fato de que todas foram emprestadas dos povos vizinhos.
2. Os cristãos admitem abertamente que, desde os tempos mais remotos, muitos israelitas tinham práticas idólatras e mitológicas. Basta ler sobre o bezerro de ouro no Monte Sinai, ou as constantes exortações contra a adoração de ídolos, para perceber que o Antigo Testamento admite francamente essa maldade, embora a Bíblia não entre em muitos detalhes.
3. A afirmação de Asimov parte da premissa de que os rituais do Antigo Testamento não poderiam ter sido revelados por um Deus transcendente. Em vez disso, Asimov pressupõe que a fonte deve ter sido práticas idólatras e, por meio de um raciocínio circular, recorre ao exemplo de Azazel para comprovar seu argumento. A falha de Asimov reside no fato de que, embora ele utilize a comparação de Azazel com uma hipotética prática idólatra dos israelitas para demonstrar que esse ritual não foi concedido por um Deus transcendente, não há evidências de que os israelitas idólatras tivessem uma prática semelhante à de Azazel.
P: Em Levítico 16:10, 22, 26, por que Deus introduziu o conceito de bode expiatório?
R: O conceito bíblico de bode expiatório difere do termo moderno. O termo moderno refere-se a alguém que é culpado por algo pelo qual não é responsável.
Na Bíblia, o bode expiatório era solto para viver no deserto, e simbolicamente toda a culpa era colocada sobre ele. No sentido bíblico, Jesus é o nosso bode expiatório.
A ideia de que o bode expiatório fosse um símbolo de Satanás era uma tradição judaica que surgiu muito mais tarde.
P: Em Levítico 16, por que tudo precisava ser feito exatamente dessa maneira?
R: Seria possível escrever um livro sobre as razões, e Deus o fez — especificamente, o Livro de Hebreus. Consulte, especialmente, Hebreus 7-10 e 13.
P: Em Levítico 17:3-4, 9, as pessoas podiam matar qualquer animal sem que isso fosse um sacrifício?
R: Na época do Êxodo, não. A razão para isso era que Deus não apenas deseja que O adoremos, mas também que O adoremos exclusivamente a Ele, e que não adoremos nem ofereçamos sacrifícios a quaisquer outros deuses, como mostra Levítico 17:7.
No entanto, Deuteronômio 12:20-23 afirma expressamente que isso mudaria quando eles entrassem em Canaã.
P: Em Levítico 17:7, os demônios mencionados (se‘irim) eram deuses-cabra selvagens, como afirma o livro *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 159?
R: De acordo com a Tradução Literal de Green, o hebraico aqui significa “sacrifícios a cabras”. Assim, eles foram tentados a fazer sacrifícios a deuses-cabras, como afirma Asimov.
P: Em Levítico 17:13, o sangue era drenado e coberto com terra, ou era derramado como água, conforme diz Deuteronômio 12:24?
R: Ambas as afirmações estão corretas. Há três pontos a serem considerados na resposta.
1. Derramar e drenar o sangue são, essencialmente, a mesma coisa.
2. O contexto de Deuteronômio é o consumo de carne em geral, especialmente em casa, onde as pessoas mantêm a casa limpa. Assim, não foram fornecidos detalhes sobre como descartar o sangue de forma a manter a casa limpa.
3. Levítico menciona especificamente a caça no campo. Embora um caçador possa se sentir tentado a simplesmente deixar o sangue no chão, Levítico 17:13 acrescenta especificamente que o caçador deve “limpar o que sujou” e cobrir o sangue com terra.
P: Em Levítico 18:1-17 e 20:12,14, qual é um resumo das leis levíticas sobre o casamento?
R: Com base no Código de Santidade de Levítico 17-25, eis as restrições ao casamento.
Ponto de vista do homem Do ponto de vista da mulher
Filha (parente próxima) Filho (parente próximo)
Mãe (parente próximo) Pai (parente próximo)
Mãe/madrasta Filho/enteado
Irmã de sangue/meia-irmã/irmã adotiva Irmão de sangue, meio-irmão ou meio-irmão adotivo
Neta Avô
Irmã dos pais Filho de irmão
Esposa do irmão do pai Filho do irmão do marido
Nora Sogro
Esposa do irmão Irmão do marido
Sogra Genro
Irmã da esposa (viva) Marido da irmã viva
Sem restrições:
Filha do irmão Irmão dos pais
Filha do irmão da esposa Marido da irmã do pai
Esposa do irmão da mãe Filho da irmã
Filha do irmão dos pais Filho do irmão dos pais
Filha do irmão Irmão do pai
Esposa do irmão da mãe Filho da irmã do marido
Assimetria: As restrições são “assimétricas” no que diz respeito ao seguinte. Uma mulher pode se casar com o filho de sua irmã, mas não com o filho de seu irmão. Um homem pode se casar com a [ex]esposa do irmão de sua mãe, mas não com a [ex]esposa do irmão de seu pai.
P: Em Levítico 18:5, as pessoas podem ser salvas ao cumprir a lei, uma vez que o Novo Testamento ensina que somente Cristo pode nos salvar?
R: A verdade contida em Levítico 18:5 é apenas uma peça do mosaico da lei, da misericórdia e da graça de Deus. Aqui estão algumas das outras peças que se encaixam com Levítico 18:5.
