P: No Cântico dos Cânticos, o que é o livro dos Cânticos?
R: Trata-se de um nome alternativo para o Cântico dos Cânticos. Outro nome popular é «Cântico de Salomão». Não há qualquer diferença. O nome hebraico traduz-se literalmente por «Cântico dos Cânticos», o que significa «o melhor de todos os cânticos». Salomão escreveu 1 005 cânticos (1 Reis4:32 ), e o título sugere que este era o melhor de todos.
Na Vulgata latina, o livro é designado por «Canticum Canticorum», o que significa «Cântico dos Cânticos».
P: No Cântico dos Cânticos, por que razão um livro de caráter sexual como o Cântico de Salomão se encontra na Bíblia?
R: O que há de errado com um romance selvagem e apaixonado e com o sexo dentro do casamento? Embora alguns possam pensar que Deus se opõe a todo o prazer sexual, foi Deus quem criou o sexo. Uma vez que Deus se pronunciou de forma tão veemente e clara contra o sexo fora do casamento, poder-se-ia generalizar erroneamente e pensar que Deus se opõe a todo o prazer sexual — se não fosse pelo Cântico de Salomão.
P: No Cântico de Salomão, como deve este livro ser interpretado?
R: Cristãos e judeus têm defendido seis perspetivas.
A alegoria da nossa relação com Deus é a forma como muitos, ao longo da história, têm encarado este livro. Alegorias de Deus como nosso marido encontram-se em Jeremias e Ezequiel, mas estas foram escritas séculos depois do Cântico de Salomão.
Romance: A perspetiva alegórica vai longe demais quando descreve a beleza da esposa. Trata-se, antes, de uma história prática, mas apaixonada, sobre o amor romântico, um pequeno problema na relação e a sua solução. O Cântico de Salomão é um livro muito importante. Sem ele, poder-se-ia questionar se é adequado que os crentes tenham sentimentos românticos apaixonados e um casamento emocionalmente estimulante. Este livro não só valida isso, como mostra como o fazer.
Romance com Salomão como intruso: O pastor e a rapariga amam-se, e Salomão tenta, sem sucesso, seduzi-la para afastá-la do pastor. Considerar este livro como um protesto contra a infidelidade conjugal é a perspetiva do «Believer’s Bible Commentary» e de «The Song of Songs», de Arthur Clarke. Uma variação desta perspetiva é a de que a rapariga é, na verdade, Abisague. Consulte www.scripturewise.com para mais informações sobre esta perspetiva.
(Improbável) Coleção de poemas de amor: Alguns parecem ter desistido de uma estrutura e encaram isto como uma antologia de poemas de amor. A *New Geneva Study Bible*, p. 1004, menciona esta interpretação, comentando que é tanto inútil como desnecessária.
(Improbável) Peça de teatro: Alguns consideraram outra possibilidade, a de que se tratasse de uma espécie de peça de teatro. No entanto, o «The Bible Knowledge Commentary: Old Testament», p. 1009, salienta que, embora alguns vejam isto como um drama ou peça a ser encenada, «o género literário de um drama propriamente dito não era conhecido entre os israelitas. Além disso, o livro não pode ser analisado em atos e cenas como um drama.»
(Improvável) A alegoria do Êxodo de «Egypt » era a antiga interpretação rabínica, de acordo com «1001 Bible Questions Answered», p. 10.
P: Em SofS, qual é o esboço deste livro?
R: Existem dois esboços, dependendo de se considerar que se trata de um único homem ou de Salomão e um pastor.
Opinião pessoal: Este livro trata do namoro, do casamento e da vida conjugal de um casal.
1:2-3:5 O namoro
3:6-5:1 O casamento
..3:6-11 A procissão nupcial
..4:1-5:1 A noite de núpcias
5:2-8:4 O casamento
..5:2-6:3 Uma «raposa» no casamento: subestimar o outro
..6:4-13 Superar o problema
8:5-14 Conclusão
Perspetiva de protesto contra a infidelidade: Salomão está a tentar afastar a rapariga do seu namorado/marido pastor, mas não consegue fazê-lo.
O «Believer’s Bible Commentary» apresenta 18 secções de nível superior, baseadas principalmente no orador. Segue-se aqui um resumo bastante livre do mesmo.
