Pergunta bíblica sobre os Evangelhos

P: Quem foi o primeiro a escrever um livro a responder a questões sobre os Evangelhos?

R: O mais antigo que encontrei foi Eusébio de Cesareia (313-339/340 d.C.), que escreveu duas obras. A primeira intitula-se «Perguntas e Respostas sobre os Evangelhos Dirigidas a Estêvão», também conhecida como «Perguntas e Respostas sobre a Genealogia do nosso Salvador», e a segunda intitula-se «Perguntas e Respostas sobre os Evangelhos Dirigidas a Marino». As duas obras, em conjunto, são designadas por «Perguntas e Respostas sobre os Evangelhos». Além disso, Eusébio escreveu uma refutação das alegadas contradições apresentadas por Hierocles, um filósofo neoplatónico e governador romano da Bitínia e, mais tarde, do Egito, que perseguiu severamente os cristãos sob o reinado de Domiciano. Antes disso, muitos escritores cristãos primitivos também responderam a perguntas específicas.

Posteriormente, Ambrosiáster escreveu «Questões sobre o Antigo e o Novo Testamentos» (em latim), por volta de 384 d.C.

Consulte «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 32, 38-39, para mais informações.

P: Os grandes mestres da história costumam ter discípulos, e estes desenvolvem depois um curso de ensino ou um livro que contém as suas ideias, pensamentos e instruções. Por que razão não encontramos um livro desse tipo relacionado com Jesus Cristo, mas sim vários evangelhos ou livros escritos por dois dos Seus discípulos e por outras duas pessoas?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

1) Em primeiro lugar, Jesus não é meramente um «grande mestre», como supostamente o foram Aristóteles, Confúcio ou Buda. Jesus é Deus.

2) Outros tinham escribas. Jeremias tinha um escriba chamado Baruc. Foi provavelmente um escriba de Moisés que escreveu sobre a morte e o sepultamento de Moisés em Deuteronómio 34:5-6. Todos os muçulmanos concordam que Maomé também não escreveu nada por si próprio.

3) Jesus concedeu à Igreja os apóstolos, que tinham o importante papel de transmitir à Igreja o que Jesus ensinou e fez. Lembre-se de que os primeiros cristãos não possuíam o Novo Testamento; em vez disso, contavam com os próprios apóstolos.

4) Jesus parecia estar mais preocupado com o Seu ministério, demonstrando, através dos Seus milagres poderosos, que era o Filho de Deus, do que em dedicar tempo do Seu ministério para ser o Seu próprio secretário.

Os quatro autores dos Evangelhos foram Mateus e João, discípulos de Jesus, Marcos, companheiro e intérprete de Pedro, e Lucas, o historiador e companheiro de viagem de Paulo.

P: Se os Evangelhos fossem suficientes para as necessidades da Igreja ou dos crentes, o Espírito Santo não precisaria de inspirar Paulo a escrever aquelas epístolas que abordam questões doutrinárias e também problemas das igrejas locais. Assim, não podemos afirmar que o Espírito deixou de inspirar homens piedosos a explicar ou a mostrar a opinião ou atitude divina relativamente a diferentes questões atuais ao longo dos tempos. É por isso que podemos afirmar que a inspiração divina não cessou nem cessará até à segunda vinda de Jesus e ao fim dos tempos. O que pensa sobre isso?

R: Discordo. Lembre-se de que os primeiros cristãos não dispunham nem dos evangelhos escritos, nem dos escritos de Paulo, nem de qualquer outro texto do Novo Testamento. Em vez disso, contavam com os próprios apóstolos. Mas, à medida que os apóstolos foram falecendo, estes registaram por escrito os seus ensinamentos no Novo Testamento. A Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, conforme Efésios 2:20; 3:5. Embora tivessem profetas do Novo Testamento, tais como Ágabo e as filhas de Filipe, hoje em dia não dispomos de profetas do Antigo Testamento que tenham escrito as Escrituras. Da mesma forma, também não temos outros apóstolos do Novo Testamento fisicamente presentes nesta terra.

P: Qual dos evangelhos conhecidos (Mateus, Marcos, Lucas, João) ou outros é o mais antigo? Os outros evangelhos basearam-se nele ou foram escritos a partir dele? E em que medida o citaram ou se inspiraram nele?

R: Não sabemos ao certo, mas muitos estudiosos consideram que Marcos foi o mais antigo. Lucas, em Lucas 1:1-3, menciona que se baseou em relatos mais antigos, que podem incluir tanto relatos escritos como orais. Considera-se geralmente que João foi escrito em último lugar.

João tinha um discípulo chamado Papias, e eis o que este afirmou. «Marcos, que era o intérprete de Pedro, registou com precisão tudo o que recordava, quer se tratasse de palavras quer de atos de Cristo, mas não por ordem. Pois ele não foi nem ouvinte nem companheiro do Senhor; mas, posteriormente, como já referi, acompanhou Pedro, que adaptou o seu ensinamento conforme a necessidade exigia, não como se estivesse a fazer uma compilação dos oráculos do Senhor. Assim, Marcos não cometeu qualquer erro ao registar assim algumas coisas tal como se lembrava delas; pois concentrou-se apenas nisto — em não omitir nada do que tinha ouvido, nem incluir qualquer afirmação falsa entre elas» (retirado de The New Bible Dictionary, 1962, p. 782) História Eclesiástica de Eusébio, livro 3, cap. 39, pp. 170-173. Em particular, em Mateus 10:32, a expressão «reconhecer-me» soa estranha em grego, mas é natural apenas em aramaico, de acordo com *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 8, p. 256.

P: Alguns estudiosos da Bíblia afirmam que os milagres no Evangelho são semelhantes aos milagres de cura encontrados nas tradições helenísticas e que esses milagres não foram realizados por Jesus, mas sim criados pela primeira comunidade cristã. É por isso que os rejeitam. O que pensa sobre isso?

R: Nenhum estudioso que acredite na Bíblia afirma isso; claro que os escritores céticos são um caso à parte. No entanto, mesmo entre eles, não creio que a maioria afirme que os milagres tenham sido tomados das tradições helenísticas (gregas). Assim, não creio que a maioria deles não acredite nos milagres por estes terem origem nas tradições helenísticas. Pelo contrário, eles não acreditam que quaisquer milagres sobrenaturais sejam possíveis.

No entanto, alguns afirmaram isso, e vamos recuar na história para ver onde é que isto parece ter começado. O imperador romano Alexandre Severo (205-235 d.C.) perseguiu severamente a Igreja cristã. A sua mãe, Júlia, entregou ao orador profissional Flávio Filóstrato um exemplar das «Memórias de Damis» e pediu a Filóstrato que escrevesse uma biografia de Apolónio de Tiana. Nesta biografia, afirma-se que Apolónio de Tiana ressuscitou alguém dos mortos e ascendeu ao céu. Pode ler mais sobre este assunto em www.biblequery.org/History/Legends/ApolloniusofTyana.html.

A título de nota adicional, os manuscritos mais antigos que mencionam os milagres de Jesus são:

papiro p66 Bodmer II — 817 versículos (92 %) do Evangelho de João (125-175 d.C.); p4 + p64 + p67 — 95 versículos (c. 150-175 d.C.); p45 Chester Beatty I – 833 versículos (os quatro evangelhos mais os Atos) (200-225 d.C.); p75 (c. 175-225 d.C.); 0162 (João 2:11-22) (c. 300 d.C.); p28 – João 6:8-12, 17-22 (século III d.C.); Siríaco do Sinai (SyrS) (séculos III/IV)

Alguns dos primeiros escritores cristãos que mencionam os milagres de Jesus são Quadrato de Atenas (126 d.C.); Justino Mártir (c. 150 d.C.); Melito de Sardes (170-177/180 d.C.); Irineu de Lyon (182-188 d.C.); Tertuliano (207/208 d.C.) e outros que se seguiram.

P: Como é que Jesus podia pertencer à tribo de Judá, uma vez que a filiação tribal se transmite apenas pelo pai (Números 34:14, Números 1:18-24, Levítico 24:10)? A filiação tribal da mãe era considerada irrelevante para a filiação tribal dos seus filhos, e a filiação tribal/genealogia não podia ser herdada através de um padrasto; apenas os bens podiam ser herdados. Como os cristãos acreditam que Jesus não teve pai humano, Ele não teria tido qualquer filiação tribal e, por conseguinte, não pode ser considerado descendente de Judá ou de David, sendo assim excluído da linha de sucessão messiânica. O site http://www.jewsforjudaism.org/faq-primary-211/birth-of-jesus-primary-360/59-whos-genealogy-is-given-by-luke apresenta as seguintes alegações relativamente à genealogia de Cristo: «Presumir que Maria era descendente de David coloca o problema de que Maria não poderia transmitir o que não possuía: (1) A ligação materna não é tida em consideração para a sucessão ao trono de David, que é transmitido apenas através de uma linhagem masculina contínua: “Não será cortado de David um homem para se assentar no trono da casa de Israel” (Jeremias 33:17); (2) Biblicamente, o direito de privilégio de linhagem, ou seja, a realeza e o sacerdócio, são transmitidos exclusivamente pela linha masculina. O episódio relativo à herança das filhas de Zelofeade (Números, capítulos 27 e 36) não se aplica aqui, uma vez que diz respeito à transferência de bens materiais e não a privilégios de linhagem.»

R: Primeiro, a resposta de 5 segundos; depois, uma resposta detalhada. A maioria dos judeus considera que a origem judaica se transmite pela mãe, mas vamos responder a esta questão ignorando esse facto. Basicamente, embora a filiação tribal fosse normalmente pelo pai, a filiação tribal judaica era pela mãe, NÃO pelo pai, no caso da família de Jarha (1 Crónicas 2:34-41) e dos filhos de um sacerdote (Esdras 2:61; Neemias 7:63). Quanto mais seria a filiação tribal pela mãe no caso do nascimento de uma virgem!

Quanto a uma resposta detalhada, quem disse que a filiação tribal ou clânica se fazia apenas por via paterna? — Ninguém na Bíblia. Números 34:14 não demonstra nada. Números 1:18-24 mostra que o filho de pai egípcio e mãe israelita não era considerado israelita. As pessoas teriam considerado-o egípcio ou meio israelita. Levítico 24:10 (e muitas outras passagens) apenas indicam que, para os israelitas comuns, a filiação tribal era, de facto, através do pai. Mas isto NÃO CONSTITUI UMA RESTRIÇÃO PARA DEUS. Os casos em que há dois progenitores biológicos não têm qualquer influência sobre o caso em que há um único progenitor biológico. No entanto, mesmo no caso de dois progenitores biológicos, existem, de facto, exemplos no Antigo Testamento em que a linhagem tribal se dá, na realidade, através da mãe.

Três exemplos de filiação tribal por parte da mãe.

Na tribo de Judá, Sesã não tinha filhos, apenas filhas. Assim, casou a sua filha com o seu servo egípcio Jarha, e tiveram um filho chamado Attai. A genealogia de Attai é apresentada juntamente com a dos outros israelitas em 1 Crónicas 2:34-41. Não só os filhos eram considerados israelitas, como também estavam listados sob o nome de Judá.

Um segundo exemplo é Jair, cujo avô era Hezron, da tribo de Judá, e cuja mãe era filha de Makir, um manassita. Em 1 Crónicas 2:21-23, Jair controlava 23 cidades em Gileade (no território de Manassés). No entanto, apesar de o avô de Jair ser de Judá, Jair continua a ser chamado de manassita, tal como a sua mãe em Números 32:41 e Deuteronómio 3:14.

Um terceiro exemplo encontra-se em Esdras 2:61 e Neemias 7:63, onde os filhos de um sacerdote que se casou com uma filha de Barzilai eram chamados de filhos de Barzilai.

Outro exemplo que demonstra que a afiliação ancestral não se dava apenas através do pai biológico é o casamento levirato. Quando um marido morria antes de ter filhos, o irmão do marido casava-se com a viúva, e o primeiro filho nascido era considerado filho do primeiro marido falecido, mesmo que, biologicamente, não fosse esse o caso.

Independentemente disso, a questão parece ser uma questão de pormenores. Qual era a origem étnica do ADN humano de Jesus? 100% judaica. Havia apenas 12 tribos judaicas (na verdade, 11 tribos mais 2 meias-tribos). O ADN humano de Jesus provinha de alguma tribo em particular? Sim, de Judá. Se o facto de não ter um pai judeu o tornasse alguém que não pertencesse a uma das 12 tribos, qual seria então a origem étnica de Jesus?

Esta questão parece ser uma forma de evitar uma questão mais importante. Se Jesus tivesse nascido de uma virgem, enviado por Deus para nos ensinar, seguir-L-ia ou não? Se a escolha fosse entre permanecer na cultura judaica do questionador e seguir o Único Deus Verdadeiro, qual escolheria? Se a pessoa não dissesse que seguiria o Único Deus Verdadeiro independentemente de tudo, então a questão não é o ADN de Jesus, mas sim o facto de a maioria dos judeus não estar disposta a seguir o Único Deus Verdadeiro.

Uma segunda questão é a sucessão ao trono. O questionador estava errado ao afirmar que Maria não era descendente de Davi; a sua genealogia em Lucas, bem como em Lucas 2, Romanos 1:3 e 2 Timóteo 2:8, mostra que Jesus (e ela) eram biologicamente descendentes de Davi. No entanto, o questionador está correto ao indicar que a genealogia de Maria não teria qualquer influência na sucessão ao trono. Para tal, era importante que Jesus fosse também o filho adotivo de José, que, como homem da linhagem de David, teria direito ao trono.

P: Nos evangelhos, qual é a fonte que indica que o pai biológico de Jesus era um soldado romano chamado Panthera?

R: Tanto quanto sabemos, esta falsa acusação foi feita pela primeira vez por um adversário romano do cristianismo chamado Celso, no século III d.C. Esta palavra, que não é conhecida como nome, é semelhante à palavra grega para virgem: parthenos. Mais tarde, o Talmude judaico retomou esta ideia, tal como fizeram os nazis do século XX. Ver *The Gospel of Matthew and Its Readers*, de Howard Clarke. Indiana University Press, 2003, p. 5.

P: João Crisóstomo afirma que, se os quatro evangelistas estivessem de acordo em todos os pormenores, seriam acusados de terem conspirado para tornar as suas narrativas idênticas. Por conseguinte, podemos considerar as variações nos seus evangelhos como uma evidência de que cada um era independente e trabalhou separadamente dos outros, bem como uma prova de que as suas narrativas são genuínas e verdadeiras. O que pensa sobre isto? Pessoalmente, penso que os evangelistas deveriam ter escrito sobre os mesmos acontecimentos utilizando palavras, linguagem e estilo diferentes. Além disso, o que pensa sobre isto?

R: Penso que isto está, em grande parte, correto. Concordo que o facto de apresentarem variações nas frases, nos acontecimentos que incluíram e até mesmo na ênfase que deram contribui para a sua credibilidade. É claro que os autores dos evangelhos sinópticos podem ainda assim ter tido conhecimento uns dos outros, e João provavelmente tinha conhecimento deles. Mas, por outro lado, mesmo com quatro relatos diferentes, os céticos ao longo dos tempos têm-nos acusado de todo o tipo de coisas de qualquer forma.

Não só existem variações nas frases, como também na ênfase e nas histórias que são contadas. Por exemplo, Mateus aborda muito mais do que os outros o cumprimento, por parte de Jesus, das profecias do Antigo Testamento. Marcos aborda menos. (A propósito, «Marcos» é um nome romano, não hebraico.) O Evangelho de Marcos dá maior ênfase às ações realizadas por Jesus. Irineu de Lyon (182-188 d.C.) escreveu extensivamente sobre este assunto em «Irineu contra as Heresias», livro 3, cap. 11.8, p. 428.

P: A história do batismo de Jesus pelas mãos de João Batista e da Sua tentação por Satanás está escrita nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas não consta do Evangelho de João. O mesmo se aplica à transfiguração. Porquê?

R: João não explica por que razão, de todas as coisas que Jesus fez, não incluiu esta em vez de outra. No entanto, podemos especular sobre uma resposta. Observe que havia muitas outras coisas escritas nos três evangelhos sinópticos que também não constavam no de João. Considera-se geralmente que o Evangelho de João foi escrito em último lugar, e acredita-se que João quis incluir coisas que não eram mencionadas ou que eram apenas mencionadas de passagem nos outros evangelhos, a fim de proporcionar um quadro mais completo.

P: Apenas Mt 2,1 menciona os magos (sábios) na história do nascimento de Jesus. Por que razão os outros evangelhos não falam deles? Será que se trata de uma história alegórica para indicar a pregação da comunidade da Igreja primitiva, que percebeu que os judeus rejeitaram Jesus e, por isso, se voltou para as nações em vez de para eles, fazendo assim com que os Magos fossem os primeiros a adorar Cristo, em contraste com os líderes dos judeus, Herodes e outros, que tentaram matar o menino Jesus?

R: De todos os acontecimentos da vida de Jesus, os autores dos outros evangelhos optaram por não incluir estes. Pode também dever-se ao facto de não terem tido conhecimento da visita dos Magos. Embora possa haver simbolismo aqui, nada indica que se tratasse apenas de uma alegoria.

No que diz respeito à interpretação alegórica de passagens em geral, se Deus comunicou algo ao Seu povo através de alguma alegoria nas Escrituras, e nenhum cristão em toda a história alguma vez o percebeu, então será que Deus realmente o comunicou — com sucesso? Ninguém viu este significado como sendo apenas alegórico, e não literal, pelo menos até ao início da era do cepticismo no século XIX.

P: Nos evangelhos, por que razão é necessária a harmonização dos evangelhos?

R: A harmonização dos Evangelhos não seria um problema se Deus tivesse preservado apenas um Evangelho, ou se o próprio Deus tivesse fornecido uma harmonização completa dos Evangelhos. Em vez disso, dispomos de quatro relatos, em que cada escritor humano registou o que considerava ser o mais importante daquilo que Deus, providencialmente, lhe permitiu recordar. Consulte a pergunta seguinte para saber por que razão dispomos de quatro Evangelhos.

P: Quem foram os primeiros escritores da história a elaborar uma harmonização dos evangelhos?

R: Tatiano (c. 172 d.C.) elaborou uma harmonização dos evangelhos, denominada Diatessaron, que significa «através dos quatro». Isto atesta que apenas quatro evangelhos eram aceites e cita com precisão, palavra por palavra, 79% dos versículos dos evangelhos. No entanto, Tatiano era um gnóstico encratita e omitiu seletivamente todos os versículos que enfatizam a humanidade de Jesus, tais como as genealogias. Mas mesmo este herege incluiu todos os versículos que demonstram que Jesus é Deus.

Teófilo de Antioquia (168-181/188 d.C.) escreveu uma harmonização/comentário sobre os evangelhos, segundo Jerónimo, mas este obra perdeu-se. (ANF, vol. 2, p. 87-88

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) (parcialmente) demonstrou que os autores dos evangelhos não «discordavam nem se contradiziam entre si» e apresentou uma boa e bastante completa harmonia dos evangelhos após a ressurreição na sua Carta 5 — ao Bispo Basilides, cânone 1, «Ante-Nicene Fathers», vol. 6, p. 94-95.

Ammônio de Alexandria elaborou uma harmonização dos evangelhos no início do século III. Utilizou Mateus como referência e mostrou como os outros evangelhos se comparavam. Ver «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 38-39 e vol. 6, p. 69.

Juvenco (329 d.C.) compôs um poema épico sobre os evangelhos, harmonizando grande parte do seu conteúdo.

Eusébio de Cesareia (313-339/340 d.C.) elaborou uma harmonização mais fácil de ler, uma vez que dispôs as colunas lado a lado. No entanto, em «Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série», vol. 6, p. 69, afirma-se que esta obra apresentava falhas, na medida em que, frequentemente, introduzia um paralelismo onde não era necessário. Ver «Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series», vol. 1, p. 38-39.

Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) também escreveu uma obra intitulada «Harmonia dos Evangelhos». Esta encontra-se em «Pais de Nicéia e Pós-Nicéia, Segunda Série», vol. 6, p. 77-236.

Durante a Reforma, os seguintes autores apresentaram harmonizações dos evangelhos: Osiander, Jansen, Robert Stephens, João Calvino, Du Moulin e Chemnitz, de acordo com «Pais Nicenos e Pós-Nicenos, Segunda Série», vol. 6, p. 69.

Nos tempos modernos, encontra-se uma harmonia dos Evangelhos no «The New Unger’s Bible Dictionary», pp. 495-498.

P: Se o Evangelho de Marcos foi escrito em primeiro lugar, os cristãos sabiam disso, sem dúvida. Então, por que razão não se limitaram a copiá-lo, mas surgiram, em vez disso, autores que escreveram um segundo, um terceiro e um quarto evangelho?

R: Eles copiaram Marcos, assim como os outros três evangelhos; por isso, penso que a verdadeira questão é: por que razão existem outros três evangelhos? Temos a riqueza de não apenas um, mas quatro pontos de vista sobre Jesus. Deus inspirou não apenas um escritor, mas quatro, e Deus concedeu-lhes perspetivas e personalidades diferentes.

P: Nos evangelhos, por que razão existem quatro evangelhos?

R: Os quatro evangelhos têm objetivos diferentes e públicos-alvo de certa forma distintos.

Mateus: foi escrito inicialmente nas línguas dos hebreus (aramaico?), segundo Papias. Enfatiza o reino de Deus, em contraste com João, que enfatiza como ser salvo. Mateus enumera muitas profecias do Antigo Testamento e mostra como a vida de Cristo era paralela à vida de Israel no Antigo Testamento. Muitos consideram o Evangelho de Mateus como um «leão», que enfatiza Cristo como Rei. Irineu de Lyon (182-188 d.C.), no fragmento 28, afirma que o Evangelho de Mateus foi escrito para os judeus, sublinhando que Cristo descendia de David.

Marcos: Enfatiza as ações de Cristo. Muitos consideram o Evangelho de Marcos como um «boi», que destaca Cristo como servo.

Lucas: O evangelho mais extenso, foi escrito por um médico e companheiro de viagem de Paulo. Lucas tem sido considerado o maior historiador do mundo antigo. Muitos consideram o Evangelho de Lucas como um «homem», que enfatiza a humanidade de Cristo.

João: Talvez o evangelho mais profundo, dá menos ênfase à vida de Cristo e mais às suas afirmações e ensinamentos. Muitos consideram o Evangelho de João como uma «águia», que realça a divindade de Cristo.

O «Comentário Bíblico do Crente», p. 1198, refere que, no Antigo Testamento, o Messias é chamado de «O Renovo» em quatro contextos: «… para Davi, um Renovo justo, e Ele reinará com sabedoria como Rei…» (Jeremias 23:5,6), «O meu servo, o Renovo» (Zacarias 3:8), «um homem cujo nome é o Renovo» (Zacarias 6:12) e «O Renovo do SENHOR» (Isaías 4:2).

Não existiam mais evangelhos que fossem geralmente aceites pelos cristãos. Irineu, que escreveu por volta de 182-188 d.C., afirmou que existiam exatamente quatro evangelhos (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, capítulo 11.8, p. 428).

P: Os evangelhos estão, todos, por ordem cronológica?

R: Não. Eis o que dizem quatro fontes conservadoras.

A Bíblia de Estudo NIV, p. 1437, afirma: «(No entanto, a ordem cronológica não parece ter sido seguida de forma rígida em nenhum dos Evangelhos.)»

A «New Geneva Study Bible», na p. 1504, afirma: «No entanto, Mateus e Lucas não seguem Marcos em todos os pontos no que diz respeito à ordem dos acontecimentos da vida de Jesus, nem à ordem dos Seus ensinamentos.» Na p. 1698, afirma-se: «Embora surjam algumas dificuldades na correlação de detalhes, os elementos principais estão em completa harmonia.»

F.F. Bruce, em *Hard Sayings of the Bible*, pp. 454-455, afirma: «…nenhum dos autores dos Evangelhos afirma estar a apresentar uma cronologia rigorosa. … Para o historiador antigo, era muito mais importante que compreendêssemos o significado da história do que que estabelecêssemos a cronologia com precisão. Assim, Mateus agrupa as palavras de Jesus em cinco “livros” principais, por tema:… Lucas tem outra forma de agrupar o seu material. … Em cada caso, temos agrupamentos temáticos, que nos proporcionam um relato ordenado, na medida em que organizam o material de forma a permitir-nos compreendê-lo melhor. Em nenhum dos casos obtemos necessariamente o contexto exato em que Jesus proferiu todo o material.»

Na Igreja primitiva, a «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 39, pp. 170-173, regista que Papias, um discípulo do apóstolo João, afirmou: «Marcos, que era o intérprete de Pedro, escreveu com precisão tudo o que se lembrava, quer fossem palavras, quer fossem atos de Cristo, mas não por ordem. Pois ele não foi nem ouvinte nem companheiro do Senhor; mas, posteriormente, como já referi, acompanhou Pedro, que adaptou o seu ensinamento conforme a necessidade exigia, não como se estivesse a fazer uma compilação dos oráculos do Senhor. Assim, Marcos não cometeu qualquer erro ao registar assim algumas coisas tal como se lembrava delas; pois concentrou-se apenas nisto — em não omitir nada do que tinha ouvido, nem incluir qualquer afirmação falsa entre elas» (retirado de The New Bible Dictionary, 1962, p. 782)

Os autores partiram do princípio de que as pessoas iriam ler o livro na íntegra várias vezes. Por exemplo, João 11:2 menciona que foi Maria quem ungiu Jesus com óleo perfumado. No entanto, só relatou o episódio de Maria ungir Jesus com óleo perfumado em João 12:1-3. Em Mateus 10:4 é mencionado «Judas Iscariotes, que traiu Jesus», e Judas ainda não tinha traído Jesus.

P: O que são os «Evangelhos Sinópticos»? Quais são as semelhanças e diferenças entre eles? Existe alguma prova de que se tenham citado uns aos outros?

R: Os «evangelhos sinópticos» são simplesmente o nome dado a Mateus, Marcos e Lucas (não a João). Se Marcos fosse o mais antigo, não teria citado os outros. É possível que Mateus e Lucas tenham citado Marcos e um ao outro, mas, por outro lado, pode ter sido o que eles próprios recordavam ou o que ouviram de outros. João, que muito provavelmente foi escrito em último lugar, parece centrar-se no que os outros não mencionaram.

Muitos estudiosos consideram que Mateus utilizou conscientemente o evangelho de Marcos na sua escrita; 93% do texto de Marcos encontra-se em Mateus e Lucas. Existem 200 versículos presentes em Mateus e Lucas, mas ausentes em Marcos. Muitos têm conjecturado a existência de um documento hipotético, denominado Q, para explicar estes 200 versículos. No entanto, não há provas de que Q tenha alguma vez existido, pelo menos na forma escrita. O que alguns consideram ser Q poderá ser o ensino oral comum da igreja e as discussões com Mateus e com Lucas, companheiro de Paulo. Existem também algumas semelhanças na ênfase entre Mateus e os escritos do importante fariseu judeu Johanan ben Zakkai, que viveu entre 30 a.C. e 90 d.C. Johanan enfatizava a misericórdia e a ajuda ao próximo mais do que os sacrifícios e a pureza. Ambos reconheciam que os gentios tinham um lugar no reino de Deus e escreveram sobre o julgamento futuro.

P: Por que razão os três Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) são tão semelhantes?

R: Existem quatro pontos de vista, e os três primeiros podem ser complementares.

1. Semelhança de Objetivo: Os três primeiros evangelhos são bastante paralelos e foram escritos para apresentar uma «sinopse» da vida de Cristo. O Evangelho de João, que foi escrito mais tarde, talvez partisse do princípio de que os leitores já conheciam os outros evangelhos. Afirma-se que o Evangelho de João foi escrito para que as pessoas acreditassem em Jesus e tivessem vida em Seu nome, tal como diz João 20:30-31.

2. Ligação verbal: Marcos era companheiro de Pedro, e Lucas viajou com Paulo. Marcos encontrava-se em Roma, conforme 1 Pedro 5:13. É provável que Lucas e Marcos estivessem em Roma ao mesmo tempo e, como alguém observou, «provavelmente não passaram todo o tempo a falar sobre o tempo». Embora não saibamos todos os locais por onde Mateus viajou, esta perspetiva defende que as semelhanças se devem à comunicação verbal entre os autores. O livro *Hard Sayings of the Bible*, p. 454, também discute uma ligação comum entre Mateus e Lucas, afirmando que essa ligação foi provavelmente verbal.

3. Ligação escrita de Marcos: A «New Geneva Study Bible» (p. 1504) afirma: «Os Evangelhos não se limitam a apresentar um calendário das atividades de Jesus. Nem são biografias modernas e técnicas que seguem métodos desconhecidos na sua época.»

4. «Q»: Uma quarta perspetiva, defendida por muitos estudiosos liberais, é a de que existiu um livro, agora perdido, a que chamam «Q», que continha o material comum a Mateus e Lucas, mas não a Marcos.

P: O que é a fonte «Q»? Onde se encontra atualmente? Em que língua existe?

R: «Q» é o nome dado aos versículos que são comuns a Mateus e Lucas, mas não a Marcos nem a João. Não temos provas de que alguma vez tenha existido. Por outro lado, pode considerar-se que este «Q» não tem de ser um único escrito, mas sim múltiplas fontes. E estas fontes não foram necessariamente todas registadas por escrito. Por outras palavras, o que alguns chamam de «documento Q» (no singular) poderia, na verdade, consistir em ensinamentos — incluindo os verbais — dos apóstolos e de outros seguidores.

P: Os evangelhos contêm exatamente e de facto o que o Senhor Jesus disse ou fez?

R: Eles resumiram e parafrasearam. Por exemplo, no Sermão da Montanha, em Mateus 5-7, Jesus provavelmente teve um período prolongado de tempo para pregar. No entanto, é possível ler isto em menos de quinze minutos. É claro que Jesus provavelmente repetiu algumas coisas em sermões subsequentes, mas o autor de um evangelho não repetia isso todas as vezes. Mas, para os cristãos, o que importa é a mensagem e o significado que Jesus ensinou, e não as sílabas e palavras propriamente ditas.

P: Em que consiste o «conjunto de ditos de Jesus» de que se diz que os evangelistas se basearam ao escreverem os seus evangelhos?

R: O Novo Testamento não menciona qualquer «conjunto de ditos». Talvez se esteja a referir ao que Lucas escreveu. João também escreveu duas passagens que podem ser consideradas marginalmente relevantes.

Lucas 1:1-4 «Muitos já se propuseram a redigir um relato das coisas que se cumpriram entre nós, tal como nos foram transmitidas pelas primeiras testemunhas oculares e pelos servos da Palavra. Por isso, tendo investigado cuidadosamente tudo desde o início, pareceu-me bem também a mim escrever um relato ordenado para si, excelentíssimo Teófilo, para que possa conhecer a certeza das coisas que lhe foram ensinadas.»

João 20:30-31 «Jesus realizou muitos outros sinais na presença dos Seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos para que creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em Seu nome.»

1 João 1:1-4 «Aquilo que existia desde o princípio, que ouvimos, que vimos com os nossos próprios olhos, que contemplámos e tocámos com as nossas próprias mãos — este é o Verbo da vida. E esta é a vida que foi revelada; nós vimos-a e testemunhámos-la, e anunciamos-vos a vida eterna que estava com o Pai e nos foi revelada. Anunciamos-vos o que vimos e ouvimos, para que também vós possais ter comunhão connosco. E esta nossa comunhão é com o Pai e com o Seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.»

P: O meu professor está a permitir-me fazer uma apresentação de 75 minutos sobre o «Jesus histórico». Na minha investigação, deparei-me com alguns argumentos que não sei bem como abordar, e gostaria de saber se o senhor teria alguma sugestão!

1) Não sabemos se os manuscritos originais foram escritos em grego, uma vez que os documentos mais antigos datam [supostamente] de algumas centenas de anos d.C. Podem ter sido traduzidos a partir de outra língua, o que poderia ter dado origem a erros.

2) Jesus pode não ter falado grego. Isso significaria que os autores (ou tradutores) do Novo Testamento tiveram de interpretar as suas palavras à sua maneira e, em seguida, traduzi-las (não necessariamente de forma correta).

Existe alguma informação sobre a helenização da Palestina na época de Jesus que possa indicar que os autores do Novo Testamento escreveram, de facto, em grego? É muito provável que Jesus falasse aramaico; assim sendo, como explicaria a infalibilidade do que se diz que ele afirmou? Se os autores escreveram em aramaico, ou noutra língua, como podemos provar (ou, pelo menos, demonstrar para além de qualquer dúvida razoável) que foi traduzido e transmitido
com precisão ao longo dos séculos?

Se conhecer alguma fonte que me possa indicar, seria ótimo. Ou, se já tiver refletido sobre esta questão, adoraria ouvir as suas conclusões. Acredito na soberania de Deus e na Sua capacidade de proteger a Sua Palavra, mas quaisquer explicações sobre como Ele o fez seriam, sem dúvida, uma grande ajuda!

R: Parece que há aqui quatro questões fundamentais:
1. O que Jesus disse

2. O idioma em que os Evangelhos foram escritos

3. O testemunho da fiabilidade dos Evangelhos

4. O registo infalível dos ensinamentos de Jesus

1. O que Jesus disse

Sabemos que Jesus falava aramaico, porque proferiu algumas frases nessa língua. (Mateus 5:22, etc.) Quando Jesus disse na cruz: «Eloi, Eloi, Lama Sabachthani», alguns pensaram que Ele estava a chamar por Elias, porque não conheciam o aramaico, embora todos os romanos soubessem grego e latim. Na região onde Jesus cresceu, muitas pessoas falavam hebraico, aramaico e grego. Por exemplo, toda a zona a norte e a leste do Mar da Galileia era de língua grega. Foi por isso que Pilatos mandou escrever a placa acima da cabeça de Jesus em três línguas.

Além disso, muitos judeus daquela época tinham nomes judaicos e nomes gregos ou romanos. Para além de Simão Pedro, havia José Barsabás e Judas Barsabás em Atos 15:22; Jesus, chamado Justo, em Colossenses 4:11; José, chamado Barnabé, em Atos 4:36; e João Marcos, em Atos 12:12.

2. Em que língua foram escritos os Evangelhos

No que diz respeito aos Evangelhos, dispomos do testemunho de Papias, um discípulo do apóstolo João. De acordo com o que foi preservado pelo historiador da Igreja Eusébio, Papias afirmou que o Evangelho de Mateus foi originalmente escrito na língua dos hebreus (hebraico ou aramaico). Os primeiros cristãos falavam predominantemente grego, embora os convertidos do judaísmo também falassem hebraico e aramaico.

3. Testemunho da fiabilidade dos Evangelhos

Já ouvi várias pessoas afirmarem que o Novo Testamento completo (ou quase completo) mais antigo de que dispomos data de cerca de 350 d.C. No entanto, isso não é o que está em causa. Temos a grande maioria de todos os versículos dos Evangelhos preservados de forma muito anterior. Por exemplo, até ao ano 200 d.C., conservamos manuscritos que contêm 71% dos versículos de Lucas (818 de um total de 1151 versículos). São eles: Lucas 1:58-59; 1:52-2:1; 2:6-7; 3:8-4:2; 4:29-32; 4:34-5:10; 5:30-7:32; 7:35-39, 41-43; 7:46-9:2; 9:4-17:15; 17:19-18:18; 22:4-24:53.

Quanto ao Evangelho de João, o manuscrito mais antigo de que dispomos atualmente é o p52, que data de entre 100 e 150 d.C. Outros manuscritos antigos datam até 200 d.C. (p45, p66, p75, p90). Estes manuscritos, juntamente com o p52, contêm 855 dos 878 versículos de João (97%). Incluem os versículos 1:1-14:30; 15:2-26; 16:2-4, 6-7, 10-33; 17:1-20:20; 20:22, 23, 25-31; 21:1-9, 12, 17.

Não se esqueça dos escritos da Igreja primitiva e de outros textos. Os escritos cristãos não bíblicos mais antigos de que dispomos são a Primeira Carta de Clemente (aos Coríntios), de 96-98 d.C., que cita extensivamente a Epístola aos Hebreus, para além de outros livros, e o Pastor de Hermas, de c. 115-155 d.C. O Diatessaron é uma harmonização, palavra por palavra, de cerca de 79% dos versículos dos evangelhos, escrita pelo gnóstico encratita Tatiano por volta de 172 d.C.