1. Hipoteticamente, uma pessoa não precisaria da misericórdia de Deus se cumprisse a Lei perfeitamente.
2. Ela (e nós) deveríamos nos esforçar para viver uma vida sem pecado e obedecer a Deus perfeitamente.
3. No entanto, não somos capazes de fazê-lo. Ninguém está isento de pecado (Provérbios 20:9; Salmo 14:2-3; 19:12).
4. Ao percebermos isso, devemos nos voltar para Deus e valorizar Sua misericórdia e graça.
5. Deus prometeu ao povo que O seguia no Antigo Testamento que (de alguma forma) se eles se comprometessem com Deus e com Sua Lei, seriam salvos. Muitos outros versículos, além de Levítico 18:5, demonstram isso.
6. Deus revelou o único meio que Ele escolheu para perdoar tanto os pecados deles quanto os nossos em Jesus Cristo.
7. Embora vivamos após a ressurreição de Cristo, Levítico 18:5 é aplicável a nós hoje, em um sentido secundário. Deus ordena que todos os homens creiam e obedeçam a Jesus (2 Tessalonicenses 1:8). Se alguém crer e obedecer a Deus, terá a vida eterna.
Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 160–161, e *735 Baffling Bible Questions Answered*, p. 67, para uma resposta diferente.
P: Em Levítico 18:16 e Levítico 20:21, por que foi proibido a um homem casar-se com a esposa de seu irmão, uma vez que Deuteronômio 25:5-10 ordenava que ele se casasse com a esposa de seu irmão?
R: Levítico 18:16-18 diz que não se deve casar com a esposa do irmão enquanto ele estiver vivo. A ordem para casar-se com a esposa do irmão, em Deuteronômio 25:5-10, tem como objetivo dar continuidade ao nome dele após a morte do irmão.
P: Em Levítico 18:8-18; 20:11-14, 17-21, por que o incesto é abordado na Bíblia? (Um muçulmano levantou essa questão.)
R: Esse tema desagradável precisava ser abordado; a realeza egípcia e, posteriormente, os persas praticavam o incesto regularmente.
P: Em Levítico 18:19 e Levítico 20:18, os maridos e as esposas devem ter relações sexuais enquanto a esposa estiver menstruada?
R: Este versículo mostra que, segundo a Lei Mosaica, eles não deveriam.
P: Em Levítico 18:22, 24 e Levítico 20:13, a homossexualidade ainda é errada, ou é algo que mudou, como o consumo de carne de porco, ou algo que permanece inalterado, como a proibição do sacrifício de crianças?
R: Continua sendo errado. Não só o Novo Testamento silencia sobre qualquer mudança a esse respeito, como também temos a confirmação em Romanos 1:26-27 e 1 Coríntios 6:9 de que isso ainda é pecaminoso.
Levítico 18:22 vem logo após um versículo que proíbe o sacrifício de crianças e antes do versículo que proíbe a zoofilia; portanto, talvez Deus considere os três de maneira semelhante. Levítico 20:13 vem dois versículos antes dos dois versículos que proíbem a zoofilia. Veja também a discussão sobre Romanos 1:26-27 e 1 Coríntios 6:9.
P: Em Levítico 18:22-24 e Levítico 20:13, a homossexualidade e a zoofilia foram condenadas exclusivamente porque não era possível gerar filhos?
R: Não, essa não foi a razão apresentada por Deus. A razão está claramente explicada em Levítico 18:22-23. Assim como o ato sexual com um animal é uma perversão, o ato sexual entre dois homens é detestável aos olhos de Deus e, naquela época, era punível com a morte.
P: Em Levítico 19:18, quem é o próximo que os judeus deviam amar?
R: Levítico 19:18 diz que isso incluía qualquer membro do seu próprio povo. Presumivelmente, também incluía os estrangeiros (viajantes e residentes temporários) na terra, mas não os cananeus.
P: Em Levítico 19:20, por que punir uma escrava que mantivesse relações sexuais?
R: A Lei Mosaica não punia nenhuma mulher, escrava ou livre, que tivesse sido estuprada. Mas se uma mulher não tivesse sido estuprada, ou se estivesse em uma cidade e não tivesse gritado, uma mulher livre seria morta. Uma escrava, dadas as circunstâncias, não era morta. Veja a próxima pergunta para saber qual era a punição dela.
Isso contrasta fortemente com a lei romana posterior, na qual uma escrava podia ser punida com o corte do nariz pelo “crime” de se cobrir modestamente na presença de seu senhor. A Lei Mosaica também contrasta fortemente com a lei islâmica, na qual as relações sexuais com escravas e cativas eram permitidas e em nenhum momento desencorajadas. Elas eram chamadas de “mulheres que nossa mão direita possui”. Para documentação sobre isso na Lei Islâmica sunita, leia o Hadith de Bukhari, vol. 3, livro 34, cap. 113, após o n.º 436, p. 239-240.
P: Em Levítico 19:20, a mulher foi açoitada?
R: Há incerteza quanto à palavra hebraica. Aqui estão algumas das traduções.
Versão King James: “ela será açoitada; não serão condenados à morte…”
Versão Nova King James: “por isso haverá açoites; mas não serão condenados à morte…”
NIV: “deve haver a punição devida. Contudo, não devem ser condenados à morte…”
NASB: “haverá punição; eles não serão, no entanto, condenados à morte…”
Bíblia Padrão de Berea: “deve haver a punição devida. Mas eles não devem ser condenados à morte…”
Bíblia Interlinear de Jay P. Green: “haverá um inquérito; não serão condenados à morte…”
As traduções se dividem em dois grupos: ou a palavra hebraica significa “flagelação” ou significa “inquérito/punição”. Obviamente, a mulher recebeu algum tipo de punição. No entanto, é apenas a Versão King James, de 400 anos, que afirma que apenas a mulher foi flagelada.