1-2:7 A Sulamita na corte de Salomão
..2:7 — Ó filhas de Jerusalem
2:8-3:5 Recordações do seu amante pastor
..3:5 — Ó filhas de Jerusalem
3:6-4:6 Chega a grande procissão de Salomão
4:7-5:1 O pastor chega e pede à sulamita que se retire
5:2-8 O seu sonho perturbador
5:9-8:4 Todos tentam convencer a Sulamita
..7:11-8:2 Ela conversa com o seu amado pastor, que vem buscá-la
..8:4 — Ó filhas de Jerusalem
8:5-14 Ela parte com o pastor-amante
P: No Cântico dos Cânticos, quem são os interlocutores de cada versículo?
R: Aqui estão os interlocutores, partindo do princípio de que existe apenas um homem.
Perspetiva de um único homem:
O homem é o narrador em 1:9-10,1:15 , 2:2,2:14 , 4:1-15, 5:1a-d, 6:4-9, 7:1-9a,8:13 .
A mulher é a narradora em 1:2-4a, 1:4c-7, 1:12-14, 1:16, 2:1, 2:3-13, 2:16-3:11, 4:16, 5:2-8, 5:10-16, 6:2-3, 7:9b-8:4, 8:6-7, 8:10-12, 8:14.
Quer a mulher, quer o homem em1:17 ,6:11 –12, 6:13b.
Quer a mulher, quer o homem, quer (segundo a NKJV) os irmãos da mulher em2:15 .
Os amigos (incluindo as filhas deJerusalem ) falam em 1:4b, 5:9, 6:1, 6:13a, 8:5a.
Quer o homem, quer os amigos em 1:8,1:11 , 6:10.
O homem, a mulher ou um familiar em 8:5b.
Ou Deus ou os amigos falam em 5:1e.
Os irmãos da mulher falam em 8:8-9.
Perspetiva do pastor + Salomão:
Basicamente os mesmos interlocutores, exceto que é Salomão e não o pastor quem fala antes de 4:7. Depois disso, Salomão só fala em 6:4-10 e 7:1-10.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:1,5; 3:7,9,11;8:11 ,12, terá Salomão realmente escrito este livro?
R: Salomão pode ter sido o autor, mas não é necessariamente verdade que o tenha sido. O livro menciona Salomão e pode ter recebido esse nome devido ao tema abordado, e não ao autor.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:2, em que medida é que o seu amor é mais delicioso do que o vinho?
R: Beber vinho não proporciona tanto prazer como a sensação reconfortante de saber o quanto ele se preocupa com ela. Se for casado, quão feliz se sente a sua esposa só por saber o quanto a ama?
P: Em Cântico dos Cânticos 1:3, por que razão diria uma rapariga ao seu amado que todas as jovens o amam?
R: Ela aprecia o facto de ele gostar dela e não das outras. Isto está muito longe do conceito de tentar tirar todas as vantagens possíveis do seu cônjuge ou namorado/namorada.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:4, uma vez que ainda não estão casados, por que razão a jovem fala em ser levada para os aposentos do rei?
R: Na tradição judaica, o casamento era consumado em privado, logo após a cerimónia nupcial. Ou já estão casados nesta altura, ou ela está a dizer ao seu amado que anseia pelo casamento.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:5, a jovem aqui era negra, ou era judia e, portanto, caucasiana?
R: Primeiro, uma nota interessante à parte, e depois a resposta. O judaísmo está presente no país de «Ethiopia » desde a época de Salomão e da Rainha de Sabá. O judaísmo em «Ethiopia » distinguia-se pelo facto de não ter o conceito de Purim ou Hanukkah, que foram introduzidos mais de quatrocentos anos após a época de Salomão.
Resposta: Não podemos determinar a raça da rapariga. A rapariga poderia ter sido negra, e poderia ter sido etíope. Por um lado, muitos consideram que era mais provável que fosse caucasiana e que a sua pele estivesse bronzeada, uma vez que ela mencionou que o sol a tinha escurecido. Por outro lado, a pele de uma pessoa negra também pode parecer mais escura se passar muito tempo ao sol.
Talvez não se tenha dado maior ênfase à sua raça porque, nesta história, isso não importa, tal como hoje somos todos irmãos e irmãs em Cristo. Se os meus filhos se casassem com uma pessoa anglo-saxónica, oriental, hispânica, indiana, negra, árabe, persa ou de outra origem, todos eles me pareceriam igualmente bem-vindos. No entanto, continuo muito preocupado com o que essa pessoa é no seu íntimo e se o potencial cônjuge possui um caráter semelhante ao de Cristo.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:7, por que razão iria a rapariga ter com os rebanhos dos companheiros do seu amado?