4. Registo infalível dos ensinamentos de Jesus

Os originais eram apenas paráfrases dos ensinamentos de Jesus. Quando Jesus ensinava a multidão durante horas e podemos ler as suas palavras em cinco parágrafos, é óbvio que não se tratava de uma transcrição palavra por palavra. A doutrina cristã da inerrância tem cinco partes básicas:
1. A Bíblia, nos manuscritos originais, está correta em tudo o que afirma.

2. Temos de compreender o contexto; a poesia é poesia, a narrativa é narrativa, podemos compreender metáforas e expressões linguísticas, etc.,
3. Deus era livre para «utilizar as suas próprias canetas» ao escrever a Bíblia, e essas canetas eram as pessoas que escreviam as palavras. Assim, livros diferentes, da autoria de diferentes autores humanos, apresentam estilos distintos, e isso é aceitável; a verdade de Deus transparece em todos eles.

4. Foi o significado que foi escrito sem erros, não necessariamente cada palavra.

5. Os manuscritos bíblicos preservados até aos dias de hoje apresentam, de facto, algumas variações e erros, mas a palavra de Deus foi preservada sem erros significativos que alterem a doutrina, a fé ou a prática cristãs.
Para mais informações, consulte http://www.biblequery.org/NewTestamentManuscripts.html.

P: Havia muitos judeus na Galileia?

R: A região da Galileia tem cerca de 70 por 40 milhas, ou 113 por 64 quilómetros. Na época dos Macabeus, em 164 a.C., a população da Galileia era tão pequena que toda a população podia ser transferida para a Judeia em busca de proteção. Na época de Jesus, a população era muito maior; Josefo, em «Vida», 235, 45, e em «Guerras dos Judeus», livro 3, secções 41-43, referiu que a Galileia contava com 204 cidades e aldeias, com pelo menos 15 000 habitantes cada. No entanto, a população incluía muitos não-judeus que os selêucidas tinham reassentado na Galileia e não-judeus de língua grega que optaram por se mudar para lá.

P: O cético Bart Ehrman escreve: «Temos algumas informações sobre o que significava ser um camponês de classe baixa nas zonas rurais da Palestina no século I. Uma coisa que isso significava era que era quase certo que se fosse analfabeto. O próprio Jesus era uma exceção notável, na medida em que evidentemente sabia ler (Lucas 4:16-20), mas não há nada que indique que soubesse escrever… Quantos sabiam ler? O analfabetismo era generalizado em todo o Império Romano. Na melhor das hipóteses, talvez 10 por cento da população fosse mais ou menos alfabetizada. E esses 10 por cento seriam as classes ociosas… Nada nos Evangelhos ou nos Atos indica que os seguidores de Jesus soubessem ler, muito menos escrever. De facto, há um relato nos Atos em que se diz que Pedro e João eram «analfabetos» (Atos 4:13) — a palavra antiga para «analfabeto».” (Jesus, Interrupted, pp. 105-106). Isto também é semelhante ao que Ehrman refere em Lost Christianities, p. 203.

R: A percentagem de pessoas no Império Romano (Espanha, Grã-Bretanha, Alemanha, etc.) que não sabiam ler é irrelevante; o que importa é a percentagem de pessoas instruídas entre os judeus da Judeia e da Galileia. Os judeus tinham um nível de instrução muito mais elevado do que a maioria dos outros povos do Império Romano. Ninguém considerava invulgar que Zacarias, pai de João Batista, soubesse escrever. O facto de o Sinédrio ter acusado Pedro e João de serem incultos não significa que fosse esse o caso, nem que eles não soubessem escrever de todo.

Deuteronómio 6:9 ordena aos israelitas que escrevam as leis nos umbrais das suas casas e nos seus portões. Será que os céticos pensam que quase nenhum dos judeus obedecia à sua própria lei?

A título de nota adicional, em Deir ‘Alla, no Vale do Jordão, os arqueólogos encontraram um exercício de escrita de um aluno que mencionava Balaão, filho de Beor, três vezes. Este foi datado por radiocarbono em 800/760 a.C.

P: O que significa a palavra inglesa «sinóptico»?

R: O Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 723, afirma: «“sinóptico” deriva do grego syn (juntamente com) e opsis (uma visão, uma perspetiva)», tal como indica a Bíblia de Estudo NIV, p. 1437. Da mesma forma, o Novo Dicionário Internacional da Bíblia, p. 399, refere que a palavra grega synoptikos significa «ver o todo em conjunto, ter uma visão abrangente».

Em contraste com isto, o cético «Asimov’s Guide to the Bible», na página 770, afirma que a palavra «sinóptico» deriva da palavra grega que significa «um olho», porque cada um dos três Evangelhos sinópticos narra a história de Jesus a partir do seu próprio ponto de vista. Talvez tenha confundido «syn/sun» com «mono», que significa «um».

A Concordância de Strong para «sun» (4862) afirma: «uma preposição primária que denota união; com ou juntamente (mas muito mais próximo do que 3326 ou 3844), ou seja, por associação, companheirismo, processo, semelhança, posse, instrumentalidade, adição, etc.» — ao lado de, com. Em composição, tem aplicações semelhantes, incluindo a completude.»

P: Qual dos quatro evangelhos foi escrito primeiro?

R: A opinião mais comum entre os cristãos é que foi o de Marcos, embora existam estudiosos da Bíblia de renome que acreditam que foi o de Mateus ou o de Lucas. O «Bible Knowledge Commentary: New Testament», p. 98, afirma: «Alguma dependência literária parece ser a única forma de explicar adequadamente a estreita relação entre os Evangelhos Sinópticos. A teoria da prioridade de Marcos, embora não isenta de problemas, explica melhor o esboço básico dos acontecimentos e as semelhanças detalhadas entre os Evangelhos Sinópticos. As diferenças devem-se provavelmente a uma combinação de tradições orais e escritas que Mateus e Lucas utilizaram de forma independente, para além de Marcos.»

O cético «Asimov’s Guide to the Bible», na p. 770, afirma que Mateus foi listado em primeiro lugar porque se pensava que fosse o primeiro, mas hoje em dia as pessoas geralmente pensam que foi Marcos. (p. 770, p. 903) No entanto, Asimov, na p. 771, menciona também que Papias escreveu que o Evangelho de Mateus foi originalmente redigido em hebraico [aramaico?]. É possível que o Evangelho de Mateus tenha sido escrito primeiro em aramaico, que Marcos o tenha utilizado como fonte primária na composição do seu evangelho e que, posteriormente, o Evangelho de Mateus tenha sido traduzido literalmente.

A título de nota adicional, dos 661 versículos de Marcos (final mais curto), 600 são semelhantes a versículos de Mateus, 350 são semelhantes a versículos de Lucas e apenas 31 não se encontram em mais nenhum outro lugar.

P: O que são os Evangelhos apócrifos? Por que razão não são aceites, quando sabemos que os Padres da Igreja e as tradições eclesiásticas contavam com eles, citavam-nos, especialmente nas festas da Igreja e nas práticas rituais?

R: A última parte da própria pergunta está factualmente incorreta. Os Padres da Igreja e as tradições eclesiásticas não se baseavam neles, nem os utilizavam nas festas e práticas rituais da Igreja, a menos que a pergunta se refira às religiões gnósticas e não ao cristianismo.

As únicas referências positivas são as de 2 Clemente e Clemente de Alexandria, que mencionam o Evangelho dos Egípcios, e Clemente de Alexandria, que menciona o Evangelho dos Hebreus. Não existem outras referências cristãs pré-nicenas a quaisquer outros evangelhos num sentido positivo. No entanto, os Padres da Igreja mencionaram e citaram os seguintes, afirmando que eram falsos. Irineu pronuncia-se contra o falso Evangelho da Verdade. Hipólito pronuncia-se contra o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho de Tomé (e outras obras). Assim, não seria justo afirmar que os primeiros Padres da Igreja «contavam com eles», quando muitos deles ainda nem tinham sido escritos e se pronunciavam contra outros escritos heréticos.

Por fim, muitos dos evangelhos apócrifos não foram nem aprovados nem rejeitados pelos primeiros cristãos, uma vez que esses evangelhos apócrifos só foram escritos séculos mais tarde. Por exemplo, o Evangelho de Nicodemos foi escrito por volta de 405-439 d.C., e o Evangelho da Natividade de Maria foi escrito após 625 d.C.

P: O que são o «Evangelho da Infância», o «Evangelho da Verdade», o «Evangelho dos Hebreus», o «Evangelho dos Ebionitas», o «Evangelho de Tomé» e o «Evangelho de Pedro»?

R: Trata-se de evangelhos apócrifos que várias pessoas escreveram muito tempo depois de os acontecimentos terem ocorrido.

Eis alguns desses evangelhos e as datas em que foram escritos.

Evangelho de Maria (século II ou VI)

Evangelho de Pedro (180-190 d.C.)

Evangelho de Tomé. Este livro falso, da autoria de hereges gnósticos, foi provavelmente escrito entre 188 e 235 d.C. Irineu de Lyon (182-188 d.C.), ao descrever exaustivamente todos os livros e heresias conhecidos, nada sabe sobre ele, mas o seu discípulo, Hipólito, que escreveu entre 222 e 235/236 d.C., faz-lhe referência.

Evangelho de Nicodemos (405-439 d.C.)

Evangelho da Natividade de Maria (após 625 d.C.)

No mundo muçulmano, existiam mais de 200 000 hadiths sobre Maomé. A grande maioria destes é considerada pelos estudiosos muçulmanos como falsa ou, na melhor das hipóteses, pouco fiável. Bukhari analisou-os minuciosamente e selecionou apenas 7 275 como fiáveis.

Tal como os drusos, os yazidis, os alauítas e outros têm os seus próprios livros, também os gnósticos tinham as suas próprias escrituras. Havia pelo menos trinta grupos de gnósticos, pelo que possuíam muitos livros que consideravam escrituras. O Evangelho da Verdade, o Evangelho de Tomé e o Evangelho de Pedro eram alguns deles.

Não existia nenhum livro intitulado «O Evangelho dos Ebionitas». Os heréticos ebionitas, que afirmavam que Jesus era apenas o Filho de Deus a título honorífico e por respeito, possuíam as Homilias Clementinas, os Reconhecimentos de Clemente e alguns outros livros.

P: Nos Evangelhos, quais são as profecias messiânicas?

R: Trata-se de profecias que Deus revelou para que o Seu povo pudesse reconhecer claramente o Messias. Aqui estão muitas delas.

Quem será o Messias?

Da tribo de Judá (Génesis 49:10; Mateus 1:2; Lucas 3:23, 33; Hebreus 7:14).

Da descendência de Jessé (Isaías 11:1; Mateus 1:6; Lucas 3:23, 32).

Da descendência de David (Jeremias 23:5; Lucas 3:31; Mateus 1:1; 9:27; Marcos 10:47-48; João 7:42; Atos 13:22-23; Apocalipse 22:16). Muitos Talmuds judaicos afirmam que o Messias provirá da linhagem de David.

Um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Salmo 110:4; Hebreus 5:6).

Filho de Deus (Salmo 2:7; Mateus 3:17; 16:16-17; 27:54; Marcos 9:7; Lucas 9:35; João 1:34; Atos 13:33; Hebreus 5:5).

O Senhor disse ao meu Senhor (Salmo 110:1; Mateus 22:43-45; Marcos 12:36-37; Lucas 2:11; 20:42-44). O Midrash Tehillim, Comentário sobre os Salmos (200-500 d.C.), reconhece o Salmo 110 como messiânico

Chamado de «Deus connosco» (Isaías 7:14; Mateus 1:23; Lucas 7:16; João 20:28).

A criança é chamada de Deus Poderoso, Príncipe da Paz, etc. (Isaías 9:6). Trata-se de uma referência messiânica de acordo com o Midrash iemenita 349-350 e o Pereq Shalom, p. 101

A semente da mulher esmagará a cabeça de Satanás (Génesis 3:15). Trata-se de uma passagem messiânica, de acordo com o Targum Pseudo-Jonatão

Nascido de uma virgem (cumprimento duplo) (Isaías 7:14; Mateus 1:18, 25; Lucas 1:26-35). Virgem, de acordo com a Septuaginta

Onde estará o Messias?

Nascido em Belém, em Judá (Miqueias 5:2; Mateus 2:1, 5-8; João 7:42; Lucas 2:4-7). O Targum Isaías afirma que esta é uma passagem messiânica.

Ministrará na Galileia (Isaías 9:1-2; Mateus 4:12-16; Marcos 1:14; Lucas 4:31; João 4:43).

Entrará no Templo em Jerusalém (Malaquias 3:1; Mateus 21:12; Marcos 11:15)

Quando virá o Messias?

O cetro não se afastará (Génesis 49:10; Lucas 3:23,33). Trata-se de uma passagem messiânica, de acordo com os Talmuds babilónico e de Jerusalém, o Targum de Jonatão, o Targum Pseudo-Jonatão, o Targum de Onkelos, o Comentário dos Manuscritos do Mar Morto e o Targum aramaico. Os judeus perderam o direito de executar pessoas no ano 11 d.C., de acordo com o Talmude babilónico, capítulo 4 do Sanhedrin.

Israel será abandonado até à vinda do Messias (Miqueias 5:3).

Antes da destruição do Templo (ano 70 d.C.) (Malaquias 3:1).

Após um precursor (Isaías 40:3; Mateus 3:1-3; 11:10; Lucas 1:17; João 1:23).

Morto em 32/33 d.C. (Daniel 9:20-27 + Neemias 2:1-10 (445/444 a.C.)). Trata-se de uma visão messiânica, segundo Maimónides em «Igeret Teiman» e o rabino Moisés Abraão Levi em «O Messias dos Targums, dos Talmuds e dos Escritores Rabínicos»

O que fará o Messias?

Ministério de milagres (Isaías 35:5,6a; Mateus 9:6-7,22,32-35; 11:4-6; 12:13; João 5:5-9; 9:6-11, etc.)

Levou sobre si as nossas doenças (Isaías 53:4; Mateus 8:17; Marcos 2:10-12; Lucas 5:13; João 5:5-9).

Ensinou por meio de parábolas (Salmo 78:2; Mateus 13:34).

Entrou como rei montado num jumento (Zacarias 9:9; Marcos 11:2-10; Lucas 19:35-37; Mateus 21:5-9; João 12:15).

De pedra de tropeço a pedra angular (Salmo 118:22-23; Isaías 8:14-15; 28:16; Mateus 21:42; Marcos 12:10-11; 1 Pedro 2:6-8; Atos 4:11).

Não abandonado à morte (Salmo 16:8-11; 30:3; Atos 2:31; 13:33; Marcos 16:6; Mateus 28:6; Lucas 24:46).

Zelo pela casa do Seu Pai (Salmo 69:9; João 2:17).

O Espírito do Senhor repousará sobre Ele (Isaías 11:2; Mateus 3:16; Marcos 1:10-11; Lucas 4:15-21, 32; João 1:32). Trata-se de uma passagem messiânica, de acordo com o Targum de Isaías e o Talmude babilónico

Mateus mostra que a vida de Cristo é paralela à do povo israelita (Jeremias 31:15 e Mateus 2:18, Oséias 11:1 e Mateus 2:15, Isaías 9:1,2 e Mateus 4:15-16; etc.).

Reações do povo

Odiado sem motivo (Salmo 35:19; 69:4; Isaías 49:7; João 15:25).

Alguns conspiraram para a ruína de Jesus (Salmo 38:12; Marcos 11:18).

Traído por um amigo (Salmo 41:9; Mateus 10:4; 26:48-50; Marcos 14:43-44; Lucas 22:47-48; João 18:3,5).

Rejeitado pelo seu próprio povo (Isaías 53:3-4; Salmo 69:8; João 1:11; 7:5; Mateus 21:42-44).

Deram-Lhe fel para beber (Salmo 69:21; Mateus 27:48).

Até os amigos mantiveram-se à distância (Salmo 38:11; Mateus 27:55; Marcos 15:40; Lucas 23:49).

Depois de o pastor ter sido ferido, as ovelhas dispersaram-se (Zacarias 13:7; Marcos 14:27, 50; Mateus 26:31).

Rejeitado pelo governo (Salmo 2:1-2; Atos 4:25-28).

Como morrerá o Messias?

Vendido por 30 moedas de prata (Zacarias 11:12-13; Mateus 26:15).

Atirou, e não colocou, as moedas no templo (Zacarias 11:13b; Mateus 27:5a).

Dinheiro para um oleiro (Zacarias 11:13; Mateus 27:7).

Levado injustamente (Isaías 53:7-8; Mateus 26:60; Marcos 14:55; Lucas 23:4).

Testemunhas falsas (Salmo 35:11; Mateus 26:60).

Silêncio perante os seus acusadores (Salmo 38:13-14; Isaías 53:7; Mateus 27:12).

Perguntou por que razão Deus O abandonara (Salmo 22:1; Mateus 27:46; Marcos 15:34).

Zombado (Salmo 22:7,8; Mateus 27:31,39; Marcos 15:31-32).

Coração como cera (Salmo 22:14b; João 19:34).

Traspassado por nós (Salmo 22:16; Isaías 53:5; Zacarias 12:10; Mateus 27:26; João 19:34).

As pessoas fitavam-no (Salmo 22:17; Lucas 23:35).

Lançaram sortes pelas suas vestes (Salmo 22:18; Marcos 15:24; Lucas 23:34; João 19:23,24).

Nenhum osso foi partido (Salmo 22:17; Salmo 34:20; João 19:33).

Foi agredido e cuspido (Isaías 50:6; Miqueias 5:1; Mateus 26:67; Lucas 22:63).

Foi morto com os transgressores (Isaías 53:12; Mateus 27:38; Marcos 15:27).

Intercedeu pelos transgressores (Isaías 53:12b; Lucas 23:34).

Foi sepultado no túmulo de um homem rico (Isaías 53:9; Mateus 27:57-60).

Carregou os nossos pecados como oferta expiatória (Isaías 53:5, 6, 10-12; João 1:29; 1 Coríntios 15:3; 1 João 2:2; 4:10).

Jesus morreu com um Salmo nos lábios (Salmo 31:5; Lucas 23:46).

P: Em Mt 2:1,5-8; Lc 2:4-7; Jo 7:42, o que significa o nome «Belém»?

R: Belém significa «casa do pão», de acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 225.

Belém, na Judeia, é uma cidade muito antiga, anterior aos israelitas. Génesis 35:19 diz: «Assim, Raquel morreu e foi sepultada no caminho para Efrata» (ou seja, Belém, na Judeia). Génesis 48:7 diz algo semelhante. Portanto, Belém chamava-se originalmente Efrata, e é por isso que, em Miqueias 5:2, a cidade é referida como «Belém-Efrata».

As cartas de Amarna, escritas pelos cananeus ao Egito pouco depois de 1400 a.C., durante o tempo de Josué, mencionam que «Bit-Lahmi» se tinha aliado ao povo dos «Apiru», de acordo com o Dicionário Wycliffe de Arqueologia Bíblica, p. 142, e o Dicionário Bíblico Wycliffe, p. 225, que remete para o ANET, p. 489.

A propósito, existe também uma segunda cidade, situada a norte, chamada Belém, no território de Zebulom, conforme Josué 19:15.

P: Um cético, Bart Ehrman, afirma: «Não há qualquer indício em Mateus e Lucas de que Jesus tenha existido antes do seu nascimento.» (Jesus, Interrupted, p. 75; também em Jesus, Interrupted, p. 103)

R: Miqueias 5:2, que Mateus cita em 2:6, diz que as origens do Messias «são desde os tempos antigos» no texto massorético, ou «desde o princípio, sim, desde a eternidade» na tradução grega da Septuaginta. Em Mateus, os escribas omitiram algumas partes, incluindo a parte sobre «desde os tempos antigos», mas praticamente qualquer rabino judeu reconheceria o resto deste versículo.

Em Mateus 23:37 e Lucas 13:34, Jesus diz: «Ó Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados, quantas vezes desejei reunir os teus filhos, como a galinha reúne os seus pintos debaixo das asas, mas não quiseste!» Isto foi dito apenas alguns dias após a entrada triunfal, quando Jerusalém saiu para dar as boas-vindas a Jesus. Assim, em que momento do ministério terreno de Jesus, antes desta ocasião, foi dada a Jerusalém a oportunidade de se reunir sob a proteção de Jesus? É claro que a resposta é nunca. Mateus e Lucas (e Jesus) terão de ter estado a pensar no tempo em que Jesus existia antes de nascer, quando os profetas que Jesus ajudou a enviar para Jerusalém foram mortos.

P: O cético Bart Ehrman afirma: «É impressionante, porém, que no Evangelho de Marcos, Jesus nunca se refira a si próprio como um ser divino, como alguém que pré-existia, como alguém que fosse, em qualquer sentido, igual a Deus. Em Marcos, Ele não é Deus e não afirma sê-lo.» Jesus, Interrupted, p. 79

R: Marcos 2:5-12 (assim como Mateus 9:2-6 e Lucas 5:20-23) afirma que só Deus pode perdoar pecados; no entanto, Jesus perdoou os pecados do paralítico. Quando Jesus foi acusado de fazer apenas o que só Deus pode fazer, Ele não disse que estava meramente a proclamar o perdão de Deus, nem negou a suposição deles. Em vez disso, afirmou e demonstrou que Ele próprio tinha o poder de perdoar pecados.

P: Sobre Mateus 12:30 e Marcos 9:40, o cético Bart Ehrman escreve: «Em Mateus, Jesus declara: “Quem não está comigo está contra mim.” Em Marcos, diz: “Quem não está contra nós está a nosso favor.” Será que Ele disse ambas as coisas? Será que Ele se referia a ambas as coisas? Como podem ambas ser verdadeiras ao mesmo tempo? Ou será possível que um dos evangelistas tenha invertido as coisas?» Jesus, Interrupted, p. 41

R: Sinceramente, não consigo compreender de todo como é que Ehrman pode ver isto como uma contradição. É claro que ambas as afirmações podem ser verdadeiras. É claro que Jesus pode dizer coisas diferentes, mas complementares, em situações diferentes e em dias diferentes, sem se contradizer. Em Mateus 12:22-37 (que corresponde a Marcos 3:20-29), isto ocorre quando lhe trazem um homem possuído por demónios. Muito mais tarde, numa ocasião totalmente diferente, em Marcos 9:38-41, é relatado a Jesus que outra pessoa está a expulsar demónios. Talvez Ehrman tenha, de alguma forma, considerado contraditório que, se alguém fosse contra Jesus, pudesse também ser contra os Seus seguidores, ou vice-versa. Mas Jesus previu que os Seus seguidores seriam perseguidos e mortos porque os perseguidores não conhecem o Pai nem a Jesus, em João 16:3. Jesus afirmou em João 15:18-21: «Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro Me odiou a Mim. Se fosses do mundo, o mundo amar-vos-ia como algo que lhe pertence. Em vez disso, o mundo odeia-vos, porque não sois do mundo, mas Eu escolhi-vos do mundo. Lembrai-vos da palavra que vos disse: “Nenhum servo é maior do que o seu senhor.” Se Me perseguiram, também vos perseguirão; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tratar-vos-ão assim por causa do Meu nome.» (BSB) Jesus identificou-Se intimamente com os Seus seguidores em Mateus 25:34-46, na parábola das ovelhas e dos bodes. Em João 15:1-8, Jesus diz que estamos Nele, tal como os ramos estão ligados à videira.

P: Em Jo 2:19, por que razão, no Evangelho de João, Jesus disse: «Destruam este templo, e em três dias eu o levantarei de novo», quando em Mt 26:61b e Mc 14:58 se afirma [supostamente] que era falso que Jesus tivesse dito isso, tal como refere o cético «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 976?

R: Jesus disse-o efetivamente em João 2:19, e Mateus 26:61b e Marcos 14:58 NÃO afirmam que fosse falso que Jesus o tivesse dito. Esses passos relatam que os acusadores de Jesus se lembraram disso e utilizaram-no para o acusar. Mas Asimov está simplesmente a inventar que eles afirmaram que era falso.

P: Em Mt 17,1-9 e Mc 9,2-9, temos a sensação de que Jesus subiu à montanha alta com o propósito de ser transfigurado, enquanto que em Lucas verificamos que Jesus subiu à montanha para orar, e a transfiguração ocorre enquanto Ele orava (Lc 9,28-36). Qual é a explicação para isto?

R: Há dois pontos a considerar na resposta.

a) Na verdade, não só Lucas, como também nem Mateus nem Marcos afirmam que Jesus subiu à montanha para ser transfigurado. Todos eles se mantêm em silêncio, mesmo quanto à questão de saber se Jesus sabia ou não de antemão que seria transfigurado.

b) Em segundo lugar, a oração não é um ritual! A oração é a comunicação com Deus no céu. Jesus orou a Deus Pai, e não consigo imaginar que Jesus tenha sido transfigurado sem dizer nada a Deus Pai.

P: Em Mt 17,12 e Mc 9,11-13, de que forma João Batista cumpriu a profecia de Elias? Seria ele a reencarnação de Elias?

R: Não. Na primeira vinda de Jesus, João tinha o propósito e a missão de Elias. É claro que o próprio Elias (e não João) apareceu brevemente na transfiguração. Muitos pensam que Elias será uma das duas testemunhas imediatamente antes da sétima trombeta, em Apocalipse 11:3-12.

O primeiro autor conhecido por ter abordado este versículo é Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), que observou que o conceito de alguém possuir o espírito de outrem não é exclusivo de Elias e João Batista. Deus prometeu que Josué teria o espírito de Moisés. (Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 49, p. 220) Além disso, Eliseu recebeu uma porção dupla do espírito de Elias em 2 Reis 2:9-10.

P: Em Jo 7,1, por que razão Jesus [supostamente] temeu a morte, quando, em Lc 12, Ele disse aos discípulos para não temerem a morte?

R: Jesus disse aos discípulos para não terem medo da morte física, mas sim da morte espiritual. João 7:1 NÃO diz que Jesus temia a morte. No entanto, é possível tomar precauções sem temer a morte. Jesus evitou ir para a Judeia porque os judeus de lá queriam matá-Lo. Tratava-se de uma precaução para o Seu ministério, não tomada por medo, pois mais tarde, quando chegou a Sua hora, Jesus foi a Jerusalém, onde os judeus procuraram matá-Lo e até conseguiram.

P: Em Lucas 13:23, há quem procure entrar e não consiga, e procure e não encontre, em João 7:34, ou será que quem procura encontra, como mostram Mateus 7:7; 1 Crónicas 28:9; Isaías 55:6; Atos 10:35?

R: Alguns que procuram Deus NÃO O encontram necessariamente. Deus nada diz sobre aqueles que não O procuram diligentemente, ou que O procuram apenas parcialmente, segundo os seus próprios termos, e não segundo os Seus termos.

P: Em Mt 17,12 e Mc 9,11-13, o facto de Jesus estar a falar com Moisés e Elias indica [de alguma forma] que devemos rezar aos mortos, como alguns católicos romanos têm afirmado?

R: Não. Ninguém falou com Moisés e Elias na transfiguração, exceto Jesus. Eles também não falaram com ninguém, exceto com Jesus e entre si. Apenas Deus deve ser o objeto da nossa adoração. Os católicos concordariam, mas afirmam que, tal como podemos pedir ajuda e orações aos cristãos que vivem na Terra, podemos igualmente pedir o mesmo aos cristãos que vivem no céu. 2 Coríntios 11:3 diz que não devemos dedicar-nos a ninguém, a não ser a Cristo. Embora orar a alguém não signifique necessariamente que se esteja dedicado a essa pessoa, muitas orações católicas são orações de devoção a Maria ou a outros santos. Não há qualquer exemplo nas Escrituras de um crente a orar a alguém que não seja Deus.

P: Em Mc 15,25, Jesus foi crucificado à terceira hora, ou ainda se encontrava perante Pilatos à terceira hora, de acordo com João 19,14?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

Um facto que não faz parte da resposta: a forma grega de escrever «três» e «seis» diferia apenas num traço, pelo que uma hipótese é que se tratou de um erro do escriba. No entanto, há uma explicação mais simples.

A resposta: Ambas as afirmações são verdadeiras, porque os judeus e os romanos contavam as horas de forma diferente. João 19:14 diz que Ele saiu da presença de Pilatos na sexta hora, o que corresponderia às 6h00 da manhã, uma vez que o dia romano começava à meia-noite. Marcos 15:22,25 diz que Ele foi crucificado na terceira hora, o que corresponderia às 9h00, uma vez que o dia judaico era contado a partir do nascer do sol (cerca das 6h00) e a noite judaica começava ao pôr do sol (cerca das 18h00). João também utiliza o sistema romano/grego de contagem do tempo em João 20:19, onde o início da noite era considerado parte do dia anterior, enquanto os judeus consideravam o período após o pôr do sol como pertencente ao dia seguinte.

Como sabemos que os romanos contavam o dia da meia-noite à meia-noite? Os escritores romanos Plutarco (Moral: Questões Romanas 84), Plínio, o Velho (História Natural ii.77 (188)), Aulo Gelio (iii.2) e Macróbio (Saturnália, i.3) afirmam todos que o dia romano ia da meia-noite à meia-noite, segundo A.T. Robertson em *Harmony of the Gospels*, pp. 285-286, e William Arndt em *Bible Difficulties & Seeming Contradictions*, pp. 197-199. Plinio, o Velho, também observou que outras culturas tinham costumes diferentes, e que os babilónios consideravam o dia como o período entre o nascer e o pôr do sol.

P: Em Mt 19,16-30, Mc 10,17-31 e Lc 18,18-30, como é que estes passagens se conciliam?

R: Conciliam-se muito bem assim que se compreende que os evangelistas parafrasearam e não apresentaram necessariamente citações exatas. Por exemplo, Mateus diz: «Mestre… alcançar a vida eterna… Por que me perguntas sobre o que é bom?… Só há Um que é bom», enquanto Marcos e Lucas dizem: «Bom Mestre… herdar a vida eterna… Por que me chamas bom?… Ninguém é bom, a não ser somente Deus», e assim por diante. Consulte a «Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas», pp. 329-332, para uma discussão aprofundada.

P: Em Mt 19,28 e Lc 22,28-30, o cético Bart Ehrman afirma erroneamente que Jesus disse que os doze discípulos teriam doze tronos. E quanto ao discípulo Judas Iscariotes? (Jesus, Interrupted, p. 159)

R: Não, não há trono para Judas. Em primeiro lugar, Lucas 22:28-30 não menciona doze tronos, mas apenas doze tribos. Na verdade, Mateus 19:28 NÃO diz que os doze discípulos se sentarão em doze tronos. Em vez disso, diz: «… vós que Me seguistes, também vos sentareis em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.» (BSB) Assim, diz-se que haverá doze tronos, mas não se diz que os doze discípulos se sentarão neles. Pelo contrário, Jesus prometeu isto apenas a «vós que Me seguistes». Judas não continuou a seguir Jesus e abandonou o seu lugar como discípulo depois de O ter traído, tal como diz Atos 1:20.

P: Em Mt 26,14, um cético, Bart Ehrman, escreve que Judas traiu Jesus por dinheiro, enquanto que em Lucas 22,3 Judas fê-lo porque Satanás entrou nele. Em João, Judas é chamado de demónio, pelo que, aparentemente, tinha uma veia maligna. (Jesus, Interrupted, p. 45-46)

R: Tal como nenhum incêndio tem origem numa única causa, mas sim em três (ar, combustível, faísca), também muitas ações têm múltiplas causas simultâneas. Muitas coisas têm três causas: uma causa potencial, como a água acumulada atrás de uma barragem; uma causa imediata, como uma fenda na barragem; e uma causa preventiva que foi eliminada, como a suspensão das inspeções de segurança da barragem. Qual delas causou a ruptura da barragem? – todas as três estiveram envolvidas. Da mesma forma, Judas já era um ladrão antes disto, pelo que era diabólico. A Judas foi-lhe dado um motivo egoísta adicional: o suborno dos sacerdotes. Por fim, ele viu a oportunidade após a Última Ceia. Então, qual foi a razão pela qual Judas traiu Jesus? – Todas as três razões estiveram envolvidas.

P: Em Mt 26, 26-28; Mc 14, 22; e Lc 22, 19, por que razão o pão e o vinho não são o corpo físico de Cristo?

R: Podemos ver que Jesus quis dizer que o pão e o vinho eram simbolicamente o Seu corpo por duas razões.
Em primeiro lugar, não há a mínima prova de que as pessoas se prostrassem perante o pão e o vinho, nem na Bíblia nem na Igreja primitiva. Não devemos adorar nada nem ninguém além de Deus. Adoramos Jesus, mas se o pão e o vinho não são Jesus, não devemos adorar o pão e o vinho.
Em segundo lugar, se uma pessoa interpretasse esta metáfora como se o pão e o vinho fossem ou se tornassem Jesus, então, para sermos coerentes, teríamos de considerar também outras metáforas do corpo de Jesus como sendo o próprio Jesus, tal como em 1 Coríntios 12:27. Nós (a igreja) somos o corpo de Cristo. Considera que as pessoas devem adorá-lo a si, ou adorar a congregação que frequenta? Se não for nenhuma das duas coisas, então por que razão não adoraria um cristão, feito à imagem de Deus, mais do que o pão e o vinho, que não são feitos à imagem de Deus?
É claro que nunca devemos adorar outros cristãos. Mas será que adorar outras pessoas, e justificar isso com a metáfora de Cristo, seria pior do que adorar o pão e o vinho, e justificar isso com a metáfora de Cristo?

P: Em Mt 26,49-50, por que razão é que Jesus é traído por Judas com um beijo, sendo depois detido, mas em João 18,2-9 Jesus dá um passo à frente voluntariamente para se identificar, sem que Judas lhe dê qualquer beijo?

R: O facto de não se fazer referência ao beijo em João 18:2-9 não prova que não tenha havido beijo. Judas poderia ter beijado Jesus, conforme Mateus 26:49; depois, os soldados recuaram em João 18:2-9 e, por fim, prenderam-no em Mateus 26:50. A única parte que se diz ter acontecido «imediatamente» foi o beijo de Judas no início.

P: O cético Bart Ehrman afirma que, em Marcos, Jesus passou por um julgamento rápido, no qual quase nada disse, mas que, em João, houve um julgamento longo e demorado, no qual Jesus manteve conversas prolongadas (Jesus, Interrupted, p. 43).

R: Isto é bastante absurdo, porque nem Marcos nem João referem especificamente a duração do diálogo, e Jesus provavelmente disse mais coisas do que qualquer um deles regista. Não houve um, mas sim dois julgamentos (judaico e romano). Marcos registou duas frases proferidas por Jesus no julgamento judaico e uma frase no julgamento romano. João registou cinco frases de Jesus no julgamento judaico e nove frases no julgamento romano. Mas, mais uma vez, nenhum dos evangelistas afirma ter registado tudo o que Jesus disse.

P: Em Mt 27,11-14, por que razão Jesus não responde a nenhuma acusação na sua audiência perante Pilatos, o governador, uma vez que Jo 18,33-37 [supostamente] nos diz que Jesus respondeu a todas as acusações na sua audiência perante Pilatos?

R: Mateus 27:11 e Mateus 27:12 referem-se a momentos diferentes; 2:11 ocorre perante Pilatos. Em Mateus 27:11-14, quando os sumos sacerdotes e os anciãos estavam com ele (no versículo 12), Jesus não lhes respondeu nada. João 18:28 diz que os judeus não entravam no Pretório, pelo que, em João 18:29, Pilatos (presumivelmente acompanhado por Jesus) saiu ao seu encontro. João 18:33 diz que, depois disso, Pilatos entrou no Pretório e chamou Jesus. Em seguida, em João 18:34-37, Jesus respondeu às perguntas de Pilatos.