P: Em Levítico 19:26,31; 20:6,27, por que a feitiçaria, a magia e os médiuns foram proibidos?
R: Essas passagens bíblicas mencionam que
A. Se você recorrer a um médium, será contaminado por ele (Levítico 19:31)
B. Se você recorrer a eles, estará se prostituindo (espiritualmente) a eles. (Levítico 20:6)
Outras razões pelas quais isso é errado são:
1. As pessoas buscam a sabedoria deles em vez da de Deus
2. As pessoas confiam no poder deles em vez de confiar em Deus
3. As pessoas dedicam-se à magia e aos médiuns em vez de a Deus
4. As pessoas, por vezes, veneram e adoram essas coisas em vez de Deus.
Mesmo que o senhor não pratique todas essas quatro coisas, praticar apenas uma delas já significaria que A e B se aplicam a o senhor. Os cristãos não devem recorrer a videntes de nenhum tipo, nem mesmo por diversão em feiras.
P: Em Levítico 19:27, por que Deus se preocupava com os penteados?
R: A Escritura não diz. O cabelo é algo visível, e não cortar as pontas seria uma forma de identificar os homens judeus. Observe que, nessa cultura, mesmo os que não eram nazireus podiam ter cabelos longos. Veja também a discussão sobre 1 Coríntios 11:14.
P: Em Levítico 19:28, isso significa que uma pessoa não deve fazer uma tatuagem?
R: Isso faz parte da Lei Mosaica. No entanto, o Novo Testamento afirma que somos o Templo de Deus, e não queremos fazer grafites na parede do Templo de Deus. Apocalipse 13:16-18 diz que a maioria das pessoas, exceto os crentes, terá uma marca na mão direita ou na testa representando 666, o número da besta. O único argumento a favor das tatuagens é que, no Egito atual, alguns coptas tatuam uma cruz bem visível em seus filhos recém-nascidos. Isso ocorre porque, caso contrário, fundamentalistas muçulmanos tendem a roubar suas crianças e criá-las como muçulmanos.
P: Em Levítico 20, por que tantos crimes eram punidos com a pena de morte?
R: Aparentemente, essas infrações eram graves o suficiente para merecerem a execução aos olhos de Deus. Em vez de tentarmos encaixar Deus em nossas próprias noções preconcebidas, aprendamos o que Deus ensinou e, então, busquemos as razões para isso. Os crimes que merecem a pena de morte se enquadram em três categorias:
Tirar a vida humana: homicídio doloso e homicídio culposo, caso o autor não fuja para uma cidade de refúgio. Uma diferença importante entre a Lei do Antigo Testamento e outras leis é que não importava se a vítima era escrava ou livre. A execução de uma pessoa por ter tirado a vida humana é a punição adequada por tal ato.
Pecados sexuais: a maioria dos pecados sexuais — adultério, homossexualidade, incesto, bestialidade — é punida com a morte. Muitos pecados sexuais são viciantes e tentam envolver outras pessoas em seu pecado. Para o bem da comunidade daquela época, os culpados eram executados.
Desafio aberto: Adorar outros deuses, praticar adivinhação etc. constitui um desafio contra Deus para o povo escolhido por Ele, os judeus. É claro que um judeu poderia abandonar o povo, assimilar-se em outro país e fazer o que bem entendesse. Mas, para os judeus que viviam como o povo escolhido, Deus não tolerava desafio contra Si mesmo. Ele também não tolerava desafio contra os pais, como amaldiçoá-los abertamente (Levítico 20:9).
O Antigo Testamento apresentava menos crimes puníveis com a pena de morte do que outros códigos legais. Muitos outros códigos legais condenavam ladrões à morte.
Em contraste com a Lei do Antigo Testamento, a Lei Islâmica (Sharia) é diferente. Se um homem livre e um escravo matarem um escravo juntos, o escravo é executado e o homem livre precisa pagar apenas metade do preço de sangue. Eis a citação: “Malik disse a respeito de um adulto e uma criança quando matam um homem juntos. ‘O adulto é executado e a criança paga metade do valor total do dino.’ Malik disse: ‘O mesmo se aplica a um homem livre e a um escravo quando assassinam um escravo. O escravo é executado e o homem livre paga metade do seu valor.’” Muwatta Malik 43.3.3
P: Em Levítico 20:2, “Molech” realmente se refere a “melech” (rei), e trata-se de uma proibição contra o deus do povo, como afirma o Guia de Asimov para a Bíblia, p. 162?
R: Não. O nome Molech pode ter derivado da palavra que significa “rei”. No entanto, tratava-se de um ídolo específico que os amonitas adoravam. Há evidências de que um deus chamado Muluk era conhecido na cidade-estado de Mari por volta de 1700 a.C.
P: Em Levítico 21:1-4, por que um sacerdote só podia fazer luto pelos pais, irmãos e irmãs que moravam em casa, mas não por outras pessoas?
R: Aparentemente, considerava-se mais importante que o sacerdote mantivesse a pureza cerimonial para o desempenho de suas funções do que se tornar cerimonialmente impuro por qualquer pessoa que não fosse de sua família mais próxima.
P: Em Levítico 21:11, por que o sumo sacerdote não podia tornar-se cerimonialmente impuro nem mesmo para o funeral de seus próprios pais?
