< Pergunta bíblica sobre os Atos

P: Será que Lucas escreveu dois livros distintos: «o Evangelho» e «os Atos», ou escreveu um único livro, mas a igreja ou a primeira comunidade cristã o dividiu em dois livros?

R: Ambos são livros bastante extensos, e Lucas escreveu-os inicialmente de forma separada. Atos 1:1 começa com «No meu primeiro livro, ó Teófilo, escrevi sobre tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar…». Dos 31 escritores pré-nicenos que citaram ou aludiram a Lucas e/ou aos Atos, nenhum escreveu que se tratasse de um único livro.

P: Em Atos 1:1 e Lucas 1:3, Teófilo era uma pessoa real?

R: Existem três possibilidades, e eu defendo a terceira.

Não: A palavra grega «Teófilo» significa «amante de Deus», e muitos interpretam isto como um convite genérico aos amantes de Deus em geral. Segundo o historiador Plutarco, um tal Cleómenes foi milagrosamente protegido por uma cobra, tendo sido chamado «theophiles», ou seja, «um favorito dos deuses».

Sim: No entanto, «Teófilo» era um nome grego conhecido, e alguns, como a «Nelson Study Bible» (p. 1685), afirmam que Teófilo era um crente específico. Da mesma forma, a «NIV Study Bible» (p. 1532) afirma que «Teófilo» «se refere quase certamente a uma pessoa específica, em vez de aos amantes de Deus em geral». Teófilo poderá ter sido o mecenas de Lucas, que pagou as despesas deste enquanto ele realizava a sua investigação e escrevia.

Ambiguidade deliberada: Uma terceira perspetiva é a de que esta ambiguidade é deliberada, quer por parte de Lucas, quer por parte de Deus.

Teófilo era o nome de várias pessoas:

1) Um geógrafo grego antigo mencionado por Plutarco, Ptolomeu e Josefo

2) Um rei indo-grego, que viveu em 130 a.C. ou em 90 a.C., bispo de Antioquia (168-181/188 d.C.)

3) Um Teófilo de Cesareia (c. 170-180 d.C.)

4) O ariano Teófilo, o Indiano (falecido em 364 d.C.)

5) Um patriarca de Alexandria, por volta de 391 d.C.

6) O autor do «Martírio de Habib, o Diácono», ocorrido em 315 d.C.

P: Em Atos 1:3, Jesus permaneceu na Terra durante quarenta dias após a Sua ressurreição, ou menos de cinco dias, como supostamente sugere Lucas 24:50-52?

R: Jesus permaneceu na Terra após a Sua ressurreição durante quarenta dias, tal como Lucas nos diz em Atos 1:3. Em contrapartida, Lucas refere-nos, em Lucas 24:50, os últimos cinco dias, mas o Evangelho de Lucas não especifica o número de dias que decorreram antes de Jesus os ter conduzido a Betânia e ter ascendido ao Céu.

P: Em Atos 1:8, os apóstolos sabiam de antemão o que iria acontecer quando o Espírito Santo descesse sobre eles?

R: As Escrituras não o dizem, mas não há qualquer indício de que o soubessem. Muitas vezes, quando seguimos Deus, Ele nem sempre nos revela antecipadamente as bênçãos que tem reservadas para nós.

P: Em Atos 1:10, quem eram os homens vestidos de branco?

R: Eram anjos. Lucas chamou-lhes «homens» porque tinham a aparência de seres humanos.

P: Em Atos 1:11, por que razão os anjos repreenderam suavemente os apóstolos?

R: É compreensível que eles tenham ficado ali parados, maravilhados, ao verem Jesus ascender ao céu. Mas depois de Jesus ter desaparecido, continuaram a olhar para cima. Não precisam de se preocupar em perder o regresso de Cristo; todos os olhos o verão. Nós, tal como eles, não somos chamados a ser observadores das estrelas que apenas olham para cima, mas somos chamados a ser testemunhas para as pessoas em todo o mundo.

P: Atos1:11 mostra como é que Jesus regressará?

R: Sim. Jesus regressará corporalmente nas nuvens, tal como ascendeu corporalmente às nuvens.

O escritor cristão primitivo Irineu (182-188 d.C.), após citar 1 João 5:1, afirma: «sabendo que Jesus Cristo é o mesmo a quem as portas do céu foram abertas, por ter assumido a carne; o qual também virá na mesma carne em que sofreu, revelando a glória do Pai.» Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 16:8, p. 443

P: Em Atos 1:12, o que é uma «jornada de sábado»?

R: Este termo coloquial referia-se à distância que os fariseus determinaram que uma pessoa podia percorrer no sábado sem realizar trabalho. A Mishná ensina que era de 2 000 côvados, o que corresponderia a 1,11 km, 1 200 jardas ou 2/3 de milha.

P: Atos 1:12 indica que não devemos viajar para além desta distância no sábado?

R: Não. O facto de «uma jornada de sábado» ser um termo comum e ter sido utilizado aqui não significa que tenhamos de seguir as tradições dos fariseus. Uma caminhada de sábado correspondia a cerca de 3 000 pés, ou pouco mais de meia milha, de acordo com o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 354.

P: Em Atos 1:12, por que razão os discípulos se dirigiram ao Monte das Oliveiras, uma vez que, em Atos 1:4, lhes tinha sido dito para não saírem de Jerusalém?

R: O Monte das Oliveiras ficava a menos de uma milha das muralhas da cidade propriamente dita de Jerusalém. Ainda se situava na área da grande Jerusalém, tal como um subúrbio que faz fronteira com uma cidade continua a ser considerado parte do ambiente urbano.

P: Em Atos 1:12, Jesus ascendeu ao céu a partir do Monte das Oliveiras, ou ascendeu a partir de Betânia, como diz Lucas 24:50?

R: Ambas as coisas, porque Betânia ficava na encosta do Monte das Oliveiras. Betânia ficava mais próxima de Jerusalém do que a distância que um judeu tinha permissão para percorrer a pé no sábado, e o Monte das Oliveiras situava-se entre Betânia e Jerusalém.

Como nota à parte, a descrição que Lucas faz do Monte das Oliveiras parece ter sido escrita para um leitor gentio que, de outra forma, não estaria familiarizado com o local. Os leitores judeus que já tinham estado em Jerusalém saberiam já onde ficava o Monte das Oliveiras. Por isso, não se encontra linguagem como esta em nenhum dos outros evangelistas, que talvez não considerassem necessário incluí-la.

P: Em Atos 1:16 e 15:7, por que razão Pedro começou com a saudação que, em grego, se traduz por «Homens, irmãos» (BSB «Irmãos»), e Tiago começou da mesma forma em Atos 15:13?

R: Não há qualquer significado especial nisto; esta era uma das formas habituais de iniciar um discurso público solene e respeitoso. A título de exemplo, o orador grego Demóstenes iniciava alguns dos seus discursos desta forma, de acordo com *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 2, p. 63. Paulo começou com «Irmãos e pais» em Atos 22:1, «Irmãos» em Atos 23:1 e 28:17, e apenas «Senhores» perante os gentios em Atos 27:21.

P: O que revela Atos 1:14 sobre José e Maria?

R: José, o pai adotivo de Jesus, não está presente. Tal como ensinou João Crisóstomo, José provavelmente já tinha falecido antes de Jesus ter sido crucificado. Eles estavam ali a adorar e a orar a Deus; não há qualquer menção à veneração ou à oração a Maria. Maria é honrada como mãe de Jesus; o título «Maria, mãe de Deus» é desconhecido no Novo Testamento. Esta é a última vez que Maria é mencionada diretamente no Novo Testamento.

P: Em Atos 1:17, por que razão Deus teria permitido que Judas Iscariotes fizesse parte do ministério antes de Judas trair Jesus?

R: A traição de Judas fazia parte do plano de Deus, de acordo com Atos 2:23. Judas é apenas um exemplo na Bíblia de pessoas indignas que atuam como líderes do rebanho de Deus, mas que, na verdade, são lobos espirituais. Isso aconteceu naquela época, em Atos20:29 -31, e acontece hoje, por vezes.

No entanto, Deus não ficou surpreendido com isso; na verdade, Deus integrou até mesmo a traição de Judas como parte do Seu plano.

P: Em Atos 1:18 e Mateus 27:3-10, como é que Judas morreu exatamente?

R: Atos 1:18-19 diz que Judas caiu de cabeça num campo, o que implicaria uma queda de, pelo menos, alguma altura. Ao juntar estes versículos, surgem duas possibilidades. Em ambos os cenários, Judas enforcou-se, muito provavelmente numa árvore, possivelmente à beira de um penhasco.

O enforcamento falhou: enquanto Judas ainda estava vivo, a corda partiu-se e ele caiu de cabeça no campo, tendo o seu corpo se partido ao meio.

O enforcamento foi bem-sucedido e Judas morreu por ter sido enforcado. No entanto, se ninguém subisse para o retirar, mais cedo ou mais tarde o corpo acabaria por cair, de uma forma ou de outra.

De qualquer forma, houve um enforcamento, uma corda que se partiu e um corpo que se abriu ao meio.

P: Em Atos 1:17, a Bíblia fala sobre o suicídio? Se uma pessoa iria para o céu ou para o inferno caso cometesse suicídio? ... Não tenho uma arma apontada à minha cabeça. Estou apenas a questionar-me. É uma daquelas questões que nunca ninguém levantou num estudo bíblico. Penso que seja porque as pessoas têm demasiado medo de perguntar.

R: Tanto no que diz respeito ao suicídio como a outros pecados, a Bíblia não especifica como Deus julga uma pessoa. O suicídio é uma forma de homicídio e, de acordo com os Dez Mandamentos, não devemos matar. A Bíblia apresenta alguns exemplos de pessoas más que cometeram suicídio: o rei Saul e Judas.

Algumas pessoas pensam que, se aceitarem Cristo, podem perder a salvação caso cometam qualquer pecado e nunca se arrependam. Uma pessoa que comete suicídio, dependendo do método utilizado, pode não ter tempo para se arrepender antes de morrer.

No entanto, este raciocínio é falso: embora os cristãos devam arrepender-se de todos os seus pecados, somos salvos pela graça de Deus através da fé; não com base no nosso arrependimento de cada pecado. Estou certo de que todos os cristãos que morrem não se arrependeram explicitamente de algum pecado, porque ou se esqueceram dele ou não tinham consciência de que era um pecado. Mas a nossa salvação é uma dádiva de Deus a todos os que a aceitam.
Na Igreja primitiva, houve o exemplo de uma mãe cristã bela e piedosa e das suas duas filhas, que foram capturadas por soldados romanos. A mãe conversou com as suas filhas e, antes de serem violadas, estas pediram para se dirigirem à berma da estrada junto a um rio [presumivelmente para ir à casa de banho]. Depois, atiraram-se ao rio e afogaram-se. A «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 8, capítulo 12, páginas 332-333, menciona-as entre os «admiráveis mártires de Cristo». No entanto, isto constituiu um pecado, pois não se deve matar. Entre os primeiros escritores cristãos, Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) ensinou que o suicídio é errado em *As Instituições Divinas*, livro 3, capítulo 18, p. 89. Agostinho de Hipona também ensinou que o suicídio, mesmo para escapar a uma violação, é errado.

P: Em Atos 1:20, de que forma estas citações do Salmo 69:25 e do Salmo 109:8 se relacionam com Judas?

R: O Salmo 69:21 também se refere a Jesus. Há três pontos a considerar na resposta.

1. Estes três versículos não dizem explicitamente que se referem ao futuro Messias.

2. Também não há qualquer razão para interpretarmos estes versículos como não sendo aplicáveis a mais ninguém, exceto a Jesus e a Judas.

3. No entanto, o tipo de situação em que Jesus se encontrava assemelha-se muito aos tipos de situações a que estes Salmos se referem.

P: Em Atos 1:20, por que razão Pedro disse «o seu lugar», uma vez que o Salmo 69:25 diz «o lugar deles»?

R: Pedro não recitou de memória o Salmo 69:25 palavra por palavra, e o livro dos Atos está a dizer-nos (sem erro) o que Pedro realmente recitou. Existem duas interpretações sobre o significado disto.

Primeira interpretação: A escolha de Matias como o décimo segundo apóstolo foi um erro, uma vez que não se volta a ouvir falar de Matias depois disto, e Paulo tornou-se apóstolo. A decisão de Pedro de escolher um décimo segundo apóstolo por sorteio baseou-se na recordação errada que Pedro tinha do Salmo 69:25. Assim, embora Pedro estivesse a tentar obedecer à palavra de Deus, até mesmo ele podia cometer erros. No entanto, isso não faz mal, porque Deus continua a agir através de pessoas imperfeitas.

Segunda interpretação: A paráfrase de Pedro foi uma aplicação correta, porque o Salmo falava dos inimigos do Messias, e Judas era certamente um deles.

P: Em Atos 1:21-26, quantos apóstolos existiam, segundo a Bíblia? Tenho quase a certeza de que Barnabé foi reconhecido como tal no livro de Atos. E que Tiago, irmão de Jesus, também era um apóstolo, conforme se pode verificar noutras passagens das Escrituras. Além disso, Apolo era um apóstolo?

R: A palavra «apóstolo» tem vários significados. A palavra pode, em geral, significar «embaixador», e Barnabé e Tiago, o irmão do Senhor, eram apóstolos nesse sentido. Embora Barnabé tenha sido chamado de apóstolo em Atos14:4 , Tiago e Apolo não foram chamados de apóstolos na Bíblia propriamente dita, apesar de terem desempenhado papéis importantes na igreja.

Para distinguir destes, havia outro grupo, mais restrito, chamado «Os Doze», o que levanta uma questão interessante. Uma vez que onze discípulos de Jesus se tornaram apóstolos, o que dizer do décimo segundo? Pedro viu a necessidade de um décimo segundo, lançaram sortes entre José e Matias, e Matias ganhou (Atos1:21 -26). Ao lançarem sortes, é duvidoso que houvesse uma terceira opção «não escolher ainda». No entanto, não ouvimos mais nada sobre Matias. Mais tarde, Paulo tornou-se o décimo segundo apóstolo e foi reconhecido pelos outros (Gálatas 2:8-10; 2 Pedro3:15 -16). É quase como se Deus tivesse simplesmente ignorado o sorteio, porque a Sua escolha de Paulo viria mais tarde.

Uma nota interessante é que, na comunidade de Qumran, havia doze líderes da comunidade, bem como um círculo restrito de três.

P: Em Atos 1:22-26, quando escolheram Matias por sorteio para ocupar o lugar de Judas, foi isto que Deus quis?

R: As Escrituras não registam nem aprovação nem desaprovação desta decisão. No entanto, muitos cristãos consideram que não era isto que Deus queria, por três razões.

1. Deus apenas reconheceu doze como apóstolos em Apocalipse 21:14.

2. Paulo foi mencionado como apóstolo em 1 Timóteo 1:1; 2:7; Romanos 1:1; 1 Coríntios 1:1; 2 Coríntios 1:1; Gálatas 1:1; Efésios 1:1; Colossenses 1:1; 2 Timóteo 1:1; e Tito 1:1.

3. Nunca mais se ouviu falar de Matias na Bíblia.

Eis os argumentos a favor de que Matias deveria ter sido escolhido.

1. Seria bom mostrar o número «12» como um cumprimento de Israel no Pentecostes, no capítulo seguinte.

2. Relacionado com o ponto anterior, Paulo tinha um ministério claramente diferente, não tendo estado presente no Pentecostes e tendo-se deslocado para longe, para junto dos gentios.

3. Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, teria uma boa compreensão de como aplicar estes salmos neste contexto.

4. Não houve qualquer crítica ou censura por parte de Deus.

Quando os crentes sinceros servem a Deus de todo o coração, continuam a cometer erros. No entanto, Deus é suficientemente grande para perdoar os nossos erros.

   F.F. Bruce defende que isto foi adequado. F.F. Bruce salienta também que não substituíram Judas porque ele morreu. Pelo contrário, substituíram Judas porque ele abandonou o seu lugar. Não praticaram uma «sucessão apostólica» literal, pois quando Tiago foi martirizado em Atos 12:2, não pensaram em substituí-lo. Tertuliano (198-220 d.C.), na sua obra «Sobre a Prescrição Contra os Hereges», cap. 20, p. 252, também considera que a escolha de Matias foi adequada.

P: Em Atos 1:23, o que significa «Barsabás»?

R: Significa literalmente «filho do sábado». Talvez José Barsabás tenha nascido no sábado.

P: Em Atos 1:26, o sorteio foi uma votação?

R: Não. O sorteio é semelhante a colocar numa jarra uma pedra com o nome de cada candidato e pedir a alguém que retire um nome ao acaso.

P: Em Atos 2:1, quantos dias decorreram entre a ascensão de Jesus e o Pentecostes?

R: Uma vez que Jesus subiu ao Céu cerca de 40 dias após a ressurreição (Atos 1:3) e o Pentecostes ocorreu 50 dias após a Páscoa, foram cerca de 10 dias.

P: Em Atos 2:3, quem recebeu as línguas de fogo?

R: Embora as Escrituras não afirmem explicitamente que se tratasse de algo limitado aos apóstolos, é provável que assim fosse. Não nos é possível determinar se Matias teve uma língua de fogo ou não. Por outro lado, o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 357, considera que todos os cerca de 120 crentes tiveram línguas de fogo, mas que apenas os doze falaram em línguas. Além disso, não se refere precisamente a «línguas de fogo», mas sim a «línguas como de fogo». Da mesma forma, não se refere ao som de um vento impetuoso, mas sim a um som como de um vento impetuoso.

P: Em Atos 2:4, por que razão Deus adiou o envio do Espírito Santo até ao Pentecostes?

R: As Escrituras não explicam por que razão houve um atraso de cinquenta dias a contar da Páscoa. No entanto, duas razões são facilmente evidentes.

Talvez a ascensão tivesse de ocorrer primeiro: Jesus apareceu frequentemente aos Seus discípulos antes de ascender ao Céu. Ele teve de terminar de os ensinar e de lhes dar a missão que se encontra em Atos 1:7-8 antes de ascender ao Céu. A Sua ascensão ao Céu ocorreu antes de o Espírito Santo descer sobre eles.

Seguindo as festas: Deus instituiu as festas judaicas no Antigo Testamento. A vida de Jesus acompanhou o calendário das festas, e seria perfeitamente adequado que o Espírito Santo descesse na Festa de Pentecostes. O Pentecostes é ordenado em Levítico 23:15-16 e Deuteronómio 16:9-12.

P: Em Atos 2:4, como é que todos compreenderam as línguas, uma vez que 1 Coríntios 14:27-28 diz que não deve haver línguas na igreja sem interpretação?

R: A reação da multidão mostra que os apóstolos não estavam a falar em línguas desconhecidas, mas em línguas desconhecidas para quem falava, mas conhecidas para quem ouvia. Assim, não foram necessários intérpretes.

Quanto à ideia de que estavam a desobedecer a 1 Coríntios14:27 -28, lembre-se de que

a) Os ouvintes podiam interpretar por si próprios

b) Isto não se passou numa igreja

c) 1 Coríntios 14:27-28 ainda não tinha sido escrito.

Embora os muçulmanos não sejam cristãos, não deverão ter qualquer dificuldade em aceitar este relato. Um dos mais proeminentes historiadores muçulmanos dos primeiros tempos, al-Tabari, também afirma que os discípulos de Jesus conseguiam, milagrosamente, falar a língua das pessoas a quem eram enviados. (História de al-Tabari, vol. 8, p. 99)

P: Em Atos 2:4, o facto de o Espírito Santo encher as pessoas prova que o Espírito Santo não pode ser uma pessoa, tal como ensinam as Testemunhas de Jeová?

R: Não. Se essa lógica fosse válida, então, uma vez que Deus enche os céus e a terra, como diz Jeremias23:24 , Deus não seria um deus pessoal. O facto de o Espírito Santo poder fazer coisas que nós não conseguimos fazer, e o facto de Deus ser infinito, não O impedem de ser também um ser inteligente, com pensamentos e sentimentos. Tal como salienta o livro «When Cultists Ask», pp. 194-195, Efésios4:10 afirma que Cristo preenche todas as coisas; assim, seguindo a mesma lógica falaciosa, será que Cristo também não é uma pessoa?

Embora o parágrafo anterior demonstre que nada impede o Espírito Santo de ser uma pessoa, a lista que se segue mostra que o Espírito Santo possui os atributos de uma pessoa. Por «pessoa» não nos referimos a um ser humano, mas a um ser inteligente e pessoal.

Parakletos (o Consolador, aquele que está ao nosso lado)

Fala connosco (João14:16 , 26; João15:26 ; Atos 13:2; Hebreus 3:7)

Lembra-nos (João14:26 )

Tal como um pai ou uma mãe, para que não sejamos órfãos (orphanos em grego) (João14:18 )

Guia-nos (João16:13 )

Ensina-nos (João14:26 ; 1 Coríntios2:13 )

Vive em nós (1 Coríntios3:16 ; 2 Timóteo1:14 ; Romanos 8:9,11; Efésios2:22 )

Nos nossos corações (2 Coríntios1:22 ; Gálatas 4:6)

Vivemos pelo Espírito (Gálatas5:16 , 25)

Guiados pelo Espírito (Gálatas5:18 ; Romanos 8:9)

Ele intercede por nós (Romanos8:26 -27)

Pode ser ofendido (Hebreus10:29 )

Testemunha de Cristo (João15:26 )

Possui uma mente (Romanos8:27 )

Pode ser entristecido (Isaías 63:10; Efésios4:30 )

Escolhe a quem conceder dons (1 Coríntios12:11 )

Possui amor (Romanos15:30 )

Pode considerar que as coisas são boas (Atos15:28 )

Explora as coisas profundas de Deus (1 Coríntios 2:9-10)

Deus em nós (1 João 4:12-13,15-16; Romanos 8:9-10; 1 Coríntios3:16 ,6:19 ; João 14:23, 15:4)

Sempre connosco (Mateus 28:20)

Gemidos, e, portanto, preocupação, por nós (Romanos8:26 )

Dá alegria (1 Tessalonicenses 1:6)

P: Em Atos 2:4, isto prova que falar em línguas era uma experiência normal para os futuros cristãos?

R: A experiência dos doze apóstolos em Atos 2:4 não prova nem refuta isso, a menos que considere que as chamas de fogo também sejam uma experiência cristã normal. Falar em línguas não acontecia antes disso, porque os apóstolos não estavam cheios do Espírito Santo antes do Pentecostes. No que diz respeito a outras pessoas que falaram em línguas depois disso, não há qualquer menção a línguas de fogo.

P: Em Atos 2:6-11, uma vez que a maioria das pessoas naquela época falava grego ou aramaico, será que os apóstolos se dirigiram a todos na sua própria língua, limitando-se a falar estas duas línguas, o que não seria milagroso, tal como sugere o cético *Guia de Asimov para a Bíblia*, p. 1002?

R: Muitas pessoas na Palestina falavam tanto grego como aramaico. A explicação de Asimov de que eles falavam duas línguas não faz qualquer sentido por, pelo menos, cinco razões.

1. «Reuniu-se uma multidão, perplexa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estupefactos e maravilhados, …» (Atos 2:6-7). Quantas pessoas hoje em dia ficam estupefactas e maravilhadas ao saber que um estranho é bilingue?

2. «Perplexos e espantados, perguntavam uns aos outros: “O que significa isto?”» (Atos2:12 ).

3. Outros diziam: «Estão embriagados de vinho novo!» (Atos2:13 )

4. Atos 2:8 refere que pessoas de quinze grupos étnicos ouviram o Evangelho na sua própria língua. Não faria sentido enumerar quinze grupos se apenas duas línguas fossem faladas.

5. Por fim, é improvável que todos os partos e árabes falassem grego ou aramaico.

P: Em Atos 2:7, como é que conseguiram perceber que os apóstolos eram galileus?

R: A multidão percebeu pelo sotaque. Na Galileia, as pessoas tendiam a omitir sílabas. Os galileus também tinham dificuldade em pronunciar consoantes guturais (tal como os falantes de inglês). As consoantes guturais estão praticamente ausentes no inglês, exceto talvez na palavra «loch». São muito semelhantes ao «h», ao «g», ao «k» e ao «r» alemão. São proeminentes no alemão, no hebraico e no árabe, como o meu amigo Akhmed bem sabe. Por exemplo, duas palavras árabes, «kalb» e «qalb», significam «cão» e «coração». Ouvi dizer que os árabes adoravam ouvir missionários estrangeiros, falando em árabe, a dizer às pessoas para entregarem o seu «coração» a Deus.

P: Em Atos 2:14-40, os discursos estão registados com exatidão?

R: Não, por várias razões. Atos 2:14-40 pode ser lido em um ou dois minutos, e é provável que Pedro tenha falado por mais tempo do que isso. De facto, em Atos 2:40, Lucas diz-nos que Pedro proferiu muitas outras palavras também. Lucas apresentou um resumo do que Pedro disse e, provavelmente, parafraseou algumas partes do discurso.

Temos um bom exemplo na história secular, da autoria do historiador fidedigno Tucídides, do século V a.C. Na sua «História da Guerra do Peloponeso», ele também inclui muitos discursos. Tucídides escreve: «Quanto aos discursos… foi difícil para mim, e para outros que mos relataram, recordar as palavras exatas. Por isso, coloquei na boca de cada orador os sentimentos próprios da ocasião, expressos da forma como achei que ele provavelmente os teria expressado, ao mesmo tempo que me esforcei, tanto quanto me foi possível, por transmitir o sentido geral do que foi efetivamente dito. … Quanto aos acontecimentos da guerra, não me atrevi a falar com base em informações aleatórias, nem de acordo com qualquer noção minha; não descrevi nada além do que eu próprio vi ou do que aprendi com outros, a quem fiz as perguntas mais cuidadosas e pormenorizadas. A tarefa foi árdua.» Tucídides, traduzido para inglês por Benjamin Jowett (1881), vol. 1, livro 1, cap. 22.

P: Em Atos 2:15, por que razão os judeus consideravam errado ter bebido vinho nessa altura?

R: Embora se praticasse o consumo moderado de vinho, nos dias de festa era costume jejuar pelo menos até à quarta hora. Uma pessoa é considerada um alcoólico grave se precisar de vinho para se levantar de manhã. Em geral, o povo judeu não bebia vinho pela manhã.

P: Em Atos 2:16-21, esta profecia de Joel 2:28-29 cumpriu-se aqui, ou cumprir-se-á na Segunda Vinda de Cristo?

R: Deverá cumprir-se em cada vinda de Cristo. Uma parte cumpriu-se na crucificação de Jesus, quando o sol escureceu à tarde, conforme Mateus 27:45, Marcos 15:33 e Lucas 23:44-45. Pedro referiu-se a isto em Atos 2:16-21.

O céu também escurecerá antes da segunda vinda de Jesus, conforme Apocalipse 6:12-14;8:12 ; 9:2;16:10 .

P: Em Atos 2:16-21, uma vez que isto cumpriu a profecia de Joel 2:28-32, por que razão a lua não se transformou em sangue?

R: O facto de a lua se tornar em sangue significa simplesmente que a lua aparece com uma cor vermelha. O sol escureceu durante três horas durante a crucificação de Jesus, de acordo com Lucas 23:44-45. Um historiador palestiniano não cristão chamado Tales (também grafado Thallus) escreveu, em 52 d.C., que a escuridão acompanhou a crucificação de Jesus. Um escritor grego da Cária chamado Flegão também escreveu que, na 202.ª Olimpíada (33 d.C.), ocorreu um eclipse solar.

Existem duas interpretações sobre Atos 2:16-21:

Totalmente cumprida: uma vez que a lua se mostra frequentemente durante o dia, quando o sol se escureceu, é provável que a lua também se tenha escurecido ou avermelhado.

Cumprimento parcial: A profecia em Joel 2:28-32 tinha várias partes. O derramamento do Espírito só ocorreu cinquenta dias depois, no Pentecostes. Aparentemente, a lua não se escureceu nesta ocasião, mas escurecer-se-á na Segunda Vinda de Cristo. O sol escureceu-se tanto na crucificação como na Segunda Vinda.

P: Em Atos 2:25-26 e 4:25-28, de que forma se relacionam o Salmo 16:8-11 e o Salmo 2 com Jesus e os primeiros cristãos?

R: Estas passagens referem-se principalmente a Jesus. Como Jesus nos deu a Sua vida, referem-se também, de forma secundária, a nós.

No Salmo 16:8-11, o corpo de Jesus nunca conheceu a decomposição, e Jesus desfrutará de prazer eterno no Céu. Os nossos corpos terrenos irão decompor-se. No entanto, mais tarde receberemos corpos glorificados e, também para nós, esses corpos nunca conhecerão a decomposição, e desfrutaremos de prazer eterno no Céu.

No Salmo 2, Jesus sentar-se-á no Seu trono e governará a Terra. Efésios 2:6 e Apocalipse 3:21 afirmam que nos sentaremos com Cristo no Seu trono (não no nosso) e reinaremos com Ele.

Combinar dois versículos que contêm as mesmas palavras constituía a «segunda regra midráshica» atribuída ao famoso rabino judeu Hillel.

P: Em Atos 2:34, Davi foi para o Céu, ou não?

R: Eventualmente, sim. Há dois pontos a considerar na resposta.

1. Na altura em que Davi escreveu a passagem citada, Davi ainda vivia na Terra.

2. Hoje, a alma de David está no Céu. No entanto, o seu corpo não está no Céu, como diz Atos2:29 .

P: Em Atos 2:36, o cético Bart Ehrman afirma que Pedro demonstrou que Jesus recebeu o seu estatuto exaltado na ressurreição (Jesus, Interrupted, p. 95).

R: Ehrman está parcialmente certo e parcialmente errado. Enquanto Atos2:36 mostra que Jesus recebeu o estatuto exaltado, João 17:5-7 mostra que Jesus recuperou o estatuto exaltado que possuía antes do início do mundo.

P: Atos 2:38 significa que o batismo com água é necessário para a salvação?

R: Não, como o ladrão na cruz e alguns dos primeiros mártires podem atestar. Jesus é necessário para a salvação. Nem o arrependimento nem o batismo com água nos merecem a salvação. Estes são a nossa resposta à obra de Jesus. O batismo deve ser um sinal exterior do nosso arrependimento interior prévio. Mas Pedro não disse: «basta acreditar interiormente». A fé interior deles estava combinada com o testemunho exterior perante Deus e perante os outros.

Note-se que Atos2:38 era uma ordem, não uma fórmula. Se Atos2:38 fosse uma fórmula, então poder-se-ia concluir erroneamente que amar a Deus, ter fé, acreditar e confiar em Deus são desnecessários, uma vez que não são aqui mencionados. Todos os que se convertem a Cristo devem ser batizados, e isso é tão verdadeiro hoje como era naquela época. No entanto, é o sangue de Jesus, e não o nosso batismo, que nos salva. Ainda assim, os cristãos desejarão obedecer a Cristo e ser batizados com água.

Colossenses 2:11-12 mostra que a circuncisão era um tipo de batismo. Como Justino Mártir salientou, uma vez que apenas os homens — e não as mulheres — podiam ser circuncidados, isso provava que a circuncisão foi dada por Deus como um sinal, e não como uma obra de justiça. («Diálogo com Trifão», cap. 23, p. 206)

P: Em Atos 2:38, muitos dizem que precisamos de nos arrepender dos pecados para alcançar a salvação, outros dizem que basta a fé, e outros ainda dizem que é necessário o arrependimento perante Deus. O que diz a Bíblia?

R: Acredito que a primeira abordagem é a que a Bíblia ensina. Ouvi dizer que, certa vez, havia dois missionários da Campus Crusade em Moscovo, na Rússia, que viram duas prostitutas na rua. Aproximaram-se delas e começaram a conversar, tirando um folheto das «Quatro Leis Espirituais». As prostitutas, por sua vez, tiraram os seus próprios folhetos das «Quatro Leis Espirituais» e disseram que acreditavam nisso, tendo-os até distribuído a todos os seus clientes!

Alguns versículos bíblicos dizem: «arrependei-vos e crede», mas outros dizem apenas «crede». No entanto, «crer», no sentido bíblico, implica obediência e não apenas um assentimento intelectual, tal como ensinado em Tiago 2:14-20 e 1 João 2:3-4, 9; 1 João 2:15-16. Ora, João não está a dizer que têm de estar isentos de pecado (1 João 1:10), mas sim que não devemos persistir no pecado (1 João 3:6)

Na mensagem que Pedro proferiu no Pentecostes, em Atos 2:38, dizia-se: «Arrependam-se e sejam batizados». Como Pedro afirmou em 1 Pedro 3:21, o batismo não serve, na verdade, para remover a sujidade (seja ela física ou espiritual), mas é a garantia de uma boa consciência perante Deus.

Outros versículos que sublinham a nossa necessidade de arrependimento são:

Ezequiel 18:23, 32

Mateus 3:2; 3:8,11; 4:17; 11:20; 21:32

Marcos 1:4,15; 6:12

Lucas 3:3, 5, 8; 5:32; 15:7, 10; 16:30; 24:47

Atos 2:38; 3:19; 5:31; 8:22; 11:18; 13:24; 17:30; 19:4; 20:21; 26:20

Romanos 2:4

2 Coríntios 7:9,10

2 Timóteo 2:25

Hebreus 6:1,6

2 Pedro 3:9

Apocalipse 2:5,16; 2:21,22; 3:3; 3:19; 9:20,21; 16:9,11

P: Em Atos 2:39, existe alguma passagem bíblica que indique que a Bíblia se aplica a pessoas que não eram judeus a viver em Israel?

R: Sim, existem alguns versículos que estendem as promessas a nós. (Todas estas citações foram retiradas da Bíblia Padrão de Berea.)

Atos2:39 «Esta promessa pertence a vós e aos vossos filhos e a todos os que estão longe — a todos aqueles a quem o Senhor, o nosso Deus, chamar para junto de Si.»

Efésios 1:3 «Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou em Cristo com todas as bênçãos espirituais nos reinos celestiais.»

Romanos 10:11-12 «É tal como diz a Escritura: “Quem n’Ele crer não será envergonhado.” Pois não há diferença entre judeu e grego: o mesmo Senhor é Senhor de todos e concede generosamente a todos os que O invocam»,

Gálatas 3:28 «Não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.»

2 Pedro 1:1 «… Aos que, pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam uma fé tão preciosa como a nossa:» Repare que é Pedro quem aqui escreve, e a nossa fé, enquanto gentios, é tão preciosa quanto a sua fé, enquanto judeu, pois, na verdade, existe apenas uma fé.

Romanos 11:17 «Ora, se alguns ramos foram cortados e vós, um rebento de oliveira brava, fostes enxertados entre os outros para partilhar da nutrição da raiz da oliveira»,

Atualmente, os cristãos têm opiniões divergentes quanto à medida em que somos o Israel de Deus e quanto ao papel de Deus para os judeus étnicos nos dias de hoje. Tendo em conta acontecimentos como o terrível Holocausto da Segunda Guerra Mundial, Satanás aparentemente continua a ter os judeus na mira para o mal. Os próprios judeus têm questionado até que ponto Deus lhes está a dar proteção desde que isso aconteceu. Em geral, os cristãos dispensacionalistas tendem a tratar o povo judeu atual com especial respeito, uma vez que Deus continua a lidar com eles. Os cristãos adeptos da «teologia da aliança» tendem a afirmar que, uma vez que os judeus rejeitaram Cristo, não ocupam atualmente, aos olhos de Deus, um lugar diferente do de qualquer outro grupo étnico.

Independentemente da forma como Deus encara o povo judeu hoje, este parece ter um papel especial a desempenhar no fim dos tempos. As 144 000 testemunhas do Apocalipse serão todas homens judeus puros. Em Zacarias 12:1-9, terão inimigos reunidos em torno de Jerusalém. Em Zacarias 12:10-14, ocorrerá uma conversão em massa a Cristo, «lamentando aquele a quem traspassaram». Em Daniel9:26 , o Anticristo fará uma aliança com os judeus, quebrá-la-á após três anos e meio e destruirá a cidade e o santuário.

Antes mesmo dos judeus, Deus prometeu a Abraão que todas as nações seriam abençoadas por meio dele (Gálatas 3:8-9); todos nós somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus (Gálatas3:26 ), e todos somos considerados filhos da promessa, de Sara e não de Hagar, como mostra Gálatas4:24 -28.

P: Em Atos 2:40, por que razão Pedro sentiu tanta urgência em partilhar a mensagem do Evangelho com pessoas que já se esforçavam por ser boas?

R: Pedro preocupava-se genuinamente com elas. Apenas tentar ser bom não é suficiente para chegar ao Céu de Deus; é necessária uma transformação. Até mesmo os judeus precisavam de nascer de novo.

Pedro chegou mesmo a implorar aos judeus que aceitassem Jesus em2:40 . Se alguém estiver numa casa em chamas, não se limita a convidá-lo a sair porque o tempo está bom; diz-lhe com urgência para se salvar.

É notável que este mesmo Pedro, que negou Cristo três vezes na casa do sumo sacerdote, esteja agora nos pátios do Templo a proclamar Cristo com ousadia. Será que Pedro seria açoitado ou morto por fazê-lo? Pedro não se importava muito com isso, comparado com a urgência de divulgar a mensagem do Evangelho.

P: Em Atos 2:42, o que significa «partir o pão»?

R: Isto não significa simplesmente comer e beber, porque eles não se teriam «dedicado» apenas a comer e beber. Em vez disso, refere-se à participação na Ceia do Senhor, que Jesus lhes ordenou que fizessem em memória Dele, em Lucas 22:19 e 1 Coríntios 11:24-26.

P: Em Atos 2:44-45 e Atos 4:32, isto significa que os cristãos não devem possuir bens privados?

R: Não. Este exemplo dos primeiros cristãos que viviam em Jerusalém não é algo que tenhamos necessariamente de seguir. No Novo Testamento existe um contra-exemplo: a posse privada que Paulo tinha do seu manto, em 2 Timóteo 4:13. Além disso, Paulo exortou os coríntios a serem generosos em 2 Coríntios 8. Ele não teria de fazer isso se a igreja já tivesse confiscado todos os seus bens.

Esta distribuição era voluntária e não era concedida a todos, mas sim àqueles que tinham necessidades.

P: Em Atos 2:44, «tudo em comum» inclui o sexo promíscuo, tal como ensina a seita «Filhos de Deus»?

R: Não, por duas razões.

1. As mulheres e os homens não são coisas para serem trocadas ou utilizadas como objetos. Isto refere-se a bens materiais, não a pessoas ou relações.

2. Uma vez que obedeciam a Deus, também não teriam em comum coisas más, tais como bens roubados.

Isto parece ser como coar um mosquito e engolir um camelo: tentar justificar o sexo promíscuo com base neste versículo e ignorar tudo o que a Bíblia diz sobre a pureza sexual.

P: Em Atos 3:1-3, em que circunstâncias é que aquilo que desejamos pode diferir de, e ser muito inferior a, aquilo de que necessitamos?

R: O homem desejava um pouco de dinheiro para aliviar a sua situação atual. Pedro exortou-o a erguer-se da sua condição atual. O homem tinha perdido a esperança de alguma vez poder ser curado, mas depois de Pedro ter falado em nome de Jesus, teve fé para o fazer. O homem sabia que Jesus tinha sido crucificado recentemente, mas provavelmente também sabia que Jesus ressuscitou dos mortos.

Algumas pessoas, mesmo cristãos, pensam que nunca conseguirão deixar de fumar, de se embriagar, de controlar a sua ira ou de cometer outros pecados. Mas Deus chama-nos a ter fé e a erguer-nos da nossa escravidão paralisante ao pecado.

P: Em Atos 3:2, onde ou quando é que o homem ficou aleijado?

R: A palavra grega «koilia» pode significar «estômago» ou «útero». Embora o Novo Testamento utilize esta palavra noutros contextos com ambos os sentidos, Lucas utiliza-a apenas no sentido de «útero». Portanto, o homem era aleijado desde o nascimento.

P: Em Atos 3:3, o que são esmolas?

R: Trata-se de dinheiro distribuído aos pobres.

P: Em Atos 3:3-6, quanta fé e esperança tinha o homem de que seria curado?

R: O mendigo era coxo desde o nascimento, deitava-se à porta do templo dia após dia e não dava qualquer indício de que esperasse ser curado. Contentava-se apenas com uma pequena esmola em dinheiro. Até que ponto nos contentamos hoje com apenas um pouco de Deus, quando Deus deseja fazer mais nas nossas vidas?

Esta cura é invulgar, pois o homem limitou-se a pedir algo pequeno, com pouca fé, e, pela graça de Deus, recebeu algo grandioso.

P: Em Atos 3:7, dada a gravidade e a duração da sua deficiência, o homem tinha todos os motivos para inventar uma desculpa de que não conseguia andar. Mas não o fez. Quando é que tentamos inventar desculpas perante Deus, quando devíamos simplesmente agir?

R: Não importa quão poderoso algo seja, quando comparado com o poder de Deus. Se continuarmos simplesmente a obedecer a Deus, sempre que tivermos oportunidade, Deus virá ao nosso encontro e guiar-nos-á. Enquanto uma criança que tem o potencial para andar ainda passa por um longo processo para aprender a andar, o homem não passou por isso. Não só as suas pernas foram curadas para lhe dar o potencial, como ele adquiriu imediatamente a capacidade e a habilidade para andar, saltar e dar saltos.

Como alguém disse: «Não diga a Deus quão grande é a tempestade; diga à tempestade quão grande é o seu Deus.»

P: Em Atos 3:11-26, em que medida o sermão de Pedro aqui difere do seu sermão em Atos 2?

R: Este sermão improvisado não parece tão polido como o sermão em Atos 2. Mas talvez a fluidez e o grau de preparação da nossa oratória não importem quando partilhamos a verdade do evangelho que está dentro de nós.

P: Em Atos 3:13, os judeus negaram Jesus na presença de Pilatos, apesar de este estar determinado a libertá-lo?

R: Sim. Isto é demonstrado claramente em Mateus 27:17-26, Lucas 23:4-25 e João 19:4-16. É demonstrado de forma menos clara em Marcos 15:9-15.

P: Em Atos 3:14-15, o que é que Pedro está a contrastar aqui e como é que isso se aplica a nós?

R: A multidão presente no julgamento de Jesus tinha uma escolha: libertar um assassino que tira a vida ou libertar o Messias que dá a vida. A escolha que fizeram foi aquele que tira a vida. Por vezes, as pessoas fazem escolhas erradas e seguem por um caminho errado, cujo fim tira a vida. Mas Pedro estava a anunciar-lhes a boa nova: que ainda não é tarde demais para se arrependerem, mudarem de opinião e seguirem o caminho da vida. Pedro não está a ser severo com eles, mas a proclamar, em termos graves e urgentes, o que fizeram e o que precisam de fazer agora.

P: Em Atos 3:16-17, o que há de significativo no «Nome» de Jesus?

R: Lucas considerou-o certamente significativo, uma vez que o menciona 33 vezes: Atos 2:21; 38; 3:6,16; 4:7,10,12,17,18; 5:28,40,41; 8:12,16; 9:14,15,21,27,29; 10:48; 15:26; 16:18; 19:5, 13, 17; 21:13; 22:16; 26:9; Lucas 10:17; 21:8; 24:47

P: Em Atos3:17 -21, foi dada ao povo judeu outra oportunidade de ver o Reino de Deus estabelecido aqui na Terra?

R: Os cristãos discordam.

Sim: Muitos dispensacionalistas acreditam que aos judeus, enquanto nação, foi dada aqui a oportunidade de estabelecer o Reino de Deus na Terra. É claro que Deus sabia de antemão que eles rejeitariam essa oportunidade.

Não: Muitos outros afirmam que o apelo aqui se dirigia a cada indivíduo que ouvisse a mensagem.

Questão discutível: Trata-se de uma oferta genuína, mas de um caso puramente hipotético, tal como oferecer o evangelho a pessoas réprobas. Deus sabia que elas não aceitariam.

P: Em Atos 3:19-20, por que lhes foi dito para se arrependerem e se converterem?

R: Este é um ponto importante a ter em conta. Atos 3:19 afirma que o propósito do arrependimento e da conversão a Deus era para que os seus pecados fossem apagados. Continua a existir um aspeto eterno na salvação, uma vez que Deus conhecia de antemão e predestinou aqueles que iriam para o Céu. No entanto, Atos 3:19 mostra que existe também um aspeto «temporal» e, num certo sentido, os nossos pecados são perdoados «quando» nos arrependemos e nos convertemos.

A renovação e o reavivamento de todas as coisas já eram conhecidos pelos judeus, tal como também foi profetizado em Isaías 34:4; 51:6; 65. É igualmente mencionado no Livro de Enoque 45:2; 62:1; 91:16-17, e no Apocalipse de Baruch 32, de acordo com o «The Expositor’s Greek Testament», vol. 2, p. 116.

P: Em Atos 3:21, 26, isto apoia o universalismo, ou seja, que todos serão salvos?

R: Não. Jesus veio como sacrifício expiatório pelo mundo inteiro (1 João 2:2) a fim de afastar todos dos seus caminhos perversos. No entanto, para aqueles que optam por não se afastar dos caminhos ímpios, Deus não obriga ninguém a entrar no Céu contra a sua vontade.

O universalismo imediato, segundo o qual todos vão imediatamente para o Céu, é falso, de acordo com Mt 25,46; João 3:36; 5:40-43; 6:45; 8:24; 10:8; 12:47-48; 14:6; (implícito) Atos 4:12; 2 Tessalonicenses 1:8-9.

O universalismo eventual, segundo o qual alguns podem ir para o Inferno, mas todos acabarão por ir para o Céu, é falso, de acordo com Marcos 9:44-48; Apocalipse 20:10.

P: Em Atos 3:13, 22, 26 e4:27 , por que razão Jesus é referido nestes versículos como um servo santo e, quando é chamado de Filho do Homem, o que isso significa?

R: Dois dos títulos preferidos de Jesus pareciam ser «Filho do Homem» e «Filho de Deus». Mas, aparentemente, Jesus apresentou cada título um de cada vez. O primeiro salienta que Jesus é plenamente humano, e o segundo que Jesus era plenamente Deus. Jesus não se limitava a parecer-se com um homem, nem tinha apenas algumas semelhanças com os seres humanos; pelo contrário, Jesus era 100% homem. Era tão humano como o senhor e eu. Da mesma forma, Jesus não era um pouco Deus, nem parcialmente Deus, mas era 100% Deus.

Jesus possuía toda a glória devida a Deus no Céu. E, no entanto, Jesus desceu à Terra. Hebreus 5:7-8 não se refere a Jesus como um «Amigo» de Deus Pai, mas, na Terra, Jesus estava «sujeito» e aprendeu a obediência. Filipenses não diz que Jesus era um servo por direito, ou que merecia ser um servo, mas sim que escolheu voluntariamente tornar-se um servo.

Mas as Escrituras continuam. Os servos ocupavam frequentemente cargos elevados, como mestres, tutores, funcionários governamentais e contabilistas. Eram apenas os servos humildes que tinham de lavar os pés do seu senhor. No entanto, Jesus não era apenas um servo, mas um servo humilde dos discípulos, lavando-lhes os pés em João 13:4-17. Jesus continuou a afirmar que eles estavam certos em chamá-Lo de Senhor em João 13:13; no entanto, Jesus estava a agir como servo dos discípulos e a dizer que todos nós devemos ser servos uns dos outros.

Como nota à parte, a citação aqui de Deuteronómio 18:15, 18-19 não é exatamente igual nem ao texto massorético nem à Septuaginta. No entanto, segue o texto hebraico de Deuteronómio 18:18-19 no rolo 4Q175 (=4QTest), escrito entre 100 e 1 a.C.

P: Em Atos 3:26, Jesus conseguiu afastar todos das suas iniquidades?

R: Há três pontos a considerar na resposta.

1. Jesus foi totalmente bem-sucedido em fazer tudo o que devia fazer e em providenciar tudo, da parte de Deus, para que todos se afastassem das suas iniquidades.

2. No entanto, alguns optam por não se afastar dos seus pecados, e isso não é culpa de Jesus.

3. Pedro estava a enfatizar o reino, e não a igreja, uma vez que se dirigia aqui apenas aos judeus.

P: Em Atos 4:3-14, por que razão os governantes limitaram-se a adverti-los nessa ocasião?

R: Em primeiro lugar, note-se que, em Atos 4:7, os governantes perguntaram, essencialmente, «por que poder ou em nome de quem»; o que lhes interessava era saber se havia autoridade legítima. Os saduceus pensavam que a Era Messiânica já tinha começado no Período Macabeu, de acordo com a obra *The Message of Acts*, p. 78. Os saduceus, que constituíam a maioria do Sinédrio, viam os apóstolos a pregar sobre Jesus sem qualquer motivo justificável.

Embora as Escrituras não respondam especificamente a esta questão, existem provavelmente três razões.

Os governantes temiam o que alguns chamam de «imagem pública». Temiam perder o apoio do povo e que este se voltasse contra os governantes judeus, por punirem pessoas que nada mais faziam senão o bem ao curar alguém. Diz-se que esta era uma preocupação primordial em Atos 5:26. Pedro, cheio do Espírito Santo, abordou este ponto em Atos 4:9. Talvez houvesse um momento mais oportuno para se livrarem destes apóstolos em segredo.

Em segundo lugar, temiam a reação romana a um motim popular. Os romanos tinham demonstrado que não tinham escrúpulos em matar líderes judeus. Se a multidão concordasse com a morte dos líderes que já não apoiava, poderiam encontrar-se numa situação delicada. Esta era uma das principais preocupações de Caifás em João 11:48-50.

Em terceiro lugar, de acordo com a lei judaica, uma pessoa tinha de estar ciente das consequências do seu crime antes de ser punida por ele. Assim, a advertência foi apenas o primeiro passo para os consciencializar das consequências.

Pedro não fez qualquer tentativa de apaziguar o Sinédrio nem de falar de forma conciliatória para o apaziguar. Isto pode ter sido chocante, vindo de alguém que tinha fugido após a detenção, para não falar de ter negado Jesus três vezes. Por vezes, quando tropeçamos em algo e nos arrependemos, Deus coloca-nos numa situação semelhante para que possamos sair vitoriosos ali onde tínhamos tropeçado.

O resultado da decisão do Sinédrio foi, essencialmente, uma declaração de «guerra» entre a autoridade terrena do Sinédrio e a autoridade celestial de Jesus.

P: Em Atos 4:8; 4:31; 2:4; 6:3; 11:24; 13:9; 7:55, por que razão Deus enche as pessoas com o Espírito Santo?

R: O Livro dos Atos apresenta-nos cinco razões diferentes.

Para proclamar a palavra de Deus (Atos 2:4; 4:8; 4:31)

Para servir (Atos 6:3)

Para pastorear (Atos 11:24)

Para repreender (Atos 13:9)

Por morrer (Atos 7:55)

P: Em Atos 4:12, será que Jesus é realmente o único caminho?

R: Sim. Jesus é o único caminho para todos, de acordo com este versículo, João 14:6 e Atos 4:12. Se discordar, discordar de quase todos os cristãos genuínos ao longo da história não é tão grave como chamar a Jesus e a Pedro de mentirosos ou de loucos por pensarem que Jesus era o único caminho. Acredita realmente que Jesus disse algo que induziu todos os Seus seguidores em erro durante milhares de anos e permitiu que os Seus apóstolos fizessem o mesmo? Acha que sabe mais do que Jesus ou Pedro?

Calúnia é dizer algo que uma pessoa sabe ser mentira ou que demonstra um desrespeito imprudente pela verdade. Se acredita que Jesus e Pedro eram caluniadores, seria uma mentira da sua parte afirmar que acredita em Jesus e que é Seu seguidor.

Algumas pessoas gostariam de um «buffet bíblico», aceitando todas as doutrinas que desejam e rejeitando aquelas que não querem. É uma espécie de atitude de «eu e Deus» versus «Deus e eu». Mas não foi isso que Deus, o nosso Senhor, pretendia.

P: Em Atos 4:12, para além da Bíblia, como sabemos que nem todas as religiões são verdadeiras?

R: Antes de responder à pergunta, eis um breve acróstico das crenças de algumas religiões.

Animismo — Quase todas as árvores e rochas têm um espírito que deve ser temido e apaziguado com oferendas.

Budismo — A vida é sofrimento.

Culto da Carga — (Nova Guiné) Marcham em formação tal como os deuses (na verdade, soldados da Segunda Guerra Mundial) faziam, para que estes regressem com as suas oferendas de carga.

Taoísmo (posterior) — Existem muitos espíritos a serem adorados.

Filosofia epicurista — A vida é maravilhosa. Comam, bebam e sejam felizes, pois amanhã morreremos. O epicurismo original não era propriamente hedonismo, mas sim fazer tudo (mesmo o mal) com moderação.

Família do Amor (Filhos de Deus) — Seja uma prostituta sexual por Jesus.

Grego — Adore Zeus, que violou Europa e outras. Existe o Hades, mas não há céu.

Hashashins (pequena seita muçulmana) — Ficavam «pedrados» com haxixe antes de assassinarem pessoas.

Islão — A Trindade é falsa e Jesus Cristo não é o Filho de Deus

Jainismo — É espiritual morrer de fome.

Os Khonds (da Índia) — É bom torturar lentamente as pessoas até à morte.

Lubavitchers — (dos EUA) O Messias prometido pode ter chegado, e o seu nome é Rabino Menachem Schneerson, de Nova Iorque.

Maia (e também asteca) – Arrancar o coração das pessoas enquanto ainda estão vivas agrada aos deuses.

Movimento do Novo Pensamento — Uma mente recetiva pode curar todas as doenças. A doença não é realidade.

Comunidade Oneida - (da América) Todos os adultos estão «casados» com todos os outros membros da comunidade.

Papua-Nova Guiné – O povo Fore, em sinal de reverência, come os cérebros dos seus familiares falecidos.

Quraysh (pré-Maomé) — adoram um ídolo do deus da lua chamado Alá.

Roma (período posterior) — É obrigatório adorar o Imperador Romano ou morrer.

Shakerismo (da América) — Todas as relações sexuais são proibidas.

Thuggees – (da Índia) Em janeiro, adora-se Deus estrangulando homens desprevenidos.

Universalistas Unitaristas – Pode aderir a qualquer crença religiosa que desejar. (exceto que existe apenas um caminho através de Jesus.)

Vikings — A única forma de ir para o céu (Valhalla) é morrer de forma violenta.

Bruxaria (antiga) — Há muitas coisas que deve fazer para evitar o mau-olhado.

Yanomamö (índios) — Quando alguém estava doente, era consumida uma planta alucinógena — pelo xamã, não pelo doente.

Zoroastrismo — Existe apenas um Deus verdadeiro, e a adoração de outros deuses deve ser suprimida à força.

Deve ser óbvio que todas estas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras.

P: Em Atos 4:12, para além da Bíblia, como sabemos que todas as principais religiões do mundo não são verdadeiras?

R: Eis algumas breves afirmações.

Os judeus acreditam que Jesus não é o Messias enviado por Deus. Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias enviado por Deus. Os hindus e muitos budistas acreditam na adoração de ídolos como deuses. Os ensinamentos cristãos e judaicos afirmam que a idolatria é um grande mal. Os primeiros cristãos preferiram a tortura e a morte a adorar ídolos. Maomé ensinou aos muçulmanos que os idólatras que não se arrependessem deveriam ser mortos.

Se parasse e perguntasse a cinco pessoas como chegar a um determinado local, e estas lhe dessem respostas tão diferentes como as que estas religiões dão, teria de concluir que, pelo menos algumas delas, estavam erradas. Ou

a) é aceitável adorar ídolos,

b) as pessoas que adoram ídolos devem ser mortas

c) é melhor ser torturado e morrer do que adorar ídolos,

As três afirmações acima não podem ser verdadeiras.

Ou

a) deve ser uma bênção para os outros, ou

b) é algo bom, agradável a Deus, amaldiçoar judeus e cristãos, tal como Maomé ensinou.

Ambas as afirmações não podem ser verdadeiras.

Imagine que está a olhar para o cruzamento de duas ruas numa pequena ilha. Provavelmente, pode seguir por qualquer rua e, eventualmente, chegar a qualquer destino desejado na ilha. A maioria das religiões é assim. Desde que pretenda viajar pela ilha, não importa o caminho que escolher. Pode conduzir à volta da ilha pela direita, pela esquerda ou pelo meio. As estradas acabarão por se cruzar. No entanto, se sair da ilha e chegar ao continente do Reino de Deus, antes que o furacão chegue, terá de atravessar a única ponte longa. Dizer isto não é estreiteza de espírito, mas sim geografia no mapa. Afirmar que existe apenas um caminho para Deus não é uma opinião estreita da nossa parte, mas sim a verdade ensinada por Jesus.