A propósito, João 18:33-37 NÃO diz que Jesus respondeu a todas as perguntas ou acusações de Pilatos; afirma apenas que Pilatos disse: «Não encontro motivo para acusá-lo.» Pilatos pode ter-lhe feito muitas perguntas, e João 18:33-38 enumera apenas quatro, das quais Jesus respondeu a três. Mateus 27:14 diz que Jesus não respondeu uma única palavra no momento em que os sacerdotes e os anciãos O acusaram, nem quando Pilatos Lhe fez uma pergunta que não consta em João 18:33-37. Assim, Jesus não respondeu a nada do que os sacerdotes e os anciãos disseram, mesmo quando Pilatos Lhe perguntou se estava a ouvir essas acusações. Posteriormente, Jesus respondeu a [pelo menos] três perguntas feitas por Pilatos.

P: Em Mt 28, 1-8, por que razão as profecias provariam que Jesus era Deus, se Jesus fosse um extraterrestre? (Na verdade, ouvi isto de um estudante universitário que era fã de «Star Trek» e da Igreja da Cientologia.)

R: Se Jesus fosse um extraterrestre, teria de ser um ser altamente inteligente para conseguir que todas estas profecias se concretizassem. Na verdade, em comparação connosco, pareceria onisciente. Jesus teria também de ser um extraterrestre extremamente poderoso para realizar todos os milagres que realizou, incluindo a ressurreição dos mortos. Nós considerá-lo-íamos todo-poderoso. Para poder ensinar aos homens os ensinamentos que Jesus ensinou, teria de ser moralmente muito bom, quase perfeito. Portanto, se considera que Jesus pode ser um ser onisciente, todo-poderoso e moralmente perfeito, que não é deste mundo e que veio para nos mostrar a verdade, concordo consigo!

P: Em Mt 28,2; Mc 16,4; Lc 24,2, a pedra foi simplesmente «rolada» para o lado?

R: Não. A palavra grega traduz-se melhor por «arremessada» do que por «rolada». Se a pedra pesasse algumas toneladas, seria necessário um anjo para a arremessar.

P: Nos evangelhos, quem mais, além de Jesus, afirmou ser o Messias ou Deus?

R: As seguintes pessoas fizeram as seguintes afirmações, ou então foram outras pessoas que fizeram essas afirmações a seu respeito.

…Cristo regressou

Grigori Rasputin (pelo menos algumas outras pessoas afirmaram isso)

O reverendo Jim Jones, de Jonestown (falecido a 16 de novembro de 1978)

O reverendo Moon, da Igreja da Unificação

Jacob Katzan (1977-)

O Guru Maharah Ji, da Missão da Luz Divina

muitos gurus hindus e da Nova Era

…Um Messias judeu que surgiu pela primeira vez

Sabbatai Sebi/Zvi, em setembro de 1666 d.C., foi forçado a converter-se ao islamismo

O rabino Schneerson de Nova Iorque (já falecido)

provavelmente Teudas, em Atos 5:36. Ele afirmava ser alguém importante

…O Mahdi nas religiões xiitas

Primeiro califa fatímida ‘Obaidallah/‘Ubaydullah (909-933/934 d.C.)

Imã al-Husayn bin al-Kasim al-‘Iyani (1010-1013 d.C.) (seita Husayniiya zaidita)

Mirza Ghulam Ahmad (1879 d.C., Movimento Ahmadiyya)

Bahá’u’lláh (bahá’ís) (1817-1892)

Husayn ‘Ali Nuri Baha’, meio-irmão de Bahá’u’lláh

Sliman Murshad da Síria (1900-1949)

O movimento mahdista no Sudão

muitos outros

…Messias zoroastrianos, ou Saoshyants

…Deus visível

Maomé era venerado como Deus visível pelos muhammidiyya

Ali é considerado divino segundo a ‘Ulyaniyya/’Alaya’iyya

‘Ali bin Abi Talib e Salim al-Farisi. Eles não afirmaram ser Deus, mas muito tempo após a sua morte algumas seitas alauítas veneraram-nos como uma espécie de triteísmo muçulmano.

Senhor Hakim (os drusos) (996-1021 d.C.)

Deus existia na forma de todos os profetas, segundo a seita xiita Rizamiyya / Muslimiyya

P: Para além de Jesus, há mais alguém que tenha realizado grandes milagres na Palestina?

R: Não. No entanto, há quem afirme que Onias, o «fazedor de círculos», do século I a.C., realizou um milagre. É chamado de «fazedor de círculos» porque desenhou um círculo e disse a Deus que não sairia de dentro dele até que chovesse, e então choveu. Eis a citação de Taanith 3.8, em *The New Testament Background*, p. 170: «Certa vez, disseram a Onias, o Criador de Círculos: “Reze para que chova.” Ele respondeu: “Saí e trazei os fornos da Páscoa, para que não se amoleçam [ou seja, pela chuva].“ Ele rezou, mas a chuva não caiu. O que fez ele? Traçou um círculo, colocou-se no seu interior e disse perante Deus: ‘Ó Senhor do mundo, os teus filhos voltaram os seus rostos para mim, pois sou como um filho da casa perante ti. Juro pelo Teu grande nome que não me moverei daqui até que tenhas piedade dos Teus filhos.» A chuva começou a cair gota a gota. Ele disse: «Não foi por tal chuva que rezei, mas por chuva que encha as cisternas, os poços e as cavernas.» Começou a chover com violência. Ele disse: «Não foi por tal chuva que rezei, mas por chuva de boa vontade, bênção e benevolência.» Então choveu com moderação [e continuou] até que os israelitas subissem de Jerusalém ao Monte do Templo por causa da chuva.» Por fim, choveu tanto que lhe pediram que rezasse para que a chuva parasse. Josefo (c. 90 d.C.) também menciona brevemente que Onias rezou para que a chuva parasse em «Antiguidades dos Judeus», livro 14, cap. 2.1, p. 290.

P: Nos evangelhos, quais são as referências extra-bíblicas a Jesus anteriores ao ano 200 d.C.?

R: Seria de esperar que a vida de Jesus e o cristianismo não passassem despercebidos, mesmo fora da Bíblia. Um dos objetivos de apresentar estas citações é dissipar as dúvidas de alguns críticos céticos, como Bertrand Russell, quanto à existência de Jesus.

Cornélio Tácito (c. 55 – c. 117 d.C.) foi um historiador romano que escreveu sobre acontecimentos em Roma e na Grã-Bretanha entre os anos 15 e 70 d.C. A julgar pelo seu tom desdenhoso, não era certamente um amigo do cristianismo. Em «Anais», 15:44, escreveu: «…Mas todos os esforços humanos, todas as generosas dádivas do imperador e as propiciações aos deuses não conseguiram dissipar a sinistra crença de que a conflagração [o incêndio de Roma] fora resultado de uma ordem [do Imperador]. Consequentemente, para se livrar do boato, Nero atribuiu a culpa e infligiu as mais exquises torturas a uma classe odiada pelas suas abominações, chamada de «cristãos» pelo povo. Cristo, de quem o nome teve a sua origem, sofreu a pena máxima durante o reinado de Tibério, às mãos de um dos nossos procuradores, Pôncio Pilatos, e uma superstição das mais perniciosas, assim contida por um momento, voltou a eclodir não só na Judeia, a primeira fonte do mal, mas até em Roma, onde todas as coisas hediondas e vergonhosas de todas as partes do mundo encontram o seu centro e se tornam populares. Consequentemente, procedeu-se primeiro à detenção de todos os que se declararam culpados; depois, com base nas suas declarações, uma imensa multidão foi condenada, não tanto pelo crime de incendiar a cidade, mas sim por ódio contra a humanidade. Às suas mortes juntaram-se todo o tipo de afronta. Cobertos com peles de animais, foram dilacerados por cães e pereceram, ou foram pregados em cruzes, ou condenados às chamas e queimados, para servirem de iluminação noturna, quando a luz do dia se extinguia….”

Tácito, no livro 5 de «Histórias», também discute em pormenor como várias legiões romanas — a 5.ª, a 10.ª, a 15.ª, a 12.ª e alguns homens da 18.ª e da 3.ª — reprimiram a revolta na Judeia e destruíram Jerusalém.

As citações de Tácito foram retiradas de *Os Anais* e *As Histórias*, de P. Cornélio Tácito, Encyclopedia Britannica, Inc., 1952.

Mara Bar-Serapion era um homem sírio comum que escreveu uma carta ao seu filho, Serapion, algures após o ano 73 d.C. Nela, encoraja-o a seguir o exemplo dos sábios da história que morreram por aquilo em que acreditavam, tais como Sócrates, Pitágoras e o sábio rei que os judeus executaram. Este documento encontra-se no Museu Britânico, e F.F. Bruce refere-o em *Os Documentos do Novo Testamento: São Fiáveis?*

Josefo foi um erudito judeu, nascido em 37/38 d.C., que escreveu de forma positiva sobre Cristo. Existem duas versões desta passagem: a versão árabe mais curta, do século X, e a versão latina mais extensa. Considera-se geralmente que a versão árabe mais sucinta é a mais correta. Contudo, independentemente da versão correta, trata-se de um testemunho da existência e da crucificação de Cristo. Consulte a próxima pergunta para uma discussão mais aprofundada sobre este assunto.

Luciano de Samosata (também conhecido como Luciano, o Grego), satírico do século II, escreveu sobre Cristo: «… o homem que foi crucificado na Palestina por ter introduzido este novo culto no mundo… Além disso, o seu primeiro legislador convenceu-os de que eram todos irmãos uns dos outros, depois de terem transgredido de uma vez por todas ao negarem os deuses gregos e ao adorarem o próprio sofista crucificado, vivendo sob as suas leis.» («A Morte de Peregrino» — também conhecido como «A Morte de Peregrino», 11-13) (citado de «Evidence That Demands a Verdict», vol. 1, p. 82.)

Clemente de Roma foi um bispo cristão que escreveu à igreja de Corinto, perguntando-lhes, essencialmente, por que razão não estavam a obedecer ao que Paulo escreveu 50 anos antes. A carta de Clemente foi escrita entre os anos 96 e 98 d.C.

Plinio, o Jovem, foi um governador da Bitínia que matou muitos cristãos por causa da sua fé. Escreveu ao imperador Trajano em 112 d.C., perguntando se deveria continuar a matar homens, mulheres e crianças simplesmente por não adorarem uma estátua do imperador. Plínio diz sobre os cristãos: «afirmavam, no entanto, que toda a sua culpa, ou o seu erro, residia no facto de terem o hábito de se reunir num determinado dia fixo, antes do amanhecer, altura em que entoavam, em versos alternados, um hino a Cristo como se fosse um deus, e se comprometiam com um juramento solene, não a praticar atos perversos, mas a nunca cometer qualquer fraude, roubo ou adultério, a nunca falsificar a sua palavra e a nunca negar uma confiança quando lhes fosse solicitado que a devolvessem. Epístolas 10.96. (citado de *Evidence that Demands a Verdict*, vol. 1, p. 83.) Para além disso, Plínio também nos fornece informações sobre os essênios.

Papias foi outro bispo que foi discípulo do apóstolo João. Escreveu muitos volumes, algures entre 95 e 110 d.C. Infelizmente, os seus escritos perderam-se, com exceção de uma breve descrição de Eusébio de Cesareia (318 d.C.). Eusébio refere-nos que, entre outras coisas, Papias afirma que o Evangelho de Mateus foi escrito inicialmente em hebraico, que Marcos era o intérprete de Pedro e que Papias ensinava o pré-milenismo. (Eusébio era um amilenista.)

Inácio foi discípulo do apóstolo João. Escreveu cartas a muitas igrejas e faleceu em 107 ou 116 d.C., durante o reinado do imperador Trajano.

Policarpo, bispo de Esmirna, foi um mártir cristão e discípulo de Inácio que falava de Cristo. Faleceu por volta de 163 d.C.

Irineu, bispo de Lyon (em França), foi discípulo de Policarpo e um mártir que viveu entre 120/140 e 202 d.C. Escreveu uma longa obra contra as heresias da época, entre 182 e 188 d.C..

A Didaché (ou Ensinamento dos Doze Apóstolos) foi um manual eclesiástico anónimo, datado de cerca de 60-120 d.C.

Justino, o Mártir, foi um filósofo grego que nasceu em 110 ou 114 d.C. Converteu-se por volta de 138 e, segundo ele próprio, a sua Primeira Apologia foi escrita 150 anos após o nascimento de Cristo. Na sua Primeira e Segunda Apologias, bem como no seu «Diálogo com Trifão, o Judeu», Justino afirma que Jesus é Deus. O «Chronicon Paschale» indica-nos que foi martirizado pela sua fé em 165 d.C.

Suetónio, o historiador romano e funcionário da corte que escreveu por volta de 120 d.C., afirma: «Como os judeus estavam a causar distúrbios constantes por instigação de Chrestus (outra grafia de Christus, ou seja, Cristo), ele expulsou-os de Roma.» Vida de Cláudio 25.4 (Citado de *Evidence that Demands a Verdict*, volume 1, p. 83.) (A troca entre «i» e «e» não era invulgar na tradução do grego para o latim, de acordo com *The Expositor’s Bible Commentary*, vol. 10, p. 3

Teófilo, bispo de Antioquia, foi o primeiro autor de que temos conhecimento a utilizar um termo grego para designar a Trindade (Tríade) em *To Autolycus*, livro 2, cap. 15, p. 101. Escreveu entre 168 e 181/188 d.C.

Clemente de Alexandria, que não deve ser confundido com o anterior Clemente de Roma, viveu entre 193 e 217/220 d.C. Escreveu extensivamente, incluindo um hino a Cristo e uma obra importante intitulada «As Miscelâneas».

Hipólito escreveu entre 225 e 235/6 d.C. e é autor de «A Refutação de Todas as Heresias». Hipólito foi discípulo de Irineu.

Tatiano viveu entre 110 e 172 d.C. e escreveu uma «harmonia dos evangelhos», contendo cerca de 79% dos versículos dos evangelhos. Infelizmente, mais tarde abandonou a fé e juntou-se aos encratitas, uma heresia gnóstica.

Os Talmuds judaicos referem-se a Jesus em vários pontos. Consulte *Evidence That Demands a Verdict*, volume 1, pp. 85-87, para citar passagens do Talmude Babilónico, *Tol’doth Yeshu*, *Barailu*, *The Amoa ‘Ulla’*, *Yeb. IV 3* e *Baraita*. Consulte também o Tratado *Sanhedrin*.

Flegão foi um escritor grego da Cária e escravo libertado do imperador Adriano. Escreveu pouco depois de 137 d.C. que, no quarto ano da 202.ª Olimpíada [33 d.C.], ocorreu «o maior eclipse solar» e que «fez-se noite na sexta hora do dia [12h00 do meio-dia], de tal forma que até apareceram estrelas no céu. Houve um grande terramoto na Bitínia, e muitas coisas foram derrubadas em Nicéia.» (The Case for Christ, p. 111.) A citação completa, de acordo com a The Baker Encyclopedia of Christian Apologetics, p. 384, é: «Jesus, enquanto vivo, não foi de qualquer ajuda para si próprio, mas ressuscitou após a morte e exibiu as marcas do seu castigo, e revelou como as suas mãos tinham sido perfuradas por pregos» e, mais tarde, «o eclipse no tempo de Tibério César, durante cujo reinado Jesus parece ter sido crucificado, e o grande terramoto que então ocorreu», ambos em Orígenes, *Contra Celso*, livro 2, cap. 33, p. 455, nos *Pais Ante-Nicenos*, volume 4, e Júlio Africano, *Acontecimentos na Pérsia*, cap. 18, p. 136. Ver também Orígenes, *Contra Celso*, livro 2, cap. 59, p. 455.

Talo foi um historiador samaritano mencionado por Júlio Africano (que escreveu entre 232 e 245 d.C.). Júlio afirma, a respeito da escuridão na época de Cristo: «Esta escuridão, Talo, no terceiro livro da sua História, denomina — como me parece sem fundamento — um eclipse solar.» (Os Padres Ante-Nicenos, volume 6, fragmento 18, p. 136.) O contexto é a discussão de Júlio sobre como o período entre o decreto de Artaxerxes e a crucificação de Cristo cumpriu Daniel 9.

O historiador samaritano Talo, que não deve ser confundido com o filósofo grego Tales, era bastante conhecido. As seguintes fontes mencionam Talo.

Teófilo a Autólico, cap. 29, p. 120, menciona Talus, bem como o historiador caldeu anterior Beroso, na p. 121.

O «Discurso Exortatório aos Gregos», de Pseudo-Justino Mártir, cap. 9, p. 277, menciona Talus, Filão, Josefo e outros.

O «Octávio», de Minúcio Félix, cap. 22, p. 186

A «Apologia» de Tertuliano, cap. 19, p. 33, menciona Talus e Josefo.

Fragmento 18 de Júlio Africano, p. 136.

O «Pastor de Hermas» foi uma obra cristã anónima escrita por volta de 115-155 d.C.

Atenágoras escreveu ao imperador romano uma defesa do cristianismo por volta de 177 d.C.

Sabe-se também que Aristides de Atenas e Quadrato escreveram apologias em defesa do cristianismo, mas apenas alguns dos seus escritos se conservaram.

P: Qual é a versão sobrevivente de Josefo que mais se aproxima do que ele escreveu originalmente?

R: Existem duas passagens nas quais ele se refere a Jesus. Na primeira, Josefo descreve a vida e o ministério de Jesus («Antiguidades dos Judeus», livro 18, cap. 3.3), e na segunda, identifica-o como irmão de Tiago («Antiguidades dos Judeus», livro 20, cap. 9.1). Existem várias versões da primeira passagem, mas iremos discutir brevemente as versões latina e árabe. A versão latina, aqui apresentada, e a versão árabe do século X são essencialmente idênticas, exceto pelo facto de a versão árabe ser mais curta, uma vez que não inclui as partes sublinhadas...» A versão mais curta é provavelmente a mais correta. Primeiro, apresentaremos as diferenças; em seguida, as evidências que sustentam três pontos de vista; e, por fim, a conclusão de vários estudiosos.

As diferenças:

A versão latina mais longa contém as partes sublinhadas, ao passo que a versão árabe do século X não as contém.

«Ora, por volta dessa altura, vivia Jesus, um homem sábio — se é lícito chamá-lo de homem, pois realizava obras maravilhosas —, um mestre de homens que acolhiam a verdade com prazer. Ele atraiu para si tanto muitos judeus como muitos gentios. Ele era [o] Cristo; e quando Pilatos, por sugestão dos principais homens entre nós, o condenou à cruz, aqueles que o amavam desde o início não o abandonaram, pois ele lhes apareceu vivo novamente ao terceiro dia, tal como os profetas divinos tinham predito isto e ainda dez mil outras coisas maravilhosas a seu respeito; e a tribo dos cristãos, assim chamada em sua honra, não se extinguiu até aos dias de hoje.» (Antiguidades dos Judeus 18.3.3, escrito por volta de 93-94 d.C.) (Extraído de Josefo: Obras Completas. Kregel Publications 1960. Trata-se de uma combinação da tradução de William Whiston (1867) e da Edição Padrão publicada por Porter e Coates, Filadélfia, Pensilvânia)

Provas relativas às partes sublinhadas:

Este texto, com as partes sublinhadas, é citado em: «História Eclesiástica», de Eusébio, livro 1, cap. 11 (318 d.C.).

Jerónimo (c. 400 d.C.) «Vidas de Homens Ilustres»

Isidoro de Pelúsio, livro 4, carta 225.

Macário, em *Actis Sanctorum*, tomo 5, p. 149, ap. Fabrício. José, p. 61 (época desconhecida)

Cedreno. *Compendium Historia*, p. 196 (c. 1060 d.C.)

Zonaras, *Annal.*, tomo 1, p. 27 (c. 1120 d.C.)

Gotfridus Viterbiensis, «Chronicale», p. 366 e Vers. Rufini (c. 1170 d.C.)

Platina, *De Vitis Pontificum* (c. 1480 d.C.)

Os seguintes autores não citaram Josefo, mas afirmaram que este O designou abertamente como o Cristo.

História Eclesiástica de Sozomeno, livro 1, capítulo 1 (440 d.C.)

Cassiodoro, na «História em Três Partes de Sozomeno» (510 d.C.)

Crónicas de Alexandria, p. 514, 526, 527, 584, 586 (640 d.C.)

Crónicas de Johan. Malela, livro 10 (c. 850 d.C.)

Códice de Fócio, livro 48 I, Códice 238, Códice 33 (c. 860 d.C.)

Anais de Glycus, p. 234 (c. 1120 d.C.)

Pode ler o texto destas fontes em Josefo: Obras Completas, p. 640-643.

Além disso, o estilo das partes sublinhadas parece corresponder ao do resto do texto.

Provas contra as partes sublinhadas:

O árabe do século X não contém estas partes, ao passo que a versão latina as contém. A versão latina refere-se tanto a Cristo que nos leva a questionar por que razão Josefo não era cristão. De facto, o erudito cristão primitivo Orígenes afirma que Josefo não acreditava que Jesus fosse o Messias em «Orígenes contra Celso», livro 1, cap. 47, p. 416; livro 2, cap. 13, p. 437. F. F. Bruce, em «Os Documentos do Novo Testamento: São Fiáveis?», p. 108, especula que Josefo poderá, de facto, ter escrito isto, mas que o fazia de forma sarcástica. No entanto, nada na versão latina revela qualquer sarcasmo. Em «Josefo: Obras Completas», o apêndice na p. 644 afirma que Josefo se refere a Jesus como o Cristo [Messias] meramente porque Ele era uma entre várias pessoas que foram apresentadas como o Messias, sem que isso implique que o próprio Josefo acreditasse nisso.

Será que alguma destas interpretações estava correta?

A favor: Tertuliano não faz qualquer referência a Josefo, e Clemente de Alexandria relata o que Josefo disse sobre alguns anos, mas nada relacionado com Cristo.

Contra: São tantas as fontes que mencionam, pelo menos, a versão árabe básica, que seria improvável que todas essas fontes estivessem totalmente erradas. Mesmo fontes como Orígenes, que afirmam que Josefo não acreditava que Jesus fosse o Messias, dão a entender que Orígenes leu nas obras de Josefo as passagens em que este mencionava Jesus. A citação de Orígenes (tal como consta no Apêndice da tradução de Whiston) diz, em parte: «pois Josefo testemunha, no décimo oitavo livro das suas Antiguidades Judaicas, que João era o Batista e que prometia purificação àqueles que fossem batizados. O mesmo Josefo, além disso, embora não acreditasse em Jesus como Cristo, quando investigava a causa da destruição de Jerusalém e da demolição do templo — e deveria ter afirmado que as suas maquinações contra Jesus foram a causa dessas ‘miserias que se abateram sobre o povo, por terem matado aquele Cristo que fora predito pelos profetas’ —, ele, embora de certa forma contra a sua vontade, mas ainda assim sem se afastar da verdade, afirma que estas desgraças se abateram sobre os judeus como vingança por Tiago, o Justo, que era irmão de Jesus, chamado Cristo;»

Conclusão — O árabe é mais preciso

O estudioso do Novo Testamento R. T. France afirma o seguinte em http://www.leaderu.com/truth/1truth21.html.

«Praticamente todos os estudiosos concordam que o texto que nos chegou [a tradução latina] é uma reescrita cristã, mas a maioria está disposta a aceitar que, no texto original, constasse neste ponto um breve relato sobre Jesus, talvez num tom menos elogioso. A menção passageira de Josefo a «Jesus, o chamado Messias» em Antiguidades, livro 20, capítulo 200, é difícil de explicar sem alguma referência prévia a este Jesus, especialmente porque Josefo, noutras passagens, não faz qualquer referência ao cristianismo, nem sequer utiliza o termo Christos em relação a qualquer outra figura. A versão diferente e menos «comprometida» do Testimonium, preservada numa citação árabe do século X de Josefo, embora seja improvável que represente o texto original, atesta, de facto, a existência de um relato sobre Jesus na obra de Josefo subjacente ao texto cristianizado. Mas a reconstrução do que Josefo escreveu é necessariamente especulativa.»

A «Baker Encyclopedia of Christian Apologetics», p. 382, afirma: «A autenticidade desta passagem tem sido questionada por estudiosos de todas as correntes de pensamento, pois parece duvidoso que um judeu que viveu e trabalhou fora do contexto cristão tivesse dito tais coisas sobre Jesus… Apesar destas preocupações, há razões a favor de aceitar a maior parte do texto como autêntico. … Mesmo sem as partes que são provavelmente interpolações cristãs, este texto constitui um testemunho extraordinário da vida, morte e influência de Jesus.

Referências

Para mais informações, consulte a «Baker Encyclopedia of Christian Apologetics», pp. 253-254, 382, e a Dissertação I no Apêndice da tradução de Josefo por Whiston.

P: Por que razão a genealogia de Lucas remonta a Adão, enquanto a genealogia de Mateus remonta apenas a Abraão?

R: As Escrituras não o dizem, mas temos uma hipótese. A ênfase de Lucas estava em Jesus como Filho do Homem, enquanto a ênfase de Mateus estava em Jesus, o Messias judeu prometido. A genealogia de Lucas através de Maria prova que Jesus era um descendente biológico de David (mas não de Salomão). A genealogia de Mateus, segundo a qual José descendia de David e de Salomão, prova que Jesus, como filho legal de José, tinha direito à realeza.

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.), na obra *Stromata*, livro 1, cap. 21, p. 334, pensou, erradamente, que o Evangelho de Mateus era a genealogia de Maria.

P: Por que razão a genealogia de Jesus em Mateus (Mt 1, 1-17) é diferente da que se encontra em Lucas (Lc 3, 23-38)? E por que razão ambas diferem dos textos do Antigo Testamento? Terá sido apenas uma invenção apologética destinada a atribuir a Jesus uma origem davídica? Por outro lado, estas variações e diferenças não lançam dúvidas sobre a verdade de que Jesus de Nazaré é o Messias prometido?

R: Resumidamente, a resposta é que Jesus era o filho biológico de Maria e o filho adotivo de José. Mateus apresenta a genealogia de José, o que era importante porque o direito à realeza passava pelo pai. Lucas apresenta a genealogia de Maria, pelo que Jesus também descendia biologicamente de David.

E depois há a questão de Jeconias (Jehoichin). Ele foi um rei perverso, e Deus disse que ele e o seu pai nunca teriam um descendente no trono de David. A genealogia de Maria, apresentada por Lucas, mostra que Jesus descendia de David por essa linhagem, mas não através de Salomão e Jeconias. No entanto, a genealogia de José, segundo Mateus, mostra que José descendia de Jeconias. Como nota histórica, a primeira pessoa de que temos conhecimento a abordar e responder a esta questão das duas genealogias foi Irineu de Lyon, na obra «Contra as Heresias», livro 3, cap. 21.9, pp. 453-454, escrita entre 182 e 188 d.C..

P: Em Mt 1,1-17, como é que esta genealogia se concilia com Lc 3,23-38?

R: Os registos reais geralmente referiam uma única genealogia, mas Jesus tinha duas. Muitos têm visto um problema nas genealogias de Mateus e Lucas, que apresentam pessoas essencialmente diferentes a partir de Davi. Mas vamos colocar duas questões por nossa conta. Que direito teria Cristo de reivindicar o trono de Davi se fosse descendente de Davi? – Nenhum, se fosse descendente apenas pelo lado materno. É por isso que era importante que Jesus fosse o filho legal e adotivo de José em Mateus; as pessoas não reivindicam a realeza com base na mãe. Por outro lado, se Maria não descendesse de David, o que seria então da profecia de que Jesus descendia de David? É por isso que a genealogia biológica em Lucas é importante. Assim, para demonstrar que Jesus cumpriu o papel de Messias, ambas as genealogias eram necessárias.

O problema que algumas pessoas têm é que a genealogia em Lucas não diz, de facto, «esta é de Maria». Mas isso está implícito quando se diz: «Ele [Jesus] era considerado filho de José, filho de Heli…» As genealogias antigas em geral, e as judaicas em particular, não eram atribuídas às mulheres.

Heli é mencionado como pai de Jesus porque, como escreveu Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), «devido ao Seu [de Jesus] nascimento da Virgem, que era, como eu disse, da família de David, de Jacob, de Isaac e de Abraão; ou porque Adão foi o pai tanto de Si mesmo como daqueles que foram enumerados em primeiro lugar, de quem Maria deriva a sua descendência. Pois sabemos que os pais das mulheres são igualmente os pais [ou seja, os antepassados] dos filhos que as suas filhas dão à luz.» Diálogo com Trifão, o Judeu, cap. 100 (ANF, vol. 1, p. 249.)

Júlio Africano (232-245 d.C.), na sua Carta a Aristides (Pais Ante-Nicenos, vol. 6, p. 125-127), também distinguiu entre genealogias da lei e da natureza. No entanto, afirmou que uma era a genealogia legal de José e a outra a genealogia natural de José. Ver também a «História Eclesiástica» de Eusébio, livro 1, capítulo 7, e livro 6, capítulo 31.

Outro escritor da Igreja primitiva que reconheceu que uma genealogia era a de José e a outra a de Maria (embora as tenha invertido) foi Clemente de Alexandria, em *Os Estromata* (193-202 d.C.), livro 1, cap. 21 (ANF, vol. 2, p. 334).

P: Em Mt 1,12 e 1 Cr 3,15-17, o pai de Salatiel era Jeconias ou Neri, como se refere em Lc 3,27?

R: Houve várias pessoas com os nomes de Salatiél e Zorobabel.

Em Mateus 1:12, a linhagem é a seguinte: Josias (avô) -> Jeconias -> Salatiél -> Zorobabel -> Abiud -> Eliakim

Em Lucas 3:26-27, a sequência é: Melquis -> Neri -> Salatiél -> Zorobabel -> Resa -> Joanas -> Judá -> José.

Em 1 Crónicas 3:15-17, a genealogia apresenta-se da seguinte forma: Josias -> Jeoiaquim -> Jeconias -> Salatiel e Pedaías. Não são mencionados filhos de Salatiel, mas o próximo na linha real é Zorobabel, filho de Pedaías.

As genealogias de Maria e José eram idênticas até Dávid, tendo-se depois separado. Não há qualquer semelhança, nem nos antepassados nem nos descendentes, a partir daí. Talvez o Salatiel e o Zorobabel em Lucas tenham sido nomeados em homenagem aos governadores mencionados em 1 Crónicas 3:15-17 e Mateus 1:12. Note-se também que Lucas 3:26-27 menciona Judá e José, mas tratava-se de pessoas diferentes de Judá, filho de Jacó, de José, filho de Jacó, e de José, marido de Maria.

P: Em Lc 1:26, foi o nascimento de Cristo anunciado a Maria, ou foi anunciado a José em Mt 1:20?

R: Ambos. Foi-lhe anunciado primeiro a Maria, uma vez que ela se questionaria sobre o motivo da sua gravidez. Mais tarde, o anjo comunicou a notícia a José, para que este não se separasse de Maria por infidelidade.

P: Nos Evangelhos, que pontos têm em comum as narrativas da infância?

R: Marcos e João não fornecem quaisquer detalhes sobre o nascimento de Jesus. Eis seis pontos comuns a Mateus e Lucas:

1. Genealogia desde Abraão até David (Mt 1, 2-6; Lc 3, 31-34)

2. O rei Herodes reinava (Mt 2, 1; Lc 1, 5)

3. A visita de um anjo do Senhor (José: Mt 1, 20; Maria: Lc 1, 26-38)

4. Jesus nasceu em Belém da Judeia (Mt 2, 1; Lc 2, 4-7)

5. Os três regressaram a Nazaré (Mt 2, 19-22; Lc 2, 39).

6. Jesus cresceu em Nazaré (Mt 2, 23; Lc 2, 40).

Em geral, os dois evangelhos complementam-se na perfeição, proporcionando um quadro bastante completo da infância de Jesus. Mateus relata a genealogia de José, os Reis Magos e a fuga para o Egito. Lucas menciona Gabriel, o nascimento de João Batista, a genealogia de Maria, os pastores, Simeão e Ana. Embora não saibamos qual foi escrito primeiro, Lucas refere que outros já tinham redigido relatos sobre Jesus. Assim, talvez o Evangelho de Lucas tenha sido escrito depois do de Mateus e, tendo lido Mateus, Lucas tenha optado por incluir detalhes que Mateus ainda não tinha relatado. João provavelmente escreveu depois de ambos e, aparentemente, não tinha nada a acrescentar.

P: Nos Evangelhos, Jesus acreditava que as Escrituras eram inerrantes (sem erros nos manuscritos originais)?

R: Esta resposta foi retirada da página web já extinta www.wam.umd.edu/~cbernard/Theology/inerrancy.html.

Jesus trata consistentemente as narrativas históricas do Antigo Testamento como registos diretos de factos. Ele menciona:

Abel (Lucas 11:51)

Noé (Mateus 24:37-39; Lucas 17:26,27)

Abraão (João 8:56)

A instituição da circuncisão (João 7:22; cf. Génesis 17:10-12; Levítico 12:3)

Sodoma e Gomorra (Mateus 10:15; 11:23,24; Lucas 10:12)

Ló (Lucas 17:28-32)

Isaac e Jacó (Mateus 8:11; Lucas 13:28)

o maná no deserto (João 6:31, 49, 58)

A serpente no deserto (João 3:14)

Davi a comer o pão consagrado (Mateus 12:1-8; Marcos 2:23-28; Lucas 6:1-5)

Jesus como Senhor de David (Mateus 22:43; Marcos 12:36; Lucas 20:42)

Salomão (Mateus 6:29; 12:42; Lucas 11:31; 12:27)

Eliseu (Lucas 4:27)

Jonas (Mateus 12:39-41; Lucas 11:29, 30, 32)

Zacarias (Lucas 11:51)

A última passagem realça a visão de Jesus sobre a unidade da história, desde «a criação do mundo» até «esta geração». Ele refere-se repetidamente a Moisés como o dador da Lei (Mateus 8:4; 19:8; Marcos 1:44; 7:10; 10:5; 12:26; Lucas 5:14; 20:37; João 5:46; 7:19). Menciona frequentemente os sofrimentos dos verdadeiros profetas (Mateus 5:12; 13:57; 21:34-36; 23:29-37; Marcos 6:4 [cf. Lucas 4:24; João 4:44]; 12:2-5; Lucas 6:23; 11:47-51; 13:34; 20:10-12) e comenta a popularidade dos falsos profetas (Lucas 6:26). Ele dá o seu selo de aprovação a passagens tão significativas como Génesis 1 e 2 (Mateus 19:4,5; Marcos 10:6-8).[6]

Alguns poderão opor-se a esta altura e argumentar que Jesus estava apenas a utilizar os mitos e as histórias da sua cultura para ilustrar os seus argumentos. Isto é certamente possível no caso de algumas passagens, mas parece improvável. Em primeiro lugar, a sensação que se retira da leitura dos relatos evangélicos é que Jesus considera as histórias do Antigo Testamento como história real. O espírito com que utilizava as Escrituras indica que acreditava que os relatos do Antigo Testamento são históricos. Em segundo lugar, não parece ser uma opção viável afirmar que Jesus estava apenas a utilizar os mitos da sua cultura para ilustrar os seus ensinamentos em passagens como Mateus 12:41; 24:37; 11:23,24; 5:12; 4:4.

Em terceiro lugar, Jesus pressupõe a inspiração da Bíblia. Ele utiliza «a Escritura diz...» e «Deus diz...» de forma intercambiável e, ao fazê-lo, identifica o texto do Antigo Testamento com a Palavra de Deus. Citando Génesis 2:24, Jesus diz: «Não leram que, desde o princípio, o Criador “os fez homem e mulher” e disse: “Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe...”». Note-se que Génesis 2:24 não é uma citação direta de Deus no texto, mas sim um comentário do autor ou narrador do texto. Jesus considera as palavras dos textos bíblicos como sendo as próprias palavras do Criador. A inspiração das cópias originais (autographa) pressupõe a inerrância. Se Jesus estiver correto ao reconhecer o Antigo Testamento como as próprias palavras do Criador, então atribuir erro ao Antigo Testamento equivale a atribuir erro ao próprio Deus.