R: A importância do ofício do sumo sacerdote aparentemente impedia isso.
P: Em Levítico 21:18-23, por que Deus parece não gostar das pessoas com deficiência e proíbe que aqueles com deficiência física se tornem sumos sacerdotes?
R: Se Deus quisesse, Ele teria total liberdade para escolher apenas pessoas baixas, altas, de cabelos escuros, canhotas ou qualquer tipo de pessoa que desejasse. Se Deus escolheu pessoas que não apresentavam defeitos físicos e não viu necessidade de nos explicar Suas razões, isso é prerrogativa de Deus.
Podemos especular que a razão possa estar relacionada ao fato de o sacerdote atuar como um “modelo” para o povo ao oferecer os sacrifícios. É claro que o animal sacrificado também precisava estar isento de defeitos, conforme mostra Levítico 22:20-25.
P: Em Levítico 22:28, por que não podiam abater a mãe e o filhote para sacrifício no mesmo dia?
R: A Escritura não diz. Talvez esteja relacionado a Êxodo 23:19: “Não cozinhareis o cabrito no leite de sua mãe.”
P: Em Levítico 23:6, é verdade que “Sem dúvida, o uso do pão ázimo em rituais é extremamente antigo, remontando a muito antes do Êxodo”?
R: Não temos registros de que isso tenha sido praticado antes do Êxodo. Se Asimov considera significativo o fato de não termos registros do Dia da Expiação (Yom Kippur) antes do Exílio (veja a discussão sobre Levítico 23:26-32), por que ele acredita que o uso do pão ázimo era muito antigo?
Outra pessoa poderia argumentar (com tão pouca base quanto ele) o contrário, ou seja, que o Dia da Expiação existia antes do Êxodo, e que o uso do pão ázimo surgiu após o Exílio. É claro que todas as passagens das Escrituras que mencionam o pão ázimo poderiam ser descartadas como “adições aparentemente escritas após o exílio, uma vez que o pão ázimo indica uma data tardia”.
Suponho que Asimov tenha obtido essa informação do Anchor Bible Dictionary, volume 6, p. 756 e, especialmente, p. 759-760, na seção “Teorias da Origem”. No entanto, esse livro liberal não fornece nenhuma evidência de que isso fosse celebrado fora da Bíblia. Aparentemente, essa teoria teve início com Julius Wellhausen no século XIX.
Quanto a mim, uma vez que as únicas evidências mostram que os israelitas praticavam ambas as coisas aqui, opto por seguir as evidências.
P: Em Levítico 23:26-32, Levítico 16:1-34 e Números 29:7-11, é verdade que não há registro da observância do Dia da Expiação até os tempos pós-exílicos, como afirma o Guia de Asimov para a Bíblia, p. 158?
R: Asimov também não fornece nenhum registro de que ele tenha sido observado no Antigo Testamento na época pós-exílica, mas isso não vem ao caso. Não seria de se esperar muitos registros de rituais do templo que dissessem: “nós o realizamos como devíamos”. Da mesma forma, não há registros históricos de coleta de lenha para o Templo, mas sabemos que os gibeonitas, que eram os coletores de lenha, desempenhavam sua função tanto antes quanto depois do exílio. Da mesma forma, não temos registros pré-exílicos de nenhum ritual do Templo, além do que já está escrito na Bíblia.
No Ano do Jubileu, soava-se uma trombeta no Dia da Expiação, de acordo com Levítico 25:8-9. Assim, a celebração do Ano do Jubileu inclui a celebração do Dia da Expiação.
Pareceria estranho que Moisés tivesse registrado os rituais para o Dia da Expiação em Levítico 16:1-34; 23:26-32; e Números 29:7-11, para em seguida, imediatamente, não os seguir.
P: Em Levítico 23:32, a festa do Dia da Expiação ocorria no nono dia ou no décimo dia, como [supostamente] afirma Levítico 16:29?
R: Ela começava na noite do nono dia e se estendia até o décimo dia. Há três pontos a serem considerados na resposta.
1. Levítico 23:32 afirma precisamente que o período se estendia da tarde do nono dia até a tarde do décimo dia.
2. As pessoas geralmente não realizavam nenhum trabalho após o anoitecer.
3. Levítico 16:29 diz apenas para não se realizar nenhum trabalho no décimo dia.
P: Em Levítico 23:42-43, os israelitas que saíram do Egito viviam em cabanas ou em tendas, como dizem Êxodo 16:16; 33:8 e Números 11:10?
R: Uma resposta é que a palavra hebraica para “cabana”, cukkah, é um termo geral que pode significar cabana ou tenda. No entanto, essa provavelmente não é a resposta correta, pois há uma explicação mais razoável.
Aqui estão os pontos da resposta.
1. No deserto, os israelitas viveram por mais de 40 anos em tendas duráveis, e não apenas em cabanas construídas às pressas, como comprovam Êxodo 16:16; 33:8 e Números 11:10, e como mostra Josué 7:22.
2. No Egito, Êxodo 12:7, 22-23 comprova que eles viviam em casas (cabanas), pois durante a Páscoa todos tiveram que passar o sangue nas ombreiras de suas casas.
3. Os israelitas tiveram apenas um dia para fazer as malas e se preparar, conforme Êxodo 11:4-12:14. Êxodo 12:11 é um lembrete de que sua partida ocorreu com grande pressa.
4. Portanto, embora tenham construído tendas no deserto, eles não as possuíam quando partiram do Egito pela primeira vez.