R: Nunca se diz que ela o tenha feito. Ela disse ao seu amado que talvez o fizesse, talvez por engano, se ele não lhe dissesse onde pastava os seus rebanhos. Uma característica de um bom amor romântico é o desejo de passar tempo com a outra pessoa.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:8, por que razão o homem não disse à mulher onde pastavam os seus rebanhos?
R: A mulher questiona-se por que razão não pode estar com o seu amado o tempo todo. Certa vez, conversei com uma estudante universitária que estava angustiada pelo facto de um determinado aluno do último ano não ter reparado nela. Perguntei-lhe que percentagem do tempo achava que passaria com o seu marido depois de se casar. Ela respondeu, com toda a seriedade: «90%»!
O narrador deste versículo é ou o amante a brincar, ou as filhas de Jerusalém, talvez a serem sarcásticas.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:12,14; 3:6, é aceitável que os cristãos usem perfume?
R: Sim. Estes versículos aprovam-no e nada nas Escrituras o proíbe. No entanto, se a sua única beleza residir no adorno exterior, isso é lamentável. A sua atratividade deve provir da beleza interior, que não se desvanece, tal como demonstram 1 Pedro 3:1-5 e 1 Timóteo 2:9-10.
P: Em Cântico dos Cânticos 1:14, qual é o significado de En-Gedi?
R: En-Gedi era um local remoto e desolado na margem ocidental doDead Sea . David dirigiu-se para lá para se esconder do rei Saul, conforme 1 Samuel 24:1. Alguém poderia ir para lá para estar a sós. É claro que qualquer lugar no mundo é quase um paraíso se estiver com a pessoa que ama. Uma vez que todos os cristãos estão com Aquele que amam (Deus), qualquer lugar no mundo pode ser quase um paraíso para nós.
P: Em Cântico dos Cânticos 2:2, em que sentido a sua amada é como um lírio entre espinhos?
R: Aos seus olhos, todas as outras mulheres são feias e indesejáveis em comparação com ela. Em comparação com todas as outras, ela é como um lírio.
P: Em Cântico dos Cânticos 2:3, o que há de especial na madeira de macieira que era semelhante ao seu amado?
R: A madeira de macieira era valiosa porque não havia muita disponível, uma vez que era necessário abater uma árvore de fruto para a obter. Da mesma forma, um homem ou uma mulher abdica da sua capacidade de «namorar por aí» e de se envolver com outras pessoas quando se compromete a casar.
P: Em Cântico dos Cânticos 2:4, será que isto se refere a Cristo?
R: As pessoas que acreditam que o Cântico de Salomão deve ser uma alegoria de Cristo e da Igreja pensam que sim. No entanto, mesmo as pessoas que não concordam que se trate de uma alegoria podem concordar que o amor de Cristo pela Sua noiva, a Igreja, é igualmente terno e profundo.
P: Em Cântico de Salomão 2:9, 17 e 8:14, o que é uma corça e um veado?
R: Uma «corça» é o que chamamos de «cerva» ou veado fêmea, e um veado é o veado macho.
P: Em Cântico dos Cânticos 2:15, qual é o significado das raposas?
R: Esta palavra hebraica pode referir-se tanto a raposas como a chacais. As raposas são animais pequenos, que não representam qualquer perigo físico para as pessoas, e uma raposa, ao passar uma vez por uma vinha, causa danos insignificantes. No entanto, uma família de raposas, ao longo de muito tempo, pode destruir as raízes das videiras e arruinar uma vinha.
Da mesma forma, pequenos pecados, irritações e atitudes desagradáveis podem parecer tão insignificantes como um par de raposas. Com o tempo, podem arruinar um casamento. É bom reconhecer essas pequenas coisas e livrar-se delas.
P: Em Cântico dos Cânticos 3:1-4, por que razão a mulher procurou o homem neste contexto?
R: Ela sentia saudades dele, e esta passagem mostra que não há nada de errado em a mulher procurar o homem. Num contexto diferente, Rute também procurou Boaz.
P: Em Cântico dos Cânticos 3:5 e 8:4, por que razão as pessoas não devem despertar o amor até que chegue o momento certo?
R: Há aqui dois significados. Não se deve tentar apressar alguém para a maturidade sexual ou para a intimidade sexual. Além disso, não se deve tentar apressar a outra pessoa a assumir um compromisso matrimonial.