Em quarto lugar, Jesus acreditava claramente na autoridade da Bíblia. Nas Suas disputas com os fariseus e saduceus, Jesus recorre às Escrituras como se estas tivessem autoridade para resolver a disputa. Ele vê as Escrituras como a palavra definitiva (João 5:39-47; Mateus 22:29, 31; Marcos 12:24-26; Lucas 20:37). Quando as Escrituras falam, Deus fala, e a questão fica resolvida.

P: Nos evangelhos, o que é uma «harmonia» anterior ao ministério de Jesus?

R: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. No que diz respeito a estes 27 acontecimentos, os números referem-se a acontecimentos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a acontecimentos que podem ocorrer em qualquer ordem. Antes do ministério de Jesus, tudo nos Evangelhos foi escrito por ordem cronológica, exceto as partes sublinhadas. Os indicadores de local, tempo e sequência encontrados nos Evangelhos estão a negrito.

Antes do ministério de Jesus: Mt 4,1-11; Mc 1,1-13; Lc 1,1-3,18; Lc 3,21-4,13; Jo 1,1-42

B1a. No princípio, Jesus já existia no Céu. Jo 1:1-5; Jo 17:5

B1b. A genealogia de Maria a partir de Adão (com lacunas). Lc 3, 23-37

B1c. A genealogia de José a partir de Abraão (com lacunas). Mt 1, 1-17

B2. Em Jerusalém, durante o reinado de Herodes (37 a.C. a 4 a.C.), Gabriel visita Zacarias; Isabel ficará grávida. Lc 1, 1-25

B3. No sexto mês de gravidez de Isabel, Gabriel visita Maria em Nazaré, anunciando-lhe que ela ficará grávida. Lc 1, 26-38

B4. Maria está grávida, embora continue virgem. Mt 1, 18-19

B5. Depois de Maria ter engravidado, Gabriel visita José. Mt 1, 20-25

B6. Ao viajar para a Judeia, Maria visita Isabel. Lc 1, 39-56

B7. Nasce João Batista. Lc 1, 57-80

B8. Enquanto Herodes era rei (37-4 a.C.), Cristo nasce em Belém da Judeia. Mt 2, 1; Lc 2, 1-7

B9. Nos campos próximos, os anjos dizem aos pastores para visitarem Jesus. Lc 2, 8-20

B10a1. Ao oitavo dia, Jesus é circuncidado. Lc 2, 21

B10a2. Após a purificação de Maria (33 dias depois, de acordo com Lev 12, 1-4), no templo de Jerusalém, Jesus é apresentado ao Senhor. Lc 2, 22-38

B10b. Numa casa em Belém, os Magos do Oriente vêm adorar Jesus. Mateus 2:2-12

B11. Após a partida dos Magos, a fuga para o Egito. Mt 2, 13-15

B12. No espaço de dois anos, Herodes mata os bebés do sexo masculino de Belém. Mt 2, 16-18

B13. Após a morte de Herodes, José, Maria e Jesus regressam a Nazaré. Mt 2, 19-22; Lc 2, 40a

B14a. Em Nazaré da Galileia, Jesus cresce. Mt 2, 23; Lc 2, 40b

B14b. Todos os anos, por ocasião da Páscoa, os pais de Jesus deslocam-se a Jerusalém. Lc 2, 41

B15. Aos 12 anos, Jesus vai ao Templo em Jerusalém. Lc 2, 42-52

B16. No deserto da Judeia, João Batista prega. Mt 3, 1-12; Mc 1, 1-8; Lc 3, 1-18; Jo 1, 6-28

B17a. Quando Jesus tinha cerca de 30 anos (provavelmente 33-34), foi batizado no rio Jordão. Mt 3, 13-17; Mc 1, 9-11; Lc 3, 21-23

B17b. No dia seguinte [após a observação de João], Jesus dirige-se a João Batista. João testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus. Jo 1, 29-34

B18a. No rio Jordão, Jesus chama Pedro, André e outro. Jo 1, 35-42

B18b1. Jesus decide regressar à Galileia no dia seguinte, após as palavras de João Batista. Jo 1, 43a

B18b2. Jesus chama Filipe e Natanael. Jo 1, 43b-51

B18c. Durante 40 dias no deserto, Satanás tenta Jesus. Mt 4, 1-11; Mc 1, 12-13; Lc 4, 1-13

Nesta lista, 1 acontecimento é idêntico em todos os quatro evangelhos, 2 constam nos evangelhos sinópticos, 3 constam em Mateus e Lucas, 5 constam apenas em Mateus, 5 constam apenas em João, 10 constam apenas em Lucas e 0 constam apenas em Marcos. Marcos apresenta aqui apenas 3 acontecimentos, que são comuns a Mateus e a Lucas. Poder-se-ia facilmente concluir que nenhum deles foi testemunha ocular destes acontecimentos iniciais, tendo obtido o seu material principalmente de fontes diferentes, embora Lucas possua a maior quantidade de informação anterior ao ministério de Jesus e Marcos a menor.

A propósito, a Bíblia de Estudo NIV, pp. 1636-1641 (no final de João), apresenta uma extensa harmonização dos evangelhos. Não tinha conhecimento disso quando elaborei estas harmonizações dos evangelhos e ainda não comparei os meus resultados com os deles.

P: É verdade que a informação sobre a vida de Jesus antes do Seu ministério público é «escassa»?

R: Não, não quando comparadas com as de outras figuras famosas da Antiguidade. Esta opinião não resulta de um estudo académico objetivo, mas sim da descrença dos «críticos cristãos». Cinco pontos a considerar na resposta.

1. A título de referência, durante o ministério público de Jesus antes da Sua morte, são-nos apresentados pelo menos 176 factos sobre a vida e os ensinamentos de Jesus.

2. Antes de Jesus ter iniciado o Seu ministério, conhecemos pelo menos 37 factos sobre Jesus.

3. Temos mais informações sobre Jesus antes da Sua vida pública do que as que os historiadores nos fornecem sobre os reis mais famosos da Babilónia, do Egito, da Média, da Pérsia, da Grécia, da Macedónia ou da Roma antiga. Por outras palavras, sabemos mais sobre Jesus, antes da Sua primeira aparição pública, do que sabemos sobre a infância do babilónio Nabucodonosor, dos egípcios Akhenaton e Nefertiti, dos medos Kyaxares e Astyges, dos persas Ciro, Dario e Xerxes, dos gregos Agamenon e Péricles, ou dos senadores mais famosos de Roma. A única figura da Antiguidade sobre a qual sabemos tanto antes da sua vida pública é Alexandre da Macedónia.

4. Na verdade, dispomos de menos informações sobre algumas figuras históricas dos séculos XVIII e XIX, antes das suas vidas públicas, do que sobre Jesus.

5. Se alguém pretender afirmar que a informação sobre a vida de Jesus antes do Seu ministério é escassa, pelo menos em comparação com a de outras figuras, deve ou apresentar uma série de figuras históricas antigas sobre cuja vida, antes de se tornarem figuras públicas, se disponha de mais informação, ou então deixar de divulgar informação errada.

Consulte também a próxima pergunta para conhecer pelo menos trinta factos que nos são relatados sobre Jesus antes do Seu ministério.

P: Em Mt 2,13-23, se Maria, José e Jesus fugiram para o Egito, como é que puderam regressar diretamente a Nazaré, conforme se refere em Lc 2,39?

R: Lucas 2:39 não diz que a família de Jesus regressou imediatamente a Nazaré. Diz apenas que cumpriram o que a lei exigia [em Jerusalém] antes de regressarem a Nazaré. Pode-se inferir que isso aconteceu logo a seguir, uma vez que nada mais foi mencionado. Talvez Lucas não tenha visto necessidade de mencionar a viagem ao Egito, ou talvez Lucas não tivesse conhecimento dessa viagem.

Seja como for, isto não é incompatível com os outros evangelhos. A próxima pergunta apresenta uma harmonização detalhada. Letras como a, b, c referem-se a acontecimentos que poderiam ocorrer em qualquer ordem.

P: Antes do ministério público de Jesus, o que nos é dito exatamente sobre Jesus?

R: São-nos relatadas pelo menos 37 coisas sobre Jesus antes do Seu ministério. A informação que nos é fornecida pode ser dividida em três categorias:

O próprio Jesus

1. A Sua mãe era Maria.

2. Nasceu de uma virgem. (Mesmo que um cético negue isto, tem de admitir que foi afirmado que Jesus nasceu de uma virgem)

3. O pai legal era José.

4. Nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande. (37-4 a.C.)

5. Nasceu em Belém.

6. Foi circuncidado no oitavo dia.

7. Apresentado no templo. (tal como muitos bebés judeus)

8. A família viajou para o Egito (Mateus 2:13-15).

9. Após a morte de Herodes, a família regressou a Nazaré, na Galileia (Mateus 2:19-23).

10a. Cresceu em Nazaré (Lucas 2:39-51), uma pequena cidade considerada insignificante pelos outros.

10b. Depois de Jesus ter ido ao Templo, regressou também a Nazaré (Lucas 2:51).

11a. Aos 12 anos, Jesus foi ao Templo.

11b. Todos os anos, os pais de Jesus iam ao Templo por ocasião da Páscoa (Lucas 2:41).

12. Aos 12 anos, era curioso e conhecia bem as Escrituras (Lucas 2:41-46).

13. Jesus era perfeito e sem pecado (Hebreus 4:15; 2 Coríntios 5:21). Mesmo que um cético discorde desta afirmação, estes versículos, bem como Lucas 2:40, apresentam-nos o facto de que, no mínimo, «Jesus era um bom rapaz».

14. Jesus falava aramaico. (Mateus 5:22, etc.)

15. As pessoas da Galileia também falavam, geralmente, grego. (Os não-israelitas de língua grega viviam a apenas 15-20 milhas, 24-32 quilómetros, de distância.)

16. A religião de Jesus era o judaísmo; mais especificamente, ele estava mais próximo dos fariseus, acreditando em todos os livros do Antigo Testamento. Os primeiros escritores da Igreja afirmavam que os saduceus apenas aceitavam a Torá.

17. Jesus trabalhava como carpinteiro (Marcos 6:3).

18. Por volta dos 30 anos, foi batizado por João Batista (Mateus 3:13; Marcos 1:9-11).

19. Dirigiu-se ao deserto antes do início do seu ministério público (Mateus 4:1-11; Marcos 1:12-13).

A Família de Jesus

20. José era carpinteiro. (Mt 13, 55)

21. Maria estava grávida antes de se casar (Mateus 1:18).

22. José pensou em divorciar-se de Maria (Mateus 1:19).

23. Genealogia de José. (contada como apenas 1 item) (Mateus 1:1-16)

24. Genealogia de Maria. (conta apenas como 1 item)

25. Tinha quatro irmãos chamados Tiago, José, Judas e Simão. (Mateus 13:55-56; Marcos 6:3; Gálatas 1:19; Judas 1, História Eclesiástica de Eusébio (318 d.C.) 2:23 e 3:20)

26. Apesar de ter ascendência real, Jesus cresceu numa família comum de um povo subjugado, e provavelmente eram pobres (Lucas 2:24 + Levítico 12:6-8).

27. A prima de Maria era Isabel, descendente do sacerdote Aarão (Lucas 1:5).

28. O marido de Isabel era o sacerdote Zacarias, da divisão de Abias (Lucas 1:5).

29. João Batista, primogénito e único filho de Zacarias e Isabel, era parente de Jesus.

30. Maria, Tiago e Judas ainda estavam vivos quando Jesus foi crucificado.

Reações a Jesus e Expectativas em relação a Ele

31. As expectativas de Maria em relação ao seu filho.

32. Considerava-se que Jesus correspondia às profecias messiânicas (Mateus 2:6).

33. A adoração por parte dos pastores (Lucas 2:15-20).

34. As oferendas dos reis (Mateus 2:10-11).

35. A reação paranóica de Herodes, o Grande.

36. O testemunho de João Batista.

37. Ana e Simeão no Templo. (Poder-se-ia argumentar que se trata de dois pontos, mas vou considerá-lo apenas como um.)

Isto não é de todo escasso quando comparado com o que sabemos sobre a vida de outras figuras públicas antes do início da sua vida pública. Para uma comparação, consulte a próxima pergunta.

P: Uma vez que sabemos pelo menos 37 coisas sobre Jesus antes do Seu ministério público, para efeitos de comparação, o que sabemos sobre outras figuras históricas seculares antes da sua aparição pública?

R: Para efeitos de comparação, sabemos apenas algumas coisas sobre Pompeu, cerca de 12 coisas sobre Aristóteles e 27 coisas sobre Alexandre da Macedónia, antes da sua vida pública. (Grande parte desta informação foi retirada da Enciclopédia Britânica).

Pompeu

Gnaeus Pompeius foi um famoso general e político romano, nascido a 30 de setembro de 106 a.C.

Era filho de um comandante militar.

3. Aos 17 anos, combateu ao lado do pai na Guerra Social.

4. Tal como a maioria dos romanos, provavelmente adorava os deuses romanos.

5. Falava latim e, talvez, também grego.

É provável que existam mais factos, mas certamente não mais de 20.

O próprio Aristóteles

1. Nasceu por volta de 384 a.C.

2. Nasceu em Estagira, uma cidade grega na costa noroeste do Mar Egeu.

3. Falava grego.

4. As pessoas acreditavam geralmente nos deuses gregos.

5. O seu pai era Nicómaco, um médico da guilda dos «filhos de Esculápio».

6. Dos 17 aos 37 anos, estudou com Platão na Academia de Atenas.

7. Em 342 a.C., Aristóteles tornou-se tutor de Alexandre da Macedónia durante 7 anos.

8. Numa sepultura perto de Eretria, na Eubeia, encontram-se um crânio e objetos pessoais que poderão ter pertencido a Aristóteles. Faleceu por volta de 322 a.C.

A Família de Aristóteles

9. O seu pai era médico da corte de Amintas II, pai de Filipe da Macedónia

10. Genealogia paterna: de origem grega jónica

11. Genealogia materna: jónica, originária de Calcis, na Eubeia.

Reações a Aristóteles e as expectativas em relação a ele

12. Tinham algumas expectativas académicas em relação a ele, tendo-o enviado para estudar com Platão na Academia, em Atenas.

Dispomos apenas de cinco manuscritos dos seus escritos, sendo o mais antigo datado de 1100 d.C.

Da Índia à Espanha, a personalidade de longe mais famosa antes de Jesus foi Alexandre da Macedónia, frequentemente chamado de Alexandre, o Grande. Vejamos o que sabemos sobre os seus primeiros anos de vida.

O próprio Alexandre

1. O seu pai era Filipe II da Macedónia.

2. A sua mãe era Olímpia, uma princesa molossiana do Épiro.

3. Nasceu por volta de outubro de 356 a.C.

4. Nasceu em Pela, a capital da Macedónia.

5. Quando Alexandre tinha 14 anos (342 a.C.), Aristóteles tornou-se seu tutor durante 7 anos.

6. Alexandre adorava ler Homero.

7. Alexandre falava algum dialeto do grego.

8. Alexandre acreditava nos deuses gregos.

9. Alexandre era um bom cavaleiro e possuía um cavalo branco chamado Bucéfalo.

10. Aos 16 anos, Alexandre esmagou uma revolta das tribos das montanhas enquanto o seu pai se encontrava ausente.

11. Alexandre liderou a investida que derrotou a Banda Sagrada em Queroneia, em 338 a.C.

12. Depois de Filipe se ter divorciado de Olímpia, Alexandre viveu com a sua mãe no Épiro.

A Família de Alexandre

13. Genealogia de Olímpia. Era filha do rei Neoptólemo do Épiro e sobrinha de Aríbbas, ambos filhos do rei Alketo, o rei molosso do Épiro.

14. O pai de Alexandre, Filipe II, era o terceiro filho do rei Amintas II da Macedónia. No entanto, não temos a certeza da genealogia anterior a essa geração.

15. O seu tio era Alexandre I, rei do Épiro.

16. Assim, Alexandre teve uma educação digna de um príncipe.

17. Temos uma estátua e o caixão de Filipe II da Macedónia (The Greek World, pp. 174-175).

18. Filipe era regente da Macedónia em 359 a.C., mas assumiu o poder como rei em 356 a.C.

19. Filipe divorciou-se de Olímpia para casar com Cleópatra, uma nobre macedónia.

20. Alexandre I casou-se com a sua sobrinha Cleópatra, meia-irmã de Alexandre, em 337 ou 336 a.C.

21. Alexandre tinha um meio-irmão mais novo, filho de Filipe e Cleópatra, a quem Alexandre mandou matar quando se tornou rei.

22. Alexandre tinha um primo chamado Amintas, a quem matou quando se tornou rei.

23. Alexandre tinha um irmão chamado Aridaeus Philippus, filho de Filipe e de Filina de Larissa. Após a morte de Alexandre, ele governou a Macedónia durante 7 anos, até ser assassinado. Isto de acordo com Eusébio, em «Chronicon», p. 49

24. Em 336 a.C., Filipe II foi assassinado com uma faca celta na manhã do casamento da sua filha Cleópatra.

25. Alexandre enviou espólios à sua mãe em 335 a.C.

Reações a Alexandre e Expectativas em relação a Ele

26. Filipe preparou-o inicialmente para ser o próximo rei

27. Aparentemente, ele e Filipe afastaram-se depois de Filipe se ter divorciado da mãe de Alexandre.

Os escritos de muitos dos autores que escreveram sobre Alexandre perderam-se. Os escritos antigos que sobreviveram incluem:

«Edição Didot de Arriano», de Karl Müller

Livro 17 de Diodoro (c. 20 a.C.)

Quinto Curcio (c. 42 d.C.)

Plutarco (c. 45-125 d.C.) «Vida de Alexandre»

«Anábase» e «Índica» de Arriano (150 d.C.)

Resumo de Justino da História de Trogus (c. 10 a.C.?)

«Itinerarium Alexandri» (324-361 d.C.)

Epitome Rerum Gestarum Alexandri Magni (século IV ou V)

A biógrafa moderna Mary Renault, na obra *A Natureza de Alexandre*, p. 30, afirma, a respeito dos primeiros biógrafos de Alexandre: «A *História* de Arriano começa com a sua [de Alexandre] ascensão ao trono, provavelmente porque a de Ptolomeu também o fazia, o que é uma pena, pois o seu conhecimento dos anos anteriores teria sido inestimável.»

Se alguém quiser alegar que o que nos é relatado sobre Jesus antes do seu ministério público é «escasso», deve ser honesto e acrescentar que considera que o que nos é relatado sobre a juventude da maioria das figuras históricas até à época romana é ainda mais escasso do que o que sabemos sobre a vida de Jesus.

Acredito também que sabemos mais sobre a juventude de Jesus do que sobre a de outros judeus famosos da época, como Josefo, Filo (20 a.C. a 50 d.C.) e Bar Kochba. Acredito ainda que sabemos mais sobre a vida de Jesus antes do ano 30 do que sabemos sobre a juventude de Moisés e de Buda. Talvez tenhamos mais informações sobre Júlio César e Josefo, mas não conheço mais nenhum outro caso.

Moisés

Eis o que sabemos sobre Moisés antes da sua vida pública.

1. Moisés nasceu por volta de 1525 a.C. no norte do Egito.

2. Os seus pais, ou mais provavelmente os seus antepassados, chamavam-se Amram e Joquebede.

3. Era hebreu, pertencente a um povo que se encontrava em cativeiro há 320 anos.

4. Tinha uma irmã mais velha chamada Miriam.

5. Tinha um irmão chamado Aarão.

6. Moisés passou os seus primeiros três meses na casa do seu pai (Atos 7:20).

7. Quando era criança, depois de o Faraó ter decretado que os bebés hebreus do sexo masculino fossem lançados ao rio Nilo, a sua mãe colocou-o numa cesta.

8. A filha do Faraó encontrou-o e cuidou dele como se fosse o seu próprio filho.

9. Cresceu na corte do Faraó, foi educado em toda a sabedoria dos egípcios, era poderoso na palavra e nas ações (Atos 7:21-22) e possuía o conhecimento e a erudição dos egípcios

10. A sua própria mãe serviu-lhe de ama.

11. Ele preocupava-se com os hebreus, tendo matado um egípcio que estava a espancar um hebreu.

12. Mesmo aos 40 anos, Moisés era suficientemente forte para matar o egípcio.

13. O Faraó tentou matar Moisés.

14. Moisés fugiu para Midiã, onde viu algumas mulheres a tirar água para os seus rebanhos.

15. Quando os pastores tentaram afugentá-las, Moisés salvou-as dos pastores.

16. Moisés casou-se com Zípora.

17. O sogro de Moisés chamava-se Reuel, também conhecido por Jetro.

18. Moisés e Zípora tiveram um filho chamado Gershom.

19. Moisés tinha cerca de 80 anos quando viu a sarça ardente.

Gautama Buda

Para efeitos de argumentação, partiremos do princípio de que as lendas sobre o jovem Buda são verdadeiras.

Filho de um rei dos Sakyas, um povo de casta guerreira a norte de Kosala

Provavelmente adorava os ídolos hindus quando era criança.

3. Ele renunciaria ao mundo se visse um doente, um ancião e um cadáver.

4. Deixou a sua casa aos 29 anos.

5. Passou 6 anos em busca da iluminação, que alegou ter alcançado debaixo de uma árvore de Bo.

6. Faleceu em 544 a.C. ou em 483 a.C., quando tinha 80 anos.

Maomé

Maomé não fazia parte da história antiga, mas, uma vez que foi um importante líder religioso, iremos analisar o que sabemos sobre a sua juventude, antes do início do seu ministério, para efeitos de comparação.

1. Maomé nasceu por volta de 567-569 d.C.

2. Filho de Abdullah e da sua esposa Aminah.

3. Membro da tribo dos Quraish, que controlava Meca.

4. O seu pai faleceu antes de ele nascer.

5. Foi inicialmente criado pelo seu avô ‘Abd al-Mottalib/Muttalib.

6. Mais tarde, foi criado pelo seu tio, Abu Talib.

7. A sua família era bastante pobre.

8. Na sua juventude, provavelmente liderou caravanas.

9. Casou-se com Khadija, uma viúva abastada de 40 anos, quando tinha cerca de 25 anos.

10. Depois disso, foi provavelmente sócio de uma loja em Meca que vendia produtos agrícolas.

11. Provavelmente não sabia escrever, embora, mais tarde na vida, já soubesse ler um pouco.

12. Estava familiarizado com os ídolos árabes, incluindo as três «filhas de Alá»: Al-Lat, ‘Uzza e Manat.

13. Tem algum conhecimento sobre o judaísmo e o cristianismo.

14. Maomé era uma pessoa de pele branca, que mais tarde pintou o cabelo de vermelho.

15. Quando Maomé tinha uma visão, os hadiths relatam que aconteciam coisas estranhas. Sentia um zumbido nos ouvidos — Hadiths de Bukhari, vol. 1, livro 1, cap. 1, n.º 2, p. 2; vol. 4, livro 54, cap. 6, n.º 438, p. 293. O seu coração batia aceleradamente 1:3, e o seu rosto ficava vermelho — Hadiths de Bukhari, vol. 2, n.º 16; vol. 5, n.º 618; vol. 6, n.º 508; respirava com dificuldade — Hadiths de Bukhari, vol. 6, n.º 508; caía no chão com ambos os olhos abertos, voltados para o céu — Hadiths de Bukhari, vol. 5, n.º 170; vol. 6, n.º 448; suava profusamente — Hadiths de Bukhari, vol. 1, livro 1, cap. 1, n.º 2, p. 9; vol. 2, n.º 544; vol. 3, n.º 829, e via e ouvia coisas que mais ninguém via nem ouvia — Hadiths de Bukhari, vol. 1, livro 1, cap. 1, n.ºs 2 e 3, p. 2-3; vol. 4, n.ºs 458 e 461; vol. 6, n.º 447. Estas manifestações podem ter parecido estranhas naquela época, mas, desde então, outras pessoas têm apresentado alguns destes sintomas quando sofrem uma crise epiléptica.

16. Maomé afirmou que o anjo Gabriel lhe apareceu e que, numa ocasião, lhe causou dor física.

Ele questionou-se se estas proviriam de Satanás, mas a sua esposa convenceu-o de que provinham de Deus.

P: Em Mt 1,18 e Lc 2,7, será que o nascimento virginal de Cristo é incompatível com a Sua pré-existência, como pensavam Rudolph Bultmann e Wolfgang Pannenberg?

R: Não. Apenas parece incompatível aos teólogos apóstatas que acreditam num deus que tem de se submeter às suas restrições. Cristo pré-existia, mas isso não O impediu de:

1. Escolher, temporária e voluntariamente, não utilizar alguns dos Seus atributos e ocultar parte da Sua glória (Hebreus 2:9; João 17:5; Filipenses 2:7).

2. Aparecer sob qualquer forma que desejasse, incluindo a de um homem (Filipenses 2:8)

3. Na verdade, assumir a humanidade e tornar-Se homem. (Hebreus 2:14-17)

4. Vir à Terra inicialmente como adulto, criança, bebé ou embrião, ou da forma que Ele desejasse.

Na verdade, a pré-existência de Cristo como Deus Todo-Poderoso não O impedia de absolutamente nada. As únicas restrições impostas a Deus Todo-Poderoso são as que Ele próprio se impõe. Deus não pode mentir (Hebreus 6:18; Tito 1:2), não pode negar-Se a Si mesmo (2 Timóteo 2:13) e não pode ser tentado pelo mal (Tiago 1:13).

P: Em Mateus 1:18-21, a «Anunciação» ocorreu depois de Maria estar grávida, ou antes de Maria estar grávida, com base em Lucas 1:26-31?

R: José e Maria são duas pessoas diferentes. O anjo falou com MARIA em Lucas 1:26-31 antes de ela engravidar. O anjo falou com JOSÉ depois de Maria ter engravidado e de José ter considerado divorciar-se dela, em Mateus 1:18-21.

P: Em Mateus 1:18 e Lucas 2:7, quem eram os hereges ebionitas e em que acreditavam?

R: Os ebionitas tinham uma visão «menor» de Cristo, acreditando que Ele provinha de Deus Pai, mas não era Deus Filho. Acreditavam que Jesus podia ser chamado de Deus a título de honra, mas que não era divino. Os ebionitas acreditavam que os costumes judaicos deviam continuar a ser praticados. Negavam o nascimento virginal de Cristo, afirmando que Ele era filho de José (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 21, p. 451), e apenas aceitavam uma versão abreviada do Evangelho de Mateus (Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 10.7, p. 428).

P: Em Mt 2, 2, 7 e 9, o que era a estrela sobre Belém quando Cristo nasceu?

R: Embora as Escrituras não o digam explicitamente, provavelmente tratava-se da glória shekinah de Deus, uma vez que a «estrela» os poderia conduzir a uma aldeia específica e até a uma casa em particular.

P: Em Mt 2,2.7, quem mais mencionou esta estrela no Oriente que os Magos viram?

R: Vários escritores antigos mencionam-na.

Inácio (c. 100-117 d.C.) Carta aos Efésios, cap. 19, p. 57

Justino Mártir (c. 138-165 d.C.) «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 88, p. 237

Irineu de Lyon (182-188 d.C.) «Contra as Heresias», livro 3, cap. 9.2, p. 423

Tertuliano (198-220 d.C.) «Sobre a Idolatria», cap. 9, p. 65

Hipólito (222-234/5 d.C.) «Refutação de Todas as Heresias», livro 7, cap. 15, p. 108

Orígenes (225-249 d.C.) considerou-a uma nova estrela, e não um corpo celeste já existente, em «Contra Celso», livro 1, cap. 48, p. 422.

«Tratado sobre o Rebatismo» (c. 250-258 d.C.), cap. 8, p. 671

Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.), na «Epístola Canónica», capítulo 13, p. 277, menciona os magos, mas não a estrela.

Atanásio (318 d.C.) «De quem foi o nascimento que uma estrela nos céus anunciou, para revelar ao mundo aquele que nasceu? Pois quando Moisés nasceu, foi escondido pelos seus pais: … Mas, no nascimento de Cristo, a testemunha não foi o homem, mas uma estrela naquele céu de onde Ele descia.» *Encarnação do Verbo*, cap. 38.5, p. 55.

P: Em Mt 2,11, parece razoável acreditar que os magos que vieram adorar Jesus conheciam a profecia messiânica de Daniel, a tinham estudado e perceberam que a vinda do Messias estava próxima. Conhece alguma referência nos escritos dos zoroastrianos ou de outros persas (habitantes do Médio Oriente) à profecia de Daniel sobre o Messias?

R: Daniel viveu algum tempo na Pérsia e teve contacto com os sábios e astrólogos persas. Os Magos eram uma tribo de sacerdotes zoroastrianos/medos, semelhantes aos levitas, que eram os sacerdotes e servos do templo de Israel. Não estou familiarizado com a literatura zoroastriana, mas não tenho a certeza de que muitas pessoas o estejam, uma vez que os muçulmanos terão destruído grande parte dela. Os zoroastrianos gozavam de menos proteção sob o domínio muçulmano do que o «povo do Livro», ou seja, cristãos, judeus e sabianos. A literatura muçulmana contém referências frequentes aos zoroastrianos e, tanto quanto sei, não faz qualquer referência à vinda dos zoroastrianos.

P: Em Mt 2,11, por que razão os Magos entraram numa casa, uma vez que Jesus nasceu numa manjedoura, segundo Lc 2,7?

R: Jesus nasceu num estábulo porque não havia lugar na estalagem. José e Maria não desejariam permanecer num estábulo mais tempo do que o necessário. Já se tinham mudado para uma casa quando os Magos chegaram.

As canções de Natal ocidentais modernas apresentam geralmente os Magos como tendo chegado na própria noite em que Jesus nasceu. Na verdade, eles chegaram algum tempo depois disso. As igrejas ortodoxas celebram o Natal a 25 de dezembro, mas celebram a chegada dos Magos em meados de janeiro.

P: Um comentador afirma: «Jesus veio, não como o conquistador militar do Apocalipse 19, mas como o Servo Sofredor (Isaías 53) e líder humilde (Zacarias 9:9). O Reino, portanto, é inaugurado (Mateus 3:2; 4:17; 10:7; 11:12; 12:28; Mc 1, 15; Lc 9, 9, 11; 11, 20; 21, 31-32), mas não consumado (Mt 6, 10; 16, 28; 26, 64)». O que significa isto? O reino está no presente ou no futuro? Ou terá sido inaugurado com a encarnação em Belém e será consumado com a segunda vinda de Cristo?

R: Não sei a que comentador(es) se refere, mas concordo com eles. Na primeira vinda de Jesus, Ele veio como um Servo Sofredor, não como um conquistador militar, para grande consternação dos zelotes. O Reino de Deus manifestou-se quando Jesus estava na Terra e encontra-se agora dentro de nós. No entanto, o Reino de Deus ainda não chegou com poder e não chegará até que Jesus regresse, conforme descrito no Apocalipse.

P: Em Lc 2, 22-38, Jesus foi apresentado no Templo (em Jerusalém), ou José levou a sua família para o Egito após a visita dos Magos, tal como diz Mt 2, 13-18?

R: Ambas as coisas.

1. Jesus foi apresentado no Templo de Jerusalém cerca de quarenta dias após o seu nascimento. Depois, regressaram a Belém a caminho do Egito. Assim que Maria esteve pronta, partiram.

2. Ao contrário do que se conta nas histórias ocidentais de Natal, os Reis Magos não chegaram na mesma noite em que Maria entrou em trabalho de parto. Chegaram algumas semanas mais tarde. A título de nota adicional, os cristãos ortodoxos orientais geralmente não oferecem presentes no Natal. Oferecem-nos em meados de janeiro, altura em que acreditam que os Reis Magos chegaram.

P: Em Mt 3,17, Deus disse: «Este é o meu Filho amado…», ou disse: «Tu és o meu Filho amado…», como afirmam Mc 1,11 e Lc 3,22?

R: Pode ter sido de ambas as formas, por três razões.

1. Os autores dos Evangelhos parafraseavam frequentemente as citações. Mas, independentemente disso, percebemos o significado de que Deus Pai anunciou às multidões que tinha posto a Sua graça em Jesus.

2. Deus Pai poderia tê-lo dito em hebraico e/ou aramaico, mas os Evangelhos de que dispomos estão em grego.

3. Papias, discípulo do apóstolo João, regista que o Evangelho de Mateus foi originalmente escrito na língua dos hebreus (aramaico?), e pode ter sido parafraseado quando foi traduzido para grego.

P: Em Mt 3,17; Mc 1,11; e Lc 3,22, estaria Jesus a referir-se a Si próprio?

R: Jesus não se estava a referir a Si próprio. Estava a dirigir-se a Deus Pai, que O chamou de «Meu Filho».

P: Em Mt 4,1 e Mc 1,12, Jesus foi enviado para o deserto imediatamente após o Seu batismo, ou demorou alguns dias, como dizem Jo 1,29, 35 e 43, e depois foi para Caná, como sugere Jo 2,1?

R: Embora Jesus tenha ido para a Galileia algum tempo depois de estas tentações terem terminado, Mateus 4:11-12; Marcos 1:13-14; e Lucas 4:13-14 não indicam onde Jesus se encontrava imediatamente após o fim dos 40 dias. Assim, existem duas possibilidades diferentes.

Batismo, depois 40 dias, depois a Galileia: É provável que João tenha batizado Jesus no dia descrito em João 1:29-34. Depois, Jesus permaneceu mais um dia (João 1:35) e, no dia seguinte, decidiu partir para a Galileia (João 1:43).

As bodas de Caná ocorreram muito mais tarde, quer no terceiro dia da semana, quer no terceiro dia após a chegada à Galileia. Não poderia ter sido no dia seguinte ao descrito em João 1:43 (que se seguiu a João 1:35), pois isso corresponderia a quatro dias, e não a três.

Mateus 4:1 diz simplesmente que Jesus foi para o deserto depois de ter sido batizado. Marcos 1:12 diz que Jesus foi para o deserto «imediatamente», mas isso ainda poderia significar alguns dias mais tarde.

Batismo, depois 40 dias e, em seguida, de volta a João: João 1 nunca diz quando Jesus foi batizado. Jesus poderia ter sido batizado por João cerca de 40 dias antes de João 1:19. Após as tentações de Jesus, Ele regressou a João em João 1:29.

P: Em Mateus 4:1-11, a ordem das tentações de Jesus foi pão, orgulho e poder, ou foi pão, poder e orgulho em Lucas 4:1-12?

R: Existem duas respostas, e ambas podem ser verdadeiras.

1. Lucas utiliza simplesmente a palavra «e», o que não implica necessariamente que esteja a apresentar estas tentações por ordem. Consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 454-457, para mais informações sobre a perspetiva de que Mateus apresenta as tentações por ordem e Lucas não.

2. Além disso, durante os quarenta dias em que Jesus foi posto à prova, estas e outras tentações foram provavelmente apresentadas várias vezes, em ordem diferente.

P: Em Mt 4,1-11; Mc 1,13; e Lc 4,1-13, como podemos imaginar que «Deus» seja tentado pelo diabo, como afirma Ahmad Deedat?

R: Satanás pode tentar fazer qualquer coisa, mas, pelo facto de Satanás ter tentado Jesus, as ações de Satanás não diminuem de forma alguma a essência de Jesus.

Jesus era 100% Deus, mas era também 100% homem. Se Jesus, enquanto Deus, aparecesse apenas como uma espécie de fantasma, então não poderia ser tentado. Mas, como Jesus era plenamente humano e constituía o sacrifício expiatório pelos seres humanos, teve de passar pelo que todos os seres humanos passam.

P: Em Mt 4,1-11; Mc 1,13; e Lc 4,1-13, de quem partiu a iniciativa de Jesus ir ser tentado no deserto e porquê?

​R: A palavra grega aqui utilizada para «tentar», peirazo, e para «tentação», peirasmos, pode significar «atrair para o mal», mas na literatura grega secular significa «testar». Jesus não foi raptado pelo diabo, como alegou um muçulmano, porque quando Jesus ordenou a Satanás que se retirasse, em Mateus 4:10, Satanás teve de se retirar. Pelo contrário, a iniciativa partiu de Deus; o Espírito Santo conduziu Jesus ao deserto para enfrentar o diabo. O diabo levou Jesus a uma montanha elevada e à beira do templo, mas tanto Satanás como Jesus sabiam que a Satanás não lhe era permitido fazer-Lhe nada. Assim, antes mesmo de o ministério de Jesus ter começado, ficou demonstrado que Satanás não teria qualquer domínio sobre Jesus nem O faria cair. Jesus conseguiu resistir ao desejo físico para satisfazer uma necessidade espiritual.