5. Observe que Levítico 23:42-43 não comemora o fato de os israelitas terem vivido em cabanas por mais de 40 anos, mas sim o fato de terem vivido em cabanas no momento em que foram tirados do Egito.
6. Seria fácil para alguém deixar passar essa distinção entre viver em tendas por mais de 40 anos e viver em cabanas no início, a menos que estivesse escrevendo sobre o que havia vivenciado em primeira mão.
P: Em Levítico 24:3, por que Deus desejaria que uma lâmpada com azeite de oliva queimasse continuamente, dia e noite, mesmo quando ninguém a visse?
R: As pessoas ainda saberiam que ela nunca se apagava. Talvez isso servisse para simbolizar que Deus nunca dorme, que Ele nunca deixa de observar o mundo e que Ele nunca deixa de zelar por nós.
P: Em Levítico 24:10-22, apedrejar até a morte um filho blasfemo era uma medida extrema?
R: Não. Não se tratava apenas de linguagem obscena, mas de blasfemar contra o santo nome de Deus com uma maldição. Isso era mais do que simplesmente tomar o nome de Deus em vão; era um desafio à lei de Deus sob o governo teocrático. É claro que hoje não vivemos sob esse governo e, se alguém fizesse isso, não deveríamos tentar prejudicá-lo.
P: Em Levítico 25:35 e Êxodo 22:25, por que não podiam cobrar juros de seu próprio povo, uma vez que podiam cobrar juros de estrangeiros em Deuteronômio 23:20?
R: Deuteronômio 23:20 mostra que cobrar juros de estrangeiros é permitido por motivos comerciais. No entanto, uma pessoa piedosa ainda assim não cobraria juros excessivos, de acordo com Provérbios 28:8 e Ezequiel 18:8. Contudo, ajudar um amigo ou um compatriota israelita não deveria ser por motivos comerciais. Eles receberam a ordem de ajudar os israelitas pobres e não de se esquivar de suas responsabilidades lucrando com empréstimos aos pobres.
P: Em Levítico 25:35 e Êxodo 22:25, uma vez que podiam cobrar juros de estrangeiros, mas não de seu próprio povo, isso viola muitos versículos que afirmam que certas leis deveriam ser as mesmas para o israelita e para o estrangeiro?
R: Os versículos abaixo mostram que grande parte da lei religiosa e civil era a mesma tanto para os nativos quanto para os não israelitas. No entanto, nenhum versículo afirma que as leis precisavam ser as mesmas no que diz respeito ao empréstimo de dinheiro. Aqui estão todos os versículos relevantes.
Êxodo 12:49 e Números 9:14 tratam das leis da Páscoa para os não israelitas que desejassem voluntariamente celebrar a Páscoa.
Levítico 24:16 e Números 15:29-30 afirmam que as leis são as mesmas para os pecados cerimoniais e para a blasfêmia.
Levítico 16:29 refere-se às leis do sábado. Isso colocaria os israelitas em desvantagem comercial se os estrangeiros pudessem vender no sábado e os israelitas tementes a Deus não o fizessem.
Levítico 19:33 afirma que não devem maltratar os estrangeiros não israelitas que se encontram em sua terra.
Levítico 24:22 afirma que as leis relativas a homicídio e lesão corporal devem ser as mesmas para os nativos e para os estrangeiros.
P: Por que Levítico 25:46 e Êxodo 21:2-21 toleram a escravidão?
R: A escravidão na Bíblia era semelhante à dos servos contratados. Todos os escravos hebreus deveriam ser libertados a cada sétimo ano, conforme Êxodo 21:2-5. Quando o escravo era libertado, o ex-senhor deveria providenciar-lhe generosamente o que tivesse, de acordo com Deuteronômio 15:13-15. A única exceção à libertação de um escravo hebreu era se o escravo amasse o senhor o suficiente para escolher permanecer como escravo por toda a vida, conforme Êxodo 21:5-6. No entanto, os hebreus nem sempre libertavam seus escravos, como mostra Jeremias 34:8-22; Deus os repreendeu por isso. Tornavam-se escravos:
Ladrões que não podiam reembolsar as pessoas (Êxodo 22:3)
Mulheres vendidas pelos pais como concubinas (Êxodo 21:7-11)
Pessoas que se vendiam como escravas por estarem passando fome
P: Em Levítico 26:30, Deus abominou Israel, ou eles eram a menina dos Seus olhos em Zacarias 2:8, e Ele não os abominou em Levítico 26:44?
R: Deus considerava os israelitas eleitos preciosos aos Seus olhos, como a menina dos Seus olhos. Deus considerava os israelitas desobedientes, que rejeitavam a Lei de Deus, repugnantes e sem valor (Jeremias 2:5; 12:8). De maneira semelhante, Cristo morreu como sacrifício expiatório pelo mundo inteiro (1 João 2:2), mas, para aqueles que rejeitam a Cristo, Deus não hesita em nos revelar a extensão de Sua ira. Consulte *Quando os Críticos Perguntam*, p. 94, para obter mais explicações sobre a mesma resposta.
P: Levítico 27:1-8 mostra que os homens são mais valiosos do que as mulheres?
R: Não. Gênesis 1:27 mostra que tanto o homem quanto a mulher foram criados à imagem de Deus; Gálatas 3:26-28 mostra que homens e mulheres, judeus e não judeus, são todos igualmente valiosos como filhos de Deus. Mas Levítico 27:1-8 mostra que, naquela época, os homens tinham um valor econômico mais elevado do que as mulheres ou as crianças.