P: Em Cântico dos Cânticos 3:9, Salomão construiu carruagens, uma vez que os reis deIsrael não deviam possuir muitos cavalos, de acordo com Dt 17:16; 2 Cr 9:28; 1 R 10:26-29?
R: A construção de muitas carruagens exigiria vários cavalos por carruagem. Há três pontos a considerar nesta resposta.
1. O Deuteronómio indica que o rei não devia construir carruagens para a batalha. A descrição aqui apresentada sugere que se tratava de um veículo decorativo, e não de um veículo de guerra.
2. Salomão fabricou, de facto, carruagens de guerra, e agiu mal ao fazê-lo.
3. Este livro não se centra na obediência de Salomão, mas limita-se a mencionar que ele possuía uma carruagem de aspeto maravilhoso.
P: Em Cântico dos Cânticos 4:1-7 e 7, se a futura esposa de um homem não for um modelo perfeito de beleza física, poderá ele, mesmo assim, amá-la?
R: Claro que sim. Há quatro pontos a considerar na resposta.
1. Ter beleza física é positivo, como demonstram Jó 42:15 e o Cântico de Salomão.
2. No entanto, a beleza interior, que perdura, é mais importante do que a beleza exterior, que se desvanece, como demonstra 1 Pedro 3:2-4. Está a casar-se com alguém com quem gostaria de envelhecer?
3. É interessante refletir sobre o motivo pelo qual muitas pessoas pensam que existe apenas um padrão de beleza física para homens e mulheres. Talvez Hollywood e a Disney nos tenham condicionado dessa forma. Por exemplo, durante o Renascimento, emEurope , a visão que tinham da forma ideal de uma mulher seria considerada excesso de peso segundo os padrões modernos. Da mesma forma, emChina , por vezes o ideal para uma mulher seria considerado demasiado pesado hoje em dia. Alguém que vivesse naquela época, nessas culturas, ficaria igualmente surpreendido com os padrões modernos de beleza. Amar a pessoa com quem se casa é mais importante do que um padrão cultural de beleza. Com o tempo, poderá descobrir que está, de facto, casado com a rapariga fisicamente mais atraente do mundo — para si.
4. Quanto aos homens, em algumas culturas orientais, onde a comida tem sido mais escassa, o homem de aparência ideal tinha uma grande barriga. No entanto, senhores, não utilizem isto como desculpa para a gula, dizendo: «Eu e a minha barriga já somos perfeitos, apenas nascemos na altura e no local errados!»
P: Em Cântico dos Cânticos 4:2 e 6:6, qual é o significado de «dentes como um rebanho de ovelhas, cada um com o seu gémeo»?
R: Os dentes dela lembram a este pastor ovelhas de lã branca. Esta é uma forma poética de dizer que todos os dentes estão presentes e que nenhum deles falta.
P: Em Cântico dos Cânticos 4:3, uma vez que os lábios dela eram como escarlate, existia algo semelhante a cosméticos naquela época?
R: Sim, existiam.
No que diz respeito aos perfumes, sabemos da existência de pequenos recipientes que eram enterrados com os egípcios desde antes de 3500 a.C., de acordo com a Enciclopédia Britânica, volume 6 (1956), p. 495-496b (não sabia que existiam páginas «b»). Além disso, já em 1500 a.C., homens e mulheres usavam pedaços de nardo perfumado na cabeça.
Quanto ao delineador, as mulheres usavam kohl (provavelmente sulfureto de antimónio) nas pálpebras desde 1500 a.C., ou seja, pouco antes da época de Moisés.
No que diz respeito às cores vermelhas, a hena era uma tinta avermelhada utilizada nas unhas, nas palmas das mãos e nas solas dos pés. (Não se pode esquecer a planta dos pés!) Mais tarde, os romanos utilizavam «fucus» para dar cor às bochechas e aos lábios. O «Believer’s Bible Commentary», p. 1198, refere que o corante escarlate provinha da trituração do inseto cochonilha.
P: Em Cântico dos Cânticos 4:9-10, 12 e 5:2, por que razão ele chama a sua amada de irmã?
R: Isto demonstra tanto a profundidade do seu amor por ela, como a natureza desse amor. Mesmo que não pudesse ter intimidade física com ela, sendo seu irmão, continuaria feliz apenas por estar sempre perto dela. É assim que deve ser. Embora a relação física deva refletir o amor mútuo, o amor mútuo deve ser mais importante do que a relação física. Se ocorresse algum acidente e o seu cônjuge, de alguma forma, perdesse a capacidade de usar os seus órgãos sexuais, continuaria a amá-lo?