P: Em Mt 4,1-11 e Lc 4,1-13, de que forma as tentações de Satanás a Jesus ecoam as tentações de Satanás a Eva em Gn 3,6?

R: Embora não sejam idênticas, Satanás recorre frequentemente a táticas semelhantes, e isso deve-se provavelmente ao facto de estas continuarem a funcionar bem para ele. Mas enquanto Adão e Eva, no jardim exuberante, caíram, Jesus, no deserto, saiu vitorioso. Enquanto Israel não se mostrou fiel no deserto durante 40 anos, Jesus permaneceu fiel no deserto durante 40 dias. Quando somos tentados, isso constitui uma oportunidade para demonstrarmos que aquele que está em nós é maior do que aquele que está no mundo, tal como diz 1 João 4:4.

Eva viu que o fruto proibido era:

1. Bom para comer [apetite físico],

2. Agradável à vista [beleza, concupiscência dos olhos],

3. Desejável para adquirir sabedoria [os olhos seriam abertos e, tal como Deus, conheceriam o bem e o mal] [poder divino após seguirem a ordem de Satanás].

Jesus, que estava em jejum, foi tentado com:

1. Pedras que se transformavam em pão [apetite físico],

2. Lançar-se da ala do templo [exibicionismo],

3. Autoridade sobre todos os reinos da terra [poder divino sob o comando de Satanás].

1 João 2:16 menciona três tipos de pecados no mundo: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.

Embora a ordem das tentações fosse diferente em Mateus e Lucas, é provável que Satanás não se tenha limitado a tentar Jesus três vezes e depois desistido. Pelo contrário, Satanás provavelmente tentou Jesus repetidamente.

P: Em Mt 4:1-11, Mc 1:13 e Lc 4:1-13, uma vez que Jesus é Deus, será que Ele era incapaz de ser tentado e pecar, ou, enquanto homem, era capaz de ser tentado e cair?

R: Trata-se de um paradoxo comumente designado por «impecabilidade de Cristo». As tentações eram reais, não falsas. Mas o resultado era certo: Ele não pecaria. Como afirma o «Believer’s Bible Commentary», na página 1212: «Apesar da incapacidade de Jesus de pecar, a tentação era muito real. Era possível que Ele se deparasse com os aliciamentos ao pecado, mas era moralmente impossível que Ele cedesse.» Em vez de ser incapaz de pecar, Jesus era capaz de não pecar. Uma analogia aproximada seria perguntar se um pequeno barco de piratas somalis poderia atacar um cruzador de guerra dos EUA. Os piratas pensaram, erradamente, que se tratava de um navio mercante que poderia ser sequestrado. As coisas não correram bem para os piratas. O seu barco principal foi rapidamente afundado pelo que a Marinha dos EUA denomina «fogo de armas ligeiras» antes de se aproximarem do cruzador.

P: Bart Ehrman escreve: «Em Mateus, Jesus recusa-se a realizar milagres para provar a sua identidade; em João, essa é praticamente a única razão pela qual realiza milagres.» *Jesus, Interrupted*, p. 103. Em Mateus, na segunda tentação e noutros passagens, Jesus não realiza sinais para provar quem é. *Jesus, Interrupted*, p. 84

R: Ehrman equipara o facto de não obedecer à palavra de Satanás ou dos fariseus céticos à realização de sinais para pessoas que procuram respostas ou precisam de ajuda. Jesus disse que a razão pela qual não se atirou para baixo foi que não se deve pôr Deus à prova, em Mateus 4:7. Jesus não «devia» a ninguém a realização de um único sinal; e nunca realizou sinais para pessoas céticas que pensavam que Jesus lhes devia isso. Mas Jesus realizou graciosamente sinais para pessoas que tinham fé e fortaleceu a sua fé.

P: Em Mt 4,12 e Mc 1,14, após a tentação de Jesus, João foi preso antes do ministério de Jesus em Nazaré e Cafarnaum, ou depois de Jesus ter chegado à Galileia, em Jo 1,43?

R: A Bíblia diz o seguinte:

João 1:43 diz que Jesus decidiu regressar à Galileia (não que tenha regressado nesse mesmo dia) no dia seguinte ao de João Batista ter afirmado novamente que Jesus era o Cordeiro de Deus. João Batista ainda não tinha sido preso.

Mateus 4:12 diz que, na altura em que Jesus soube da prisão de João, regressou à Galileia.

Marcos 1:14 diz que, depois de João ter sido preso, Jesus foi para a Galileia.

Sequência de acontecimentos:

1. João afirmou novamente que Jesus era o Cordeiro de Deus.

2. No dia seguinte, Jesus decidiu que regressaria (mais cedo ou mais tarde) à Galileia.

3. Ou antes de Jesus partir para a Galileia, ou então depois de ter partido, mas antes de chegar à Galileia, João foi preso.

4. Jesus chegou à Galileia.

P: Em Mc 1,14, Jesus iniciou o Seu ministério na Galileia, ou na Judeia e em Jerusalém, como [supostamente] afirma Jo 1,35-42? Existe algum significado ou importância específicos nisto?

R: João 1:35-42 não diz nada sobre Jesus ter iniciado o Seu ministério, mas sim sobre ter chamado os discípulos André e Pedro. Este era o local onde João Batista se encontrava, e não Jerusalém. No dia seguinte, em João 1:43, Jesus partiu para a Galileia e chamou Filipe e outros discípulos. Marcos 1:14 não diz que Jesus iniciou o Seu ministério propriamente dito, mas afirma que, após a prisão de João, Jesus proclamou a boa nova de Deus na Galileia.

P: Em Mc 1:12-13, Jesus foi para o deserto durante 40 dias após o Seu batismo, ou foi à festa de casamento em Caná no terceiro dia, como diz Jo 2:1?

R: Ambas as coisas. O «terceiro dia» foi o terceiro dia após ter chegado à Galileia, e não o terceiro dia após o batismo, como afirmam *Bible Difficulties & Seeming Contradictions*, p. 196, e o *Believer’s Bible Commentary*, p. 1473. Uma resposta diferente é que «o terceiro dia» foi o terceiro dia da semana.

O «Expositor’s Bible Commentary», volume 9, p. 42, afirma que o terceiro dia pode ser o terceiro dia a contar da partida de João Batista. Embora se diga que «no dia seguinte», em João 1:29-35, 43, possa referir-se ao mesmo dia, é improvável que este significado fosse mais claro se a expressão «no dia seguinte» não fosse utilizada várias vezes.

P: Em Lucas 3:22, sobre o batismo de Jesus, deveria dizer: «Tu és o meu filho, hoje eu te gerei», de acordo com Justino Mártir, [supostamente] Clemente de Alexandria, [supostamente] Agostinho e outros, ou «Tu és o meu filho, o amado, em quem me agrado»? (Esta é a primeira parte de uma objeção levantada por um muçulmano.)

R: Em primeiro lugar, vejamos as implicações do argumento deste muçulmano; em segundo lugar, apliquemos o mesmo critério ao Islão; em terceiro lugar, analisemos os detalhes desta variante do manuscrito; e, por fim, apliquemos isto ao cristianismo em geral.

A. Implicações do argumento do muçulmano

Suponhamos, por um momento, que o muçulmano tenha toda a razão. O versículo dizia originalmente o que o muçulmano afirma. Ou, em alternativa, suponhamos que só podemos ter a certeza do que era comum a ambas as versões: «TU ÉS O MEU FILHO». Parabéns: se Deus realmente disse isso, a qualquer pessoa, as próprias palavras do muçulmano acabaram de refutar o Islão e de provar que o Alcorão mentiu sobre Alá. O Alcorão afirma que é muito errado dizer que Alá é um Pai, ou que Alá tem filhos (Sura 2:116; 4:171; 5:116,117; 6:100; etc.). Se Deus realmente chamou Jesus de «meu filho», então o Alcorão está a dizer uma mentira sobre Deus. (Presumi que o questionador muçulmano fosse um muçulmano ortodoxo, embora possa estar errado quanto a isso.)

B. Aplicar o mesmo critério ao Islão

Esta variante não altera nenhuma doutrina cristã, pois ambas as expressões são mencionadas noutros passagens. A inerrância da Bíblia significa que a Bíblia estava isenta de qualquer erro nos manuscritos originais; embora se tenham introduzido variações nos manuscritos, nenhuma delas altera significativamente a fé ou a prática. Em contraste com isto, a maioria dos muçulmanos acredita que o Alcorão árabe atual é uma cópia exata do original na Terra, que por sua vez era uma cópia exata das tábuas no Céu (Sura 85:20-22). No entanto, é comprovável que o Alcorão também sofreu alterações.

a) O Sahih Muslim 2:2286, p. 500, 501, menciona uma sura perdida do Alcorão. Contém uma citação extensa dessa sura e, como era de esperar, esta não consta do Alcorão atual.

b) Uma das primeiras versões do Alcorão (‘Ubai), que sobreviveu à padronização de ‘Uthman, não continha a primeira nem a última sura. (Não se trata apenas de terem sido arrancadas; elas nunca lá estiveram.) Encontra-se hoje no museu de Al-Azhar, no Cairo.

c) Abu Yunus, o escravo libertado de ‘Aisha, transcreveu uma cópia do Alcorão para ‘Aisha. A Sura 2:238 apresentava uma ligeira diferença. «Abu Yunus, o escravo libertado de ‘Aisha, disse: ‘Aisha (que Allah esteja satisfeito com ela) ordenou-me que transcrevesse uma cópia do Alcorão para ela e disse: «Quando chegar a este versículo: “Cumprai as orações e a oração do meio” (2:238), avise-me»; assim, quando cheguei a esse ponto, avisei-a e ela ditou-me (da seguinte forma): «Cumprai a oração, a oração do meio e a oração da tarde, e levantai-vos verdadeiramente obedientes a Allah.» ‘A’isha (que Allah esteja satisfeito com ela) disse: «Foi assim que ouvi do Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele)». Sunan Nasa’i, vol. 1, n.º 475, p. 340

d) «Depois, Alá revelou-nos um versículo que mais tarde se contou entre os que foram anulados.» Bukhari, vol. 5, livro 59, cap. 27, n.º 416, p. 288.

«Narrado por Anas bin Malik: ... Foi revelado, a respeito daqueles que foram mortos em Bi’r-Ma’una, um versículo do Alcorão que costumávamos recitar, mas que foi posteriormente revogado. O versículo era: ‘Informem o nosso povo de que nos encontrámos com o nosso Senhor. Ele está satisfeito connosco e fez com que ficássemos satisfeitos.’” Bukhari, vol. 4, livro 52, cap. 19, n.º 69, p. 53. Ver também a História de al-Tabari, vol. 7, p. 156.

Outras referências a versículos revogados são: Bukhari, vol. 4, livro 52, cap. 9, n.º 57, p. 45, Bukhari, vol. 4, livro 52, cap. 184, n.º 299, p. 191, Bukhari, vol. 5, livro 59, cap. 27, n.º 416, p. 288, e Bukhari, vol. 5, livro 59, cap. 27, n.º 421, p. 293 — todos repetem o mesmo sobre o mesmo versículo.

e) Os hadiths de Bukhari afirmam que faltavam partes do Alcorão e/ou que estas foram revogadas no vol. 4, livro 51, capítulo 12, n.º 62, pp. 48-49, vol. 4, livro 51, capítulo 19, n.º 69, p. 53; vol. 6, livro 61, cap. 3, n.º 510, p. 479-480; vol. 6, livro 61, cap. 4, n.º 511, p. 480.

f) Alguns dos outros locais em que se verificam variantes (não apenas nas vogais) são:

Sura 11:46, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3383, p. 1116

Sura 18:76, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3384, p. 1116

Sura 18:86, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3385, p. 1116

Sura 24:35, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3387, p. 1116

Sura 34:23 devido às vogais, mas, num caso, a uma consoante. Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3392, p. 1117

Sura 39:59 Esta passagem utiliza um pronome feminino para designar a alma, enquanto as leituras mais conhecidas utilizam um pronome masculino. Abu Dawud 3:3979, nota de rodapé 3393, p. 1117

Sura 89:26 Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3399, p. 1118

Sura 89:25-26 Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3408, p. 1119

Sura 12:23 Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3411, p. 1120

Sura 2:58, Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3413, p. 1121

Sura 24:1 (falta ou excesso de um «r»: Faradnaha [e que nós ordenámos] vs. a maioria: farradnaha [que nós descrevemos em pormenor]) Abu Dawud, vol. 3, nota de rodapé 3414, p. 1121

g) Uma racionalização das alterações ocorridas durante a vida de Maomé: segundo a Sura 22:52, Satanás introduz sempre algo nas palavras de um profeta, mas Deus tem de o anular. Esta poderá ser uma explicação para o facto de quatro fontes históricas muçulmanas diferentes relatarem que a Sura 53:19-20 dizia originalmente que se devia esperar a intercessão (ajuda) de quatro deusas idólatras.

Ficaria o questionador muçulmano satisfeito com a Bíblia se os cristãos simplesmente destruíssem as provas e queimassem todos os manuscritos, exceto uma versão preferida? Por um lado, pensaria que não, exceto que foi exatamente isso que ‘Uthman fez quando ordenou que as pessoas entregassem as suas cópias do Alcorão para serem destruídas, tendo ele reeditado outras cópias. No entanto, os Alcorões atuais nem sequer são idênticos ao texto de ‘Uthman. Por exemplo, variante: Sura 6:160a (6:159a em Yusuf ‘Ali): «…seitas, eu não faço parte delas em nada;» (na época de ‘Uthman) vs. «…seitas, não tens a menor parte nelas:» al-Tabari, vol. 15, p. 181 e nota de rodapé 323.

C. Detalhes desta variante do manuscrito

«Tu és o meu Filho, o Amado; em ti tenho o meu agrado.» (p. 4 (século III), Sinaítico, Vaticano, Alexandrino, Lecionário Bizantino, alguns itálicos, copta sahídico, etíope, georgiano, Agostinho). Agostinho apresentava a primeira leitura, de acordo com Aland et al. (4.ª edição revista), pelo que o questionador muçulmano estava incorreto ao colocar Agostinho na segunda categoria.

«Tu és o meu Filho, hoje eu te gerei» (Bezae Cantabrigiensis, alguns itálicos, Justino Mártir, Diálogo com Trifão, cap. 88, p. 244 (escrito por volta de c. 138-165 d.C.); Hilário (355-367/368 d.C.), Metódio (270-311/312 d.C.), Evangelho apócrifo de Nicodemos (versão grega, cap. 2; Narrativa Apócrifa da Infância, 54.)

«Tu és o meu Filho amado, hoje eu te gerei» (Clemente de Alexandria, 193-217/220 d.C.). Isto é semelhante à segunda leitura, exceto no que diz respeito ao aspeto «amado» da primeira leitura. Assim, o questionador muçulmano estava errado ao incluir Clemente de Alexandria na segunda categoria.

D. Aplicação ao cristianismo em geral

Justino pode ter estado a citar de memória, e mesmo as pessoas de bem podem cometer pequenos erros de memória. Não acreditamos que a mensagem de Deus sejam as consoantes e vogais da Bíblia, mas sim a mensagem da Bíblia, e essa mensagem é constante, mesmo que se opte pela segunda leitura, uma vez que outros versículos afirmam tanto que a) Jesus era amado, como b) «hoje eu te gerei» (Salmo 2). O que poderia ser um erro honesto, uma memória errada, não prova falsificação, isto é, a menos que o facto de A’isha, a esposa de Maomé, ter escrito um versículo do Alcorão com um significado diferente prove que ela também era uma falsificadora.

P: Em Lc 3,22, esta variação do manuscrito prova que um falsificador esteve em ação e que o versículo bíblico foi alterado para retirar a ideia de que Jesus se tornou Filho de Deus no batismo, em vez de no nascimento ou antes? (Esta é a segunda parte da objeção do muçulmano)

R: De modo algum. Embora não conheçamos todos os pormenores, existem quatro possibilidades, qualquer uma das quais oferece uma resposta satisfatória.

Várias declarações: Talvez o Pai tenha feito várias declarações. Por que razão se limitaria Deus, o Pai, a chamar Jesus de Seu Filho apenas uma vez aqui?

Uma única declaração abrangente: Talvez o Pai tenha proferido apenas uma frase, e esta tenha sido algo do género: «Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo; hoje eu te gerei.» Todos registaram corretamente partes dessa frase.

Erro de memória de Justino Mártir: Justino Mártir, talvez ao citar isto de memória, cometeu um erro, e os escritores posteriores que leram Justino Mártir — bem como os escritos de autores anteriores que, por sua vez, leram Justino Mártir — copiaram esse erro.

Variante bíblica: Alguém antes de Justino Mártir copiou erroneamente esta frase aqui, e Justino citou corretamente o que constava na sua Bíblia.

Para muitos muçulmanos, se qualquer alteração no Alcorão — mesmo que não seja de natureza teológica — constituir prova de falsificação, então todas as cópias do Alcorão existentes hoje deveriam ser queimadas, pois também são falsificações. Existem alterações em relação à versão de ‘Uthman (a Sura 159a (ou 160a) é apenas um exemplo). E o texto padronizado de ‘Uthman difere do texto de ‘Ubai, e ambos omitiram a Sura perdida. Na verdade, o Alcorão admite que Satanás (pelo menos temporariamente) introduz também um pouco do seu ensinamento nas palavras do profeta (Sura 22:52). Como exemplo disso, considere a redação original da Sura 53:19-20.

P: Em Lc 3:23, que idade tinha Jesus quando iniciou o Seu ministério?

R: Lucas 3:23 diz «cerca de trinta», o que pode corresponder a uma idade entre os 25 e os 35 anos. Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, o Grande, que morreu em 4 a.C., e iniciou o Seu ministério depois de João Batista ter iniciado o seu. João iniciou o seu ministério no 15.º ano do reinado de Tibério César, ou seja, em 28 d.C. Assim, se as datas arqueológicas forem consideradas suficientemente precisas, Jesus tinha cerca de 33 a 35 anos. Além disso, Pôncio Pilatos foi prefeito da Judeia apenas de 26 d.C. até 36/37 d.C., pelo que Jesus teve de ter sido crucificado antes dessa data. A melhor estimativa de que dispomos é que Jesus iniciou o Seu ministério por volta de 30 d.C. e morreu, muito provavelmente, a 3 de abril de 33 d.C.

P: Em Mt 4, 12-13, como é que Simão e André se tornaram discípulos quando Jesus estava com João Batista, uma vez que Jesus lhes disse para o seguirem na Galileia, tal como consta em Mt 4, 18-20, Mc 1, 16-20 e Lc 5, 1-11?

R: Primeiro, tornaram-se «discípulos» quando Jesus estava com João Batista. Só mais tarde se tornaram discípulos especiais, tendo sido posteriormente designados apóstolos, na Galileia. Lembre-se de que Jesus tinha um grande número de discípulos, alguns dos quais O abandonaram em João 6:66. Para além desses, tinha discípulos especialmente designados, num total de 72, conforme se refere em Lucas 10:1. Por fim, Jesus tinha os doze, que se tornaram apóstolos, conforme se refere em Marcos 6:7 e João 6:67.

P: Em João 1:35-37, André e o outro discípulo seguiram Jesus no dia seguinte ao Seu batismo, ou esperaram 40 dias após as tentações de Jesus?

R: -Depois. Jesus foi batizado por João (Mateus 3:13-17; Marcos 1:9-11; Lucas 3:21-23), foi tentado durante 40 dias (Mateus 4:1-11; Marcos 1:12-13; Lucas 4:1-12) e regressou a João (João 1:29-32)

P: No ministério de Jesus, é possível conhecer a ordem dos acontecimentos?

R: Só podemos conhecer a ordem de alguns acontecimentos. No entanto, muitas pessoas podem ficar bastante confusas quanto à ordem dos evangelhos devido a três equívocos, que é necessário esclarecer.

Nem todos os acontecimentos foram registados pelos autores dos evangelhos; no entanto, estes também nunca afirmaram fazê-lo. Por exemplo, João, que anteriormente fora discípulo de João Batista, mantém-se compreensivelmente em silêncio entre o momento em que Jesus foi batizado e o momento em que se juntou a Ele. João 21:25 afirma especificamente que Jesus fez muitas outras coisas que não foram registadas. O Evangelho de João foi escrito depois dos outros evangelhos, e João parece enfatizar as partes que os outros não mencionaram.

Repetição: Imagine Jesus a viajar pelas muitas cidades que visitou pela Galileia, Judeia e Decápolis, sem nunca repetir uma única ordem ou parábola, e a dizer a cada cidade algo completamente diferente. Não é muito provável! Jesus provavelmente contou estas parábolas muito mais vezes do que as registadas em cada evangelho, e as pessoas falavam de Jesus mais do que aquilo que está registado. Assim, por exemplo, permanece em aberto se o Sermão da Montanha em Mateus e o Sermão no lugar plano em Lucas foram dois eventos, nos quais Ele repetiu alguns ensinamentos, ou um único evento, em que Jesus falou num planalto.

Sem ordem: Os autores dos Evangelhos não registaram todos os acontecimentos por ordem, mas também nunca afirmaram registá-los por ordem. De facto, Papias, um discípulo do apóstolo João, afirma especificamente que Marcos não registou os acontecimentos por ordem.

Dentro de cada período geral do ministério de Cristo, os autores dos Evangelhos não afirmaram que nada estivesse em ordem, exceto nas seguintes partes, onde foram utilizadas as palavras «depois», «no dia seguinte», etc. Nas questões sobre a harmonia dos Evangelhos, observe as palavras em negrito que indicam marcadores de tempo, ordem e localização.

P: Nos Evangelhos, o que se entende por «harmonia» no que diz respeito ao ministério inicial de Jesus?

R: O ministério inicial vai até ao momento em que João Batista é morto. Antes de apresentar a ordem dos acontecimentos, é bom conhecer alguns aspetos geográficos.

Geografia: O Mar da Galileia, o Lago e o Mar de Tiberíades são todos o mesmo lago de água doce. A Galileia situa-se a oeste do Mar da Galileia, e a Decápolis situa-se a sudeste do Mar da Galileia. Betsaida situa-se no Mar da Galileia, a norte, e a oeste desta encontra-se Cafarnaum, na margem, com Corazim a norte de Cafarnaum. Magdala situa-se na margem a oeste do Mar da Galileia, e Caná fica a oeste desta. Naim situa-se a sudoeste do Mar da Galileia, a cerca de 10 milhas (16 quilómetros) de distância da margem. A terra dos gerasenos, Gennesaret ou dos gadarenos são, ou o mesmo local, ou locais muito próximos uns dos outros, a leste e sudeste do Mar da Galileia. O livro «Hard Sayings of the Bible», p. 373, afirma que Gerasa ficava a 30 milhas (48 quilómetros) a sudeste do Mar da Galileia e que as suas terras não chegavam até ao mar. Gadara ficava a cinco milhas (8 quilómetros) a sudeste do Mar da Galileia e as suas terras chegavam até ao mar, como comprovado pela menção de Josefo a este facto e por uma moeda de Gadara que retrata um navio.

Ordem: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para estes 65 acontecimentos, os números referem-se a acontecimentos que devem seguir os números anteriores por ordem. Letras como a, b, c referem-se a acontecimentos que podem estar em ordem, mas que poderiam ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Os versículos sublinhados mostram passagens que provavelmente não se encontram em ordem cronológica no evangelho.

Ministério inicial: Mt 4,12-14,12; Mc 1,14-6,29; Lc 3,19-20; 4,14-9,9; Jo 1,43-5,47

E1a1. Em Caná, no terceiro dia (terceiro dia após o regresso à Galileia, após João ter falado, ou terceiro dia da semana?), Jesus transforma água em vinho. Primeiro milagre na Galileia, embora a Sua hora ainda não tivesse chegado. Jo 2:1-11

E1a2a. Durante a Páscoa (14.º dia do 1.º mês) em Jerusalém, Jesus expulsa os cambistas. Jo 2, 12-25

E1a2b. Jesus ensina Nicodemos sobre o que significa nascer de novo. Jo 3, 1-21

E1a3. Na zona rural da Judeia, João testemunha a favor de Jesus. Jo 3, 23-35

E1a4a. Em Sicar, na Samaria, a caminho da Galileia, Jesus conversa com uma mulher samaritana. Jo 4, 1-42

E1b1. João repreende Herodes, o tetrarca. Mt 14, 3; Lc 3, 19-20

E1b2a. Depois de saber que João tinha sido preso, Jesus regressa à Galileia e começa a pregar: «O Reino de Deus está próximo». Mt 4, 12-17; Mc 1, 14-15; Jo 4, 43-45

E1b2b. De Caná, Jesus cura o filho de um nobre em Cafarnaum, realizando o Seu segundo milagre. Jo 4:46-54

E1b2c1. Na Galileia e em Nazaré, Jesus lê um rolo. Lc 4, 14-15

E1b2c2. Jesus explica a profecia, e os judeus tentam matá-Lo. Lc 4, 16-31

E1b2d1. À beira do Mar da Galileia, Jesus chama Simão Pedro e André. Mt 4, 18-20; Mc 1, 16-18; Lc 5, 1-10

E1b2d2. Em Cafarnaum, Jesus expulsa um demónio. Mc 1, 21-28; Lc 4, 31-37

E1b2e. A vocação de Tiago e João. Mt 4, 21-22; Mc 1, 19-20; Lc 5, 6-11

E1b2f. Na Galileia, Jesus cura os doentes. Mt 4, 23-25; Lc 4, 40-44

E2a. Sermão da Montanha, incluindo a Oração do Senhor. Mt 5, 1-7, 29

E2b. À noite, cura a sogra de Simão e outras pessoas. Mt 8, 14-17; Mc 1, 29-34; Lc 4, 38-39

E2c. Jesus reza sozinho. Mc 1, 35-38; Lc 4, 42-44

E2d. Viagem pela Galileia. Mc 1, 39

E2e. Cura o leproso que espalhava boatos. Mt 8, 1-4; Mc 1, 40-45; Lc 5, 12-15

E2f. Em lugares isolados, Jesus retirava-se frequentemente para orar. Lc 5, 16

E2g1. Em Cafarnaum, Jesus cura um paralítico. Mc 2, 1-12; Lc 5, 17-26

E2g2. Chamada de Mateus/Leví. Mt 9, 9-13; Mc 2, 13-17; Lc 5, 27-32

E3c1. Na Galileia, junto ao lago, o custo de seguir Jesus. Mt 8, 18-22

E3c2. Em Nazaré, Jesus cura o paralítico. Mt 9, 1-8

E3c3. Os discípulos de João perguntam sobre o jejum. Mt 9, 14-17; Mc 2, 18-22; Lc 5, 33-39

E2h1. Num sábado, Jesus num campo; referência a David. Mt 12, 1-8; Mc 2, 23-27; Lc 6, 1-11

E2h2. Na sinagoga, Jesus cura a mão atrofiada. Mt 12, 9-14; Mc 3, 1-6; Lc 6, 6-11

E2h3. As multidões seguem Jesus. Mc 3, 7-12

E2i1. Na encosta de uma montanha, Jesus ora a Deus durante toda a noite. Lc 6, 12

E2i2. Jesus nomeia os 12 discípulos. Mc 3, 13-19; Lc 6, 13-16

E2j1. Sermão no terreno plano. Lc 6, 17-49. Se fosse igual ao de Mateus, deveria chamar-se o Sermão no Planalto.

E2j2. Em Cafarnaum, Jesus cura o servo do centurião. Mt 8, 5-13; Lc 7, 1-10

E3a. Algum tempo depois, em Jerusalém, por ocasião de uma festa [provavelmente no 7.º mês], junto ao estanque, Jesus cura um homem que estava inválido há 38 anos. Jo 5, 1-15

E3b. A vida através de Jesus. Jo 5, 16-47

E3c. Em Naim, Jesus cura o filho da viúva. Lc 7, 11-17

E4. A caminho da terra dos gadarenos/gerasenos, Jesus acalma a tempestade a partir do interior do barco. Mt 8, 23-27; Mc 4, 35-41; Lc 8, 22-26 (Nota: as tempestades são mais frequentes no outono e no inverno)

E5a. Em Genesaré, cura de dois homens possuídos por demónios; demónios nos porcos. Mt 8, 28-34

E5b. Cura do endemoninhado de Gerasa [Gennesaret]. Mc 5, 1-20; Lc 8, 26-39 (Nota: Gadarenos, Gennesaret e Gerasa referem-se, muito provavelmente, ao mesmo local.)

E6. Ressuscitação da filha de Jairo e da mulher com hemorragia. Mt 9, 18-26; Mc 5, 21-43; Lc 8, 40-56

E7. Ao prosseguir o seu caminho, Jesus cura dois cegos que se queixavam. Mt 9, 27-31

E8. Ao saírem, Jesus cura um endemoninhado mudo. Os fariseus acusam Jesus de expulsar demónios por meio de Belzebu. Não é mencionado que Jesus tenha respondido a esta acusação nessa altura.) Mt 9, 32-34

E9a. Jesus dirige-se a muitas cidades e aldeias. Mt 9, 35-38; Mc 6, 6

E9b. Jesus envia os doze. Mt 10, 1-42; Mc 6, 7-13; Lc 9, 1-9

E9c. Jesus prega na Galileia. Mt 11, 1

E9d. João Batista envia uma mensagem da prisão e Jesus conta a parábola das crianças no mercado. Mt 11, 2-19; Lc 7, 18-35

E9e. Durante uma refeição na casa de Simão, o fariseu, uma mulher pecadora, com um frasco de alabastro, unge os pés de Jesus com óleo. Jesus fala sobre amar mais e amar menos. Lc 7, 36-50

E10. Imediatamente, Jesus retira-se para uma montanha. Mc 6, 45-46

E11. Posteriormente, em Genesaré, Jesus cura muitos. Mc 6, 53-56

E12a. Repreendendo as cidades da Galileia. Mt 11, 20-24

E12b. Naquela altura, Jesus ensinou o descanso aos cansados. Mt 11, 25-30

E13. Jesus retira-se daquele lugar. Mt 12, 15-21

E14. Numa casa onde havia tanta gente que não se conseguia comer, a família de Jesus pensou que Ele estava fora de si. Mc 3, 20-21

E15. Jesus cura um homem cego e possuído por demónios. Mt 12, 22-23

E16. Jesus fala dos homens fortes da casa e da blasfémia contra o Espírito Santo. Mt 12, 24-37; Mc 3, 22-30

E17. A mãe e os irmãos de Jesus. Mt 12, 46-50; Mc 3, 31-35; Lc 8, 19-21

E18. Primeiro pedido de um sinal e profecia dos três dias e três noites. Mt 12, 38-45

E19. Na Galileia, a partir do barco, a parábola do semeador. Mt 13, 1-23; Mc 4, 1-20; Lc 8, 1-15

E20. Parábola do joio. Mt 13, 24-30

E21. Parábola da lâmpada no candeeiro. Mc 4, 21-25; Lc 8, 16-18

E22. Parábola da semente que cresce. Mc 4, 26-29

E23. Parábola do grão de mostarda. Mt 13, 31-35; Mc 4, 30-34

E24. Na casa, explica a parábola do joio. Mt 13, 36-43

E25. Parábolas do tesouro escondido, da pérola e da rede. Mt 13, 44-53

E26. Jesus regressa a Nazaré; o profeta sem honra. Mt 13, 53-58; Mc 6, 1-6 (Agostinho e alguns outros consideram também Lc 4, 16-30.)

E27. Como João Batista foi morto. Mt 14, 1-12; Mc 6, 14-29; Lc 9, 7-9

Nesta lista de 65 acontecimentos, 0 acontecimentos eram comuns aos quatro, 13 acontecimentos eram comuns aos três sinópticos, 1 evento era comum a Mateus e Lucas, 4 eventos eram comuns a Mateus e Marcos, 4 eventos eram comuns a Mateus e Lucas, 4 eventos eram comuns a Marcos e Lucas, 15 eventos constavam apenas em Mateus, 7 eventos constavam apenas em Marcos, 7 eventos constavam apenas em Lucas e 8 eventos constavam apenas em João.

P: Nos Evangelhos, quais foram os pressupostos fundamentais adotados relativamente ao ministério inicial de Jesus?

R: Tudo envolve pressupostos, e eis os pressupostos que utilizei neste contexto.

a) Algumas passagens de João foram colocadas no período intermédio, uma vez que também se encaixavam aqui. A harmonia dos evangelhos na «The NIV Study Bible» apresenta as passagens de João de forma diferente.

b) Os Evangelhos foram apresentados por ordem cronológica, exceto onde sublinhado, o que ocorre em mais de 10 locais.

P: Em Jo 1,43-50, será que Jesus chamou estes discípulos para O seguirem nessa altura, ou será que os nomeou apóstolos mais tarde, tal como mostram Mt 4,18-22; Mc 1,14-20 e Lc 5,1-11?

R: Ambos. Jesus chamou-os para O seguirem naquela altura, mas só mais tarde os designou como os doze. O livro *When Critics Ask*, na página 405, faz a distinção entre o seu primeiro encontro e o seu chamamento definitivo. Salienta que, em João 1:39, eles permaneceram com Jesus apenas aquele dia.

Hoje, Deus chama-nos primeiro para sermos Seus filhos. Muitas pessoas são posteriormente chamadas por Ele para um serviço mais importante, e algumas são posteriormente chamadas para um ministério ainda mais significativo.

P: Em Mt 4,17; 10,7; Mc 1,15; Lc 8,10; Jo 3,5, o «reino de Deus» e o «reino dos céus» são idênticos, ou existe uma ligeira diferença entre os dois?

R: Muitos têm-nos considerado idênticos; não fará parte de um se não fizer parte do outro. Mateus utiliza ambos os termos, enquanto Marcos, Lucas e João utilizam apenas «Reino de Deus». Jesus utiliza ambos os termos em versículos adjacentes em Mateus 19:23-24. O «New International Bible Commentary», na página 1123, refere que os judeus daquela época não só relutavam em pronunciar o nome próprio de Deus (Yahweh), como também evitavam «Elohim». Por isso, utilizavam como sinónimos «ha-shem» (o Nome), «maqom» (lugar) e «shamayim» (céu). Assim, em vez de dizerem «o reino de Deus», alguns judeus podiam dizer «o reino dos céus».

Outros vêem uma ligeira diferença: o reino dos céus é para onde todos os crentes vão quando morrem, e o reino de Deus é aquilo a que pertencemos agora, quando somos salvos.

Independentemente das palavras específicas, todos podemos concordar que a nossa salvação tem tanto um aspeto presente na Terra como um aspeto futuro no céu (1 Coríntios 13:12; Filipenses 1:21-24), que só se concretizará quando chegarmos ao céu. Em João 3:5, alguns pensam que a água se refere ao líquido amniótico quando um bebé nasce, mas outros pensam que se refere ao batismo. Não pode significar o batismo, a menos que o ladrão na cruz não tivesse sido salvo! Mas pode significar que uma pessoa não faz parte visível do reino de Deus na Terra até ser batizada. À semelhança disto, muitas igrejas não querem que alguém participe na Ceia do Senhor até ter sido batizado.

P: Em João 4:26, por que razão Jesus se apressou a dizer à mulher samaritana que Ele era o Messias, quando parecia relutante em fazê-lo noutras ocasiões, como em Mateus 16:13-20?

R: Há duas respostas complementares: o momento certo e o público-alvo.

Momento: No início do Seu ministério, Jesus não enfatizou publicamente aos judeus que era Deus e que era o Messias. Muitos líderes judeus tinham dificuldade em aceitar que o Messias não viesse com poder na primeira vez. Jesus parecia querer que os Seus milagres e ensinamentos falassem por Ele em primeiro lugar e, só mais tarde no Seu ministério, enfatizasse que era o Pão da Vida, o grande «Eu Sou», o caminho, a verdade e a vida, e o Messias. No entanto, a conversa de Jesus com a mulher samaritana ocorreu numa fase muito precoce do Seu ministério.