Levítico 27:1-8 refere-se à promessa de oferecer ao Senhor o equivalente monetário de algo. Assim, por exemplo, o valor de um homem com mais de sessenta anos era menor do que o de uma mulher com menos de sessenta anos.
P: Em Levítico 27:28-29, dedicar pessoas ao Senhor para destruição sanciona o sacrifício humano?
R: Não, porque a execução não é sacrifício humano. A morte de assassinos e outros criminosos era realizada porque Deus assim ordenou, para manter a ordem. O contexto de Levítico 23-27 trata de leis e não tem nada a ver com qualquer sacrifício animal, muito menos com sacrifício humano. A Bíblia nunca autoriza nada que se assemelhe ao sacrifício de seres humanos, com duas exceções. Deus pôs Abraão à prova para ver se ele ofereceria Isaque, embora nenhum sacrifício humano tenha ocorrido, e Jesus morreu voluntariamente por nós.
P: Em Levítico 27:30-33, Números 18:21-32; Deuteronômio 12:5-14; 14:22-29; 26:12-15 e Malaquias 3:10, os cristãos devem pagar o dízimo hoje?
R: Não. Ainda devemos contribuir materialmente para a obra de Deus hoje (2 Coríntios 8-9). No entanto, não se trata de um dízimo exato, pois Romanos 7:6 diz: “Mas agora, tendo morrido para aquilo que nos prendia, fomos libertos da lei, para que sirvamos segundo o novo modo do Espírito, e não segundo o antigo modo da letra da lei.” (BSB)
Nossa vida inteira deve ser dedicada a Deus, para que possamos doar mais do que o dízimo. Mas, como o Antigo Testamento especificava o dízimo e temos um padrão mais elevado do que o do Antigo Testamento, pode-se dizer que o dízimo define o limite mínimo da generosidade. Contudo, 2 Coríntios 9:7 afirma que devemos doar com alegria, e não por obrigação.
P: Em Levítico, como sabemos, por meio de Filo, o judeu, que o que temos é o que foi escrito originalmente?
R: Como cristãos, confiamos que o Antigo Testamento que Cristo validou é o Antigo Testamento que devemos possuir. Aliás, para os muçulmanos, o Alcorão afirma, na Sura 5:46, que a Torá foi revelada a Jesus. Dispomos de manuscritos antigos da época de Cristo, assunto abordado na próxima pergunta. No entanto, há uma linha adicional de evidências. Filo de Alexandria foi um estudioso judeu que viveu de 15/20 a.C. a 50 d.C. Ele escrevia em grego, mas é curioso que suas citações em grego do Antigo Testamento correspondam mais fielmente ao texto masorético hebraico do que à Septuaginta grega. Ele entrou em grandes detalhes sobre o significado de diferentes versículos. Aqui estão os versículos aos quais ele se referiu em Levítico.
1:3, 9, 13; 2:1, 11, 13; 3:12, 16, 17; 4:22, 31; 5:2, 4, 5, 20, 21; 6:9, 13, 20; 7:5, 34; 8:29-36; 9:1-14, 24; 10:1-3, 6, 8, 9, 16; 11:3, 4, 9, 10, 20-22, 42, 43; 13:3, 11, 12, 14; 14:35, 36; 15:31; 16:7,10,17,20; 17:11; 18:1,6,7; 19:13,4,9,11,13,14,16,23-25,32,35,36; 20:18; 21:11,17; 22:4, 6, 10, 12; 23:1, 2, 10, 27; 24:2, 15; 25:4, 8, 9, 10, 23, 31; 26:3, 8, 10, 12, 36; 27:3, 32, 33
Consulte *As Obras de Filo: Versão completa e integral, nova e atualizada* para obter mais informações.
P: Quais escritores antigos fizeram referência ao Levítico?
R: Os escritores pré-nicenos que citaram ou fizeram alusão a versículos de Levítico são:
Epístola de Barnabé (c. 70–130 d.C.)
Justino Mártir (c. 138-165 d.C.)
Meleto/Melito de Sardes (170-177/180 d.C.) incluiu o Levítico entre os livros do Antigo Testamento em sua carta a Onésimo. É incomum que ele inverta a ordem de Números e Levítico. Em *Pascha*, p. 72. Isso está registrado na *História Eclesiástica* de Eusébio, 4.26.
Irineu de Lyon (182-188 d.C.) citou metade de um versículo
Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.)
Tertuliano (198-220 d.C.) “…quando a lei sacerdotal estava sendo redigida, por meio de Moisés, em Levítico, constatamos que ela estava prescrita…” *Resposta aos Judeus*, cap. 5, p. 156
Orígenes (225-254 d.C.)
Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.)
Anatólio de Alexandria (270-280 d.C.)
Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.)
Metódio de Olimpo e Patara (270-311/312 d.C.)
Após Nicéia, outros autores também se referiram ao Levítico.
Jerônimo (373-420 d.C.) discute os livros do Antigo Testamento. Ele aborda especificamente Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, a Torá, Jó, Jesus, filho de Nave [Josué], Juízes, Rute, Samuel, Reis (2 livros), os doze profetas, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Ester, Esdras e Neemias. Carta 53, cap. 7-8, p. 99-101.
P: Em Levítico, quais são alguns dos manuscritos mais antigos que ainda existem hoje?