Um conto antigo fala de um vigarista que mostra a ponte de Brooklyn aos novos imigrantes na América. Com todos os carros a passar por ela, o vigarista oferece-se para vender a ponte — da qual não é proprietário — ao imigrante, para que este possa ganhar dinheiro a cobrar portagens. Por vezes, as pessoas querem confiar numa ponte imaginária, ou numa ponte que planeiam construir elas próprias. A verdade sobre a salvação é que não se pode «comprar» nada. Pode atravessar livremente a ponte estreita da cruz de Jesus, ou pode permanecer na ilha da catástrofe.

P: Em Atos 4:12, o que pode dizer a alguém que pensa que todas as religiões conduzem a Deus?

R: Depende da pessoa e da situação. Aqui estão três respostas diferentes, mas complementares.

a. É reconfortante pensar que tudo está bem no mundo e que todas as religiões conduzem as pessoas a Deus. Será que os talibãs, o abastado reverendo Moon, o imoral Rajneesh, o violento David Koresh e o suicida Jim Jones são todos «faróis» que conduziram os seus seguidores ao que agrada a Deus? Será que o sacrifício de Jesus, ao morrer em agonia na cruz, não teve qualquer importância ou, pior ainda, foi um desperdício desnecessário? Não, Jesus disse que larga era a via que conduzia à perdição e estreita a estrada que conduzia à vida eterna. Ora, há quem rejeite as palavras de Jesus como se fossem de um tolo, pensando que Ele não sabia do que estava a falar. No entanto, se confiarmos honestamente em Jesus, temos de aceitar o facto de que nem tudo está bem na maior parte do mundo e de que temos trabalho a fazer para dar a conhecer o caminho estreito.

b. Numa nota mais leve, se alguém me disser que todas as religiões conduzem a Deus, pergunto-lhe se sabe que está realmente a arriscar-se ao afirmar isso. Por exemplo, na religião Thuggee, estrangular outras pessoas até à morte é um ato de adoração. Assim, uma vez que acreditam que todas as religiões conduzem a Deus e não o conhecem muito bem, poderiam, por favor, virar-se e fechar os olhos para que eu possa praticar um ato de adoração nessa tradição religiosa?

c. Maomé ensinou a atacar não-muçulmanos e a matar pagãos na Sura 9:29 e no Hadith de Bukhari, vol. 4, n.º 196, p. 124. As pessoas chamadas de muçulmanos extremistas são simplesmente pessoas que levam a sério tudo o que Maomé disse. Este tipo de muçulmano violento poderia dizer a um universalista: O meu profeta, Maomé — que a paz esteja com ele —, disse-nos para matarmos os incrédulos. No entanto, antes de lhe cortar a cabeça em obediência a Alá, só queria que soubesse que aprecio o facto de reconhecer que a minha religião está correta.

P: Em Atos 4:12, as religiões que praticam boas obras são boas?

R: Eis uma carta de recomendação sobre uma dessas religiões, que enfatizava o amor pelo próximo.

«Saber do profundo envolvimento da vossa congregação nas principais questões sociais e constitucionais do nosso país é para mim uma grande inspiração.» — Walter Mondale (Vice-Presidente dos EUA) numa carta de referência para o reverendo Jim Jones. Jones apresentou esta carta de referência ao governo da Guiana quando Jonestown foi fundada. (citado em *The New Republic*,12/2/1978 , e em *Experts Speak*, p. 283.) Mais tarde, Jim Jones obrigou os seus seguidores em Jonestown a cometerem suicídio.

P: Em Atos 4:19, em que circunstâncias devemos desobedecer às ordens dos líderes religiosos?

R: Três pontos a considerar: as ordens, os líderes religiosos ímpios e Pedro.

Ordens: Da mesma forma que as leis de uma nação têm precedência sobre as leis de uma província, as ordens de Deus têm precedência sobre as ordens de outros. Tudo o que as pessoas lhe dizem, mesmo as palavras de pastores piedosos, deve ser verificado à luz das Escrituras.

Líderes: Paulo afirma em 2 Timóteo 3:5 que haverá pessoas que terão a aparência da piedade, mas negarão o seu poder. Não devemos ter qualquer relação com elas. É claro que tem uma relação com uma pessoa se a reconhecer como seu líder espiritual.

Tito3:10 diz para não ter nada a ver com alguém que semeia divisão depois de o ter advertido duas vezes. Em Apocalipse 2:20, a igreja de Tiatira foi repreendida por Jesus por tolerar uma falsa profetisa que promovia a imoralidade sexual e o consumo de alimentos sacrificados aos ídolos.

Ora, nenhum líder cristão é perfeito e isento de pecado, nem está 100% correto em todos os pormenores doutrinários. Mas se um líder cristão não estiver disposto a submeter-se a Deus, não devemos submeter-nos a ele. Quanto aos nossos líderes cristãos que caminham com Deus, por mais imperfeitos que sejam, somos ordenados a submeter-nos a eles, tal como demonstram Hebreus13:17 e 1 Pedro 5:2-5.

Pedro: A reação de Pedro poderia ter sido apenas o silêncio (mas não o consentimento), e depois poderia ter falado em segredo, ou afirmado que nunca concordara. Mas, em vez disso, Pedro fez o contrário. Não teve medo de ficar fora da proteção de Deus. Se tivesse simplesmente permanecido em silêncio, isso poderia ter dado a entender que concordava e, então, com ou sem razão, poderiam acusar Pedro de voltar atrás no que tinha tacitamente concordado. Não, Pedro mostrou-se ousado nesta ocasião, e o que eles suplicaram a Deus foi precisamente essa ousadia.

Um dos primeiros autores a abordar este ponto foi Tertuliano (198-220 d.C.) em *Scorpiace*, cap. 14, p. 648.

Como nota histórica, John Wycliffe (~1330-1382) levou esta ideia um passo mais além. Foi influenciado por Richard Fitzralph na ideia de que «o domínio provém de Deus». Este conceito sustenta que o poder e a autoridade humanos provêm de Deus e são sustentados por Ele. Os líderes religiosos desobedientes e ímpios não devem ser apoiados nem remunerados. Wycliffe questionou: Se toda a Igreja Católica Romana é corrupta, então por que razão deveria a Inglaterra fornecer dinheiro a Roma?

Qual foi a reação da Igreja Católica Romana? A morte de Wycliffe, vítima de um AVC, provavelmente salvou-o de ser martirizado. De qualquer forma, a Igreja exumou o corpo de Wycliffe e deitou-o fora.

P: Em Atos 4:21, de que forma todos glorificaram a Deus neste contexto?

R: O contexto de «todo o povo» referia-se a todas as pessoas que testemunharam o que aconteceu. Algumas delas poderiam vir a afastar-se dos apóstolos mais tarde, mas, naquele momento, todas estavam a expressar o seu louvor a Deus.

P: Em Atos 4:22, qual é o significado do facto de o homem ter 40 anos?

R: O significado reside na lição de que a idade não tem importância para Deus.

O corpo não cresce muito depois dos 20 anos e a recuperação torna-se mais lenta com a idade. Tudo isto é irrelevante para Deus, que opera milagres.

Da mesma forma, uma pessoa mais velha pode mostrar-se relutante em arrepender-se e voltar-se para Deus, porque desperdiçou os seus anos de juventude e sente-se demasiado presa aos seus hábitos. Tudo isto é irrelevante para Deus. Não tente dizer a Deus que deseja aproximar-se Dele, mas que Ele não é suficientemente poderoso para superar as suas limitações ou a sua idade. Deus não acredita nisso, e o senhor também não deve acreditar.

P: Em Atos 4:23, estariam Pedro e João a espalhar boatos, ao contar aos outros crentes tudo o que os sacerdotes tinham dito?

R: Não. Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. A fofoca é um pecado grave, de acordo com Provérbios 11:13; 16:28; 18:8; 20:19; 26:20,22 e 2 Coríntios 12:20; 3 João 10; Romanos 1:29; e 1 Timóteo 5:13. A fofoca e a calúnia incluem dizer coisas sobre os outros sem que haja uma boa razão para o fazer, bem como dizer coisas falsas.

2. Pedro e João não estavam a espalhar boatos, porque estavam a contar o que lhes tinha acontecido e estavam a dizer a verdade.

3. Além disso, era importante que os outros cristãos tivessem conhecimento do julgamento e das ações dos sumos sacerdotes e dos anciãos.

4. Por fim, estavam a falar da cura operada por Deus, e pode-se sempre contar aos outros o que Deus fez.

P: Em Atos 4:28-29, o que há de curioso na oração deles?

R: Há duas coisas muito interessantes: o que afirmaram a Deus e aquilo pelo qual não oraram.

Seria de esperar que dissessem a Deus que os governantes se opunham à vontade de Deus. Mas, em vez de dizerem isso, há aqui uma «surpresa». Estão a reconhecer perante Deus que os líderes ímpios estavam, de facto, a fazer exatamente o que Deus tinha determinado que fizessem, de acordo com o Salmo 2, em Atos 4:25-26.

Essencialmente, fizeram três pedidos a Deus.

1. Que observasse as ameaças dos governantes (sem se atreverem a dizer a Deus o que Ele deveria fazer a esse respeito)

2. Dê-lhes ousadia para proclamar a Palavra de Deus

3. Continue a glorificar o Seu Nome com curas, sinais e maravilhas.

O que é mais curioso é aquilo pelo qual eles NÃO oraram. Dirigiram-se a Deus como o Senhor Soberano, mas, no entanto, não oraram por segurança, alívio da opressão ou para que Deus os protegesse. Não oraram para que Deus lhes colocasse oportunidades no colo para pregar a Palavra. Eles viam oportunidades em abundância. Em vez disso, oraram apenas para que Deus os transformasse, dando-lhes mais ousadia para criar ou aproveitar as oportunidades que inevitavelmente surgiriam para pregar a Palavra.

Deus mostrou que estava muito satisfeito com a oração deles ao fazer com que o local fosse abalado. Como observou João Crisóstomo, quando o local foi abalado, eles tornaram-se ainda mais inabaláveis.

P: Em Atos 4:32-35 e 2 Coríntios 8:13-15, os cristãos devem ter igualdade financeira com todos os outros cristãos hoje em dia?

R: Atos 4:32-35 mostra que os primeiros cristãos eram muito generosos e partilhavam tudo em comum, e que ninguém passava necessidade. No entanto, a Bíblia nem ordena nem dá o exemplo de um «comunismo cristão», porque Atos 5:4 mostra que Ananias tinha o direito de ficar com a terra e o dinheiro para si próprio. Apenas não tinha o direito de afirmar que entregava todo o dinheiro à igreja quando, na realidade, não o fazia. Paulo possuía bens pessoais, nomeadamente o seu manto e alguns pergaminhos, sobre os quais escreve em 2 Timóteo 4:13.

2 Coríntios 8:13-15 afirma que ninguém deve ter em excesso nem em falta. Estes são versículos desafiantes para os cristãos abastados, mas devemos seguir toda a Bíblia, não apenas partes dela.

P: Em Atos 4:36, existiu um verdadeiro Evangelho de Barnabé, escrito por Barnabé, como alguns muçulmanos afirmam?

R: Não. O Evangelho de Barnabé foi uma falsificação da Idade Média. Aqui estão algumas das razões pelas quais sabemos que não se trata de uma obra antiga.

Factos básicos demonstram que não se trata de uma obra antiga. O Evangelho de Barnabé é conhecido apenas em italiano, e nenhum escritor antigo alguma vez se referiu a ele. Menciona coisas que só vieram a ser utilizadas séculos mais tarde. Além disso, foram também encontrados em Granada outros evangelhos falsificados escritos em árabe. Foram descobertos após 1588, e os falsificadores eram mouros. Se todos rejeitam, de modo geral, esses outros evangelhos falsificados, por que razão aceitar este? Embora um escritor muçulmano, Ata ur-Rahman, tenha confundido o Evangelho de Barnabé com outro texto chamado Carta/Epístola de Barnabé, não existe qualquer semelhança, exceto o nome da pessoa.

Contradizendo tanto a Bíblia como o Alcorão

Seguem-se os ensinamentos do Evangelho de Barnabé que contradizem a doutrina islâmica do Alcorão, bem como os ensinamentos cristãos da Bíblia.

Jesus não é o Messias. cap. 83, p. 181; cap. 97, p. 223; cap. 42, p. 97

As palavras de um profeta destinam-se apenas ao povo a quem foram enviadas. cap. 43, p. 101. (A Sura 4:150-151 diz para não se fazer distinção entre os mensageiros.)

O Messias é Maomé. cap. 97, p. 225-227

Ismael foi o antepassado do Messias. cap. 190, p. 425; cap. 191, p. 407; cap. 208, p. 459; cap. 43, p. 103

Deus criou todas as coisas para o Messias. cap. 191, p. 427

Deus criou tudo para Maomé. cap. 39, p. 91 «[Maomé] será o meu mensageiro, para quem criei todas as coisas; que trará luz ao mundo quando vier; cuja alma foi colocada num esplendor celestial sessenta mil anos antes de eu ter criado qualquer coisa.»

«O mensageiro de Deus [Maomé] responderá: “Ó Senhor, recordo-me de que, quando me criaste, disseste que tinhas desejado criar, por amor a mim, o mundo e o paraíso, os anjos e os homens, para que te glorificassem por meu intermédio, o teu servo.”» cap. 55, p. 131. Ver também cap. 56, p. 133

Sem fé em Maomé, ninguém será salvo. (A maioria dos muçulmanos não acredita que se deva ter uma fé salvadora em Maomé.) cap. 192, p. 429

Algumas outras diferenças em relação à Bíblia

Jesus é uma voz no deserto. cap. 42, p. 97

Os anjos «afastaram» os soldados para dar lugar a Jesus. cap. 153, p. 355

Maomé está a chegar. cap. 44, p. 105

Algumas outras diferenças em relação ao Alcorão devem levar os muçulmanos a terem cuidado ao quererem recorrer a este «Evangelho». De acordo com o Hadith de Bukhari, volume 4, livro 56, n.º 712, p. 467, Maomé afirmou que uma das três piores mentiras é «atribuir-me o que eu não disse».

Os muçulmanos fiéis que não tiverem boas obras ficarão no Inferno durante 70 000 anos. cap. 137, p. 319

Maomé irá para o Inferno e ficará aterrorizado ao contemplar o castigo dos outros, cap. 135, p. 315

Maria deu à luz Jesus sem dor, cap. 3, p. 9

É ilícito odiar qualquer coisa, exceto o pecado. cap. 86, p. 199

Deus é um pai. cap. 133, p. 307

Deus é o nosso Pai. (— embora não tenha filhos) cap. 17, p. 31, 33

Não haverá inveja no Céu. cap. 177, p. 401

Erros gerais — Navegar para cidades do interior: Não se trata apenas de pequenos erros, mas demonstram que o autor sabia muito pouco sobre a geografia e a história da Palestina.

Jesus dirigiu-se ao Mar da Galileia e, tendo embarcado num navio, navegou até à sua cidade de Nazaré. cap. 20, p. 41 (Nazaré fica no interior.)

Os romanos diziam que os ídolos eram todo-poderosos. cap. 152, p. 353

Os cananeus desprezavam os fariseus. cap. 144, p. 335

Os fariseus, na época de Jesus, eram muito peculiares no seu ascetismo. cap. 145, p. 337-339

Curiosidades sobre os fariseus. cap. 143, p. 343-345

Roma tem 28 000 deuses. cap. 152, p. 353

O Senado romano decretou que ninguém deveria chamar Jesus de Deus ou Filho de Deus. cap. 98, p. 227, nem falar de Jesus. cap. 157, p. 367

Decreto do Senado Romano. cap. 210, p. 461

As pessoas que pregavam a penitência eram chamadas de nazarenos (em referência a Jesus). cap. 194, p. 433

Judas sorriu quando os discípulos o confundiram com Jesus. cap. 216, p. 471

Israel afirma que Jesus era Deus ou o Filho de Deus. cap. 138, p. 321

Barnabé era um dos discípulos de Jesus. cap. 83, p. 191; cap. 88, p. 205; cap. 19, p. 39; e cap. 72, p. 167

Houve uma grande fome em Israel no tempo de Jesus. cap. 138, p. 321

Deus infligiu a Jesus consequências negativas porque outros chamavam Jesus de Deus. cap. 112, p. 257

As montanhas (plural) de Samaria. cap. 81, p. 189

Anacronismos históricos: A questão aqui não é que o Evangelho de Barnabé apresente algumas incongruências históricas. A questão é que os inúmeros erros comprovam que o livro foi escrito durante a Idade Média na Europa.

As moedas mencionadas no capítulo 54 (um denário de ouro dividido em sessenta «minuti») eram espanholas.

O pai de Abraão afirmava que havia um número infinito de deuses. (Os sumérios não tinham o conceito de infinito.) cap. 26, p. 57

«Nesse momento, enquanto a comida descia [pela garganta de Adão], ele lembrou-se das palavras de Deus; por isso, desejando impedir que a comida descesse, enfiou a mão na garganta, onde todos os homens têm a marca.» (A expressão «maçã de Adão» surgiu pela primeira vez na Europa medieval) cap. 40, p. 93

Pilatos era governador da Judeia quando Jesus nasceu. cap. 3, p. 7

Os judeus ensinavam a jejuar, a dar esmolas, a rezar e a fazer peregrinações. cap. 89, p. 207

O Jubileu celebra-se agora a cada 100 anos. cap. 83, p. 191-193

Os barões dos reis. cap. 131, p. 301

Desejam cavalos como os cavaleiros. cap. 69, p. 159

O fardo da república. cap. 69, p. 161

Cortesãos. cap. 133, p. 307

Após a oração noturna. cap. 131, p. 299

O pináculo onde os escribas costumavam pregar. cap. 127, p. 291; cap. 129, p. 297; e cap. 12, p. 19

O filho pródigo, meias novas. cap. 147, p. 241

Deus não é composto. cap. 161, p. 377

O homem é composto. cap. 168, p. 389

Lázaro e as suas duas irmãs eram proprietários noutras cidades, como Magdala e Betânia, tal como na Idade Média! cap. 194, p. 433

Jesus (na verdade, Judas) estava vestido como um malabarista. cap. 217, p. 475

Pinhas (não existem na região onde Jesus viveu). cap. 113, p. 259

Fístula. (Um termo médico que só passou a ser utilizado na Idade Média para designar uma abertura no corpo com o objetivo de drenagem.) cap. 120, p. 275

Jesus não sabia ler aos 12 anos. cap. 9, p. 15

Fazer penitência. cap. 121, p. 277

Jesus rezou em união com o mensageiro de Deus e ouviu a voz de Maomé, [Será que Maomé viveu antes de ele nascer?] cap. 84, p. 195

Estes «mais do que alguns» erros provam que o livro foi escrito durante a Idade Média na Europa.

P: Em Atos 4:36, quem escreveu então o Evangelho de Barnabé?

R: Primeiro, algumas pistas e, depois, três possíveis suspeitos.

Pistas: Um impressor italiano chamado Arrivabene publicou, em 1547, a primeira tradução italiana do Alcorão. O autor do Evangelho de Barnabé não era versado na história bíblica nem na teologia muçulmana ortodoxa, mas, aparentemente, ele (ou ela) conhecia muito bem os costumes medievais europeus. O italiano do Evangelho de Barnabé apresentava traços dos dialetos veneziano e toscano. A ortografia latina revelava influência da Vulgata. Existem também influências das obras de Dante.

Havia notas em árabe nas margens. No entanto, tal como David Sox (p. 51) refere, estas não foram escritas por um muçulmano ortodoxo. Os Raggs conjecturam que, uma vez que a encadernação de cor verde-escura, de estilo oriental, é muito semelhante à encadernação de um documento turco de 1575 nos arquivos venezianos, tanto a encadernação como as notas marginais poderão ter sido feitas em Istambul/Constantinopla.

Primeiro suspeito: Fra Marino foi o inquisidor-geral de Veneza de 1542 a 1550, e talvez o seu motivo tenha sido a vingança (Sox, p. 68). Felice Peretti (o futuro Papa Sisto V) foi um inquisidor severo e dedicado de Veneza que fez muitos inimigos. No século XVI, realizaram-se 843 julgamentos por protestantismo e anabatismo, 65 por discurso blasfemo e 148 por feitiçaria, só em Veneza. (Sox, p. 57) Na década de 1530, Veneza foi criticada pela sua tolerância. Um frade agostiniano foi punido por ensinar heresia na Igreja de São Barnabé, em Veneza. (Sox, p. 59) Uma análise caligráfica da caligrafia de Fra Marino e do Evangelho de Barnabé revela que estas poderiam ter sido da autoria da mesma pessoa, segundo Sox, p. 70.

Segundo suspeito: Anselmo Turmeda (que mais tarde se tornou Abd-Allah ibn Abd Allah), natural de Maiorca, Espanha, estudou em Bolonha durante dez anos. Na sua biografia, escrita entre 1383 e 1390, afirmou ter sido padre antes da sua conversão ao Islão. O seu professor em Bolonha era um muçulmano secreto. De Epalza (p. 63-64) afirma que se tratava de um franciscano convertido que se vingou do cristianismo após a sua conversão ao Islão. A menção a moedas espanholas no Evangelho de Barnabé corrobora esta teoria.

Outros suspeitos: Outras falsificações de evangelhos, estas pelo menos escritas por mouros em árabe, são originárias de Granada. No entanto, nenhuma delas era conhecida antes de 1588.

Conclusão: Imagine que fosse um muçulmano a quem foi dito que alguém encontrou um «livro» perdido de Deus. Entre outras coisas, esta «sura» mencionava que Maomé navegou num barco até Meca, e esta sura contradizia os ensinamentos da Bíblia e contradizia o Alcorão em dez pontos. O manuscrito mais antigo da suposta sura foi escrito em italiano, que não só não é uma língua do Médio Oriente, como também não existia na época de Maomé. Por fim, esta suposta sura referia alguns costumes históricos que só surgiram 1 000 anos mais tarde na Europa.

Penso que é seguro afirmar que um muçulmano teria provavelmente algumas questões, para dizer o mínimo. Antes de aceitar esta falsificação medieval como uma obra autêntica que revela os «verdadeiros» ensinamentos de Jesus, lembre-se de que esta obra também contradiz o Alcorão.

P: Em Atos 4:36, como pode um crente mudar para se tornar mais encorajador, tal como José/Barnabé era?

R: Há uma série de coisas que pode fazer, bem como algumas coisas que deve deixar de fazer.

Quando uma pessoa o vê, espera ouvir mais frequentemente palavras de encorajamento ou, pelo contrário, críticas? Há ocasiões em que se justifica fazer críticas, mas, em geral, estas devem ser menos frequentes do que as palavras de encorajamento.

Deve banir da sua forma de falar as palavras desanimadoras e cínicas.

Seja grato pelas contribuições e pelos esforços dos outros. Mesmo que um esforço bem-intencionado tenha falhado, agradeça pelo facto de terem tentado.

Certifique-se de destacar as coisas positivas que os outros estão a fazer ou a tentar fazer.

Por outro lado, seja honesto; não elogie as pessoas por coisas que elas sabem que não foram feitas com as melhores intenções ou que não foram bem executadas.

P: Em Atos 4:37 e Atos 5:2, por que razão as contribuições da igreja foram colocadas aos pés dos apóstolos?

R: As Escrituras não o dizem, mas podemos identificar quatro razões possíveis.

Autoridade: O reconhecimento da autoridade dos apóstolos na igreja para receber e distribuir o dinheiro e outras contribuições.

Ausência de pré-condições: Ao oferecer a doação desta forma, não havia quaisquer condições associadas nem exigências impostas.

Doação anónima: Uma vez que eram os apóstolos a distribuí-la, em vez do próprio doador, talvez não houvesse tanta oportunidade de louvor ou fama para o doador.

Confiança: As pessoas que doavam confiavam que os apóstolos usariam a oferta com sabedoria.

P: Em Atos 4:37 e Atos 5:2, as igrejas de hoje devem funcionar com base na confiança ou devem ter controlos financeiros?

R: Ambas as coisas. Se sabemos que não podemos confiar num líder ou numa organização da igreja, não devemos fazer doações a esse líder ou a essa organização. A questão aqui não é apenas a fraude, mas gastar as dádivas de Deus em coisas que não honram a Deus. As doações destinadas a fins específicos são aceitáveis, tal como aconteceram durante a fome em Israel, no tempo de Paulo.

No entanto, a confiança não significa que não devam ser utilizados também controlos financeiros. Em 2 Coríntios 8:17-18, foram enviadas várias pessoas com uma oferta para evitar a aparência de impropriedade. Isso é igualmente importante hoje em dia para evitar também a aparência de impropriedade. Mesmo os bons ministérios, ocasionalmente, têm tido problemas com um colaborador que se apropria de dinheiro. Os bons ministérios têm detectado essas situações graças aos controlos financeiros. Existe uma organização coordenadora, denominada Conselho Evangélico para a Responsabilidade Financeira (ECFA), que conta com centenas de organizações cristãs como membros. Cada organização tem de aderir à Declaração de Fé e cada uma tem de cumprir as práticas contabilísticas da ECFA, que incluem uma auditoria externa e independente realizada por uma empresa de contabilidade uma vez por ano.

P: Em Atos 4:37 e Atos 5:2, as contribuições devem hoje ser destinadas a uma igreja ou diretamente aos pobres necessitados?

R: Não existe uma regra rígida e inflexível, mas há quatro pontos a considerar na resposta.

1. Ajudar os pobres, os órfãos e as viúvas deve ser uma prioridade importante nas nossas vidas (Tiago 1:27; Deuteronómio 15:11; Isaías 1:17; 58:6-10; Jeremias 5:28; 22:16; Gálatas 2:10; Salmo 41:1; 68:5; Provérbios 19:17; 21:13; 22:9; 24:11-12; 29:7; 31:9,20; Mateus 25:34-36; Zacarias 7:9-10; Atos 10:2,4; Efésios 4:28; 1 Timóteo 6:18-19). «Quem fechar os ouvidos ao clamor do pobre, também ele clamará e não receberá resposta.» (Provérbios 21:13)

2. Os pobres que se recusam a trabalhar não devem ser ajudados, até que estejam dispostos a trabalhar (2 Tessalonicenses3:10 ).

3. Quando der diretamente aos pobres, faça-o com sensatez. Tente reduzir a probabilidade de o dinheiro ser utilizado em drogas, álcool, cigarros, bilhetes de lotaria ou outros gastos supérfluos.

4. Quando doar a uma igreja ou por intermédio dela, faça-o com sensatez. Informe-se sobre o que a organização está a apoiar. Por exemplo, uma determinada percentagem das ofertas de muitas denominações tradicionais era destinada ao Conselho Mundial de Igrejas. Estavam a dar dinheiro a guerrilheiros da Rodésia (Zimbábue), que mataram missionários de uma das organizações membros do Conselho Mundial de Igrejas.

Se parte do seu dinheiro for destinada a apoiar apóstatas (como o bispo episcopal Spong) ou seminários onde se nega a ressurreição física de Cristo (como alguns na Escola de Teologia Perkins da Universidade Metodista do Sul), tenha consciência de que parte do dinheiro que alega estar a dar a Deus está a ser entregue a lobos que dispersam o rebanho. Porquê desperdiçar dinheiro, entregando-o àqueles que não estão empenhados em seguir o Cristo representado na Bíblia?

P: Em Atos 5:1-10, o que havia de errado com o facto de Ananias e Safira terem vendido um terreno e colocado apenas parte do dinheiro aos pés dos apóstolos?

R: Doar apenas parte do dinheiro não havia problema. Em Atos 5:4, Pedro mostra que não havia qualquer pressão sobre ninguém para seguir o exemplo de Barnabé. O problema foi que mentiram e disseram que era todo o dinheiro. O problema secundário foi a desonestidade. O problema principal foi pensarem que podiam enganar o Espírito Santo.

O facto de Lucas ter escrito isto demonstra a sua franqueza ao registar este acontecimento infeliz e, de certa forma, embaraçoso na igreja. Ananias e Safira são para a igreja primitiva o que a família de Acã foi para os israelitas: um engano pecaminoso que interrompeu o progresso vitorioso do povo de Deus.

Em geral, Satanás ataca a igreja de três formas.

Externa: violência no livro dos Atos

Infiltração interna, como o compromisso moral e o ensino herético

Distração: deixar-se envolver em outras boas ações que Deus não pretendia que essas pessoas realizassem.

P: Em Atos 5:1-10, por que razão as pessoas que hoje deturpam as suas contribuições para a igreja não são mortas por Deus?

R: Quatro pontos a considerar na resposta.

1. Isto aconteceu diretamente perante os próprios apóstolos, talvez um cumprimento parcial de João 20:23. Tratava-se de um novo período da «luz brilhante do testemunho quase perfeito da Igreja primitiva», como afirma o New International Bible Commentary, p. 1277.

2. Por um lado, foram desonestos, mas foi um pecado ainda maior mentir aos apóstolos e pensar que poderiam escapar impunes de ter mentido a Deus.

3. Nada indica que merecessem a morte física imediata mais do que todos os outros que enganaram as pessoas em nome da religião. No entanto, receberam a sua justiça «mais cedo» para que servissem de exemplo durante os primeiros dias da Igreja, sob a liderança direta dos apóstolos.

4. Ananias e Safira estavam próximos dos apóstolos e no centro da obra de Deus. Isso é algo positivo se estiver a obedecer a Deus e a ser honesto para com Ele, mas doloroso se não for esse o caso.

P: Em Atos 5:3-4, será que o Espírito Santo é um Espírito feminino, tal como ensina o alegado Messias coreano, o Rev. Moon (Princípio Divino, quinta edição, 1977, p. 215-216)?

R: Não. O Espírito Santo não possui cromossomas X ou Y nem órgãos sexuais. No entanto, quando se faz referência ao Espírito Santo na Bíblia, este é referido como «Ele» e nunca como «ela». João14:17 diz: «O mundo não pode recebê-Lo, porque nem O vê nem O conhece. Mas vós conheceis-O, …» (BSB). Na gramática grega, as terminações das palavras têm género, e João 14:16, 26 e Atos 13:2 apresentam o género masculino. João15:26 e João16:13 também referem «Ele».

Em resumo, João 14:17 é verdadeiro. Aqueles que insistem que o Espírito Santo é feminino não O conhecem.

P: Em Atos 5:13,14, como é que mais ninguém se juntou aos crentes, uma vez que o número de crentes estava a aumentar?

R: O grego literal é «nenhum dos restantes». Devido ao medo da perseguição e ao que aconteceu a Ananias e Safira, ninguém se juntava aos crentes, a menos que e até que também eles passassem a acreditar. Como afirma o «The Tony Evans Bible Commentary», p. 1078: «Infelizmente, quando Deus começa a agir, o diabo também o faz.»

P: Em Atos 5:19-20, por que razão os apóstolos foram libertados neste caso?

R: Atos 5:20 mostra que foram libertados com um propósito: para irem falar novamente ao povo, no templo. Não deviam fazê-lo secretamente, mas com ousadia e abertamente.

Deus revelou, de forma irónica, que as autoridades religiosas eram tolas. Os carcereiros guardavam cuidadosamente celas vazias. O conselho reuniu-se para julgar prisioneiros que não tinham. Enquanto tentavam descobrir para onde os prisioneiros tinham fugido, estes estavam ao ar livre, nos átrios do templo, a pregar novamente.

Repare que, quando foram novamente detidos, as questões de saber se Jesus poderia ser o Messias ou de como tinham conseguido sair para pregar nem sequer foram colocadas em cima da mesa. Na verdade, neste «interrogatório», não está registada qualquer pergunta dirigida aos apóstolos. Apenas uma declaração do sumo sacerdote de que eles tinham violado as regras do Sinédrio.

P: Em Atos 5:30, 10:39 e 13:29, Jesus foi pendurado numa árvore ou crucificado numa cruz?

R: Jesus foi crucificado numa cruz feita de madeira. A cruz teria sido talhada do tronco de uma árvore morta. Ser «pendurado numa árvore» era uma maldição, de acordo com Deuteronómio 21:23. A utilização deste termo serviria para sublinhar que Jesus tomou sobre si a humilhação e a maldição por nós.

P: Em Atos 5:34 e 22:3, o que sabemos sobre Gamaliel I para além do que consta na Bíblia?

R: Gamaliel, filho de Simão, foi um famoso rabino judeu, neto de outro rabino famoso chamado Hillel. Gamaliel I faleceu em 52 d.C. A tradição farisaica de Hillel defendia que um homem podia divorciar-se da sua esposa por qualquer motivo.

P: Em Atos 5:36, em que época viveu Teudas?

R: Primeiro, o que não é a resposta; depois, um facto não relevante para a resposta; e, por fim, a resposta.

Não é a resposta: É possível que Gamaliel tenha cometido um erro aqui e que Lucas estivesse apenas a relatar o que Gamaliel disse incorretamente. No entanto, tendo em conta a resposta que se segue, não há motivo para questionar a sequência ou o momento em que as palavras foram proferidas.

Não relevante para a resposta: Josefo, em «Antiguidades dos Judeus» 20.5.1 (c. 93-94 d.C.), menciona um tal Teudas que foi decapitado por Cuspius Fadus em 44 d.C., enquanto Fadus era procurador. No entanto, Gamaliel afirmou que este Teudas viveu antes do recenseamento, que ocorreu entre os anos 6 e 7 d.C. Além disso, este Teudas dispunha de um exército bastante numeroso, e não apenas de 400 pessoas.

Para complicar ainda mais a situação, houve muitas pequenas revoltas nesta época. Josefo menciona que quatro dessas revoltas foram lideradas por pessoas diferentes, todas chamadas Simão, num período de 40 anos. Menciona também três revoltas diferentes, lideradas por três homens diferentes, todos chamados Judas, num período de dez anos. É claro que, embora Josefo fosse, em geral, um historiador meticuloso, também cometeu outros erros. Assim, tanto Josefo como um copista posterior poderiam ter registado um nome de forma incorreta. Muitos costumavam pensar que Lucas utilizou Josefo como fonte. No entanto, alguns autores, incluindo Emil Schürer, «desmentiram» esta hipótese.

A resposta: O Teudas com 400 rebeldes era outra pessoa com o mesmo nome. O sentimento rebelde contra os romanos era forte, uma vez que havia um grupo de pessoas, chamados zelotes, que lutavam quase continuamente contra os romanos, até à revolta bem-sucedida, mas de curta duração, em 70 d.C. Este Teudas foi aquele que se rebelou antes de Judas, enquanto o rebelde mencionado por Josefo se rebelou depois de Judas.

P: Em Atos 5:36, que evidência existe de que Paulo estudou com Gamaliel?

R: Para além do excelente conhecimento de Paulo sobre o Antigo Testamento e da sua afirmação de ser fariseu, existe um exemplo específico. Em 1 Coríntios 14:21, Paulo referiu-se a uma citação de Isaías 28:11-12 como parte da Torá (Lei). Os saduceus e outros apenas aceitavam os primeiros cinco livros da Bíblia como a Torá, mas os fariseus consideravam todo o Antigo Testamento como Torá. Assim, isto indica que Paulo estudou com um fariseu, e não com um saduceu.

A título de nota à parte, embora Gamaliel fosse um fariseu muito respeitado, diz-se que era apenas um membro do conselho do Sinédrio em Jerusalém. Os rabinos fariseus nunca foram o chefe do Sinédrio até depois da destruição do templo, em 70 d.C.

P: Em Atos 5:38-39, era característico dos fariseus serem tão indulgentes nesta ocasião?

R: Existem diferentes subgrupos de fariseus, e alguns, como Gamaliel I e Josefo, eram do tipo mais indulgente. Um rabino posterior, Gamaliel II, era mais rigoroso. Josefo escreve: «os fariseus são naturalmente indulgentes no que diz respeito às punições», em Antiguidades dos Judeus, livro 13, 294 [x.6]. Um fariseu posterior, o rabino Johanan, o sapateiro, que estudou com o famoso rabino Akiba, disse algo muito semelhante ao que Gamaliel afirmou. Em Pirke Aboth 4:11, ele afirmou: «Qualquer reunião que seja em nome do céu acabará por se consolidar, mas qualquer que não seja em nome do céu não acabará por se consolidar.»

P: Em Atos 5:40-41, o que há de irónico aqui?

R: Os apóstolos sofreram quarenta açoites menos um. Por vezes, as pessoas não sobreviviam a isso. A menos que Deus interviesse, provavelmente teriam ficado com sequelas físicas permanentes. Assim, os apóstolos que Deus enviou pelo mundo ficariam com sequelas físicas devido à flagelação. No entanto, os apóstolos sentiram-se honrados por terem sido desonrados e por lhes ter sido concedida a graça de serem desonrados!

Como disse o bispo ugandês Festo Kivengere: «Sem sangrar, a Igreja não consegue abençoar.» Tertuliano afirmou a famosa frase: «Matem-nos, torturem-nos, condenem-nos, reduzam-nos a pó; a vossa injustiça é a prova de que somos inocentes. … Quanto mais frequentemente formos abatidos por vós, mais cresceremos em número; o sangue dos cristãos é semente.» Apologia, cap. 50 (ANF, vol. 3, p. 33).

P: Em Atos 6:1, por que razão haveria, afinal, tantas viúvas na igreja?

R: Primeiro, uma resposta errada: «porque os seus maridos foram mortos pela fé», não está correta nesta altura, pois quase ninguém tinha sido morto pela fé até então. Existem provavelmente três razões. 1) Poderia haver muitas viúvas carenciadas na sociedade em geral. Naquela época, era difícil para uma mulher ganhar a vida sem um homem, a menos que fosse tecelã ou comerciante, ou tivesse uma profissão de má reputação.

2) Parte da razão pode residir no que se tem observado em alguns países em desenvolvimento: quando uma pessoa idosa se converte a Cristo, a família que a sustentava financeiramente deixa de o fazer. Isto não só persuadiria muitas pessoas a regressarem à fé da sua família, como constituiria um fardo financeiro para a igreja, desviando fundos que, de outra forma, poderiam ser utilizados para o evangelismo. E se a igreja não cuidasse das suas próprias viúvas, isso demonstraria ao mundo que os cristãos não se preocupam realmente com as outras pessoas, ou pelo menos com aquelas que não têm dinheiro.

3) Para além da família, os judeus já dispunham de um meio de distribuir alimentos aos judeus pobres e famintos, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 330. Mas se uma pessoa deixasse de dar ouvidos aos líderes judeus, estes poderiam deixar de a incluir na distribuição de alimentos.

No entanto, as necessidades das viúvas não representavam de forma alguma um fardo para a igreja; pelo contrário, era função própria da igreja cuidar delas. O evangelismo, e o dinheiro a ele associado, não é a nossa responsabilidade principal; sim, é agradar a Deus com obediência. Ajudar os pobres e as viúvas não é um fardo para a missão da igreja; pelo contrário, é uma parte fundamental da missão da igreja.

P: Em Atos 6:1, quando e como é apropriado queixar-se?

R: Nunca é apropriado queixar-se ou murmurar. No entanto, é frequentemente apropriado levantar questões e assuntos que necessitam de ser resolvidos. Quando o faz, poderá ser falsamente acusado de se queixar, mas há uma diferença.

Murmurar pode ser desmoralizante. É menosprezar os outros, uma forma destrutiva de se concentrar no problema. Levantar questões pode centrar-se na solução e na colaboração com os outros para a implementar. É construtivo, mas, por vezes, parte de ser construtivo envolve derrubar o que é mau e varrer os escombros.

Se Lucas estivesse apenas a tentar retratar a harmonia perfeita dos primeiros cristãos, então Atos 6 iria exatamente contra esse propósito. Pelo contrário, Atos 6 mostra que o objetivo de Lucas era relatar a realidade tal como era, com todos os problemas incluídos.

P: Em Atos 6:1, quando alguém se queixa na igreja de Deus, como deve agir e o que deve fazer?

R: Analise separadamente o tom da queixa e o seu conteúdo. Mesmo que a sugestão seja boa e legítima, a pessoa poderá precisar de alterar a forma como expressa a sua preocupação. Não há problema em ser firme para transmitir o seu ponto de vista, mas também é necessário demonstrar respeito pelos seus líderes e por aqueles com quem está a falar. Se alguém estiver a levantar uma questão de forma divisiva ou de outra forma inadequada, deve corrigi-la ou repreendê-la. Mas se se tratar de uma questão válida que foi levantada de forma inadequada, deve, mesmo assim, abordar a questão.

Por vezes, um crente genuíno pode levantar o que considera ser uma questão, de forma adequada, e estar totalmente errado. Deve ser capaz de lhe dizer, de forma gentil, que considerou exaustivamente tudo o que foi dito e que decidiu que é melhor não tomar qualquer medida. Se essa pessoa estiver firmemente convicta de que deve iniciar um novo ministério e o senhor não partilhar dessa convicção, conceda-lhe alguma margem de manobra e permita que o inicie.

Em segundo lugar, independentemente de a sua reclamação ter sido ou não apresentada no tom adequado, analise se a questão levantada constitui ou não uma preocupação real e se a sugestão apresentada pode ser válida. Se a pessoa se mostrar muito convicta a esse respeito, talvez seja conveniente perguntar a si próprio — ou, melhor ainda, perguntar-lhe — porquê. Pode haver algo que o senhor não está a perceber.

Neste caso específico, os apóstolos não tentaram atribuir a culpa a ninguém; limitaram-se a decidir resolver o problema.

P: Em Atos 6:1, por que razão acha que as viúvas de língua grega foram preteridas em favor das viúvas de língua hebraica?

R: Não sendo falantes — ou, pelo menos, falantes nativas — do aramaico, provavelmente tinham vindo para Jerusalém há apenas alguns anos e não tinham raízes sólidas na comunidade. Havia diferentes subculturas dentro da igreja, e esperava-se que os cristãos ajudassem outros cristãos sem demonstrar favoritismo com base na cultura.

Este problema pode não ter sido intencional, mas também existe favoritismo e preconceito não intencionais. Quando ajuda seletivamente aqueles que vê com mais frequência, tenha cuidado para não estar a demonstrar favoritismo sem querer, pois é fácil que isso aconteça. Neste caso, a solução não foi dizer aos distribuidores de alimentos para não demonstrarem favoritismo, mas sim reunir um grupo diversificado de distribuidores de alimentos.

P: Em Atos 6:1, considera que é correto ter grupos diferentes na igreja?

R: Pode ser positivo ter grupos diferentes dentro de uma igreja, mas, por vezes, surgem dificuldades. Por vezes, as diferenças de língua ou cultura são tão grandes que é preferível ter cultos, congregações ou igrejas diferentes. Ouvi falar de uma igreja no Peru com habitantes da cidade e com aldeões que levavam os seus bebés ao culto sem lhes colocarem fraldas. A urina a escorrer pelo chão não foi bem recebida pelos habitantes da cidade. Por isso, por vezes, igrejas diferentes podem ser amigáveis umas com as outras, mas continuar a ser igrejas distintas.

Independentemente da cultura e da língua, porém, 1 Coríntios 1:10-13 afirma que não deve haver divisões entre nós, cristãos. Assim, cada membro poderá querer envidar mais esforços para conhecer, fazer amizade e amar aqueles que são diferentes de si, em vez de apenas as pessoas que são exatamente como ele. Se é um crente maduro, independentemente da sua origem étnica, considere fortalecer uma igreja ao integrar-se numa igreja onde a sua origem étnica não seja a maioria.

P: Em Atos 6:2, uma vez que os Doze optaram deliberadamente por não satisfazer uma necessidade legítima, em que circunstâncias é apropriado não satisfazermos as necessidades legítimas de outros crentes?

R: «Vocês» devem satisfazer as necessidades de todos. Mas não se trata do «você» no singular, mas sim do «vocês» no plural, no sentido de que a igreja deve satisfazer as necessidades de todos. Não precisavam de sentir uma pressão esmagadora e sem sentido, pensando que tinham de satisfazer todas as necessidades pessoalmente. A igreja não é o indivíduo, mas sim a equipa. Certa vez, um cristão estava a conversar com um vizinho sobre Cristo e este mostrou-se disposto a aceitar Cristo. Assim, o cristão ligou apressadamente ao pastor e disse-lhe para vir rapidamente, porque a pessoa queria aceitar Cristo. O pastor disse «Está bem» e desligou o telefone. Depois, o pastor sentiu uma convicção do Espírito Santo. Ligou de volta e disse: «Não vou; tem de ser o senhor a conduzi-la ao Senhor.» Como cristão, não delegue aquilo que deve fazer ele próprio. Como pastor, não fomente a dependência.

Lembre-se de que Pedro arriscou corajosamente a sua vida para pregar o evangelho, dizendo aos governantes e anciãos: «Julgai vós mesmos se é justo, aos olhos de Deus, obedecer-vos a vós em vez de a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos.» Agora tente imaginar Pedro a decidir, afinal, deixar de pregar tanto o evangelho, porque ia passar todo o seu tempo a ajudar cristãos pobres.

Imagine Pedro a dizer: «Preciso de pregar o Evangelho e preciso de ajudar os pobres, por isso algo tem de ser sacrificado; assim, vou simplesmente reduzir a maior parte do meu tempo de oração.» Não creio que tal pensamento alguma vez tenha ocorrido a Pedro. Pelo contrário, em Atos 6:4, Pedro parece considerar que a oração e o ministério da Palavra andam de mãos dadas, uma vez que não pode exercer eficazmente o segundo sem o primeiro.

Em Atos 6:3, eles realmente satisfizeram as necessidades, mas de forma indireta, em vez de direta. Disseram-lhes para escolherem sete homens para distribuir alimentos às viúvas necessitadas.

P: Em Atos 6:3, por que razão estes homens precisariam de estar cheios do Espírito e de sabedoria, uma vez que estavam essencialmente a desempenhar tarefas administrativas?

R: Primeiro, alguns antecedentes. Os judeus tinham uma rede de distribuição de alimentos para os pobres; pareceria natural que os cristãos provenientes do judaísmo fizessem o mesmo. Os pobres e as viúvas judeus que recebiam alimentos através da rede de distribuição judaica provavelmente teriam sido excluídos assim que se tornassem cristãos. Assim, o testemunho de como a igreja cuidava dos seus pobres poderia ter tido aqui uma importância especial. Uma coisa é dar alimentos aos pobres de forma esporádica e intermitente, mas outra coisa é proporcionar uma ajuda consistente com a qual eles possam contar.

Estes homens deviam atender (diakonein/diakoneo) às necessidades dos outros. A distribuição de alimentos constituía a diaconia. Para o fazerem de forma a dar um bom testemunho da igreja, estas pessoas teriam de ser honestas e de boa reputação (um bom exemplo irrepreensível), espirituais (cheias do Espírito Santo) e práticas (cheias de sabedoria). Os diáconos são também mencionados em Filipenses 1:1 e 1 Timóteo 3:8-13. Mas estes diáconos teriam igualmente de ser capazes de encorajar os outros a doar dinheiro para a alimentação. As pessoas poderiam não estar tão dispostas a doar se não acreditassem que o dinheiro estava a ser utilizado conforme o previsto e com sabedoria. Por vezes, o povo de Deus não recebe como deveria porque nem sempre dá como deveria.

P: Em Atos 6:5, por que razão todos estes nomes revelam a mesma origem étnica?

R: Trata-se de nomes gregos, não hebraicos. A solução para a distribuição desigual de alimentos consistiu em atribuir parte da liderança desta tarefa aos membros do grupo étnico minoritário.

É claro que é possível que alguns deles fossem de origem étnica não grega, mas lhes tivessem sido atribuídos nomes gregos. No entanto, o facto de todos os sete terem recebido nomes não hebraicos sugere fortemente que a maioria, se não todos, eram gregos ou falavam principalmente grego.

Alguns têm especulado que os judeus de língua grega se referiam apenas a gentios convertidos ao judaísmo. No entanto, isto não está correto, porque Nicolau de Antioquia, em Atos 6:5, é o único mencionado que era um convertido ao judaísmo. O facto de apenas se mencionar Nicolau sugere fortemente que os outros seis não eram convertidos.

Uma nota interessante é que os apóstolos reconheceram o problema e propuseram uma solução, mas foi toda a congregação da igreja que escolheu os homens, e não os apóstolos. Os apóstolos não atribuíram a culpa pelo problema e perceberam que seria melhor que outros tomassem a decisão final em vez deles.

P: Em Atos 6:7, após a escolha destes sete homens, por que razão acha que um grande número de sacerdotes se tornou obediente à fé?

R: Não havia qualquer razão natural para que a escolha destes sete homens, todos com nomes gregos, como diáconos tornasse os sacerdotes judeus mais propensos a converter-se a Cristo; em termos naturais, seria de esperar o contrário. Talvez o momento em que isto aconteceu tenha demonstrado o agrado de Deus com a seleção dos sete homens.

Além disso, o termo «sacerdotes» incluiria não só os saduceus, mas também outros sacerdotes propriamente ditos, famílias sacerdotais e até mesmo os essênios, que também se autodenominavam sacerdotes.

P: Em Atos 6:8, por que razão colocariam Estêvão, um homem cheio da graça e do poder de Deus, que realizava grandes prodígios e milagres, numa função administrativa «mundana»?

R: Aparentemente, não consideravam insignificante ser diácono e assegurar uma distribuição equitativa de alimentos. Queriam alguém que fosse honesto e conhecido por estar cheio do Espírito Santo, o que também implicaria que tivesse uma boa reputação. É igualmente importante que fosse um judeu que falasse grego. (Estêvão não é um nome judeu, mas sim grego.) De facto, os outros nomes também eram gregos.

Também hoje é importante escolher as pessoas certas para desempenhar funções importantes, tais como garantir que as pessoas sejam alimentadas. Pretende-se que sejam pessoas qualificadas e de confiança a ocupar um cargo. Se uma pessoa apresentar alguma lacuna numa determinada área, é preferível que seja um pouco menos qualificada do que um pouco menos de confiança. Além disso, uma vez que as viúvas de língua grega estavam a ser negligenciadas, era importante ter um diácono que falasse grego por várias razões. Graças aos seus contactos, ele poderia saber melhor quem eram as viúvas de língua grega. Além disso, isto demonstraria a todos que quem estava a resolver o problema não era indiferente às suas necessidades. Assim, por exemplo, se todos os anciãos ou todos os diáconos da igreja forem da mesma raça, origem étnica, língua materna ou classe económica, mesmo que estejam a tentar cuidar de todos de forma equitativa, pode haver uma aparência de parcialidade, contra a qual Tiago 2:1-5 adverte. Se todos os líderes pertencerem a uma única categoria, certamente que os líderes não conseguiriam encontrar uma única pessoa de uma categoria diferente para ser também líder?

P: Em Atos 6:9, com base na escolha dos diáconos, por que razão surgiria oposição por parte da sinagoga dos libertos?

R: A nomeação destes diáconos demonstra que os judeus de língua grega não eram meros membros de segunda classe da igreja. Os libertos provavelmente falavam grego, o que tenderia a encorajar os judeus de língua grega a tornarem-se cristãos. Outros judeus libertos não gostariam disso.

P: Em Atos 6:9, o que nos podem dizer os arqueólogos sobre a sinagoga dos Libertos?

R: No topo da colina sudeste de Jerusalém, os arqueólogos encontraram o que é conhecido como a «Inscrição de Teodoto», datada de cerca de 70 d.C. Parte do texto diz: «Teodoto, filho de Vettano, sacerdote e presidente da sinagoga, … construiu a sinagoga … e a hospedaria, os aposentos e as cisternas de água, a fim de proporcionar alojamento aos estrangeiros que dele necessitassem…».» Pensa-se que o seu apelido provinha da família romana dos Vettani.

Numa tradição posterior, os rabinos nativos menosprezavam os judeus helenísticos, considerando-os uma espécie de judeus de segunda classe.

P: Em Atos 6:10-11, considera que Estêvão os teria convencido se tivesse feito um trabalho melhor ou mais eficaz na sua tentativa de os persuadir?

R: Não, estas pessoas estavam cheias de fúria. Estes judeus quase iniciaram uma revolta porque Pilatos tinha colocado no seu próprio palácio em Jerusalém escudos de ouro com os nomes de ídolos gregos, de acordo com *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 2, p. 165.

A sua decisão já estava tomada, e distorceram o que Estêvão disse para justificar as suas ações.

Estêvão estava a dizer, indiretamente, que venerar a Terra Prometida mais do que a Deus pode fazer com que se perca de vista a obra de Deus de outras formas.

P: Em Atos 6:11, o que é exatamente «blasfémia contra Moisés»?

R: O termo nunca é utilizado na Bíblia por crentes, nem antes nem depois disto. Blasfémia contra Deus consiste em proferir palavras ímpias contra a majestade de Deus. Embora Moisés fosse um homem bom, é quase como se eles tivessem erigido Moisés como um ídolo.

Estêvão respeitava obviamente Moisés e os seus ensinamentos, mas quando Estêvão e os primeiros cristãos afirmavam que a Lei mosaica não era o fim último, mas apenas temporária até à vinda de Cristo, muitos judeus rejeitavam isso como blasfémia, sem sequer o ponderarem. Da mesma forma, hoje em dia, quando se fala contra a «vaca sagrada» de alguém, mesmo que seja necessário fazê-lo, podem ignorar-vos.

P: Em Atos 6:13, por que razão judeus supostamente tementes a Deus e religiosos teriam apresentado falsas testemunhas?

R: É possível ser muito religioso e, ainda assim, não estar em paz com Deus. Aparentemente, pensavam que os fins justificavam os meios e nunca se questionaram (nem se importaram) se Deus queria que utilizassem esses meios ou não. Algumas pessoas podem tentar trabalhar para Deus e, ainda assim, ter uma profunda falta de fé na capacidade de Deus de cuidar das coisas por Si próprio.

Hoje, se alguma vez se encontrar numa situação em que pense que tem de fazer algo mau, ou pecar para «ajudar Deus», então pare imediatamente. Deus não precisa de ajuda e, certamente, não deseja esse tipo de ajuda.

P: Em Atos 7:3-5 e Génesis 11:31, Deus chamou Abrão de Ur ou de Harã?

R: Embora Estêvão, um orador piedoso, pudesse hipoteticamente ter-se enganado, Estêvão estava correto neste ponto. Atos 7:2-4a afirma especificamente que Deus chamou Abrão de Ur, antes de ele e a sua família terem ido viver para Harã. Depois, em Atos 7:4b-5, após a morte do seu pai em Harã, Deus conduziu Abrão daquele local para a Palestina. Deus falou com Abrão mais do que uma vez.

Hoje, quando Deus nos guia, não só nos conduz ao destino final onde devemos estar, como também nos orienta em cada passo da jornada. Deus também nos orienta quanto ao momento certo de avançar. A obediência não consiste apenas em ir para onde Deus quer que vá, mas em obedecer prontamente a Deus e seguir o Seu tempo.

P: Em Atos 7:4 e Génesis 11:26, quando Abraão partiu da cidade de Harã, como é que tinha 75 anos?

R: A menos que Abrão, Naor e Harã fossem trigémeos (o que, embora possível, é improvável), Génesis11:26 refere que Terá tinha 70 anos quando começou a ter filhos. Abrão só nasceu quando Terá tinha, pelo menos, 130 anos.

P: Em Atos 7:6 e Génesis 15:13, como é que Deus pôde profetizar que os israelitas seriam oprimidos durante 400 anos, uma vez que Êxodo 12:40-41 diz que estiveram no Egito durante 430 anos, ao dia exato? (Dois mórmons diferentes apontaram isto como uma razão para não confiar na Bíblia.)

R: Os israelitas foram escravos no Egito durante 400 anos, mas, antes disso, estiveram no Egito durante 30 anos sob o domínio de José. (Conheço uma aluna do 7.º ano, a Amy, que percebeu esta suposta contradição em menos de um minuto.)

A propósito, Irineu (182-188 d.C.) cita Atos 7:2-8, 56, 60a e o que ele cita é o que temos hoje. (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, capítulo 21, p. 434)

P: Em Atos 7:7, de que forma foi o Egito julgado durante o Êxodo?

R: O julgamento pode ser uma avaliação ou uma punição, e ambos os sentidos se aplicavam neste caso.

Avaliação: Quando Deus disse ao Faraó, por intermédio de Moisés, para deixar o seu povo partir, a recusa inicial do Faraó, a sua posterior conivência e, por fim, o envio do exército atrás deles revelaram as suas intenções. Em vez de impedir isto, Deus permitiu que o Faraó se opusesse a Ele como bem entendesse. As consequências demonstraram, por um lado, quão endurecido estava o coração do Faraó e, por outro, que as pragas contínuas apenas o endureceram ainda mais.

Punição: Não só o filho do Faraó morreu, como houve um julgamento sobre todo o Egito pelos 400 anos em que oprimiram o povo de Deus.

P: Em Atos 7:14, quantos foram exatamente para o Egito no tempo de Jacob?

R: Cinco pontos a considerar na resposta.

1. Estêvão disse 75. Mesmo que Estêvão estivesse enganado ao falar aqui, a Bíblia poderia estar a registar com precisão o suposto erro que Estêvão cometeu. No entanto, não devemos precipitar-nos em pensar que Estêvão estava errado, como demonstram os pontos seguintes

2. Nos manuscritos hebraicos, Génesis 46:27 e Êxodo 1:5 referem ambos 70 homens, incluindo Jacó, José e os dois filhos de José. Atos7:14 refere 75. A Septuaginta grega para Deuteronómio 10:22 também refere 70.