Público: Os samaritanos não teriam as mesmas dificuldades em aceitar Jesus como o Messias. Por isso, Ele disse-o claramente à mulher samaritana. Além disso, havia poucas hipóteses de os samaritanos contarem isso a muitos judeus.

P: Em Lc 6,12-49 e Lc 12,3-38, por que razão isto soa semelhante ao Sermão da Montanha em Mt 5,1-7,29?

R: Existem três respostas diferentes.

a. É provável que Jesus tenha proferido um sermão semelhante pelo menos duas vezes. Jesus dirigiu-se a muitas multidões diferentes e é provável que tenha transmitido uma mensagem semelhante em várias ocasiões. Nem todos teriam podido ouvir o sermão da primeira vez.

b. Talvez tenha sido o mesmo sermão, e cada autor tenha redigido uma paráfrase do que se lembrava. Uma «planície» no topo de uma montanha é simplesmente o que chamamos de planalto ou mesa. No entanto, não há nada, além da semelhança de conteúdo, que sugira que tenha sido o mesmo sermão.

c. O livro «When Critics Ask», na página 387, observa que apenas se dizia que Jesus se encontrava num local plano, e não que as multidões também o estivessem. O facto de Jesus se encontrar num local plano para pregar a uma multidão sentada na encosta de uma montanha criaria um anfiteatro natural.

Seja como for, o ensinamento de Jesus é intemporal e verdadeiro, independentemente do número de vezes que Ele o tenha proferido.

P: Em Lc 6,12-19; Lc 12,3-38; e Mt 5,1-7,29, por que razão não vemos isto em Marcos ou em João?

R: Os diferentes autores dos Evangelhos registaram detalhes diferentes. Além disso, é muito provável que o Evangelho de João tenha sido escrito em último lugar, e parece incluir uma profundidade adicional que os outros não têm, omitindo aspetos que já tinham sido mencionados pelos outros autores dos Evangelhos.

P: Em Lc 6,17, estará Jesus a estar de pé num local plano para lhes ensinar, ou estará sentado, como diz Mateus 5,1?

R: Há duas respostas, e ambas são provavelmente verdadeiras.

Os sermões em Mateus e Lucas referem-se provavelmente a duas ocasiões diferentes. Além disso, mesmo quando Jesus estava de pé, depois de ter falado durante algum tempo, poderia querer sentar-se. Lembre-se de que um sermão podia ser um evento com várias horas de duração, e o que temos tanto em Mateus como em Lucas são apenas versões resumidas.

P: Em Mt 5,3, terá Jesus mencionado os «pobres de espírito», ou apenas os pobres, como em Lc 6,20?

R: Jesus pode ter dito ambas as coisas. Tanto Mateus como Lucas parafraseiam o que Jesus ensinou. Estes dois sermões podem ter ocorrido em ocasiões diferentes, e Jesus pode ter dito ambas as coisas. Por outro lado, estes dois sermões podem ter sido o mesmo. Um foi num monte e o outro numa planície. Podem ter sido um único sermão num planalto, que é um local plano no cume de algumas montanhas.

Seja como for, compreendemos que Jesus se referiu àqueles que eram necessitados e reconheceram que o eram.

P: Em Mt 8,2, lemos sobre um leproso que se aproximou de Jesus, adorou-O, pediu-Lhe que o curasse e Jesus purificou-o. Mas em Lc 17,12, lemos sobre dez homens leprosos que Jesus encontrou numa aldeia. Eles ficaram à distância, levantaram a voz e disseram: «Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós». E quando Jesus os viu, não precisou de lhes tocar, mas disse-lhes: «Ide mostrar-vos aos sacerdotes.» E aconteceu que, enquanto iam, ficaram purificados. Seriam dez leprosos ou apenas um? Se fosse a mesma história, por que razão existem detalhes diferentes entre os dois evangelhos?

R: Em primeiro lugar, podemos ter a certeza de que havia mais de onze leprosos na terra de Israel naquela altura. Os dois acontecimentos apresentam detalhes totalmente diferentes porque Jesus curou leprosos em várias ocasiões. Jesus curou um leproso (que mais tarde se tornou um fofoqueiro) em Mateus 8:1-4, Marcos 1:40-45 e Lucas 5:12-15. Muito mais tarde, em Lucas 17:11-19, Jesus curou dez leprosos.

P: Há quem diga que os escribas costumavam alterar algumas palavras ou frases quando copiavam os manuscritos das Escrituras, de modo a esclarecer ou simplificar a ideia para os leitores.

Por exemplo, nos Evangelhos, verificamos que Marcos afirma em (Mc 2:4) que os quatro homens que transportavam o paralítico e o levaram até Jesus para que o curasse, «descobriram o telhado onde ele se encontrava; e, depois de o terem aberto, baixaram a cama em que o paralítico estava deitado». Mas Lucas, em (Lc 5, 19), diz que «subiram ao telhado e baixaram-no através das telhas, com a sua maca, para o meio, diante de Jesus». O mesmo aconteceu com as Epístolas de Paulo. Por exemplo, a expressão «Palavra de Cristo» em (Colossenses 3:16), verificamos que os escribas a substituíram noutros manuscritos por «Palavra de Deus», «Palavra do Senhor» e assim por diante. Será isso correto? Isso afeta o significado ou as doutrinas?

R: Não vejo qualquer diferença substancial entre Marcos 2:4 e Lucas 5:19. Ambos são totalmente verdadeiros. Escreveram a mesma coisa de forma diferente porque tinham personalidades, perspetivas e estilos de escrita distintos. Não temos os evangelhos apenas numa «voz única», mas sim num «som quadrifónico».

Por vezes, os escribas alteraram ligeiramente algumas palavras, aparentemente para tornar o texto mais claro e compreensível. Sabemos isto porque dispomos de muitos manuscritos do Novo Testamento e podemos ver o que foi alterado. No entanto, a grande maioria destes não apresenta qualquer alteração no significado. Por exemplo, em muitos passagens de Filipenses, muitos manuscritos dizem «Cristo Jesus», enquanto muitos outros dizem «Jesus Cristo». Na maioria destes casos, não temos a certeza da ordem original, mas isso não tem realmente importância.

Nenhuma destas alterações afeta quaisquer doutrinas ou práticas cristãs, e nenhuma doutrina importante se baseia num único versículo. Se algo é importante nas Escrituras, Deus repete-o, normalmente de uma forma ligeiramente diferente, para que possamos perceber melhor a amplitude do significado.

P: Em Mt 8,5-13; 9,9-13, Jesus curou o servo do centurião antes de chamar Mateus (Leví), ou depois, como sugere Lc 5,27-32; 7,1-10?

R: Pode ter sido de ambas as formas, uma vez que nenhum dos evangelhos indica a ordem, e não se afirma que os evangelhos estejam dispostos por ordem cronológica. No entanto, ambos referem que Mateus/Leví foi chamado após a cura do paralítico.

P: Em Mt 8,5-10, o centurião viu Jesus diretamente, ou não o viu, tendo enviado amigos, como se refere em Lc 7,6?

R: Existem duas respostas possíveis.

1. O centurião dirigiu-se a Jesus por intermédio de amigos, e não diretamente. Mateus omite este pormenor e limita-se a dizer que o centurião se dirigiu a Jesus com o seu pedido, sem especificar que o fez por intermédio de amigos. Talvez Mateus não quisesse obscurecer o facto de que Jesus estava a ajudar um não-judeu, de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 200. A «NIV Study Bible», p. 1453, acrescenta que, da mesma forma, quando Pilatos açoitou Jesus em Mateus 27:26, Mateus NÃO está a dizer que Pilatos açoitou pessoalmente Jesus, mas sim que mandou açoitar Jesus.

2. Inicialmente, o centurião recorreu a amigos. Uma razão provável é que, dessa forma, não seria demasiado embaraçoso se Jesus recusasse este pedido de um não-judeu. Depois disso, o centurião dirigiu-se pessoalmente a Jesus. A *Encyclopedia of Bible Difficulties*, pp. 321-322, defende esta interpretação.

P: Em Mt 9:18-25, Mc 5:23-43, Lc 7:11-17, 8:41-56 e Jo 11:1-44, durante o Seu ministério terreno, quem foram todas as pessoas que Jesus ressuscitou dos mortos e porquê?

R: Todos estes três milagres glorificaram a Deus e demonstraram que Jesus era o Filho de Deus.

O filho da viúva em Lucas 7:11-17. Talvez o filho falecido não tenha ressuscitado tanto por si próprio, mas sim pela sua mãe.

A filha de Jairo em Mateus 9:18-25; Marcos 5:23, 35-43; Lucas 8:41-42, 49-56. Neste caso, a menina estava a morrer, e Jesus atrasou-se porque estava a ministrar a outra mulher. Deus pode não chegar frequentemente cedo, mas nunca chega tarde demais para agir.

Lázaro em João 11:1-44. Curiosamente, embora Jesus amasse especialmente Lázaro em João 11:3, Ele demorou mais dois dias, conforme João 11:7, enquanto Lázaro estava doente, até que este tivesse falecido. Inicialmente, isto pode ter abalado profundamente a fé de Maria e Marta, mas, por vezes, Deus testa deliberadamente a nossa fé para a Sua glória e para nos tornar mais fortes na fé.

P: Em Mateus 9:18, a filha de Jairo estava morta ou estava a morrer, tal como em Marcos 5:22 e Lucas 8:42?

R: Primeiro, um pouco de grego; duas hipóteses que provavelmente não são a resposta; e, por fim, a resposta mais provável.

Grego

Em Mateus 9:18, a expressão grega «arti eteleutesen» significa «acabou de morrer», de acordo com a tradução literal de Green, ou «acabou de morrer», mas não «está agora a morrer», de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 8, p. 230.

Em Marcos 5:22, a expressão grega eschatus exei significa «no fim». A nossa palavra «escatologia» deriva da primeira palavra.

Em Lucas 8:42, a palavra grega apethnesken significa «a morrer».

Resposta incorreta: o coma é semelhante à morte

A respiração de uma pessoa em coma é muito superficial, e é difícil determinar quando morreu. No entanto, esta provavelmente não é a resposta correta, porque Jairo já se tinha ausentado há algum tempo, e alguém em coma ainda estaria ligeiramente quente. Por fim, o facto de os amigos de Jairo lhe terem dito mais tarde que a sua filha tinha finalmente morrido contradiz esta hipótese.

Provavelmente não é a resposta: Jairo disse as três coisas

O próprio Jairo não tinha a certeza se a sua filha ainda estava viva quando falou com Jesus, ou se já tinha falecido enquanto ele se dirigia até Jesus. Assim, Jairo pode ter dito, num determinado momento, que ela tinha falecido; noutro, que ela estava à beira da morte; e, ainda noutro, que ela estava a morrer. No entanto, nos três evangelhos, Jairo dirigiu as palavras em questão a Jesus e, embora possa ter repetido o seu pedido a Jesus três vezes, utilizando três formulações diferentes, a resposta seguinte é mais provável.

A resposta: os autores dos Evangelhos parafrasearam

Noutros pontos dos evangelhos, os diálogos são paráfrases, não citações exatas, e centram-se nos pontos principais, omitindo os detalhes. Por exemplo, quando as pessoas vinham durante todo o dia para ouvir os ensinamentos de Jesus, mas conseguimos ler o relato em apenas cinco minutos, o que é que elas faziam durante o resto do tempo? Como diz João 21:25: «Há muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem escritas, suponho que nem mesmo o próprio mundo teria espaço para os livros que seriam escritos.» (BSB)

Considere o seguinte: demora apenas cerca de três segundos a ler o que Jairo disse em qualquer um dos relatos. Quando Jairo chegou, terá ele falado apenas três segundos com Jesus e depois ficado em silêncio? – claro que não pensamos isso. Mas isso significa que cada autor de um evangelho optou por omitir muitos pormenores irrelevantes e pretendia simplesmente registar o ponto principal que Jairo queria transmitir. Seja qual for a frase que Jairo tenha utilizado — e é possível que tenha utilizado mais do que uma —, a sua amada filha estava a chegar ao fim da vida.

P: Em Mt 9,24, Mc 5,39 e Lc 8,52, por que razão Jesus disse que ela estava apenas a dormir?

R: Primeiro, o que provavelmente não é a resposta, e depois a resposta.

O que provavelmente não é a resposta – o estado vegetativo é semelhante à morte

Embora o sono seja frequentemente utilizado para designar a morte, pode tratar-se de um coma ou de um estado vegetativo. Jesus disse: «A menina não está morta, mas adormecida» em Marcos 5:39. No entanto, em Marcos 5:35, quando os amigos de Jairo lhe disseram para não incomodar Jesus porque a sua filha tinha morrido, ela estava completamente morta, tanto quanto eles podiam perceber.

A resposta:

Jesus quis enfatizar que, para Ele, a morte não passa de o corpo físico a dormir.

P: Em Mateus 9:22, 28, 29, pode explicar-me a diferença entre a fé que cura e a fé salvadora? Por exemplo, em Mateus 9:22, Jesus diz: «Filha, tenha coragem, a sua fé curou-a», e em Mateus 9:29: «Jesus tocou-lhes nos olhos, dizendo: “Será feito conforme a vossa fé”», e em Mateus 15:28 «Então Jesus disse-lhe: “Ó mulher, a tua fé é grande; seja feito por ti como desejas.”» E a filha dela foi curada imediatamente. A fé é algo natural? A fé manifestada nas curas realizadas por Jesus foi gerada pelas pessoas que foram curadas, ou foi Deus, por meio do Espírito Santo, que lhes concedeu a fé necessária para a cura, para que Deus pudesse ser glorificado? Em Ef 2,8: «Porque é pela graça que fostes salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus»; interpreto isto no sentido de que a fé é um dom de Deus.

R: Colocou uma questão profunda. A resposta sucinta é que existe apenas uma fé: a fé em Deus. Mas essa fé pode manifestar-se na cura física e numa vida santa, e essa fé também pode ser prejudicada ou arrebatada.

Para uma resposta mais abrangente, vejamos primeiro a fé em geral e, em seguida, os diferentes aspetos da fé. Embora a fé inclua o consentimento intelectual, Tiago 2:19 mostra que é muito mais do que isso; é confiar. Há uma história famosa de que, no século XIX, um famoso equilibrista chamado Charles Blondin estava a atravessar as Cataratas do Niágara numa corda bamba, empurrando um carrinho de mão. Alguém lhe disse que tinha fé que ele o conseguiria fazer. Ele respondeu que, se realmente acreditavam nisso, então que entrassem no carrinho de mão. A fé não consiste apenas em dizer «eu acredito», mas em estar disposto a entrar no carrinho de mão. Confiamos em Deus ao ponto de estarmos dispostos a parecer tolos caso Deus não cumpra a Sua promessa? A fé é algo louvável, e Hebreus 11 apresenta muitos exemplos não apenas de crença intelectual, mas de viver pela fé.
A fé tem de ter o objeto certo; acreditar sinceramente num ídolo não o levará a lado nenhum, ou pelo menos a nenhum lugar bom. Se uma pessoa acredita e pratica muitas coisas boas, mas não acredita que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou dos mortos, a sua fé é vã, de acordo com 1 Coríntios 15:1-8. Eles não foram curados por terem fé na cura, fé em si próprios, fé num santo ou mesmo fé na fé; foram curados por terem fé em Jesus. É interessante que, imediatamente antes desta passagem, em Mateus 9:1-8, Jesus curou um paralítico, e não há qualquer menção à sua fé, nem, na verdade, a nada que se refira a ele. Podemos facilmente inferir que os seus amigos tinham fé suficiente para se darem ao trabalho de o levar até Jesus; e, embora ele pudesse ter tido fé, isso não é mencionado. Assim, embora não possamos ter fé salvadora por ninguém além de nós próprios, a nossa fé pode ser uma ferramenta eficaz que Deus utiliza na vida dos outros. Por outro lado, Jesus optou por não realizar muitos milagres em Nazaré devido à falta de fé deles, conforme se lê em Mateus 13:57-58.
Infelizmente, a nossa fé pode ser parcial e incompleta em termos de tempo, sinceridade e alcance.

Fé Apenas por Um Tempo: Judas Iscariotes acreditou em Jesus ao ponto de abandonar a sua vida anterior e segui-Lo — pelo menos por algum tempo. No entanto, mesmo antes de trair Jesus, Judas já roubava da bolsa comum, conforme se lê em João 12:6. Judas chegava mesmo a sair com os outros onze discípulos e a pregar no campo, em Mateus 10:4-16, mas, embora a fé de muitas pessoas pudesse ter sido reforçada ao verem os grandes milagres, ele não tinha (ou talvez seja melhor dizer que não quis ter) a fé de que Deus cuidaria das suas necessidades financeiras e de que não precisava de roubar a Jesus e aos discípulos. Assim, por ter tido fé durante algum tempo, embora eu acredite que os verdadeiramente salvos nunca possam ser «deseleitos», também acredito nas advertências da Bíblia de que alguns que foram iluminados e provaram (mas não diz que engoliram) o dom celestial podem cair na destruição eterna (Hebreus 6:4-6).

Insinceridade e fé: Algumas pessoas, tal como a semente semeada em solo raso, têm fé durante algum tempo, mas depois ficam enredadas. Podem ser honestas e admitir que já não têm fé, ou desonestas e afirmar que têm fé, mas ser hipócritas. Uma pessoa pode ter uma fé sincera misturada com insinceridade, mas ser honesta a esse respeito. Quando Jesus perguntou ao pai de um rapaz possuído por demónios se ele acreditava, este respondeu: «Eu creio; ajuda a minha incredulidade!», em Marcos 9:24. Outros não têm fé sincera, apenas fé insincera, como Simão, o mago, em Atos 8:18-22.

Âmbito da fé: Algumas pessoas conseguem acreditar em Deus nas grandes questões, onde não há outra opção, mas não acreditam em Deus nas pequenas questões. Algumas, como Gideão, podem ter uma fé tremenda em Deus para as salvar na batalha com apenas alguns soldados, mas depois não acreditam que o caminho de Deus seja o melhor, preferindo ganhar dinheiro com um ídolo, como Gideão fez vergonhosamente em Juízes 8:24-27. Sansão era semelhante.
Não acredito que existam dois tipos de fé, a fé salvadora e a fé curativa; existe apenas uma fé (Efésios 4:5). Mas esta crença de uma pessoa, que responde à palavra de Deus, tal como uma semente em Mateus 13:12-23, pode crescer (seja muito, seja pouco), multiplicar-se noutras pessoas, mas também pode murchar e morrer, e a pessoa pode afastar-se (Mateus 13:20-21). Como aviso para nós, vejamos quatro exemplos de fé que morreram:

Jesus ensinou em Mateus 7:21-23 que haverá pessoas que pregarão o evangelho (presumivelmente o verdadeiro evangelho) e até realizarão milagres em nome de Jesus, o que, tenho a certeza de que concordará, exigiria uma grande fé. No entanto, no final, essas pessoas irão para o Inferno porque eram malfeitores. É significativo que Jesus não tenha dito: «Esqueci-me de vós», «Perdi-vos» ou «perderam a vossa salvação». Em vez disso, Jesus disse a esses malfeitores de grande fé: «Nunca vos conheci.»

Pode uma pessoa destinada ao inferno ser ajudada pela fé? Sim, pelo menos por um curto período de tempo. 2 Pedro 2:20-22 diz: «Se, de facto, escaparam à corrupção do mundo através do conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, apenas para serem novamente enredados e vencidos por ela, a sua condição final é pior do que era no início. Teria sido melhor para eles não terem conhecido o caminho da justiça do que tê-lo conhecido e depois se terem afastado do santo mandamento que lhes foi transmitido. A eles aplicam-se os provérbios: “O cão volta ao seu vómito” e “A porca lavada volta a revolver-se na lama.” (BSB) Essa pessoa nunca foi salva; sempre foi um cão ou uma porca. No entanto, essa pessoa «conheceu», num certo sentido, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O seu conhecimento foi suficiente para a elevar de uma vida pecaminosa para uma vida piedosa, mas apenas por algum tempo.

Muitas pessoas são ajudadas por Jesus, tal como os nove leprosos em Lucas 17:11-19. Jesus curou dez leprosos e, no entanto, apenas um, um samaritano, voltou e agradeceu a Jesus. «“Não foram todos os dez purificados?”, perguntou Jesus. “Onde estão, então, os outros nove? Não se encontrou ninguém, a não ser este estrangeiro, para voltar e dar glória a Deus?” Então Jesus disse-lhe: “Levanta-te e vai; a tua fé curou-te!”» (BSB) Os outros nove foram genuinamente ajudados fisicamente, e nada indica que a sua cura física lhes tenha sido retirada. Mas a cura física foi tudo o que receberam; apenas o samaritano se aproximou de Cristo e louvou a Deus. Se eu tivesse um problema físico e tivesse de escolher entre uma fé que curasse ou uma fé que salvasse, preferiria a fé que salvasse e curasse espiritualmente, em vez da fé que se limitasse a curar fisicamente. Deus concede uma fé capaz de fazer ambas as coisas, mas certifique-se de que coloca a ênfase no Doador, e não apenas no dom.

A nossa fé deve ser firme, tal como ensina Tiago 1:12; deve ser capaz de perseverar mesmo em condições adversas; no entanto, a fé de alguns dura apenas algum tempo e depois morre. Penso que toda a diferença reside no facto de uma fé ser cuidada pelo Jardineiro (João 15:1b) e de a vossa fé estar ou não ligada à Videira (João 15:1-8). Ter fé, mesmo uma grande fé, não perdurará, a menos que seja constantemente cuidada por Deus. Assim, embora a fé seja importante, é mais importante aproximar-se de Deus. «E agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor; mas a maior destas é o amor.» (1 Coríntios 13:13 BSB)

Mas qual é o papel da fé salvadora?

A salvação é um dom de Deus; não provém de nós e não somos salvos pela nossa fé. Pelo contrário, somos salvos pela graça de Deus, por meio da nossa fé, e não pelas obras, como diz Efésios 2:8-9. Três coisas dizem estes dois versículos, curtos mas complexos:

É pela graça. Não podemos «merecer» a nossa salvação, caso contrário não seria graça.

É por meio da fé. A fé tem um papel diferente da graça. A fé é a nossa resposta à iniciativa de Deus.

Não é pelas obras. As obras não têm o mesmo papel que a graça; não contribuem em nada para merecer a nossa salvação.

As obras têm um papel diferente do da fé; não somos salvos pelas obras, mas sim pela fé.

Assim, poder-se-ia perguntar se as obras têm alguma coisa a ver com a salvação. Paulo antecipa esta questão e responde-lhe em Efésios 2, 10. As obras têm, de facto, um papel na salvação, mas não o papel que algumas pessoas e muitos católicos ensinam. As obras são um resultado da nossa salvação, não uma condição para a mesma. Não somos salvos por servirmos, mas sim salvos para servir. Se as duas coisas não andarem de mãos dadas na vida de um crente, poderá questionar-se se essa pessoa é realmente crente, tal como faz Tiago 2:14-25, mas têm papéis diferentes.

No entanto, uma vez que é errado afirmar que as obras têm o mesmo papel que a fé na nossa salvação, como alguns católicos afirmam, é igualmente errado afirmar que a fé tem o mesmo papel que as obras na nossa salvação, tal como alguns calvinistas ensinam. Hebreus 4:2 diz: «Pois também nós recebemos o evangelho, tal como eles; mas a mensagem que ouviram não lhes serviu de nada, uma vez que não partilharam a fé daqueles que a compreenderam.» (BSB)

Quanto à questão de saber se esta fé duradoura é um dom de Deus ou da nossa responsabilidade, é ambas as coisas. Deus concede-nos a fé como um dom, e nós podemos e devemos pedir fé. No entanto, temos a responsabilidade de acreditar e a responsabilidade de correr com perseverança (Hebreus 12:1). Temos a responsabilidade de nos examinarmos a nós próprios e aos nossos mestres (2 Coríntios 13:5-6). No entanto, podemos confiar em que Deus sela todos os que são salvos com o Seu Espírito Santo, «que é a garantia da nossa herança até à redenção daqueles que são propriedade de Deus…» (Efésios 1:14 BSB). Consulte www.BibleQuery.org no menu à esquerda, em «Doutrina» e, em seguida, em «Predestinação», para obter mais informações.

P: Em Mc 5,35 e Lc 8,49, foi-lhe dada a Jairo uma nova informação de que a sua filha estava morta?

R: Embora ambas as possibilidades sejam válidas, é mais provável que a primeira esteja correta.

a) Pode ser que Jairo soubesse que a sua filha estava prestes a morrer quando partiu para se encontrar com Jesus e, ao regressar, lhe tenham dito que a sua filha acabara de falecer.

b) É mais provável que Jairo já soubesse que a sua filha estava morta, ou praticamente morta, quando partiu para se encontrar com Jesus e, ao regressar, lhe tenham dito, na essência: «Não incomode mais Jesus, pois já sabia que a sua filha estava morta.»

Seja como for, a mensagem dirigida a Jairo foi: «Não incomode Jesus, pois nem mesmo Ele pode fazer nada a este respeito.» Espero que nunca tenhamos essa atitude, tal como Jairo escolheu ter fé e rejeitar essa atitude.

P: Em Mt 10,2-5; Mc 3,16-18; Lc 6,13-16; Jo 1,45-47; 21,2 e Atos 1,13, a lista dos doze discípulos é diferente, tal como sugere o «Guia de Asimov para a Bíblia», p. 998?

R: Não. Embora a ordem seja um pouco diferente, as listas são as mesmas, desde que se tenha o seguinte entendimento.

Simão Barjona é o mesmo que Pedro. Barjona significa «bar» (filho de) Jona. Simão é um nome hebraico e Pedro é um nome grego.

Mateus, o cobrador de impostos = Levi, filho de Alfeu, o cobrador de impostos, em Marcos 2:13-17. Levi é um nome hebraico. Mateus é também um nome hebraico, uma forma abreviada de Matias. Talvez, como cobrador de impostos, ele quisesse um pseudónimo.

Tiago, filho de Alfeu, é o mesmo que Tiago, o Jovem, em Marcos 15:40. A Concordância de Strong indica que Tiago é uma forma helenizada do nome hebraico Jacó.

Bartolomeu (em todas as listas) é o mesmo que Natanael em João 1:45-47; 21:2. O nome aramaico Bartolomeu pode não ter sido o seu primeiro nome, mas sim o seu apelido, uma vez que significa «Bar» (filho de) Talmai/Tolmai/Talmar. Natanael também é aramaico, significando «dom de Deus».

Tadeu é a mesma pessoa que Judas, filho de Tiago, em Lucas 6:16 e Atos 1:13, à semelhança de Pedro e Simão, que são a mesma pessoa. Talvez, após a crucificação, Tadeu não quisesse ser chamado de Judas, devido à potencial confusão com Judas Iscariotes. Judas é um nome hebraico. Alguns manuscritos gregos referem-se a Tadeu, outros a «Lebbaeus» e outros ainda a «Lebbaeus, chamado/conhecido por Tadeu»; «Lebbaeus» é a forma grega de «Levi».

Judas Iscariotes não aparece em Atos 1:13 por razões óbvias.

Quanto aos outros — André, Tiago, filho de Zebedeu, João, Filipe, Tomé e Simão, o Zelote —, é-nos indicado apenas um nome.

Seria plausível acreditar que Natanael, em João 1:43-45; 21:2, não fosse a mesma pessoa que Bartolomeu. Esta interpretação não implicaria um erro na Bíblia, mas apenas que Natanael era um discípulo, embora não fosse um dos doze discípulos.

P: Em Mt 10, 9-10, por que razão os discípulos não deviam adquirir cajados e, em Lc 9, 3, não deviam levar um cajado, uma vez que, em Mc 6, 8-9, deviam levar apenas um cajado?

R: Os cristãos dão três respostas diferentes, mas a terceira resposta é a mais provável.

Várias viagens: Podiam ter feito várias viagens. No entanto, a única razão para sugerir várias viagens é conciliar o facto de levarem um cajado com o de não o levarem.

Palavras gregas diferentes: «adquirir» em Mateus é diferente de «possuir» em Marcos. Podiam levar o cajado que já tinham, mas não levar um extra, nem qualquer outra coisa, aliás. A palavra grega para «levar/adquirir» em Mateus 10:9 pode significar «adquirir» no sentido de «não comprar nem recolher estas coisas». A palavra grega em Marcos 6:8 significa «possuir». A dificuldade desta interpretação reside no facto de a palavra grega em Lucas 9:3 ser simplesmente uma conjugação diferente da mesma palavra grega que aparece em Marcos 6:8.

Erro de transcrição: Talvez as cópias que possuímos de Marcos tenham substituído «apenas» em vez de «não». Embora todas as cópias que possuímos digam «não», em grego a diferença entre «apenas» e «não» reside na adição da palavra grega de duas letras «ei». O livro «Hard Sayings of the Bible», pp. 422-424, menciona um erro de transcrição de natureza diferente, em que Mateus, que normalmente estava muito familiarizado com Marcos, seguiu Lucas neste ponto. Assim, por outras palavras, «apenas/exceto um cajado» em Marcos deveria provavelmente ser «não um cajado», tal como em Mateus e Lucas.

P: Em Mt 10,9-10, os discípulos não deviam adquirir sapatos/sandálias, ou deviam levar sandálias, como diz Mc 6,8-9?

R: A palavra grega em Mateus pode significar «sapatos», enquanto a palavra grega em Marcos não pode significar sapatos. A tradução literal de Green traduz a palavra em Marcos 6:9 como «sandálias atadas por baixo». Lucas 9:3 não menciona nada sobre sapatos ou sandálias.

Assim, em conclusão, provavelmente podiam levar sandálias, mas não sapatos, que seriam mais adequados para longas viagens. Isto é consistente com o facto de também não levarem cajados.

P: Em Mt 10,22; 24,13; e Mc 13,13, o que é exatamente «perseverar até ao fim» de que Jesus falou?

R: Trata-se do fim da grande tribulação.

P: Em Mc 1,15, «O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo», utilizando-se o verbo grego eggizo no pretérito, o que indica que o reino de Deus se aproximou, mas ainda não prevaleceu. Mas em Mt 11,4-5, Jesus revela que o Reino está presente no tempo e está relacionado com a Sua pessoa, porque Mateus não utilizou a expressão «Reino de Deus» nem o verbo eggizo. Por que razão existe esta variação entre os dois evangelhos no que diz respeito ao conceito do Reino?

R: Três pontos a considerar na resposta.

1) Em Marcos 1:15, no início do Seu ministério, antes de Jesus anunciar quem Ele era, Ele disse que o tempo se tinha cumprido (pretérito), pois o Reino de Deus está [agora] próximo. É o tempo que se cumpriu, não o Reino de Deus que se cumpriu.

2) Mateus 11:4-5 não fala de todo do Reino de Deus, muito menos se se trata do pretérito ou do presente. Em vez disso, Jesus falou das boas novas pregadas aos pobres.

3) Para nós, o Reino de Deus está próximo, porque está dentro de nós. No entanto, a plena consumação do Reino de Deus só ocorrerá no futuro.

P: Em Mt 11,14 e Jo 1,21, em que sentido é João o Elias que há de vir?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

1. O próprio Elias apareceu na transfiguração, e Elias provavelmente aparecerá literalmente antes da segunda vinda de Jesus, mas João Batista é uma pessoa diferente de Elias.

2. João cumpriu o papel de Elias previsto em Malaquias 4:5, para a primeira vinda de Cristo, mas o próprio Elias aparecerá para a segunda vinda de Cristo.

3. Como observa Arndt em *Bible Difficulties and Seeming Contradictions*, p. 127, Jesus não disse que João era o antigo Elias que regressara. Em vez disso, Jesus disse que João era o Elias que havia de vir.

4. Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), no capítulo 49 do seu *Diálogo com Trifão, o Judeu*, salienta que a expressão «ter o espírito de outra pessoa» foi utilizada noutros passagens da Bíblia, quando Deus retirou o espírito que estava sobre Moisés e o colocou sobre Josué, e quando Eliseu recebeu uma porção dupla do espírito de Elias. Ninguém interpretaria estes dois exemplos como reencarnação ou como sendo a mesma pessoa, porque, em ambos os casos, o mais velho e o mais novo estavam vivos ao mesmo tempo.

P: Em Mt 11,14 e Jo 1,21, isto corrobora a reencarnação de Elias?

R: Não. A doutrina errada da reencarnação ensina que uma pessoa morre, abandona para sempre o seu antigo corpo e regressa num novo corpo. Elias nunca morreu, e foi ele (e não João Batista) que apareceu a Jesus durante a Transfiguração. Elias regressará no seu próprio corpo no fim dos tempos. Tertuliano (198-220 d.C.) responde bem a esta questão em «Tratado sobre a Alma», cap. 35, pp. 217-218. Acrescenta que o «espírito e o poder» foram concedidos como dons externos pela graça de Deus.

P: Nos Evangelhos, o que se entende por «harmonia» no que diz respeito ao ministério de Jesus no período intermédio?

R: O período intermédio, composto por 24 acontecimentos, inclui as duas multiplicações de pães e estende-se desde o momento em que João Batista foi morto e Jesus deixou a Galileia até ao período em Cesareia de Filipe. Os números referem-se a acontecimentos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a acontecimentos que podem ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Os versículos sublinhados indicam passagens que provavelmente não estão em ordem cronológica.

Período Intermédio do Ministério: Mt 14,13-16,28; Mc 6,30-9,1; Lc 9,11-27; Jo 6,1-7,9

M1. Ao deixarem a Galileia, Jesus e os discípulos retiram-se para Betsaida. Lc 9,10

M2a. As multidões encontram Jesus. Lc 9, 11

M2b. Na margem oposta a Cafarnaum, Jesus prega às multidões e cura. Mt 14, 13-14; Jo 6, 1-4

M3. Na relva (não em Genesaré), a primeira alimentação realizada por Jesus: 5 000 homens, além de mulheres e crianças, com 5 pães e 2 peixes. Eram judeus que tinham estado com Jesus durante um dia. Sobraram 12 cestos. Mt 14, 15-21; Mc 6, 30-44; Lc 9, 12-17; Jo 6, 1-14

M4. A caminho de Genesaré, durante a quarta vigília da noite, Jesus e Pedro caminham sobre as águas. Mt 14, 22-36; Mc 6, 45-52

M5a. Em Genesaré, Jesus cura homens. Mt 14, 34-36; Mc 6, 53-56

M5b. Jesus retira-se para uma montanha. Jo 6, 15

M6a1. A caminho de Cafarnaum, após remarem 3 ou 3 1/2 milhas (4,8 ou 5,6 quilómetros), os discípulos vêem Jesus a caminhar sobre as águas. Jo 6, 16-24a

M6a2. Imediatamente, o barco chega. Jo 6, 24b

M6a3. No lago junto a Cafarnaum, Jesus é o pão da vida. Jo 6, 25-71

M6a4. Até à Festa dos Tabernáculos, Jesus permanece na Galileia. Jo 7, 1-9

M6b. Os fariseus criticam os discípulos de Jesus; o puro e o impuro. Mt 15, 1-20; Mc 7, 1-23

M7. Em Tiro e Sidão, Jesus cura a filha de uma mulher. Mt 15, 21-28; Mc 7, 24-30

M8. Na Decápolis, Jesus cura o homem surdo e mudo. Mc 7, 31-37

M9. Na Galileia, Jesus cura e ensina as multidões. Mt 15, 29-31; Mc 8, 1

M10. À beira do Mar da Galileia, Jesus alimenta pela segunda vez outra grande multidão: 4 000 homens, além de mulheres e crianças, com sete pães e alguns peixinhos. Eram gentios que tinham estado com Jesus durante três dias. Sobraram sete cestos. Mt 15, 32-38; Mc 8, 2-9

M11. Jesus embarca no barco rumo a Magadan/Dalmanuta. Mt 15, 39; Mc 8, 10

M12a. Os fariseus fazem a segunda exigência de um sinal do Céu. Mt 16, 1-4; Mc 8, 11-13

M12b. Jesus fala do fermento e das duas distribuições de pão. Mt 16, 5-12; Mc 8, 14-21

M12c. Em Betsaida, Jesus cura um cego. Mc 8, 22-26

M12d. Perto de Cesareia de Filipe (onde havia uma grande rocha), Pedro confessa que Jesus é o Cristo. Mt 16, 13-20; Mc 8, 27-30; Lc 9, 18-20

M13. Jesus prediz a Sua morte. Mt 16, 21-22; Mc 8, 31; Lc 9, 21-22

M14. Jesus diz a Pedro: «Afasta-te de mim, Satanás». Mt 16, 23; Mc 8, 32-33

M15. O custo de seguir Jesus. Mt 16, 24-28; Mc 8, 34-9, 1; Lc 9, 23-27

P: Nos Evangelhos, quais foram os pressupostos fundamentais utilizados para estabelecer uma harmonia no período intermédio do ministério de Jesus?