R: Manuscritos do Mar Morto: (250 a.C. em diante) 13 cópias, de acordo com *The Dead Sea Scrolls Today*, p. 30, e *The Encyclopedia of the Dead Sea Scrolls*, vol. 1, p. 488. *The Dead Sea Scrolls Translated: The Qumran Texts in English*, 2ª ed., registra pelo menos 12 originais. O *Wycliffe Bible Dictionary*, pp. 436-438, afirma que há 8 cópias. De acordo com *The Dead Sea Scrolls Translated: The Qumran Texts in English*, 2ª ed., p. 474, o fragmento 4Q17, que contém Êxodo 38 até Levítico 2, data de 250 a.C. Seu conteúdo é quase idêntico ao texto massorético. As cópias são referidas como:
1Q3 contém 21 fragmentos, provenientes de 3 ou 4 manuscritos originais.
2Q5 (Levítico 11:22-29 em paleo-hebraico)
4Q23: Levítico 26:2-16 em grego. (150-1 a.C., devido à caligrafia formal dos primeiros hasmoneus) (15 diferenças textuais em relação à Septuaginta)
4Q24 contém 30 fragmentos, mas é provável que todos sejam do mesmo original. Século I a.C.
4Q25: apenas 6 ou 9 fragmentos preservados dos capítulos 1, 3-5 e 8.
O 4Q26 possui quatro fragmentos (30 a.C. a 20 d.C., caligrafia herodiana primitiva)
4Q26a: nove fragmentos dos capítulos 3, 19-22
4Q26b: um fragmento de Levítico 7:19-26
4Q119 (Septuaginta)
4Q120 (Septuaginta)
6Q2 (Levítico 8)
11Q1
11Q2 contém dois fragmentos que provavelmente provêm do mesmo original. (fragmentos dos capítulos 7–10, 14–15, 25) (c. 50 d.C., devido a uma “caligrafia herodiana tardia”)
Septuaginta dos Manuscritos do Mar Morto: O Dicionário Bíblico Wycliffe, pp. 436-438, afirma que a cópia mais antiga conhecida da Septuaginta é um texto de Levítico proveniente da caverna 4 dos Manuscritos do Mar Morto; ela é datada de 100 a.C.
No total, estão preservados nos Manuscritos do Mar Morto os seguintes 487 dos 859 versículos de Levítico (56,7%).
Lv 1:1-17; 2:1-16; 3:1-14,16-17; 4:1-8,12-14,18-19,23-28,30; 5:6,8-10,12-13,16-24; 6:nenhum; 7:19-26; 8:12-13, 26-28, 31, 33-34; 9:1-10, 12-13, 15, 22-24; 10:1-2, 9-20; 11:1-40; 12:nenhum; 13:3-9, 32-33, 39-43, 58-59; 14:16-34, 40-57; 15:1-5, 10-11, 19-24; 16:1-15, 15-29, 34; 17:1-11; 18:16-21, 27-30; 19:1-8, 30-37; 20:1-6, 20-24, 27; 21:1-4, 6-12, 17-24; 22:1-33; 23:1-8, 10-29, 40; 24:2-23; 25:28-36, 45-49, 51-52; 26:2-33; 27:5-22, 30-31? Consulte *The Meaning of the Dead Sea Scrolls*, p. 423, para obter mais detalhes.
Masada possuía duas cópias preservadas de Levítico:
Mas1a (Levítico 4:3-9) (50-1 a.C.)
Mas1b: 45 fragmentos de Levítico 8:31-11:40 (25-75 d.C.) (idênticos ao texto massorético).
Traduções em aramaico, chamadas targums, foram encontradas de Levítico entre os Manuscritos do Mar Morto, como 4Q156. Dois pequenos fragmentos em aramaico datam do século II a.C.
Os manuscritos gregos incluem o Vaticanus (325-350 d.C.) (todo o livro de Levítico) e o Alexandrinus (c. 450 d.C.) (todo o livro de Levítico). Consulte a Introdução Geral à Bíblia, pp. 391-394.
O Sinaítico (340-350 d.C.) contém Levítico 20:27-22:30.
Os samaritanos fizeram sua própria cópia da Torá no século II a.C., embora as cópias samaritanas mais antigas que sobreviveram sejam da Idade Média. Os Manuscritos do Mar Morto Hoje, pp. 125-126.
Uma tradução siríaca da Septuaginta foi feita pelo bispo Paulo de Tella (616-617 d.C.), que ainda possuímos hoje, de acordo com *Manuscritos da Bíblia Grega*, p. 35 (nota de rodapé).
Os primeiros escritores da Igreja reconheceram o Levítico como parte da Bíblia.
P: Em Levítico, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: Aqui estão algumas delas, mas, antes, veja algumas questões gerais relacionadas à tradução linguística.
Texto massorético hebraico Septuaginta grega
tabernáculo da congregação | tabernáculo do testemunho |
holocausto | holocausto |
impureza da impureza | separação por impureza |
detestável | uma abominação |
atos repugnantes | abominações |
etc.
O Levítico possui um total de 859 versículos. Abaixo estão alguns fragmentos de versículos com variações nos manuscritos. Esta lista não abrange todo o Levítico, mas concentra-se principalmente nos capítulos 16 a 18. Salvo indicação em contrário, a primeira frase corresponde ao texto massorético (MT) e a segunda, à Septuaginta (LXX).
Lv 1:16 colheita e seu “*”. Não está claro se “*” significa “conteúdo”, “penas” ou outra palavra.