P: Em SofS4:12 -5:1, de que é que se trata?
R: Os versículos 1:2-3:5 referem-se ao namoro, 3:6-5:1 ao casamento, 4:1-5:1 à noite de núpcias e 5:2-8:4 ao casamento propriamente dito.
P: No Cântico dos Cânticos 5:1-8, qual é o ponto principal aqui?
R: Havia uma «pequena raposa», ou seja, um problema na relação. O marido estava a pedir à esposa que abrisse a porta. Quer o marido estivesse a exigir algo que ele próprio poderia fazer, quer a esposa estivesse a tornar-se indiferente ao regresso do marido a casa, quer o marido simplesmente sentisse falta de a sua esposa o receber com entusiasmo à porta, aparentemente havia aqui um problema. O marido acabou por se ir embora, mas deixou perfume na maçaneta da porta, a indicar que ainda a desejava e que lamentava que ela não se tivesse levantado para o receber.
P: Em Cântico dos Cânticos 5:2-6, qual é o significado desta passagem?
R: Existem duas interpretações, embora a segunda seja provavelmente a correta.
1. Na interpretação segundo a qual Salomão era um intruso no amor de duas pessoas, «a passagem da porta trancada» foi apenas um sonho que a jovem teve, de acordo com o «Believer’s Bible Commentary», p. 925.
2. Na interpretação dos «dois amantes», tinha-se instalado alguma apatia no casamento. Ele pediu-lhe que destrancasse a porta e, no versículo 3, ela recusou inicialmente, dando uma desculpa que revelava a sua apatia. Acabou por se levantar, mas nessa altura ele já se tinha ido embora. Ele colocou um pouco de perfume na porta, para mostrar que lamentava a separação causada pela apatia dela e que estava ansioso por fazer as pazes e perdoá-la.
Por vezes, quando somos menosprezados, devemos afastar-nos, «deixando perfume na porta», e estar ansiosos por nos reconciliarmos.
P: Em Cântico dos Cânticos 5:4, o que significa «o meu coração palpitava por ele»?
R: Estas palavras hebraicas são as mesmas utilizadas num sentido não romântico em Isaías 16:11 e Jeremias 31:20 para designar compaixão ou piedade.
P: Em Cântico dos Cânticos 5:7, por que razão os guardas a agrediram?
R: Este versículo não o diz. Talvez tenha sido por malícia, ou talvez por luxúria, mas é mais provável que os guardas tenham pensado, por engano, que ela era uma prostituta e a tenham agredido para que ela saísse das ruas e fosse para casa.
P: Será que o Cântico dos Cânticos5:16 se refere a Maomé, uma vez que menciona alguém como «totalmente encantador» e que Makhmad e Makhadim são [de alguma forma] seguidores de Maomé?
R: Nunca tinha ouvido falar disto antes. Será que a história de amor do Cântico de Salomão (= Cântico dos Cânticos) descreve a forma como as mulheres muçulmanas (para não falar dos homens) deviam comportar-se perante Maomé? Não creio que os muçulmanos o afirmassem!
P: Em Cântico de Salomão 6:4, esta referência a Tirza indica que o poema foi escrito após o tempo de Salomão?
R: O Cântico dos Cânticos nunca afirmou ter sido escrito por Salomão, nem na sua época. No entanto, este versículo não indica uma data posterior. Houve um rei de Tirza em Josué12:24 e Jeroboão I (931-910 a.C.) permaneceu em Tirza, conforme 1 Reis 14:17. Os arqueólogos descobriram que Tirza esteve habitada desde a época de Josué.
O Cântico dos Cânticos 6:4 menciona tanto Tirza como Jerusalém, e 6:5 menciona Gileade. Asimov afirma que isto indica uma época posterior, uma vez que Tirza não era análoga a Jerusalém. No entanto, a comparação não se refere ao poder, mas sim à beleza, e, em termos de beleza, Tirza poderia ser tão análoga a Jerusalém quanto Gileade o era.
P: Em Cântico dos Cânticos 6:4, que mais sabemos sobre a cidade de Tirza?
R: Tirza significa «deleite» e foi mencionada em Josué 12:24. Não conhecemos o nome cananeu da cidade, mas os israelitas aparentemente renomearam-na Tirza, em homenagem a uma das filhas de Zelofeade.