3. A Septuaginta grega de Êxodo 1:5 refere 75. A Septuaginta grega de Génesis 46:27 refere 75, porque indica que José tinha nove (e não dois) filhos. Êxodo 1:5 no Manuscrito do Mar Morto 4QExod(b) também refere setenta e cinco. Consulte a última pergunta no final de Génesis e a última pergunta no final de Êxodo para ver citações do que dizem o hebraico e a Septuaginta.

4. Quem eram estes filhos adicionais na Septuaginta (e provavelmente nos Manuscritos do Mar Morto)? Génesis 46:20 na Septuaginta enumera estes sete «filhos» (na verdade, netos e bisnetos) da seguinte forma:

«… E nasceram filhos a Manassés, que a concubina síria lhe deu, a saber, Maquir. E Maquir gerou Galaade. E os filhos de Efraim, irmão de Manassés: Sutalaam e Taam. E os filhos de Sutalaam: Edom.»

Note-se que esta lista menciona apenas 3 netos e 2 bisnetos, ou seja, cinco no total (e não sete). No entanto, tanto Manassés como Sutalaam tiveram filhos (no plural).

5. Uma vez que Estêvão era um judeu de língua grega (ver Atos 6:1-5), é provável que tenha utilizado a Septuaginta e não o Antigo Testamento hebraico, e este pequeno pormenor está registado de forma infalível.

Resumo: Talvez Estêvão tenha cometido um erro aqui, e a Bíblia, sem erro, registe o que ele disse. Por outro lado, Estêvão provavelmente estava, afinal, correto.

P: Em Atos 7:16, como é que Jacó e os patriarcas foram sepultados em Siquém?

R: Trata-se de uma repetição da discussão sobre Génesis 33:18-19.

Abraão comprou um terreno em Mamre, perto de Hebrom, para Sara, em Génesis 23:16-20, mas não se trata do mesmo local. Quanto ao terreno adquirido em Siquém, existem três respostas possíveis.

Foi Jacó e Abraão que a compraram: Tanto Josué 24:32 como Génesis 33:18-19 afirmam que foi Jacó, neto de Abraão, quem comprou o terreno perto de Siquém. Independentemente de Abraão ter ou não testemunhado a compra do terreno com o dinheiro que deixou a Isaac, pode-se dizer que foi o clã de Abraão que comprou o terreno. Ainda hoje, um adolescente, com o consentimento do pai, pode comprar um carro em nome do pai.

Estêvão pode estar enganado: uma vez que Jacó comprou o terreno onde os seus filhos foram sepultados, mas o próprio Jacó foi sepultado em Manre com Abraão, Estêvão pode ter acidentalmente confundido estes dois acontecimentos distintos. Mesmo que Estêvão estivesse enganado, a Bíblia continuaria a ser infalível. A Bíblia limitou-se a registar, de forma infalível, o que Estêvão disse, com erros e tudo.

Reenterrados: Assim que se estabeleceram na terra de forma permanente, decidiram reenterrar Abraão, Sara, Isaac e Rebeca para que ficassem todos juntos.

P: Em Atos 7:19, de que forma o Faraó agiu de forma traiçoeira/sutil para com os israelitas?

R: Ele agiu de forma traiçoeira ao ordenar que, após todo o trabalho árduo que os escravos hebreus realizavam, lançassem os seus bebés do sexo masculino ao rio. Além disso, em várias ocasiões, o Faraó disse-lhes que podiam partir e, posteriormente, mudou de ideias. Após a última vez, acabou por enviar o seu exército atrás deles.

P: Em Atos 7:20, por que razão se dizia que Moisés era «belo aos olhos de Deus»?

R: Este termo grego é aquele que um profissional de saúde poderia utilizar. Significa uma criança saudável, em boa forma e bem nutrida.

P: Uma vez que Atos 7:22 diz que Moisés aprendeu a sabedoria dos egípcios, o que é que os egípcios sabiam naquela época?

R: Os egípcios sabiam muito sobre astronomia, o calendário, geografia (incluindo locais tão distantes como a Índia), a utilização de ferro proveniente de meteoritos e a tecelagem de roupas de linho fino. Já em 1000 a.C. foi encontrada no Egito seda, presumivelmente proveniente da China. Eram excelentes arquitetos e, se é que isso tem algum valor, destacavam-se na arte de embalsamar corpos.

Na época de Moisés, os egípcios não sabiam fabricar selas adequadas para a equitação, nem tinham soldados de cavalaria, nem sabiam fundir minério de ferro.

P: Em Atos 7:29, como interpreta o facto de pessoas a quem é leal, e que deveriam ser-lhe leais, estarem dispostas a denunciá-lo aos outros?

R: Moisés percebeu que, pelo menos alguns israelitas, não o protegeriam; na verdade, talvez os israelitas não pudessem protegê-lo. Por isso, Moisés partiu para um local onde estivesse seguro.

Não permaneça numa situação em que tenha de depender de pessoas que se revelaram pouco fiáveis, quer para consigo, quer para com os outros. Pode perdoar alguém por o ter tratado mal, ou pelo menos quando a sua opinião é que essa pessoa o tratou mal. No entanto, mesmo que perdoe um ladrão, não tem de confiar nele ao ponto de lhe dar mais coisas para roubar.

P: Em Atos7:32 , o que há de invulgar nesta citação?

R: A citação de Estêvão de Êxodo 3:6 segue o Pentateuco Samaritano, e não o texto massorético nem a Septuaginta.

P: Em Atos 7:36, atravessaram o Mar Vermelho ou o Mar dos Juncos?

R: Quatro pontos a considerar na resposta.

1. A palavra grega, tanto em Atos 7:36 como na versão da Septuaginta de Êxodo 15:4, é eruthro, que significa «vermelho» e não «junco».

2. O hebraico é semelhante ao inglês sem as vogais: «Rd» poderia ser tanto «Red» como «Reed».

3. Ou era o Mar Vermelho, e Estêvão estava a repetir isso.

4. Ou então era o Mar dos Juncos, embora a tradução grega da Septuaginta o tenha traduzido como «Vermelho». Estêvão, um judeu que falava grego, está simplesmente a dizer o que tinha aprendido.

Resumo: Seja como for, a Bíblia pode estar a registar de forma infalível o que Estêvão disse.

P: Em Atos 7:41-43, o bezerro idólatra era uma imagem falsa do verdadeiro Deus, ou tratava-se da adoração de seres celestiais?

R: Estêvão não afirma explicitamente que o bezerro de ouro constituía a adoração de seres celestiais. Em vez disso, menciona o bezerro de ouro e o facto de Deus se ter afastado deles; nos séculos seguintes, eles passaram a adorar diversos ídolos, incluindo seres celestiais.

Quanto ao uso do bezerro de ouro, tratava-se de uma imagem de um deus falso e violava o primeiro mandamento. Atos 7:42 indica que se destinava a deuses falsos. Mesmo que tivesse sido feito como uma imagem esculpida do verdadeiro Deus, continuaria a ser pecaminoso e a violar o segundo mandamento.

P: Em Atos 7:43, quem eram Molech e a estrela Rephan?

R: Trata-se de uma citação de Amós 5:25-27 na Septuaginta.

P: Em Atos 7:43, deveria ser «Molech e Rephan» ou «Sakkuth e Kaiwan», como diz o texto massorético de Amós 5:26?

R: Estêvão era um judeu de língua grega e provavelmente estava a citar a Septuaginta. Uma vez que o livro de Atos se limita a registar sem erros o que Estêvão disse, este versículo, por si só, não pode provar qual era a formulação original em Amós.

P: Em Atos 7:43, quando lhes foi dito que, no futuro, iriam para a Babilónia?

R: Deuteronómio 28:64 afirma que, se os israelitas fossem desobedientes, seriam dispersos. No entanto, não menciona a Babilónia. Estêvão está a parafrasear Amós 5:25-27. Seria quase uma citação da Septuaginta, exceto que Amós 5:25-27 diz «para além de Damasco», tanto no hebraico como na Septuaginta, e Estêvão referiu a Babilónia, que é o local exato, para além de Damasco, para onde foram exilados os israelitas do sul.

P: Em Atos 7:48, o que há de interessante na frase «não habita em casas feitas por mãos humanas»?

R: Esta frase de Estêvão é de certa forma distinta, mas deve ter impressionado pelo menos um ouvinte. Paulo utiliza a mesma frase ao dirigir-se aos atenienses em Atos 17:24. A ideia, mas não a formulação, encontra-se em Isaías 66:1-2 e 1 Reis 8:27.

P: Em Atos 7:51-53, qual era o objetivo de Estêvão nesta passagem?

R: Os ouvintes de Estêvão tinham o coração endurecido porque pensavam de forma diferente. Antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C., os três pilares proeminentes do judaísmo eram: 1) a terra, 2) a lei e 3) o templo. Estêvão abordou os três , mas de forma indireta. Estêvão não renunciou a estes, mas sim demonstrou que Deus era maior do que eles.

Mas recorde-se que Estêvão foi interrompido antes de poder terminar o seu discurso. É de questionar até que ponto os ouvintes de Estêvão eram imparciais. Quando depositaram as suas vestes aos pés de Saulo, foi provavelmente porque Saulo era o instigador de tudo isto.

Assim, a vida de Estêvão NÃO estava em risco, uma vez que os judeus liderados por Saulo de Tarso já tinham decidido o destino de Estêvão. A forma como Estêvão falava indica que o seu principal objetivo aqui não era tentar salvar a sua própria vida, mas sim salvar, eternamente, a vida de alguns dos seus ouvintes. Estêvão não implorou pela sua própria vida; essencialmente, estava a implorar pela vida deles.

Estêvão provavelmente já percebera que não tinha qualquer hipótese, mas, uma vez que lhe foi concedida uma oportunidade para apresentar a sua defesa, aproveitou essa última oportunidade para lhes pregar. Embora, para os leitores de hoje, o seu discurso possa parecer longo, na verdade há muitos detalhes que ele omitiu. No entanto, a partir do que Estêvão incluiu, parece haver um padrão na sua mensagem. Ele mencionou Abraão a partir de Ur e de Harã, José a mudar-se para o Egito, Moisés a sair do Egito e, primeiro, o tabernáculo e, depois, Davi em Jerusalém a construir o templo.

1) Há progresso e mudança na obra de Deus.

2) As bênçãos de Deus não se limitam à terra de Israel e ao Templo. Deus guiou-os muito antes de existir um templo e mesmo muito antes de entrarem na Terra Prometida. Estêvão utilizou a palavra «Egito» seis vezes.

3) Israel opôs-se sempre aos planos de Deus. Tanto José como Moisés só foram aceites na sua segunda aparição.

Como o «Believer’s Bible Commentary», na página 1604, observa com perspicácia: «Os judeus pensavam que Estêvão estava na defensiva, mas, no final, Estêvão tornou-se o acusador e eles eram, na verdade, os réus culpados.»

P: Em Atos 7:51-53, por vezes as pessoas rejeitam o evangelho porque não o conseguem compreender. Outras vezes, rejeitam-no porque não querem compreendê-lo. Qual é a diferença?

R: A alguns foi apresentada apenas uma caricatura do evangelho. Outros não compreendem como pode haver apenas um Deus; alguns não conseguem compreender como podemos ser salvos pela graça, sem qualquer mérito próprio. Por outro lado, há quem compreenda, mas opte por não acreditar.

«Assim, anulais a palavra de Deus em nome da vossa tradição.» Mateus 15:6b. Ver também Marcos 7:13.

«Nem a Sua palavra permanece em vós, porque não credes naquele que Ele enviou.» João 5:38

«… mas vós estais a tentar matar-Me porque a Minha palavra não tem lugar dentro de vós.» João 8:37b

Demétrio, o ourives, em Atos 19:23-34. Atos 19:34 «Mas, quando perceberam que ele [Alexandre] era judeu, todos gritaram em uníssono durante cerca de duas horas: “Grande é Ártemis dos efésios!”»

P: Em Atos 7:51-53, como é que se chega àqueles que não compreendem o evangelho?

R: Em primeiro lugar, compreenda que não é o senhor quem converte as pessoas; é o Espírito Santo. Sem o Espírito Santo a atuar na vida delas, não haveria esperança de que se voltassem para Cristo. Em segundo lugar, não estamos necessariamente a falar com pessoas que analisam os factos de forma totalmente objetiva. Algumas pessoas têm uma dificuldade especial em compreender porque lhes foram ensinadas coisas erradas e estão a confundir o que o senhor diz com o que lhes foi ensinado. No caso de outras, podem alegar que não conseguem compreender, mas, na realidade, trata-se de uma questão de não quererem compreender. Como alguém disse uma vez, nunca se consegue acordar alguém que finge estar a dormir.

Mas temos de ser pacientes, porque mesmo que se recusem a aceitar o evangelho agora, continuam a ouvir, a semente está a ser semeada e uma semente ainda pode germinar, mesmo que permaneça adormecida durante muito tempo.

Por vezes, é possível encontrar pontos em comum e estabelecer uma relação com coisas com as quais já estão familiarizados. Mesmo assim, nem sempre funciona. No Médio Oriente, há uma história de um homem que se apresentou perante um juiz na sua aldeia para perguntar qual era a lei aplicável a este caso. O seu touro tinha fugido acidentalmente e matado o touro do juiz com uma cornada. O juiz afirmou que a lei era clara: o homem tinha de pagar pelo boi morto. O homem pediu desculpa, pois disse que se tinha enganado num pormenor: na verdade, tinha sido o boi do juiz que se soltara e matara o boi do homem a chifradas. Nesse caso, disse o juiz, a lei não era clara. É daí que vem a expressão «depende de quem é o boi que está a ser chifrado».

Para conseguirmos chegar às pessoas caídas e mal instruídas, precisamos do Espírito Santo e do poder da cruz. Como Paulo disse a respeito de si próprio: «Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho, não com palavras de sabedoria, para que a cruz de Cristo não fosse esvaziada do seu poder.» (1 Coríntios 1:17).

«A minha mensagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria, mas numa demonstração do poder do Espírito, para que a vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.» (1 Coríntios 2:4-5).

P: Em Atos 7:52, Mateus 23:37 e Lucas 13:34, o que dizia a literatura judaica não bíblica sobre o tratamento que dispensavam aos profetas?

R: O b Pesahim 87b afirma que os profetas viveram até uma idade avançada (como foi o caso de Jeremias e Daniel). B Nedarim 38a afirma que os profetas eram ricos (José e Daniel eram). No entanto, os profetas foram perseguidos e/ou mortos pelos judeus, de acordo com b. Gittin 57b, b Sanhedrin 96b, Lev R 10.3; Exod R 31.16; Pesikta Rabbati 26:1-2. Contudo, estes acontecimentos foram apresentados como lições com as quais eles tinham aprendido.

P: Em Atos 7:53, de que forma receberam a lei através dos anjos?

R: Deus utilizou anjos para guiar os israelitas com a nuvem durante o dia e a coluna de fogo durante a noite. Aparentemente, também utilizou anjos para entregar a Moisés as tábuas originais dos Dez Mandamentos.

P: Em Atos 7:55, uma vez que Estêvão estava cheio do Espírito Santo, por que razão o Espírito Santo levou Estêvão a dizer coisas que resultaram na sua morte?

R: Duas respostas complementares:

1. O Espírito Santo, por vezes, conduz deliberadamente os cristãos obedientes a situações em que irão glorificar a Deus e morrer pela sua fé.

2. De qualquer forma, iam matá-lo. Estêvão já tinha sido preso em Atos 6:11-7:1, e iam apedrejá-lo independentemente do que ele dissesse.

P: Em Atos 7:56 e Marcos 16:19, como é que Jesus podia estar à direita de Deus, uma vez que Jesus é Deus?

R: A «direita» significa uma posição de honra. Jesus é frequentemente retratado como «sentado» à direita do Pai, mas aqui Jesus está a prestar uma homenagem de pé.

A palavra «Deus» na Bíblia, quando não se refere a um deus falso, tem múltiplos significados. A prova mais simples disso encontra-se em João 1:1 e Hebreus 1:9. Em cada um destes versículos, a palavra «Deus» é utilizada duas vezes, e os significados são, obviamente, o Pai e o Filho.

A palavra «Deus» tem três significados intimamente relacionados. São eles:

Deus Pai, aqui e em 1 Pedro 1:2,3; Efésios 1:3,17; 3:14; 5:20; 1 Tessalonicenses 1:1; 3:11; 2 Tessalonicenses 1:1-2; 2:16; Tito 1:4

Deus, o Filho, em Hebreus 1:8-9; João 1:1, 18; 20:28; Oséias 1:7, Isaías 7:14; 1 João 5:11, 12 e 21; Colossenses 2:9; Mateus 1:23

Deus, o Espírito Santo, em Romanos 8:9-16; Lucas 1:35; 1 João 4:12, 13, 15-16; 1 Coríntios3:16 + 1 Coríntios 6:19; Atos 5:4

Além disso,

O Pai é eterno em Salmos 90:2; 93:2.

O Filho é eterno em Hebreus 7:3; 13:8

O Espírito é eterno em Hebreus 9:14.

P: Em Atos 7:59, como é que Estêvão pôde ser apedrejado, se o Sinédrio não tinha o poder de executar ninguém?

R: Eram tempos interessantes no governo da Judeia. Pôncio Pilatos já não se encontrava no cargo. Por insistência de Vitélio, o prefeito da Síria, Pilatos foi chamado de volta a Roma em desgraça para responder perante o imperador Tibério pela sua má administração. Só mais tarde é que haveria outro governador romano na Judeia, sob o comando de Marcelo. No entanto, esta interpretação implicaria que Estêvão tivesse sido morto um pouco mais tarde, em 37 d.C. Durante esse período, Vitélio teria desejado apaziguar os judeus, pelo que os romanos poderiam ter dado a entender que permitiriam tal ato.

Além disso, a Mishná posterior, Sanhedrin 4:1, afirma que, num julgamento por homicídio capital, a pena não pode ser aplicada no mesmo dia do veredicto; é necessário aguardar pelo menos um dia.

P: Em Atos 7:59-60, Estêvão estava a orar a Jesus?

R: Sim. Ele dirigiu-se especificamente ao «Senhor Jesus» e pediu a «Jesus» que recebesse o seu espírito.

P: Em Atos 8:1, o que sabemos aqui sobre Saulo de Tarso?

R: O texto grego refere que Saulo era um «jovem» (neanias), e supõe-se que tivesse cerca de 30 anos. Essa idade seria demasiado jovem para ser membro do Grande Conselho ou para ocupar muitos cargos na sinagoga. No caso de apedrejamento, segundo Deuteronómio 17:7, as mãos das testemunhas devem ser as primeiras a apedrejá-lo até à morte. Paulo não era uma dessas testemunhas, mas guardou as suas vestes. Saulo esteve envolvido na morte de outras pessoas em Atos 9:1. Já como Paulo, recordava-se vividamente destas coisas e escreveu sobre elas com pesar em Gálatas 1:13; 1 Coríntios 15:9; Filipenses 3:6; e 1 Timóteo 1:13.

P: Em Atos 8:1, esta perseguição foi algo positivo?

R: Não, foi uma coisa má perseguir os cristãos. Provavelmente foram encorajados por Saulo de Tarso e sentiram-se encorajados ao verem que não houve consequências negativas por terem matado Estêvão. Este pareceu ser um dia muito sombrio para o cristianismo. No entanto, Deus utilizou esta coisa má para o bem, pois Deus pode utilizar todas as coisas para o bem daqueles que O amam (Romanos 8:28). Aparentemente, os primeiros cristãos demoraram a obedecer à Grande Comissão em Mateus 28:19 e, especialmente, em Atos 1:8. A perseguição expulsou-os de Jerusalém e levou-os para outros locais onde, de qualquer forma, deveriam estar a evangelizar.

Além disso, os samaritanos, que não gostavam dos judeus, poderiam não estar dispostos a ouvir o evangelho de pessoas vindas de Jerusalém. Mas, uma vez que os cristãos — especialmente os helenísticos — estavam a fugir de Jerusalém, os samaritanos poderiam estar mais dispostos a ouvir pessoas de quem as autoridades judaicas em Jerusalém não gostavam. Talvez essa seja uma das razões pelas quais, em Atos 1:8, Jesus lhes disse para serem testemunhas em Jerusalém e na Judeia e, depois, na Samaria. Consulte «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 359, para mais informações sobre esta perspetiva.

P: Em Atos 8:1, ter-se-iam os cristãos dispersado por toda a Judeia e Samaria se não tivesse havido a perseguição?

R: Provavelmente ter-se-iam espalhado a um ritmo mais lento do que se a perseguição não tivesse ocorrido. Quando os cristãos desobedecem ou demoram a obedecer à vontade de Deus, por vezes Deus recorre às adversidades e à perseguição para os levar onde devem estar.

P: Em Atos 8:1, por que razão os cristãos fugiram de Jerusalém devido à perseguição, enquanto os apóstolos permaneceram?

R: Existem duas perspetivas.

1. De acordo com *Hard Sayings of the Bible*, pp. 522-523, a perseguição foi levada a cabo pelo Sinédrio e dirigida principalmente contra os cristãos de língua grega. Os cristãos que também eram judeus de língua aramaica só foram perseguidos mais tarde. Consulte também *The Bible Knowledge Commentary: New Testament*, pp. 371-372, para mais informações sobre esta perspetiva.

2. Eles tentaram, de facto, perseguir os apóstolos, quando mataram Tiago, irmão de João, e prenderam Pedro. No entanto, uma vez que Deus protegeu Pedro, não voltaram a tentar, devido à imagem que isso transmitiria ao povo.

P: Em Atos 8:1b-25, por que razão acha que surgem as heresias?

R: Walter Martin disse uma vez que as heresias são as contas por pagar da igreja. Quando a igreja pretende omitir o ensino de certas doutrinas, essa falha no pastoreio do rebanho abre uma brecha para que as seitas intervenham com ensinamentos falsos. Ouvi falar uma vez de uma igreja em Galveston que estava a entrevistar candidatos a pastor. Um dos diáconos perguntou se o pastor poderia explicar a Trindade. O pastor respondeu que se tratava de um tema complexo e que não conseguia realmente explicá-lo. Mais tarde, o diácono disse-lhe que tinha sido uma boa resposta, porque se ele tivesse afirmado que conseguia explicá-lo, então não o teriam contratado. É esta atitude errada em relação à verdade que pode tornar o rebanho vulnerável às seitas. Sim, a Trindade é complexa e, sim, Deus não nos revelou tudo sobre ela na Bíblia. Mas um mestre piedoso e experiente deve ser capaz de explicar adequadamente o que Deus revelou sobre a Trindade, bem como todas as outras doutrinas cristãs fundamentais. Quando uma igreja pretende minimizar o ensino da doutrina, está então prestes a afastar-se da ortodoxia, embora isso possa demorar cerca de uma década.

P: Em Atos 8:1b-25, existem cristãos genuínos que hoje em dia são bastante diferentes?

R: Os cristãos genuínos divergem em doutrinas secundárias, tais como o batismo de crentes versus o batismo de crianças, a relação entre a soberania de Deus e o livre arbítrio das pessoas, a Ceia do Senhor e os dons carismáticos. Os cristãos também discordam sobre o que consideram serem as melhores práticas: se as crianças pequenas devem estar sempre na igreja com os adultos, se deve haver um currículo padronizado, se uma denominação ou uma congregação local deve ser proprietária dos bens da igreja, se deve existir um conselho missionário denominacional e muitas outras questões que não estão especificadas na Bíblia.

P: Em Atos 8:2, por que razão os crentes devotos lamentaram a morte de Estêvão, uma vez que este partiu para estar com Jesus?

R: As Escrituras não o dizem, mas podemos identificar algumas razões.

1. Estavam tristes com esta morte «aparentemente prematura» do poderoso homem de Deus e com todas as oportunidades de servir a Deus que se perderam devido à sua morte. No entanto, Deus está no controlo, e o que poderia parecer uma morte prematura pode ter sido um fator para que Saulo se convertesse a Cristo.

2. Podem ter-se lamentado por não voltarem a ver Estêvão até ao Céu.

3. Embora soubessem que Estêvão estaria no Céu, por vezes é difícil ver as coisas através dos olhos da fé quando o corpo dilacerado e amassado do amigo amado jazia diante deles sob uma pilha de pedras frias e cruéis.

A palavra grega para «morte» aqui, anairesei, não é a palavra comum para morte, mas sim um termo médico.

Quando um crente querido falece hoje, é natural e legítimo lamentar o facto de não o podermos ver durante algum tempo. Mas não lamentamos como aqueles que não têm esperança, porque iremos encontrá-lo no céu.

A título de nota adicional, é possível que tenham lamentado a morte de Estêvão em privado, pois a Mishná judaica afirma que não se deve fazer «lamentação pública» por aqueles que foram executados por sentença do Sinédrio, embora o luto silencioso fosse permitido.

P: Em Atos 8:5, Filipe dirigiu-se à cidade chamada Samaria ou a uma cidade na região de Samaria?

R: Havia tanto uma região como uma cidade dentro dela chamada Samaria. O texto grego literal é «uma cidade de Samaria», pelo que poderia ser qualquer cidade na região de Samaria. Justino Mártir (c. 150 d.C.), ele próprio um cristão samaritano, afirma que Simão era da aldeia samaritana de Gitto/Gitta. Portanto, ou Filipe foi a Gitto/Gitta, ou então Simão foi a uma cidade diferente. Consulte a Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 26, p. 171, para mais informações.

P: Em Atos 8:5-8,8:26 -40, de que Filipe se tratava?

R: As Escrituras não especificam se se tratava de Filipe, o apóstolo, ou de Filipe, o evangelista grego, mencionado em Atos 6:1-5 e Atos 21:8-9. Se fosse Filipe, o grego, isso significaria que a capacidade de realizar muitos milagres poderosos não se limitava aos doze apóstolos.

Por outro lado, Papias, Polícrates e Eusébio consideravam todos que Filipe, o evangelista, em Atos 8:5, e Filipe, o apóstolo, eram a mesma pessoa.

P: Em Atos 8:9, o que pensar da teoria dos críticos liberais de que Simão, o Mago, era um sinónimo ou um nome de código para Paulo?

R: Esta teoria foi apresentada pela primeira vez por Baur, com base no confronto entre Pedro e Simão, o Mago, nos (heréticos) «Reconhecimentos de Pedro» dos ebionitas. No entanto, outro liberal, Spitta, considera isto «um absurdo total». Por que razão teria Lucas acrescentado isto, se fosse amigo e companheiro de viagem de Paulo?

P: Em Atos 8:9-24, por que razão Simão tentou comprar o direito de curar as pessoas?

R: Do ponto de vista de Simão, o Mago, isto não teria parecido assim tão grave. O sumo sacerdócio judaico era comprado na época dos selêucidas e sob o domínio romano. Na Idade Média, alguns papas cumpriam a suposta «sucessão papal» comprando o seu cargo de papa. Simão, o Mago, estava apenas a fazer o que muitos outros falsos líderes religiosos faziam.

No entanto, na perspetiva de Deus e de Pedro, Simão, o Mago, cometeu um ato terrível. Adquirir aquilo que Deus concede gratuitamente e, possivelmente, cobrar pela concessão da graça que Deus concedeu gratuitamente, seria um insulto a Deus.

P: Em Atos 8:9-24, Simão foi salvo?

R: Os Atos referem que Simão creu e também foi batizado. Para o observador comum, parecia não haver qualquer diferença entre Simão e qualquer outra pessoa. No entanto, para usar termos do futebol americano, isto foi um «fumble». Pedro disse a Simão: «Que a tua prata pereça contigo», enquanto os crentes nunca perecerão, de acordo com João 3:16. Pedro afirmou que Simão não tinha parte neste ministério, que o seu coração não estava reto e que estava envenenado pela amargura e preso pela iniquidade. Simão certamente NÃO estava salvo no momento em que Pedro lhe disse estas coisas. Aqueles que acreditam que as pessoas podem perder a salvação, e que Simão a perdeu, teriam de compreender que Simão, se de facto estivesse salvo, só o teria estado durante cerca de uma hora, no máximo. Simão parecia mais preocupado em escapar a este julgamento do que na misericórdia e no perdão de Deus.

A verdadeira resposta pode ser vista na história subsequente de Simão. Ele deu origem a uma heresia e chegou mesmo a ter um discípulo chamado Menandro, que deu continuidade à sua tradição herética.

É daí que provém a palavra inglesa «simonia», que significa pagar dinheiro para se tornar um funcionário da Igreja.

P: Em Atos 8:9-24, o que aconteceu a Simão, o Mago?

R: As Escrituras não nos dizem nada sobre o eventual arrependimento de Simão ou a sua falta de arrependimento. Naquela altura, Simão não estava salvo; a palavra para «crença» aqui, «pisteuo», é também a mesma palavra usada para a «fé» dos demónios em Tiago 2:19; Lucas nunca diz que Simão recebeu o Espírito Santo e, mais importante ainda, Pedro afirmou que Simão estava [ainda] a perecer. Por outras palavras, Simão «professava» a fé, mas não a «possuía». O termo inglês «simonia» tem origem nesta passagem. Trata-se da prática maligna de tentar obter um cargo na Igreja através do suborno.

Os escritores da Igreja — Justino Mártir, Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Hipólito — relatam-nos os atos subsequentes de Simão como um herege notório. (Irineu era discípulo de Policarpo, que era discípulo do apóstolo João. Hipólito era discípulo de Irineu.)

Justino Mártir (c. 150 d.C.), ele próprio um cristão samaritano, afirma que Simão era natural da aldeia samaritana de Gitto/Gitta. Diz que este tinha um discípulo, Menandro, um samaritano da cidade de Capparetaea, que fundou a sua própria heresia seguindo os passos de Simão. Justino refere que Simão se deslocou posteriormente a Roma, onde praticava magia, e que ali foi erigida uma estátua em sua honra. Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 26, p. 171. É quase certo que Justino esteja aqui em erro. Foi desenterrada uma estátua numa ilha do rio Tibre com a inscrição «Semoni Sanco Dei Fidio», que se refere a «Semo Sancus», um deus sabino semelhante a Hércules. Consulte The Expositor’s Greek Testament, vol. 2, p. 213, para mais informações sobre este assunto.

Irineu, na obra «Contra as Heresias» (182-188 d.C.), dedicou todo o capítulo 23 a Simão, o Mago. Afirmou que o imperador Cláudio honrou Simão, o Mago, com uma estátua devido à sua magia. Irineu afirma que Simão ensinava que se apresentava aos judeus como o Filho, aos samaritanos como o Pai e às outras nações como o Espírito Santo. Simão libertou da escravidão uma mulher de Tiro chamada Helena, que, segundo ele, foi a primeira concepção da sua mente. Simão afirmou que se tratava da mesma Helena por causa da qual se travara a Guerra de Tróia. Irineu refere que o sucessor de Simão, o Mago, foi o herege Menandro.

A obra «Contra Todas as Heresias» (200-210 d.C.) também dedica o primeiro capítulo à discussão sobre Simão, o Mago. Tertuliano afirma que Simão se autodenominava «A Virtude Suprema» e que o seu sucessor foi Menandro.

Tertuliano (198-220 d.C.), no capítulo 34 do «Tratado sobre a Alma», afirma que Simão dedicou as suas energias a destruir a verdade depois de Pedro o ter repreendido. Acrescenta que Helena era uma mulher de Tiro que era escrava num bordel.

Consulte para citar passagens de outros autores.

P: Em Atos 8:14-17, tratava-se de uma experiência normal?

R: Não. O atraso em acreditar em Jesus sem terem o Espírito Santo dentro de si deveu-se a:

1. A chegada dos apóstolos, ou

2. Um ensino inadequado por parte de Filipe, ou

3. Uma compreensão incorreta do que Filipe ensinou.

Se tivessem recebido o Espírito Santo sem a presença dos apóstolos, talvez se tivessem considerado uma «segunda igreja», independente da igreja que teve início em Jerusalém. No entanto, sentiam uma lacuna até à chegada dos apóstolos de Jerusalém e, por isso, tudo estava ligado à [única] igreja, que teve início em Jerusalém. Esta experiência constituiu uma fase de transição na história da igreja.

P: Em Atos8:15 -17, por que razão o Espírito Santo não foi concedido aos samaritanos quando estes ouviram o Evangelho pela primeira vez?

R: Os cristãos têm duas perspetivas.

1. A pregação que ouviram estava incompleta.

2. A pregação correu bem, mas, no que diz respeito a esta «grande transição» da pregação aos samaritanos, era adequado que alguns dos apóstolos estivessem presentes antes de o Espírito Santo descer sobre estes não-judeus. Consulte «1001 Perguntas Bíblicas Respondidas», pp. 50 e 53, para mais informações sobre esta perspetiva.

P: Em Atos 8:26, qual era o objetivo da viagem de Filipe de Jerusalém em direção a Gaza?

R: Do ponto de vista de Filipe, ele não fazia ideia. Havia muitas pessoas em Jerusalém e muito poucas a percorrer as 50 milhas ao longo da estrada do deserto, desde Jerusalém até Nova Gaza (construída em 57 a.C.) ou a Antiga Gaza (saqueada em 93 a.C.), também conhecida como Gaza junto ao deserto. Havia muitos crentes para discipular, muitos incrédulos com quem partilhar o evangelho e, em geral, muitas oportunidades para testemunhar — muito mais do que haveria numa estrada no deserto. Filipe não sabia por que razão lhe fora ordenado que fosse a Gaza. A propósito, Atos 8:40 mostra que Filipe nunca chegou a Gaza, pelo menos nesta viagem.

Mas, do ponto de vista de Deus, havia um propósito importante em Filipe se desviar do seu caminho para falar com apenas um homem. O cristianismo teve início na Etiópia a partir desse momento. É como se o judaísmo tivesse preparado este povo para o evangelho, e Deus tivesse tirado partido disso imediatamente. No entanto, nem Filipe nem os demónios sabiam disso. Além disso, os cristãos ainda não tinham pregado o evangelho fora de Jerusalém e da Samaria, e por isso Deus levou Filipe até ao etíope.

P: Em Atos 8:27, em que circunstâncias é que Deus nos pode pedir para fazer algo sem que saibamos porquê?

R: Deus pode fazê-lo sempre que quiser. Deus pode fazê-lo para testar a nossa obediência, ou porque deseja que reajamos da forma como reagiríamos se não conhecêssemos toda a história.

Podemos considerar a história do grande missionário Adoniram Judson, que viveu entre 1788 e 1850. Nasceu em Malden, Massachusetts, filho de um pastor congregacionalista e da sua esposa, e Adoniram seguiu a Cristo desde a infância. Ingressou na faculdade (mais tarde, a Universidade de Brown) aos 16 anos e formou-se como orador da turma aos 19. No entanto, enquanto estava na faculdade, tornou-se bom amigo de um cético e deísta e perdeu a sua fé. Abriu uma escola e escreveu um manual de gramática e matemática. Mais tarde, durante uma viagem, estava hospedado numa pousada e ouviu os gemidos agonizantes da pessoa no quarto ao lado. No dia seguinte, Adoniram descobriu que a pessoa tinha falecido e, «por coincidência», tratava-se do seu melhor amigo. Judson regressou à fé depois disso, em 1808. Sabia latim, grego e hebraico. Judson e a sua esposa Nancy casaram-se e, no dia seguinte, embarcaram num navio com destino a Calcutá, na Índia, como missionários congregacionalistas, em 1812. Judson também estudou o batismo e chegou à conclusão de que o batismo era algo que os crentes deviam fazer; não se destinava a crianças. Assim, quando chegou, abandonou a missão congregacionalista e pediu aos Batistas do Sul que o apoiassem, o que eles fizeram. William Ward batizou-o. Durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, a Companhia Britânica das Índias Orientais ordenou que os missionários americanos abandonassem a Índia, pelo que, em 1813, embarcaram num navio com destino à Birmânia; a sua esposa sofreu um aborto espontâneo a bordo do navio. Passou três anos a estudar birmanês, cerca de 12 horas por dia. Entre 1810 e 1823, viu apenas 18 pessoas conhecerem o Senhor, mas estava a avançar na sua tarefa de 24 anos de traduzir a Bíblia para birmanês, a qual concluiu. Durante a Guerra Anglo-Birmanesa de 1824, o rei birmanês colocou-o, a ele e ao seu companheiro, numa prisão horrível infestada de ratos. A sua esposa grávida deu à luz o terceiro filho. Depois, o seu segundo filho faleceu e, em 1824, a sua esposa faleceu. Em 1827, o seu terceiro filho faleceu.

Enquanto pregava aos karen e a outros povos tribais do sul, Adoniram resgatou e libertou um escravo de um dos seus convertidos: Ko Tha Byu. Este não era um candidato muito promissor. Ao contrário de Judson, não sabia ler. Enquanto Judson tinha passado três anos extenuantes, Ko Tha Byu nem sequer sabia falar birmanês. Tinha sido um bandido e não se lembrava de quantos homens tinha matado, embora fossem pelo menos 30. – credenciais verdadeiramente impecáveis! Depois de ter sido libertado, foi batizado e, em seguida, desapareceu imediatamente na selva para regressar à sua tribo. Mas, ao pregar aos seus companheiros da tribo Karen, quatro deles converteram-se imediatamente a Cristo. O povo Karen possuía uma «tradição dos anciãos» sobre um Deus imutável, eterno e todo-poderoso, o Criador, que criou o homem e uma mulher tirada da sua costela. Eles foram tentados pelo diabo, e acreditavam que um dia viria um Salvador. Acreditavam que, um dia, estrangeiros brancos lhes trariam escritos sagrados sobre isso. O cristianismo espalhou-se como fogo, à medida que Ko Tha Byu e George e Sarah Boardman evangelizavam o povo Karen do sul. Encorajado por isto, Judson superou a depressão que o assolava há um ano. Assim, dirigiu-se às selvas infestadas de tigres para evangelizar o povo Karen do norte. Com todas estas dificuldades, contratempos e uma reação inicial modesta, quais foram os resultados? Na altura da sua morte, existiam 100 igrejas e 8 000 crentes, principalmente membros das tribos Karen e Kachin. Atualmente, os países com maior número de batistas do sul são os EUA, a Índia e Mianmar. (retirado da Wikipédia sobre Adoniram Judson, 30/03/2018).

P: Em Atos 8:27, quem era Candace?

R: Candace (ou Kandake) era um título atribuído às rainhas da Núbia, tal como «Faraó» era um título atribuído aos reis do Egito e «César» aos imperadores de Roma.

Uma rainha etíope governava sempre como regente em nome do seu filho, uma vez que este era considerado um filho do sol e demasiado sagrado para lidar com assuntos seculares. Isto baseia-se em Bion de Soli, *Aethiopica* 1; *Geografia* de Estrabão 17.1.54; *História Natural* de Plínio, o Velho, 6.186; *História de Roma* de Dió Cassio 54.5.4; e *História Eclesiástica* de Eusébio 2.1.13, NPNF2, p. 105.

P: Em Atos 8:27, por que razão um etíope desejaria ir a Jerusalém?

R: A antiga terra chamada Etiópia situava-se, na verdade, a norte da atual Etiópia, no atual Sudão. Após 590 a.C., mercenários judeus guarneciam um forte em Elefantina, no sul do Egito, para impedir que os núbios atacassem o Egito. Alguns dos que vieram da Etiópia poderiam ter sido seus descendentes.

Além disso, a Rainha de Sabá visitou Jerusalém durante o reinado de Salomão (por volta de 960 a.C.). Embora Sabá se situasse do outro lado do Mar Vermelho, em frente à Etiópia, aparentemente algumas pessoas da terra da atual Etiópia converteram-se ao judaísmo nessa altura e ainda lá se encontravam no século XX. No século X d.C., o reino etíope do norte, de Beni Hamwiyah, travou uma guerra contra o reino etíope cristão situado a sul do seu território.

Irineu, em «Contra as Heresias» (180-188 d.C.), livro 3, cap. 12.6, p. 432, e Eusébio, em «História Eclesiástica», livro 2, cap. 1.13, p. 105, afirmam que o eunuco foi enviado por Deus para pregar aos etíopes.

Em resumo, este etíope dirigia-se provavelmente ao Templo judaico, uma vez que professava a religião judaica. Além disso, é possível que tivesse também uma pequena percentagem de sangue judeu.

P: Em Atos 8:27, por que razão se diz que o etíope foi a Jerusalém para adorar, em vez de ir ao templo?

R: Deuteronómio 23:1 afirma que um eunuco não podia entrar no templo. Uma vez que, sendo eunuco, não lhe era permitido entrar no próprio templo, podia, pelo menos, dirigir-se ao pátio exterior dos gentios. Não sabemos se ele se deslocou a Jerusalém ciente disso ou não.

Antes de Filipe se juntar a ele, ele poderia ter estado a ler Isaías 56:3-7. O eunuco etíope ainda poderia ter ido a Jerusalém para celebrar a Páscoa e ter pedido a outros que fossem ao templo em seu lugar.

P: Em Atos 8:36, uma pessoa deve ser batizada quando acredita?

R: Assim que uma pessoa acredita e compreende, de forma simples, o que significa ser cristão, deve ser batizada. Há aqui duas questões: as aulas antes do batismo e o batismo de crentes versus o de crianças.

1. Alguns cristãos acreditam que uma pessoa deve ser batizada imediatamente após crer em Cristo, tal como aconteceu com o eunuco etíope. Outros cristãos acreditam que deve haver instrução prévia, e a igreja de Alexandria levou isto ao extremo, impondo um curso de catecumenato de dois anos antes do batismo. Repare-se que o eunuco já conhecia bem as Escrituras antes de encontrar Filipe e, embora o seu conhecimento fosse imperfeito, era suficiente para ser batizado imediatamente.

2. Este versículo não aborda a questão do batismo de crentes versus o de crianças. Todos os cristãos acreditam que, se um adulto acreditar em Cristo e ainda não tiver sido batizado, deve ser batizado. Consulte a discussão sobre o batismo de crentes e de crianças em Colossenses 2:11-12 para mais informações.

Como nota à parte, nesta estrada do deserto não sabemos exatamente onde Filipe e o eunuco entraram na água para serem batizados, mas o Wadi el-Hesi, a nordeste de Gaza, teria sido conveniente e ficava no caminho. No entanto, não podemos ter a certeza, pois havia vários wadis sazonais entre Jerusalém e Gaza, e o clima na Palestina era um pouco menos árido naquela época.

P: Em Atos 9:1-2, por que razão os sacerdotes judeus estariam tão ansiosos por matar os cristãos?

R: Existem três razões simultâneas.

Em primeiro lugar, uma ameaça religiosa: o facto de Jesus ter vindo e ter estabelecido uma nova ordem que ia contra as tradições dos fariseus constituía uma ameaça à sua liderança religiosa.

Em segundo lugar, o poder político: foi nesta altura que os romanos retiraram algo que era considerado muito importante para os líderes judeus: o direito de executar pessoas por crimes capitais. Uma vez que os romanos aparentemente consentiriam na morte de cristãos, uma hipótese é que esta seria uma forma de, pelo menos, dar a impressão de que mantinham esse poder.

Espiritualmente, Satanás estava em ação aqui. Ainda hoje, Satanás deseja matar os adoradores de Deus.

P: Em Atos 9:1-2, por que razão as cartas dos líderes judeus (e não romanos) de Jerusalém teriam algum efeito numa cidade não judaica fora da Judeia? Imagine que eu fosse ter com o meu pastor e lhe pedisse para escrever uma carta ao líder da Coreia do Norte, para que me libertasse todos os prisioneiros cristãos. Quando eu viajasse para a Coreia do Norte para a entregar, como acha que isso seria recebido? Se acha que não correria bem, então por que razão Saulo esperaria uma melhor receção em Damasco?

R: Há duas respostas, e ambas podem ser verdadeiras.

1) É provável que Roma reconhecesse o direito dos sacerdotes judeus de extraditar judeus de outras cidades para serem julgados.

2) O rei árabe nabateu da Síria e de Damasco naquela época, Aretas IV, detestava os romanos que o controlavam. Seria muito provável que ele concedesse um favor aos sacerdotes judeus, de quem sabia que também não gostavam de Roma. Havia muitos judeus em Damasco; Josefo relata que o povo de Damasco matou (segundo fontes contraditórias) 10 500 ou 18 000 judeus na cidade.

Por fim, Saulo poderia não ter a certeza de que as cartas dos sacerdotes judeus seriam ou não reconhecidas.

P: Em Atos 9:1-2, o que sabia Saulo?

R: Na sua própria vida, Saulo provavelmente valorizava muito a tradição. De acordo com Génesis 10:4 e com os achados arqueológicos, ou a cidade ou o povo de Tarso era mais antigo do que Abraão. Em Filipenses 3:4-6, Paulo referiu-se à sua ascendência, à sua posição como fariseu e ao seu zelo. Ou seja, antes de Filipenses 3:7-8, onde Paulo afirmou que tudo isso era como lixo em comparação com o conhecimento de Cristo.

Quanto aos cristãos, Saulo sabia que eram dedicados, dispostos a sacrificar-se e que não poupariam esforços para ganhar o povo judeu para Cristo.

P: Em Atos 9:3-8, por que razão isto difere dos relatos em 22:6-11 e em Atos 26:12-18?

R: Os relatos diferem em três aspetos.

A luz e os companheiros de Paulo

Atos 26:13: A luz envolvia Saulo e os seus companheiros

Atos 22:6, 9: Saulo e os seus companheiros viram todos uma luz brilhante.

Atos 9:3: Uma luz do céu brilhou à volta de Saulo, mas não especifica o que se passava à volta dos seus companheiros nem o que eles viram.

Conclusão: Saulo e os seus companheiros viram todos uma luz brilhante que os envolvia. Não se especifica se a luz envolveu Saulo primeiro, ou se os envolveu a todos ao mesmo tempo, e, na verdade, isso não importa.

A voz e os companheiros de Paulo

Resposta incorreta: Em Atos 22:8-9, Paulo pode simplesmente ter-se enganado quanto ao que os homens ouviram, e as Escrituras registaram fielmente o que Paulo disse. No entanto, Paulo provavelmente sabia, e é provável que NÃO se tenha enganado neste caso.

A resposta:

Atos 26:14 Saulo de Tarso (Paulo) ouviu uma voz. Não se especifica o que os seus companheiros ouviram

Atos 22:9 Os companheiros de Saulo não ouviram/compreenderam a voz.

Atos 9:7 Os companheiros de Saulo ouviram o som, mas não viram ninguém.

Conclusão: Não há qualquer dificuldade se os companheiros de Saulo tiverem ouvido um som, mas não tiverem compreendido a voz. A palavra em Atos 22:9 é utilizada 153 vezes nos escritos de Lucas. Em 57 ocasiões, significa «ouvir para compreender», e em 7 ocasiões significa «obedecer». Este verbo na forma genitiva tende a significar simplesmente «ouvir». Na forma acusativa, tal como utilizada em Atos 22:9, significa frequentemente «ouvir para compreender», embora possa também significar simplesmente «ouvir».

Postura dos companheiros de Saulo

Atos 26:14 Saulo e todos os seus companheiros caíram por terra

Atos 22:6-9 Saulo caiu por terra, mas não se especifica o que os seus companheiros fizeram.

Atos 9:7 Os companheiros de Saulo ficaram ali sem palavras.

Conclusão: Todos eles estavam de pé inicialmente. Saulo ficou cego e caiu por terra. Depois de inicialmente ficarem de pé, sem palavras, o medo da voz e da luz levou facilmente os seus companheiros a caírem também por terra.

P: Em Atos 9:4-7, como é que Paulo ouviu e viu coisas diferentes das dos outros?

R: Os outros homens viram a luz e ouviram o som, mas Deus pretendia que apenas Saulo compreendesse as palavras.

P: Em Atos 9:11, existe alguma evidência arqueológica da Rua Direita em Damasco?

R: Sim. Não só existem provas arqueológicas de que a rua era outrora ladeada por colunatas, como a rua continua a ser utilizada hoje em dia. A rua estende-se de nordeste a sudoeste e, no tempo de Paulo, tinha pelo menos duas milhas (3,2 km) de comprimento.

P: Em Atos9:15 -16, por que razão Deus escolheu Saulo de Tarso como o Seu instrumento escolhido?

R: Este é um dos vários versículos que mostram que o Senhor age de formas misteriosas. Embora hoje todos possamos ler o Livro dos Atos e ver que Deus fez uma boa escolha, isto deve ter parecido muito estranho a Ananias. É compreensível que Ananias, apesar de acreditar em Deus, tenha pedido confirmação em Atos 9:13-14, e Deus tenha-lha concedido livre e graciosamente.

P: Em Atos 9:16, qual foi o objetivo de dizer a Ananias o quanto Saulo viria a sofrer pelo nome de Cristo?

R: As Escrituras não o dizem. Ananias não deveria ter sentido que Saulo de Tarso se tinha saído «bem», pois os sofrimentos que ele suportou foram provavelmente superiores aos que infligiu a qualquer outra pessoa.

P: Em Atos 9:23, quem estava a tentar matar Paulo?

R: Atos9:23 refere que os judeus estavam a tentar matar Paulo. Além disso, 2 Coríntios 11:32-33 refere que o governador do rei Aretas também estava a tentar prender Paulo.

P: Em Atos 9:26, por que razão os discípulos tinham medo de Saulo, uma vez que não deveriam ter medo da morte?

R: Os cristãos devem ser prudentes, e Jesus disse aos crentes que, embora a perseguição fosse inevitável (João15:20 ), os crentes podem fugir da perseguição (Mateus10:23 ).

Além disso, os discípulos poderiam naturalmente ter temido a morte dolorosa que Saulo de Tarso tinha infligido a outros.

P: Em Atos 9:27-28, Barnabé foi corajoso ou imprudente ao apresentar Saulo, um potencial «infiltrado», aos outros?

R: Embora a coragem e a imprudência possam andar de mãos dadas, Barnabé não foi imprudente nesta ocasião. A sua confiança no que Deus tinha feito em Saulo deu-lhe a coragem para avançar e apresentar Saulo aos outros.

P: Em Atos 9:27-28, por que razão acha que Barnabé teve tanta ousadia a ponto de não ter medo de Saulo, apesar de os outros o terem?

R: As Escrituras não o dizem, mas podemos especular sobre três razões.

Temperamento: Barnabé era um homem encorajador e talvez estivesse mais disposto a confiar em alguém.

Tempo passado com Paulo Barnabé não se limitou a ouvir rumores de que Paulo poderia ter mudado; ele conversou com o próprio Paulo e ouviu-o a debater com outros em Damasco.

Deus revelou-lhe: Se Deus se comunicou com Barnabé a respeito de Paulo, tal como fez com Ananias, ou se Deus deu a Barnabé essa confiança, então, naturalmente, Barnabé não teria medo.

Uma lição a retirar disto é que Deus nem sempre revela as coisas primeiro aos líderes da igreja. Os líderes devem estar dispostos a aprender também com os outros membros.

P: Em Atos 9:31, de que forma as igrejas viviam no temor do Senhor e como devemos fazê-lo hoje?

R: Tinham reverência por Deus e pelo Seu poder. Respeitavam a Sua Palavra, e o temor do Senhor era uma motivação para o evangelismo e para uma vida santa.

Outros versículos que ilustram o temor do Senhor por parte do crente são Génesis 22:12; Provérbios 1:7; 1 Samuel 12:14; 2 Crónicas 6:33; 19:7; Neemias 5:9; Salmo 19:9; 22:25; 33:8; 119:74; 128:1; Eclesiastes 8:13; 12:13; Isaías 11:3; Jeremias 5:22; Miqueias 6:9; Malaquias 3:5 e 2 Coríntios 5:11.

P: Em Atos9:43 , era a profissão de curtidor considerada impura para os judeus?

R: Os israelitas aprenderam este importante ofício com os egípcios, embora os sírios também o praticassem. Os judeus não consideravam o curtimento uma boa profissão entre os judeus da época de Jesus, uma vez que era necessário lidar com animais mortos para retirar as peles. Simão encontrou comunhão entre os cristãos, mas talvez não a tivesse encontrado entre os judeus. Tratava-se de uma profissão cerimonialmente impura e, em Jope, as casas dos curtidores situavam-se a sul, nos arredores de Jope, junto à costa (onde os produtos químicos usados podiam ser eliminados).

P: Em Atos 10, qual é a principal aplicação destas duas mensagens?

R: A mensagem transmitida a Cornélio em Atos 10:1-8 é que o Evangelho provém dos judeus. Em Atos 10:9-23, a mensagem transmitida a Pedro é que o Evangelho se destina também aos gentios.

P: Em Atos 10:2, 4 e 31, o que sabemos sobre Cornélio?

R: Cornélio tinha um nome ao mesmo tempo invulgar e comum. Em 82 a.C., Cornélio Sula libertou 10 000 escravos, os quais mudaram então o seu nome para Cornélio em sua honra. O «Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, pp. 384-385, supõe que talvez Cornélio descendesse de um deles. Sabemos que o «Regimento Italiano» romano serviu na Síria em 69 d.C.

O próprio Cornélio era um homem invulgar, sendo um soldado de um exército de ocupação e, ainda assim, doava dinheiro para ajudar os pobres na terra ocupada. Provavelmente possuía alguma fortuna privada, uma vez que podia dar muitas esmolas. No que diz respeito aos centuriões em geral, o historiador Políbio afirma: «Espera-se que os centuriões não sejam tanto ousados e aventureiros, mas sim bons líderes, de espírito firme e prudente, não propensos a tomar a iniciativa ou a iniciar combates de forma imprudente, mas capazes, quando sobrecarregados e pressionados, de se manterem firmes e morrerem no seu posto.» Livro de História 6, cap. 24. Cesareia era a capital da Judeia, no que dizia respeito ao governo romano.

Diz-se que Cornélio era centurião de uma coorte. «Centurião» significava mais de 100 homens, mas os centuriões comandavam normalmente uma coorte, que correspondia a um décimo de uma legião, ou seja, 300 a 600 homens. A «coorte italiana» era provavelmente a Cohors II Miliaria Italica Civium Romanorum. Esta coorte era composta por libertos da Itália que se tinham tornado cidadãos e eram todos arqueiros. Foram transferidos para a Síria pouco antes de 69 d.C. e participaram na captura de Jerusalém tanto em 70 d.C. como em 135 d.C. Embora os arqueólogos não possam verificar de forma independente onde se encontrava a coorte entre 41 e 44 d.C., faz sentido que o abastecimento de água em Cesareia tivesse de ser protegido.

A título de nota à parte, este acontecimento foi muito importante para Pedro, uma vez que ele voltou a referi-lo em Atos 11 e 15:6-9.

P: Em Atos 10:2, 4 e 31, qual era a relação entre as esmolas de Cornélio e o facto de Deus ter respondido às suas orações?

R: Cornélio percebeu a verdade sobre Deus no Antigo Testamento. Há três pontos a considerar na resposta.

1. As esmolas de Cornélio não eram, de forma alguma, necessárias para que o Deus Todo-Poderoso agisse ou respondesse às suas orações.

2. As orações sinceras de Cornélio foram ouvidas, tal como Deus ouve as orações sinceras de todos aqueles que desejam conhecê-Lo.

3. É interessante que tanto as esmolas como as orações tenham chegado até Deus. É quase como se as esmolas fossem consideradas uma forma de oração ou como se reforçassem as suas orações.

P: Em Atos 10:2, 22, 44-48, uma vez que Cornélio era temente a Deus e orava regularmente a Deus, mas ainda assim não tinha nascido de novo até à visita de Pedro, teria Cornélio ido para o Inferno se tivesse morrido?

R: Trata-se de uma questão discutível. Se o Deus de que estamos a falar não tivesse conhecimento suficiente para saber que Cornélio aceitaria Jesus com alegria, ou não fosse poderoso o suficiente para manter Cornélio vivo até esse momento, então não estamos a falar do Deus da Bíblia.

Note-se que as orações e as ofertas de Cornélio, antes de ouvir falar de Jesus, constituíam uma homenagem aceitável a Deus. O mesmo se aplica às pessoas que morreram antes de Jesus e que obedeceram à palavra de Deus no Antigo Testamento; além disso, Cornélio era respeitado pelos judeus, não pelo seu temor a qualquer deus, mas pelo seu temor ao verdadeiro Deus, o Deus deles.

P: Em Atos 10:10-16 e Mc 7:17-23, uma vez que Jesus disse que não aboliria nada da lei em Mt 5:17, por que razão os cristãos não seguem as leis alimentares do Antigo Testamento, tal como os muçulmanos [supostamente] fazem?

R: Embora nem os cristãos nem os muçulmanos sigam as leis alimentares, os cristãos não o fazem porque dão ouvidos a Jesus. Cinco pontos a considerar na resposta.

Naquela época, os seguidores de Jesus obedeciam às leis alimentares do Antigo Testamento. Na verdade, Jesus afirmou que nem um jota nem um til passariam até que tudo se cumprisse.