Lev 3:1-11 parecem estar ausentes no 4Q24
Lev 4:7 “derramará” vs. “derramará” com erro ortográfico no texto de Masada (Mas1a)
Lev 4:19 “a cauda larga, e o que a cobre, e os rins” versus “a cauda larga, a gordura que cobre as entranhas, os dois rins e a gordura sobre eles” (nota de rodapé da NRSV)
Lev 7:21 “coisa detestável” vs. “coisa que se agita”
Lev 7:29-38 não consta na Septuaginta.
Lev 9:19 “a cauda larga, o que a cobre e os rins” vs. “eles” (Septuaginta)
Lev 11:13-19 “abutre” (21 aves) vs. ausente (20 aves) na Septuaginta e no Pentateuco Samaritano
Lv 11:26 “tem cascos e não rumina” vs. “tem cascos e rumina” (Septuaginta, 2Q5)
Lev 14:24 o escriba original omitiu este versículo, e ele foi acrescentado acima da linha no 4Q23.
Lev 14:45: o escriba original omitiu este versículo, e ele foi acrescentado acima da linha no 4Q23.
Lev 14:31 “tanto quanto a pessoa puder” vs. “aquilo que a pessoa puder pagar, um” nas traduções da Septuaginta e do siríaco. (Nota de rodapé da NRSV)
Lv 15:31 “separar os filhos de Israel de sua impureza” em comparação com “fazer com que os filhos de Israel se guardem de suas impurezas”
Lev 16:1 A Septuaginta acrescenta, após “morreu”, “ao trazer fogo estranho”
Lv 16:10 Duas vezes “bode expiatório” em vez de “remoção completa”
Lv 16:12 “incenso” vs. “incenso perfumado”
Lev 16:13 “o testemunho” vs. “as tábuas do testemunho”
Lev 16:20 “quando ele tiver terminado” vs. “ele terminará”
Lev 16:25 “ele queimará como incenso a gordura da oferta pelo pecado” versus “ele oferecerá a gordura como oferta pelo pecado”
Lev 16:34 “E ele fez como o Senhor havia ordenado a Moisés” vs. “como o Senhor ordenou a Moisés”
Lv 17:2 “A Arão e a seus filhos e a…” (MT, Pentateuco Samaritano) vs. “A Arão e a…” (11Q2)
Lev 17:3 “de Israel” vs. “de Israel ou dos estrangeiros/peregrinos que residem/permanecem entre vós”
Lev 17:3 ausente (MT) vs. “que residem em Israel” (4Q26) vs. “que residem entre vós” (Septuaginta)
Lev 17:4 “como oferta a Jeová, diante da tenda de Jeová” vs. “a fim de oferecê-la como presente ao Senhor (kuriou) diante da tenda do Senhor”
Lev 17:6 “Queimem a gordura como incenso, para um aroma agradável” vs. “ofereçam a gordura para um aroma agradável”
Lev 17:7 “ofereçam seus sacrifícios a quaisquer bodes” vs. “sacrifícios a [deuses] vãos”
Lev 17:8 “estrangeiros que residem no meio de vocês” vs. “filhos dos prosélitos que habitam entre vocês”
Lev 18:5 “Eu sou Jeová” vs. “Eu sou o Senhor (Kuriou), o seu Deus”
Lev 18:11 “filha da mulher de seu pai, gerada por seu pai; ela [é] sua irmã” vs. “filha da mulher de seu pai; ela é sua irmã pelo mesmo pai”
Lev 18:14 “ela é sua tia” vs. “ela é sua parente”
Lev 18:17 “são carne” vs. “são a vossa carne” (Septuaginta)
Lev 18:21 “dedicá-los a Molech” vs. “servir a um governante” [talvez os tradutores da Septuaginta não soubessem como traduzir o ídolo ‘Molech’ para o grego]
Lev 18:21 “profanar o nome do seu Deus” vs. “profanar o meu santo nome”
Lev 18:23, duas vezes “animal” vs. “quadrúpede”
Lev 18:23 “mistura vergonhosa” vs. “uma abominação”
Lev 18:25 “Eu castigarei a sua iniquidade sobre ela, e a terra está vomitando seus habitantes” vs. “Eu lhes retribuí a sua iniquidade por causa disso, e a terra está afligida com aqueles que nela habitam.”
Lv 18:27 “O povo da terra cometeu” (MT, Pentateuco Samaritano) vs. “Vocês, o povo da terra, cometeram [e ele ficou repugnado com eles e disse a vocês: y] herdarão a la’n’ deles.” (11Q2)
Lev 18:28 “vomitar” vs. “afligir”
Lev 19:2 “Vocês são santos” vs. “Sejam santos”
Lv 19,36 “das orelhas dos justos, pedras de justiça” (MT, Septuaginta, Pentateuco Samaritano) vs. “pedras de justiça” 4Q26a
Lev 22:9 “culpa por isso e morrerá nisso” vs. “culpa e morrerá no santuário” (Vulgata)
Lev 22:22 “Seja uma verruga, seja um eczema, seja uma erupção cutânea úmida” (MT, Pentateuco Samaritano) vs. “Seja uma erupção cutânea úmida, seja um eczema, seja uma verruga” (11Q2)
Lev 26:31 “seu santuário” vs. “seus santuários” (Pentateuco Samaritano) (The Anchor Bible Dictionary, vol. 5)
Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é da obra Literal Translation, de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta é da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de The Septuagint: Greek and English. Também foram utilizados o The Expositor’s Bible Commentary, o The Anchor Bible Dictionary, vol. 5, e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV, NKJV e NRSV.