Embora os arqueólogos não tenham certeza absoluta quanto à localização de Tirza, estão bastante confiantes de que se trata do sítio de Tell el-Far’ah, que, com cerca de 600 por 300 metros, é uma colina maior do que Megido. O «Anchor Bible Dictionary», volume 6, pp. 573-577, refere que os primeiros povoamentos datam da Idade da Pedra. Foi construída uma nova muralha de pedra por volta de 1700 a.C., durante a Idade do Bronze. A camada seguinte indica que uma nova cidade foi construída no mesmo local pouco tempo depois de a antiga ter sido destruída. Este sítio da Idade do Ferro I esteve ocupado até ao início do século IX a.C., aparentemente quando Omri transferiu a capital de Israel de Tirza para Samaria. Foi incendiada, o que poderá indicar que Zimri incendiou o palácio, levando consigo a própria morte. Tirza foi reconstruída, mas foi novamente destruída, aparentemente pelos assírios em 723 a.C.
P: Em Cântico dos Cânticos 6:4,10, em que sentido é a mulher tão terrível como um exército com estandartes?
R: As emoções e, talvez, o nervosismo que sentia eram tão intensos como se tivesse visto um exército pronto para a guerra.
P: Em Cântico dos Cânticos 6:7, por que razão os templos foram comparados a romãs?
R: As romãs têm um sumo tão vermelho que as pessoas usavam esse sumo como maquilhagem. Por outras palavras, tratava-se de um rubor.
P: Em Cântico dos Cânticos 6:8, Salomão tinha 140 esposas e concubinas, ou 1 000, como diz 1 Reis 11:3?
R: O versículo não diz que estas eram as esposas de Salomão. Mesmo que fossem, porém, Salomão tinha inicialmente apenas uma esposa, e o seu harém foi crescendo gradualmente. 1 Reis 11:3 indica o número total de esposas que Salomão tinha no final do seu reinado.
P: Em Cântico dos Cânticos 6:13, por que razão era ela chamada de sulamita?
R: Existem duas interpretações.
Cidade de Shulem/Suném. A «New Geneva Study Bible», p. 1014, e o cético «Asimov’s Guide to the Bible», p. 523, afirmam que se tratou provavelmente de um erro do copista, referindo-se, na verdade, a alguém da cidade de Suném, que ficava a cerca de três milhas (cinco quilómetros) a norte de Jezreel. A «NIV Study Bible» de 1985, p. 1011, afirma que as letras «l» e «n» eram por vezes trocadas nas línguas semíticas. Abisague era uma sunamita, de acordo com 1 Reis 1:3, 15;2:17 , 21. Consulte www.scripturewise.com para mais informações sobre a interpretação de que a jovem no Cântico de Salomão era Abisague.
A rapariga de Salomão: «Sulamita» é a forma feminina de «Salomão». Talvez ela fosse chamada de «Salomonesa», o que significaria «a rapariga de Salomão».
Uma vez que sabemos da existência de uma cidade chamada Suném, a primeira interpretação é mais razoável. Abisague era uma sunamita, mas não era especificamente a rapariga de Salomão. Caso contrário, todas as raparigas de Suném seriam a rapariga de Salomão.
P: Em Cântico dos Cânticos 7:13, qual é o significado das mandrágoras?
R: As mandrágoras tinham um aroma agradável e, naquela época, acreditava-se que aumentavam a fertilidade, tal como Raquel e Lia pensavam em Génesis 30:14-15.
P: Em Cântico dos Cânticos 8:1-2, por que razão a jovem desejaria que o seu amado fosse considerado seu irmão?
R: Provavelmente pela mesma razão pela qual o homem se referiu a ela como sua irmã. Consulte a discussão sobre Cântico dos Cânticos 4:10 para obter a resposta.
P: Em Cântico dos Cânticos 8:6-7, será que o amor é realmente tão forte como a morte?
R: É claro que o amor de Deus por nós é muito mais forte do que a morte, mas não é esse o sentido deste versículo. O amor pelos outros sobrevive à morte, e os crentes voltarão a ver aqueles que já partiram para estar com o nosso Senhor. Tanto para os crentes como para alguns não crentes, o amor por outra pessoa pode ser mais forte do que o desejo de autopreservação.
P: Em Cântico dos Cânticos 8:7, por que razão o dinheiro não pode ser comparado ao amor?
R: Se duas pessoas se amam verdadeiramente, valorizarão esse amor mais do que todo o dinheiro do mundo. Além disso, os problemas financeiros não devem constituir um obstáculo a um bom casamento, e os incentivos financeiros não devem levar à separação de pessoas que se amam verdadeiramente.