O facto da ressurreição de Jesus alterou fundamentalmente a forma como Deus lidava com os Seus filhos. Um anjo informou Pedro, apóstolo de Jesus, de que Deus tinha tornado todos os alimentos puros em Atos 10:9-16. Repare-se que não se diz que esses animais fossem sempre puros, mas sim que Deus os tinha tornado puros.

Até mesmo os muçulmanos que levantam esta objeção têm de concordar que algumas das leis alimentares do Antigo Testamento não devem ser seguidas. Maomé ensinou aos muçulmanos que podiam comer carne de camelo (Sahih Muslim, vol. 1, livro 1, n.º 220, p. 70), mas Levítico 11:3-8 e Deuteronómio 14:6-8 proíbem o consumo de carne de camelo.

Ouçam Jesus em Mateus 15:10, 17-20 e Marcos 7:14-15. Jesus disse que é o que sai do homem que o torna impuro, e não o que entra. Marcos 7:19 mostra que, com isto, Jesus declarou todos os alimentos puros. Se chamamos a Jesus de profeta, devemos ouvir as Suas palavras.

Uma voz do céu ordenou a Pedro que comesse em Atos 10:10-16, mostrando-lhe que as leis alimentares só estavam em vigor até ao sacrifício de Jesus, e não depois. Devemos obedecer à voz do anjo de Deus e do apóstolo de Jesus.

Em conclusão, não devemos ignorar o que os profetas de Deus disseram, mas sim ouvi-los.

P: Em Atos 10:20-23, quando Pedro recebeu a ordem de não hesitar em acompanhar os três homens, terá Pedro desobedecido ao questioná-los, convidá-los a entrar na sua casa e partir no dia seguinte?

R: Talvez Pedro não tenha sido tão pronto quanto poderia ter sido. Por outro lado, se já fosse tarde, a única coisa prática a fazer era partir cedo na manhã seguinte, em vez de tentar encontrar uma casa no escuro. Lembre-se de que, naquela época, não havia sinais de trânsito nem iluminação pública.

Seja como for, Pedro tinha definitivamente a intenção de os acompanhar. Não era permitido a um judeu comer com um gentio; no entanto, depois de Pedro ter aprendido a lição com a visão, convidou os homens para comerem com ele.

Provavelmente foi necessária tanto coragem como uma visão direta para convencer Pedro a comer qualquer tipo de comida. O cético judeu Asimov, no seu livro *Asimov’s Guide to the Bible*, p. 1050, salienta que, na época dos Macabeus, os judeus preferiam morrer sob tortura a comer carne de porco.

P: Em Atos 10:25-26, por que razão Cornélio tentou «adorar» Pedro?

R: A palavra grega aqui é «proskuneo», que significa tanto «adorar» como «prostrar-se em reverência». Ou Cornélio, que ainda não tinha sido instruído na fé cristã, estava confuso ao tentar adorar Pedro, ou então não tencionava adorá-lo, mas sim demonstrar grande respeito por aquele que lhe ensinaria o caminho para a salvação.

P: Em Atos 10:28, eram apenas os não judeus em geral que não deviam ser considerados comuns ou impuros, ou todas as pessoas sem exceção?

R: Neste versículo, «ninguém» significa todas as pessoas, independentemente da raça.

P: Em Atos 10:30-33, como é que Lucas poderia ter escrito: «Estou em jejum desde quarta-feira, quando, à nona hora, estava a orar na minha casa e apareceu um homem com vestes resplandecentes, de pé diante de mim?» Será que Cornélio orou durante quatro dias seguidos até à nona hora (15h00), quando estava a falar com Pedro? E em que dia é que o homem com vestes resplandecentes apareceu? Por fim, qual é a justificação linguística para traduzir a construção APO... MECRI... em Atos 10:30 como algo que não seja uma «duração» de quatro dias no tempo? Qualquer coisa do tipo «há quatro dias» parece-me representar meramente uma ginástica linguística sem fundamento.

R: Vejamos os três versículos na íntegra: Atos 10:30-32 diz: «Cornélio respondeu: “Há quatro dias, eu estava na minha casa a orar, precisamente à nona hora. De repente, um homem com vestes radiantes apresentou-se diante de mim e disse: “Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas aos pobres foram lembradas perante Deus. Por isso, manda buscar a Jope por Simão, chamado Pedro. Ele está hospedado na casa de Simão, o curtidor, junto ao mar.”’” (BSB)

Lucas está a relatar o que Cornélio disse. Este foi um momento monumental para a igreja, pois foi nesse momento que a igreja — e especialmente Pedro — compreendeu claramente que Cristo não tinha sido enviado apenas aos judeus, mas a toda a terra. Lucas pode ter ouvido diretamente de Pedro como este acontecimento crucial se desenrolou, ou pode ter tomado conhecimento disso através de outra pessoa. Lucas pode ter citado textualmente o que Cornélio disse, ou é muito provável que tenha parafraseado. No entanto, isso não importa; o que importa é o significado.

Quando uma pessoa fala, é sempre possível encontrar ambiguidade se se procurar com suficiente insistência e profundidade, quer exista realmente ambiguidade ou não. Noutros casos, incluindo este, uma frase das palavras de uma pessoa, por si só, pode ser interpretada de várias maneiras diferentes, mas o senso comum torna o significado claro para todos os ouvintes. Eis a sequência de acontecimentos, por ordem inversa.

3. Pedro chegou alguns dias depois de ter sido chamado (Atos 10:23-24)

2. O homem vestido com roupas resplandecentes disse a Cornélio para mandar chamar Pedro.

1. Antes disso, Cornélio estava a orar quando o homem com vestes resplandecentes apareceu.

O senso comum dita que «esta hora», em que Cornélio estava a orar, era a mesma hora (15h00) de há quatro dias, e não esta hora deste dia. Caso contrário, Cornélio teria mandado os homens buscar Pedro depois de estes já terem partido para o ir buscar.

P: Em Atos 10:31, será que Deus se lembra de todas as coisas justas que as pessoas fazem?

R: Deus conhece todas as coisas justas (e injustas) que fazemos antes mesmo de nascermos (Salmo 139). No entanto, no que diz respeito a contabilizá-las para receber recompensas no céu, não necessariamente. Ezequiel3:20 dá um exemplo de um homem justo que se desviou da sua justiça e cujos atos justos não foram lembrados. Além disso, Paulo receava desviar-se do caminho e perder a coroa pela qual tinha trabalhado.

P: Em Atos 10:34-35, como é que Pedro [supostamente] contradisse Jesus ao afirmar que Deus aceita pessoas de todas as nações que temem a Deus e praticam a justiça, quando Jesus disse que ninguém vem ao Pai senão por Jesus, em João 14:6? (O muçulmano Ahmad Deedat levantou esta questão.)

R: Não há aqui qualquer contradição. Deus tem filhos que acreditam Nele de todas as nações. Há árabes, chineses, australianos, africanos, europeus, esquimós, chilenos e argentinos que acreditam em Jesus. Seja qual for o seu grupo étnico, desde os Ababda aos Zuni, Jesus é para si.

Ninguém chega ao Pai senão por meio de Jesus. Mesmo pessoas como o patriarca Abraão, que morreu antes de ouvir o nome de Jesus, só chegam ao Pai no céu por meio de Jesus. Em João 8, Jesus disse que Abraão viu [no futuro] o dia de Jesus e se alegrou.

Há três pontos a reter:

1) Nem todos os que foram para o céu ouviram o nome de Jesus antes de morrerem, como aqueles que seguiram Deus no Antigo Testamento antes de ouvirem falar de Jesus.

2) Todos os que depositam a sua confiança no Deus verdadeiro vão para o Céu por meio de Jesus.

3) Aqueles que rejeitam Jesus nesta vida (e nunca se arrependem) rejeitaram o único caminho pelo qual poderiam ter ido para o Céu.

P: Em Atos 10:34, Pedro descobriu que o seu «preconceito» contra os gentios estava fora da vontade de Deus. O que devemos fazer se, de repente, descobrirmos que temos preconceitos em relação a certas pessoas?

R: Existem diferentes tipos e níveis de preconceitos, contra diferentes grupos de pessoas, não apenas em função do género, ou contra negros, brancos, hispânicos, asiáticos, etc. O preconceito também pode ser contra os pobres ou contra os ricos, contra quem tem menos ou mais instrução, quem está menos ou mais na moda, contra os «geeks» ou em relação a muitos outros fatores.

Mas, independentemente do tipo e do grau de preconceito, devemos erradicá-lo das nossas vidas. O momento de agir é «agora», assim que o descobrir. Faça amizade com alguém desse grupo e, tal como ensina Filipenses 2:3-4, considere os interesses deles mais importantes do que os seus próprios. Obedeça prontamente e regozije-se pelo facto de Deus ter removido as vendas dos seus olhos, das quais talvez nem se tivesse apercebido que as tinha.

Se verificar que um irmão na fé tem preconceitos, isso é muito triste. Mas essa pessoa pode ainda assim ser um crente genuíno, apenas desobediente ou cego. Além de orar por ela, incentive-a de forma positiva a expressar o seu amor por «todas as pessoas», a amar o próximo como a si mesmo.

P: Em Atos 10:34-43, até que ponto estas palavras se aproximam das palavras reais de Pedro?

R: Embora Lucas pudesse ter parafraseado, pensamos que, neste caso, foi bastante literal. O estilo de Lucas era um grego sofisticado e refinado, com termos técnicos e frases complexas. Mas, nesta secção, a escolha de palavras e o estilo eram os de um judeu a falar grego.

P: Em Atos 10:38, de que forma estava Deus com Jesus, uma vez que Jesus é Deus?

R: Na Terra, Jesus esvaziou-Se voluntariamente da Sua glória e renunciou temporariamente ao uso dos Seus atributos divinos. No entanto, o Pai e o Espírito Santo demonstraram que estavam com Jesus. Demonstraram-no no Seu batismo e através dos milagres de Jesus. Consulte a discussão sobre Atos 7:56 para mais informações.

P: Em Atos 10:45-48, o batismo na água é essencial para ser salvo?

R: Não. Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. Eles falaram em línguas antes de serem batizados com água.

2. Falar em línguas é um sinal (mas não o único sinal) de estar cheio do Espírito Santo.

3. Ser cheio do Espírito Santo é algo reservado apenas para aqueles que nasceram de novo.

4. Aqueles que nasceram de novo estão salvos.

Portanto, eles nasceram de novo antes de serem batizados com água. Consulte a discussão sobre Atos 22:16 para um segundo exemplo de salvação anterior ao batismo com água.

P: Em Atos10:45 -48, dado que esta passagem descreve um acontecimento muito especial, será que isso impede que se utilize esta passagem para demonstrar que o batismo com água não é essencial para a salvação?

R: Não. Esta passagem descreve, de facto, uma transição importante para a igreja, mas isso não nos impede de compreender todo o seu ensinamento. Três pontos a considerar na resposta.

1. Os gentios podiam ser cheios do Espírito Santo e, assim, ser salvos, antes do batismo, nesta altura. Não era impossível para Deus fazer isso e continuar a ser fiel à Sua palavra.

2. Assim, é possível que as pessoas sejam salvas, antes do batismo noutras ocasiões, sem que Deus quebre a Sua palavra.

3. Se a interpretação que alguém faz da Bíblia exige que Deus não possa ser fiel à Sua palavra caso alguém, após Cristo, seja salvo antes de ser batizado, então considere que é essa interpretação, e não a palavra de Deus, que está errada.

P: Em Atos 10:48 e Atos 2:38, uma vez que as pessoas são batizadas em nome de Jesus, e uma vez que são batizadas em nome (no singular) do Pai, do Filho e do Espírito Santo em Mateus 28:19, isso significa que os três são todos Jesus, tal como ensina o pentecostalismo unitarista?

R: Não. Foi Jesus, e não o Pai nem o Espírito Santo, quem ordenou que os cristãos fossem batizados. «Em seu nome» significa também «pela autoridade de Jesus».

P: Em Atos 11:1-3, uma vez que Paulo era o apóstolo dos gentios, por que razão enviaria Deus Pedro e não Paulo a Cornélio?

R: A resposta tem quatro partes.

Em primeiro lugar, Paulo só tinha sido consagrado para ser enviado em Atos 13; talvez Deus não tenha visto necessidade de esperar tanto tempo para que alguém falasse com Cornélio.

Em segundo lugar, seria preferível que fosse Pedro, o líder dos apóstolos, para que ficasse mais claro que havia apenas uma igreja, e não uma igreja judaica e uma igreja gentia.

Em terceiro lugar, Pedro poderia ter-se mostrado relutante em partilhar Cristo com um gentio, devido à sua educação. Em Atos 10:34, Pedro afirma: «Agora compreendo quão verdadeiro é que Deus não faz acepção de pessoas.» Por vezes, se um crente tem preconceitos contra um determinado grupo, Deus pode fazer com que esse cristão vá ministrar a esse grupo específico. Desta forma, em vez de Pedro ser aquele que questionava a ação de batizar um gentio, foi ele próprio quem defendeu a sua própria ação de batizar um gentio.

Em quarto lugar, Pedro foi cheio do Espírito Santo, com uma língua de fogo sobre si durante o Pentecostes, e a sua descrição do que aconteceu a estes crentes gentios faz lembrar o Pentecostes.

Por um lado, alguns poderão considerar excelente que Pedro tenha tido uma visão e que um anjo lhe tenha dito especificamente o que fazer. Por outro lado, o facto de Deus ter percebido que Pedro precisava de «ser acompanhado» pode ter sido um sinal da fraqueza de Pedro, e não da sua força.

P: Em Atos 11:1-3, os homens estavam certos ao contestarem o apóstolo Pedro?

R: Estavam certos num aspeto e errados num aspeto mais importante.

Certos: Estavam certos em questionar o que qualquer cristão estivesse a fazer, mesmo Pedro, quando consideravam que isso não se coadunava com as Escrituras. Afinal, em Mateus 10:5-7, naquela altura, Jesus disse para não irem falar com os gentios, mas apenas com a Casa de Israel. Além disso, Paulo corrigiu Pedro em Gálatas 2:11-21.

Incorreto: A sua compreensão das Escrituras estava errada. Além disso, depois de o Concílio de Jerusalém ter resolvido a questão com todos os apóstolos vivos, algumas dessas pessoas continuaram a causar divisão, porque não se deixavam corrigir pelos outros.

P: Em Atos 11:1-3, Pedro poderia ter dito: «Sei que estava a seguir Deus e não me interessa minimamente o que pensam.» O que haveria de errado nisso?

R: Pedro não queria criar mal-entendidos, pois devia ser um bom exemplo. Existem duas questões na liderança: fazer o que é certo e fazê-lo da maneira certa. Embora Pedro tenha feito o que era certo (conforme o Espírito Santo lhe mostrou), submeteu humildemente (e com razão) as suas ações ao escrutínio dos outros. Explicou pacientemente por que razão agiu daquela forma e partilhou os resultados de forma imparcial. Os líderes de hoje devem ser líderes-servidores, liderando através das suas palavras, ações e da forma como se comportam, respeitando os outros.

P: Em Atos 11:1-3, em que situações atuais é que o senhor, ou outra pessoa, poderia ter dito — ou de facto disse — aquilo? Como é que isso se traduziria na prática?

R: Em tempos, fui membro de uma igreja cristã chinesa nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os grupos, as comissões e as votações são comuns. Foi contratado um pastor que tinha recebido formação no estrangeiro e que possuía uma mentalidade mais hierárquica. Num momento bastante difícil, o pastor afirmou que «os anciãos prestam contas a mim, e eu só presto contas a Deus». Pouco tempo depois, foi dispensado. A questão NÃO era o facto de ele não agir de acordo com o estilo americano não católico (embora não o fizesse). A questão aqui era que ele não agia de acordo com o estilo bíblico; nem mesmo o apóstolo Pedro agia dessa forma.

P: Em Atos 11:1-4, até que ponto acha que a igreja deve ser estruturada?

R: A «melhor» resposta poderá variar consoante as diferentes culturas e circunstâncias. Há dois aspetos nesta questão: a constância supra-cultural e a flexibilidade cultural.

Constância transcultural: os conceitos de liderança e organização da Igreja que são ordenados ou apresentados nas Escrituras devem ser aplicados em todas as igrejas. Por exemplo, 1 Timóteo 3:1-13 e Tito 1:5-9 estabelecem requisitos para os anciãos, diáconos e diaconisas numa igreja. Não existe qualquer «cláusula de exceção» em que Paulo diga: «a menos que se encontrem nesta cultura, então não têm de o fazer».

Flexibilidade cultural: As igrejas devem adaptar-se ao ambiente, à cultura e à época em que se inserem. Grandes edifícios de igreja versus igrejas domésticas. Como lidar com a diversidade de línguas numa igreja? Se tiver uma igreja composta por habitantes urbanos sofisticados e por membros de tribos, devem estes reunir-se sempre em conjunto? Até que ponto os líderes devem intervir ativamente ou manter-se à distância? Os homens e as mulheres devem estar juntos ou separados? Os preceitos que o podem ajudar a responder a estas questões para a sua igreja encontram-se nas Escrituras, mas as respostas em si não constam das Escrituras. É provável que isso seja deliberado da parte de Deus, uma vez que as respostas variam consoante a igreja, e Deus deseja que utilizemos o discernimento piedoso para decidir.

P: Em Atos 11:3, os apóstolos foram obedientes à ordem de Jesus em Mateus 28:19 e Atos 1:8 de espalhar o Evangelho até aos confins da terra?

R: Os apóstolos não eram isentos de pecado, e não parece que estivessem a obedecer ativamente a esta ordem. A razão poderá ter sido o seu preconceito em relação ao convívio com não-judeus. Infelizmente, por vezes, os cristãos de hoje também podem permitir que os seus preconceitos os impeçam de obedecer plenamente a Deus. Consulte a discussão sobre Atos 8:1 para saber como Deus aparentemente lidou com essa situação.

P: Em Atos 11:14, Cornélio já estava salvo antes de mandar buscar Pedro?

R: Esta passagem mostra que não. No entanto, pela graça de Deus, Cornélio procurou a Deus e mandou chamar Pedro.

P: Em Atos 11:18, que dois efeitos teria isto: em primeiro lugar, nos outros gentios e, em segundo lugar, nos judeus?

R: Para os gentios, seria uma demonstração de que os gentios eram tão bem-vindos na igreja de Deus como os judeus. Por outro lado, os líderes religiosos pagãos gentios poderiam sentir-se mais ameaçados do que se pensassem que estavam a fazer com que as pessoas se tornassem judeus antes de se poderem tornar cristãos.

Para os judeus, isso causou uma divisão ainda maior entre os cristãos judeus e os judeus não cristãos.

P: Em Atos 11:18, como acha que um antigo pagão, que se converteu ao judaísmo apenas para se converter ao cristianismo, se sentiria em relação a isto?

R: Um homem adulto demoraria cerca de uma semana a recuperar após ser circuncidado. Por que razão ninguém lhe disse «estava só a brincar!»? O crente poderia sentir-se «enganado». Ali estava ele, a quem os crentes tinham dito que tinha de se tornar judeu primeiro, e, no entanto, todas essas pessoas seriam admitidas sem se tornarem judeus primeiro. Será que ele fez isto realmente por Deus, uma vez que Deus, aparentemente, não exigiu que mais ninguém o fizesse?

Mas Deus olha para as nossas intenções e para o nosso coração, não apenas para as ações. As coisas feitas desnecessariamente, porque um líder cristão deu um mau conselho, continuariam a ser feitas por Deus.

P: Em Atos 11:19, por que razão estavam a pregar apenas aos judeus?

R: Naquela altura, havia desacordo sobre se um gentio poderia tornar-se cristão sem se tornar judeu primeiro. Mesmo depois de esse desacordo ter sido resolvido no Concílio de Jerusalém, em Atos 15, Paulo continuava a ter o costume de pregar o Evangelho primeiro aos judeus e só depois aos gentios. Leia Atos 18:6 para ver um exemplo.

P: Em Atos 11:20, o que há de significativo em relação a Antioquia?

R: Antioquia não era uma cidade muito antiga, tendo sido fundada por volta de 300 a.C. por Seleuco Nicátor I, cujo pai e filho se chamavam ambos Antíoco. Ficava a cerca de 300 milhas a norte-nordeste de Jerusalém. No entanto, Antioquia era a terceira maior cidade do Império Romano, com cerca de 500 000 habitantes. Apenas Roma e Alexandria eram maiores. Era também chamada de Antioquia do Orontes para a distinguir das outras quinze cidades fundadas por Seleuco com o nome de Antioquia. Romanos, gregos, sírios e persas viviam todos ali, e estima-se que um sétimo da sua população fosse judaica. No entanto, mais tarde, durante o reinado de Calígula (37-41 d.C.), muitos judeus foram mortos. Antióquia foi saqueada pelos persas em 540 d.C. e nunca mais se recuperou verdadeiramente depois disso.

P: Em Atos 11:25-26, o que estava Paulo a fazer na sua cidade natal, Tarso?

R: As Escrituras não referem diretamente o que aconteceu durante esses, talvez, sete ou oito anos. No entanto, Paulo menciona que recebeu cinco chicotadas das autoridades da sinagoga em 2 Coríntios 11:24, bem como outras formas de perseguição física em 2 Coríntios 11:23-27, sem que se saiba quando estas ocorreram. Talvez algumas ou todas elas tenham ocorrido enquanto Paulo pregava em Tarso.

Como nos mostra Atos 11:20-21, Paulo não era indispensável para a difusão do evangelho. Havia um grande número de crentes em Cirene (nordeste da Líbia) e em Chipre (de onde Barnabé era natural), e estes estavam envolvidos numa grande obra do Senhor em Antioquia. Não conhecemos o nome de nenhum destes cristãos «comuns», e, aparentemente, Deus não considerou necessário que os conhecêssemos nem que eles se tornassem famosos.

Esta é agora a segunda vez que Barnabé colaborou para facilitar o ministério de Paulo. Que oportunidades aproveita para encorajar e possibilitar o ministério dos outros?

P: Em Atos 11:26, qual é o significado do facto de o termo «cristãos» ter sido utilizado pela primeira vez em Antioquia?

R: Há dois pontos a considerar na resposta.

Zombaria: Outras pessoas talvez lhes tenham chamado «cristãos» pela primeira vez como forma de ridicularização. Naquela época, havia pessoas muito devotas à adoração de César, e eram chamadas de «cesarianas». 1 Pedro 4:14 diz que, se for insultado por causa do nome de Cristo, é abençoado. 1 Pedro 4:16 menciona o sofrimento como «cristão».

Honra: Os crentes aceitaram a palavra «cristão» como um símbolo de honra. Cristo é o único nome sob o qual as pessoas podem ser salvas.

«Cristão» era um nome precioso para os primeiros seguidores de Cristo. Era o nome que devemos usar para nos designarmos, de acordo com 42 escritores cristãos primitivos anteriores ao ano 325 d.C. Consulte para ver citações de cada um deles.

P: Em Atos 11:28, Atos 14:17 e 2 Coríntios 8-9, que evidências existem de uma fome que assolou todo o mundo no tempo de Cláudio (41-54 d.C.)?

R: Os cristãos têm duas perspetivas.

Fome local

1. A palavra grega para «mundo/terra» aqui é «oikoumene». Não significa necessariamente o planeta inteiro ou o mundo, como a palavra grega «cosmos». Em vez disso, a fome afetou a Judeia.

2. Josefo, em «Antiguidades dos Judeus» 20.5.2 (c. 93-94 d.C.), menciona uma fome na Judeia em 44/46-47/48 d.C.

3. Como prova adicional, Paulo recolheu uma oferta das igrejas da Grécia (onde, presumivelmente, não havia fome) para enviar de volta à Palestina, conforme se pode ler em 1 Coríntios 16:2-3 e 2 Coríntios 8:1-4, 13-15, 18-21.

4. Como reforço adicional, Helena e, mais tarde, o seu filho Izates, após se terem convertido ao judaísmo, enviaram trigo adquirido no Egito e figos adquiridos em Chipre para distribuir na Judeia, a fim de ajudar a combater a fome por volta de 46 d.C., de acordo com a obra «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, livro 20, capítulos 51-52 [ii.5].

Fome em todo o Império Romano

A expressão grega aqui utilizada era comummente empregue pelos romanos para se referirem a todo o mundo romano. Não houve uma única fome que tenha afetado todo o Império Romano ao mesmo tempo. No entanto, o «Expositor’s Bible Commentary», volume 9, pp. 403-404, refere que os historiadores Suetónio («Vida de Cláudio» 18:2), Tácito («Anais» 12:43), Dio Cassius (História de Roma 60:11) e Orosius (História 7.6.17) mencionam várias fomes em todo o Império Romano durante o reinado de Cláudio. Não há outro período na história romana em que se fale de fomes com tanta frequência.

P: Em Atos 12, por que razão Deus não nos abençoa financeiramente tanto quanto somos capazes de receber?

R: Em primeiro lugar, Provérbios 30:8-9 mostra que uma pessoa pode ser abençoada para além do que é capaz de receber. Pode ser tão abençoada que se esqueça de Deus. Mas, além disso, muitos crentes poderiam receber mais bênçãos financeiras do que lhes foram concedidas. Mas, para Deus, a nossa fé é mais preciosa do que o ouro (1 Pedro 1:7) e Deus utiliza as dificuldades para fortalecer e aprofundar a nossa fé. Diz-se que, quando uma nova borboleta emerge do seu casulo, se a ajudar a sair do casulo, a borboleta nunca voará. Ela tem de passar por essa luta, de se esforçar para se libertar do casulo, para fortalecer os seus músculos e poder voar.

Aparentemente, o plano de Deus para nós não consiste, em primeiro lugar, nas nossas bênçãos materiais. Em vez de esperarmos que Deus siga as nossas prioridades, devemos abandonar as nossas prioridades e, em vez disso, fazer com que as prioridades de Deus sejam as nossas. Deus pode não estar muito interessado em abençoar-nos com o único propósito de vivermos mais confortavelmente com mais riqueza material. Pelo contrário, Deus pode abençoar grandemente alguns com o objetivo de que ajudem os outros.

P: Em Atos 12:1-2, quem era este Herodes e por que razão ele quereria matar Tiago e Pedro?

R: Não se tratava nem de Herodes, o Grande, nem de Herodes Antipas, mas de outro Herodes, chamado Herodes Agripa I, que reinou a partir de 41 d.C. e faleceu em 44 d.C. Nasceu por volta de 10 a.C., filho de Aristóbulo IV e Berenice. Era neto de Herodes, o Grande, que reinou durante o nascimento de Jesus. Agripa II, mencionado em Atos 25:13-22, é uma pessoa diferente.

Aos três anos de idade, Herodes Agripa I foi levado para Roma depois de Herodes, o Grande, ter mandado estrangular o seu pai, Aristóbulo IV, em 7 a.C. Era próximo da família real. Fugiu para a Idumeia (Edom) em 23 d.C. para escapar aos seus credores. Mais tarde, recebeu uma pensão do seu tio Herodes Antipas, embora tenha acabado por entrar em conflito com ele. Em 36 d.C., Agripa I regressou a Roma, ofendeu o imperador Tibério e foi preso. Quando Tibério morreu em 37 d.C., o novo imperador, Calígula, libertou-o. Quando Herodes Antipas foi banido em 39 d.C., Agripa I recebeu as suas terras. Agripa I e a sua esposa tinham o cuidado de seguir a Lei judaica, provavelmente para ganhar o favor dos judeus, o que ele conseguiu, pelo menos até se permitir ser adorado como um deus. Quando Cláudio, um amigo pessoal de Agripa I, se tornou imperador em 41 d.C., Cláudio confiou a Judeia e a Samaria a Agripa I para que as governasse, até à sua morte, ocorrida em 44 d.C. na sequência de uma doença causada por parasitas intestinais. Não temos a certeza de que festival se tratava. Poderia tratar-se de uma festa especial que Agripa I instituiu para honrar o aniversário de Cláudio, a 5 de agosto, ou da festa que se celebrava uma vez a cada cinco anos em comemoração à fundação de Cesareia, que teria lugar por volta de 5 de março, ou ainda poderia ter sido a Festa dos Tabernáculos, de caráter anual.

Os vermes redondos podem atingir 10 a 16 polegadas de comprimento e causar obstrução intestinal, vómitos intensos, dor grave e morte. O relato de Josefo difere um pouco do de Lucas, mas afirma que ele morreu após cinco dias de agonia. O homem que executou o apóstolo Tiago e tentou executar Pedro não morreu facilmente, mas serviu de alimento aos vermes.

Herodes Agripa I não era conhecido por ser particularmente sanguinário, ao contrário de Herodes, o Grande, exceto pelo facto de apreciar jogos sangrentos de gladiadores. Herodes Agripa I pretendia matar Tiago, Pedro e, provavelmente, outros, para ganhar popularidade. Aparentemente, estava muito preocupado em garantir o apoio dos seus súbditos judeus, para que estes não se queixassem dele a Roma. Agripa I convenceu Calígula a não colocar uma estátua sua no Templo, no ano 40 d.C.

Os judeus poderiam não apreciar verdadeiramente o favor que Herodes lhes concedeu durante a Páscoa, e provavelmente não era apropriado proceder a execuções durante a Páscoa de qualquer forma, pelo que Herodes preferiria esperar até que a semana terminasse para executar Pedro.

Em 40 d.C., o imperador Calígula pretendia erguer uma estátua sua em Jerusalém, mas Herodes convenceu-o a desistir dessa ideia.

Consulte os livros 18 e 19 de «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, para mais informações.

P: Em Atos 12:6, como é que Pedro conseguiu dormir tão profundamente na noite anterior à sua execução?

R: As pessoas com dificuldades em dormir certamente gostariam de ter o que Pedro tinha! Pedro tinha a certeza de que Deus o estava a proteger e de que as palavras de Jesus não falhariam. Pelo que se lê em João 21:18-19, Pedro sabia com certeza que não morreria até chegar à velhice. Imagine se soubesse que ninguém nem nada poderia matá-lo, até ao momento em que Deus o permitisse. No entanto, Pedro continuava a dormir profundamente, apesar de saber que o apóstolo Tiago tinha sido decapitado pouco tempo antes.

Pedro encontrava-se provavelmente na fortaleza segura de Antónia, no lado norte de Jerusalém. Normalmente, um prisioneiro seria acorrentado a, no máximo, um guarda. Mas Pedro estava acorrentado a dois guardas. Era vigiado por quatro esquadras de quatro soldados cada, conforme se lê em Atos 12:4. Talvez cada esquadra tivesse um turno de seis horas. Por que razão teriam eles tanta segurança para apenas um homem desarmado? Lembre-se de que esta era a segunda vez que as autoridades lidavam com Pedro. Um anjo tinha feito com que Pedro escapasse, em Atos 5:18-21.

Podemos não ter qualquer garantia quanto ao tempo que viveremos nesta terra, mas temos a promessa de que Deus cuidará de nós e de que viveremos para sempre no Céu. Por isso, durma bem.

P: Em Atos 12:15, por que razão pensaram que «o anjo de Pedro» tinha aparecido à porta?

R: Existem duas interpretações.

1. A interpretação mais simples é que pensaram que Pedro tinha sido morto e que se tratava do espírito de Pedro.

2. No entanto, poderiam ter utilizado outros termos, tais como «o seu espírito» ou «o seu fantasma», em vez de «o seu anjo». Talvez acreditassem que, uma vez que as pessoas têm anjos da guarda, se tratava do seu anjo da guarda, que se assemelhava a Pedro.

Seja como for, estas eram as crenças dos jovens cristãos naquela casa. A Bíblia mostra que estavam errados neste caso, porque foi o próprio Pedro que apareceu.

P: Em Atos 12:23, qual é a evidência extra-bíblica de que Herodes morreu repentinamente devido a vermes?

R: O escritor judeu Josefo relata o seguinte em «Antiguidades dos Judeus», 19.8.2. (c. 93-94 d.C.)

«Quando Agripa já tinha reinado durante três anos completos sobre toda a Judeia, dirigiu-se à cidade de
Cesareia, que anteriormente se chamava Torre de Strato. Ali organizou espetáculos em honra de César, inaugurando-os como um festival pelo bem-estar do imperador. E reuniram-se ali uma multidão de funcionários provinciais e daqueles que tinham sido promovidos a cargos de destaque. No segundo dia do espetáculo, vestiu uma túnica inteiramente feita de prata, de uma tecelagem verdadeiramente maravilhosa, e chegou ao teatro ao raiar do dia. Então, a prata brilhou quando os primeiros raios de sol incidiram sobre ela e cintilou maravilhosamente, sendo que o seu resplendor inspirava uma espécie de temor e tremor naqueles que a contemplavam. Imediatamente, os seus bajuladores clamaram de vários cantos, com palavras que, na verdade, não eram para o seu bem, dirigindo-se a ele como a um deus e invocando-o com o grito: «Sede propício! Se até agora vos reverenciamos como um ser humano, doravante confessamos que sois superior à natureza mortal.»

O rei não os repreendeu, nem repudiou a sua lisonja ímpia. Mas, ao levantar os olhos pouco depois, viu a coruja pousada numa corda acima da sua cabeça e reconheceu-a imediatamente como uma mensageira do mal, tal como outrora fora uma mensageira do bem, e uma pontada de dor perfurou-lhe o coração. Surgiu também uma dor intensa no seu ventre, que começou com um ataque violento… Assim, foi rapidamente transportado para o palácio e a notícia espalhou-se rapidamente entre todos de que ele certamente morreria em breve… E quando, após ter sofrido continuamente durante cinco dias com a dor no ventre, partiu desta vida no seu quinquagésimo quarto ano de idade e no sétimo do seu reinado.»

Como nota à parte, isto não era algo que acontecesse frequentemente a judeus obedientes que nunca comiam animais impuros.

Embora Josefo e os Atos sejam semelhantes, as diferenças são suficientemente grandes para demonstrar que Lucas não poderia ter simplesmente copiado de Josefo, nem vice-versa. Provavelmente tratava-se de lombrigas intestinais, que podem atingir até 16 polegadas de comprimento.

P: Em Atos 12:2,7, Tiago, João e Pedro eram três dos discípulos mais próximos de Jesus. Por que razão acha que os três tiveram mortes tão diferentes?

R: As Escrituras não o dizem, nem indicam que algum deles fosse «mais merecedor» ou que houvesse qualquer outra razão. Mas isto é semelhante ao que acontece com os cristãos de hoje. Alguns cristãos vivem muito tempo e têm uma morte pacífica. Outros parecem (pelo menos à nossa visão muito limitada) que a sua vida foi interrompida prematuramente por algum acidente ou doença. Outros morrem gloriosamente como mártires, sem recorrer à violência enquanto lhes era infligida, enquanto serviam o Senhor. No fim de contas, isto mostra-nos que Deus lida connosco individualmente de formas diferentes.

Mas quem acha que foi o «mais afortunado»? Tiago, que foi martirizado rapidamente e que escapou a tantas tentações? Pedro, que morreu muito mais tarde, por volta de 63 d.C., como mártir, crucificado de cabeça para baixo em Roma? Ou João, que conseguiu exercer o seu ministério durante mais tempo, mas não morreu como mártir? Não se pode julgar a qualidade da vida de uma pessoa pela sua duração. Na verdade, porém, não precisa de julgar a qualidade da vida de outra pessoa de todo; Deus fará isso, não o senhor.

P: Em Atos 12:2,7, por que razão Deus salva algumas pessoas, algumas de forma milagrosa, e outras não?

R: Paulo responde a esta questão em Filipenses 1:22-25. Deus poderia levar Paulo para junto de Si imediatamente, mas Paulo acreditava que Deus queria que ele permanecesse por algum tempo para realizar a obra que tinha de fazer aqui. Numa banda desenhada de «Calvin e Hobbes», Calvin diz: «Deus colocou-me na Terra para realizar certas coisas e, ao ritmo a que vou, vou viver para sempre!» A teologia de Calvin pode nem sempre ser a melhor. Mesmo assim, Deus poderia fazer com que fôssemos para o céu neste preciso momento, mas Deus adia isso, dando-nos a oportunidade de O servir e glorificá-Lo na Terra. Aproveite ao máximo as oportunidades que lhe foram concedidas.

P: Em Atos 12:13-16, o que há de um tanto embaraçoso nesta situação?

R: O embaraço não se deve tanto a Roda (nome grego para Rosa), que se esqueceu de abrir a porta devido ao seu espanto. Trata-se, antes, dos cristãos que se encontravam na casa, que estavam a orar por Pedro em Atos 12:5, e que repreendiam Roda por lhes ter, essencialmente, dito que Deus tinha respondido à sua oração. Nota pessoal: se vai orar por algo, acredite que isso vai acontecer! Como diz o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 902, esta foi provavelmente a única ocasião em que foi mais fácil sair da prisão do que entrar numa reunião de oração!

P: Em Atos 12:17, será que «a outra» poderia ter sido Roma, e que Pedro lá permaneceu durante 25 anos, como alguns teólogos católicos romanos têm sugerido?

R: Não, não há qualquer indício de que o local fosse Roma, tal como não há de que fosse a China. No entanto, Pedro estava em Jerusalém — ou de volta a Jerusalém — em Atos 15:7, apenas alguns anos mais tarde. Depois disso, Pedro esteve em Antioquia, na Síria, em Gálatas 2:11, e viajou por várias regiões, segundo Paulo em 1 Coríntios 1:12; 9:5.

P: Em Atos 12:18-19, por que razão os guardas estariam preocupados?

R: Ao abrigo da lei romana, tal como o Código de Justiniano 9.4.4., um guarda que permita a fuga de um prisioneiro sofre a mesma pena que o prisioneiro teria sofrido. O texto grego em Atos diz simplesmente que os guardas «seriam levados», o que provavelmente significa que seriam executados.

P: Em Atos 12:25 e Atos 15:37, este João Marcos é o mesmo que escreveu o Evangelho de Marcos?

R: Sim.

P: Em Atos 13:1, quais eram esses cargos e o que significava aqui a imposição das mãos?

R: É interessante que, na igreja de Antioquia, existissem dois cargos distintos: profetas e mestres. Os profetas eram Simeão, Lúcio e Manaém. Não se tratava de uma ordenação, pois Barnabé também exercia o ministério na igreja, tal como Saulo. Manaém e Herodes Antipas (o tetrarca que julgou Jesus) foram ambos criados na casa de Herodes, o Grande. Manaém tornou-se um seguidor, enquanto Herodes, o Tetrarca, opôs-se ao cristianismo e mandou decapitar João Batista.

P: Em Atos 13:1, Simão/Simeão Níger era originário do país africano do Níger?

R: Não. O país ainda não existia naquela altura, e «niger» é simplesmente a palavra latina para «preto». Ele poderia ter sido negro. No entanto, como o Sr. White ou a Sra. Green lhe poderão dizer, os apelidos não denotam necessariamente a cor da pele. Contudo, a Bíblia de Estudo NIV afirma que este apelido poderia indicar a sua tez escura.

Isso não importa, pois, como o «Comentário Bíblico do Crente», na página 1619, afirma acertadamente: «Foi criado um novo critério: não importa quem é, mas a quem pertence.»

P: Em Atos 13:1, será que Lúcio de Cirene poderia ser o mesmo que Lucas, o autor do Evangelho de Lucas e dos Atos?

R: Muito provavelmente não. Embora «Lucas» fosse uma forma abreviada de «Lúcio» (assim como «Lucano»), nada indica que Lúcio e Lucas fossem a mesma pessoa.

P: Em Atos 13:1-15, qual é a diferença entre evangelizar «à medida que avança» e fazer um desvio do seu caminho para evangelizar?

R: Estar preparado para e praticar o «evangelismo espontâneo» é positivo. Inicialmente, não tinha planeado partilhar o evangelho, mas surgiu a oportunidade e conseguiu fazê-lo. No entanto, o evangelismo intencional é igualmente válido, quando planeia e partilha com alguém. Fazer apenas evangelismo não intencional não substitui o evangelismo intencional, e vice-versa. Quando foi a última vez que fez evangelismo não intencional? Quando foi a última vez que fez evangelismo intencional?

Atos 13:1-15 marca o início do evangelismo intencional, indo estrategicamente para onde o evangelho ainda não tinha sido proclamado. Primeiro, dirigiram-se a Chipre, de onde Barnabé era natural (Atos 4:36). Atos 13:5 não diz que proclamaram a mensagem numa «sinagoga», mas sim em «sinagogas» (no plural), pelo que deve ter havido uma grande população judaica em Chipre. Paulo era natural de Tarso, e iriam passar por lá também. Mas, depois disso, iriam para «lugares desconhecidos».

É bom partilharmos o evangelho «de forma não intencional», mas também irmos intencionalmente a locais que nos são familiares e partilharmos o evangelho com aqueles que precisam de o ouvir. Depois, é bom também irmos a «lugares desconhecidos» para vermos como Deus nos usaria para partilhar o evangelho também por lá.

P: Em Atos 13:6, por que razão o feiticeiro se chamava Bar-Jesus?

R: Bar-Jesus significa «filho de Jesus». Talvez o seu pai se chamasse Jesus/Josué. Em termos alegóricos, pode dizer-se que as seitas de hoje tentam ser «filhos de Jesus». Afirmam ser compatíveis com o cristianismo e, além disso, afirmam ser versões «novas e melhoradas» do que Jesus ensinou.

Enquanto a missão em Samaria se deparou com Simão, o Mago, a missão para além da Palestina deparou-se com Elimas (Bar-Jesus). Lucas escreveu esta secção de forma a que o leitor pudesse perceber os paralelos.

P: Em Atos 13:6, por que razão um procônsul aparentemente sensato empregaria um mago na sua corte?

R: Na sociedade romana, os magos eram contratados não só por funcionários do governo, mas também por muitas outras pessoas, «como atestam os escritores romanos, desde Horácio a Lívio». De acordo com *The Expositor’s Greek Testament*, vol. 2, p. 286. Acrescenta-se ainda que, frequentemente, o cepticismo e a credulidade podem coexistir na mesma pessoa. Isso também se verifica hoje em dia.

P: Em Atos 13:6-13, que evidências extra-bíblicas existem relativamente a Sérgio Paulo?

R: Existem duas fontes.

1. Uma inscrição em Soli (atual Karavastasi), na costa norte de Chipre, menciona o procônsul Paulos. (Inscriptiones Graecae ad res Romanas pertinentes, 3:930). Uma inscrição em Antioquia da Pisídia relativa a L. Sérgio Paullus, um propretor da Galácia entre 72 e 74 d.C., provavelmente referia-se ao seu filho.

2. O escritor cristão primitivo Tertuliano (198-220 d.C.), na obra «Sobre a Idolatria», cap. 9, p. 66, menciona que o mago que servia Sérgio Paulo perdeu a visão.

Uma possibilidade adicional é um Lúcio Sérgio Paulo que foi «curador do Tibre» sob o imperador Cláudio. (Corpus Inscriptionum Latinarum 6.4.2, n.º 31545). Possivelmente, após o seu mandato, foi enviado para Chipre como procônsul.

A título de nota à parte, Sérgio Paulo tinha uma filha, Sérgia Paulla, que era cristã, e o seu filho, Gaio Caristânio Fronto, que se tornou senador romano, também era cristão.

Numa nota relacionada, alguns manuscritos apresentam «Etymas» ou «Hetiomos» em vez de «bar Jesus», Elymas (mago / sábio / o erudito). Josefo escreve sobre um mago judeu em Chipre chamado Atomos, que foi contratado por Félix para persuadir a esposa de Azizus, Drusila, a abandonar o seu marido/noivo e casar-se com Félix, juntamente com as suas outras três esposas.

P: Em Atos 13:7, qual era a diferença entre um procurador e um procônsul?

R: A maioria das províncias estava sob a alçada do imperador, mas algumas, incluindo Chipre, estavam sob a alçada do Senado. Para governar as províncias, os procuradores eram nomeados pelo imperador romano, enquanto o Senado romano nomeava os procônsules.

Esta costumava ser uma grande dificuldade bíblica. Se Chipre fosse uma província imperial, Lucas estaria errado ao utilizar a palavra «procónsul»; pareceria que deveria ter utilizado a palavra «procurador». No entanto, descobriu-se que o Imperador e o Senado tinham feito uma «troca» e, nessa altura, Chipre estava sob a alçada do Senado, pelo que Lucas utilizou, de facto, a palavra correta. Alguém poderia não ter conhecimento desta troca, a menos que vivesse nessa época ou por volta dela. Além disso, foi encontrada uma inscrição relativa ao «procónsul» Paulo.

P: Em Atos 13:7-9, será que Saulo de Tarso terá, porventura, adotado o seu novo nome romano a partir de Sérgio Paulo, o procônsul de Pafos?

R: Esta é a primeira vez que o nome «Paulo» foi utilizado para Saulo de Tarso e, por isso, a obra «Ante-Nicene Fathers», vol. 5, p. 562, afirma que tal pode ter acontecido. No entanto, não há qualquer outro fundamento para essa especulação. «Paulo» significa «pequeno» em latim.

P: Em Atos 13:9-11, por que razão Saulo repreendeu Elimas de forma tão severa?

R: Há um momento e um lugar para uma repreensão severa, e este era o caso. Elimas não só tinha escolhido deliberadamente rejeitar a verdade, como também estava a tentar ativamente afastar os outros da verdade. Em 1 Tessalonicenses 2:16, Paulo fala daqueles que se opunham ativamente à mensagem de Deus. Paulo também já tinha estado cego, tanto espiritualmente como fisicamente, pelo que sabia bem como isso era. Talvez Paulo tenha pensado que esta seria a única esperança para Elimas.

Em 2 Pedro 2:20-21, Pedro fala de algumas pessoas para quem teria sido melhor não conhecer a verdade do que conhecê-la e rejeitá-la. Hoje, devemos distinguir entre quatro tipos de pessoas.

1. Algumas provavelmente desejarão conhecer a verdade e segui-la. Devem ser instruídas.

2. Outras, tal como em 2 Pedro 2:20-21, rejeitarão a verdade que lhes for apresentada. Dar-lhes mais pode ser como atirar pérolas aos porcos. Uma pergunta que gosto de fazer às pessoas na Igreja da Unificação do Rev. Moon é esta: «Se, de alguma forma, descobrisse com certeza que o Rev. Moon não era enviado por Deus, o que faria? Continuaria a segui-lo na mesma, ou procuraria a verdade, fosse ela qual for?» Já fiz esta pergunta a várias pessoas e apenas uma vez recebi a resposta de que «seguiriam a verdade».

3. Alguns, como Elimas, não só rejeitam a verdade, como tentam afastar os outros dela. O facto de Elimas ter ficado cego foi mais uma manifestação da veracidade das palavras de Deus. Isto não se fez tanto para ajudar Elimas, mas sim para autenticar a verdade perante Sérgio Paulo e outros.

4. Recém-conhecidos: não sabemos em que categoria se enquadram.

P: Em Atos 13:11, que tipo de névoa caiu sobre Elimas?

R: Isto não significa que tenha chovido água sobre Elimas, mas sim que a sua visão se estava a tornar turva, como se estivesse envolta numa névoa.

P: Em Atos 13:13, por que razão acha que João (também conhecido como João Marcos) os deixou tão abruptamente para regressar a Jerusalém?

R: Embora as Escrituras não indiquem a razão pela qual João Marcos os abandonou, podemos especular sobre algumas possibilidades que explicam por que razão os crentes, por vezes, abandonam o seu trabalho com outros crentes nos dias de hoje.

Não era exatamente para isto que João Marcos se tinha comprometido.

Barnabé era o líder original e, agora, era Paulo.

Estavam a pregar principalmente aos judeus e, agora, aos gentios.

A estrada que atravessava os montes Tauro era perigosa.

A cidade de Perge sofria de malária, e talvez Paulo tenha contraído a doença lá. Paulo referiu ter tido alguma doença em Gálatas 4:13.

A mãe de Marcos poderia ter sido viúva (Atos 12:12). Talvez Marcos sentisse saudades de casa.

P: Em Atos 13:14, em que província se situava «Antióquia da Pisídia»? (uma pergunta capciosa)

R: Na verdade, não se situava na Pisídia, mas mesmo ao lado da Pisídia, na Frígia. Era historicamente chamada de Antioquia da Pisídia para a distinguir da outra Antioquia, que também se situava na Frígia. Foi fundada por Seleuco Nicátor em 281 a.C., em honra do seu pai ou do seu filho, ambos chamados Antíoco. Havia uma grande influência romana naquela região, pois, em 25 a.C., o Imperador Augusto transferiu para lá 3 000 veteranos do exército e as suas famílias.

P: Em Atos 13:16, por que razão Paulo se levantou para falar, enquanto que em Lucas 4:16,20 Jesus se levantou para ler as Escrituras e se sentou para falar?

R: Filo, o erudito judeu de Alexandria, também afirma que os oradores se mantinham de pé ao dirigirem-se à congregação. Aparentemente, pelo menos na Palestina, mantinham-se de pé ao lerem as Escrituras e sentavam-se ao explicá-las. Dessa forma, as pessoas podiam distinguir quais as palavras que constituíam as Escrituras e quais eram apenas a sua interpretação das mesmas. Mas quando não estavam a explicar uma passagem, pelo menos fora da Palestina, mantinham-se de pé para falar, tal como os oradores gregos e romanos se mantinham de pé para falar.

P: Em Atos 13:19, quem eram as sete nações de Canaã que os israelitas conquistaram?

R: Quando Paulo falava, aparentemente tinha em mente (por ordem alfabética) os amorreus, os cananeus, os girgaseus, os hititas, os heveus, os jebuseus e os perizeus. Deuteronómio 7:1, Josué 3:10 e Josué 24:11 apresentam estas sete nações numa ordem diferente, pelo que não há nada de especial na ordem.

As nações estavam, de certa forma, interligadas, uma vez que existiam muitas pequenas cidades-estado. Êxodo 3:8; 3:17; Êxodo 23:23; Deuteronómio 20:17, Josué 12:8 e Juízes 3:5 mencionam seis nações, sendo que cada um desses seis versículos omite os girgaseus. Êxodo 13:5 menciona apenas cinco nações, omitindo os girgashitas e os perizitas. 1 Reis 9:20 e 2 Crónicas 8:7 também mencionam cinco nações, omitindo os girgashitas e os cananeus.

Consulte a discussão sobre Deuteronómio 7:1 para obter mais informações sobre as nações que habitavam em Canaã antes dos israelitas.

P: Em Atos 13:20, o que significa «cerca de 450 anos antes de Josué até Samuel» para a cronologia do Antigo Testamento?

R: Os israelitas foram oprimidos durante 400 anos no Egito, vaguearam pelo deserto durante pelo menos 40 anos e a conquista de Josué durou até dez anos.

Isto é semelhante ao que diz 1 Reis 6:1, que Salomão construiu o templo no 480.º ano após a saída dos israelitas do Egito. Os arqueólogos têm razoável certeza de que o templo de Salomão foi concluído em outubro/novembro de 960 a.C. (Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 1673). Isto situaria o Êxodo por volta de 1440 a.C. Uma vez que Samuel faleceu cerca de 30 anos antes da conclusão do templo de Salomão, tal data corresponderia a cerca de 990 a.C.

A data de 1440 (ou 1447/6 a.C.) para o Êxodo é importante, porque, no início do século XX, muitos defendiam que o Êxodo tinha ocorrido mais de cem anos depois. No entanto, essa data mais tardia não se coaduna muito bem com as evidências arqueológicas.

P: Em Atos 13:22, como é que Davi poderia ser um homem segundo o coração de Deus, uma vez que pecou com Bate-Seba e Urias?

R: O pecado de David foi terrível. A boa notícia é que David se arrependeu e Deus aceitou o seu arrependimento. É claro que houve disciplina e consequências: a criança morreu, a espada não se afastou da casa de David e os seus filhos amados, Amnon e Absalão, morreram ambos de forma violenta. Absalão matou Amnon. Absalão foi morto depois de David ter enviado o seu exército para reprimir a revolta de Absalão.

Todas estas coisas negativas continuam a ser insignificantes quando comparadas com o facto de Deus ter perdoado Davi com misericórdia. Deus não só perdoou Davi, como «perdoa e esquece». Embora Deus não «perca informação», Ele opta por considerar Davi como se esses pecados nunca tivessem sido cometidos.

Deve ser óbvio para todos que, quando Davi, Salomão, Abraão ou outros cometeram algum pecado, os cristãos não têm necessidade de seguir o seu mau exemplo. Deus não nos chama para pecar como eles pecaram. No entanto, quando Jesus deu o exemplo de fazer algo, acredito que devemos seguir o Seu exemplo.

P: Em Atos 13:30, como é que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos, uma vez que Jesus é Deus?

R: Trata-se de uma repetição da resposta a Gálatas 1:1.

Até os seres humanos podem trabalhar em conjunto. Os três membros da Trindade trabalharam juntos ainda mais neste maravilhoso milagre. Eis o que dizem as Escrituras.

1. O Pai esteve envolvido. (1 Tessalonicenses 1:10; Atos 3:26)

2. Jesus esteve envolvido na Sua própria ressurreição. (João 2:19-21;10:18 )

3. O Espírito esteve envolvido. (Romanos 8:11)

4. Deus fê-lo. Atos (17:31 ;2:32 ;3:15 ; Hebreus13:20 )

5. O Pai e/ou o Espírito. (2 Coríntios 4:14)

P: Em Atos 13:32-33, o cético Bart Ehrman escreve: «Neste texto, o “dia” em que Jesus foi gerado como Filho de Deus foi o dia da ressurreição.» Em seguida, Ehrman questiona como é que isso se concilia com o facto de Jesus ter sido gerado em Lucas 3:22. (Jesus, Interrupted, p. 95)

R: É geralmente aceite que ambas as passagens são da autoria de Lucas, e Lucas certamente não viu qualquer problema aqui. Parece que Ehrman não leu nem Lucas nem Atos com muita atenção. Três pontos a considerar na resposta.

a) Lucas 3:22 não diz que Jesus foi gerado no Seu batismo, nem que se tornou Filho de Deus no Seu batismo. Em vez disso, o Pai reconheceu: «Tu és o meu Filho», sem especificar quando isso ocorreu.

b) Da mesma forma, Atos 13:32-33 também não afirma que Jesus se tornou Filho de Deus na Sua ressurreição. Cita o Salmo 2, sem especificar quando, e passa depois à demonstração das credenciais de Jesus através da Sua ressurreição.

c) Portanto, Ehrman está errado quanto ao momento em que Jesus se tornou o Filho de Deus, mas quando é que, exatamente, Jesus se tornou o Filho de Deus? De acordo com o cristianismo, Jesus era o Filho de Deus em dois sentidos distintos. Em primeiro lugar, Ele sempre foi o Filho de Deus, desde antes do início dos tempos. Em segundo lugar, o Pai era a figura mais próxima de um pai biológico que Jesus tinha, embora o corpo de Jesus não fosse fruto de uma relação sexual.

P: Em Atos 13:32-37, de que forma a combinação de Salmos 2:7 e 2 Samuel 7:14 é messiânica?

R: Podemos ver hoje que estas passagens se referem ao Messias, mas mesmo naquela época, um comentário pesher encontrado em Qumrán, denominado 4QFlorilegium, também associa o Salmo 2:7 e 2 Samuel 7:14 como se referindo ao Messias.

P: Em Atos 13:41, de que forma Habacuque 1:5 é messiânico?

R: Habacuque 1:5 refere-se ao Messias, de acordo com o rolo do Mar Morto 1QpHab.

P: Em Atos 13:42-43, como é que Paulo e Barnabé puderam ser recebidos favoravelmente, mas depois rejeitados em Atos 13:45?

R: Pessoas diferentes podem ter opiniões diferentes, e as opiniões das pessoas podem mudar. Tanto os gentios como, inicialmente, os judeus queriam ouvir Paulo e Barnabé em Atos 13:42-45. Mas depois de os terem ouvido, uma semana mais tarde, alguns dos líderes judeus ficaram cheios de inveja perante a acolhida que Paulo e Barnabé estavam a receber de outros judeus e gentios, e opuseram-se a eles.

P: Em Atos 13:46-47, como é que alguns se puderam considerar indignos da vida eterna? Não são todos indignos da vida eterna?

R: Ninguém na Terra é suficientemente bom para ir para o céu sem Cristo; mas não é esse o ponto que Paulo quer sublinhar aqui. Em vez disso, Paulo critica estas pessoas por terem optado por não ouvir, e muito menos acreditar, no dom gracioso da vida eterna concedido por meio de Jesus.

P: Em Atos 13:48, o que diz este versículo sobre a eleição?

R: Este versículo limita-se a dizer que, quando Paulo se dirigiu a esta multidão em particular, todos os eleitos (as pessoas que iriam para o Céu) presentes naquela multidão acreditaram naquele momento.

P: Em Atos 13:50, como é que eles puderam causar problemas a Paulo e a Barnabé?

R: O judaísmo, nessa altura, era uma religião legal no Império Romano. Mas, uma vez que os judeus podiam dizer aos romanos que a pregação de Paulo não era judaísmo legítimo, os romanos podiam expulsá-los por pregarem uma religião ilegal.