R: Eis os pressupostos que utilizei para elaborar esta sequência de acontecimentos.

a) Os Evangelhos seguem uma ordem cronológica no que diz respeito ao período intermédio do ministério de Jesus. Embora possam conter alguns elementos fora de ordem, não há motivos para suspeitar que assim seja.

b) Algumas passagens de Lucas, que coloquei no ministério posterior de Jesus, também se encaixariam nesta secção.

P: Em Mt 12,30, Bart Ehrman questiona: «Algumas palavras de Jesus são transmitidas de formas semelhantes, mas, ainda assim, divergentes. Um dos meus exemplos favoritos deste fenómeno é o par de ditos relatados em Mateus 12,30 e Marcos 9,40. Em Mateus, Jesus declara: “Quem não está comigo está contra mim.” Em Marcos, diz: “Quem não está contra nós está a nosso favor.” Será que Ele disse ambas as coisas? Será que se referiu a ambas as coisas? Como podem ambas ser verdadeiras ao mesmo tempo? Ou será possível que um dos evangelistas tenha invertido a ordem?” Jesus, Interrupted, p. 41

R: Sinceramente, não consigo compreender de todo como é que Ehrman pôde ver isto como uma contradição. Em Mateus 12:22-37 (que corresponde a Marcos 3:20-29), isto ocorre quando lhe trazem um homem possuído por demónios. Muito mais tarde, numa ocasião totalmente diferente, em Marcos 9:38-41, informam Jesus de que outra pessoa está a expulsar demónios. Portanto, é claro que Jesus poderia dizer coisas diferentes em dias diferentes. Talvez Ehrman, de alguma forma, tenha considerado contraditório que, se alguém fosse contra Jesus, pudesse também ser contra os Seus seguidores, ou vice-versa. Mas Jesus previu que os Seus seguidores seriam perseguidos e mortos porque os perseguidores não conhecem o Pai nem a Jesus, em João 16:3. Jesus afirmou em João 15:18-21: «Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro Me odiou a Mim. Se fosses do mundo, o mundo amar-vos-ia como algo que lhe pertence. Em vez disso, o mundo odeia-vos, porque não sois do mundo, mas Eu escolhi-vos do mundo. Lembrai-vos da palavra que vos disse: “Nenhum servo é maior do que o seu senhor.” Se Me perseguiram, também vos perseguirão; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tratar-vos-ão assim por causa do Meu nome.» Jesus identificou-Se intimamente com os Seus seguidores em Mateus 25:34-46, na parábola das ovelhas e dos bodes. Em João 15:1-8, Jesus diz que estamos Nele, tal como os ramos estão ligados à videira.

P: Em Mc 9,40, como se comparam as frases «quem não está contra nós está a nosso favor» e «Não o impeçam», em Lc 9,50, com Lc 11,23: «Quem não está comigo está contra mim»?

R: Existem duas respostas diferentes.

Erro de copista: O livro *Hard Sayings of the Bible*, pp. 466-467, afirma que praticamente todos os manuscritos gregos anteriores ao século VIII, em Lucas 11:23, dizem «contra vós… a vossa favor» em vez de «contra nós… a nosso favor». O livro «When Critics Ask», p. 390, também salienta este facto, afirmando que a KJV está errada neste ponto, uma vez que se baseou apenas nos manuscritos posteriores. Independentemente disso, porém, não há razão para que estas afirmações tenham de ser idênticas, uma vez que foram proferidas em momentos diferentes.

Tipos diferentes de pessoas: A pessoa em Marcos 9:40 e Lucas 9:50 era alguém que não se limitava a tentar expulsar demónios, mas que expulsava demónios com sucesso em nome de Jesus. Em contrapartida, noutro momento, em Lucas 11:23, Jesus repreende pessoas que afirmavam que Ele expulsava demónios por meio de Belzebu.

Seja como for, o homem que expulsava demónios em nome de Jesus estava com Jesus, porque acreditava n’Ele, apesar de se encontrar num local diferente. Hoje em dia, pode ser fácil pensar que alguém é diferente por estar num lugar diferente, numa igreja cristã diferente ou numa cultura diferente e por agir de forma diferente. No entanto, se forem verdadeiros irmãos e irmãs no Senhor, então estão com Jesus. Além disso, não se esqueça de que as pessoas da nossa própria cultura, talvez na nossa própria igreja, que negam os fundamentos do cristianismo estão contra Jesus, independentemente das simpatias culturais que possamos ter por elas.

P: Em Mt 14,15-21; Mc 6,30-44; Lc 9, 12-17; Jo 6, 1-14, Jesus alimentou 5 000 ou 4 000 pessoas, como dizem Mt 15, 32-38 e Mc 8, 2-9? Trata-se de uma história alegórica, e foi por isso que Ele a repetiu? Ou o incidente ocorreu duas vezes na realidade, com detalhes diferentes?

R: Não se trata da mesma história, e ambas são literalmente verdadeiras.

Os 5 000 homens, além das mulheres e crianças (Mateus 14:21; Marcos 6:34-44; Lucas 9:12-17), eram judeus (João 6:14-15) que tinham estado com Jesus durante um dia (João 6:35) e se sentaram na relva, no lado ocidental (judeu) do Mar da Galileia. Foram utilizados cinco pães e dois peixes (Mateus 14:17; Marcos 8:19). As sobras encheram 12 cestos (Mateus 14:20). A alimentação dos 5 000 é o único milagre presente nos quatro evangelhos.

Os 4 000 homens, além de mulheres e crianças (Mateus 15:38), eram provavelmente gentios, que tinham estado com Jesus durante três dias (Marcos 8:2) e se sentaram em terra firme, no lado oriental (não judaico) do Mar da Galileia. Foram utilizados 7 pães e alguns peixes pequenos (Marcos 8:5, 7). As sobras encheram 7 cestos (Marcos 8:8).

Ambos são mencionados em Mateus 16:7-11, bem como em Marcos 6:52. Jesus está disposto e é capaz de cuidar dos judeus, e Jesus está disposto e é capaz de cuidar dos gentios.

Quer nos concentremos em Jesus a alimentar 5 000 judeus em João 6:14-35, quer vejamos Jesus a alimentar 4 000 prováveis gentios, ou ambos, tal como ensinam Mateus 15:38; 16:7-11 e Marcos 6:52, 8:2-8, temos de decidir se escolhemos ou não confiar que o Jesus dos Evangelhos também nos alimentará eternamente.

P: Em Mt 14,15-21; Mc 6,30-44; Lc 9,12-17 e Jo 6,1-14, estavam presentes apenas homens no milagre da alimentação de 5 000 pessoas com peixe e pão, conforme Mc 6,44 e Jo 6,10?

R: Não, não eram apenas homens. A palavra grega andres (andros no singular) é a mesma em Mc 6,44; Lc 9,14 e Mt 14,21 e significa basicamente «homem». Mas Mateus 14,19-21 diz que havia cerca de 5 000 homens, para além das mulheres e das crianças.

Assim, nesta multidão mista, existem duas possibilidades:

a) Havia um número aproximadamente igual de homens e mulheres, e sentavam-se por famílias.

b) Havia muito mais homens do que mulheres e crianças presentes. Por isso, talvez a maioria das mulheres tenha ficado em casa.

P: Os quatro evangelhos relatam a história de Jesus a alimentar o povo, com os mesmos pormenores: (5 pães, 2 peixes, 5 000 comensais, sobraram 12 cestos). (Mt 14, 15- ); (Mc 6, 38-); (Lc 9, 12- ); (Jo 6, 3-). A questão é: até que ponto este episódio é importante, para que os quatro evangelhos o tenham relatado com os mesmos pormenores? Quais são as verdades teológicas nele contidas e qual é o seu significado?

R: Este incidente aconteceu realmente, embora também houvesse aqui um simbolismo espiritual deliberado. Tal como Jesus conseguiu realizar um milagre e alimentar fisicamente 5 000 homens judeus, além de mulheres e crianças, também pode confiar em Jesus para o alimentar espiritualmente.

P: Em Lc 9, 52-53, os samaritanos rejeitaram Cristo e não O receberam, ou será que uma grande multidão de samaritanos foi ao encontro de Cristo em Jo 4, 39-40?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras de três formas diferentes.

a) Estes dois acontecimentos ocorreram em momentos diferentes do ministério de Jesus. A aceitação ocorreu no início do ministério de Jesus, e a rejeição ocorreu no final do Seu ministério, quando sabiam que Jesus se dirigia para Jerusalém.

b) Ocorreram em locais diferentes; quando um grupo de pessoas, por exemplo, um grupo de africanos, aceita algo, isso não significa que todos os africanos, em qualquer lugar, devam aceitar a mesma coisa da mesma forma.

c) No entanto, mesmo entre os judeus, alguns seguiram Jesus durante algum tempo e depois afastaram-se. João 6:66 diz que alguns dos discípulos de Jesus voltaram para trás e deixaram de O seguir. Entre estes, poderiam ter-se incluído samaritanos, bem como judeus.

Consulte «When Critics Ask», p. 390, para obter uma resposta complementar.

P: Em Lc 9, 52-53, o que é que os samaritanos tinham contra os judeus?

R: Eles e os judeus tinham divergências a nível histórico, teológico, religioso, militar e político.

Historicamente, os samaritanos constituíam a região da capital do reino do norte. Após o tempo de Salomão, abandonaram a verdadeira adoração a Deus e adoraram dois bezerros de ouro. Durante o exílio, eram uma mistura de pessoas que permaneceram na terra e de colonos não israelitas trazidos pelos assírios.

Neemias recusou-se a permitir que participassem na construção da cidade de Jerusalém, e eles opunham-se à sua reconstrução. O livro apócrifo de Eclesiástico 50:25-26 refere os samaritanos, os idumeus [edomitas] e os filisteus como as três nações mais detestadas por Israel.

Teologicamente, os samaritanos, no tempo de Jesus, acreditavam que apenas os primeiros cinco livros do Antigo Testamento constituíam as Escrituras, e que a casa de Deus deveria ser construída no Monte Gerizim (em Samaria), e não em Jerusalém.

Do ponto de vista religioso, o culto a Deus no templo de Jerusalém devia ser realizado por sacerdotes descendentes de Aarão, assistidos por descendentes de Levi. Os samaritanos tinham os seus próprios sacerdotes e servos do templo.

Do ponto de vista militar, quando os selêucidas tentaram obrigar os judeus a sacrificar aos deuses gregos, os samaritanos ajudaram os selêucidas a perseguir aqueles que desejavam seguir Deus e não adorar ídolos. Quando o macabeu João Hircano I chegou ao poder, incendiou o templo samaritano no Monte Gerizim e destruiu a cidade de Samaria em 127 a.C.

A nível político, Herodes, o Grande, angariou fundos para reconstruir o templo samaritano no Monte Gerizim. No entanto, quando os samaritanos souberam que Herodes também iria reconstruir o templo em Jerusalém, recusaram os fundos.

P: Em Mt 16,4 e Mc 8,12, não seria dado qualquer sinal ao povo, ou não seria dado qualquer sinal, exceto o sinal de Jonas mencionado em Lc 11,29-30?

R: Há três pontos a considerar na resposta.

1. Embora Jonas tenha vivido um milagre, o povo de Nínive não o viu. Jonas não deu ao povo de Nínive nenhum sinal milagroso a exortá-los ao arrependimento; eles tinham apenas Jonas e a sua mensagem. O único «sinal» de que dispunham não era um milagre que pudessem observar, mas sim um homem. Jonas, que pregava aos ninivitas, era tudo o que eles tinham para ver. Poder-se-ia dizer que a mensagem de Jonas foi autenticada pelo milagre de ter sido engolido por um grande peixe e ter sobrevivido. No entanto, os ninivitas apenas puderam ouvir falar do milagre; não o viram com os próprios olhos.

2. Isto contrasta com o Êxodo, onde todos os israelitas puderam ver a nuvem milagrosa durante o dia e a coluna de fogo durante a noite.

3. Jesus veio «à maneira de Jonas», e não à maneira do Êxodo. Jesus não veio na glória celestial e, embora tenha realizado milagres que autenticavam a Sua mensagem, a maioria das pessoas não viu os milagres, apenas ouviu falar deles.

Resumo: O aparecimento repentino de Jesus foi semelhante ao de Jonas em Nínive. Por vezes, as pessoas só querem aceitar algo se a evidência se apresentar na forma que preferem ver. Tanto para os ouvintes de Jonas como para os de Jesus, era necessário ouvir a mensagem e não fechar os olhos, deixando de ver aquilo que não esperavam.

P: Em Mt 16,4; Mc 8,12 e Lc 11,29-30, por que razão não seriam dados sinais ao povo, uma vez que Jesus realizou muitos milagres?

R: Embora todos tivessem ouvido falar dos milagres que Jesus realizou, a maioria das pessoas não testemunhou nenhum deles. A maior audiência dos milagres — a alimentação dos 5 000 na relva e a alimentação dos 4 000 em terra firme — continuava a ser uma pequena minoria da população que vivia na Palestina naquela época.

Tanto naquela altura como posteriormente, os milagres servem para fortalecer a fé, mas, por si só, raramente conseguem converter uma pessoa da incredulidade à fé, especialmente se essa pessoa não quiser acreditar. Lembre-se de que alguns dos fariseus viram, de facto, a mão atrofiada do homem ser restaurada diante dos seus próprios olhos e, mesmo assim, continuaram a não querer seguir Jesus.

P: Em Mt 16,16; Mc 8,29 e Lc 9,20, quais foram as palavras exatas de Jesus? Mateus 16,16 diz: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo». Marcos 8:29 diz: «Tu és o Cristo». Lucas 9:20 diz: «O Cristo de Deus». Qual foi a verdadeira forma da sua confissão? E por que razão existe esta variação na resposta de Pedro?

R: Isto mostra-nos que os autores dos evangelhos parafrasearam e não incluíram todos os pormenores. É claro que «Tu és o Cristo de Deus» é simplesmente uma versão mais pormenorizada de «Tu és o Cristo». Mateus é quem apresenta mais pormenores. Além disso, não sabemos se isto foi dito em grego ou em aramaico. Papias afirma que Mateus escreveu originalmente na «língua dos hebreus» (aramaico), enquanto os outros três evangelistas escreveram em grego. Assim, embora conheçamos o significado do que Pedro declarou, não conhecemos as palavras exatas.

P: Em Lc 18,7, as nossas orações devem ser incessantes (contínuas), ou Jesus opunha-se àqueles que pensavam que as suas orações seriam ouvidas devido às suas muitas palavras, conforme Mt 6,7?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. Deus olha para a força da nossa oração, não para a sua duração. Devemos orar sem cessar (1 Tessalonicenses 5:17), mas não pensem que o que importa são as palavras incessantes, mas sim o nosso coração. Da mesma forma, no tempo de Neemias, deviam construir o muro para a sua defesa, mas não deviam confiar no muro para a sua defesa, mas sim em Deus.

P: Nos Evangelhos, o que se entende por «harmonia» no que diz respeito ao ministério posterior de Jesus?

R: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para estes 67 acontecimentos, os números referem-se a acontecimentos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a acontecimentos que podem ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Se alguém acreditasse que os Evangelhos estavam todos em ordem cronológica para esta parte do ministério de Jesus, não veria qualquer problema.

Ministério posterior: Mt 17,1-20,34; Mc 9,2-10,52; Lc 9,28-19,28; Jo 7,10-11,57

L1. Cerca de oito dias (ou seis dias) depois, Jesus levou Pedro, Tiago e João ao Monte da Transfiguração (provavelmente o Monte Tabor). Mt 17,1-8; Mc 9,2-8; Lc 9,28-35

L2. Não o revelem até à ressurreição. Mt 17, 9; Mc 9, 9-10; Lc 9, 36

L3. Jesus fala sobre Elias. Mt 17, 10-13; Mc 9, 11-13

L4. No dia seguinte, Jesus cura um rapaz epiléptico que os discípulos não conseguiram curar. Mt 17, 14-21; Mc 9, 14-29; Lc 9, 37-45

L5. Na Galileia, Jesus volta a predizer a Sua morte. Mt 17, 22-23; Mc 9, 30-32

L6a. Em Cafarnaum (na margem norte do Lago da Galileia), Jesus paga o imposto do Templo com moedas encontradas na boca de um peixe. Mt 17, 24-27

L6b. Nessa altura, os discípulos discutem sobre quem é o maior (o que pode ter ocorrido várias vezes). Mt 18, 1-9; Mc 9, 33-37; Lc 9, 46-48

L6c. João e os discípulos dizem a outro que pare de expulsar demónios em nome de Jesus. Mc 9, 38-41; Lc 9, 49-50

L6d1. A caminho de Jerusalém, os samaritanos não receberão Jesus de braços abertos. Lc 9, 51-56

L6d2. Enquanto caminhava pela estrada, o compromisso de um discípulo: raposas, mortos, família. Lc 9, 57-62

L6d3. Jesus envia os setenta e dois. Lc 10, 1-24

L7a1. Em Jerusalém, na Festa dos Tabernáculos (5.º dia do 7.º mês), Jesus chega. Jo 7, 10-52

L7a2. Em Jerusalém, a mulher apanhada em adultério. Jo 8, 1-11

L7a3. O testemunho de Jesus é válido. Jo 8, 12-59

L7b. Jesus cura um cego, que se dirige aos fariseus. Jo 9, 1-41

L7c1. Jesus ensina sobre o pastor. Jo 10, 1-21

L7c2. Na Festa da Dedicação [Inverno], na área do Templo em Jerusalém, Jesus diz: «Eu e o Pai somos um». Jo 10, 22-39

L7c3. Jesus dirige-se ao local onde João Batista tinha estado a batizar. Jo 10, 40-42

L7d1. A pergunta do doutor da lei sobre quem é o meu próximo. Lc 10, 25-28

L7d2. A parábola do bom samaritano. Lc 10, 29-37

L7d3. [Provavelmente em Betânia da Judeia], Maria, a devota, e Marta, a trabalhadora. Lc 10, 38-42

L7e. Em Betânia da Judeia, Jesus ressuscita Lázaro dos mortos. Jo 11, 1-44

L7f. Um dia, Jesus ensinou aos Seus discípulos como orar, utilizando a Oração do Senhor (provavelmente pela segunda vez). Lc 11, 1-13

L7g1. Jesus expulsa um demónio que deixava uma pessoa muda, acusado de estar aliado a Belzebu. Lc 11, 14-26

L7g2. Uma mulher abençoa a mãe de Jesus; Jesus discorda dela. Lc 11, 27-28

L7h. À medida que as multidões aumentavam, Jesus diz que só lhes é dado o sinal de Jonas. Lc 11, 29-32

L7i1. A lâmpada do corpo. Lc 11, 33-36

L7i2. Na casa do fariseu, profere seis «ai de vós». Lc 11, 37-53

L7i3a1. Entretanto, ensina sobre revelar na luz. Lc 12, 1-7

L7i3a2. Reconhecer Jesus perante os homens e a blasfémia contra o Espírito Santo. Lc 12, 8-12

L7i3b. A parábola do rico insensato. Lc 12, 13-21

L7i3c. Parábola sobre a necessidade de estar vigilante para o regresso do senhor. Lc 12, 35-48

L7i3d. Profecia sobre a divisão entre as famílias. Lc 12, 49-53

L7i3e. Interpretar os tempos. Lc 12, 54-59

L7i3f Jesus menciona os galileus que morreram quando a Torre de Siloé ruiu. Lc 13, 1-9

L7j Num sábado, Jesus cura uma mulher aleijada. Lc 13, 10-17

L6k. Parábolas do grão de mostarda e do fermento. Lc 13, 18-21

L6l1. Ao percorrer as cidades e aldeias, as parábolas da porta estreita e a tristeza por Jerusalém. Lc 13, 22-30

L6l2. Naquela altura, a tristeza de Jesus por Jerusalém. Lc 13, 31-35

L6m. Num sábado, na casa de um fariseu proeminente, Jesus cura um homem com hidropisia e conta a parábola do grande banquete. Lc 14, 1-24

L6n. Quando grandes multidões se encontravam com Jesus, Ele falou, pela segunda vez, do custo de ser discípulo: pais, parábolas da torre, do rei e do sal. Lc 14, 25-35

L6o. Ensinamento sobre as criancinhas. Mt 18, 10-11

L6p. Parábola da ovelha perdida. Mt 18, 12-14; Lc 15, 1-7

L6q1. Parábola da moeda perdida. Lc 15, 8-10

L6q2. Jesus continuou com a parábola do filho pródigo. Lc 15, 11-32

L6r. Parábola do administrador astuto. Lc 16, 1-15

L6s. Ensinamento sobre o perdão e o servo impiedoso. Mt 18, 15-35

L6t. Ensinamento sobre João e a Lei. Lc 16, 16-17

L6u. Viajou da Galileia para a Transjordânia. Mt 19, 1-2; Mc 10, 1

L6v. Ensinamento sobre o divórcio. Mt 19, 3-12; Mc 10, 2-12; Lc 16, 18

L6w. Parábola do homem rico e de Lázaro. Lc 16, 19-31

L6x. Aos seus discípulos, Jesus ensina sobre o pecado, a parábola da árvore plantada no mar e a parábola do dever do servo. Lc 17, 1-10

L6y. Entre a Galileia e a Samaria, a caminho de Jerusalém, Jesus curou 10 leprosos (…onde estão os outros 9?). Lc 17, 11-19

L6z. Os fariseus perguntam como virá o reino de Deus. Lc 17, 20-37

L7a. Parábola da viúva persistente. Lc 18, 1-8

L7b. Parábola do fariseu e do publicano. Lc 18, 9-14

L7c. As pessoas levavam bebés a Jesus para que os abençoasse; os discípulos repreendem-nas. Mt 19, 13-15; Mc 10, 13-16; Lc 18, 15-17

L7d. O jovem rico faz uma pergunta: … o buraco da agulha. Mt 19, 16-30; Mc 10, 17-31; Lc 18, 18-30

L8. Parábola dos trabalhadores da vinha. Mt 20, 1-16

L9. A caminho de Jerusalém, Jesus prediz a sua morte e ressurreição. Mt 20, 17-19; Mc 10, 32-34; Lc 18, 31-34

L10a. A mãe de Tiago e João acompanha-os para apresentar um pedido a Jesus. Mt 20, 20-28; Mc 10, 35-45

L10b. Ao sair de Jericó (provavelmente a Antiga Jericó), Jesus cura dois cegos que clamam: «Senhor, Filho de David, tem misericórdia de nós!» (BSB) Mt 20, 29-34

L10c. Ao entrar em Jericó (provavelmente a Nova Jericó), Jesus cura um cego, Bartimeu, que clama: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» (BSB) Mc 10, 46-52; Lc 18, 35-43

L11a. Em Jericó, Jesus encontra Zaqueu. Lc 19, 1-10

L11b. Perto de Jerusalém (as duas Jericós ficavam a 15-17 milhas, 24-27 quilómetros, a nordeste de Jerusalém), Jesus conta a parábola dos dez servos e das dez minas. Lc 19, 11-28

L12. Caifás e o Sinédrio conspiram para matar Jesus. Jo 11, 45-53

L13. Assim, Jesus retira-se para a aldeia de Efraim. Jo 11, 54

P: Nos Evangelhos, quais foram os pressupostos fundamentais utilizados para harmonizar o ministério posterior de Jesus?

R: Tudo assenta em pressupostos e, se outra pessoa utilizasse os mesmos pressupostos, obteria uma lista muito semelhante. Eis os pressupostos para a sequência anterior.

a) Todos os evangelhos seguem uma ordem cronológica no que diz respeito ao ministério posterior de Jesus. Embora possam estar desordenados, não há motivo para suspeitar que o estejam.

b) Algumas das passagens de João, aqui incluídas, poderiam ter ocorrido durante a fase intermédia do ministério de Jesus.

c) Os seguintes acontecimentos ocorreram apenas uma vez: a Transfiguração, a parábola da ovelha perdida, o jovem rico.

d) A ressurreição de Lázaro, irmão de Maria e Marta, ocorreu aproximadamente na mesma altura em que Jesus se encontrava na casa delas.

P: Será que Mt 19,16-17; Mc 10,18 e Lc 18,19 provam que Jesus não é Deus? (Os muçulmanos têm referido isto)

R: Não, mas é importante reconhecermos aqui que Jesus está a relacionar o facto de o homem O ter chamado de «bom» com a afirmação de que Jesus é Deus. Ou:

a) Jesus era Deus, e Ele estava a perguntar ao homem por que razão o chamava de «bom», a menos que este estivesse a reconhecer que Jesus era Deus, ou

b) Jesus estava a negar que era Deus, como evidenciado pelo facto de Jesus não ser completamente bom.

Não pode ser das duas formas. Concorda?

Então, qual é a verdade? Jesus era completamente bom (e Deus) ou não?

Então, concorda que Jesus estava imaculado pelo pecado?

Na Bíblia, 2 Coríntios 5:21, Hebreus 4:15 e 1 Pedro 1:18-19 afirmam que Jesus não tinha pecado.

Jesus chegou mesmo a perguntar, em João 8:46a: «Quem de vós pode provar que sou culpado de pecado?»

Jesus teve o cuidado de não utilizar a palavra «bom» de ânimo leve, mas, no entanto, referiu-se explicitamente a Si próprio como o bom pastor em João 10:11.

Para os muçulmanos, o Alcorão afirma que Jesus era puro na Sura 3:45. Os hadiths muçulmanos afirmam que Jesus não foi tocado pelo pecado em Sahih Muslim, vol. 4, n.º 5837 (p. 1261), em Bukhari, vol. 4, livro 55, cap. 38, n.º 641, p. 426, e em Bukhari, vol. 4, livro 54, cap. 10, n.º 506, p. 324.

P: Em Mt 19:16-30; Mc 10:17-31; Lc 18:18-30, o que é que Jesus está exatamente a dizer que é impossível para o homem, mas que todas as coisas (incluindo esta) são possíveis com Deus?

R: Entrar no reino dos céus (a salvação) é difícil e, sem Deus, impossível. Vejamos primeiro o caso específico do jovem rico e, em seguida, os casos gerais, para observarmos duas aplicações.

À primeira vista, o jovem rico parecia estar no caminho certo, com o seu conhecimento da Lei de Deus. No entanto, ficou aquém da justiça necessária para ir para o céu, porque demonstrou que, se tivesse de escolher entre as suas riquezas e seguir Jesus, não conseguiria renunciar às suas riquezas.

A primeira aplicação é que, muitas vezes, é mais difícil para as pessoas ricas do que para as outras serem suficientemente justas para chegar ao céu, porque lhes é muito difícil confiar em Deus se isso significar que têm de abdicar das suas riquezas. Abraão era muito rico e foi para o céu, pelo que não são as riquezas em si que constituem o problema. É o amor ao dinheiro que é a raiz de todo o mal.

No entanto, generalizando ainda mais, as pessoas que não são ricas também têm problemas. As pessoas podem confiar nas suas próprias capacidades, ou desejar os seus hábitos pecaminosos, amores menores e até mesmo ódios, de tal forma que, se Jesus as chamasse para abandonarem tudo isso e O seguirem, elas não o fariam.

De facto, uma segunda aplicação é que 100% de todas as pessoas que já viveram, com exceção de Jesus, ficam aquém da justiça de que necessitam para ir para o céu. Mesmo que Deus perdoasse todos os nossos pecados passados e dissesse: «basta não pecarem a partir deste momento e irão para o céu», mesmo assim, não o conseguiríamos. Os nossos corações não são perfeitos; temos uma natureza pecaminosa e precisamos de ser purificados.

Assim, devido aos nossos corações, é impossível que as pessoas vão para o céu; e se a história terminasse aqui, o céu estaria vazio de pessoas. No entanto, o que é impossível para as pessoas é possível para Deus. Apesar de os nossos corações não serem perfeitos, de termos pecado no passado e de ainda irmos pecar no futuro, Deus, para quem tudo é possível, abriu um caminho para que o homem pecador pudesse ir para o céu. Esse caminho é Jesus Cristo. É um pouco como o homem que se dirigiu a Jesus para que curasse o seu filho, e Jesus perguntou-lhe se acreditava. O homem respondeu: «Eu acredito; ajuda a minha incredulidade!» Devemos ser sinceros e honestos para com Deus, mas parte de sermos honestos para com Deus consiste em confessar-Lhe quando somos insinceros e hipócritas.

O jovem rico poderia ter dito: «Jesus, peço desculpa, mas não consigo abdicar das minhas riquezas agora; estou escravizado a elas. Tenha piedade de mim, liberte-me da minha escravidão ao pecado e assuma o controlo da minha vida, tal como ela é, para que eu O siga.» Mas, em vez disso, o homem rico afastou-se. Corrie ten Boom foi uma cristã que sobreviveu ao campo de concentração nazi de Bergen-Belsen. Certa vez, após a guerra, quando ela falava sobre o amor de Deus, um homem aproximou-se no final para lhe apertar a mão. Ela reconheceu-o como um dos cruéis guardas do campo de concentração. Após a guerra, ele tinha encontrado Cristo, mas Corrie, apesar das palavras que acabara de dirigir a todos, não conseguiu apertar-lhe a mão. Ela orou em silêncio: «Jesus, não consigo perdoá-lo. Dá-me o Teu perdão.» Então, incrivelmente, a sua mão estendeu-se e conseguiu apertar-lhe a mão. (O Refúgio, p. 238)

Na nossa sociedade próspera, por vezes, enquanto cristãos, podemos facilmente esquecer o importante conceito da grande dependência que temos de Deus. Se pensa que pode realizar tudo o que precisa de fazer sem Deus, então os objetivos a que aspira são demasiado modestos. Uma vantagem das pessoas pobres — definidas como aquelas que não sabem como vão comer daqui a dois dias — é que sabem que a verdadeira autossuficiência não passa de uma ilusão para elas. Na verdade, porém, a autossuficiência é uma ilusão para todos.

P: Em Mt 20,20, foi a mãe de Tiago e João que fez este pedido a Jesus, ou foram Tiago e João que o fizeram, como diz Marcos 10,35?

R: A mãe e os filhos dirigiram-se todos a Jesus. Em Mateus 20:22, Jesus pergunta imediatamente se vocês (ou seja, dirigindo-se a Tiago e João) são capazes de beber o cálice que Jesus irá beber. Eles (os filhos) responderam que eram capazes.

P: Em João 14:2, por que razão foi Jesus preparar um lugar para eles, uma vez que o céu lhes estava preparado desde a fundação do mundo, conforme Mateus 25:34?

R: Deus está tanto no tempo como para além do tempo. Antes mesmo de o tempo ter começado, Deus sabia quem iria para o Céu, o que pressupõe que Deus sabia que iria preparar um lugar para eles. A morte de Jesus foi necessária para abrir o Céu a todos os que para lá iriam.

A título de uma analogia simples, quando um casal adota uma criança, tem de preparar a casa para ela. A casa já está construída, mas o casal pode comprar um berço ou uma cama, comida e talvez decorações para a celebração.

Além disso, 1 Coríntios 3:11-15 mostra que pessoas diferentes recebem recompensas diferentes no Céu.

P: Em Mt 20, 29-34, Jesus curou dois cegos ao sair de Jericó, ou um cego ao sair de Jericó, como diz Mc 10, 46-52?

R: Existem duas possibilidades.

Dois acontecimentos: Jesus poderia ter curado o cego Bartimeu e também ter curado outros dois cegos, quer antes, quer depois de Bartimeu. Uma vez que Jesus tivesse curado pelo menos um cego, seria de facto curioso que os habitantes da cidade tivessem conhecimento disso e que nem um único cego mais se tivesse aproximado de Jesus para ser curado. É provável que Jesus tenha curado ainda mais pessoas em Jericó do que aquilo que os autores dos Evangelhos registaram. O livro «When Critics Ask», na página 353, afirma que, se Jesus curou um cego ao entrar em Jericó e alguém viu isso e contou aos outros, pode ter a certeza de que haveria outros cegos à espera de Jesus na altura em que Ele partisse de Jericó.

Um acontecimento: Marcos 10:46-52 menciona apenas um dos cegos (Bartimeu). Talvez Marcos não tivesse conhecimento de que havia dois cegos. É claro que, se houvesse dois cegos, um dos quais se chamava Bartimeu, então afirmar que havia um cego é correto, mas impreciso.

Consulte também a próxima pergunta para obter mais informações sobre as duas cidades chamadas Jericó.

P: Em Mt 20,29-34 e Mc 10,34-52, Jesus curou os cegos ao sair de Jericó ou ao entrar nela, como diz Lc 18,35?

R: Provavelmente tratou-se apenas de um único acontecimento que ocorreu enquanto Jesus viajava entre as duas cidades chamadas Jericó.

A antiga Jericó (Tell es-Sultan) situa-se a noroeste da Jericó moderna (er-Riha). Foi destruída por Josué, mas reconstruída, conforme 1 Reis 16:34. Na época de Jesus, viviam ali principalmente judeus.

A Jericó do Novo Testamento (em Tulul Abu el-’Alayiq) era, sobretudo, uma cidade gentia construída em torno do palácio de inverno de Herodes, o Grande, que ali faleceu por volta de 4 a.C. O local situa-se a cerca de 3/4 a 1 milha (1,2 a 1,6 quilómetros) a sul ou sudoeste da antiga Jericó. O palácio de inverno possuía duas piscinas, um grande banho romano e seis mikvás privadas, que eram locais de ablução ritual judaica. Um mapa que mostra o palácio e as piscinas da nova Jericó encontra-se no *New International Dictionary of the Bible*, pp. 511-512.

P: Nos Evangelhos, o que se entende por «harmonia» para a Semana da Paixão, a última semana antes da Ressurreição?

R: É importante distinguir entre o que se diz estar em ordem e o que pode estar em ordem. Para estes 104 acontecimentos, os números referem-se a acontecimentos que devem seguir os números anteriores. Letras como a, b, c referem-se a acontecimentos que podem ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Se alguém acreditasse que os Evangelhos estavam todos em ordem cronológica nesta secção, não veria qualquer problema.

Semana Santa: Mt 21,1-27,66; Mc 11,14-15,47; Lc 19,29-23,56; Jo 12,11-19,42

P1. Em Betânia, seis dias antes da Páscoa, na véspera da entrada triunfal, Jesus participa numa festa em sua honra na casa de Simão, o leproso, onde Maria servia. Lázaro também se encontra reclinado ali. Jesus é ungido, pela segunda vez, por Maria com meio litro de nardo, no valor de um salário anual, proveniente de um vaso de alabastro. (Note-se que se trata da cidade onde Lázaro vivia, e não da casa.) Judas Iscariotes e os discípulos queixam-se. Jo 12, 1-12a; Mt 26, 6-13; Mc 14, 3-9

P2. Jesus em Betfagé, no Monte das Oliveiras. Mt 21, 1; Mc 11, 1-6; Lc 19, 29-34

P3. Jesus diz-lhes para trazerem um jumentinho e a mãe. Mt 21, 2-6; Mc 11, 2-6; Lc 19, 29-34

P4. Os discípulos regressam com a jumenta e o jumentinho. Mt 21, 7a; Mc 11, 7-10; Lc 19, 35; Jo 12, 14-15

P5. No Domingo das Ramos, a Entrada Triunfal. Mt 21, 7b-11; Mc 11, 7-11a; Lc 19, 35-44; Jo 12, 12b-19

P6a. Jesus prediz a Sua morte, e o Pai fala do Céu. Jo 12, 20-50

P6b. Jesus passa a noite em Betânia. Mc 11, 11b

P6c. [Domingo ou segunda-feira, ou ambos] Jesus expulsa os cambistas do templo pela segunda vez. Mt 21, 12-13; Lc 19, 45-48

P6d1. No templo, Jesus cura cegos e coxos. Mt 21, 14-16

P6d2. Jesus passa a noite em Betânia. Mt 21, 17

P7. De manhã cedo do dia seguinte [segunda-feira ou terça-feira], ao regressar a Jerusalém, Jesus amaldiçoa uma figueira. Mc 11, 12-14. Note-se que esta é a segunda ida de Jesus ao templo.