Se pudesse aceitar um emprego que oferecesse o dobro do salário do seu atual, mas tivesse de se afastar da sua família pelo menos cinco dias por semana, e a sua família não passasse fome com o seu emprego atual, aceitaria o emprego com o salário mais elevado? Espero que não o quisesse a longo prazo, pelo bem do seu testemunho, do seu cônjuge, da sua família e pelo seu próprio bem.
P: Em Cântico dos Cânticos 8:8-9, qual é o significado destas palavras proferidas pelos irmãos da jovem?
R: Dizem que têm estado a velar por ela. Utilizando uma linguagem muito poética, afirmavam que, se ela fosse como uma porta e precisasse de restrições, iriam «fechá-la». Se ela tivesse autocontrolo como uma muralha, iriam honrá-la. A prata numa muralha da cidade não contribui para a defesa da cidade, mas certamente brilharia intensamente.
É interessante que, enquanto algumas culturas modernas consideram que discussões francas como estas devem ser tabu, na Bíblia a pureza moral é um «assunto de família» discutido abertamente.
P: Em Cântico dos Cânticos 8:8-10, que responsabilidades tem um filho para com os seus irmãos e irmãs mais novos?
R: Certamente que os irmãos e irmãs devem cuidar uns dos outros em conjunto, tal como Caim não o fez em Génesis 4:9-10. Devemos cuidar materialmente dos membros da família necessitados, de acordo com 1 Timóteo 5:8. Para além disso, os filhos mais velhos têm a responsabilidade de cuidar dos mais novos, na medida em que os pais lhes delegam autoridade.
Como devem os pais delegar autoridade? Na nossa casa, quando a diferença de idade é inferior a três anos, o mais velho não tem autoridade sobre o imediatamente mais novo, exceto nos casos em que os pais não estão presentes.
P: Em SofS8:11 -12, o que é que a rapariga está a dizer aqui?
R: Ela está a dizer que era justa e uma rapariga honrada que guardou a sua pureza até ao casamento.
P: No Cântico dos Cânticos, quais são alguns dos manuscritos mais antigos do Cântico dos Cânticos que ainda existem hoje?
R: Pergaminhos do Mar Morto: (c. 1 a.C.) 4 cópias distintas. Estas são designadas por 4Q106, 4Q107, 4Q108 e 6Q6. O pergaminho 4Q240 é possivelmente um comentário sobre o Cântico dos Cânticos.
4QCanticles(a) (início do período herodiano) partes de 3:7-11; 4:1-7;6:11 ?-12; 7:1-7. O Cântico dos Cânticos 4:8-6:11 não está em falta, mas está ausente.
4QCanticles(b) (50-1 a.C.) partes de 2:9-17; 3:1-2,5,9-10; 4:1-3,8-11,14-16; 5:1.
4QCanticles(c) (50-1 a.C.) 3:7-8
6Q6 Cântico dos Cânticos 1:1-7 (c. 50 d.C.)
No total, os Manuscritos do Mar Morto preservam os seguintes cerca de 49 versículos, de um total de 117 versículos do Cântico dos Cânticos (41,9 %).
Cântico dos Cânticos 1:1-7; 2:9-17; 3:1-5,7-11; 4:1-11,14-16; 5:1;6:11 ?,12; 7:1-7. Consulte «O Significado dos Manuscritos do Mar Morto» para mais pormenores.
Os manuscritos da Bíblia cristã, datados de cerca de 350 d.C., contêm o Antigo Testamento, incluindo o Cântico de Salomão, também chamado de Cânticos.
O Vaticanus (325-350 d.C.) preservou a Cântica de Salomão na íntegra.
O Sinaítico (340-350 d.C.) preservou a Cântica de Salomão na íntegra. Começa na mesma página em que termina o Eclesiastes. Termina na mesma página em que começa o Livro da Sabedoria.
O Alexandrinus (c. 450 d.C.) preservou a Cântica de Salomão na íntegra.
P: Que autores antigos se referiram ao Cântico dos Cânticos?
R: Os escritores pré-nicenos que referiram ou aludiram a versículos do Cântico dos Cânticos são:
Irineu deLyons (182-188 d.C.)
Melito/Meleto deSardis (170-177/180 d.C.) enumera todos os livros do Antigo Testamento e inclui todos os livros de que dispomos, com exceção de Neemias e Ester. Fragmento 4 do Livro dos Extractos, p. 759.