P: Em Atos 13:52, se os discípulos estavam continuamente cheios de alegria e do Espírito Santo, os cristãos de hoje deveriam ser assim?

R: Sim. Talvez fosse mais fácil naquela época, com os apóstolos por perto e a ressurreição de Jesus a apenas alguns anos de distância, mas a ordem de Paulo em Filipenses 3:1 é tão válida hoje como o era no seu tempo. Não devemos idealizar a igreja primitiva. Eles também tinham problemas significativos, como demonstram 1 Coríntios, Gálatas, Colossenses e as sete igrejas no livro do Apocalipse.

P: Em Atos 14:2, o que pode fazer quando Satanás atua em alguns não crentes para envenenar a mente de outros contra a mensagem?

R: Satanás atua tanto no domínio espiritual como no físico, pelo que a coisa mais importante que pode fazer é orar por eles e para que Deus amarre Satanás nesta situação. Em segundo lugar, podemos certificar-nos de que estamos a brilhar como luzes para Cristo e a demonstrar o nosso amor e paciência.

Atos 14:3 diz que Paulo e Barnabé «passaram bastante tempo ali». Aparentemente, precisaram de uma longa permanência para contrariar as mentiras de Satanás. Algumas lutas demoram muito tempo, e devemos ter a perseverança necessária para resistir ao ataque de Satanás contra essas pessoas.

Atos 14:3 diz que Deus concedeu sinais e maravilhas para revelar a verdade. Não podemos limitar-nos a orar, mas devemos confiar no poder de Deus por meio da oração. Para além das suas palavras, pode também dar testemunho através do seu caráter e da forma como lida com o sofrimento e a perseguição.

P: Em Atos 14:6, o que é significativo no facto de eles terem «partido» para a Licaónia?

R: Icônio, Listra e Derbe situavam-se todas na vasta província da Galácia. A Galácia era tão extensa que foi dividida em cinco distritos, incluindo a Frígia e a Licaónia. De acordo com os escritores romanos Cícero e Plínio, na sua «História Natural» 5.25, todas as três cidades situavam-se na Licaónia. No entanto, o arqueólogo Sir William Ramsay demonstrou que Icônio fez parte da Frígia entre os anos 37 e 72 d.C., um período de tempo relativamente curto. Assim, não só estes acontecimentos ocorreram nessa altura, como isso indicaria que o autor, Lucas, teria de ter vivido nessa época para ter conhecimento disso, uma vez que, posteriormente, todas elas passaram a fazer parte da Licaónia.

P: Em Atos 14:8-13, quão surpreendidos ficariam os pagãos ao testemunhar este milagre?

R: Talvez não tão surpreendidos como poderíamos esperar. Eles acreditavam que os seus deuses e deusas eram capazes de realizar milagres, pelo que tentaram interpretar os milagres de Paulo como sendo semelhantes aos milagres dos seus deuses.

P: Em Atos 14:11-13, em que medida é que este ataque satânico é pior do que outros?

R: Se Paulo e Barnabé se tivessem limitado a não fazer nada e a não responder, o foco estaria nos servos de Cristo e não em Cristo. Isso quase poderia ter acontecido, uma vez que Paulo e Barnabé não sabiam o que estavam a gritar na sua língua local. O foco teria recaído sobre a interpretação de que aquele poder provinha dos ídolos pagãos, em vez de provir do verdadeiro Deus. Hoje em dia, uma obra de Deus pode centrar-se demasiado nas pessoas que a realizam, e não em Deus. Nesse caso, é fácil para Satanás «cooptar» ou desviar o ministério para servir os seus propósitos.

P: Em Atos 14:12-14, por que razão os habitantes de Listra pensariam que Paulo e Barnabé eram Zeus e Hermes?

R: Ovídio foi um poeta latino que viveu entre 43 a.C. e 18 d.C., cerca de 50 anos antes de Paulo e Barnabé. Ovídio é o único escritor a registar isto: no oitavo livro das suas «Metamorfoses» (versos 626 e seguintes), conta que Zeus e Hermes chegaram a Listra sem serem reconhecidos e visitaram um casal de idosos chamado Filemão e Baucis. Eles acolheram-nos na sua casa, quando mais ninguém o fez. Zeus e Hermes destruíram as outras casas, mas transformaram a casa deles num templo com colunas de mármore e um telhado dourado. Tornaram-se guardiões do templo. Os deuses concederam-lhes o desejo de que, quando um morresse, o outro também morresse. Quando morreram, foram transformados em árvores entrelaçadas. Assim, de entre todos os deuses gregos, é provavelmente por esta razão que os frígios pensaram que poderiam ser Zeus e Hermes.

Foram oferecidos touros e guirlandas a Zeus e a Hermes, de acordo com as «Metamorfoses» de Ovídio 4.755, as «Sátiras» de Persio 2.44, a «Eneida» de Virgílio 5.366 e a peça «Héracles» de Eurípides 529.

Uma inscrição em Sedasa, perto de Listra (c. 250 d.C.), regista a dedicação a Zeus de uma estátua de Hermes por homens com nomes licaónios.

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.), na obra «Exortação aos Pagãos», cap. 4, p. 186, apresenta vários outros exemplos de pessoas a quem se chamava de deuses ou mesmo de um deus específico. Ele refere que Ceixo, filho de Éolo, era chamado de Zeus pela sua esposa Alcione. O marido chamava-a de Hera. Ptolomeu IV era chamado de Dionísio. Alexandre desejava ser considerado filho do deus egípcio Amon e ter chifres nas suas estátuas. Menecrates, o médico, adotou o nome de Zeus. O gramático Alexarco desejava ser conhecido como o deus do sol. Nicágoras de Zela era chamado de Hermes e costumava vestir-se como Hermes. Ele também cita várias outras pessoas que eram adoradas como deuses.

Assim, as duas opções eram que Paulo e Barnabé fossem Hermes e Zeus, ou que fossem impostores. Na sua específica visão de mundo pagã, essas eram as únicas duas opções possíveis.

P: Em Atos 14:14, por que razão Paulo e Barnabé rasgaram as suas vestes?

R: Existem três pontos de vista.

1. Esta foi a forma que encontraram de tentar mostrar aos habitantes de Listra que usavam roupas comuns e que eram apenas homens comuns.

2. Era um sinal normal de angústia, ou de protesto e tristeza.

3. Era um costume judaico rasgar as vestes quando ouviam blasfémia. Os rasgos eram feitos a quatro a cinco polegadas da gola das vestes. A pessoa continuava a estar vestida com recato, mas as vestes ficavam arruinadas depois disso.

P: Em Atos 14:2, 19, o que há nas pessoas que poderia levar uma multidão a passar de querer adorar Paulo e Barnabé a apedrejar Paulo e deixá-lo à beira da morte?

R: Os seus maiores apoiantes transformaram-se nos seus maiores críticos e perseguidores. Isto ilustra a inconstância na sua forma mais extrema. Talvez a perspetiva dos habitantes de Listra fosse esta.

Alguns habitantes de Listra queriam adorar Paulo e Barnabé como deuses. Um segundo grupo pode ter-se questionado se eles seriam impostores.

1. Para o primeiro grupo, Paulo e Barnabé fizeram-nos parecer tolos.

2. Para o segundo grupo, não queriam deuses impostores. Quando outros afirmaram que Barnabé e Paulo eram Zeus e Hermes, e as pessoas descobriram que Barnabé e Paulo não o eram (porque lhes disseram), chegaram à conclusão precipitada de que Barnabé e Paulo eram impostores.

3. Para todos os habitantes de Listra, Paulo e Barnabé defendiam que abandonassem a sua adoração tradicional de ídolos para seguirem um «novo» Deus, para quem não podiam fazer ídolos.

4. Os sacerdotes dos ídolos, que ganhavam dinheiro com os sacrifícios, não queriam ouvir isto.

5. Os adoradores de ídolos, a quem basicamente se dizia que as suas oferendas passadas eram dinheiro desperdiçado, não queriam ouvir isto.

Infelizmente, muitas vezes é mais confortável acreditar numa mentira, quando a verdade implica admitir que se esteve errado no passado e que se desperdiçaram recursos e dinheiro.

P: Em Atos 14:10-20, por que razão acha que Deus não realizou mais um milagre, como fazer descer fogo do céu sobre as pessoas que apedrejaram Paulo, ou impedir que as pedras atingissem Paulo?

R: Paulo salientou que ele e Barnabé eram apenas seres humanos como eles, em Atos 14:14-18. Salvá-los de forma sobrenatural daria a impressão de que possuíam defesas sobre-humanas e reforçaria a ideia de que, na verdade, também eram divindades.

Mais tarde, depois de Paulo ter sido apedrejado, regressaram ao local onde isso aconteceu. Embora pudessem ter tomado um atalho — apenas 160 milhas de volta a Antioquia, na Síria —, em Atos 14:21 optaram pelo caminho mais longo, refazendo os seus passos e regressando uma segunda vez a Listra, Icônio e Antioquia.

É improvável que Paulo tivesse ficado tão gravemente ferido a ponto de ter sido dado como morto e se tenha recuperado naturalmente, uma vez que pessoas com ossos partidos e feridas graves não conseguem caminhar facilmente para outro local. Talvez Paulo tenha sido dado como morto, mas tenha recuperado, e Deus o tenha curado parcial ou totalmente. Ou talvez Paulo tenha sido realmente morto e Deus o tenha ressuscitado. Embora as Escrituras digam apenas que Paulo foi dado como morto, talvez porque, quer Deus o tenha curado das suas feridas, quer o tenha curado da «morte», Paulo voltou a pregar de qualquer forma.

P: Em Atos 14:15-17b, por que razão acha que Paulo não citou o Antigo Testamento nesta passagem?

R: Em Atos 14:15-17, Listra não tinha sinagoga; não havia muitos judeus ali. Deveria haver uma sinagoga se houvesse pelo menos dez homens judeus, de acordo com M. Sanhedrin 1:6 e M. Pirke Aboth 3:6 (The Expositor’s Bible Commentary, vol. 9, p. 460. Ver também o Evangelical Commentary on the Bible, p. 909).

O que Paulo disse aqui não era algo que costumasse dizer aos judeus. Os judeus já sabiam disso. Paulo não fez ênfase nas Escrituras nem na filosofia (como mais tarde em Atenas), mas sim na natureza e na futilidade dos ídolos.

P: Em Atos 14:19-20, como pregaria, sabendo que seria apedrejado, dependendo do que dissesse?

R: Num certo sentido, poder-se-ia dizer que Paulo recebeu o que «merecia», que teve o que lhe estava destinado. Enquanto Saulo de Tarso, perseguiu e matou outros cristãos, e agora seria perseguido e, eventualmente, morto pela sua fé. Mas Paulo não recuou perante isso; era destemido. Em vez de fugir do ministério, abraçou o seu chamamento, e até a perseguição foi utilizada para levar as pessoas a Deus. O que faria se fosse destemido? Não destemido porque Deus lhe tivesse dito que O impediria de ser apedrejado, atirado às feras ou morto, mas destemido porque, mesmo perante as coisas que sabia que estavam para acontecer, Paulo sabia que nada lhe aconteceria que Deus não pudesse usar para a Sua glória. «E sabemos que Deus faz com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que O amam, que são chamados de acordo com o Seu propósito.» (Romanos 8:28)

P: Em Atos 14:23, por que razão jejuaram naquela altura?

R: A par das suas orações, jejuaram para pedir orientação a Deus na ordenação de anciãos. Era um verdadeiro desafio nomear homens cristãos maduros como anciãos, quando estes eram cristãos há tão pouco tempo.

P: Em Atos 14:23, há quanto tempo é que estes anciãos estavam em Cristo? Deverá uma pessoa ser cristã há muito tempo antes de se tornar ancião?

R: Estas pessoas eram cristãs há apenas algumas semanas ou, no máximo, alguns meses. Assim, houve algum tempo entre o contacto inicial de Paulo e o seu regresso para que pudessem crescer na fé. No entanto, não foi muito tempo. Por outro lado, poder-se-ia argumentar que eles já tinham «caminhado com Deus» antes de conhecerem Cristo, enquanto judeus. Contudo, contra este argumento está o facto de, em Atos 14:15-17, Listra não ter sinagoga, pelo que quase não havia judeus em Listra.

1 Timóteo 3:6-7, escrito posteriormente, afirma que um ancião não deve ser um crente recém-convertido. Por isso, normalmente é aconselhável que a pessoa já seja cristã há vários anos. É interessante que tenham nomeado anciãos que viviam ali e conheciam a língua e a cultura, em vez de «importarem» anciãos de Antioquia ou de Jerusalém.

P: Em Atos 14:27, por que razão é importante que os missionários relatem à igreja o que fizeram?

R: Não se trata de se vangloriar, mas sim de relatar o que Deus fez por meio deles. Um dos objetivos é encorajar os crentes. Mas serve também para os orientar sobre como orar. Por fim, nos dias de hoje, serve para ajudar a igreja a tomar decisões sobre a afetação de fundos para as missões.

P: Em Atos 15:1-29, quais são as duas formas diferentes de estudar esta passagem?

R: A primeira forma consiste em centrar-se no que foi decidido; a segunda forma prende-se com a ideia de realizar um concílio pacífico para decidir as questões e chegar a um consenso. Nos primórdios do Islão, após Maomé, ocorreram desacordos e resoluções semelhantes, só que não lhes chamavam concílios; eram batalhas. (ou seja, as Batalhas do Camelo, de Siffin, de Harra e de Karbala).

P: Em Atos 15:1-29, terá Pedro sido o «Papa» do primeiro concílio da igreja, como alguns católicos romanos gostariam de afirmar?

R: Não. Pedro foi um líder neste concílio da igreja, mas não o único líder. A favor disto, temos o seguinte.

1. A controvérsia foi levada perante os apóstolos e outros em Atos 15:4,6.

2. Pedro falou em Atos 15:7-11, mas outros também falaram em Atos 15:1; Atos 15:2; Atos 15:5.

3. Pedro não teve a última palavra; Paulo e Barnabé (que apoiavam Pedro) falaram a seguir em Atos 15:12

4. A última palavra coube a Tiago, que proferiu o seu «julgamento» em Atos 15:13-21.

5. A carta que foi enviada não o foi como uma «bula papal», nem sequer pela autoridade de Pedro (Atos15:22 -29). Pelo contrário, foi enviada pela autoridade de todos os apóstolos e anciãos.

6. Por fim, a palavra «papa» deriva de «pappa», que significa «pai», e Jesus disse para não chamarem a ninguém de «pai» em Mateus 23:9.

P: Em Atos 15:1-6, estava presente toda a igreja, ou apenas Paulo, Tiago e os apóstolos?

R: Isto ocorreu por volta do ano 49 d.C. Era urgente reunir-se com bastante rapidez, para que esta potencial divisão não se agravasse. Além disso, note-se que os homens vieram da Judeia, mas Tiago, em Atos 15:24, afirma especificamente que não deram qualquer mandamento de que fosse necessário ser circuncidado primeiro. Existem duas perspetivas.

Toda a igreja: O «Believer’s Bible Commentary», pp. 1628 e 1629, afirma que, embora em Atos 15:6 pareça que apenas os apóstolos e os anciãos estavam presentes, Atos 15:12 parece indicar que se tratava de toda a igreja.

Apenas os anciãos: Atos 15:6 não indica que estivesse presente mais ninguém além dos apóstolos e dos anciãos. A «assembleia inteira» em Atos 15:12 pode referir-se à assembleia dos apóstolos e dos anciãos. No entanto, quando a decisão foi tomada, em Atos 15:22, esta foi anunciada aos apóstolos, aos anciãos e a toda a igreja. Assim, a liderança era transparente; toda a igreja podia ver o problema, ouvir os diferentes pontos de vista, observar como todos agiam e a resolução. Era possível compreender a posição dos judaizantes, uma vez que Génesis 17:14 afirma que um homem judeu deve ser «excluído» do povo se não for circuncidado. Até mesmo Êxodo 12:48-49 afirma que os homens estrangeiros que viviam entre eles, e que desejavam celebrar a Páscoa, precisavam de ser circuncidados. Assim, partindo do princípio de que todo o Antigo Testamento ainda estava em vigor (uma grande suposição), era possível compreender o seu ponto de vista.

A título de nota à parte, Atos 15:7 pode ser traduzido como «muita discussão», «debate», «inquérito» ou «questionamento». Cornélio (em Atos 10:1-11:18) foi mencionado em Atos 15:7, e isso aconteceu há dez anos.

P: Em Atos 15:1-3, de que forma o Movimento das Raízes Hebraicas e muitos adventistas do sétimo dia perpetuam hoje esta combinação da aliança de Deus em Cristo com a Lei do Antigo Testamento?

R: Estas duas heresias diferentes partilham o tema comum de tentarem acrescentar Jesus às leis da Antiga Aliança. É possível identificar se alguém pertence ao Movimento das Raízes Hebraicas pelo facto de afirmar seguir Cristo, mas não reconhecer que Paulo foi um apóstolo enviado por Deus. Normalmente, escrevem «G_d» ou «g_d» em vez de «Deus». Acreditam na observância do sábado (sábado) e nas leis alimentares mosaicas. Acreditam que Jesus se limitou a acrescentar algo à Lei mosaica.

Nem todos os Adventistas do Sétimo Dia acreditam exatamente da mesma forma, mas os mais «tradicionais» negam a Trindade, observam as leis alimentares mosaicas e guardam o sábado (sábado). Acreditam que a marca da besta está presente no mundo de hoje e que a marca da besta é o culto ao domingo. Imagine dizer aos seus filhos: «Não sei o que planeiam fazer hoje, domingo, mas seja o que for, é melhor que não envolva adorar a Deus!»

P: Em Atos 15:5, quando estes fariseus se tornaram cristãos, por que razão Deus não os esclareceu sobre a circuncisão e a Lei do Antigo Testamento?

R: As Escrituras não o dizem, e Deus tem a prerrogativa de revelar tanto ou tão pouco quanto desejar. Para aqueles que não aprendem algo que Deus já revelou, Deus tem a prerrogativa de «repeti-lo até que compreendam» ou de se abster de o fazer.

Embora não se pretenda aqui explicar exatamente por que razão Deus faz tudo o que faz, neste caso podemos fazer algumas observações que fornecem uma resposta razoável para o facto de Deus não corrigir imediatamente todos os erros de todos os cristãos professos.

Estar ligado a Cristo, tal como um ramo está ligado à videira (João 15), é aparentemente mais importante aos olhos de Deus do que termos sempre a resposta correta. Se uma pessoa não está ligada, o principal problema não são as suas respostas erradas, mas o facto de não estar ligada.

Fomos criados para precisarmos uns dos outros no corpo de Cristo (1 Coríntios12:17 -19,21-26). Cada crente tem algo a contribuir para o corpo, e a cada crente falta algo que só pode obter ao estar ligado aos outros.

Uma tentação que os cristãos enfrentam é permitir que as opiniões sobre questões secundárias se tornem tão importantes para nós, a ponto de deixarmos de obedecer ao mandamento de Deus de amar os outros e de trabalhar em conjunto. Por qualquer motivo que seja, Deus não removeu esta nem outras tentações. É sempre possível, se permitirmos que isso aconteça, que questões doutrinárias secundárias causem o naufrágio da nossa fé, do nosso testemunho coletivo e da nossa unidade entre outros verdadeiros cristãos.

A unidade em Cristo, apesar das nossas opiniões divergentes, é um desafio que Deus nos deu. Com um só coração e uma só voz, devemos (ainda assim) glorificar a Deus (Romanos 15:5-6). A unidade seria muito mais fácil se todos os cristãos tivessem opiniões idênticas. Dado que não as temos, a oração de Cristo foi para que, mesmo assim, fôssemos um (João17:21 -23). A Bíblia nunca diz que devemos criar uma unidade que não existe. Pelo contrário, Efésios 4:3 afirma que temos a responsabilidade de «preservar a unidade do Espírito». Havia diferenças doutrinárias entre os crentes em Romanos 14. Paulo aceitou os crentes que defendiam ambas as posições nessas questões secundárias, e devemos aceitar os outros crentes tal como Cristo os aceitou (Romanos 15:7).

O tempo e as prioridades de Deus são frequentemente diferentes dos nossos. Podemos querer que os outros sejam corrigidos imediatamente num pormenor específico, enquanto Deus deseja que a pessoa trabalhe primeiro noutras áreas.

Resumo: O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica (1 Coríntios 8:1). Deus está mais preocupado com o facto de aqueles que conhecem a verdade fundamental do evangelho O obedecerem, amarem os outros e viverem em unidade com outros cristãos verdadeiros, do que com o facto de estarmos corretos em todas as questões secundárias.

P: Em Atos 15:9, de que forma são os nossos corações purificados pela fé?

R: Deus declarou o Seu povo purificado aos Seus olhos quando Jesus morreu por nós na cruz. Pedro disse que foi «pela graça do Senhor Jesus», e não «pela graça mais a lei». No entanto, precisamos de experimentar a purificação nesta vida. Pela graça de Deus, através da nossa fé, Deus não só nos salvou e justificou, como também nos está a tornar puros e a santificar-nos.

Embora ninguém, exceto Jesus, venha a ter um coração puro e sem pecado até chegarmos ao céu, devemos passar pelo processo de purificação já agora, na terra. A purificação não é algo que possamos fazer sozinhos, mas algo que Deus faz por nós à medida que nos submetemos a Ele. A purificação não ocorre quando nos concentramos no pecado, repetindo «Não vou fazer isso, não vou fazer aquilo, etc.», mas sim pela fé, quando fixamos os nossos olhos em Jesus, tal como Colossenses 3:1-4 nos exorta a fazer. É significativo que a bela imagem em Colossenses 3:1-4 seja quase uma preparação para uma batalha (na verdade, uma luta até à morte) contra a nossa natureza pecaminosa, descrita em Colossenses 3:5-10.

P: Em Atos 15:14-21, qual é o resumo do discurso de Tiago?

R: Em Atos 15:14-18, Tiago explicava a obra recente entre os gentios, estabelecendo uma correlação entre a história dos acontecimentos e as profecias do Antigo Testamento. Em Atos 15:19-21, Tiago conclui o que deve ser feito e quais as restrições (e a ausência de restrições) que devem ser impostas aos crentes gentios. É interessante que Tiago refira o consumo de alimentos oferecidos aos ídolos e o consumo de sangue no mesmo contexto que a imoralidade sexual.

Ver The Expositor’s Greek Testament, vol. 2, pp. 320-321.

P: Em Atos 15:15-17, por que razão a citação de Tiago de Amós 9:11-12 coincide com a Septuaginta e não com o texto massorético? Eis Amós 9:11a, 12.

Texto Massorético: «Naquele dia, … Para que possuam (yaras em hebraico) o remanescente de Edom (Edom é ‘dm em hebraico) e todas as nações que são chamadas pelo Meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas.»

Septuaginta: «Naquele dia… para que o remanescente dos homens e todos os gentios sobre os quais o meu nome é invocado me busquem sinceramente, diz o Senhor, que faz todas estas coisas.»

Atos 15:17a «Depois disto… Para que o remanescente dos homens (Adão é «dm» em hebraico) busque (daras em hebraico) o Senhor, e todos os gentios a quem o Meu nome é invocado, diz o Senhor, que faz estas coisas»

Midrash 4QFlorilegium 1:12?

R: Isto é complicado porque o Antigo Testamento foi originalmente escrito sem vogais, e as consoantes para «Edom» e «Adão» (‘dm, traduzido como «homens») são as mesmas. A palavra para «possuir», yaras, difere da palavra hebraica para «buscar», daras, por apenas uma consoante. Esta citação encontra-se num manuscrito hebraico de Midrash descoberto nos Manuscritos do Mar Morto, denominado 4QFlorilegium 1:12, e é semelhante, mas não idêntica, à Septuaginta. O texto massorético apresenta «eles herdarão dos homens» e «o remanescente» é o objeto, ao passo que a Septuaginta e o 4QFlorilegium apresentam «eles procurarão dos homens» e «o remanescente» é o sujeito.

Em resumo, a citação de Tiago concorda com o 4QFlorilegium 1:12 hebraico. O texto massorético nem sempre é a melhor cópia.

P: Em Atos 15:16, o que é o tabernáculo de David?

R: A BSB traduz isto como «reconstruir a tenda caída de David». Tal como nos referiríamos à casa de fulano quando falamos da sua família, as culturas mais nómadas referir-se-iam às tendas. Este versículo é uma lembrança da promessa de Deus sobre a linhagem de David. A importância do trono de David é mencionada em 2 Samuel 7:16 e no Salmo 89:4. Cristo sentar-se-ia num trono em Mateus 19:28; 25:31. O objetivo de citar isto estava no versículo seguinte, sobre os gentios que levariam o nome de Deus. Parece que Deus se deleita em restaurar algo que está em ruínas; mas, muitas vezes, restaura-o de uma forma diferente da original. Alguns consideram que isto se cumpriu na Igreja; outros consideram que se cumprirá no Milénio.

P: Em Atos 15:20, as transfusões de sangue são erradas?

R: Não, as Escrituras não dizem isso. Naquela época, não existia o conceito de transfusões de sangue. Não estavam a introduzir quaisquer novas regras, mas o significado das suas declarações sucintas «abster-se de sangue» indicava claramente que ensinavam que as normas do Antigo Testamento relativas ao consumo de sangue continuavam a ser válidas. Receber o seu próprio sangue numa transfusão não é canibalismo contra si mesmo, e receber uma transfusão de sangue de outra pessoa também não é canibalismo, uma vez que nada é «comido».

P: Em Atos 15:20 e Atos 21:25, por que razão teriam eles estas quatro proibições aqui?

R: Em primeiro lugar, Tiago não se referia à salvação, mas à prática e à comunhão com os crentes judeus, e ao que os gentios deveriam obedecer. Aqui estão duas respostas possíveis. Analisemos ambas e, em seguida, decidamos qual delas está correta.

Resposta possível 1: Sensibilidade cultural para evitar ofender: Por vezes, um cristão pode abster-se de fazer algo, pelo menos em público, porque isso feriria a consciência de outros e levá-los-ia a considerar o cristão errado. Por exemplo, em Andhra Pradesh, na Índia, no século XXI, um hindu atirou um osso de carne de vaca para dentro de uma igreja. Em seguida, os hindus acusaram os cristãos de comerem secretamente carne de vaca dentro da igreja e, com base na evidência do osso de carne de vaca, a igreja foi demolida pelos habitantes da aldeia. Em tempos de perseguição, os cristãos podem abster-se de fazer coisas que lhes tragam perseguição imediata e que não estejam relacionadas com a pregação do evangelho. Em algumas igrejas, homens e mulheres sentam-se separadamente, porque seria culturalmente escandaloso que se sentassem juntos. No entanto, evitar a imoralidade sexual (porneia, em grego) é igual para todos os cristãos em todo o mundo. Um contra-argumento é que muitos cristãos consideram aceitável beber sangue (como a sopa de sangue na Alemanha e na China), e talvez a menção à porneia aqui tenha servido para enfatizar a necessidade de evitar até mesmo a mais leve aparência de imoralidade sexual. Alguns que consideram isto apenas como questões cerimoniais reinterpretam-no no sentido de se referir apenas a relações entre parentes próximos, proibidas em Levítico. No entanto, o grego aqui seria interpretado por um cristão gentio como imoralidade em geral, pelo que esta interpretação é bastante «forçada» para sustentar a conclusão.

Possível resposta 2: Moralidade geral: Todos os cristãos, mesmo hoje em dia, não devem praticar nenhuma destas coisas. Não comer alimentos que sabemos terem sido sacrificados aos ídolos, ou seja, alimentos contaminados pelos ídolos, também é mencionado em Apocalipse 2:14,20. A proibição da imoralidade sexual está presente tanto no Antigo Testamento como no Novo. A proibição de comer sangue, embora também conste da Lei Mosaica, remonta, na verdade, a Noé, em Génesis 9:4. Os animais estrangulados, cujo sangue não foi drenado, estão implicitamente mencionados em Levítico 17:10-14.

P: Em Atos 15:22-29, por que razão Paulo não repetiu o decreto do Concílio quando escreveu aos Gálatas?

R: Primeiro, o que provavelmente não é a resposta; depois, a resposta principal; e, por fim, uma resposta secundária.

A resposta que não é a correta: É possível que Paulo tenha visitado e escrito aos Gálatas, na Ásia Menor central, antes do Concílio de Jerusalém. No entanto, a maioria dos estudiosos cristãos considera que o Concílio de Jerusalém ocorreu por volta de 49 d.C., e que Paulo escreveu aos Gálatas entre 53 e 59 d.C.

Resposta principal: Paulo referiu-se, de facto, às suas discussões em Jerusalém em Gálatas 2:2-10, mas apenas a uma parte delas. Os Gálatas aceitaram que tanto ele como Pedro eram apóstolos, e Paulo referiu que ele e Pedro chegaram a um acordo. Não é claro se o Concílio foi público ou se, na realidade, foi privado e apenas o decreto final foi divulgado publicamente. Por fim, ele não sabia o que os homens que afirmavam ser enviados por Tiago tinham dito. Por isso, Paulo enfatizou o que o próprio Pedro lhe tinha dito.

Resposta secundária: Se Paulo tivesse repetido o decreto do concílio, não é claro se eles o teriam acreditado ou aceitado. Durante séculos após o tempo de Paulo, existiram hereges chamados ebionitas, que afirmavam acreditar em Jesus e ensinavam que todos os crentes ainda tinham de seguir toda a Lei mosaica. Diziam que Jesus era chamado de Deus apenas como um título de honra. Além disso, Pedro, tecnicamente falando, não estava a desobedecer ao decreto do concílio quando não comia com os gentios na presença de alguns judeus.

P: Em Atos 15:28, uma vez que pareceu bem ao Espírito Santo, por que razão era relevante se também lhes parecia bem ou não?

R: Isto indica que eles sabiam que era isso que o Espírito Santo desejava. Embora não quisessem ir contra o Espírito Santo, não seria adequado que o Espírito Santo quisesse que eles obedecessem e agissem sem que ninguém soubesse o que era desejado.

Da mesma forma, hoje Deus sabe o que é bom e o que não é. No entanto, continuamos a precisar do nosso discernimento para distinguir o que é melhor na perspetiva de Deus.

A título de nota à parte, Judas Barsabás é um nome interessante. «Barsabás» significa «filho do sábado», pelo que é possível que tenha nascido no sábado, mas é quase certo que era um crente judeu.

P: Em Atos 15:29, estas prescrições continuam a ser válidas para os cristãos de hoje?

R: Os cristãos concordam que as prescrições relativas à imoralidade sexual não se alteraram, mas discordam quanto às prescrições relativas aos alimentos sacrificados aos ídolos, ao sangue e à carne de animais estrangulados. Todos concordam que a carta dos apóstolos era vinculativa para todos os cristãos daquela época, e que o cumprimento destas prescrições não ofenderia o povo judeu (tanto cristão como não cristão).

1. Alguns cristãos genuínos consideram que, uma vez que esta carta foi enviada pelos apóstolos — e estes nunca afirmaram que se tratava de uma disposição temporária —, todas estas normas continuam a ser vinculativas hoje em dia. Esta era, de um modo geral, a forma como os cristãos dos séculos II e III encaravam estas normas. Esta é também a minha opinião.

Por exemplo, na obra «O Octávio», de Minúcio Félix (c. 210 d.C.), cap. 30, p. 192, afirma-se que os cristãos nem sequer utilizavam sangue de animais comestíveis na sua alimentação. Outros cristãos pré-nicenos que afirmaram que os cristãos não consumiam sangue foram Justino Mártir (150 d.C.), os cristãos de Vienne e Lugdunum (177 d.C.), Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.), Tertuliano (198-220 d.C.) e Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.)

2. Outra perspetiva é a de que as restrições sexuais são vinculativas, enquanto as restrições alimentares estão sujeitas à nossa consciência e à das pessoas que não queremos que tropecem. Embora a carta fosse vinculativa naquela época, a proibição absoluta da carne sacrificada aos ídolos foi posteriormente considerada por Paulo como uma questão de consciência.

P: Em Atos 15:37-40, quem estava certo e como é que isto se resolveu?

R: Do ponto de vista de Barnabé, João Marcos era seu primo, e talvez Barnabé tenha percebido que Marcos se tinha arrependido verdadeiramente de os ter abandonado. Do ponto de vista de Paulo, para este ministério era fundamental contar com alguém que tivesse sido posto à prova (e tivesse sido aprovado), em quem não só se pudesse confiar, mas de quem Paulo soubesse que se podia confiar. Provavelmente, Paulo não conhecia Marcos tão bem como Barnabé.

Do ponto de vista de Deus, a separação resultou para a glória de Deus. Silas (= Silvano) e Timóteo foram incorporados como colaboradores de Paulo. A história da Igreja conta-nos que Barnabé e Marcos foram para o Egito e evangelizaram lá. Alguns séculos mais tarde, o Egito tornou-se um dos principais centros do cristianismo, sendo os outros três Jerusalém, Roma e Constantinopla. Paulo e Marcos reconciliaram-se em 2 Timóteo 4:11.

P: Em Atos 16:1, trata-se da mesma pessoa que é o destinatário das epístolas de 1 e 2 Timóteo?

R: Sim.

P: Em Atos 16:1, como acha que Paulo se sentiu ao regressar mais uma vez a uma cidade onde o apedrejaram e o deixaram à beira da morte?

R: Talvez Paulo tivesse algum receio de que repetissem o que já tinham demonstrado estar dispostos a fazer. Ou talvez Paulo nem sequer tenha dado importância ao assunto. Uma terceira perspetiva é que essa memória dolorosa lhe veio à mente quando Paulo voltou a entrar na cidade, mas ele decidiu que não se importava. Talvez, depois de tudo o que fez contra os cristãos e da maravilhosa graça de Deus, Paulo tenha pensado que seguir a Deus iria trazer mais sofrimento e morte antes de ir para o céu, e que mais valia ocupar-se, concluir o que Deus queria que ele fizesse e acabar de uma vez com isso.

Poderá haver lugares e pessoas que representam memórias bastante dolorosas para si. Mas se Deus o chamou para regressar, esperemos que o amor de Deus no seu coração seja maior do que as suas memórias.

P: Em Atos 16:1-5, por que razão Paulo e Silas circuncidaram Timóteo depois de afirmarem que os gentios não precisavam de ser circuncidados e de não terem circuncidado Tito?

R: Paulo sabia que Timóteo não precisava de ser circuncidado, mas esta «circuncisão eletiva» destinava-se a apaziguar os judeus. Na verdade, trata-se de três questões: por que razão Paulo o fez, se Paulo agiu corretamente ao fazê-lo e quais os princípios que devemos seguir hoje.

1. Por que razão Paulo circuncidou Timóteo?

Paulo fê-lo para apaziguar os judeus, que sabiam que Timóteo não estava circuncidado como um judeu deveria estar. Paulo queria remover um obstáculo à aceitação do evangelho por parte dos judeus. Dentro do razoável, devemos ser tudo para todas as pessoas, conforme 1 Coríntios 9:19-23. A título de segundo exemplo, Paulo chegaria mesmo a deixar de comer certas carnes se isso significasse não fazer com que alguém tropeçasse, conforme 1 Coríntios8:13 e Romanos 14:20-21.

2. Deveria Paulo ter circuncidado Timóteo?

Paulo era um apóstolo, mas isso não significa que nunca tenha cometido um erro de julgamento. Sim, estou certo de que isso apaziguou os judeus, mas teve um custo. Muitos judeus nunca compreenderam que o evangelho substituía a lei e que já não estávamos sob a lei, mas sob a graça. Muitos judeus entraram na igreja como «judaizantes» e nunca compreenderam bem a mensagem. Atos 16:1-5 refere que isto aconteceu em Listra, perto de Derbe e de Icônio. Todas estas cidades situam-se na Galácia, e, segundo o Livro dos Gálatas, surgiram problemas devido ao facto de elas terem voltado à lei. Embora Paulo, anteriormente, tivesse circuncidado Timóteo na Galácia simplesmente para apaziguar os judeus, mais tarde acabou por dizer aos gálatas: «Prestem atenção: eu, Paulo, digo-vos que, se se deixarem circuncidar, Cristo não terá qualquer valor para vós.» (Gálatas 5:2)

3. Que princípios podemos aprender com isto e seguir hoje?

3.1 Sim, devemos fazer concessões e seguir o princípio de ser tudo para todas as pessoas, mas não devemos negligenciar o princípio superior de não comprometer a mensagem. Circuncidar Timóteo pode ter feito com que o evangelismo parecesse mais fácil, mas ao custo de permitir que não-crentes entrassem na igreja e de confundir os jovens cristãos. Da mesma forma, podemos parecer mais eficazes no evangelismo se nunca falarmos sobre o Inferno ou sobre o senhorio de Cristo. Mas será que diluir o evangelho é realmente o que os embaixadores obedientes desejam fazer?

3.2 Quando pretender fazer um compromisso para facilitar a partilha do evangelho, pergunte a si mesmo porquê. Se não estiver relacionado com o evangelho, então vá em frente e faça-o. Se estiver diretamente relacionado com o evangelho, então não o faça. Se estiver indiretamente relacionado com o evangelho — como, por exemplo, a ideia de que a comida o aproximará ou afastará de Deus —, então consulte o ponto seguinte.

3.3 Existe uma forma melhor de fazer um compromisso, descrita em Romanos 14:15-16. Não pratique a atividade que faz com que o seu irmão tropece, mas, por outro lado, não permita que ela seja considerada má.

3.4 Mesmo líderes como Pedro e Paulo podem cometer erros e tomar más decisões. Estas decisões podem ser tão graves que podem ter consequências capazes de confundir os novos cristãos. Devemos mostrar aos líderes os seus erros e podemos divulgar a correção àqueles que foram induzidos em erro pelo problema, tal como Paulo fez com Pedro em Gálatas 2. No entanto, desde que não façam coisas que os desqualifiquem para o cargo, continuam a ser os nossos líderes. Se considera que algum líder cristão é perfeito, isso significa apenas que não conhece muito bem esse líder cristão. Nenhum de nós é perfeito, e todos devemos esforçar-nos por ser mais semelhantes a Cristo.

P: Em Atos 16:3, foi correto Paulo circuncidar Timóteo apenas para obter a aprovação dos outros, uma vez que 1 Coríntios 7:18-19 afirma que a circuncisão não tem qualquer importância e Gálatas 5:2-3 diz que não devemos circuncidar-nos?

R: Existem cinco pontos de vista diferentes.

a) Questão diferente: Paulo e Timóteo nunca acreditaram que a circuncisão justificasse Timóteo. Não foi feita por razões religiosas, mas sim para não ofender os judeus.

b) Uma época anterior: Paulo circuncidou Timóteo muito antes de escrever 1 Coríntios e Gálatas. Aparentemente, Deus ainda não tinha revelado a Paulo que os cristãos não deveriam ser circuncidados por motivos religiosos. Deus não espera que alguém obedeça a um mandamento que Ele ainda não tenha dado.

c) Paulo foi inconsistente: Paulo cometeu um erro ao circuncidar Timóteo, porque isso deu aos judeus a impressão de que se tratava de uma ação por motivos religiosos. Depois de Paulo ter percebido mais tarde o seu erro, escreveu 1 Coríntios 7:18-19 e Gálatas 5:2-3. Paulo mencionou especificamente não ter circuncidado Tito em Gálatas 2:3.

Não deve ser surpresa que os apóstolos não fossem perfeitos. Pedro cometeu um erro de certa forma semelhante ao não comer com os gentios, em Gálatas 2:11-14.

d) Para não fazer tropeçar os outros: Paulo circuncidou Timóteo anteriormente porque não queria fazer tropeçar os irmãos mais fracos, tal como em Romanos 14. No entanto, quando os «irmãos mais fracos» se tornaram tão fortes que tiranizavam a igreja, Paulo teve de responder a esta ameaça de legalismo.

e) Ir à sinagoga: Timóteo seria considerado judeu porque a sua mãe era judia. Além disso, o tempo verbal indica que o seu pai já tinha falecido. Uma vez que o método de Paulo consistia em dirigir-se primeiro à sinagoga, Timóteo não teria sido admitido se se soubesse que nunca tinha sido circuncidado. Embora Paulo possa ter cometido um erro, há uma diferença entre considerar que a circuncisão é necessária para a salvação (o que Paulo nunca deu a entender) e considerar que é útil para o evangelismo.

P: Em Atos 16:6, de que forma o Espírito Santo impediu Paulo e os seus companheiros de pregar na província romana da Ásia?

R: Não há indícios de força ou coação. Paulo e os seus companheiros eram obedientes a Deus e, muito provavelmente, o Espírito Santo não lhes permitiu sentir paz em relação a irem para a Ásia, ou então o Espírito Santo simplesmente lhes disse para não irem. Paulo viajou pelos arredores da Mísia oriental (incluindo Tróade), mas, aparentemente, não pregou lá. A cidade de Tróade, no tempo de Paulo, situava-se a sul da cidade clássica de Tróia. Esta proibição vigorou apenas até chegar o momento oportuno. Em alternativa, há quem considere que a doença foi o meio que o Espírito Santo utilizou para impedir Paulo de se deslocar para lá. Por vezes, nos dias de hoje, o Espírito Santo move o nosso espírito para nos dar a conhecer que devemos ou não devemos fazer algo.

Isto poderia ser designado por «dupla orientação», em que Deus diz: «não faça isso, faça isto em vez disso». Outros exemplos de dupla orientação são o facto de David Livingstone ter tentado ir para a China, mas Deus, em vez disso, tê-lo enviado para África. William Carey queria ir para a Polinésia, mas Deus enviou-o para a Índia. Adoniram Judson foi primeiro para a Índia, mas não ficou e foi para a Birmânia (Mianmar). Aparentemente, Deus revela-lhe apenas o que precisa de saber, e apenas quando precisa de o saber.

Aparentemente, Deus tinha outros planos para os bitínios e para os habitantes da província da Ásia (incluindo os efésios). Estes ouviram o evangelho mais tarde, como demonstram Atos 18:19-21, 18:24-19:41 e 1 Pedro 1:1.

P: Em Atos 16:6-7, como devemos reagir quando Deus diz «não» a algo que sabemos não ser pecaminoso, mesmo que isso possa promover o Seu reino?

R: Continuar a querer fazê-lo é desobediência. Não sejam como Balaão, a quem Deus advertiu por meio de uma jumenta em Números 22, e que, mesmo assim, continuou a desejar o dinheiro. Promover o reino de Deus não é o nosso objetivo principal. O nosso objetivo principal é glorificar Deus, amando-O e obedecendo-Lhe. Seja no âmbito espiritual, nos negócios ou de outras formas, as pessoas, que são pecadoras, têm grande tendência para desviar o olhar do objetivo e confundir um meio de alcançar um objetivo com o próprio objetivo.

P: Em Atos 16:9, o homem na visão era Lucas?

R: Não. A Bíblia de Estudo NIV, p. 1676, afirma que não há qualquer indício de que assim fosse. Pelo contrário, em Atos 16:11, Lucas utiliza o pronome «nós» ao referir-se a Paulo e aos seus companheiros que se dirigiam à Europa pela primeira vez, pelo que Lucas se encontrava com Paulo nesta ocasião. Existe também a especulação de que Paulo tenha conhecido Lucas pela primeira vez aqui, tendo-o procurado por motivos médicos.

P: Em Atos 16:14, por que razão Lídia precisou de ter o seu coração aberto para responder à mensagem de Paulo, uma vez que já adorava a Deus?

R: Todos nós precisamos de ter o coração aberto para responder ao Evangelho. O Espírito Santo atua nas pessoas de acordo com João 16:8-11. Ninguém — e isso inclui aqueles que são naturalmente os melhores entre os homens — procura a Deus por si próprio, como indica Romanos 3:10. 2 Coríntios 4:3-4 afirma que o Evangelho está velado para aqueles que estão a perecer. Precisamos de orar para que ele lhes seja revelado. Atos 16:14 limita-se a registar a maravilhosa notícia de que o Espírito Santo agiu em Lídia para que ela aceitasse o Evangelho. Embora não haja qualquer indício de coação por parte de Deus, a ação do Espírito Santo é essencial para que alguém nasça de novo.

A título de nota, Tiatira era uma cidade do país da Lídia antes de ser conquistada pelos romanos. Na época de Paulo, os romanos incorporaram-na na sua província da Ásia, mas continuava a ser uma cidade lídia.

P: Atos16:15 apoia o batismo de crianças?

R: Não. Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 1:16 para obter a resposta.

P: Em Atos 16:16-18, por que razão Paulo ficou perturbado com a escrava possuída que dizia que eles eram de Deus?

R: As Escrituras não o dizem. As Escrituras referem que ela tinha um espírito de adivinhação — em grego, um espírito «pitão» —, o que significa que estava possuída por um espírito pitão proveniente do demónio grego Apolo. Eis algumas teorias sobre o motivo pelo qual Paulo ficou perturbado.

1. Ela falava de uma forma que afastava as pessoas. Ou talvez estivesse constantemente a gritar, desviando a atenção da mensagem de Paulo.

2. Ela dizia isto de forma positiva, para que, depois de Paulo partir, acreditassem que a rapariga possuída por demónios era uma de entre eles e seguissem os seus ensinamentos mais tarde. Ela estava a apropriar-se da mensagem deles.

3. O demónio queria que todos soubessem que Paulo estava a tentar converter gentios (existia uma lei romana contra isso) e a dizer aos cidadãos romanos para não adorarem o Imperador nem os deuses romanos.

É fácil as pessoas interpretarem mal a nossa mensagem e pensarem que Jesus é «um caminho de salvação». Ao acreditarem nas verdades proferidas pela escrava, isso conferiria legitimidade, aos olhos dos outros, à ideia de que seguir Apolo também era algo bom.

P: Em Atos 16:19, o que Paulo fez, na prática, foi exorcizar a fonte de rendimento dos senhores da escrava. Em que momentos das nossas próprias vidas devemos «exorcizar a nossa fonte de rendimento» por esta não ser do agrado de Deus?

R: Lucas utilizou o mesmo verbo duas vezes. Quando o espírito «saiu» da rapariga, a fonte de rendimento «saiu» deles. Isto pode ser bastante doloroso se valorizarmos o dinheiro, a prosperidade e a segurança como mais importantes do que glorificar a Deus. Mas pode adotar uma atitude melhor ao perceber que, se isso não agrada a Deus, então nunca lhe pertenceu para começar.

Se as pessoas recorrem ao engano, ao ocultismo, ao desespero de alguém ou mesmo à religião para obter mais das pessoas, devemos ajudar as vítimas — e as potenciais vítimas futuras —, denunciando essa situação. Se, nas nossas vidas, tivermos uma fonte de rendimento proveniente de algo que desagrada a Deus, devemos cortar essa fonte de rendimento. Isso pode significar sofrer uma perda financeira e pôr fim à situação, e não apenas vendê-la a outra pessoa para lucrar com isso.

Repare que esta rapariga estava possuída por um demónio e, quando foi libertada, os proprietários, sem se importarem minimamente com o seu bem-estar, ficaram furiosos por terem perdido rendimentos. Esta não seria a última vez que pessoas mal-intencionadas prefeririam ver os outros sofrer a perder algum rendimento. Não há qualquer indício de que os proprietários se importassem minimamente com o aspeto religioso; apenas queriam punir Paulo por ter reduzido os seus rendimentos.

Por vezes, uma pessoa pode pensar que, se a sua profissão não consiste em roubar, furtar ou assassinar outras pessoas, então a sua profissão é boa. Mas e se trabalhar num emprego normal, como contabilista, programador, operário de fábrica, etc., para uma empresa que sabe que está a roubar, a furtar ou a assassinar outras pessoas (incluindo bebés por nascer), e o seu trabalho estiver a ajudá-la a atingir esse objetivo? Nesse caso, precisa de «exorcizar» esse emprego da sua vida.

P: Em Atos 16:19, quando outro crente está a ganhar dinheiro de uma forma que não agrada a Deus, como é que lhe dizemos para «exorcizar» o seu rendimento?

R: O livro de Atos apenas nos fala de dois locais onde os gentios prejudicaram Paulo e Silas: aqui e em Éfeso, em Atos 19:23-41. Em ambos os locais, a questão principal era a perda de rendimentos. Satanás utilizou aqui duas técnicas diferentes: a falsa amizade e a guerra aberta.

Imagine que dissesse a outra pessoa: «Exorcizei-o da necessidade de exercer a sua profissão. Na verdade, dirigi-me à autoridade competente e já não poderá exercer a profissão que escolheu. Pode agradecer-me mais tarde.» Como é que isso seria recebido?

P: Em Atos 16:21, como lida com a situação quando não lhe é permitido pregar?
R: O Império Romano permitia que as pessoas tivessem a sua própria religião, mas não lhes era permitido tentar converter cidadãos romanos.

P: Em Atos 16:25, o que é que isto nos ensina sobre a dor e o louvor?

R: Paulo e Silas encontravam-se numa cela escura, com os corpos espancados e as costas ensanguentadas. O carcereiro limpou as feridas recém-adquiridas de Paulo em Atos 16:33. Espero que não costumassem dormir deitados de costas! A situação não parecia muito promissora e eles não faziam ideia do desfecho. Mas louvaram a Deus, não em momentos de felicidade, mas ali, no meio da sua dor e desesperança. Deus pede-nos que O louvemos, mas Deus quer que O louvemos também no meio da nossa própria dor e desesperança, quando não fazemos ideia do desfecho.

P: Em Atos 16:26-28, existe alguma evidência extra-bíblica deste terramoto?

R: Não. No entanto:

1. Havia terramotos frequentes nesta região montanhosa do norte da Grécia e da Macedónia. Aqui estão alguns dos principais terramotos ocorridos nesta região. (Na Antiguidade, os relatos eram muito esporádicos.)

403 d.C. Constantinopla (exílio de Crisóstomo)

856 d.C. Corinto, Grécia   45 000 mortos

1858  Corinto, Grécia   

1928  Corinto, Grécia   

3/18/1953 Noroeste da Turquia 1 200 mortos 7,2 na escala de Richter

7/26/1963 Skopje, Macedónia do Norte: 1 100 mortos, 6,0 na Escala de Richter

No que diz respeito a sismos de menor magnitude, a Enciclopédia Britânica refere, relativamente à Grécia e à Turquia, que:

Entre 1902 e 1946, ocorreram 58 sismos

Entre 1947 e 1966, ocorreram 82 sismos

Entre 1967 e 1976, ocorreram 45 sismos

Entre 1977 e 1981, ocorreram 9 sismos

2. Mas este não foi um terramoto comum. O edifício permaneceu de pé, mas as correntes partiram-se milagrosamente. Pode ter sido um fenómeno localizado apenas na zona da prisão.

Quanto à forma como todas as portas se abriram, em algumas prisões turcas as portas eram simplesmente fechadas por grades. Um terramoto poderia ter forçado os batentes das portas a separarem-se.

P: Em Atos 16:34, como se sentiria ao ser hóspede na casa do homem que o colocou no pelourinho?

R: Pouco antes disso, em Atos 16:33, o carcereiro lavou as feridas de Paulo e Silas, provavelmente para evitar infeções. Naturalmente, pareceria muito estranho. Mas o carcereiro ficaria muito grato a eles por não terem fugido, pois a pessoa encarregada de guardar um prisioneiro receberia a mesma punição que o prisioneiro caso este fugisse, de acordo com o (posterior) Código de Justiniano 9.4.4. Além disso, se o carcereiro e a sua família quisessem converter-se a Cristo, então aceitar seria a única coisa a fazer. Primeiro ocorreu o terramoto físico e, em seguida, o espírito do carcereiro estremeceu quando pensou que todos os prisioneiros tinham fugido. Como observou João Crisóstomo, uma vez que o carcereiro e a sua família foram purificados dos seus pecados por Cristo, era mais do que adequado que lavassem as feridas de Paulo e Silas.

Como nota à parte, os carcereiros eram normalmente veteranos do exército reformados.

Considere a composição diversificada da igreja em Filipos: uma mulher de negócios abastada e devota a Deus, uma escrava anteriormente pagã e possuída por demónios e um carcereiro romano, entre outros. Quando nós, como cristãos, demonstramos que somos todos um em Cristo, no meio da nossa diversidade, isso glorifica a Deus e constitui um testemunho para o mundo.

P: Em Atos 16:37, a que lei romana é que Paulo e Silas recorreram?

R: De acordo com as leis de Valeriano e Porciano, redigidas entre 509 a.C. e 195 a.C., um cidadão romano não estava sujeito às leis locais, a menos que consentisse. O cidadão romano podia evitar a morte, a tortura ou ser posto em prisão, recorrendo a César, que decidiria então o caso. Quanto à razão pela qual teriam açoitado Paulo antes de perguntar se ele era cidadão romano, ocorreu um acontecimento semelhante a um cidadão romano, que foi açoitado durante algum tempo mesmo depois de ter clamado, segundo Cícero em «Discursos Verrinos», 2.5.161-162. Mas se um magistrado espancasse um cidadão romano quando não devia, isso poderia impedir o magistrado de voltar a exercer qualquer cargo romano.

P: Em Atos 17:6, que evidência extra-bíblica existe para esta estranha palavra grega que significa «governante da cidade» (politarch)?

R: Anteriormente, não existia qualquer evidência. No entanto, os arqueólogos descobriram a palavra pela primeira vez em 1835, num arco nos arredores de Salónica. Desde então, o termo foi encontrado em dezasseis ou dezassete outros locais, mas apenas em cidades da Macedónia. A título de nota à parte, deve ter parecido estranho que estes judeus fingissem estar tão indignados com a necessidade de defender a reputação do Império Romano.

P: Em Atos 17:11, por que razão os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, por não confiarem tanto em Paulo?

R: Eram mais nobres porque compararam criticamente as palavras de Paulo com o Antigo Testamento. A fé dos tessalonicenses não era de forma alguma menos válida. Hoje em dia, a fé de um cristão continua a ser válida mesmo que tenha simplesmente acreditado no que os seus amigos e familiares cristãos lhe disseram. No entanto, é melhor examinar os factos e analisar todas as provas que sustentam a fé.

P: Em Atos 17:14-15, terá Paulo ido para Atenas [supostamente] sozinho, deixando Silas e Timóteo para trás em Beréia, ou terá Paulo enviado Timóteo de volta a Tessalónica, tal como indica 1 Tessalonicenses 3:1-2?

R: Em primeiro lugar, não sabemos se Paulo tinha inicialmente planeado ir a Atenas, que naquela altura provavelmente tinha uma população não superior a 10 000 habitantes. Nessa altura, tinha perdido toda a influência política, mas era a «capital intelectual» da Grécia. Era basicamente uma «cidade-templo histórica» e uma cidade universitária. Paulo poderia ter tido a intenção de seguir a Via Egnatiana, com 500 milhas de extensão, até ao mar Adriático e dirigir-se diretamente a Roma. No entanto, a agitação em Tessalónica pode tê-lo levado a desviar-se para sul, em direção a Atenas. Existem duas respostas diferentes que respondem eficazmente a esta questão, embora eu prefira a segunda.

Não há provas de que Timóteo estivesse em Atenas: 1 Tessalonicenses 3:1-2 nunca afirma que Timóteo estava com Paulo em Atenas. Em vez disso, diz apenas que Paulo enviou Timóteo. Paulo poderia ter pedido a Timóteo que fosse por carta, ou verbalmente através de outro colaborador. As pessoas, tanto naquela época como hoje, delegam tarefas a outros por meio de mensagens constantemente.

Timóteo poderia ter ido a Atenas e depois partido: Atos 17:14-15 refere que Paulo foi primeiro a Atenas, mas que os esperou lá. Assim, Paulo dirigiu-se ao Areópago antes de Timóteo e Silas chegarem a Atenas; eles chegaram a Atenas e, em seguida, Paulo enviou Timóteo de volta a Tessalónica.

Assim, depois de Timóteo ter ido para Beréia, ou

a) foi para Atenas atrás de Paulo, tendo sido então instruído por este a regressar a Tessalónica;

b) permaneceu em Beréia e foi instruído por carta ou mensageiro a regressar a Tessalónica.

c) a caminho de Atenas, foi instruído por carta ou mensageiro a regressar a Tessalónica.

Este é um dos detalhes que o livro de Atos não nos revela.

P: Em Atos 17:16, por que razão Paulo se sentiria provocado ao ver todas aquelas belas esculturas? Como devemos sentir-nos quando vemos templos e altares artísticos e bem trabalhados?

R: Na pior das hipóteses, pense na arte meticulosa e profissional dos templos maias, com as suas piscinas bem concebidas na parte inferior para lançar os cadáveres dos sacrifícios humanos. Ora, os gregos, romanos, egípcios e outros povos não praticavam o sacrifício humano. Xenofonte, aliás, referiu-se a Atenas como um grande altar e sacrifício. Ele afirmou sarcasticamente que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem. Provavelmente havia mais altares em Atenas do que no resto da Grécia todo junto. Mas esses templos e altares idólatras colocavam as pessoas em cativeiro espiritual perante os seus «deuses», que eram, na verdade, demónios. Pense também no arquiteto do belíssimo Taj Mahal. Este não era um templo religioso, mas sim um mausoléu para a esposa muito amada de um governante. Ele queria garantir que nada mais fosse construído que pudesse rivalizar com ele, por isso recompensou o arquiteto pelo seu bom trabalho executando-o. Deus poderá olhar mais para o lado moral das coisas, enquanto muitas pessoas olham apenas para o lado físico. A palavra grega que aqui designa que Paulo estava «angustiado» é um termo médico que também pode referir-se a uma convulsão ou a um ataque epiléptico. Talvez devêssemos olhar mais para o lado moral também.