Os Cinco Livros de Tertuliano Contra Marcião (207/208 d.C.)
Hipólito (222-235/6 d.C.) menciona nominalmente Provérbios, Sabedoria, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos no «Fragmento do Comentário sobre o Cântico dos Cânticos», p. 176
Orígenes (225-254 d.C.) escreveu um comentário completo sobre o Cântico dos Cânticos, revelando as suas alegorias sobre Cristo e a Sua Igreja.
Cipriano, bispo deCarthage (c. 246-258 d.C.)
Firmiliano deCaesarea , a Cipriano (256 d.C.)
Metódio deOlympus e Patara (270-311/312 d.C.)
Após Nicéia
Paciano deBarcelona (342-379/392 d.C.) refere-se nominalmente ao Cântico dos Cânticos e cita o Cântico dos Cânticos 6:8,9 na Carta 1, cap. 4, p. 22.
P: No Cântico de Salomão, quais são algumas das diferenças de tradução entre o hebraico e a Septuaginta grega?
R: De um modo geral, a qualidade da tradução da Septuaginta para o Cântico de Salomão não parece ser tão elevada como a da Torá. Aqui estão algumas das diferenças de tradução, primeiro o texto massorético, seguido da Septuaginta, principalmente do capítulo 2.
Cântico de Salomão 1:7 «cobre-se» (Masorético) vs. «vaga» (Septuaginta, Siríaco, Vulgata)
Cântico dos Cânticos 2:1 «rosa de Sarom» vs. «flor da planície» (Sarom era o nome de uma grande planície.)
Cântico dos Cânticos 2:3 «árvores da floresta» vs. «árvores do bosque»
Cântico dos Cânticos 2:3 «saborear» vs. «garganta»
Cântico dos Cânticos 2:4 «Ele levou-me» vs. «Leva-me»
Cântico dos Cânticos 2:5 «Alimenta-me com bolos de passas» vs. «Fortalece-me com perfumes»
Cântico dos Cânticos 2:5 «doente de amor» vs. «ferida de amor»
Cântico dos Cânticos 2:7 «gazelas e corças do campo» vs. «poderes e virtudes do campo»
Cântico dos Cânticos 2:8, 9, 10, 16, etc. «amado» vs. «parente»
Cântico dos Cânticos 2:9 «comparada a uma gazela, ou a um veado jovem, o cervo» vs. «como uma corça ou um veado jovem nas montanhas de Betel»
Cântico dos Cânticos 2:9 «treliça» vs. «redes»
Cântico dos Cânticos2:10 «respondeu» vs. «responde»
Cântico dos Cânticos2:10 «meu amor, minha bela, e vem comigo» vs. «minha companheira, minha formosa, minha pomba.»
Cântico dos Cânticos2:12 «tempo de cantar» vs. «tempo de podar»
Cântico dos Cânticos2:12 «é ouvido» vs. «foi ouvido»
Cântico dos Cânticos2:13 «exalam perfume pelas suas flores» vs. «dão os rebentos tenros, exalam aroma»
Cântico dos Cânticos2:13 «Meu amado, vem. Minha bela, vem também» vs. «Vem, minha companheira, minha bela, minha pomba, sim, vem»
Cântico dos Cânticos2:14 «figura» vs. «rosto»
Cântico dos Cânticos2:14 «forma» vs. «rosto»
Cântico dos Cânticos2:15 «raposas, as pequenas raposas» vs. «pequenas raposas»
Cântico dos Cânticos2:15 «flores» vs. «uvas tenras»
Cântico dos Cânticos2:17 «Até quando soprará o dia» vs. «Até ao amanhecer do dia»
Cântico dos Cânticos2:17 «gazela, ou um jovem veado, o veado, nas montanhas escarpadas» vs. «veado-preto ou jovem veado nas montanhas dos desfiladeiros»
Cântico dos Cânticos 7:9 «lábios dos que dormem» vs. «lábios e dentes» (Septuaginta, Áquila (126 d.C.), siríaco, Vulgata)
Bibliografia para esta questão: a tradução hebraica é retirada da «Literal Translation», de Jay P. Green, e a versão da Septuaginta provém da tradução de Sir Lancelot C.L. Brenton de «The Septuagint: Greek and English». Foram igualmente utilizados o «Expositor’s Bible Commentary» e as notas de rodapé das Bíblias NASB, NIV 1985, NKJV e NRSV.