Talvez não falemos como Paulo porque não sentimos o que Paulo sentia. Não sentimos o que Paulo sentia, porque não vemos como Paulo via.

P: Em Atos 17:16, quais são as três respostas que Paulo poderia ter dado e qual delas escolheu dar?

R: As três respostas são: lutar, fugir ou dialogar. Emocionalmente, Paulo poderia ter agido movido pela raiva, pelo medo ou pelo amor. Paulo optou por dialogar com eles devido ao seu amor por Deus e por eles.

P: Em Atos 17:18-34, por que razão Paulo citou verdades provenientes de fontes pagãs? Especificamente, o poeta Epiménides (600 a.C.) de Cnossos, em Creta, na Creta, quando Minos, filho de Zeus, diz: «Nele vivemos, movemo-nos e existimos», e o poeta cilício Arato (c. 315-240 a.C.) em *Fenómenos*, e o estoico Cleantes de Assos (331-233 a.C.) no *Hino a Zeus*: «Somos a sua descendência»?

R: As citações de Paulo foram intencionais e, como tal, compreendidas pelos seus ouvintes. Paulo estava a estabelecer um ponto de consenso com o qual muitos dos seus ouvintes se pudessem identificar. Aratus escreveu: «É com Zeus que cada um de nós, em todos os aspetos, tem de lidar, pois também somos seus descendentes.» Clemente de Alexandria, em *Stromata* (193-202 d.C.), livro 1, cap. 14, p. 313, apresenta uma reflexão interessante sobre este assunto. Ele afirma que Paulo citou afirmações verdadeiras de poetas gregos para edificar uns e envergonhar outros. Talvez Paulo quisesse salientar o quão curioso era que os epicuristas, semi-ateístas, e os estóicos, panteístas, adorassem e escrevessem hinos aos ídolos gregos.

P: Em Atos 17:23-30, uma vez que Paulo proclamou aos gregos o deus desconhecido de quem eles tinham alguma noção, será que outras religiões hoje têm um deus desconhecido que intuiem, ou, como alguém afirmou, «o Cristo oculto do hinduísmo»?

R: Esta ideia e expressão provêm de Raymond Panikkar, na obra «O Cristo Desconhecido do Hinduísmo», p. 137. Isto é tão errado como afirmar que os adoradores de Baal realmente adoravam o verdadeiro Deus de Israel. Paulo não elogiou a sua adoração, mas sim a sua admissão sincera de que não conheciam um Deus específico. Quão próximo ou distante um não crente está de Cristo, ou o que fez por um deus falso em vez de procurar o único Deus Verdadeiro, não são pormenores que precisemos de apurar. Em vez disso, Paulo fica «em agitação» ao ver todos os deuses e altares em Atenas, em Atos 17:16. Paulo sabia que eles precisavam de se afastar dos ídolos, cujas oferendas são feitas a demónios, e não a Deus, em 1 Coríntios 10:19-20. Paulo disse: «Portanto, meus amados, fujam da idolatria», em 1 Coríntios 10:14. Devemos manter-nos afastados dos ídolos, conforme 1 João 5:21.

P: Em Atos 17:18-34, terá Paulo mais tarde lamentado esta abordagem quando enfatizou que não pregava nada além de Cristo aos coríntios em 1 Coríntios 1:18-2:8, a sua paragem seguinte após Atenas?

R: Embora haja divergências sobre este assunto, há quem considere que sim.

Em Atenas, Paulo começou por estabelecer uma ligação com a religião local, destacou algumas das verdades positivas que mereciam respeito na religião deles, apontou algumas das inconsistências da sua adoração de ídolos e diferenciou a verdade de Cristo.

Em Corinto, Paulo salientou que a sabedoria do mundo não pode ser gradualmente alterada para se chegar a Cristo, que pregava apenas a Cristo e que desejava que a fé deles se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria humana.

Seja como for, Paulo pregava a Cristo, utilizava as Escrituras, abordava as necessidades das pessoas, continuava a refutar argumentos (2 Coríntios 10:5) e tentava ser tudo para todos, a fim de salvar alguns (1 Coríntios 9:19-22).

É interessante comparar três dos sermões de Paulo:

1) Antioquia da Pisídia (na verdade, na Frígia, e não na Pisídia) Atos 13:16-43

2) Listra não tinha sinagoga — Atos 14:15-17

3) Atenas — Atos 17:22-31, Atos 20:18-35; ver 1 Coríntios 2:2-5

Consulte a discussão sobre 1 Coríntios 1:18-2:8 para mais informações.

P: Em Atos 17:18-34, qual é a evidência de que Paulo não teve sucesso?

R: A opinião de que Paulo ficou desapontado com os resultados em Atenas foi popularizada por Sir William Ramsay, de acordo com *The Message of Acts* (Edição Revista), pp. 272-273. No entanto, N. B. Stonehouse escreve que tal é «insustentável». Quatro pontos a considerar na resposta.

1. A igreja deve ter sido insignificante numa das principais cidades da Grécia; apenas duas pessoas foram mencionadas, e ele nunca escreveu àquela igreja. Por outro lado, embora Atenas e a sua universidade fossem consideradas uma capital cultural e educativa do mundo romano, a população de Atenas era de apenas cerca de 10 000 habitantes.

2. Existem poucas evidências na história da Igreja que atestem a importância da igreja em Atenas.

3. Em Atos 17:18, alguns criticaram Paulo, acusando-o de ser um «colhedor de sementes», um eclético que retirava palavras de fontes diferentes para formar a sua própria filosofia.

4. Quando Paulo veio de Atenas para Corinto, chegou em fraqueza, medo e com muito tremor, conforme 1 Coríntios 2:3.

Os atenienses queriam ouvi-lo e, embora discordassem e fossem condescendentes para com Paulo, não o perseguiram. Há quem adore debater sobre Deus e assuntos espirituais, mas nunca esteja disposto a comprometer-se com nada. Alguns rejeitam o evangelho porque o consideram falso, mas outros rejeitam-no porque o consideram trivial. Pensam assim porque têm um «substituto de Deus». Um ídolo é qualquer coisa que sirva de substituto de Deus. Por vezes, até uma ideologia pode ser uma «ídolo-logia».

Mas, pelo menos do lado positivo, os judeus que perseguiam Paulo de cidade em cidade aparentemente não se atreveram a tentar detê-lo assim que ele chegou à Atenas pagã. Atenas sentia vergonha de, há séculos, ter condenado à morte o filósofo Sócrates. Desde então, estavam ansiosos por permitir que todas as escolas se manifestassem e, uma vez que consideravam Paulo um filósofo, estariam mais propensos a prejudicar os perseguidores de um filósofo do que o próprio filósofo.

Conclusão: Não há provas conclusivas de que Paulo tenha sido totalmente mal sucedido. No entanto, é um facto comprovado que a igreja de Atenas era muito mais pequena e menos influente do que as igrejas gregas de Filipos, Tessalónica e Corinto.

P: Em Atos 17:18, de que é que acusavam Paulo?

R: A palavra aqui utilizada, por vezes traduzida como «tagarela», tinha, na verdade, um significado mais específico. Era utilizada para designar aves que recolhiam várias sementes e pessoas que eram catadores de sucata. Na essência, estavam a acusar Paulo de não ter ideias originais, mas sim de recolher fragmentos de sabedoria aqui e ali e de os apresentar como se fossem algo novo.

É interessante que os próprios filósofos atenienses fossem acusados de se limitarem a ficar sentados à espera de ouvir novas ideias. Não só Lucas referiu isto em Atos 17:21, como também Tucídides, na sua «História» 3.38.5, diz dos atenienses: «Vocês são os melhores a deixarem-se enganar por algo novo que seja dito.» Mais tarde, quando os macedónios estavam prestes a conquistar Atenas, o ateniense Demóstenes acusou os atenienses de estarem sempre à procura de novas ideias. Filipe 1.10.

P: Em Atos 17:18, de que forma tentou Paulo chegar aos epicuristas, seguidores de Epicuro de Samos (341-270 a.C.)?

R: Epicuro acreditava que as duas coisas principais de que o homem podia ter consciência eram a dor e o prazer. Afirmava que o fim principal do homem era maximizar o prazer e a felicidade. Acreditava que os deuses, se é que existiam, eram irrelevantes para a humanidade, e que a matéria e o acaso eram as causas primárias. site http://www.nidlink.com (October 29, 2002 ) refere que Epicuro foi pioneiro ao permitir a entrada de mulheres e escravos na sua escola.

Os epicuristas acreditavam que apenas os átomos materiais perduravam para sempre e que não existia vida após a morte. Epicuro e Crisipo afirmavam que ou não existe deus algum, ou, se existe, este preocupa-se apenas consigo próprio, de acordo com a «Carta de Teófilo a Autólico», livro 2, cap. 4, p. 95.

Tanto os estóicos como os epicuristas acreditavam que o mundo seria destruído pelo fogo, de acordo com «O Octávio», de Minúcio Félix (210 d.C.), capítulo 34, p. 194. Segundo a Enciclopédia Britânica, um dos principais objetivos de Epicuro era libertar o homem do medo dos deuses. As pessoas deveriam estar livres do medo da morte e do julgamento. Os epicuristas não tinham muitos ensinamentos éticos. Havia dois tipos de epicuristas: os originais e os «mutantes». Os epicuristas originais acreditavam na moderação. Por exemplo, tanto a fome como a alimentação excessiva causavam dor. Os epicuristas posteriores, os «mutantes», eram frequentadores de festas que diziam: «comam, bebam e sejam felizes, pois amanhã morreremos». Pode-se considerar os seguidores atuais de Ayn Rand semelhantes aos epicuristas originais. Houve poucos epicuristas famosos, mas o poeta romano Lucrécio foi um deles.

Contra isto, Paulo referiu o seguinte.

1) Foi Deus, e não o acaso, quem criou o mundo e tudo o que nele existe

2) Deus determina quando e onde as pessoas vivem

3) Os homens devem procurar a Deus

4) Precisamos de nos arrepender perante Deus

5) Deus está perto de nós

6) Deus julgará o mundo com justiça

7) Prova da verdadeira religião: a ressurreição de Jesus

P: Em Atos 17:18-31, por que razão se mencionam os ídolos aos epicuristas?

R: Epicuro não negava a existência dos deuses gregos, uma vez que escreveu (Carta a Menoeceu 123): «a sua existência é-nos conhecida por apreensão imediata.» Outros epicuristas escreveram: «Feitos de matéria mais nobre do que a nossa, habitam longe, nos espaços intermundiais» (Plutarco, *Moralia* 731 D, 734 C; *Intermundia*, Cícero, *N.D.* i.8). Os estóicos acusavam os epicuristas de serem ateus. Essa acusação não era realmente verdadeira, mas os epicuristas não acreditavam que os deuses se preocupassem com os assuntos humanos nem que os influenciassem.

Os principais opositores dos epicuristas eram os estóicos. Embora os estóicos fossem panteístas e os epicuristas fossem semelhantes a racionalistas ateístas, ambos apresentavam a inconsistência de negar a existência dos deuses, mas, ao mesmo tempo, afirmarem explicitamente os ídolos gregos e, mais tarde, romanos.

P: Em Atos 17:18, de que forma tentou Paulo chegar aos estóicos, que tinham origem em Zenão de Cítio, em Chipre (c. 320-c. 250 a.C.)?

R: Os estóicos acreditavam numa força panteísta ou numa alma divina que permeava tudo, e acreditavam que um grande propósito orientava a história. Não consideravam que o prazer fosse necessariamente a melhor forma de evitar a dor. Por vezes, não se sabia como escolher corretamente o melhor prazer. Eram fatalistas, e Josefo observa que tinham muitas semelhanças com os fariseus. Em vez de acreditarem numa lei divina, acreditavam que deviam seguir uma «lei da natureza».

De acordo com Atenágoras, em «A Plea for Christians» (177 d.C.), cap. 19, p. 138, os estóicos afirmam que tudo será consumido pelo fogo e que o mundo terá um novo começo. A obra «Address to the Greeks», de Tatiano, cap. 6, p. 67, acrescenta que os estóicos acreditavam que tudo seria destruído e que o ciclo se repetiria, voltando a ser como era antes.

Os estóicos enfatizavam três aspetos: a lógica, a física e a ética, e esforçavam-se por moldar o caráter das pessoas para que se tornassem fortes através do triunfo e da tragédia. As suas quatro virtudes supremas eram a sabedoria, a coragem, o autocontrolo e a justiça. O estoicismo exerceu uma influência significativa. Sêneca, Epicteto e o imperador Marco Aurélio eram estóicos.

Contra o estoicismo, Paulo, em Atenas, referiu o seguinte.

1) Deus criou o mundo e tudo o que nele existe; o mundo não é Deus

2) Deus é uma entidade pessoal

3) Deus sustenta-nos; nós não fazemos nada para sustentar Deus

4) Os homens devem procurar Deus, e não apenas a sabedoria e a ética

5) Precisamos de nos arrepender perante Deus

6) Deus julgará o mundo

7) A prova da verdadeira religião: a ressurreição de Jesus

P: Em Atos 17:18-31, por que razão Paulo mencionou os ídolos aos estóicos panteístas/ateístas?

R: O famoso filósofo Sócrates foi o único filósofo grego conhecido por ter sido executado por não acreditar nos deuses gregos. Desde então, nenhum outro filósofo grego se levantou para afirmar que os deuses gregos eram falsos. Um dos discípulos de Sócrates, Antístenes, fundou a escola cínica, e os estóicos derivaram dos cínicos.

É necessário observar a inconsistência entre a filosofia estoica e as crenças reais dos estoicos.

Filosofia estoica: O estoicismo ensinava que todas as pessoas derivam de um único espírito universal (não dos ídolos gregos) que permeava a matéria, e que todos os homens são irmãos e iguais.

Os estóicos: No entanto, os estóicos não eram ateus, uma vez que um dos seus líderes proeminentes, Cleantes de Assos, escreveu o «Hino a Zeus» (Zeus era um ídolo grego) do qual Paulo fez citação. A crença dos estóicos nos ídolos tornou-se mais tarde uma questão de vida ou morte para os cristãos. O imperador romano Marco Aurélio era um estoico que perseguiu os cristãos, entre outras razões, por estes não acreditarem em quaisquer deuses, exceto no Único Deus Verdadeiro.

O objetivo de Paulo: Em Atos 17:18-31, Paulo estava provavelmente a apontar, de forma astuta mas implícita, a hipocrisia intelectual dos hinos a Zeus e da aprovação dos ídolos gregos, em contraposição à crença num único Deus (mas panteísta). A questão fundamental é que, se Deus é a causa do nosso ser, então não podemos ser a causa do ser de Deus.

P: Em Atos 17:18-31, estará Paulo a utilizar um argumento falacioso, ao afirmar que os deuses não eram esses ídolos criados pelo homem? Alguns politeístas acreditavam que os ídolos eram apenas representações inanimadas dos deuses.

R: Os pagãos acreditavam, de forma inconsistente, tanto em deuses invisíveis como nas estátuas visíveis. Mais concretamente, os deuses podiam ser localizados de modo a «habitar» nas estátuas visíveis, que eram sagradas e tinham o poder de fazer profecias e curar. Por exemplo, em Éfeso, não diziam que a deusa Ártemis era importante; em vez disso, clamavam: «Grande é Ártemis dos efésios.» Vejamos o que os primeiros cristãos, os hindus modernos e os católicos modernos diziam, não sobre o politeísmo em geral, mas sobre a adoração das próprias estátuas de pedra.

Igreja Primitiva: Para além de Paulo, muitos escritores cristãos primitivos salientaram esta inconsistência, utilizando diversos argumentos do mesmo tipo, segundo os quais «a madeira, o metal e a pedra, por si sós, nada podem fazer». Eis alguns exemplos:

Discurso de Tatiano aos Gregos, cap. 4, p. 66, 110-172 d.C.

Teófilo a Autólico, livro 1, cap. 10, p. 92, 168-181/188 d.C.

A «Defesa dos Cristãos», de Atenágoras, 177 d.C., critica os pagãos por acreditarem que as estátuas reais curam os doentes e proferem oráculos.

A «Exortação» de Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.), cap. 10, p. 199, critica a prática de considerar pedras e madeira como objetos sagrados.

Minúcio Félix (210 d.C.): «Quão mais acertadamente os animais mudos julgam, por natureza, os vossos deuses? Ratos, andorinhas e milhafres sabem que eles não têm sentimentos: roem-nos, pisam-nos, sentam-se sobre eles; e, a menos que os afugentem, constroem os seus ninhos na própria boca do vosso deus. As aranhas, de facto, tecem as suas teias sobre o rosto dele e suspendem os seus fios da própria cabeça dele. Vós limpais, purificais, raspais, e protegeis e alimentais aqueles que vós mesmos criastes;» Octávio de Minúcio Félix, cap. 24, p. 187

Octávio de Minúcio Félix, 210 d.C., cap. 19, p. 184, e cap. 27, p. 189-190. No capítulo 27, p. 190, ele menciona que os demónios se escondem sob as estátuas e imagens.

Cipriano de Cartago (c. 246-258), Tratado 6, cap. 7, p. 467, parafraseia Octávio sobre os espíritos malignos que se escondem sob estátuas e imagens consagradas.

Idolatria hindu: Atualmente, os hindus vedânticos dão ênfase aos Upanishads e a um único ser panteísta, o Brahman. Ao contrário de outros hindus, não dão ênfase a Indra, o rei dos deuses, nem ao facto de Shiva ser o Supremo, nem de Vishnu ser o Supremo, nem a outros deuses. No entanto, de forma inconsistente, podem ainda ter ídolos destes ou de outros deuses nas suas casas, aos quais oferecem ghee (manteiga) ou outras oferendas. Como é que estes pequenos ídolos de plástico ou metal consomem a manteiga e outros alimentos, especialmente se tudo é Brahman?

Idolatria católica: Hoje em dia, os católicos acreditam não só que Maria derrama lágrimas e cura, mas também que as próprias estátuas dela derramam lágrimas e curam.

P: Em Atos 17:23, existe alguma evidência extra-bíblica de um altar dedicado a um deus desconhecido?

R: Não há provas arqueológicas, mas existem abundantes provas literárias. Pausânias (século II d.C.), na obra «Descrição da Grécia» 1:1:4, afirma: «altares de deuses desconhecidos», e Filóstrato (século III d.C.), na obra «Vida de Apolónio de Tiana» 6:3:5, refere: «É mais prudente falar bem de todos os deuses, especialmente em Atenas, onde se erigem altares até mesmo a deuses desconhecidos.» Diógenes Laércio, em «Vidas dos Filósofos» 1:110, refere que, durante uma peste em Atenas, Epimenides soltou ovelhas pretas e brancas. Os atenienses deviam sacrificar as ovelhas no local onde estas se deitassem, no altar mais próximo do ponto onde parassem. Quando as ovelhas paravam longe de qualquer altar existente dedicado a um deus, os atenienses erguiam um altar a um deus desconhecido.

Além disso, não sabemos com certeza se Paulo tinha terminado a sua pregação quando foi interrompido pelos filósofos atenienses que se mofavam dele.

P: Será que Atos 17:23 apoia, de alguma forma, a tese ateísta de que «Deus» é simplesmente o nome dado ao que não conhecemos?

R: Há um ponto em que os cristãos podem concordar parcialmente com os ateus. «Deus» é o termo para aquilo que eles não conhecem. Mas, por meio de Cristo, nós conhecemos Deus. Um segundo ponto em que os ateus deveriam concordar é que, dado o volume da Bíblia e dados os muitos testemunhos dos cristãos, o cristianismo — partindo do princípio de que é verdadeiro — revela muito sobre Deus.

A título de parêntese, Ésquilo, em «As Euménides», fez com que o deus Apolo dissesse: «Quando o pó tiver absorvido o sangue de um homem, uma vez que este esteja morto, não há ressurreição». Se alguém acreditasse nisso, então zombaria quando Paulo falasse da ressurreição.

Pode dizer-se que toda a gente, incluindo os ateus, acredita em Deus. Definindo Deus aqui como aquilo que não foi criado, aquilo que estabeleceu as leis naturais, a causa original, o nome do deus dos ateus é «acaso aleatório». (retirado de uma palestra de David Prentiss.)

P: Em Atos 17:28, como e quando devemos citar fontes não cristãs, como se fossem verdadeiras, ao partilhar o evangelho ou debater com não cristãos?

R: A forma como isso deve ser feito é: com muito cuidado. Não queremos dar a impressão de que acreditamos, ou de que eles devem acreditar, em toda a obra da qual estão a citar, mesmo que alguma parte dela seja verdadeira. Paulo, e nós, podemos citar algo para estabelecer um terreno comum, concordando em aspetos que ambas as partes já consideram verdadeiros, antes de avançarmos para novos temas. Mas podemos preceder o que dizemos com algo como «Não acredito que este livro/fonte seja totalmente verdadeiro, mas penso que podemos concordar que esta frase em particular é verdadeira.» De certa forma, está-se a caminhar numa corda bamba entre um argumento ad hominem — apelando para aquilo que eles acreditam já ser credível e fiável — sem afirmar nem reforçar a sua visão sobre a credibilidade de uma fonte antibíblica.

Por vezes, porém, há algumas verdades interessantes. Por exemplo, Xenófanes, escrevendo em 570 a.C., ridicularizou o facto de os deuses no céu serem todos de pele clara e olhos azuis, tal como os trácios, pelo menos segundo os trácios da Bulgária moderna e do nordeste da Grécia. Mas, em vez disso, os deuses no céu eram todos de pele escura e pareciam-se todos, bem, com etíopes, aos olhos dos etíopes. A propósito, já ouviu falar da deusa hindu de cabelo loiro e olhos azuis chamada «Brigitte», ou do deus hindu chamado Chau Chung? – Acho que não. Se cada cultura pensasse que as pessoas que mais se assemelhavam fisicamente aos deuses do céu eram elas próprias, poder-se-ia questionar se as imagens desses deuses no céu seriam todas falsas ou enganosas, e Xenófanes poderia ter estado no caminho certo. Então, partilharia isto com um pagão? – Talvez. Isto é pregar o evangelho? – Não. A isto chama-se polémica.

Em muitos casos, não há necessidade alguma de recorrer a fontes não cristãs e antibíblicas, nem de as mencionar. Mas se as pessoas que o estão a ouvir têm uma barreira em relação ao evangelho, nesse caso, por vezes — mas não sempre —, pode ser benéfico mostrar o que está correto e o que está incorreto na fonte ou autoridade em que depositam a sua confiança.

No caso de Paulo, os cristãos estão divididos quanto ao facto de Paulo ter feito o melhor nesta situação. Não vemos nenhuma igreja a prosperar em Atenas, e apenas algumas pessoas acreditaram. Talvez os ouvintes tenham achado as palavras de Paulo interessantes, mas o seu ensinamento encaixava-se facilmente na sua perspetiva religiosa existente, uma vez que tudo o que ele disse já tinha sido afirmado pelas próprias fontes deles. Por outro lado, outros argumentariam que, perante um público muito cético, Paulo fez o melhor que podia ser feito.

Conheci um cristão renascido, um ex-mórmon, que, quando testemunhava aos mórmons, limitava-se a citar-lhes passagens do Livro de Mórmon (que conhecia bastante bem). Eles não podiam realmente contestá-lo, uma vez que se tratava do seu próprio livro religioso. Mas não sei até que ponto teve sucesso com essa abordagem única.

P: O texto de Atos17:28 demonstra que o panteísmo é verdadeiro?

R: Não. A frase «Nele vivemos, movemo-nos e existimos» não se refere ao facto de estarmos fisicamente dentro de Deus, que é espírito. Significa, antes, que todos nós fomos criados por Deus e que a nossa existência contínua depende de Deus. Consulte Colossenses 1:16-17 para saber mais sobre o pensamento de Paulo a este respeito.

P: Em Atos17:28 -29, isto demonstra que um pai e uma mãe celestiais deram à luz filhos espirituais, tal como os mórmons têm ensinado?

R: Não. Há dois pontos a considerar na resposta.

1. Repare na ausência de qualquer referência a uma deusa ou mãe.

2. Repare na ausência de qualquer referência a atividade sexual por parte de Deus. Os muçulmanos pensam frequentemente, de forma errada, que os cristãos acreditam que Deus pode ter relações sexuais. Os cristãos genuínos nunca afirmaram que Deus é um ser sexual, embora os mórmons ensinem que Deus é um ser sexual.

P: Em Atos 17:34, Dionísio era o mesmo que mais tarde se tornou bispo de Atenas?

R: Não temos a certeza, mas a «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 3, capítulo 4, páginas 137-138, regista que Dionísio de Corinto (170 d.C.) afirmou que Dionísio, o primeiro bispo de Atenas, e Dionísio, o Areopagita, eram a mesma pessoa.

P: Em Atos 17:34, terá sido este Dionísio o autor das obras atribuídas a Dionísio, o Areopagita?

R: Não. Estas foram escritas centenas de anos mais tarde, por volta de 485 a 528 d.C. A Enciclopédia Britânica, na versão de 1956 (volume 7, pp. 396-397), afirma que estas quatro obras, juntamente com dez cartas, exerceram uma profunda influência sobre os teólogos da Idade Média, incluindo Tomás de Aquino, Erígena, Pedro Lombardo, Alberto Magno e outros. Estavam mais interessados no sistema de teologia cristã combinado com a filosofia grega que nelas se encontrava do que na identidade do verdadeiro autor.

Infelizmente, isso colocou a filosofia no lugar do relacionamento e da obediência a Deus. A Enciclopédia Britânica (1956), p. 396, afirma: «Os seus ingredientes — cristãos, gregos, orientais e judaicos — estão unidos num sistema orgânico, não misturados de forma grosseira. Talvez a fantasia teológico-filosófica nunca tenha construído nada mais notável.» Este sistema enfatizava o fluxo da vida proveniente de Deus através de uma hierarquia celestial de três por três, composta por:

I. Serafins, Querubins e Tronos

II. Dominações, Virtudes e Potestades

III. Principados, Arcanjos e Anjos.

O estudo da suposta relação entre estes seres, tríades de rituais e outros aspetos substituiu o simples estudo da Palavra de Deus. É quase como se o escritor que utilizava o pseudónimo Dionísio, o Areopagita, tivesse lido com muito cuidado Colossenses 2:18-19 e, em seguida, tivesse feito tudo o que podia para desobedecer a essa passagem.

P: Em Atos 17:34, quem foram os primeiros a acreditar na Acaia: os atenienses Dionísio e Damaris, ou a família de Estéfanas, em 1 Coríntios 16:15?

R: A família de Estéfanas foi a primeira a acreditar na Acaia. Atenas não fazia parte da província romana da Acaia, mas era uma cidade administrativamente independente rodeada pela Acaia. Um escritor provavelmente não teria conhecimento disto, a menos que vivesse precisamente naquela época.

P: Em Atos 18:2, existe alguma confirmação extra-bíblica de que o imperador Cláudio (41-54 d.C.) ordenou que todos os judeus abandonassem Roma?

R: Sim, o historiador romano Suetónio, em «Cláudio» 25, refere-se à expulsão e afirma que o motivo foram «os seus contínuos tumultos instigados por Cresto». Cresto foi provavelmente um erro ortográfico de Cristo, e os tumultos terão sido, muito provavelmente, a oposição de muitos judeus à aceitação de Cristo. Isto aconteceu por volta de 50 d.C., mas Suetónio não indica o ano exato.

O historiador romano Dió Cassio e o historiador judeu Josefo também mencionam o decreto de Cláudio para expulsar todos os judeus de Roma, mas não indicam o ano.

O escritor cristão Orosio também menciona este facto, afirmando que se baseia em Josefo. Orosio afirma que o ano foi 49 d.C.

P: Em Atos 18:3, 20:34; 1 Coríntios 9:1-18; 2 Coríntios 11:7-12; 1 Tessalonicenses 2:9; 2 Tessalonicenses 3:7-10, por que razão Paulo era fabricante de tendas e não um rabino profissional?

R: Não existiam rabinos profissionais. Todos os rabinos deviam aprender um ofício, de acordo com a Mishná Pirke Abot/Avot 2:2.

P: Em Atos 18:6, quando considera apropriado agir como Paulo nesta passagem e «sacudir as vestes» (ou, como em Atos 13:51, «sacudir o pó dos pés»)?

R: Eles tinham decidido que, em circunstância alguma, aceitariam as palavras de Paulo, e deixaram isso bem claro a Paulo. Quando existe a convicção de todas as pessoas com quem está a falar de não seguirem a Deus, rejeitando-o a si e à sua mensagem e não prestando atenção às suas palavras, então a sua utilidade em alertá-las pode ter chegado ao fim. Sacudir o pó dos pés é uma mensagem final para elas, indicando que, a partir de agora, o próprio Deus poderá alertá-las. A propósito, Paulo fez isto apenas na sinagoga de Corinto. Mais tarde, Paulo visitou a sinagoga de Éfeso.

P: Em Atos 18:9-10, por que razão acha que Deus falou com Paulo nesta ocasião?

R: Após as perseguições que sofreu e a falta de acolhimento positivo em Atenas, ele pode ter-se sentido desanimado. Mesmo noutros locais, ele tinha frequentemente um início promissor, apenas para ser forçado a partir devido a toda a oposição. Quando ele se poderia estar a questionar se o seu esforço estava a trazer algum efeito duradouro, Deus encorajou-o. Apesar do que tinha acontecido anteriormente, Deus prometeu a Paulo que ninguém lhe faria mal em Corinto. 2 Coríntios 1:3-11 também mostra a depressão que Paulo estava a sentir nesta altura.

P: Em Atos 18:9-10, por que razão os líderes piedosos ficam, por vezes, desanimados e desmotivados?

R: Por vezes, pode ser porque não estão a ver os resultados que esperam ou que acham que deveriam ver. Ou, o que é igualmente grave, vêem resultados positivos, mas depois percebem que esses resultados não perduram. Lembre-se, porém, de que os resultados pertencem a Deus.

Por outro lado, por vezes, os líderes podem tornar-se demasiado presunçosos. Isto pode ser desanimador para as outras pessoas.

Os cristãos obedientes, que amam o Senhor, podem ainda assim sentir-se desanimados. Exemplos da Bíblia incluem Jó, Elias, David e Paulo. Outros exemplos de cristãos que sofreram de desânimo ou depressão são Martinho Lutero, Charles Spurgeon, Adoniram Judson, Hudson Taylor, Mary Morrison, esposa de Robert Morrison, David Brainerd e A.B. Simpson.

Vejamos o que Paulo conseguia perceber nas situações da sua vida. Poderia haver um grande valor estratégico no rumo que Paulo estava a seguir. Se Paulo conseguisse falar com os líderes judeus e persuadir a liderança a aceitar Jesus como o Messias, isso teria um impacto tremendo. Se Paulo conseguisse testemunhar perante o Imperador Romano e conduzi-lo a Cristo, ou, no mínimo, tornar o cristianismo uma religião aceite que não fosse perseguida, isso tornaria a vida muito mais fácil para os cristãos em todo o Império. Paulo deu passos em ambas as direções, mas não sabemos até que ponto ele refletiu sobre essas iniciativas estratégicas. Seja como for, ambas estas oportunidades potencialmente grandiosas acabaram por se revelar infrutíferas. Os cristãos daquela época não dispunham dos recursos da nação judaica, nem dos recursos do Império Romano para os ajudar a divulgar o evangelho. Em vez disso, enfrentaram uma batalha árdua com a ajuda de Deus, mas sem o apoio de instituições.

Como se sentiria se fosse um pregador, professor e milagreiro dotado e, depois, ficasse na prisão durante dois anos, com apenas uma oportunidade muito limitada de causar impacto? Somos ferramentas. Tenho um martelo na minha caixa de ferramentas e é um bom martelo. Retiro-o e utilizo-o quando preciso, e no resto do tempo deixo-o na minha caixa de ferramentas. Não me preocupo se o martelo está a ser plenamente utilizado ou não, nem se o martelo se sente realizado. Somos ferramentas de Deus. Deus utiliza-nos quando Lhe apraz e, noutras ocasiões, pode conceder-nos apenas oportunidades limitadas.

Por vezes, Deus pediu-nos para sermos prisioneiros e escravos. Nem sempre nos é permitido fazer as coisas em todo o nosso potencial, nem mesmo servir a Deus em todo o nosso potencial. Mas Deus pede-nos, não resultados, mas amor obediente. Temos de estar preparados, estar sempre prontos e não nos ofendermos quando somos colocados em segundo plano e temos de esperar.

P: Em Atos 18:9-10, o que devemos fazer quando nos sentimos desanimados?

R: Como disse um bom escritor cristão, não devemos sentir-nos ofendidos pelo inexplicável. Aproximem-se de Deus. Percebam que o momento presente é muito pequeno em comparação com o futuro da eternidade. Quem vocês são é mais importante do que o que fazem e o que lhes acontece. Paulo percebeu isto, na prisão, e esse é o segredo de como ele conseguia estar alegre, mesmo ali, cantando e louvando a Deus.

P: Em Atos 18:9-10, o que devemos fazer para encorajar os líderes piedosos?

R: Orem por eles, mostrem-lhes que os valorizam e que estão a orar por eles. Mesmo quando possam precisar de ser corrigidos, ou mesmo repreendidos, mostrem-lhes também que continuam a respeitá-los e a preocupar-se com eles.

P: Em Atos 18:12, dispomos de alguma informação extra-bíblica sobre o procônsul Galião?

R: Sim, mas antes de falarmos especificamente sobre Galião, vamos abordar primeiro os procônsules em geral. Algumas províncias romanas estavam sob o controlo do legatus imperial, que respondia perante o Imperador; outras estavam sob o comando de um procônsul, que respondia perante o Senado. Era uma diferença importante em Roma, no que diz respeito a quem recebia os impostos. Corinto era uma cidade antiga, demolida pelos romanos, mas reconstruída em 47 a.C. Corinto era a capital da região da Grécia conhecida como Acaia. A Acaia fez parte da Macedónia até 27 a.C. e estava sob o comando de um procônsul (nomeado pelo Senado). Em 15 d.C., Tibério uniu-a à Macedónia e à Mésia, transformando-a numa província imperial. Cláudio colocou-a sob a alçada de um procônsul do Senado em 44 d.C., segundo Suetónio, Cláudio 25.

Júnio Anneo Gálio era o irmão mais velho do famoso filósofo estoico Lúcio Anneo Sêneca, que foi tutor de Nero. Uma inscrição em Delfos indica que Gálio foi procônsul entre c. 51-52 d.C. Outros interpretam a data como sendo 52-53 d.C. Aparentemente, ele tinha-se tornado procônsul há pouco tempo quando Paulo ali se encontrava. Gálio era uma pessoa muito tolerante. Segundo o próprio irmão de Gálio, Sêneca, «Nenhum mortal é tão agradável a alguém como Gálio o é para todos.» Gálio não foi procônsul por muito tempo. Em poucos anos, partiu numa viagem de navio para se livrar de uma febre recorrente. Alguns anos mais tarde, partiu numa viagem de navio para Alexandria para tratar da sua asma. Por fim, o irmão de Gálio, Sêneca, foi forçado a suicidar-se e, mais tarde, Nero mandou matar Gálio.

A decisão de Galião de arquivar o processo contra Paulo foi importante para estabelecer um precedente. Se Galião tivesse considerado Paulo culpado de defender uma religião que não era lícita, outros governadores poderiam ter seguido o seu exemplo e expulsado Paulo assim que este entrasse no seu território.

P: Em Atos 18:17, quem espancou Sóstenes e porquê?

R: As Escrituras não dizem quem espancou Sóstenes nem porquê. Vejamos quatro alternativas e decidamos qual é a mais provável.

a) Gregos anti-semitas agrediram Sóstenes

b) Os judeus agrediram Sósthenes por ser um porta-voz pouco convicto.

c) Sósthenes, o judeu, foi espancado «sacrificialmente» para tentar convencer Galião.

d) Os judeus espancaram Sóstenes porque ele se tornou cristão.

A resposta correta é provavelmente a), mas a opção d) também é provável. Paulo menciona Sóstenes em 1 Coríntios 1:1. Uma vez que Paulo não fez distinção entre outro Sóstenes, era provável que se tratasse do mesmo, o que torna a opção d) provavelmente a resposta correta. Sóstenes não era um nome grego comum.

P: Em Atos 18:24-28, Apolo era crente antes de conhecer Jesus?

R: Apolo não conhecia Jesus, mas, tal como Abraão, Jó e outros verdadeiros seguidores, Apolo acreditava em Deus, embora ainda não tivesse tido a oportunidade de ouvir falar de Jesus. Tal como ensinou J.D. Pentecost, no que diz respeito a Apolo, este ainda se encontrava na Antiga Dispensação antes de falar com Áquila e Priscila. Apolo era natural de Alexandria e provavelmente tinha uma «visão helenística do judaísmo», que o tornava familiarizado com a filosofia grega. É possível que fosse mais hábil a dialogar com os filósofos gregos do que Paulo.

P: Em Atos 18:24-28, se Apolo tivesse falecido antes de falar com os cristãos, teria ele ido para o céu?

R: As Escrituras não o dizem, mas há três pontos a considerar.

1. Apolo acreditava na verdade sobre Deus que conhecia.

2. Provavelmente, ele não compreendia nem possuía o Espírito.

3. Em vez de abandonar Apolo a este estado intermédio, de ser uma espécie de crente do Antigo Testamento, Deus assegurou que Apolo aprendesse a verdade.

P: Em Atos 18:24-28, como instruiria alguém que tem um conhecimento parcial, mas incompleto, da verdade?

R: Se se tratar de um não crente, comece pela oração; só o Espírito Santo pode convertê-lo, mas pode lançar sementes, acompanhá-lo ou conduzi-lo a Cristo, dependendo da fase em que se encontra. Muitos cristãos ex-mórmons com quem conversei afirmaram que o argumento que os levou a abandonar o mormonismo tiveram de ouvir cerca de dez vezes antes de ter qualquer efeito sobre eles. Só então decidiram fazer alguma pesquisa, «sabendo» que iriam provar que o cristão estava errado. Depois, descobriram que não conseguiam fazê-lo e, por fim, abandonaram o mormonismo e, mais tarde, converteram-se a Cristo.

Se se tratar de um crente que está errado sobre questões importantes, mas secundárias, comece ainda assim pela oração. Poderá ainda ter de ser paciente com ele. Não debata com ele, a não ser que seja necessário. Por vezes, é preciso provar cuidadosamente cada argumento que apresenta; mas, outras vezes, não é necessário perder tempo a fazê-lo, basta apresentar os seus argumentos. Tem de descobrir em que ponto se encontra e avaliar de acordo com a pessoa e a situação. É bom perguntar-lhes em que se baseiam para defender a sua posição. Talvez já reconheçam o mérito do seu ponto de vista, mas sintam que não o podem aceitar porque pensam que, nesse caso, teriam de alterar outra opinião. Mas não o saberá até lhes perguntar por que razão mantêm a sua posição. Então, talvez possa mostrar-lhes que podem mudar e adotar o seu ponto de vista, sem terem de alterar a sua opinião sobre a outra posição.

Também pode acontecer que, depois de ter apresentado o seu ponto de vista e de a outra pessoa ter explicado as razões da sua posição, descubra que é o senhor quem está enganado e que, ou o senhor, ou ambos, devem alterar os vossos pontos de vista para se adequarem à verdade.

P: Em Atos 19:1, como era a cidade de Éfeso no tempo de Paulo?

R: Éfeso era uma das três ou quatro maiores cidades do Império Romano. Havia ali uma presença pagã muito forte, e interesses económicos ligados à perpetuação do paganismo. O seu apogeu comercial já tinha passado, uma vez que o porto estava a assorear-se, devido ao corte excessivo de árvores, ao sobrepastoreio e à produção de carvão vegetal a montante. Os romanos tentaram remover o sedimento em 65 d.C., mas não tiveram grande sucesso. No entanto, ainda conseguiam ganhar muito dinheiro com a sua deusa de prata, Ártemis. A rua principal era muito larga para a época, com cerca de 11 metros. Mas nada disto afetou realmente a grande difusão do evangelho naquela região. O Templo de Ártemis tinha 239 pés de largura e 418 pés de comprimento, de acordo com a «História Natural» de Plínio, 36.95. Este era provavelmente o maior templo do mundo, com cerca de quatro vezes o tamanho do Partenon de Atenas.

P: Em Atos 19:1, o que são as «costas superiores»?

R: Tratava-se da região montanhosa do interior da Ásia Menor (o planalto da Frígia e da Galácia), pela qual Paulo passou a caminho de Éfeso.

P: Em Atos 19:2-3, como poderiam eles acreditar verdadeiramente sem receber o Espírito Santo?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

Intelectualmente, qualquer pessoa pode acreditar que o cristianismo é verdadeiro sem se comprometer a ser cristão e a ser salvo.

Nos tempos do Antigo Testamento, muitos acreditavam em Deus sem ter o Espírito Santo dentro de si.

Neste período de transição, estes gentios foram obedientes na sua fé, apesar de o Espírito Santo ainda não os ter preenchido.

Hoje, embora este caso não seja um exemplo para nós, prova que a presença do Espírito Santo no interior de uma pessoa não era um requisito para que esta acreditasse em Deus.

P: Em Atos 19:2-3, podem as pessoas hoje em dia acreditar verdadeiramente sem receberem o Espírito Santo?

R: Há dois pontos a considerar na resposta.

1. Esta passagem, bem como a experiência de muitos crentes no Antigo Testamento, prova que, teoricamente, é possível que Deus faça com que as pessoas acreditem sem que o Espírito Santo esteja dentro delas.

2. Na altura em que Paulo escreveu Romanos 8, o Espírito Santo já habitava no interior de todos aqueles que eram verdadeiros crentes.

P: Em Atos 19:5, pode explicar por que razão, no livro de Atos, se diz que os discípulos de Jesus batizavam apenas em nome de Jesus? Porquê?

R: Embora as Escrituras não o digam especificamente, podemos observar uma série de aspetos.

1. Outras pessoas também batizavam. Os judeus realizavam abluções rituais e, mais tarde, os hereges cerintianos batizavam. Havia várias cerimónias nas religiões de mistério gregas.

Mas, ao contrário destes outros batismos, eles batizavam pela autoridade de Jesus; por isso, «em nome de» aqui inclui certamente o significado de «pela autoridade de».

2. É claro que João Batista também batizava. De facto, alguns cristãos agiam de forma incorreta em Éfeso. Consulte Atos 19:1-6 para mais informações.

3a. Alguns consideram que não importa se se batizou em nome de Jesus ou em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pois é tudo a mesma coisa. Não é a «fórmula» ou as palavras que contam, mas sim o significado e a intenção.

3b. Por outro lado, talvez os cristãos ou Lucas tenham deliberadamente querido não divulgar que batizavam em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas, por uma questão de concisão, tenham simplesmente dito que batizavam na autoridade/em nome de Jesus.

4. Os pentecostais da Unidade afirmam que são sinónimos porque Jesus é o Pai e Jesus é o Espírito Santo. Mas isto não pode ser verdade, pois em Mateus 27:46 JESUS clamou, dizendo: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?».

Portanto, os pontos 1 e 2 são ambos definitivamente verdadeiros, e tanto o 3a como o 3b podem ser verdadeiros. O ponto 4 é definitivamente falso.

P: Em Atos 19:6-7, os discípulos de Éfeso eram cristãos genuínos antes de serem batizados com o Espírito Santo?

R: Ainda não eram cristãos, embora estivessem entre os eleitos. Há quatro pontos a considerar na resposta.

Nos tempos do Antigo Testamento, uma pessoa podia acreditar verdadeiramente em Deus sem ter o Espírito Santo dentro de si. O Espírito Santo podia abandonar alguém, tal como Deus abandonou Sansão em Juízes16:20 , e tal como Davi pediu a Deus que não fizesse no Salmo 51:11.

Nos tempos do Novo Testamento, todos os cristãos genuínos têm o Espírito Santo dentro de si, tal como afirma Romanos 8:9-11 e como sugere 1 Coríntios 2:16. Atos 19:2 mostra pessoas que acreditavam em Jesus, mas que ainda não tinham o Espírito Santo. Uma vez que a transição da Aliança/Dispensação mosaica do Antigo Testamento para o Novo já tinha ocorrido, o que se devia fazer era pedir imediatamente o Espírito Santo.

Deus não está limitado a agir de acordo com as nossas expectativas. Por exemplo, algumas crianças morrem sem terem a capacidade de acreditar em Jesus. Nada na Bíblia impede Deus de as levar para o Céu por meio de Jesus.

Os discípulos de Éfeso conheciam apenas o Antigo Testamento e João Batista. (Talvez Apolo lhes tivesse falado.) Podiam ter sido semelhantes aos dos tempos do Antigo Testamento.

P: Em Atos 19:12, os curadores pela fé de hoje devem distribuir lenços para a cura?

R: Falando como alguém que não é carismático, não há nada nesta passagem, nem em qualquer outra da Bíblia, que exclua diretamente essa possibilidade.

P: Em Atos 19:12, uma vez que as pessoas foram curadas por lenços e aventais que o apóstolo tocou, isso justifica as relíquias religiosas, como as que as Igrejas Católica e Ortodoxa utilizam?

R: Não, porque existiam diferenças significativas entre os lenços do apóstolo e as relíquias posteriores.

1. As peças de vestuário eram utilizadas para a cura e não para o culto ou a veneração.

2. Tratava-se apenas de vestuário dos apóstolos, e não de outros santos, tais como Maria ou Tiago, irmão do Senhor.

3. Não havia dinheiro envolvido neste contexto.

Desde a época de João Clímaco (antes de 670 d.C.) que vários teólogos cristãos tentaram formular uma lista abrangente de virtudes e vícios. O que é mais significativo em quase todas estas listas é que se esqueceram completamente do segundo dos dez mandamentos. (Se não tiver a certeza de qual é o segundo mandamento, talvez queira ler Êxodo 20:4-6.)

Note-se que existem algumas diferenças entre as visões católica e ortodoxa da veneração. Os ortodoxos costumam ter ícones, ou imagens bidimensionais, através das quais rezam a Deus. Os católicos têm mais estátuas.

P: Em Atos 19:13-17, por que razão os exorcistas judeus não conseguiram expulsar os demónios?

R: Estavam a proferir as palavras corretas, mas o poder não residia nas palavras. O que importava era o poder de Deus a fluir através da vida de um cristão. Uma vez que não eram cristãos, esse poder não estava presente.

A título de nota à parte, o facto de se ter afirmado que Sceva era um sumo sacerdote não significa, na realidade, que ele o fosse ou não; pode ter sido apenas um título que ele próprio se atribuiu. Além disso, embora os filhos de Sceva se dedicassem ao exorcismo, as Escrituras não indicam se o próprio Sceva o fazia ou não.

Note-se que estes exorcistas não se submeteram a Jesus como seu Senhor e Salvador, mas não viram qualquer razão para não utilizarem o nome de Jesus em benefício próprio. Algumas pessoas hoje em dia agem da mesma forma.

P: Em Atos 19:13-17, temos alguma evidência de que exorcistas mágicos posteriores tentaram usar o nome de Jesus?

R: Na verdade, sim. O papiro mágico de Paris n.º 574, linhas 3018-3019, diz: «Conjuro-vos por Jesus, o deus dos hebreus» (cf. K. Preisendanz, Papyri Graecae Magicae, 2 vols. [Leipzig: Teubner, 1928, 1931] 1 placa IV. Além disso, os rabinos judeus escreveram contra o uso do nome de Jesus na cura (cf. Tos Hulin 2:22-23; j. Shabbath 14.4.14d; j Abodah Zarah 2.2.40d-41a; b Abodah Zarah 27b). Por que razão o denunciariam, a menos que algumas pessoas estivessem a tentar fazê-lo? Não se pode misturar o ocultismo com Jesus. Como cristãos, não devemos envolver-nos com horóscopos, quiromancia, tábuas Ouija, cartas de tarô ou quaisquer práticas ocultistas.

P: Em Atos 19:19, qual deve ser a nossa atitude em relação aos livros sobre o ocultismo e às religiões falsas?

R: Como disse Zola Levitt: «Se brincar com Satanás, ele brincará consigo.»

Poderá ter havido um ou dois remédios medicinais que funcionavam, misturados com um grande número de remédios falsos. Poderá ter havido algumas palavras sábias que eram válidas, misturadas com muitas mentiras ocultistas. Poderá ter havido alguns feitiços que realmente funcionavam porque os demónios faziam com que parecessem funcionar. No entanto, todos os livros foram queimados.

Embora os livros de outras religiões contenham muitas verdades, não devemos procurar a verdade estudando livros dedicados a outros deuses. Em Provérbios9:17 , é a loucura, e não a sabedoria, que diz: «A água roubada é doce, e o pão comido em segredo é saboroso!» (BSB). Isto significa que é loucura tentar ser eclético e retirar quaisquer «detalhes» positivos que possam existir numa obra dedicada a um deus falso. Tem alguma estátua, revista, vídeo ou livro questionável em sua casa? Se sim, leve a sério a sua relação com Jesus e livre-se deles.

O contraponto ao parágrafo anterior é que Paulo citou poetas gregos pagãos quando se dirigiu aos gregos em Atenas e noutros locais. Embora Paulo tenha deixado muito clara a sua opinião sobre a confiança na filosofia grega em Colossenses 2:8 e 1 Coríntios 1:18-31, ele estava a utilizar o seu conhecimento da filosofia e da religião gregas para explicar conceitos cristãos de uma forma com a qual eles se pudessem identificar melhor. Os cristãos discordam quanto à eficácia relativa do método utilizado por Paulo, em comparação com «pregar nada mais do que o Evangelho», como ele afirmou ter feito em 1 Coríntios 1:18-31.

P: Em Atos 19:24, trata-se do mesmo Demétrio que era crente em 3 João 12?

R: Embora isso seja possível, é altamente improvável, uma vez que Demétrio era um nome grego comum.

P: Em Atos 19:26, 28, por que razão Demétrio resumiu todo o ensinamento de Paulo desta forma?

R: O seu resumo tendencioso é, na verdade, altamente instrutivo. Ele pegou em todo o ensinamento de Paulo e «condensou-o» naquilo que considerava relevante para si. Uma vez que não desejava seguir a verdade, tudo o que ouviu foi que o seu negócio de fabricar ídolos poderia diminuir se as pessoas acreditassem num Deus que não tinha ídolos.

Alguns cristãos podem ficar surpreendidos quando o resumo que um não-cristão faz das suas palavras é tão parcial e superficial como a análise de Demétrio. Embora Paulo fosse um comunicador cristão eficaz, as suas palavras simplesmente não estavam a colmatar a lacuna, pois pessoas como Demétrio tinham queimado a ponte do outro lado. Mesmo que soubesse tanto quanto Paulo, tivesse a sua experiência e pudesse realizar os milagres que ele realizou, se o Espírito Santo não estiver a agir no coração de quem o ouve, as suas palavras, por si só, não serão eficazes para colmatar a lacuna.

Por outro lado, as mesmas palavras foram eficazes na conversão de muitos em Éfeso. Portanto, o facto de as suas palavras poderem não chegar a algumas pessoas não significa que a falha resida nas palavras.

P: Em Atos 19:31, o que são os asiarcas?

R: Trata-se de funcionários da província. Os asiarcas faziam parte de uma sociedade honorífica e tinham por missão promover o culto ao imperador na província da Ásia. A sua sede situava-se em Pérgamo. Uma pessoa de cada vez desempenhava as funções de asiarca de toda a província, e havia asiarcas em cada cidade. Após o término do seu mandato, eram honrados vitaliciamente com o título de asiarca. Havia também lisiarcas na província da Lícia e galatarcas na província da Galácia. Aparentemente, a multidão poderia pensar que, se alguém fosse amigo dos asiarcas, não representaria uma ameaça para o Império Romano.

P: Em Atos 19:35, por que razão eram tão sensíveis em relação à «Ártemis dos efésios»?

R: O templo de Ártemis foi construído aqui, muito provavelmente após a queda de um meteorito que eles veneravam. A Ártemis grega era a deusa celibatária da caça, enquanto esta Ártemis era uma deusa da fertilidade de aspeto grotesco. Um deus ou uma deusa grega podia ter atributos diferentes em locais distintos. As oferendas deixadas no templo e a venda de ídolos de Ártemis geravam receitas para a cidade. Além disso, uma vez que um templo era considerado um local sagrado e, por isso, seguro, servia também como um banco onde os ricos podiam guardar as suas fortunas. Como salienta o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», na página 1072, os conquistadores geralmente poupavam Éfeso por respeito ao Templo de Ártemis. No entanto, em 400 a.C., o templo foi acidentalmente destruído por um incêndio e, em 356 a.C., um homem ávido de fama chamado Herostrato incendiou propositadamente o templo no dia do aniversário de Alexandre, o Grande, para que o seu nome ficasse imortal. Herostrato foi executado e, no futuro, provavelmente executariam qualquer pessoa acusada de profanar o Templo de Ártemis, que lhes proporcionava segurança e rendimentos. Na época de Paulo, era um templo ornamentado, com 127 colunas de mármore dourado e branco. O templo servia também como cofre bancário.

Para algumas pessoas, adorar um ídolo é equiparado ao patriotismo nacional. Na época romana, os cidadãos romanos leais deviam fazer sacrifícios ao imperador. A revista «Hinduism Today», de abril de 1998, p. 36, refere que o hinduísmo é «patriótico» para a Índia. É claro que, até à chegada dos britânicos, um dos poucos elementos comuns a todo o hinduísmo era o «suttee», a prática de a viúva ser queimada viva na pira funerária do marido. Se o hinduísmo tradicional é verdadeiro patriotismo, graças a Deus que poucos indianos são «patriotas» segundo a definição distorcida de serem fiéis às suas tradições hindus.

Não é preciso ter o dom da profecia para prever que Paulo teria uma estadia interessante em Éfeso, com muitas dificuldades. Mas isso não pareceu abrandar Paulo nem um pouco. Se soubesse que ir a um determinado lugar o colocaria em muitas dificuldades, mas também soubesse que Deus queria que fosse para lá, continuaria ansioso por ir? – Espero que sim.

P: Em Atos 19:35, o que sabemos sobre este cargo de «secretário municipal»?

R: O secretário municipal, ou grammateus, era normalmente o mais alto funcionário do governo municipal, o líder do conselho municipal, e não apenas um secretário. Seria algo semelhante a um administrador municipal nos Estados Unidos. O governo provincial romano estava sediado em Éfeso, e o secretário municipal era o elo de ligação entre a cidade e o governo romano. Ele não era nomeado pelos romanos, mas o procônsul romano responsabilizava-o pela ordem pública. Se ocorresse um motim, o seu cargo — e possivelmente a sua vida — poderiam estar em risco. O teatro de Éfeso tinha capacidade para mais de 24 000/25 000 pessoas. O discurso breve, mas eficaz, do secretário municipal demonstrou a sua habilidade em utilizar o conhecimento que tinha do povo para o persuadir a manter a calma, bem como o respeito que o povo nutria por ele.

P: Em Atos 19:35, por que razão se menciona a imagem «que caiu do céu» (KJV «que caiu de Júpiter»)?

R: Aparentemente, um dos fatores que contribuíram para a ênfase especial dada a Ártemis em Éfeso foi um meteorito que caiu do céu nas proximidades daquela localidade. Para além de Éfeso, os meteoritos eram também venerados em Tróia, Pessinus, Enna e Emesa (Amasea), de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 9, p. 502.

Da mesma forma, um meteorito era venerado na Ka’aba, em Meca, tanto antes como durante o tempo de Maomé. O escritor cristão primitivo Arnóbio (297-303 d.C.) escreve: «Vocês [pagãos] riem-se porque, nos tempos antigos, os persas adoravam rios, tal como é relatado nos escritos que transmitem estas coisas à memória; os árabes, uma pedra sem forma; as nações citas, um sabre;…» Arnóbio, *Contra os Pagãos*, livro 6, cap. 10, p. 510

P: Em Atos 20:3, devemos, por vezes, alterar os nossos planos devido ao medo ou à precaução numa situação perigosa?

R: Paulo fê-lo. Paulo foi protegido, não de forma sobrenatural, mas ao tomar conhecimento da conspiração e ao tomar as medidas adequadas. Paulo tinha inicialmente planeado partir do movimentado porto coríntio de Cencréia, em direção sudeste, diretamente para a Síria, a rota mais rápida para Jerusalém. Mas quando Paulo tomou conhecimento da conspiração contra si, seguiu na direção oposta, para o interior e para norte, em direção à Macedónia, e talvez também para norte daí, até à Ilíria (atual Sérvia, Bósnia e Montenegro). Foi Paulo ou um dos seus companheiros que levou o evangelho à Ilíria, conforme referido em Romanos 15:19.

P: Em Atos 20:4, como é que Gaio era de Derbe, uma vez que Gaio era macedónio em Atos 19:29?

R: Derbe situa-se no centro da atual Turquia, longe da Macedónia. Embora seja possível que um macedónio se tivesse mudado para Derbe, a resposta mais provável é que se trate de dois homens diferentes. Gaio era um nome muito comum naquela época. Existe também um Gaio (provavelmente uma terceira pessoa) em 3 João.

P: Em Atos 20:6, o que eram os dias dos pães ázimos?

R: Tratava-se de uma expressão relativa à época da Páscoa. Na Bíblia, esta é equiparada à Páscoa em Êxodo 23:15 e Levítico 23:4-8. Paulo queria apressar-se a chegar a Jerusalém por duas razões prováveis. Paulo passou a Páscoa em Filipos (Atos 20:6) e queria chegar a Jerusalém para o Pentecostes (Atos 20:16), além de não querer ser assaltado, uma vez que transportava uma grande quantia de dinheiro. Ser cristão não significa que não se devam tomar precauções de segurança, nem que não se possa ser assaltado.

P: O que diz Atos 20:7-9 aos Adventistas do Sétimo Dia e às Testemunhas de Jeová?

R: Os primeiros cristãos adoravam no primeiro dia da semana, o domingo, tal como se refere em 1 Coríntios 16:1-2. Se era aceitável que Paulo e os primeiros cristãos adorassem a Deus no primeiro dia da semana, também é aceitável para nós.

P: Em Atos 20:9-12, o que significa o nome «Eutico» em grego?

R: O nome Eutiques significa «sortudo». Pode recordar-se desta história, pois poucas pessoas que adormecem perante uma oportunidade de ouro têm uma segunda oportunidade. Alguns estudiosos especularam que, uma vez que era de noite, provavelmente havia muitas lâmpadas acesas, o que pode ter consumido parte do oxigénio da sala e feito com que as pessoas se sentissem mais sonolentas. No entanto, Eutiques estava sentado numa janela, pelo que provavelmente teria oxigénio em abundância.

P: Em Atos 20:9-12, Eutique estava morto ou ainda tinha vida, como Paulo aparentemente afirmou?

R: Eutiques ainda estava vivo depois de Paulo o ter ressuscitado dos mortos. Lucas era médico e provavelmente sabia determinar se uma pessoa adormecida, que tivesse caído de uma janela do terceiro andar, estava morta ou não.

P: Em Atos 20:13, por que razão Paulo quis viajar a pé nesta ocasião?

R: As Escrituras não dizem por que razão Paulo quis percorrer a pé estas cerca de 20 milhas. Talvez Paulo quisesse passar algum tempo a sós, com o Senhor, ou então quisesse ver algumas pessoas uma última vez na terra.

P: Em Atos 20:15,17, o que sabemos sobre a cidade de Mileto?

R: Tanto os persas como o sedimento transformaram esta cidade numa cidade «que já não era o que fora». Os persas saquearam Mileto em 494 a.C. A cidade recuperou-se, tornando-se uma importante cidade da Ásia Menor. Mileto situava-se na costa, a cerca de 30 milhas de Éfeso. Hoje, a costa fica a dez milhas de distância, porque grandes quantidades de sedimento se depositaram ao longo de toda a costa.

Tinha uma população de 100 000 habitantes durante o século I d.C. No entanto, outra fonte afirma que era uma cidade sem grande importância.

A razão para esta diferença de opinião deve-se provavelmente ao facto de Mileto ter sido, originalmente, maior do que Éfeso. No entanto, por volta do século II d.C., tinha-se tornado insignificante devido ao assoreamento do porto. Não é claro qual era a sua dimensão na época de Paulo.

P: Em Atos 20:16, por que razão Paulo queria apressar-se para estar em Jerusalém até ao Pentecostes?

R: Aparentemente, Paulo sabia que tinha um encontro com o destino naquele local e momento específicos. Atos20:23 refere que o Espírito Santo revelou parte do futuro de Paulo a este.

Uma segunda razão poderá ter sido o facto de ele saber que grandes multidões, provenientes de muitas terras, estariam em Jerusalém nessa altura, e Paulo queria pregar-lhes.

P: Em Atos 20:18-35, quais foram os pontos principais da mensagem de Paulo aqui?

R: Um exemplo passado de serviço (20:18-21)

O percurso atual (20:22-27)

Advertências aos anciãos sobre o futuro (20:28-31)

A entrega ao Senhor (20:32)

Exemplo de generosidade na doação (20:33-35)

P: Em Atos 20:20, que orientações podemos aprender com Paulo para anunciar a mensagem de Deus?

R: Este versículo não apresenta uma lista exaustiva, mas aqui podemos aprender cinco coisas.

Paulo não hesitou: falou quer fosse algo positivo ou negativo, independentemente do que os ouvintes quisessem ouvir. Em contraste com o facto de Paulo «cumprir o seu dever» em 2 Timóteo 4:5-9, os falsos mestres satisfaziam os ouvidos ávidos das pessoas em 2 Timóteo 4:3-4.

O que seria útil: Não há limite para o número de pequenos temas interessantes que não são relevantes para o renascimento de uma pessoa ou para o seu crescimento na relação com o Senhor. Paulo falava para encorajar, corrigir e repreender (2 Timóteo4:2 ), e para encorajar, consolar e exortar (1 Tessalonicenses2:12 ). A nossa conversa deve ser sempre «temperada com sal», como diz Colossenses 4:6.

Para si: Jesus muitas vezes não utilizava exatamente as mesmas palavras com pessoas diferentes. Da mesma forma, Paulo dizia o que era necessário aos seus ouvintes.

Ensinava publicamente: Paulo não tinha receio de se dirigir de improviso a uma multidão, sabendo que Deus falaria por seu intermédio.

E de casa em casa: a estatura, a reputação e o sucesso de Paulo não tornavam este orador público orgulhoso ao ponto de não falar individualmente com pequenos grupos de pessoas para o seu benefício.

P: Em Atos 20:21, por que razão Paulo os ensinava a ter fé no Senhor Jesus em vez de fé em Deus Pai?

R: Quando bem compreendida, a fé num é fé no outro, pois, juntamente com o Espírito Santo, formam uma Trindade. A heresia da Unidade (Modalismo) estava tão distante da mente de Paulo e das mentes dos primeiros cristãos naquela época, que a questão nem sequer era considerada.

P: Em Atos 20:22-23, por que razão o Espírito Santo estava a conduzir Paulo à perseguição e, talvez, à morte?

R: A resposta encontra-se em Atos 20:24. O Espírito Santo disse-lhe francamente o que aconteceria se Paulo seguisse a Deus. Paulo, com esse conhecimento, tomou livremente a decisão de ir na mesma. Paulo propôs-se no espírito ir para Jerusalém em Atos 19:21. Não devemos confundir-nos ao pensar que algo que requer coragem nunca é necessário. Por vezes, Deus também conduz os cristãos de hoje por este caminho. Pode acontecer que o caminho de Deus para um cristão obediente termine na morte, para a glória de Deus.

P: Em Atos 20:22 – Atos 21:11, Paulo foi obediente ou desobediente ao Espírito Santo?

R: Paulo foi obediente. Aqui estão quatro pontos a considerar na resposta.

1. O Espírito Santo comunicou especificamente a Paulo a vontade de Deus de que ele fosse a Jerusalém.

2. Em várias ocasiões, o Espírito Santo advertiu-o dos perigos que ali existiam.

3. Talvez a Paulo tenha sido dada a opção de ir a Jerusalém e sofrer, ou de não ir a Jerusalém.

4. A própria escolha de Paulo, de fazer exatamente o que Deus queria e ir a Jerusalém, não foi forçada, nem foi feita por ignorância, mas sim com o conhecimento que Deus lhe deu de que ele iria sofrer.

P: Em Atos 20:25, por que razão Paulo disse que todos eles nunca mais o veriam, uma vez que o voltariam a ver no Céu?

R: Em primeiro lugar, o «The Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 414, afirma que isso não significa que nenhum indivíduo presente o voltaria a ver, mas sim que, enquanto grupo, todos eles não voltariam a ver Paulo. Independentemente disso, para a maioria ou para todos eles, os seus olhos mortais nunca mais veriam Paulo. Paulo estava a fazer uma previsão, mas não estava necessariamente a fazer uma profecia neste contexto, uma vez que afirmou especificamente que não conhecia todo o seu futuro, apenas partes dele, em Atos 20:22-23. Além disso, o grego diz literalmente que nunca mais veriam o rosto de Paulo. 1 Coríntios 15:50-54 afirma que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, mas que o perecível deve ser transformado no imperecível. Assim, é verdade que nunca mais veriam a carne ou o rosto mortal de Paulo.

P: Em Atos 20:26, como é que Paulo pode afirmar que estava isento do sangue de todos, uma vez que tinha matado tantos cristãos?

R: Há dois aspetos a considerar aqui: o físico e o de não ter partilhado o evangelho.

Do ponto de vista físico, Paulo era culpado desses crimes contra Deus, mas Deus purificou-o através do sacrifício de Jesus Cristo. Por mais maléfica que uma pessoa possa ser, o sangue de Cristo pode purificá-la dos seus pecados, se ela se arrepender e acreditar em Jesus.

A falta de partilha do evangelho: Paulo partilhou livremente o evangelho com todos, exceto nos poucos casos em que o Espírito Santo lhe indicou expressamente que ainda não o devia fazer, em Atos 16:6-7. Tanto em Ezequiel 3:17-21 como em Ezequiel 33:2-7, Deus nomeou o profeta Ezequiel como sentinela, para advertir o povo. Se eles não dessem ouvidos à advertência, o seu sangue recairia sobre as suas próprias cabeças. Mas se Ezequiel falhasse no seu dever de os advertir, seria chamado a prestar contas por isso. Da mesma forma, quando Deus deseja que um cristão partilhe o evangelho e este falha em fazer o que Deus deseja, será chamado a prestar contas, como mostra 1 Coríntios 3:11-15. Isto não se refere à perda da salvação, mas sim à perda de recompensas.

P: Em Atos 20:28, uma vez que Cristo adquiriu a Sua igreja com o Seu próprio sangue, isso significa que Ele não adquiriu a salvação para os não eleitos?

R: Há apenas uma resposta, mas esta tem duas partes.

Não. Cristo fez o sacrifício e incluiu todos na oferta.

Sim. Uma vez que não aceitaram a oferta, a transação em que Jesus comprou a sua salvação nunca foi concluída.

Existe uma inconsistência fundamental em muitos calvinistas (com exceção dos calvinistas amyraldianos e hipercalvinistas). Acreditam que Cristo ofereceu até mesmo aos não-eleitos algo que não comprou para eles e que nunca pretendeu nem desejou que eles tivessem.

Note-se também que «Deus» os comprou com «o seu sangue». Será que o Espírito Santo tem sangue, ou Deus Pai? Claro que não. Este é mais um versículo que demonstra que Jesus é Deus.

P: Em Atos 20:28, quais são todas as instruções que Paulo deu aos anciãos (episkopous) neste contexto?

R: Paulo disse-lhes para terem cuidado e para serem pastores. Há aqui vários objetos: devem zelar tanto por si próprios como pela igreja. Assim, além de zelarem pela igreja, cada ancião deve zelar por si próprio, bem como pelos outros anciãos.

Os anciãos não devem tolerar nem a heresia nem o pecado persistente e impenitente por parte de outros anciãos, nem de si próprios. Tiago 3:1 diz: «Não sejam muitos de vós a tornar-se mestres, meus irmãos, pois sabem que nós, que ensinamos, seremos julgados com maior rigor.» (BSB). Não devemos zelar apenas pelos crentes que se desviam ou estão desorientados, mas também por aqueles a quem Paulo chama de «lobos ferozes». Infelizmente, existe desacordo entre algumas igrejas cristãs na Europa quanto à questão de se dever permitir que «lobos ferozes» ensinem na igreja. Por outras palavras, se uma pessoa estiver a ensinar não apenas alguns erros, mas heresia, continua a ser-lhe permitido ensinar na igreja. Podem imaginar o impacto que isso teria na vitalidade da igreja. Uma história triste que li é que, após a Segunda Guerra Mundial, vários missionários cristãos foram para o Japão. O teólogo muito liberal Paul Tillich foi convidado a ir ao Japão para dar uma palestra. Depois de o ter feito, a igreja local não registou grande crescimento. Só podemos ignorar o ensinamento de Paulo aqui por conta e risco da igreja.

P: Em Atos 20:29-30, por que razão o Deus Todo-Poderoso permitiria que «lobos ferozes» entrassem e devastassem o Seu rebanho?

R: Seja qual for a razão, Deus permite frequentemente que o Seu povo seja posto à prova. Um dos objetivos da vida na Terra é servir de campo de provas para o Céu. No entanto, em todas as provações que os cristãos enfrentam, Deus promete que lhes mostrará sempre um caminho para o sucesso. Especificamente, eis os versículos relativos às seguintes áreas.

Tentação: 1 Coríntios 10:13 afirma que nenhuma tentação nos sobrevem que não seja comum aos homens. O que é ainda mais importante é a última parte do mesmo versículo: quando formos tentados, Deus também nos proporcionará uma saída para que possamos resistir à tentação.

Doutrina: Em João 16:13, Jesus prometeu que o Espírito Santo nos guiaria a toda a verdade. 1 João 4:1-3 apresenta-nos uma forma doutrinária de provar os espíritos. Jesus deu-nos outra forma (pelos seus frutos) em Mateus 7:15-20. 2 Timóteo 3:5, 8-9 afirma que o tipo de falsos mestres que têm a aparência da piedade, mas negam o seu poder, será reconhecível por todos.

Desânimo: Jesus prometeu que aqueles que choram serão consolados em Mateus 5:4, e 2 Coríntios 1:3-5 promete que o Pai nos consolará em todas as nossas tribulações. Por vezes, os líderes podem ficar desanimados ou ter pouca paciência para com o seu rebanho. Mas, uma vez que Jesus morreu por eles, não poderíamos, pelo menos, trabalhar em prol deles?

P: Em Atos 20:31, Paulo admoestou os efésios durante três anos, ou ensinou na escola de Tirano, em Éfeso, durante dois anos, como diz Atos 19:10?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Antes de ensinar no Salão de Tirano, em Atos19:10 , Paulo passou algum tempo em Éfeso a converter pessoas (Atos 19:1-7) e falou na sinagoga durante três meses (Atos 19:8), entre outros locais.

Paulo, apesar da oposição dos gentios, da oposição dos judeus e, segundo alguns especulam, de problemas de saúde, continuou a pregar o evangelho. Uma sugestão é que faça uma lista de familiares e amigos próximos de si, a quem nunca tenha partilhado o evangelho, e que deixe de ser tímido ou preguiçoso e partilhe-o com eles.

P: Em Atos 20:35, onde é que Jesus disse «é mais abençoado dar do que receber»?

R: Estas palavras de Jesus não se encontram nos quatro Evangelhos. O apóstolo João afirmou, em João 21:25, que Jesus disse muitas outras coisas, que não foram registadas.

P: Em Atos 20:38, por que razão alguns se entristeceram com o martírio iminente de Paulo, e é aceitável que os cristãos lamentem?

R: Sim, é aceitável lamentar a morte de alguém durante algum tempo, e é aceitável que os cristãos lamentem. Jesus esperava que as pessoas piedosas lamentassem o pecado em Mateus 5:4, embora o contexto mais amplo possa sustentar o luto em geral.

P: Em Atos 21:8, de que grupo de sete fazia parte Filipe?

R: Tratava-se dos sete diáconos originais selecionados em Atos 6:3-5.

P: Em Atos 21:4, por que razão os discípulos instaram Paulo, por meio do Espírito, a não ir para Jerusalém, uma vez que o Espírito tinha dito a Paulo para ir em Atos 20:22-23?

R: Em primeiro lugar, quando os discípulos exortaram Paulo a não ir, as Escrituras não indicam se Paulo reconheceu que isso provinha do Espírito Santo ou não. No entanto, quando Ágabo, um profeta reconhecido por Paulo, disse o mesmo, então Paulo saberia.

Atos 20:22 e 21:14 mostram que Deus se agradou de que Paulo fosse a Jerusalém. O Espírito Santo disse aos discípulos que nunca mais veriam Paulo vivo na terra se ele fosse. Avisar Paulo dos perigos é diferente de lhe proibir de ir. Estaria o Espírito Santo a dizer a Paulo para não ir por intermédio de Ágabo, ou estaria Ágabo a agir por iniciativa própria ao dizer a Paulo o que o Espírito Santo lhe revelara? Poderia ser de ambas as formas. No entanto, Deus sabia que, se revelasse o futuro a Ágabo, este reagiria desta forma, e o resultado foi que Paulo estava plenamente ciente do que lhe iria acontecer em Jerusalém. Depois de chegar a Jerusalém, Deus revelou a Paulo que este iria testemunhar em Roma, conforme se lê em Atos 23:11.

P: Em Atos 21:4-6, uma vez que Paulo não tinha qualquer ligação com a igreja fundada em Tiro, por que razão passou Paulo sete dias com os discípulos?

R: A igreja em Tiro não era a igreja de Paulo, mas nem Corinto, nem Tessalónica, nem Icônio, nem qualquer outra das igrejas eram igrejas de Paulo. Eram todas igrejas de Deus! Paulo estava lá para instruir e encorajar os crentes, e o facto de estes terem vindo a Cristo por intermédio dele ou não era irrelevante. Da mesma forma, devemos ajudar o corpo de Cristo sem nos preocuparmos com o reconhecimento que receberemos ou com quem os conduziu a Cristo.

P: Em Atos 21:9, quem eram Filipe e as suas quatro filhas?

R: Filipe não era um apóstolo, mas sim um dos sete diáconos originais mencionados em Atos 6:5. Era provavelmente o mesmo Filipe que pregou aos samaritanos e a Simão, o Mago, em Atos 8:5-13, e ao eunuco etíope em Atos 8:26-40. Filipe tinha quatro filhas celibatárias que profetizavam. A maioria das mulheres casava-se e, na cultura judaica, a poligamia era permitida, pelo que é provável que elas tenham optado pelo celibato por devoção a Deus. Embora as mulheres não devam ser pastoras sobre os homens, o Espírito Santo concede os Seus dons sem distinguir entre géneros. Eusébio escreve que Papias as mencionou durante o período da Igreja primitiva.

P: Em Atos 21:11, por que razão Agabo profetizou que os judeus iriam prender Paulo desta forma, uma vez que foram os romanos que o prenderam em Atos 22:25,29?

R: A título de nota à parte, Ágabo foi o mesmo profeta que profetizou a fome em Atos 11:28. O uso de gestos (mímica) para profetizar algo também foi praticado por Isaías em Isaías 20:3, por Ezequiel em Ezequiel 4:1 e por Aías, o silonita, em 1 Reis 11:29-39.

Em primeiro lugar, os judeus também podem ter amarrado Paulo quando este compareceu perante o Sinédrio em Atos 23:1-10. Seja como for, os romanos agiram em nome dos judeus quando amarraram Paulo devido à agitação judaica. Esta forma de expressão é semelhante à utilizada por Pedro em Atos 4:10, quando disse ao conselho: «vós crucificastes» Jesus, apesar de ter sido a mão dos soldados romanos que efetivamente levou a cabo a crucificação.

A ideia de que alguém que planeou e ordenou que um crime fosse cometido fosse inocente por ter sido a mão de outrem a executá-lo era um conceito tão estranho para eles como deveria ser para nós.

P: Em Atos 21:19, por que razão Paulo estava sempre a contar aos outros crentes o que Deus tinha feito por seu intermédio?

R: Não havia nada de errado nisso. Tiago e os outros glorificaram a Deus pela obra de Paulo, de acordo com Atos 21:18-20.

P: Em Atos 21:21, os judeus que são cristãos têm regulamentos adicionais que os cristãos não judeus não têm?

R: Naquela altura, sim. Esperava-se que os judeus que se tornavam cristãos cumprissem a lei do Antigo Testamento, e havia duas razões pragmáticas para não ofender os judeus.

a) Queriam conseguir levá-los a Cristo.

b) Talvez pudessem evitar alguma perseguição ao viverem na terra deles.

Dito isto, um anjo disse a um cristão judeu (Pedro), essencialmente, que nem todos os cristãos eram obrigados a obedecer às leis alimentares judaicas (Atos 10:9-16). Outro cristão judeu (Paulo) afirmou que era aceitável que os cristãos genuínos divergissem quanto à observância do sábado e ao consumo de certas carnes (Romanos 14).

Dito isto sobre as leis alimentares, não há qualquer indício de que a lei moral do Antigo Testamento tenha sido alterada ou tornada obsoleta.

Apesar do que Paulo disse aos gentios, ele nunca disse aos judeus para não seguirem os costumes judaicos nem para não circuncidarem os seus filhos.

P: Em Atos 21:21-26, o pedido que Tiago e os anciãos fizeram a Paulo foi sensato?

R: Com base em Atos 21:27-36, parece que o plano saiu pela culatra. Se isso deu a alguém a impressão de que os judeus convertidos deveriam continuar a obedecer à lei, essa impressão foi obscurecida pela falsa acusação de que não-judeus tinham sido levados para o Templo e de que Paulo tinha sido detido. Por um lado, talvez Paulo estivesse a tentar ser tudo para todos em 1 Coríntios 9:19-23, mas, por outro lado, isso poderia dar a alguns a impressão de que Paulo estava a tentar parecer que se encontrava novamente sob a lei. No entanto, embora não estejamos sob a lei, temos a liberdade de fazer um voto nazireu, se assim o desejarmos. Como disse F.F. Bruce: «Um espírito verdadeiramente emancipado [libertado], como o de Paulo, não está escravizado à sua própria emancipação.»

No entanto, há quem afirme que se tratava de um ritual de purificação, e não de Paulo a fazer um voto nazireu, uma vez que o período mínimo para um voto nazireu era de 30 dias, de acordo com a Mishná Nazir 3:6

Paulo e Tiago estavam de acordo em que a salvação se realizava por meio de Cristo e não da lei. Em segundo lugar, concordavam que os gentios não precisavam de seguir os costumes judaicos, tal como já tinha sido decidido no Concílio de Jerusalém, em Atos 15:1-31. Mas deveriam os judeus, que se tinham tornado cristãos, continuar a seguir os costumes judaicos, quer como requisito, quer simplesmente como testemunho perante os judeus? Tiago e os anciãos consideravam que sim, e Paulo concordou.

Mas, de qualquer forma, não resultou. Por vezes, pessoas piedosas, que se esforçam diligentemente por servir a Deus, podem ainda assim cometer erros. No entanto, na perspetiva de Paulo, ele encontrava-se no centro da vontade de Deus. Ele afirmou que não violou a sua própria consciência em Atos 23:1.

P: Em Atos 21:22-26, até que ponto devemos alterar os nossos costumes para nos adaptarmos melhor àqueles a quem ministramos?

R: Na década de 1860, quando a maioria dos homens chineses usava o cabelo em trança, quando estivesse na China, deveria ter usado o cabelo em trança — tal como Hudson Taylor fez? No Médio Oriente, quando muitos homens têm barbas compridas, deveriam os missionários cristãos deixar crescer a barba, se lhes fosse possível? Quando as mulheres chinesas, na década de 1860, enfaixavam os pés das suas filhas para que parecessem «mais bonitas» ao andar com os pés deformados, deveriam os cristãos fazer o mesmo? Onde traça o limite e porquê?

Já foram escritos livros sobre este tema, mas podemos encontrar nas Escrituras alguns princípios orientadores. Em primeiro lugar, quer seja socialmente aceitável ou não, não devemos comprometer o que Deus nos ensina nas Escrituras. Assim, se for socialmente aceitável ser imodesto ou fazer fofocas sobre outras pessoas, então não devemos fazer o que é socialmente aceitável. Devemos obedecer a Deus antes do que aos homens (Atos 4:19-20). Por outro lado, na medida do possível, devemos adaptar-nos e seguir os costumes locais quando isso não comprometer a nossa fé (1 Coríntios 9:19-23), em prol do evangelho. Não devemos fazer coisas que levem os outros a tropeçar (1 Coríntios 8:9, 13; Romanos 14:13-15, 21), seja por não fazermos algo, seja por fazermos algo. No entanto, não devemos permitir que aquilo que sabemos ser bom seja considerado mau (Romanos 14:16).

P: Em Atos 21:24-26, uma vez que Jesus morreu na cruz, por que razão acha que Paulo pagaria por sacrifícios de animais?

R: Provavelmente consideraria isso uma comemoração, uma vez que os sacrifícios serão uma comemoração em Ezequiel 43:18-46:24; Malaquias 1:11 e Malaquias 3:3-4. A propósito, era considerado um ato piedoso pagar as despesas de um nazireu. Herodes Agripa I pagou as despesas de vários nazireus pobres, de acordo com o livro «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, livro 19, n.º 294 (6.1).

P: Em Atos 21:28,31, existe alguma evidência arqueológica da regra judaica segundo a qual os não judeus deviam ser mortos caso entrassem no Templo?

R: Sim. Em 1871, foi encontrada em Jerusalém uma inscrição que dizia: «Nenhum estrangeiro pode entrar dentro da barricada que rodeia o templo e o recinto. Quem for apanhado a fazê-lo terá de se responsabilizar pela sua morte subsequente.» Em 1935, foi também encontrada uma segunda inscrição.

P: Em Atos 21:38, o que sabemos sobre este egípcio com quem Paulo foi confundido?

R: Segundo o historiador judeu Josefo, um egípcio alegou ser profeta, formou um exército de 30 000 homens e dirigiu-se ao Monte das Oliveiras, afirmando que as muralhas de Jerusalém ruiriam ao seu comando. Lucas refere que eram apenas 4 000, mas Josefo costuma apresentar números incrivelmente elevados.

A propósito, quando Paulo falou com orgulho de Tarso, utilizando a expressão que soa curiosa: «cidadão de uma cidade nada comum», trata-se da mesma frase que Eurípides utilizou ao descrever Atenas como «uma cidade nada comum entre os gregos», 500 anos antes, em «Ião» 8.

P: Em Atos 21:40-22:23, por que razão Paulo quis dirigir-se à multidão?

R: Provavelmente não foi para os apaziguar e satisfazer. Lembre-se de que Paulo teve uma experiência muito semelhante — só que, nessa ocasião, ele estava do outro lado — quando Estêvão falou em Atos 7:1-58. Na verdade, Paulo teve a ousadia de mencionar isto em Atos 22:20. Paulo estava a evangelizá-los para que acreditassem em Jesus.

P: Em Atos 22:1, o que há de curioso no início do discurso de Paulo?

R: Paulo inicia o seu discurso dirigindo-se a «irmãos e pais», da mesma forma que Estêvão iniciou o seu discurso em Atos 7:2.

P: Em Atos 22:6-8, Paulo podia facilmente imaginar que, ao relatar a sua experiência de conversão, muitos o considerariam um tolo. Continuaríamos a partilhar o evangelho, sabendo que, ao fazê-lo, muitos nos considerariam iludidos?

R: Esperemos que sim, porque devemos valorizar o agrado e o favor de Deus mais do que o louvor e o respeito das pessoas. Quando algumas pessoas o menosprezam, isso pode ainda doer um pouco, mas isso não é tão importante como agradar a Deus. Quando algumas pessoas estão sempre a dizer-lhe que é tolo, inútil, sem valor ou desprezível, para prosperar tem de chegar ao ponto em que simplesmente não se importa com o que elas pensam.

P: Em Atos 22:9, por que razão se diz que não compreenderam a voz, uma vez que Atos 9:7 afirma que ouviram o som?

R: Ouviram o som, mas não conseguiram distinguir as palavras. Três pontos a considerar na resposta.

1. Em Atos 22:9, na versão grega, Paulo diz: «mas a voz Dele não ouviram»

2. Em Atos 9:7, no grego, diz-se: «ouvindo, de facto, o som»

3. Tal como salienta a «Enciclopédia das Dificuldades da Bíblia» (p. 382-383), ouviram um som, mas não ouviram as palavras de uma voz. Embora o substantivo grego seja o mesmo, o verbo está no caso genitivo quando se trata de ouvir um ruído e no caso acusativo quando significa que ouviram uma mensagem que transmitia um pensamento.

P: Em Atos 22:16, como é que as pessoas são batizadas e têm os seus pecados lavados?

R: Em Atos 22:16, o grego é um pouco mais preciso do que o português neste caso. Aqui existem duas orações distintas. A primeira é levantar-se e ser batizado. A segunda é lavar os seus pecados, invocando o Seu nome.

É correto afirmar que as pessoas lavam os seus pecados neste contexto, desde que tenha em conta quatro pontos.

1. O poder de purificar está em Deus, não na magia da água.

2. Deus não está limitado a ser «incapaz» de salvar pessoas que não foram batizadas, pois o ladrão na cruz esteve com Jesus no Paraíso.

3. Da nossa parte, a promessa de uma consciência sincera perante Deus é mais importante do que a água, como mostra 1 Pedro 3:21. No entanto, ser batizado com água é um mandamento para todos os cristãos.

4. Os judeus estavam familiarizados com as abluções cerimoniais previstas na Lei do Antigo Testamento. Assim, os ouvintes de Paulo compreenderam o que ele queria dizer e não confundiram isso com os erros da «água mágica» ou de um «Deus limitado».

A expressão «invocar o Seu nome» é um particípio aoristo grego, que «se refere a uma ação simultânea ou anterior à do verbo principal». Aqui, o facto de Paulo invocar o nome de Cristo (para a salvação) precedeu o seu batismo com água. O particípio pode ser traduzido como «tendo invocado o Seu nome».

P: Em Atos 22:22-23, os judeus pareciam ter aqui uma «frase-gatilho», a de ir aos gentios. Quando devemos utilizar, ou não utilizar, uma frase-gatilho?

R: Paulo pode não ter percebido que aquela seria uma frase-gatilho, que os provocaria, mas, independentemente disso, Deus disse em Génesis 12:3 que todas as nações seriam abençoadas por meio de Abraão, Jonas foi até aos ninivitas e Isaías 49:22 diz que todas as nações virão. Obviamente, se o objetivo principal de Paulo fosse a sua própria segurança, ele não deveria tê-lo dito, nem deveria ter vindo a Jerusalém. Mas o objetivo principal de Paulo era pregar o evangelho na sua plenitude, e eles precisavam de saber que o evangelho era para todos, incluindo os gentios.

Quando partilhamos a verdade de Deus com alguém, por vezes podemos querer começar por um «ponto em comum», afirmando as coisas em que podemos concordar, tal como Paulo fez aqui em Atos 22:3. Mas quando existe um ponto específico em que os ouvintes se opõem ao evangelho, precisamos de abordar especificamente essa questão e mostrar-lhes onde precisam de mudar. Caso contrário, se lhes disser apenas coisas que já sabem e com as quais concordam, teremos realmente lhes dado alguma nova luz?

P: Em Atos 22:24-25, de que forma as pessoas hoje em dia julgam, por vezes, o que está certo ou errado numa pessoa ou num ponto de vista, baseando-se exclusivamente na agitação que outras pessoas provocam?

R: Algumas pessoas não se preocupam com a justiça, mas apenas com a manutenção da paz. É claro que o comandante da guarnição romana, chamado chiliarca, provavelmente não compreendeu o discurso de Paulo em aramaico.

Limitar-se a assumir uma conclusão, confiando nos outros em vez de apurar os factos por si próprio, é mais rápido e pode ser mais eficiente ou mais preguiçoso, se a pessoa não se preocupar demasiado com a correção da conclusão. Mas, para seu crédito, o comandante romano mudou de atitude e quis determinar a razão por si próprio.

P: Em Atos 22:28, por que razão o capitão afirmou que ele próprio pagou para se tornar cidadão romano?

R: Pode ter sido para tentar enganar Paulo, caso este estivesse a mentir. Um homem que fingisse ser cidadão romano poderia simplesmente dizer que também se tornara cidadão romano mediante pagamento. Era muito raro tornar-se cidadão romano mediante o pagamento desse privilégio. Era possível adquirir a cidadania romana durante o reinado do imperador Cláudio (41-54 d.C.). O historiador romano Cássio Dião afirma que Messalina, a esposa de Cláudio, e os libertos vendiam a cidadania romana pelo preço de uma ou duas taças rachadas. Os documentos comprovativos da cidadania romana eram frequentemente guardados em local seguro e não transportados consigo, razão pela qual aceitavam uma afirmação verbal e não exigiam documentos. Além disso, uma segunda razão para aceitar uma afirmação verbal era a severidade da pena por mentir sobre este assunto. Uma falsa alegação de cidadania podia ser punível com a morte.

Além disso, o capitão pode ter sido persuadido porque, embora Paulo tivesse falado anteriormente ao povo em hebraico, provavelmente falou em grego e, uma vez que era natural de Tarso, provavelmente falava um grego perfeito, sem o sotaque da Palestina.

P: Em Atos 23:1-2, como era o sumo sacerdote Ananias, filho de Nedebaeus?

R: Josefo escreveu que o sumo sacerdote Ananias, filho de Nedebaeus, em Atos 23:1-2, era insolente, irascível, profano e ganancioso. Foi nomeado sumo sacerdote pelo governador romano Herodes de Calcis, entre os anos 47 e 59 d.C. O «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 917, afirma que a réplica de Paulo, segundo a qual Deus castigaria Ananias, se concretizou. Ananias foi sumo sacerdote de 47 a 58 d.C. Era conhecido por ser brutal, por roubar os dízimos dos fundos do templo e por subornar tanto judeus como romanos. O povo judeu odiava-o; o Talmude contém até um poema irónico sobre ele: «Levantai as vossas cabeças, ó portas, e deixai que Yohanan [Ananias], filho de Narbai/Nadbai [que significa «o generoso»] e discípulo de Pinqai (que significa «mimar»), entre e encha o seu estômago com os sacrifícios divinos» (b. Pesahim 57a). Quando a guerra com os romanos eclodiu em 66 d.C., os zelotes judeus incendiaram a sua casa. Ele escapou, mas ele e o seu irmão Ezequias foram logo mortos nos terrenos do palácio de Herodes, o Grande.

P: Em Atos 23:3, em que sentido algumas pessoas são como paredes caiadas?

R: A cal é uma tinta barata. Pode fazer com que uma cerca ou parede pareça muito branca, mas a cor branca desbota facilmente com a chuva ou quando algo a toca. No caso de Ananias, este estava a julgar se Paulo tinha infringido a Lei ou não, mas o próprio Ananias ordenou algo ilegal ao mandar açoitar Paulo, apesar de este ainda não ter sido considerado culpado de nada. Da mesma forma, algumas pessoas podem parecer muito justas, mas essa justiça desvanece-se com muita facilidade. Devemos esforçar-nos por alcançar uma retidão que penetre todo o nosso ser. A cal serve para cercas e paredes, mas não para os cristãos.

P: Em Atos 23:3, Paulo ficou zangado e perdeu a paciência?

R: Sim, parece que sim. Paulo não era isento de pecado e, muitas vezes, quando perdemos a paciência, podemos dizer coisas das quais nos arrependemos. Lembre-se de Tiago 1:20, que diz que a ira do homem não produz a justiça de Deus.

P: Em Atos 23:5, por que razão Paulo disse que não sabia que Ananias era o sumo sacerdote?

R: Paulo proferiu as palavras de Atos 23:5 com base em Êxodo 22:28. Ananias foi sumo sacerdote de 47 d.C. a 58 d.C., altura em que Agripa o destituiu e nomeou Ismael ben Fabi como sumo sacerdote a partir de 58 d.C. As Escrituras não o referem, mas existem quatro razões possíveis.

(improvável) 1. Paulo estava a ser sarcástico nesta ocasião. Seria difícil para um estranho reconhecer Ananias como sumo sacerdote, tendo em conta que Ananias infringiu a Lei judaica ao mandar agredir Paulo.

(improvável) 2. Algumas pessoas pensam que Paulo tinha uma visão fraca e que, naquela época, ainda não existiam óculos. Se Paulo conhecia o rosto de Ananias, não o reconheceu à distância.

(provável) 3. Uma vez que Paulo não vivia em Jerusalém, não sabia que Ananias era o sumo sacerdote; ou, se conhecia o nome, nunca tinha visto o homem pessoalmente.

(provável) 4. Quando Paulo foi agredido, ouviu a ordem para que o agredissem, mas não viu quem estava a falar. Paulo dirigiu-se contra quem falava, sem se aperceber de que se tratava do sumo sacerdote.

P: Em Atos 23:5, por que razão Paulo disse que não se deve falar mal do governante do seu povo?

R: Êxodo 22:28 diz para não «amaldiçoar» o governante do seu povo. A palavra hebraica aqui utilizada, «qalal», também significa injuriar, desprezar, menosprezar e assim por diante.

P: Em Atos 23:6, Paulo agiu corretamente ao incitar os fariseus e os saduceus uns contra os outros?

R: Não houve problema em Paulo ter feito isso. Paulo levantou uma questão importante (ver 1 Coríntios 15:1-4), para mostrar que a unidade entre os saduceus e os fariseus era apenas superficial. Uma vez que os fariseus mais tarde se converteram a Cristo em grande número (Atos 15:5), num certo sentido continuavam a ser fariseus.

P: Em Atos 23:6-7, concorda ou discorda de que um saduceu, ao tornar-se cristão, deixa de ser saduceu, mas um fariseu, ao tornar-se cristão, pode continuar a ser fariseu, tal como afirma o New International Bible Commentary, p. 1307?

R: Esta questão é demasiado complexa para ser respondida com um simples «sim» ou «não». Analisemos primeiro o caso dos fariseus e, em seguida, o dos saduceus. Para efeitos de comparação, perguntemos também se um cristão genuíno poderia ter sido nazi na Segunda Guerra Mundial.

Poderia um cristão continuar a ser fariseu? Sim, mas posteriormente não.

Sim, de forma evidente: não havia qualquer exigência oficial de negar que Jesus era o Messias para impedir alguém de se juntar aos fariseus ou de permanecer no seu seio. O seu amor e conhecimento das escrituras do Antigo Testamento constituíam uma vantagem. Assim, um fariseu, ao tornar-se cristão, não teria de decidir abandonar voluntariamente o grupo dos fariseus. No início da história da Igreja, Atos 15:5 mostra cristãos que ainda faziam parte do grupo dos fariseus, embora, infelizmente, tivessem trazido consigo a sua insistência em seguir os costumes judaicos.

Mais tarde, não: no entanto, os outros fariseus poderiam expulsá-lo, porque não gostavam que ele acreditasse que Jesus era o Messias. Mas, se não o expulsassem, então ele poderia permanecer. A título de nota, havia apenas cerca de 5 000 fariseus no tempo de Jesus. Tinham sido perseguidos pelos saduceus, mas os fariseus eram muito estimados entre o povo como mestres da lei. Por isso, permanecer, se possível, poderia ser uma vantagem.

Vejamos a atitude de Paulo em Filipenses 3:6. Paulo, nas suas próprias palavras, era um fariseu, tal como era hebreu, da tribo de Benjamim. Essas coisas não mudaram. No entanto, em Filipenses 3:7–9, Paulo considerou essas coisas como lixo, em comparação com a grandeza incomparável de Cristo. Paulo continuava a ter a sua formação fariseia e não tinha receio de a mencionar como uma conquista, mas não permitiu que isso o impedisse de obedecer a Cristo.

Poderá um cristão continuar a ser um saduceu? A princípio, não; mas, de certa forma, sim.

De forma evidente, não: todos os saduceus negavam a ressurreição, negavam a vida após a morte e negavam a existência de anjos e demónios. Um cristão não poderia acreditar no que Jesus e os apóstolos diziam sobre essas questões e, ao mesmo tempo, acreditar exatamente no contrário.

De forma dissimulada, sim: mas se uma pessoa fosse saduceu e depois se tornasse cristã, poderia ser um «cristão dissimulado» e, secretamente, não revelar aos responsáveis que negava esses ensinamentos saduceus. Isso funcionaria até que os líderes saduceus descobrissem. Ou poderia funcionar indefinidamente se esses líderes em particular fizessem vista grossa ou não se importassem. Assim, um cristão-saduceu seria um «crente secreto» que teria de induzir as autoridades em erro (talvez pelo silêncio), fazendo-as crer que acreditava nos ensinamentos saduceus, enquanto, por outro lado, espalhava a verdade do evangelho a outros saduceus.

Poderia um cristão ser nazi na Segunda Guerra Mundial: abertamente, não; dissimuladamente, sim

Suponha que um nazi se tenha tornado cristão posteriormente, ou que um cristão se tenha tornado nazi, sem saber o que o partido nazi defendia.

De forma aberta, não: o partido nazi acreditava que aquilo a que erroneamente chamavam de raça ariana era a raça superior, e que os membros de outras raças deviam ser subjugados ou mortos. Defendiam o extermínio de judeus, de pessoas com deficiência mental e de muitos europeus de leste para abrir espaço à expansão. Um cristão, que deve amar todas as pessoas, acreditar que em Cristo não há judeu nem gentio, nem quaisquer outras divisões, e que o homicídio é errado, não poderia seguir Cristo e acreditar no que os nazis ensinavam.

De certa forma, sim: sabia que existe um membro do partido nazi que foi sepultado, com honras, em Jerusalém? Oskar Schindler, um membro do partido nazi que testemunhou o que estava a acontecer aos judeus, NÃO renunciou à sua filiação no partido nazi. Pelo contrário, utilizou-a para salvar cerca de 1 200 judeus na Europa do extermínio, gastando toda a sua considerável fortuna em subornos para salvar judeus. Mais tarde, faliu. Na China, um nazista alemão chamado John Rabe trabalhou para proteger um bairro de Nanjing e cerca de 200 000 chineses das atrocidades japonesas. Mais uma vez, ele poderia ter dito: «Não gosto do que o Partido Nazista defende, vou sair e vou simplesmente isolar-me.» Mas não, em vez disso, aproveitou a posição em que se encontrava e a sua filiação nessa organização maléfica para salvar vidas. Por causa disso, após a guerra, foi denunciado por ser nazi e, mais tarde, sofreu de desnutrição por não conseguir arranjar trabalho. Além disso, nem Schindler nem Rabe eram conhecidos por serem cristãos; ambos eram nazis muito dedicados quando a guerra começou.

Relevância nos dias de hoje

Esta é uma questão muito relevante hoje em dia, porque os cristãos debatem se um seguidor de Jesus também pode ser muçulmano ou hindu.

Do lado contrário, podem estar a pecar ao afirmar a mentira de que o Alcorão ou os Vedas são livros espirituais valiosos provenientes do Único Deus Verdadeiro, ou ao não alertar as pessoas de que Maomé é um falso profeta e de que não se pode adorar outro senão o Deus verdadeiro. Se alguns (mas não a maioria) rejeitam que Jesus é Deus, ou negam que Paulo é um apóstolo e autor das Escrituras, então não são, na verdade, crentes de todo.

Do lado positivo, em países como a Malásia, quando alguém nasce numa família muçulmana, o cartão de identidade indica que é muçulmano. Não importa aquilo em que acreditem depois disso, o cartão de identidade não será alterado.

Nos últimos tempos, poderá haver uma oportunidade para os crentes tentarem agir a partir de dentro, para, dissimuladamente, fazerem parte de Babilónia, a fim de sobreviverem e partilharem secretamente com os outros. Mas os crentes NÃO devem aproveitar essa oportunidade, devendo, sim, fugir de Babilónia, tal como Deus ordena em Apocalipse 18:4.

P: Em Atos 23:6-7, hoje em dia, de que tipos de grupos é que uma pessoa poderia, de forma transparente, continuar a fazer parte ao tornar-se cristã, e de que tipos de grupos deixaria de poder fazer parte?

R: Suponho que uma pessoa possa fazer parte de um grupo que não tenha quaisquer crenças antibíblicas com as quais tenha de concordar para aderir ou permanecer como membro. Mas se o grupo defendesse crenças antibíblicas, sem que fosse necessário acreditar nelas, deveria perguntar-se a si próprio por que razão deseja ser membro. Para se tornar muçulmano, tem de afirmar: «Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é o seu profeta.» Não pode dizer isso sem pecar.

Suponha que alguém afirme ter-se tornado cristão, mas diga que não acredita em Deus, não quer seguir Jesus e não aceita a Palavra de Deus. Teria, pelo menos, algumas suspeitas de que essa pessoa pudesse ser um falso cristão? O que é verdade no que diz respeito à negação dos princípios fundamentais do cristianismo é igualmente verdade no que diz respeito à negação dos princípios de outras religiões. Portanto, sim, hipoteticamente, uma pessoa poderia ser cristã e um falso hindu, um falso adorador dos deuses romanos ou até mesmo um falso satanista. Mas será que o Deus Verdadeiro quereria que o senhor fizesse isso? – claro que não.

P: Em Atos 23:11, por que razão o Senhor se teria aparecido a Paulo neste momento?

R: Paulo estava prestes a passar por momentos difíceis, ficando preso durante dois anos. Deus falou para o encorajar e para lhe garantir que estava no lugar certo, exatamente quando precisava de lá estar. Note-se que não houve qualquer crítica ao facto de Paulo se ter deslocado a Jerusalém, nem ao facto de ter colocado os fariseus e os saduceus uns contra os outros.

P: Em Atos 23:1-11, com a sua ousadia, terá Paulo feito um bom trabalho ao testemunhar aqui?

R: Sim, porque ele testemunhou. Uma forma de garantir o fracasso na partilha do evangelho é não o partilhar de todo. Mas Paulo não quis deixar esta oportunidade escapar. Oremos para que tenhamos a ousadia que Paulo tinha. Há uma certa falta de fluidez no diálogo aqui. Não foi pedido a Paulo que fizesse um discurso; tratava-se, antes, de uma sessão de perguntas e respostas, em que podiam interrompê-lo a qualquer momento. Hoje em dia, quando nos encontramos numa situação caótica e não ensaiada, é bom apresentar primeiro os pontos-chave, tal como se faz num artigo de jornal, para o caso de decidirem não ouvir o resto do que tem a dizer.

Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

Não é a resposta: Paulo não testemunhou realmente aqui; ele viria a testemunhar em Cesareia, na Judeia, e mais tarde em Roma. No entanto, esta não é a resposta porque o Senhor não o elogiou pelo que ele viria a fazer, nem o elogiou por ter testemunhado na Judeia, mas sim em Jerusalém.

A resposta: Ele fez um trabalho suficientemente bom ao testemunhar corajosamente perante uma audiência hostil.

P: Em Atos 23:15-25, os quarenta assassinos morreram, e por que razão foram utilizados 470 romanos?

R: É interessante que os judeus achassem que tinham mais hipóteses de Paulo morrer numa emboscada a uma guarda militar romana do que ao condená-lo num tribunal. Isto sugere que eles próprios se aperceberam da fragilidade do seu caso.

Todos estes judeus fizeram um juramento de não comer nem beber até terem matado Paulo. No entanto, se não conseguissem matar Paulo, por motivos alheios à sua vontade, os líderes judeus iriam dispensá-los do seu juramento. Os rabinos permitiam que os votos fossem quebrados por quatro razões: votos de incitamento, votos de exagero, votos feitos por engano e votos que não pudessem ser cumpridos por motivo de coação (M Nedarim 3:1-3).

O comandante romano, Cláudio Lisias, queria garantir a segurança de Paulo, não por uma questão de honra ou preocupação com Paulo, mas sim porque ficaria mal visto se, por negligência, permitisse que os judeus matassem um cidadão romano sob a sua custódia. Cesareia ficava a 65 milhas a noroeste de Jerusalém, suficientemente longe para ficar fora do alcance de um motim. Provavelmente pararam em Antipátris, aproximadamente a meio caminho, a 35 milhas de Jerusalém e a 23 milhas de Cesareia. Além disso, para ganhar velocidade, a infantaria pode ter viajado montada nos animais de carga.

P: Em Atos 23:26-30, quais são alguns dos aspetos significativos desta carta?

R: Há um erro e algumas omissões na mesma. A carta dá a entender que Lisias salvou Paulo por este ser cidadão romano. Na verdade, Lisias só soube que Paulo era cidadão romano muito mais tarde. Lisias aparentemente «esqueceu-se» de mencionar que estava prestes a açoitar Paulo. A maior parte do resto da carta é precisa, mas era muito tendenciosa.

Lucas teria tomado conhecimento desta carta por intermédio de Paulo, mas como é que Paulo saberia do conteúdo desta carta? Mesmo que Félix não tivesse mostrado a carta a Paulo mais tarde, é provável que a mesma tenha sido lida durante o processo judicial.

P: Em Atos 24:1-27, o que sabemos sobre aquele a quem Tertúlio chamou de «nobre Félix» e a sua esposa Drusila?

R: De acordo com o «Comentário Evangélico sobre a Bíblia», p. 918, Antonino Félix nasceu escravo, foi libertado pela mãe do imperador Cláudio e, em 52 d.C., foi promovido a governador da Judeia graças à influência do seu irmão Pallas. Félix era ganancioso e tratava os bandidos com crueldade.

Posteriormente, ocorreu uma revolta em Cesareia, e Félix lidou com a situação com os seus soldados, matando muitos civis judeus e confiscando os seus bens. Um sumo sacerdote judeu chamado Jonatão escreveu a Félix, pedindo-lhe que se mostrasse mais digno do seu cargo. Assim, Félix pagou aos sicários antirromanos, que eram assassinos, para matarem Jonatão. Devido ao comportamento geral de Félix, alguns judeus dirigiram-se a Roma para se queixarem a Nero, e Félix foi destituído. Ele teria sofrido em Roma, não fosse a intercessão do seu irmão Pallas.

Drusila era a filha mais nova de Herodes Agripa I. Os seus irmãos eram Berenice, Mariamne e Herodes Agripa II, conforme se refere em Atos 25:13-26:32. Drusila era a terceira ou quarta esposa de Félix. Ela e Azizas/Azizus, o rei (sob o domínio romano) de Emesa (atual Homs, na Síria), tinham planeado casar-se, quando ela tinha 14 anos, com a condição de que ele se convertesse ao judaísmo. Mais tarde, porém, Félix convenceu-a a abandonar Azizas/Azizus e a casar-se com ele, tornando-se assim a sua quarta esposa.

O próprio Tertuliano tinha um nome bastante comum, que significa «pequeno Tertius». Félix estava familiarizado com os costumes judaicos e tinha reprimido uma revolta de salteadores, à qual Tertuliano provavelmente alude em Atos 24:2. Para além disso, provavelmente havia pouco mais de elogioso que Tertuliano pudesse dizer sobre Félix. Por vezes, bajular alguém pode ser uma tarefa difícil!

Consulte «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, livro 20, cap. 7.1-2,5, pp. 420-421, para mais informações.

P: Em Atos 24:5-8, qual é a essência da acusação de Tertúlio contra Paulo?

R: Tertúlio apresentou apenas quatro acusações. De forma bastante subjetiva, chamou a Paulo de «praga», afirmou que Paulo era um causador de dissensão, afirmou corretamente que Paulo era um líder dos nazarenos (também conhecidos como cristãos) e afirmou falsamente que Paulo tentou profanar o Templo. Mas qualquer pessoa de quem o senhor, ou aqueles que o contrataram, não gostem pode simplesmente ser chamada de «praga». Estranhamente, não se dizia que os judeus que seguiam Paulo e que até tinham um plano para o matar causassem dissensão; apenas Paulo. Será crime liderar um grupo de pessoas? – Os próprios judeus tinham várias escolas rabínicas. Assim, Tertúlio guardou a acusação mais grave, a profanação do Templo, para o fim, e mesmo essa era falsa. Como advogado, Tertúlio tentou tirar o máximo partido do pouco que tinha.

P: Em Atos 24:11-21, qual é a essência da defesa de Paulo?

R: Durante o período muito breve em que esteve em Jerusalém — doze dias —, ele não incitou nada. Os judeus que incitaram a multidão é que deveriam estar aqui, não ele. Paulo não profanou o Templo, e eles não têm provas de que o tenha feito. Sim, ele fazia parte do «Caminho», ou seja, era cristão.

Mas Paulo também disse muitas coisas que não se destinavam propriamente à sua defesa. Primeiro, questionou o facto de não terem apresentado quaisquer acusações específicas sobre como ele teria profanado o Templo, nem sequer o motivo pelo qual estava a ser julgado; por isso, Paulo teve todo o prazer em explicar a Félix qual era a verdadeira acusação que lhe faziam. Paulo aproveitou essa oportunidade para pregar parte do evangelho, sobre a ressurreição dos mortos. É como se tivesse interrompido a sua defesa a meio, porque precisava de divulgar o evangelho.

No início do julgamento, Félix não disse: «Temos de aguardar o veredicto até que Lisias chegue.» É quase como se Félix não visse um resultado rápido, talvez se tivesse cansado do julgamento e tivesse simplesmente decidido adiar o processo até que o próprio Lisias chegasse. Se Félix tivesse absolvido Paulo naquele momento, os líderes judeus ficariam zangados com ele, e Félix estava preocupado em manter a boa vontade deles e em celebrar a festa. Entretanto, os líderes judeus teriam de regressar penosamente a Jerusalém e voltar mais tarde para a continuação do julgamento. Mas Félix provavelmente não se importava com o incómodo deles, nem com o tempo que Paulo permaneceria na prisão. A propósito, não temos qualquer registo de que Lisias tenha alguma vez feito a viagem de dois dias para vir até ali.

P: Em Atos 24:25b, qual é hoje a diferença entre rejeitar o evangelho e simplesmente adiar a sua consideração?

R: Quando o adiamento é infinito, então, em última análise, não há qualquer diferença. Mas Deus é paciente connosco, e podemos orar para que o adiamento de alguém seja temporário e que essa pessoa mude de opinião. Deus é muito paciente com os incrédulos, e nós também devemos sê-lo. Infelizmente, neste caso, Félix mandou-os ir-se embora, dizendo que mandaria chamar Paulo quando lhe fosse conveniente. Aparentemente, nunca houve um momento conveniente para Félix aceitar o evangelho. Quando alguém só está disposto a ouvir o evangelho quando lhe é conveniente, em muitos casos nunca há um momento conveniente.

P: Em Atos 24:25-27, Félix foi injusto ao manter Paulo na prisão?

R: Segundo os padrões romanos, Félix não foi injusto, mas, na realidade, foi. Félix não tinha proferido nenhum veredicto errado contra Paulo. No entanto, ao manter Paulo preso durante dois anos, agiu de forma errada. Paulo encontrava-se numa situação a que os romanos chamavam «custodia libera», o que significa que estava sempre sob vigilância, mas os seus amigos podiam entrar e sair para o visitar. Além disso, embora fosse justo que Paulo se defendesse durante o julgamento, Paulo passou, essencialmente, por quatro julgamentos: perante o Sinédrio, Félix, Festo e Herodes Agripa II. Paulo deve ter-se questionado quantos julgamentos teria de passar, sem que lhe fosse atribuída qualquer culpa, antes de o libertarem. Hoje em dia, as pessoas podem ser injustas não só ao negar o que alguém deveria ter, mas também ao adiar isso indefinidamente.

P: Em Atos 24:26, por que razão Félix esperaria receber um suborno de Paulo, um mero fabricante de tendas?

R: É muito provável que Paulo não fosse rico, mas alguém capaz de levar uma oferta monetária substancial a Jerusalém ou tinha amigos que, em conjunto, possuíam muito dinheiro. Além disso, de acordo com a obra «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, livro 20, cap. 9.5, p. 424, após o governo de Félix e Festo, o governador Albino esvaziou quase por completo as prisões, e os únicos que restaram foram aqueles que não podiam pagar-lhe qualquer quantia.

Por um lado, Félix provavelmente poderia ter obtido dinheiro pedindo um suborno aos judeus para lhes entregar Paulo. Mas se alguém alguma vez contasse que Félix fez isto para mandar matar um cidadão romano, isso seria muito perigoso para Félix.

P: Em Atos 24:27, qual é a informação extra-bíblica de que dispomos sobre Festo?

R: Porcius Festo foi nomeado governador da Judeia no outono de 60 d.C. No entanto, existe alguma incerteza quanto à data, que pode variar entre 55 d.C. e 60 d.C. Josefo (Antiguidades dos Judeus 20.8.9-11; 20.185-188, e «Guerras dos Judeus» 2.271, escritos por volta de 93-94 d.C.) também afirma que Festo foi nomeado governador da Judeia. Os judeus teriam considerado Festo melhor e mais razoável do que o seu antecessor Félix, e também do que os seus sucessores Lucceius Albinus (62-64 d.C.) e o corrupto Gessius Florus (64-66 d.C.)

Festo era o apelido de uma família nobre de Roma.

Não há registos relativos a Festo antes da sua chegada à Palestina. No entanto, os registos do seu governo mostram que era mais sábio e mais honesto do que Félix. Ainda assim, Félix teve de se deslocar a Roma para responder pela forma como lidou com os motins entre judeus e gentios em Cesareia.

Em contraste, Félix reprimiu a população de forma violenta. Era originalmente um escravo e mais tarde foi libertado. O historiador romano Tácito disse sobre Félix: «Ele exerceu o poder real com a mentalidade de um escravo». Mandou assassinar um sumo sacerdote chamado Jonatão, que o criticava pelo seu mau governo.

P: Em Atos 25:2, por que razão se diz «sumos sacerdotes» (no plural), quando se supunha que havia apenas um sumo sacerdote?

R: O sumo sacerdote naquela altura era Ismael, filho de Fabi, nomeado por Herodes Agripa II (Marco Júlio Agripa II). Ismael sucedeu a Ananias. Em geral, um antigo sumo sacerdote ainda podia ser chamado de sumo sacerdote, mas havia aqui uma razão mais imediata. Ananias continuou a deter o poder até que os rebeldes judeus o mataram em 66 d.C. Ananias não hesitava em recorrer ao homicídio e ao assassinato para alcançar os seus objetivos, e é apropriado que aqueles que viviam pela espada morressem pela espada. Consulte «Antiguidades dos Judeus», de Josefo, 20, 179 (i.8), 194-196 (8.11) para mais informações.

P: Em Atos 25:23, que mais sabemos sobre Berenice?

R: Em primeiro lugar, o seu nome era Berenice ou Pherenika, pronunciado como «Verónica» em latim. Berenice estava noiva de Marcus, um sobrinho do filósofo judeu Filo. Posteriormente, casou-se com o seu tio Herodes de Calcis, um reino muito pequeno sob o domínio romano nas montanhas do Líbano. Após a morte deste, em 48 d.C., ela deixou o seu terceiro marido e passou a viver com o seu irmão (um ano mais velho), Agripa II. Tanto o poeta romano Juvenal (Satirae 6.156-160) como o historiador judeu Josefo (Antiguidades 20.145-147) afirmaram que mantinham uma relação incestuosa. No entanto, isso não constituiria um problema, uma vez que o imperador Nero mantinha uma relação sexual com a sua própria mãe (embora ela provavelmente não fosse consentânea). Ela alinhou-se com os romanos na Guerra Judaica e, mais tarde, tornou-se amante de Vespasiano e, posteriormente, do general romano Tito. Isso tornou-se um escândalo público, pelo que Tito acabou por ter de a afastar

Assim, temos aqui este «casal» a tentar escrever a um imperador que mais tarde (após o ano 60 d.C.) se tornaria um monstro, a tentar apresentar acusações ao imperador Nero sobre as razões pelas quais Paulo é um homem maléfico e culpado, e estão a ter dificuldades. Note-se, no entanto, que Paulo continua a tratá-los com respeito.

De qualquer forma, como Agripa era considerado um especialista em judaísmo e um amigo da família do imperador, foi-lhe concedido o privilégio de escolher o sumo sacerdote judeu, tendo ele destituído Ananias e escolhido Ismael, filho de Fabi. Mais tarde, surgiu uma disputa sobre um muro que bloqueava a vista do rei para o Templo, pelo que Agripa destituiu Ismael e escolheu José, filho de Simeão. Apesar de tudo, o antigo sumo sacerdote Ananias continuava a controlar os bastidores, e é provavelmente por isso que Lucas se refere aos «sumos sacerdotes» no plural.

P: Atos 25:23 menciona que Agripa e Berenice entraram com grande pompa, mas as Escrituras não registam isso em relação a Herodes ou a Pilatos. Por que razão algumas pessoas agem com «pompa»?

R: Trata-se de «meta polles phantasias» em grego. Fazem as coisas por uma questão de aparência, fingindo que a aparência corresponde à essência. Os romanos costumavam recorrer a muita pompa. Talvez se pensasse que a pompa impressionaria os líderes judeus ou intimidaria o acusado. Havia cinco coortes estacionadas em Cesareia, e cada coorte era composta, nominalmente, por 1 000 homens. Assim, haveria cinco chiliarcas romanos a acompanhar Festo.

Os imperadores romanos eram por vezes chamados de Augusto, ou «Sebastos» em grego, o que significava que eram superiores aos outros mortais. No entanto, só a partir da época de Nero é que passaram a ser chamados de «Senhor».

Hoje em dia, algumas pessoas têm a ideia de que, se parecerem importantes, as outras as aceitarão como importantes e, assim, tornar-se-ão mais importantes. É triste pensar que a sua autoestima depende da sua aparência e popularidade.

P: Em Atos 26:12-15, Paulo omitiu alguns detalhes, tais como os relativos a Ananias e ao facto de ter recebido a missão mais tarde. Quando é que é aceitável resumirmos e simplificarmos?

R: Paulo não recorreu ao engano, e nós também não devemos fazê-lo. No entanto, Paulo omitiu alguns detalhes, uma vez que estes não seriam considerados importantes para o público. É perfeitamente aceitável que também omitamos detalhes.

P: Em Atos 26:14, como é que a voz poderia estar a falar com Saulo em hebraico, uma vez que a expressão popular «é difícil resistir aos aguilhões» era conhecida em grego, mas não em hebraico?

R: Era uma expressão bem conhecida em grego, que significava lutar contra a divindade, como demonstram estas cinco referências. «Bacantes», de Eurípides, 794-795; «Prometeu Acorrentado», de Ésquilo, 324-325; «Agamenon», 1624; «Pítia», de Píndaro, 2.94-95; «Formião», de Terêncio, 1.2.27. Paulo conhecia o grego e a cultura grega tão bem como o hebraico. Existem duas respostas possíveis e, francamente, não importa qual delas seja a verdadeira.

1. Não é invulgar traduzir uma expressão coloquial de uma língua para outra, especialmente quando Paulo — para não falar de Deus — conhecia bem ambas as línguas.

2. Deus poderia ter falado com Paulo em hebraico e proferido apenas esta frase em grego. Continuaria a ser correto, embora impreciso, afirmar que Deus falou com Paulo em hebraico, mesmo que Deus também tenha proferido uma pequena frase em grego.

P: Em Atos 26:14, um aguilhão era uma vara dura e afiada usada para cutucar um boi quando este se recusava a avançar. «Chutar contra os aguilhões» é mais do que simplesmente pecar. De que forma as pessoas pecam e «chutam contra os aguilhões» hoje em dia?

R: Como observou com humor um escritor mais moderno: «Os seus braços são demasiado curtos para lutar com Deus.» Uma coisa é pecar, mas outra é ser desafiador a esse respeito. Quando Deus disse claramente para não fazer algo e, sabendo disso, o senhor vai em frente e o faz na mesma, está basicamente a lutar contra Deus.

P: Em Atos 26:23, o que significa exatamente «primeiro» neste contexto?

R: Primeiro, analisemos a palavra grega para «primeiro» que Paulo utiliza aqui e noutros passos; depois, vejamos exatamente o que Paulo entendia por ressurreição, aqui e noutros passos.

As palavras gregas protos/proton (Strong 4412/4413) são termos relacionados que podem significar «primeiro» em termos de tempo, ordem ou importância. Paulo também utiliza esta palavra num sentido aproximado para significar «desde cedo» ou «antes de outro».

Combinando os escritos de Paulo e o relato de Lucas sobre o ensinamento de Paulo, verifica-se que Paulo utiliza esta palavra da seguinte forma:

Apenas no sentido de tempo ou ordem: Atos 13:46; 20:18; 26:20; 1 Coríntios 14:30; 16:2; Gálatas 4:13; Efésios 1:12; 4:9; 1 Tess 4:16; 2 Tess 2:3; 1 Tim 3:10; 5:4; 5:12; 2 Tim 1:5; 4:16; 2 Tim 2:6; Tt 3:10

Apenas em termos de importância: 1 Coríntios11:18 ;12:28 ; 15:3; 2 Coríntios 8:5,12; 1 Timóteo1:16 ; 2:1

Tanto em termos de tempo/ordem como de importância: Atos 26:23; Rom 1:8;1:16 ; 1 Cor 15:45,46,47; 1 Tim 2:13

Desde cedo ou antes de outro: Romanos 10:19-20; 15:24; Efésios 1:12; 6:2; Filipenses 1:5; 1 Timóteo 1:16; 2 Timóteo 4:16

Indiferenciado: Rom 2:9; 2:10; Ef 6:2

Conclusão: Atos 26:23 pode significar as três coisas: tempo/ordem, importância e antes de outro. Cristo foi o primeiro a ressuscitar com um corpo incorruptível, Ele é a fonte da nossa ressurreição e ressuscitou antes de qualquer um de nós ressuscitar.

Que tipo de ressurreição:

Paulo não era estranho à ressurreição, tendo ressuscitado Eutico dos mortos em Atos 20:9-12. Mas, para ser mais preciso, o grego não se refere à ação de «ressuscitar dos mortos», mas sim ao substantivo «ressurreição dos mortos». Então, a que é que Paulo se refere?

a) Ressurreição temporária com corpos que voltariam a morrer: Lázaro (João11:38 -42), o filho da viúva (1 Reis17:22 ), o filho da sunamita (2 Reis4:28 -37) e Eutico (Atos 20:9-12).

b) A ressurreição permanente, da qual Jesus foi o primeiro a ressuscitar com um corpo incorruptível.

Paulo não pregou em nenhum outro lugar o primeiro tipo, apenas o segundo. Em Romanos 6:9, ele afirma que, uma vez que Cristo ressuscitou dos mortos, «Ele não pode morrer novamente», e, da mesma forma, os nossos corpos ressuscitados são incorruptíveis (1 Coríntios 15:20-23, 35-55). Paulo também afirma: «Na verdade, Deus ressuscitou-O [Jesus] dos mortos, para que nunca mais visse a decomposição», em Atos 13:34a

Seria errado pensar que Paulo pregou que Cristo teve apenas uma ressurreição temporária, ou que Paulo nos prometeu apenas uma ressurreição temporária. A sua mensagem a Festo e a Agripa, e a todos os outros, referia-se exclusivamente à ressurreição permanente que Cristo e nós possuímos.

P: Em Atos 26:24-29, por que razão Paulo se mostrou tão ousado perante o rei Agripa?

R: O que é que Paulo tinha a perder? O Espírito Santo disse a Paulo que ele iria testemunhar em Roma, e Paulo sabia que iria para Roma. Paulo mostrou-se ousado nesta ocasião com o objetivo de converter os seus ouvintes. Aparentemente, Paulo considerou que um apelo direto e simples era a melhor abordagem. Também pode ter havido uma urgência para que Paulo recorresse a Roma naquele momento. Festo não estava familiarizado com a situação e, aparentemente, não suspeitava que os judeus apenas queriam que Paulo fosse enviado para Jerusalém para que pudessem emboscá-lo. Paulo pode ter recorrido a Roma naquele momento porque percebeu que estava prestes a ser enviado para Jerusalém.

Poder-se-ia perguntar por que razão Paulo se daria ao trabalho de pregar o evangelho a governantes que pareciam estar tão distantes do alcance do evangelho. Talvez a resposta seja que Paulo não via as coisas dessa forma. Paulo não se questionava sobre quem estivesse fora do alcance do evangelho, mas, uma vez que tinha a oportunidade, iria aproveitá-la e pregar não só a Félix e ao rei Agripa, mas a todos os demais que o ouvissem.

Como nota histórica, no século II (100-200 d.C.), os cidadãos romanos eram geralmente enviados para Roma sem necessidade de recorrer a César. No século III, quase todos os que não eram escravos no Império Romano eram cidadãos, pelo que quase qualquer pessoa podia optar por ser enviada para Roma. Mas, na época de Paulo, os cidadãos romanos não eram enviados para Roma a menos que recorressem especificamente a César.

Hoje, devemos ser ousados também. Não se limite a fazer da apresentação do Evangelho um motivo oculto, mas diga abertamente que o motivo mais importante para falarmos com eles é que possam ser salvos.

P: Em Atos 26:24-25, por que razão Festo acusou Paulo de estar louco?

R: Não foi porque pensava que Paulo era ignorante; na verdade, afirmou que toda a grande erudição de Paulo o tornava louco, o que, de certa forma, diz algo sobre o próprio nível de erudição de Festo. Uma razão pela qual Festo pode ter dito isto é porque talvez não tivesse acompanhado toda a argumentação de Paulo. Uma segunda razão é que Festo era grego, não judeu, e a filosofia grega não tinha (quase) nenhum conceito de pessoas que ressuscitassem dos mortos.

P: Em Atos 26:27, Paulo estava a sair-se bem com o seu discurso eloquente, erudito e baseado nas Escrituras, mas interrompeu tudo isso para fazer ao rei Agripa uma pergunta direta e perspicaz. Quando acha que devemos fazer uma pausa na nossa partilha do evangelho para fazer perguntas diretas e perspicazes?

R: Numa pregação do evangelho, pode ser fácil para o ouvinte ouvir passivamente e não perceber que está prestes a tomar a decisão mais importante da sua vida: se deve ou não acreditar e seguir a mensagem do evangelho. O rei Agripa era supostamente um especialista no judaísmo, incluindo os profetas. Mas Paulo traçou aqui uma linha na areia. Agripa conhecia os profetas, mas será que, sim ou não, acreditava neles? Agripa era, sem dúvida, um ouvinte disposto a ouvir, mas será que era um ouvinte disposto a fazer a diferença e a mudar com base no que iria ouvir?

P: Em Atos 26:27-29, por que razão o rei Agripa não aceitou Cristo quando Paulo lhe falou?

R: Embora não conheçamos todas as razões, pode ter sido por orgulho, medo ou por estar a ser observado por outras pessoas. Em última análise, Deus conhecia de antemão e predestinou quem iria para o Céu. Independentemente da forma como possa considerar que o conhecimento prévio e a predestinação se inter-relacionam, é incorreto combinar os dois de tal forma que, explícita ou implicitamente, isente o rei Agripa da sua responsabilidade de aceitar e acreditar.

P: Em Atos 26:32 e Atos 25:11, deveria Paulo ter recorrido a César?

R: Isso significava que Paulo viajaria para Roma para que César decidisse o seu caso pessoalmente.

Paulo agiu de forma sensata ao recorrer a César por três razões.

Em primeiro lugar, Paulo queria ir para Roma, e isso seria o seu bilhete de entrada.

Em segundo lugar, Paulo pode ter percebido que a oposição implacável e assassina significaria que nunca seria libertado na Judeia. Lembre-se de que os sumos sacerdotes queriam que Paulo regressasse a Jerusalém, para que pudessem emboscá-lo.

Em terceiro lugar, se Paulo comparecesse perante César e fosse declarado inocente, isso conferiria ao cristianismo uma base jurídica, tal como o judaísmo possuía.

Por fim, lembre-se de que, quando alguém diz algo, isso não significa necessariamente que o que está a dizer seja verdade. Festo e Agripa concordaram que Paulo era inocente e, se ele não tivesse recorrido a César, teriam-no libertado. Era fácil para eles dizerem isso agora. Podiam ter libertado Paulo a qualquer momento durante os dois anos em que este permaneceu na prisão! Podiam até tê-lo libertado agora, o que teria tornado o recurso a César uma questão sem sentido. É fácil para alguém parecer muito simpático e conciliador quando isso não acarreta qualquer custo, quando não tem nada a perder e sabe que é impossível que a sua «generosidade» seja posta em prática. Na verdade, Festo provavelmente deu um suspiro de alívio quando Paulo apresentou o seu recurso, porque isso o tirou de uma situação delicada. Ele não queria antagonizar os judeus e preferia não matar um cidadão romano inocente, pelo que mais tarde poderia ter de prestar contas. Assim, Festo provavelmente percebeu que, mesmo que Paulo fosse inocente, poderia ainda assim ser uma pessoa perigosa.

P: Em Atos 27:1-28:13, o que podemos deduzir do estilo de escrita?

R: O relato é tão pormenorizado que Lucas deve ter sido testemunha ocular e, provavelmente, teve até acesso aos diários de bordo do navio. Como afirmou Thomas Walker: «Não existe em toda a literatura clássica um registo tão pormenorizado do funcionamento de um navio antigo.» Sendo médico, Lucas — que frequentemente utilizava terminologia médica no Livro dos Atos — teria um olho para os pormenores. Por outro lado, a terminologia simples de Lucas sobre a navegação indica que ele não era marinheiro. James Smith, de Renfrewshire, na Escócia, foi velejador durante trinta anos e deslocou-se a Malta para estudar a viagem de Paulo. Em 1848, escreveu *A Viagem e o Naufrágio de Paulo*: «nenhum marinheiro teria escrito num estilo tão pouco semelhante ao de um marinheiro; nenhum homem que não fosse marinheiro poderia ter escrito um relato de uma viagem marítima tão coerente em todas as suas partes, a não ser a partir de observação real.» Por outro lado, sem contar com esta viagem, as outras onze viagens de Paulo totalizaram 3 500 milhas. Assim, embora Paulo não fosse um marinheiro experiente, era um passageiro de navio experiente.

Além disso, quem mais estaria provavelmente a bordo? Entre os passageiros, provavelmente também se incluíam outros prisioneiros a caminho de Roma para serem julgados ou executados. Era frequente que os executassem no Coliseu ou noutras arenas.

P: Em Atos 27:10, terá Paulo feito aqui uma falsa profecia, de que as pessoas perderiam a vida, uma vez que ninguém perdeu a vida, de acordo com Atos 27:22-23?

R: Não, mas há duas respostas diferentes.

A opinião inicial de Paulo versus a promessa posterior de Deus: Paulo falava com base no seu próprio conhecimento em Atos 27:10, porque disse: «Eu vejo», e não «Deus disse» ou «um anjo disse», como em Atos 27:22.

A vontade revelada de Deus pode mudar quando a nossa vontade muda: talvez Deus tenha realmente dito a Paulo que poderia haver perda de vidas antes de Atos 27:10. Uma vez que Atos 27:24 diz que as vidas daqueles que estavam com Paulo lhe foram «concedidas», Paulo deve ter orado fervorosamente por eles. A vontade revelada de Deus para connosco pode mudar quando oramos, ou quando a nossa vontade muda. Para outro exemplo disto, consulte Génesis 20:3-7. Para um exemplo em que a oração fiel, frequente e fervorosa de David foi respondida com um «Não», consulte 2 Samuel 12:15-19.

P: Em Atos 27:10, como deve viver quando é, contra a sua vontade, parte de algo que se dirige para o naufrágio?

R: Primeiro, ore a esse respeito e, depois, avise os outros, tal como Paulo fez. Por vezes, isso não resulta porque aqueles a quem o senhor avisa subestimam a gravidade do perigo ou a probabilidade de que este venha a ocorrer. Poderá querer sair do barco, se for possível, embora isso não fosse viável no caso de Paulo. Ou, se estivesse no Titanic quando este se estava a afundar, poderia dizer às pessoas para entrarem nos botes salva-vidas, dizer-lhes para esperarem que outros os enchessem e, em geral, agir como Cristo gostaria que agisse nessa situação. Mas, para fazer essas coisas, teria de manter a cabeça fria e não entrar em pânico. É mais provável que as pessoas entrem em pânico quando não sabem que Deus está a velar por elas. Mas o facto de Deus velar por si pode incluir acalmar os seus nervos para que possa optar pelo melhor curso de ação.

Podemos contentar-nos em pensar que, desde que sigamos fielmente a Deus, não enfrentaremos tempestades severas nem naufrágios. Mas isso não é verdade, nem fisicamente nem emocionalmente, mesmo para Paulo. Deus conduzir-nos-á através das tempestades, mas, entretanto, devemos ser um «foco de calma», sendo boas testemunhas e louvando a Deus mesmo no meio da tempestade.

P: Em Atos 27:14, o que é um vento «Euroclydon»?

R: Significa literalmente «nordeste», e é um vento forte do nordeste que ocorre no outono e no início do inverno nesta parte do Mediterrâneo. Torna a navegação no Mediterrâneo oriental perigosa após 14 de setembro. Isto ocorreu após o Dia da Expiação e, segundo William Ramsay, em outubro de 59 o Dia da Expiação foi a 5 de outubro, pelo que os períodos de navegação tranquila terminaram até cerca de 5 de março. Cauda era uma pequena ilha a cerca de 25 milhas a sul de Creta. Era imprudente navegar nesta época do ano, mas os proprietários provavelmente quiseram arriscar por uma questão de dinheiro. A viagem de Fair Havens até Phoenix era de menos de 100 milhas, e o vento estava suave quando partiram, pelo que decidiram arriscar.

P: Em Atos 27:17, de que forma as pessoas hoje em dia se sentem mais seguras ao tomarem pequenas precauções em situações perigosas?

R: Em Atos 27:17, colocaram cordas à volta do exterior do navio para o manter mais firme em mar agitado. Imagine que lhe dizem que vai enfrentar ventos com força de furacão no mar, mas que não se preocupe com nada, pois irão colocar cordas à volta do seu barco! Embora colocar cordas à volta da embarcação fosse uma boa ideia, não era nem um centésimo tão boa quanto a ideia de, para começar, não zarpar para lá tão tarde. Mas, uma vez tomada essa decisão — em prol do lucro financeiro, colocando em risco a segurança de todos —, amarrar o navio era melhor do que nada. As outras quatro medidas que tomaram — içar o bote salva-vidas para o interior do navio, baixar a vela para abrandar a velocidade, lançar âncora para abrandar ligeiramente a velocidade e, por desespero, atirar a carga ao mar — foram o melhor que puderam fazer, agora que já se encontravam nessa situação. Queriam abrandar o navio, porque não queriam embater na costa da Líbia à noite. Havia receio de bancos de areia ao largo da costa da Líbia.

Hoje em dia, por vezes, as pessoas fazem coisas que lhes proporcionam um pouco mais de segurança, não porque isso faça grande diferença, mas para se sentirem melhor por se encontrarem numa situação de risco. É melhor avaliar o risco global e, talvez, nem sequer ter entrado nessa situação de risco, para começar. Pequenos passos para melhorar algo ou torná-lo menos arriscado são aceitáveis, mas não deixe que isso o impeça de analisar a situação global. Por exemplo, pense em Robin Hood, que roubava aos ricos para dar aos pobres. Deveria ele ter roubado? Não. Mas se ele desse um pouco aos pobres, isso far-lhe-ia sentir-se melhor? É melhor não roubar as pessoas do que roubá-las, mesmo que se dê aos pobres dinheiro que não era seu.

P: Em Atos 27:21, como e quando deve dizer «Eu bem vos avisei», tal como Paulo parece ter feito aqui?

R: Depende muito da sua atitude e do tom de voz com que o disser. Paulo não estava a tentar menosprezá-los, mas o facto de ter dito isto sugere que, no futuro, eles deveriam prestar mais atenção às suas recomendações.

P: Em Atos 27:27, como é que estavam a navegar no mar Adriático, uma vez que deveriam estar a sul de Itália?

R: Naquela época, o que chamavam de Mar Adriático também incluía as águas a sul da Itália, estendendo-se até à Sicília e Malta a oeste e à ilha de Creta a leste. Esta área situa-se consideravelmente mais a sul do que aquilo a que hoje se chama Mar Adriático. Josefo, que também sofreu um naufrágio nesta zona, chamava-lhe «Mar de Adria».

P: Em Atos 27:37, por que razão havia tantas pessoas (276) no navio em que Paulo viajava?

R: Aparentemente, tratava-se de um navio de grandes dimensões, e a maioria dos navios daquela época contava com escravos para remar. Josefo, no livro 15, capítulo 3, da obra «Vida», mencionou que o navio que o transportou para Itália tinha 600 passageiros. Josefo também sofreu um naufrágio, do qual apenas 80 passageiros sobreviveram.

P: Em Atos 27:38-41, por que razão pretendiam encalhar o navio num rio ou ribeiro?

R: Provavelmente para evitar rochas de grandes dimensões.

P: Em Atos 27:41, qual é o significado de encalhar a embarcação entre dois mares?

R: Havia (e ainda há) bancos de areia naquilo a que hoje se chama Baía de São Paulo, entre as ilhas de Malta e o ilhéu vizinho de Salmonetta. Este local era perfeito para encalhar o navio, uma vez que ninguém desejaria conduzi-lo contra as rochas.

Este pormenor insignificante é muito significativo, porque ninguém saberia disto a menos que vivesse em Malta ou fosse testemunha ocular.

P: Em Atos 27:42, por que razão os soldados estavam tão ansiosos por matar os prisioneiros?

R: Os soldados romanos podiam ser mortos por deixarem os seus prisioneiros fugirem, mas não seriam punidos por matá-los para os impedir de fugir. Talvez os soldados ficassem satisfeitos, uma vez que toda a culpa recairia sobre o centurião, já que foi ele quem lhes ordenou que não matassem os prisioneiros.

P: Em Atos 27:1 a 28:1, todos nós enfrentamos tempestades na vida. Como compararia e contrastaria a viagem de Paulo com a de Jonas?

R: É interessante comparar a viagem de Paulo com uma viagem semelhante, realizada por Jonas aproximadamente na mesma zona. Ambos enfrentaram tempestades e, inesperadamente, tiveram de abandonar a proteção do navio. Mas Jonas, sob a proteção de Deus, estava a fugir voluntariamente para desobedecer a Deus. Paulo, apesar da potencial oposição de Satanás, mas ainda assim sob a proteção de Deus, era um prisioneiro sem qualquer controlo sobre o seu destino. No entanto, ambos chegaram aos destinos que Deus lhes tinha destinado. E ambos chegaram lá de formas totalmente inesperadas para eles.

P: Em Atos 28:1, o que sabemos sobre a ilha de Malta?

R: Malta é uma pequena ilha (18 por 8 milhas, 95 milhas quadradas ou 246 quilómetros quadrados), que fica apenas a 58-60 milhas (93-96 quilómetros) a sul da Sicília e a cerca de 180 milhas a nordeste da Tunísia. Situa-se a 600 milhas (960 quilómetros) a oeste de Fair Havens, em Creta.

Os habitantes eram antigos fenícios, além de soldados romanos e as suas famílias. Eram chamados de «bárbaros», não por não serem civilizados, mas porque, originalmente, «bárbaro» significava alguém que não falava grego (ou, mais tarde, latim) como língua materna. A Bíblia de Estudo NIV, na página 1699, acrescenta que estas pessoas eram descendentes de fenícios que tinham sido romanizados e, por isso, bastante civilizados.

P: Em Atos 28:1, onde é que Paulo desembarcou exatamente em Malta?

R: Provavelmente num local que hoje se denomina Baía de Paulo (por razões óbvias). Fica a cerca de 8 milhas (13 km) a noroeste da cidade de Valeta.

P: Em Atos 28:3, como é que uma víbora se pôde agarrar à mão de Paulo, uma vez que hoje em dia não existem víboras em Malta?

R: Atualmente, existem apenas duas espécies de cobras em Malta, e ambas foram importadas. Também não há hoje em dia muita floresta em Malta onde se possa recolher lenha. No entanto, antes de os homens terem desmatado a floresta, não há razão para supor que não existissem os mesmos tipos de cobras que se encontravam nas terras circundantes. A cobra Vipera aspis vive no sul da Europa, a Vipera latastei habita em Espanha e Portugal, e a Vipera ammodytes encontra-se um pouco mais longe, no sudeste da Europa.

Embora pudesse ter sido um demónio disfarçado de cobra, não há motivos para supor que não se tratasse de um animal normal e natural. Quer a cobra fosse autóctone ou tivesse chegado num navio, os malteses não eram estranhos às cobras venenosas.

P: Em Atos 28:4, quem ou o que é «Justiça» neste contexto?

R: «Justiça» significa «justiça», mas havia também uma deusa grega chamada Dike/Dice, também conhecida como «Senhora Justiça», que era a deusa da justiça e da ordem moral. Era filha de Zeus e da sua segunda esposa, a titã Themis, que era a deusa da «ordem divina e da justiça». Assim, os malteses poderiam estar a referir-se a qualquer uma delas. Embora a maioria dos malteses fosse de origem fenícia/cartaginesa, outros eram famílias de soldados romanos. Aparentemente, vários deuses e deusas circulavam livremente entre as culturas.

P: Em Atos 28:7, existe alguma evidência arqueológica relativa ao título de «primeiro/chefe» da ilha?

R: Sim. Malta era demasiado pequena para ser uma província ou um reino. Uma inscrição revela que o Imperador Augusto nomeou um «homem principal sobre todo o município de Malta».

P: Em Atos 28:7, existe alguma evidência extra-bíblica sobre este Publius, o «chefe da ilha»?

R: Sim. A tradição diz que Publius se tornou o primeiro bispo de Malta. Gennadius/Jerónimo, na obra «Sobre Homens Ilustres» 19, afirma que ele foi posteriormente morto pela sua fé cristã.

P: Em Atos 28:7-10, por que razão os habitantes da ilha lhes teriam fornecido provisões?

R: Malta é uma ilha pequena, e os ilhéus não tinham qualquer obrigação de oferecer provisões em vez de as venderem. Mas provavelmente estavam muito gratos pelas pessoas que Paulo curou na ilha. Assim, todos os soldados romanos e a tripulação beneficiaram das ações de Paulo. Como crente hoje em dia, as pessoas à sua volta beneficiam da sua vida abençoada?

P: Em Atos 28:8, de que doença poderia o pai de Publius estar a sofrer?

R: Malta tem um clima temperado. No inverno, a temperatura pode situar-se entre os 50 e os 65 °F (10-17 °C), pelo que poderia ter sido uma série de coisas. Na maioria dos locais, a disenteria resulta de água contaminada ou de alimentos estragados. No entanto, em Malta, existe uma terceira causa. Existe um microrganismo, encontrado no leite de cabra em Malta, Gibraltar e outros locais quentes do Mediterrâneo, chamado Micrococcus melitensis. Atualmente, existe uma vacina contra esta doença, mas, sem a vacina, a febre intermitente pode durar de quatro meses até três anos.

P: Em Atos 28:11, quem eram Castor e Pólux?

R: De acordo com a mitologia grega, Castor e Pólux eram gémeos nascidos de Zeus e de Leda, rainha de Esparta, quando Zeus assumiu a forma de um cisne e engravidou Leda. Eram os deuses padroeiros dos marinheiros. Se a sua constelação, Gémeos, fosse avistada durante uma tempestade, isso significava boa sorte. Supostamente, nasceram de ovos. Este mito não era tão popular como outros da época, mas mais tarde, durante o Renascimento, muitos artistas criaram pinturas que retratavam o ato em si, incluindo Leonardo da Vinci (obra nunca concluída) e Miguel Ângelo. Foram pagos por mecenas para o fazer. Se for pago para fazer algo, quanto tempo passa a questionar-se se Deus realmente quer que trabalhe nisso ou não?

A propósito, no Vaticano, na porta da Basílica de São Pedro, há uma imagem do que parece ser Leda e o cisne. O Trip Advisor tinha uma fotografia disso. Não sei por que razão isso se encontra no Vaticano.

P: Em Atos 28:24-25, o que sabemos sobre os judeus em Roma?

R: Eles estiveram inicialmente em Puteoli, um porto perto de Nápoles, por volta de 4 a.C. O imperador Cláudio tinha expulsado os judeus de Roma entre 41 e 53 d.C., mas, desde então, lhes tinha sido permitido regressar. Havia sete sinagogas judaicas diferentes em Roma. Eram uma minoria em Roma, mas uma minoria significativa.

P: Em Atos 28:30-31, o que fez Paulo durante os dois anos em que esteve em prisão domiciliária em Roma?

R: As Escrituras dizem que Paulo recebia visitantes e pregava o evangelho, mas não dizem muito mais do que isso. Esta pode ter sido a altura em que Paulo escreveu as Epístolas aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses e a Filemom.

P: Em Atos 28:30-31, acha que Paulo foi libertado ou não?

R: As Escrituras não o dizem. A história também não nos diz se a) Paulo foi condenado e martirizado, ou b) libertado, realizou outras atividades, foi posteriormente detido, condenado e martirizado. Mas podemos analisar a situação. Não há indícios de que os seus acusadores judeus tenham comparecido, provavelmente porque sabiam que o seu caso era muito fraco. Nero não era um assassino enlouquecido no início do seu reinado. Por isso, havia boas hipóteses de Paulo ter acabado por ser libertado.

Tal como nós, Paulo teve momentos bons e maus, momentos em que estava confiante quanto ao que iria acontecer e momentos em que não fazia a menor ideia. Mas quer Paulo tenha sido libertado desta vez ou não, Paulo era um cristão em todas as circunstâncias. Podia sentir-se satisfeito a pregar a grandes multidões e a curar pessoas, podia sentir-se satisfeito na prisão, de onde escreveu a Epístola aos Filipenses. Paulo conseguia sentir-se satisfeito com a certeza de que iria para Roma, e conseguia sentir-se satisfeito nos momentos de incerteza em que a vida parecia um naufrágio. Ao analisarmos a vida de Paulo, devemos aspirar a tornar as nossas vidas mais semelhantes à de Paulo (Filipenses 3:17).

P: Em Atos e em Lucas, o que se pode dizer sobre o estilo de escrita de Lucas?

R: Enquanto Marcos escreveu como um «homem de ação», Lucas interessava-se pelo que era dito. Mais de 22% de Atos consiste em discursos principais e, incluindo outros discursos mais curtos, mais de metade do livro de Atos é constituída por discursos. Os discursos eram, sem dúvida, muito mais longos do que aqueles que Lucas registou, e reconhece-se que Lucas os parafraseou. Da mesma forma, o Evangelho de Lucas relata mais parábolas de Jesus do que os outros evangelhos.

O grego de Lucas é excelente, e ele era, aparentemente, muito culto. De facto, os estudantes de grego de hoje consideram o seu grego o mais complicado de traduzir na Bíblia.

P: Quem escreveu o Livro dos Atos?

R: É praticamente unânime que tenha sido escrito por Lucas, a mesma pessoa que escreveu o Evangelho de Lucas.

Há indícios de que o autor dos Atos tenha sido, na verdade, um companheiro de Paulo que o acompanhou nas suas viagens.»

Lucas é também mencionado em Colossenses 4:14, 2 Timóteo 4:11 e Filemom 24.

P: Quando foi escrito o livro dos Atos?

R: Existem duas opiniões.

1. Uma data precoce, uma vez que, se tivesse conhecimento disso, Lucas provavelmente teria mencionado a morte de Paulo, as perseguições de Nero e a queda de Jerusalém, caso tivessem ocorrido; Lucas poderá ter escrito o livro dos Atos entre os anos 61 e 64 d.C. Outros apontam para os anos 63-70 d.C., devido ao silêncio sobre acontecimentos posteriores.

2. Uma segunda opinião é que era possível que Lucas estivesse a planear um terceiro volume (embora isso não estivesse na vontade de Deus), pelo que Lucas poderia ter escrito mais tarde e planeado os acontecimentos posteriores para o terceiro volume.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) cita 1/4 de Atos 20:35 e seguintes (5 palavras de um total de 26) em 1 Clemente, vol. 1, cap. 2, p. 5, e Policarpo (100-155 d.C.) cita metade de Atos 2:24a (7 de um total de 15 palavras gregas) na Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 1, p. 33. Foi definitivamente escrito antes de 96-98 d.C.

P: Este livro foi escrito no século II (muito depois da morte de Lucas), tal como alegava a escola liberal de Tübingen?

R: Afirmavam isso devido aos muitos factos paralelos apresentados tanto em Atos como nas obras de Josefo. (Josefo escreveu «Antiguidades dos Judeus» por volta de 93-94 d.C.)

No entanto, seria de esperar que assim fosse, caso Lucas tivesse tido acesso a muitas das mesmas fontes utilizadas por Josefo. Além disso, Irineu (182-188 d.C.), Clemente de Alexandria (193-202 d.C.), o Cânone Muratoriano (170-210 d.C.), Orígenes (225-254 d.C.) e Pamphilo (martirizado em 309 d.C.) afirmam todos que Lucas escreveu os Atos.

P: Em «Atos», como sabemos que a Escritura que hoje conhecemos é uma preservação fiável do que foi originalmente escrito?

R: Existem, pelo menos, três boas razões.

1. Deus prometeu preservar a Sua palavra em Isaías 55:10-11; Isaías 59:21; Isaías 40:6-8; 1 Pedro 1:24-25; e Mateus 24:35.

2. Evidência da Igreja primitiva. Os escritores cristãos pré-nicenos citaram 20,4% do livro dos Atos. Isso corresponde a 204,86 de um total de 1003 versículos. Aqui estão os escritores que se referiram a versículos dos Atos.

Clemente de Roma (96-98 d.C.) cita 1/4 de Atos 20:35 e seguintes (5 palavras de um total de 26) — 1 Clemente, vol. 1, cap. 2, p. 5

A Epístola de Barnabé (c. 100-150 d.C.), cap. 7, p. 142, faz alusão a Atos 14:22

Policarpo (100-155 d.C.) cita metade de Atos 2:24a (7 de 15 palavras gregas) — Carta de Policarpo aos Filipenses, cap. 1, p. 33. Cita também Atos 17:31 no cap. 2, p. 33

O Pastor de Hermas (160 d.C.), livro 1, cap. 2, p. 18, cita metade de Atos 4:12.

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) parafraseia claramente Atos 1:9 em «Sobre a Ressurreição», cap. 9, p. 298

Os cristãos de Vienne e Lugdunum (177 d.C.) citam metade de Atos 7:60: «tal como Estêvão, a Testemunha perfeita: “Senhor, não lhes imputes este pecado”». «Padres Ante-Nicenos», vol. 8, p. 784.

Irineu, que escreveu «Contra as Heresias» entre 182 e 188 d.C., refere-se, em 48 passagens, a 88 versículos de Atos.

Irineu (182-188 d.C.) cita Atos 8:9-11, 20, 21, 23 (Simão, o Feiticeiro), tal como foi escrito por Lucas. Irineu, «Contra as Heresias», livro 1, cap. 23.1, p. 347

O Cânone Muratoriano (190-217 d.C.), ANF, vol. 5, cânone 2, p. 603: «Além disso, os Atos dos Apóstolos foram compilados por Lucas num único livro»,

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita 48 versículos dos Atos: 1:7;2:26 -28, metade de2:41 ; 6:2; 8:22a;10:10 -15,34,35;15:23 ,28,29,17:18 ,22,23,28; 26:17-18. Ele faz alusão a 9 versículos dos Atos:3:14 , 17, 19, 21; 5:1;8:30 ;10:24 ;17:15 (menção a Atenas);17:30 .

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) cita Atos 17:22,23, dizendo: «Lucas nos Atos dos Apóstolos», em *Stromata* (193-202 d.C.), livro 5, cap. 12, p. 464. Cita também «Pedro nos Atos» em *Stromata*, livro 6, cap. 8, p. 494.

Tertuliano (198-220 d.C.) menciona expressamente os Atos dos Apóstolos em «Sobre a Ressurreição da Carne», cap. 39.

Tertuliano faz muitas citações e alusões aos Atos, referindo que se tratava dos Atos dos Apóstolos em «Cinco Livros Contra Marcião», livro 5, capítulo 2, pp. 432-433

Hipólito (222-235/236 d.C.) cita Jeremias 23:18 e Atos 10:36, afirmando imediatamente a seguir: «Estas coisas, pois, irmãos, são declaradas pelas Escrituras.» em «Contra a Heresia de um certo Noeto», capítulos 13-14, p. 228

Orígenes (225-254 d.C.) «… tal como Lucas relata nos Atos dos Apóstolos» Orígenes, Contra Celso, livro 6, cap. 11, p. 578

Novatiano (250-257 d.C.) cita 3/4 dos Atos2:17 (bem como Joel2:28 ) como profetizados por Joel e transmitidos por Cristo. Tratado sobre a Trindade, cap. 29, p. 640

Tratado sobre o Rebatismo, capítulos 1 e 2, p. 668 (250-258 d.C.) «E, por isso, reuniremos, conforme for necessário, num único conjunto todas as passagens das Sagradas Escrituras que sejam pertinentes a este assunto.» Posteriormente, no capítulo 2, cita Mateus 3:11b e Atos 1:4,5 como Atos dos Apóstolos, Atos 11:15-17, Atos 15:5,8

O «Tratado sobre o Rebatismo» (c. 250-258 d.C.), cap. 12, p. 674, cita Atos15:13 -17 e menciona nominalmente Tiago a falar nos «Atos dos Apóstolos».

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) «A Sagrada Escritura prova isto, quando diz: “Mas a multidão dos que criam era de um só coração e de uma só alma.” [Atos 4:32] E ainda: “Todos estes perseveravam unânimes em oração, juntamente com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os seus irmãos.”» [Atos 1:14] Tratados de Cipriano, Tratado 1, cap. 25, p. 429

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) cita os «Atos dos Apóstolos» no seu Tratado 12, terceiro livro, 3,43.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) menciona os Atos dos Apóstolos e cita Atos 5, 3-4 nos Tratados de Cipriano — Testemunhos, cap. 30, p. 543. Ver também Carta 72, cap. 17, p. 383.

A obra «Vida e Paixão de Cipriano», de Pôncio (após 258 d.C.), cap. 3, p. 268, refere-se a Atos 8, 37 como «nos Atos dos Apóstolos»

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) cita Atos 13, 5 e 13 como «nos Atos dos Apóstolos», em «Dos Dois Livros sobre as Promessas», cap. 5, p. 83.

Adamantio (c. 300 d.C.) menciona «os Atos dos Apóstolos» em «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», segunda parte, 12d, p. 90.

Victorinus, bispo de Petau, na atual Eslovénia (martirizado em 304 d.C.), menciona «os Atos dos Apóstolos» no «Comentário ao Apocalipse do Beato João», p. 355

Pamphilo (martirizado em 309 d.C.): conservamos o seu esboço dos «Atos dos Apóstolos». «Padres Ante-Nicenos», vol. 6, p. 166-168.

Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) cita Atos 7, 59 enquanto Estêvão está a falar. A Epístola Canónica, cânone 9, p. 273.

Sínodo de Neocésarea (c. 315 d.C.), Cânone 15, p. 86: «Os diáconos devem ser sete, de acordo com o cânone, mesmo que a cidade seja grande. Disso ficará convencido pelo Livro dos Atos.»

Atanásio (c. 318 d.C.), antes do Concílio de Nicéia, cita parte do discurso de Paulo em Atos14:15 como sendo de autoria de Paulo. Contra os Pagãos, parte 3, cap. 35, p. 22

Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) alude a Atos 1, 9, dizendo: «Ele [Jesus] poderia dirigir-se para junto do Seu Pai, elevado numa nuvem.» *Instituições Divinas*, livro 4, cap. 12, p. 111

Após Nicéia

Eusébio de Cesareia (323-326 d.C.) afirma que isso se encontra no «livro sagrado dos Atos». *História Eclesiástica*, livro 2, cap. 18; *Padres Nicenos e Pós-Nicenos*, Segunda Série, vol. 1, p. 122. Lucas escreveu os *Atos dos Apóstolos*. Ibid., cap. 22, p. 124

Eusébio de Cesareia (323-339/340 d.C.) refere-se a Atos 12:3 como «como diz a Sagrada Escritura». «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 2, cap. 9, p. 111

Eustáquio de Antioquia (antes de 337 d.C.) refere-se a Atos 16:17 e a outros versículos.

Afrahat, o Sírio (337-345 d.C.), faz alusão aos Atos em «Demonstrações Selecionadas»

A carta do herege ariano Cândido a Marius (359-362 d.C.)

Hegemónio de Sirmium (século III d.C.), ao traduzir Arquelao (262-278 d.C.), cita Atos 2:6 como Escritura. «Disputa com Manes», cap. 36, p. 210.

Arquelau também cita Atos 9:15 em «Disputa com Manes», cap. 34, p. 208. Possivelmente, faz alusão a Atos 9:40 no «Fragmento 1», p. 234. Não faz referência a quaisquer outros versículos de Atos.

O Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.), no cânone 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânone 59, p. 158, afirma que apenas os livros canónicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.

Victorinus de Roma (após 363 d.C.)

Atanásio (367 d.C.) «Mais uma vez, não é enfadonho falar dos [livros] do Novo Testamento. Estes são os quatro Evangelhos, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. Em seguida, os Atos dos Apóstolos e as Epístolas (chamadas Católicas), sete, a saber: de Tiago, uma; de Pedro, duas; de João, três; e, depois destas, uma de Judas. Além disso, há catorze Epístolas de Paulo, escritas nesta ordem. A primeira, aos Romanos; depois, duas aos Coríntios; a seguir, aos Gálatas; depois, aos Efésios; depois, aos Filipenses; depois, aos Colossenses; a seguir, duas aos Tessalonicenses e a dos Hebreus; e ainda, duas a Timóteo; uma a Tito; e, por último, a de Filemom. E, além disso, o Apocalipse de João.» Carta Festiva de Atanásio, n.º 39, cap. 5, p. 552

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) cita Atos 1:7 como sendo de autoria de Jesus. Na obra «Sobre a Trindade», livro 9, capítulo 75, p. 181

A *Synopsis Scripturae Sacrae* (350-370 d.C. ou século V) menciona o livro dos Atos como parte do Novo Testamento. Cita na íntegra Atos 1:1.

Efraim, o Sírio (350-378 d.C.), cita Atos 22:11 e 26:13 em «Três Homilias», Homilia 1, capítulos 26 e 27, p. 316.

Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.)

Ambrosiaster (após 384 d.C.)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) menciona os Atos dos Apóstolos na Palestra 14.28, p. 102

Cânone de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos, os Atos, as cartas de Paulo, 1 Pedro, 1 João e o Apocalipse.

Ambrósio de Milão (370-390 d.C.)

Gregório Nazianzeno (330-391 d.C.)

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.) menciona Paulo a citar um poeta grego (Atos17:28 -29) em «Atos dos Apóstolos», Carta 4.2, p. 31

Gregório de Elvira (após 392 d.C.)

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) menciona os Atos no Segundo Livro Contra Eunómio, p. 274 e p. 276.

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) cita Atos 2:36 no livro 5, capítulo 3, p. 177, da obra «Contra Eunómio»

Anfilóquio (falecido em 397 d.C.) refere-se aos Atos15:24 , e a outras passagens em «Iambi ad Seleucum»

Dídimo, o Cego (398 d.C.), alude a Atos 13:8-11. «Comentário sobre Zacarias 11», p. 285

O cismático Lúcifer de Cagliari (361-399 d.C.) refere-se a Atos 12:23

O Catálogo Sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.) refere-se aos quatro evangelhos, aos Atos, à Epístola aos Romanos e às Epístolas aos Gálatas até à Epístola aos Hebreus.

Maximino (séculos IV/V)

Máximo de Turim (séculos IV/V)

O cismático donatista Petiliano (séculos IV/V)

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona os quatro evangelhos, as 14 epístolas de Paulo, as epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas, os Atos dos Apóstolos, o Apocalipse de João, a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico.

Papa Inocêncio I de Roma (c. 405 d.C.)

Rufino (374-406 d.C.), ao traduzir Orígenes (225-254 d.C.), refere-se a Atos 7 como «Atos dos Apóstolos de Principiis», livro 2, cap. 4.2, p. 276

O cismático donatista Gaudêncio (após 406 d.C.)

João Crisóstomo (392-407 d.C.) redigiu 55 sermões sobre os Atos.

Cromácio (falecido em 407 d.C.)

Severiano (após 408 d.C.)

Asterio de Emesa (c. 410 d.C.)

Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) faz alusão a Atos 6, 11-13 em «Defesa contra os pelagianos», cap. 8, p. 124

Sínodo de Cartago (393-419 d.C.) (218 bispos)

Jerónimo (373-420 d.C.) analisa os livros do Novo Testamento. Menciona especificamente cada um dos quatro evangelhos, as epístolas de Paulo às sete igrejas, a Epístola aos Hebreus, as epístolas de Paulo a Timóteo, Tito e Filemão. Jerónimo analisa, em seguida, os Atos dos Apóstolos. Depois, analisa as sete epístolas de Tiago, Pedro, João e Judas. Por fim, aborda o Apocalipse de João. Carta 53, cap. 9, p. 101-102.

Sulpício/Sulpício Severo (363-420 d.C.) menciona os Atos dos Apóstolos no livro 1 de «História», cap. 36, p. 89, e no livro 2 de «História», cap. 28, p. 110

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) cita Atos 17:30, 31 em «A Cidade de Deus», livro 18, cap. 54, p. 395

João Cassiano (419-430 d.C.) menciona Atos 4:32-34, tal como consta nos Atos dos Apóstolos, nas «Instituições de João Cassiano», livro 2.5, p. 206

O Concílio de Éfeso (431 d.C.) cita os Atos dos Apóstolos.

Vicente de Lerins (c. 434 d.C.)

Sócrates de Constantinopla (c. 400-439 d.C.) refere-se a Atos 15:29 e a outros versículos. «História Eclesiástica» de Sócrates

Cirilo de Alexandria (444 d.C.)

Hesíquio de Jerusalém (falecido em 450 d.C.)

Speculum (século V)

Teodoto de Anquira (século V)

Concílio de Calcedónia (451 d.C.)

Quodvultdeus (c. 453 d.C.)

Euchário (c. 424-455 d.C.) Instructiones

Teodoreto de Ciro (bispo e historiador) (423-458 d.C.)

Papa Leão I de Roma (461 d.C.)

Próspero de Tyro, da Aquitânia (425-465 d.C.), afirma que «10:45 » consta dos Atos dos Apóstolos

Provas da existência de heresias e de livros espúrios

Constituições Apostólicas (data incerta, por volta de 380 d.C.)

O herege Prisciliano (c. 385 d.C.)

O herege Apolinário de Laodicéia (c. 390 d.C.)

O herege ariano Eunómio (c. 360 – c. 394 d.C.) cita Atos 2:36 enquanto Pedro está a falar. Carta Apologética, cap. 25, p. 71

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) faz alusão a Estêvão em Atos 7:42-43 como «nos Atos dos Santos Apóstolos». Comentário sobre Amós, cap. 5, p. 154

«O Bazar de Heracleides», de Nestório (451/452 d.C.)

Ainda hoje dispomos de todos estes textos.

3. Os manuscritos mais antigos que possuímos de Atos revelam pequenas variações entre os manuscritos, mas nenhum erro teologicamente significativo.

P: Em Atos, quais são os manuscritos bíblicos mais antigos?

R: Aqui estão a maioria deles. No total, os manuscritos bíblicos pré-nicenos citam 32,5% do Livro dos Atos. Isso corresponde a 326 de um total de 1003 versículos. Os escritores cristãos pré-nicenos, juntamente com os manuscritos bíblicos pré-nicenos, abrangem 43,9% do Livro dos Atos. Consulte para mais informações.

p8 (=Berlin Inv. 8683) Atos4:31 -37; 5:2-9; 6:1-6,8-15 (século IV)

p. 29 Atos 26:7-8,20. 200-225 d.C. O escriba que redigiu este manuscrito escreveu as seguintes letras de forma invulgar: theta, pi e épsilon. O manuscrito p. 45 (Chester Beatty I) apresenta o mesmo tipo invulgar de caligrafia. A data indicada é 200-225 d.C., uma vez que a caligrafia é semelhante à do Papiro Marmarica, que é, quase certamente, um texto alexandrino datado de 200-225 d.C.

p. 33 Atos 7:6-10, 13-18;15:21 -24, 26-32 (século VI) Concorda com o Sinaítico

p. 38 (=Ann Arbor Inv. 1570, =papiro Michigan 137) Atos18:27 -19:6;19:12 -16, c. 300 d.C.

Final do século II ou início do século III - 1999

p. 41 (século VIII) Atos 17:28-34; 18:1 e seguintes, 17 e seguintes, 22-25, 27; 19:1-4, 6-8, 13-16, 18 e seguintes; 20:9-13, 15 e seguintes, 22-24, 26-38; 21:1-4, 26 e seguintes; 22:11-14,16 e seguintes. Fonte: Viena, Coleção de Papiros da Biblioteca Nacional, K. 7541-7542 - 7543 - 7544 - 7545-7546 - 7547 – 7548. Stud. Pal. 015 237; P. Weigandt, em K. Aland, *Materialien* (1969), p. 54-72. ed. princ. (fac-símile); J. Henner, H. Förster, U. Horak, *Christliches mit Feder und Faden*, *Nilus* 3 (1999), p. 10, n.º 9

(Ver http://www.tyndale.cam.ac.uk/Tyndale/staff/Head/NTPapyri.htm#_ftn40)

p. 45 Chester Beatty I (100-150 d.C.) Todos os 4 evangelhos e 29% (289/1003 versículos) dos Atos. Atos 4:27-36; 5:10-20; (8 das 33 letras em 5:21) 30-39; 6:7-7:2; 7:10-21; 7:32-41; 7:52-8:1; 8:14-15, 8:34-9:6; (8:37 nunca foi escrito); 9:16-27; 9:35-10:2; 10:10-23, 31-41; 11:2-13; 11:24-12:6; 12:13-22; 13:6-16, 25-36; 13:46-14:3; 14:15-23; 15:2-7, 9-27; 15:38-16:4; 16:15-21, 32-40; 17:9-17. Em Atos 15:7, este escriba perdeu o fio à meada e repetiu seis versículos de Atos 15:2. (Anteriormente, pensava-se que datava do final do século II ou início do século III, ou de 200 d.C.)

p48 Atos 23:11-17,25-29 (c. 220 ou segunda metade do século III d.C.)

p. 50 (Papiro de Yale 1543) Atos 8:26-32; 10:26-31. Aland datou este manuscrito do século IV ou V, «mas os editores de Yale defendem de forma bastante convincente uma datação para o reinado de Diocleciano (284-305 d.C.)».

p. 53 Mateus 26:29-30 e Atos 9:33-38; (3 letras de Atos 9:39b); Atos9:40 -10:1. c. 260 d.C. A data baseia-se em semelhanças com as Cartas de Heroninos, datadas de c. 260 d.C.

p. 56 Atos 1:1, 4-5, 7, 10-11 (séculos V a VI) Texto alexandrino

p. 57 Atos4:36 -5:2; 5:8-10 (século IV ou V) Texto alexandrino

p. 58: mesmo original que o da p. 33. Segue-se a informação constante na p. 33. Atos 7:6-10,13-18;15:21 -24, 26-32 (século VI) — Concorda com o Sinaítico

p. 74 (=Bodmer 17) Atos 1:2-5, 7-11, 13-15, 18-19, 22-25; 2:2-4; 2:6-3:26; 4:2-6, 8-27; 4:29-27:25; 27:27-28:31; Tiago 1:1-6, 8-19, 21-23, 25; 1:27; 2:1-3; 2:4?; 2:5-15; 18-22, 25-26; 3:1, 5-6, 10-12, 14, 17-18; 4:8, 11-14; 5:1-3, 7-9, 12-14, 19-20; 1 Pedro 1:1-2, 7-8; 1:12?; 1:13, 19-20, 25; 2:6-7, 11-12, 18, 24; 3:4-5; 2 Pedro 2:21; 3:4, 11, 16; 1 João 1:1, 6; 2:1-2, 7, 13-14, 18-19, 25-26; 3:1-2, 8, 14, 19-20; 4:1, 6-7, 12, 16-17; 5:3-4, 9-10, 17; 2 João 1, 6-7, 13; 3 João 6, 12; Judas 3, 7, 12, 18, 24 (século VII)

p. 91 (= Sydney Inv. 360) Atos2:30 -37;2:46 -3:2, meados do século III. Trata-se apenas de uma folha (dois fragmentos) «escrita com caligrafia documental».

p. 112 (= papiro de Oxirrinco 4496) Atos 26:31-32; 27:6-7 (século V)

Uncial 0165 (Berlim, século V) Atos 3:25; 4:1; 4:6; 4:8;4:10 , além de, provavelmente, outros versículos.

Uncial 0189 Atos 5:3-21. Trata-se de um dos unciais mais antigos: final do século II ou início do século III.

Vaticanus [B] (325-350 d.C.)

O Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) contém a totalidade dos Atos. Após as cartas de Paulo (incluindo a Epístola aos Hebreus), terminando com a Epístola a Filemom, encontra-se uma página em branco pautada, seguida dos Atos. Após os Atos, segue-se o livro de Tiago.

Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.)

Copta boairico [Boh] Séculos III/IV

Copta sahídico [Sah] Séculos III/IV

Copta Meg. [Meg] Séculos III/IV

Copta de Fayum [Fay] Séculos III/IV

Efraemita Rescrito [C] século V

Itálico

Vulgata Latina [Vg] séculos IV e V

Arménio [Arm] após 406 d.C.

Georgiano [Geo] a partir do século V

Cambridge, séculos V/VI

Etíope [Eth] a partir de c. 500 d.C.

Gótica, 493-555 d.C.

Siríaco filoxeniano [SyrPh] 507/508 d.C.

Sírio de Harcleia [SyrH], 616 d.C.

Bizantino [Byz] (A família bizantina inclui entre 1 761 e 2 209 manuscritos distintos. Estes datam de cerca de 850 d.C. a 1576 d.C.)

Consulte para obter mais informações sobre os primeiros manuscritos dos Atos dos Apóstolos.