P8. De manhã cedo [terça-feira ou quarta-feira], Jesus amaldiçoa uma figueira pela segunda vez. Mt 21, 18-19a

P9a. Imediatamente, a figueira murcha. Mt 21, 19b-22

P9b. A figueira murcha. Mc 11, 20-25

P10. Jesus entra no templo, discute a autoridade (Mt 21, 23-32) e expulsa os cambistas pela terceira vez. Mc 11, 15-18 (Nota: seria estranho se Jesus os expulsasse num dia e lhes permitisse ficar no dia seguinte.)

P11. Ao anoitecer, partem da cidade. Mc 11, 19

P12. Num dia [terça ou quarta-feira], no Templo, Jesus é questionado sobre a Sua autoridade. Mc 11, 27-33; Lc 20, 1-8

P13. Parábola dos lavradores. Mt 21, 33-46; Mc 12, 1-12; Lc 20, 9-19

P14. Jesus conta a parábola do banquete de casamento. Mt 22, 1-14

P15a. Os fariseus e os herodianos perguntam sobre o pagamento de impostos a César. Mt 22, 15-22; Mc 12, 13-17; Lc 20, 20-26

P15b. Os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição. Mt 22, 23-33; Mc 12, 23-27; Lc 20, 27-39

P16. Depois dos saduceus, um fariseu pergunta qual é o maior mandamento. Mt 22, 34-40; Mc 12, 28-33

P17a. Ninguém mais fez perguntas a Jesus. Mt 22, 46; Mc 12, 34; Lc 20, 40

P17b. Enquanto os fariseus estavam reunidos, Jesus faz uma pergunta sobre o Salmo 110, 1. Mt 22, 41-45; Mc 12, 35-37; Lc 20, 41-44

P18a. Jesus repreende os escribas e os fariseus. Mt 23; Mc 12, 38-40; Lc 20, 45-47

P18b. Jesus observa a oferta da viúva. Mc 12, 41-44; Lc 21, 1-4

P19. Ao sair do templo, Jesus profetiza a sua ruína. Mt 24, 1-2; Mc 13, 1-2; Lc 21, 5-6

P20. No Monte das Oliveiras, Jesus ensina sobre o fim dos tempos. Mt 24, 3-44; Mc 13, 3-37; Lc 21, 7-36

P21. Todos os dias, no Templo, Jesus ensina e passa a noite no Monte das Oliveiras. Lc 21, 37-38

P22. Três parábolas sobre o regresso do Mestre. Mt 24, 45-25, 30

P23a. O ensinamento sobre o julgamento das ovelhas e dos bodes perante o trono de Jesus. Mt 25, 31-46

P23b. A dois dias da Páscoa, os sumos sacerdotes e os anciãos conspiram para prender Jesus. Mt 26, 1-5; Mc 14, 1-2; Lc 22, 1-2

P24. Judas fala secretamente com os sacerdotes para trair Jesus. Mt 26, 14-16; Mc 14, 10-11; Lc 22, 2-6

P25. No primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, preparam a Última Ceia. Mt 26, 17-19; Mc 14, 12-16; Lc 22, 7-13

P26. Jesus lava os pés dos Seus discípulos. Jo 13, 1-18

P27. Numa grande sala no andar de cima (Mc 14, 15), celebram a Ceia do Senhor. Mt 26, 20-29; Mc 14, 17-25; Lc 22, 14-23; 1 Cor 11, 23-26

P28. Jesus diz que Judas O trairá. Jo 13, 18-28a

P29. O novo mandamento de Jesus: que se amem uns aos outros. Jo 13, 31-35

P30. No meio da Última Ceia, Judas retira-se. Jo 13, 28b-30

P31. Quer durante a Última Ceia, quer pouco depois, surge outra discussão sobre quem é o maior. Lc 22, 24-30

P32a1. Depois de Judas se ter ido embora, a caminho do Monte das Oliveiras, Jesus prediz que Pedro O negará três vezes. Mt 26, 30-35; Mc 14, 26-31; Lc 22, 31-38; Jo 13, 36-38

P32a2. No Jardim do Getsêmani, no Monte das Oliveiras. Mt 26, 36-46; Mc 14, 32-43a; Lc 22, 39-46

P32b. Da Última Ceia ao Monte das Oliveiras, Jesus fala. Jo 14, 1-16, 33

P33. A oração de Jesus antes da prisão. Jo 17, 1-26

P34. Depois de Jesus terminar a oração, atravessam o Vale do Cedron e dirigem-se a um olival. Jo 18, 1

P35. Prisão de Jesus. Mt 26, 47-56; Mc 14, 43b-52; Lc 22, 47-53; Jo 18, 2-11

P36. Dirigem-se à casa de Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote. Lc 22, 54; Jo 18, 12-13.

P37. Jesus foi enviado para a casa de Caifás. Jo 18, 24. Mt 26, 56-57 e Mc 14, 51-53 omitem o que se passou anteriormente e limitam-se a mencionar isto.

P38a1. No pátio do sumo sacerdote, ou nas suas proximidades, Jesus é julgado pelo Sinédrio. Mt 26, 57-68; Mc 14, 53-65; Lc 22, 66-71; Jo 18, 12-14; Jo 18, 19-23

P38b1. Como «este discípulo» [João] era conhecido do sumo sacerdote, entrou no pátio. Depois, voltou a sair, falou com a rapariga/empregada/serva de serviço e fez entrar Pedro pela porta. Jo 18, 15-16

P38b2. 1.ª acusação: No pátio, uma rapariga/empregada/serva do sumo sacerdote, que se encontrava à porta, aproximou-se dele (Mt), passou por ele (Mc) e olhou para Pedro à luz da fogueira, tendo-lhe dito que ele estava com Jesus. Pedro estava a aquecer-se no pátio. Mt 26, 69; Mc 14, 66-67; Lc 22, 54-56; Jo 18, 17a

P38b3. 1.ª negação: Pedro negou Jesus, dizendo: «Mulher, não O conheço» (Lc), «Não sei do que está a falar» (Mt) ou «Não sei nem compreendo do que está a falar» (Mc), perante todos (Mt). Mt 26, 70; Mc 14, 68; Lc 22, 57; Jo 18, 17

P38b4. Segunda ronda de acusações: Então Pedro dirigiu-se para o portão (Mt), e outra rapariga [allu] disse à multidão: «Este homem estava com Jesus de Nazaré» (Mt). Pedro foi acusado: «Tu também és um deles.» (Lc) A criada (Mc), ao ver Pedro novamente, disse à multidão: «Este homem é um deles.» (Mc) Perguntaram a Pedro: «Não és também tu um dos Seus discípulos?» (Jo) Mt 26,71; Mc 14,69; Lc 22,58a; Jo 18,25a

P38b5. Segunda negação: Pedro, com um juramento, disse: «Não sou» (Jo), «Homem [anthrope], não sou.» (Lc) «Não conheço esse homem!» (Mt), e negou Jesus pela segunda vez. Mt 26, 72; Mc 14, 70a; Lc 22, 58b; Jo 18, 25b

P38b6a. Terceira ronda de acusações: Cerca de uma hora depois (Lc), os que estavam por perto [uma pequena multidão?] afirmaram que Pedro era um deles e referiram o seu sotaque galileu. Mt 26,73; Mc 14,70b; Lc 22,59

P38b6b Um dos servos do sumo sacerdote, parente do homem a quem Pedro tinha cortado a orelha, confrontou Pedro, afirmando que o tinha visto no olival. Jo 18, 26

P38b7. Terceira negação: Pedro praguejou, dizendo: «Homem, não sei do que está a falar» (Lc), «Não conheço esse homem!» (Mt) ou «Não conheço este homem de quem falam!» (Mc, Jo), e negou Jesus pela terceira vez. Imediatamente, enquanto ainda estavam na casa, o galo cantou. Jesus olhou para Pedro (Mt 26, 74-75; Mc 14, 71-72; Lc 22, 60-62; Jo 18, 27).

P38c. Judas enforca-se. (A corda partiu-se antes ou depois de ele morrer.) O corpo cai e fica despedaçado. Os sumos sacerdotes compram o campo onde jaz o corpo de Judas. O campo chamava-se Akeldama. Mt 27, 1-10; At 1, 18-19

P38a2. Os soldados zombam de Jesus, espancam-no e vendam-lhe os olhos. Lc 22, 63-65

P39. Ao amanhecer, o conselho judaico perguntou a Jesus (ou voltou a perguntar-Lhe): «Se és o Cristo, diz-nos.» E chegaram a uma decisão. Mt 27:1; Mc 15:1; Lc 22:66-71

P40a. Nessa altura, já era de madrugada, e Jesus, acompanhado pelos sacerdotes, saiu da casa de Caifás e dirigiu-se ao julgamento de Jesus perante o governador romano Pôncio Pilatos. Mt 27, 2; Mc 15, 1; Lc 23, 1; Jo 18, 28-38.

P40b. Na noite anterior ao julgamento perante Pilatos, a sua esposa teve um sonho em que não queria ter nada a ver com a condenação de Jesus. Mt 27, 19

P41. O julgamento de Jesus perante Pilatos. Mt 27, 11-14; Mc 15, 1-15; Lc 23, 1-6; Jo 18, 28-37

P42. Pilatos envia Jesus a Herodes. Lc 23, 7-11a

P43a. Herodes reenvia Jesus a Pilatos. Lc 23, 11b-12

P44. Jesus é devolvido a Pilatos. Lucas 23:13-16

P45. Pilatos declara-se inocente do seu sangue, apela à multidão e liberta Barrabás. Mt 27, 15-26; Lc 23, 17-25; Jo 18, 38-40

P46. Os soldados romanos açoitam e zombam de Jesus e vestem-no com um manto púrpura e escarlate e colocam-lhe uma coroa de espinhos. Mt 27, 27-31a; Mc 15, 16-20a; Jo 19, 1-3

P47. Pilatos volta a sair para se dirigir aos judeus. Jo 19, 4-15

P48. Jesus é conduzido para ser crucificado. Mt 27, 31b; Mc 15, 20b; Lc 23, 26a; Jo 19, 16

P49. Jesus [inicialmente] carregou a sua própria cruz. Jo 19, 17a

P50. Simão de Cirene [depois] é obrigado a carregar a cruz de Jesus. Mt 27, 32; Mc 15, 21; Lc 23, 26b

P51. Jesus diz: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, mas chorai por vós mesmas e pelos vossos filhos…» Lc 23, 28-31

P52a. No Gólgota, à terceira hora [9h00], Jesus é crucificado. Mt 27, 33; Mc 15, 22.25; Lc 23, 33; Jo 19, 16b-22

P52b. Escreveu a placa trilingue colocada sobre a cabeça de Jesus. Mt 27, 37; Mc 15, 26; Lc 23, 38

P52c. Dois criminosos são crucificados ao lado de Jesus. Mt 27, 38; Mc 15, 27; Lc 23, 32-33

P53a. Jesus diz: «Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.» Lc 23, 34a

P53b. Alguns oferecem bebida a Jesus, mas Ele recusa. Mt 27, 34; Mc 15, 23

P53c. Lançam sortes pelas vestes. Mt 27, 35-36; Mc 15, 24; Lc 23, 34b; Jo 19, 23-24

P54a. Jesus disse: «Mulher, eis o teu filho… Eis a tua mãe». Jo 19, 25-27

P54b. Outros dizem: «Ele salvou outros; que salve a si próprio…». Mt 27, 40-43; Mc 15, 29-30; Lc 23, 35a

P54c. Os sacerdotes também zombam de Jesus. Mc 15, 31-32; Lc 23, 35b

P54d. Os soldados zombam de Jesus na cruz. Lc 23, 36-37

P54e.1 O ladrão à esquerda insulta Jesus. Mt 27, 44; Lc 23, 39

P54.e.2 O ladrão à direita defende Jesus. Lc 23, 40-43a

P54.e.3 Jesus diz: «… hoje estarás comigo no Paraíso». Lc 23, 43b

P54.f. Jesus diz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». Mt 27, 45-47; Mc 34-36

P54.g. Jesus diz: «Tenho sede». Jo 19, 28-29. Pela segunda vez, é-Lhe oferecida água numa esponja. Mt 27, 48

P54.h Alguns esperam para ver se Elias aparece. Mt 27, 49

P54.i. Escuridão desde cerca da sexta hora até à nona hora. Mc 15, 33; Lc 23, 44-45a

P55a. Jesus diz: «Está consumado». Jo 19, 30

P55b. Mesmo antes de morrer, Jesus diz: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito». Lc 23, 46a

P56a. Jesus morre. Mt 27, 50; Mc 15, 37; Lc 23, 46b

P56b. Naquele momento, o véu do Templo rasgou-se em dois. Mt 27, 51a; Mc 15, 38-39; Lc 23, 45b (ver também Thallus, 52 d.C.)

P56c. Ocorreu um terramoto, os sepulcros abriram-se e surgiram pessoas mortas. Mt 27, 51b-53.

P57a. Os soldados partem as pernas dos ladrões, mas não as de Jesus. Jo 19, 31-37

P57b. O centurião afirma que este era certamente um homem justo. Lc 23:47-49

P57c. O centurião diz: «Este era o/um Filho de Deus!» Mt 27, 54; Mc 15, 39

P57d. Muitas mulheres assistiam à cena. Mt 27, 55-56

P58. Ao cair da tarde, José de Arimatéia pede a Pilatos o corpo de Jesus. Mt 27, 57-58; Jo 19, 38

P59a. No sepulcro de José de Arimatéia, José e Nicodemos sepultaram o corpo de Cristo e uma pedra foi colocada à entrada do sepulcro. Mt 27, 59-61; Mc 15, 42-47; Lc 23, 50-54; Jo 19, 39-42

P59b. Antes do sábado, as mulheres foram buscar especiarias. Lc 23, 55-56

P59c. Pilatos concorda com a colocação de uma guarda de soldados no túmulo. Mt 27, 62-65

P60. Selaram o sepulcro e colocaram uma guarda. Mt 27, 66

P: Nos Evangelhos, quais foram os pressupostos fundamentais utilizados para a harmonização da Semana da Paixão?

R: Se se utilizarem estas premissas, deverá ser possível obter uma harmonização muito semelhante da Semana da Paixão de Jesus.

a) Jesus ausentou-se de Jerusalém por mais de uma noite.

b) Jesus expulsou os cambistas pelo menos duas vezes.

c) Jesus amaldiçoou a figueira no dia anterior ao seu murchamento e também no dia seguinte.

d) Tudo nos Evangelhos está em ordem cronológica no que diz respeito à Semana da Paixão, exceto Mateus 26:6-13; Marcos 14:3-9; Lucas 22:46; Lucas 22:54-62 e Lucas 23:38.

P: Em Mt 21,1-3; Mc 11,4-7; Lc 19,30 e Jo 12,13-15, Jesus montou um jumentinho ou um burro?

R: Não é essa a resposta: Alguns têm-se questionado se se tratava de um ou de dois animais, uma vez que a palavra grega kai pode significar «e» ou «até/ou seja». A palavra hebraica em Zacarias 9:9 também significa «e» ou «ou». Consulte Arndt em *Bible Difficulties and Seeming Contradictions*, p. 180, para mais informações sobre este assunto. No entanto, como a parte seguinte demonstra, tratava-se, de facto, de dois animais.

A resposta: Havia dois animais, porque na entrada triunfal, em Mateus 21:4-7, diz-se que tanto a mãe como o jumentinho estavam presentes. O jumentinho devia ser bastante jovem, pois nunca antes tinha sido montado. Aparentemente, não separaram a mãe do jumentinho, mas levaram a mãe também. De um ponto de vista natural, as pessoas fariam isso para acalmar o animal jovem. Se ele estivesse com a mãe, e a mãe não estivesse preocupada com o facto de o jumentinho estar a ser montado, então o jumentinho também não ficaria preocupado. Que melhor maneira de guiar um animal jovem e nervoso do que fazê-lo seguir a sua mãe?

Fora da Bíblia, Justino Mártir (que escreveu por volta de 138-165 d.C.) também menciona o facto de a jumenta-mãe ter sido levada juntamente com o jumentinho no seu «Diálogo com Trifão, o Judeu», cap. 53 (ANF, vol. 1, p. 222).

P: Em Mt 21, 12-13, Mc 11, 11-17 e Lc 19, 37-46, Jesus expulsou os cambistas num domingo ou numa segunda-feira?

R: Mateus 21, 12-13 e Lucas 19, 37-46 não especificam se Jesus expulsou os cambistas no mesmo dia da entrada triunfal (domingo) ou no dia seguinte. No entanto, Marcos 11, 11-17 indica que foi no dia seguinte.

P: Em Mateus 21:12-13, Marcos 11:12-19 e Lucas 19:43-48, na purificação do Templo por Jesus, como é que Jesus pôde derrubar as mesas dos cambistas nesta ocasião, uma vez que já o tinha feito no início do Seu ministério, em João 2:13-19?

R: Porque houve duas purificações do templo. Jesus fez isto duas vezes porque os Seus sentimentos em relação a este comércio no templo não se alteraram. Imagine que, no início do ministério, Jesus virou as mesas, fez um chicote e expulsou os cambistas. Depois, imagine Jesus a deparar-se com a mesma situação no final do Seu ministério e a dizer «não há problema» ou a passar em silêncio por algo a que Se opôs ativamente anteriormente. Não, no final do Seu ministério, Jesus teve uma reação semelhante à que teve perante essencialmente a mesma situação no início do Seu ministério.

Na verdade, não havia apenas uma, mas três coisas erradas com os cambistas no templo.

1. Não eram servos de Deus, mas estavam a ganhar dinheiro dentro do Templo de Deus.

2. Embora as pessoas pudessem ter vindo com uma atitude de adoração, viam-se obrigadas a começar a pensar em trocas e noutras preocupações financeiras relacionadas com o facto de «terem de pagar para adorar Deus».

3. Além disso, estavam a explorar o povo, cobrando preços muito elevados. Por exemplo, não permitiam que as pessoas utilizassem moeda comum para comprar esses animais. Estas tinham de trocar o seu dinheiro por moedas especiais do templo, utilizadas para a compra dos animais.

P: Em Mt 21, 12-19, Jesus amaldiçoou a figueira no dia seguinte ao de ter purificado o Templo, ou antes, como parece sugerir Mc 11, 12-14, 20-24?

R: Jesus amaldiçoou a figueira depois de ter expulsado os cambistas, tal como diz Mateus. Marcos não fornece tantos pormenores, mas mesmo Marcos diz: «No dia seguinte», para mostrar que foi depois.

P: Em Mt 22,37 e Mc 12,29-30, será que a obediência ao maior mandamento conduz à unidade das religiões do mundo, como afirmam alguns adeptos da Nova Era?

R: Não. Em primeiro lugar, trata-se de dois mandamentos, não de um. Em segundo lugar, o primeiro mandamento — amar a Deus com todo o seu ser — é maior do que o segundo mandamento — amar o próximo como a si mesmo. Ao contrário do que acreditam os adeptos da Nova Era, nem todas as religiões conduzem a Deus. No Juízo Final, Jesus dirá às pessoas que afirmaram segui-Lo, mas que na verdade não o fizeram: «Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade!» Certamente não deseja que Jesus lhe diga: «Afasta-te de Mim.»

P: Em Mt 24-25 e Mc 13,5-30, quando é que estas coisas se cumprirão?

R: Estas profecias cumprem-se ao longo de um período de tempo. Em Mt 24,2, o Templo foi destruído em 70 d.C. Outras partes aguardam a Segunda Vinda de Jesus. Os acontecimentos do fim dos tempos são «iminentes», o que significa que nada indica que venham a ocorrer num futuro próximo, mas que podem acontecer a qualquer momento.

P: Em Mt 24,6 e Mc 13,7; Justino, o Mártir, em «Diálogo com Trifão, o Judeu» 35,3, escreve que existe uma frase atribuída a Jesus segundo a qual «haverá motins e conflitos», que não consta dos evangelhos, mas está escrita no texto siríaco da «Didaché» (6, 5) e nas Homilias de Clemente (2, 17 e 16, 21), bem como no Evangelho copta de Tomé (16). E estas fontes são distintas e não estão relacionadas entre si. Como podemos explicar isso?

R: Jesus disse que haveria guerras e rumores de guerras em Mateus 24:6; Marcos 13:7; guerras e revoluções em Lucas 21:9. A «Didaché» é um texto cristão primitivo que ou parafraseou isto, ou continha uma frase proferida por Jesus que não consta nos quatro evangelhos (João 20:30-31; 21:25). As Homilias Clementinas são ebionitas, não cristãs. No entanto, os ebionitas liam os evangelhos e provavelmente também liam a Didaché, pelo que podem ter obtido essa informação a partir daí. O Evangelho gnóstico de Tomé não era conhecido antes de Hipólito ter escrito contra ele em 222-235/236 d.C., e contém todo o tipo de afirmações inventadas.

Assim, em resumo, não atribuo qualquer peso às «falsificações» das Homilias Clementinas ou do Evangelho de Tomé. No entanto, João também nos diz que Jesus fez e disse coisas que não estão registadas nos quatro evangelhos. Talvez a Didaché e o Diálogo com Trifão, o judeu, contenham uma dessas coisas, ou então a Didaché estivesse apenas a parafrasear o que também constava nos quatro evangelhos.

P: Em Mt 24,19 e Mc 13,17, por que razão será tão difícil para as mulheres grávidas e as mães que amamentam?

R: Podem existir duas razões. Em primeiro lugar, uma fuga apressada numa viagem difícil é especialmente penosa para as mulheres grávidas e para aquelas com bebés. Durante o inverno na Palestina, o tempo é mais frio, mas não extremamente frio. No entanto, os rios transbordam e são difíceis de atravessar.

Em segundo lugar, pode ser terrível para as mães que forem apanhadas, devido à preocupação com o que acontecerá às crianças pequenas ou aos bebés ainda por nascer.

P: Em Mt 24,24 e Mc 13,22, como é que até mesmo os eleitos podem ser enganados?

R: Os eleitos não são crentes. Pelo contrário, os eleitos são todos aqueles que virão a ser crentes. É claro que, se um bebé morrer e for para o Céu, mesmo ele ou ela será um crente no Céu.

Estes versículos afirmam que os eleitos podem ser enganados, mas não dizem que sejam enganados de forma permanente. Conheci pessoalmente alguém que acreditava ser um cristão genuíno, que depois se juntou à Igreja Mórmon e, pouco tempo depois, abandonou o mormonismo e regressou ao cristianismo.

P: Em Mt 24,28, estará Jesus a referir-se a um «cadáver», ou tratava-se apenas de um corpo, vivo ou morto, tal como diz o grego em Lc 17,37?

R: Não há provas de que qualquer um dos autores tenha citado exatamente tudo o que Jesus disse; frequentemente, eles parafraseavam. Talvez Jesus não tenha utilizado nenhuma dessas palavras gregas, se, como é provável, tiver proferido estas palavras em aramaico.

P: Em Mt 24,29, virá Jesus imediatamente após a Grande Tribulação, ou haverá um «tempo dos gentios», como indica Lc 21,24.27?

R: Ambas as coisas. A Grande Tribulação põe fim ao tempo dos gentios.

P: Em Mt 24,30-31 e Mc 13,26-27, os eleitos são reunidos antes de Cristo regressar nas nuvens com grande glória, ou depois?

R: Embora o regresso de Cristo seja mencionado em primeiro lugar em ambas as passagens, nenhuma delas especifica a ordem.

P: Em Mt 24,34 e Mc 13,30, o que aconteceria antes de esta geração passar?

R: Primeiro, o que não é a resposta, e depois a resposta.

O que não é a resposta: Jesus proferiu estas palavras por volta do ano 33 d.C. No pensamento hebraico, uma geração era considerada como tendo 40 anos. A crucificação, a ressurreição e a ascensão de Cristo iriam ocorrer muito em breve, e a destruição do Templo iria ocorrer no ano 70 d.C., o que se situava precisamente dentro do prazo de 40 anos. Os cristãos préteristas parciais defendem esta perspetiva. No entanto, uma dificuldade reside no facto de Jesus ter dito «todas estas coisas», o que implica também as profecias relativas à sua segunda vinda.

A resposta: Trata-se provavelmente de um erro de transcrição, uma vez que as palavras gregas para «raça» e «geração» diferem apenas numa consoante. Jesus estava a dizer que a raça judaica não pereceria até à Segunda Vinda de Cristo.

P: Em Mt 24,42 e Mc 13,35-37, quando é que os cristãos devem começar a estar atentos aos sinais do regresso de Cristo?

R: Jesus ordenou-lhes que vigiassem imediatamente. Assim, a Igreja deveria ter estado vigilante há 2 000 anos. Este conceito, denominado «regresso iminente de Cristo», segundo o qual devemos estar sempre vigilantes, porque não sabemos o dia nem a hora, foi-nos dado por Deus para que sejamos diligentes na palavra do Senhor.

P: Por que razão Mateus 26:6-13, Marcos 14:1-11 e João 12:1-11 diferem significativamente de Lucas 7:36-50 no que diz respeito à unção de Jesus com óleo?

R: Lucas 7:36-50 relata um acontecimento diferente. Mais concretamente, Lucas relata a unção dos pés de Jesus por uma mulher pecadora na casa de um fariseu, logo após os discípulos de João Batista terem perguntado quando é que Jesus revelaria que era o Messias. As outras três passagens relatam a unção realizada por Maria Madalena na casa de um leproso curado, na presença de Lázaro, imediatamente antes da Páscoa.

Entre os primeiros a responder a esta questão encontrou-se Agostinho de Hipona (354-430 d.C.) na sua obra «Harmonia dos Evangelhos», livro 2, cap. 79:154 (NPNF1, vol. 6, pp. 173-164).

P: Quem era, exatamente, aquela mulher que derramou o perfume sobre Jesus? Pois Mateus diz (Mt 26, 7-): «Aproximou-se dele uma mulher com um frasco de alabastro cheio de perfume muito precioso e derramou-o sobre a sua cabeça, enquanto ele estava sentado à mesa», enquanto Lucas (Lc 7, 37) diz: «E eis que uma mulher da cidade, que era pecadora, ao saber que Jesus estava sentado à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume», e João diz: «(Era aquela Maria que ungiu o Senhor com perfume e lhe enxugou os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava doente.)» (Jo 11, 2), «Então Maria tomou uma libra de ungüento de nardo puro, muito caro, e ungiu os pés de Jesus, e enxugou-os com os seus cabelos» (Jo 12, 3).

R: Todos estes relatos referem-se a uma Maria; é provável que Maria, irmã de Marta, seja a mesma que Maria Madalena, embora isso não seja certo.

P: Por que razão Mateus 26:6-13 refere que a cabeça de Jesus foi ungida, enquanto João 12:1-11 refere que foram os pés?

R: Maria Madalena ungiu primeiro um e depois o outro.

P: Em Marcos 14,1, Maria ungiu Jesus dois dias antes da Páscoa, ou seis dias antes, como diz João 12,1?

R: Ambas as coisas. Este único acontecimento ocorreu evidentemente no 8.º dia de Nisã, ou seja, dois dias antes do início da celebração da Páscoa, que durava quatro dias e terminava com a refeição pascal, tal como mostra Êxodo 12:1-11.

P: Ao narrar o episódio da Última Ceia em Lucas, e também em 1 Coríntios 11:24 de Paulo, Jesus diz: «Fazei isto em memória de mim». Mas esta mesma frase não aparece em Marcos (Mc 14:22) nem em Mateus (Mt 26:26), onde se diz apenas: «Tomai, comei: isto é o meu corpo». Porquê?

R: Os autores dos evangelhos não registaram todos os pormenores; nem lhes era exigido que o fizessem.

P: Por que razão encontramos quatro relatos diferentes sobre a Ceia do Senhor nos Evangelhos? Será devido à influência das reflexões da Igreja e da vida litúrgica?

R: Não. A Última Ceia foi uma parte fundamental da vida de Jesus e do seu ministério junto dos discípulos. Seria bastante surpreendente se nenhum dos quatro evangelistas a tivesse mencionado. Não tenho a certeza do que as reflexões da Igreja teriam a ver com tudo isto. A vida litúrgica da Igreja, ou seja, as liturgias oficiais, as ordens monásticas, etc., só surgiu séculos depois dos evangelhos e dos manuscritos que deles nos restam.

Quando é que surgiram os monges e os eremitas?

Embora Filo, o Judeu, afirme que havia eremitas pagãos no Egito na sua época (antes de 50 d.C.), os primeiros eremitas cristãos foram Paulo, o Eremita, e outros que se refugiaram no deserto durante a perseguição de Deciano, em 250-251 d.C. António foi um eremita famoso que viveu entre 270 e 356 d.C. Mais tarde, os ensinamentos de Atanásio, Hilário, Ambrósio de Milão, João Cassiano e outros contribuíram para a difusão dos mosteiros (para homens) e das abadias (para mulheres).

Quando foram copiados os mais antigos manuscritos do Evangelho que ainda existem?

O p52 é um fragmento de João 18:31-33 num lado e de João 18:37f-38 no outro. Foi escrito antes de cerca de 138 d.C.

A p. 66 (c. 125-175 d.C.) contém 92% do Evangelho de João

A p. 75 (175-225 d.C.) contém 1 166 versículos de Lucas e João

A p. 45 (200-225 d.C.) contém 833 versículos dos quatro evangelhos, além dos Atos dos Apóstolos.

Para além dos manuscritos bíblicos, os próprios escritos cristãos primitivos citavam 87% dos versículos dos evangelhos antes de 325 d.C.

Que cristãos primitivos escreveram sobre a Ceia do Senhor antes de 250 d.C.?

Antes da perseguição de Décio, os seguintes cristãos primitivos escreveram sobre a Ceia do Senhor.

Inácio de Antioquia (-107/116 d.C.) «Cuidem, pois, de ter apenas uma Eucaristia. Pois há uma só carne do nosso Senhor Jesus Cristo e um só cálice para [manifestar] a unidade do Seu sangue; um só altar; assim como há um só bispo, juntamente com o presbitério e os diáconos, meus companheiros de serviço; para que, seja o que for que façam, o façam de acordo com [a vontade de] Deus.» Carta de Inácio aos Filadelfianos [grego], cap. 4, p. 81

A Didaché (= Ensinamento dos Doze Apóstolos) (c. 60-120 d.C.), vol. 7, caps. 9-10, p. 379-380, aborda a celebração da Ceia do Senhor. No entanto, em dois pontos, o autor refere-se a ela como «Ação de Graças», mas nunca a denomina Eucaristia.

Justino Mártir (c. 150 d.C.) explica como participavam na Ceia do Senhor na Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 65, p. 185.

Irineu de Lyon (182-188 d.C.), no fragmento 37, p. 574, afirma: «…para que Ele possa apresentar este sacrifício, sendo o pão o corpo de Cristo e o cálice o sangue de Cristo, a fim de que aqueles que recebem estes antítipos [antitopon] possam obter a remissão dos pecados e a vida eterna.»

Clemente de Alexandria (193-202 d.C.) descreve como Jesus celebrou a Última Ceia. *Stromata*, livro 1, cap. 10, p. 310. (e noutros locais)

Tertuliano (198-220 d.C.): «Isto ela [a Igreja] sela com a água (ou batismo), reveste com o Espírito Santo, alimenta com a Eucaristia, anima com o martírio e, contra tal disciplina assim (mantida), não admite nenhum contestador.» Prescrição Contra os Hereges, cap. 36, p. 261 (e noutros locais)

Hipólito de Portus (222-235/236 d.C.) menciona o alimento sacramental no «Comentário sobre Génesis» 49:12-15, p. 168.

Orígenes (225-253/254 d.C.) afirma que o pão da Eucaristia é um símbolo de gratidão a Deus. Orígenes, Contra Celso, livro 8, cap. 58, p. 661

P: Em Mt 26,17; Mc 14,12; Lc 22,1 e Jo 13,1-2, a Última Ceia ocorreu na sexta-feira à noite ou na quinta-feira à noite?

R: Foi na quinta-feira à noite.

Havia uma celebração de uma semana dedicada aos Pães Ázimos (Números 28:17; Deuteronómio 16:3)

A Páscoa judaica ocorreu na sexta-feira à noite, após o pôr do sol. Teve lugar no décimo quarto dia do primeiro mês, de acordo com Êxodo 12:1, 6-8; Levítico 23:5; Números 9:5; 28:16. Isto significa desde o pôr do sol da sexta-feira à noite até ao pôr do sol do sábado à noite.

Os judeus (e também os discípulos) prepararam-se para a Páscoa e sacrificaram o cordeiro pascal no primeiro dia dos Pães Ázimos, que era uma quinta-feira (Mateus 26:17; Marcos 14:12; Lucas 22:7).

Como Jesus foi crucificado na sexta-feira, durante o dia, esta é a razão pela qual os judeus queriam que o Seu corpo fosse retirado da cruz antes do início do sábado.

João 19:14 refere-se à crucificação da seguinte forma: «Era o dia da preparação (paraskeue) para a Páscoa. O dia da preparação para a Páscoa vai do pôr-do-sol de quinta-feira à noite até ao pôr-do-sol de sexta-feira à noite, ou seja, inclui a maior parte da sexta-feira. A título de nota adicional, a palavra grega moderna para sexta-feira é «paraskeue». Tertuliano (198-220 d.C.), em *De Corona*, cap. 3, p. 94, discutiu a forma como os primeiros cristãos celebravam a Ceia do Senhor.

Consulte *When Critics Ask*, pp. 343-344, 375; *Hard Sayings of the Bible*, pp. 448-449; e *Encyclopedia of Bible Difficulties*, pp. 375-376, para mais informações sobre o motivo pelo qual Jesus foi crucificado numa sexta-feira.

Quanto à refeição da Páscoa ter ocorrido um dia antes do habitual, numa quinta-feira à noite, consulte *Hard Sayings of the Bible*, pp. 448-449

P: Os quatro evangelhos concordam que a Última Ceia ocorreu na quinta-feira à noite e que a crucificação de Jesus teve lugar na sexta-feira. No entanto, não chegam a um consenso sobre se a Última Ceia foi uma Ceia da Páscoa. O que pensa sobre isso? Foi uma Ceia da Páscoa ou uma ceia comum e ordinária?

R: Dada a natureza da discussão, não se tratou de uma ceia comum. Foi a Páscoa, celebrada um dia mais cedo. Primeiro, alguns antecedentes e, em seguida, a razão.

Havia uma celebração de uma semana dedicada aos Pães Ázimos (Números 28:17; Deuteronómio 16:3)

A Páscoa judaica decorria na sexta-feira à noite, após o pôr do sol. Tinha lugar no décimo quarto dia do primeiro mês, de acordo com Êxodo 12:1, 6-8; Levítico 23:5; Números 9:5; 28:16. Isto significa desde o pôr do sol da sexta-feira à noite até ao pôr do sol do sábado à noite. No entanto, alguns, como os essênios, celebravam-na na quinta-feira à noite. Jesus desejava sinceramente celebrar a Páscoa com os Seus discípulos antes do Seu sofrimento (Lucas 22:15). Não a celebraram na altura habitual porque Jesus estaria ocupado com outros assuntos.

P: Nos Evangelhos, Jesus foi crucificado na quinta-feira, na sexta-feira ou no sábado?

R: As especulações das pessoas variam entre quarta-feira e sábado. Em resumo, quarta-feira e sábado não se coadunariam com a cronologia. Sexta-feira encaixa-se no resto da cronologia, mas quinta-feira também seria possível. No entanto, os primeiros cristãos afirmam que foi na sexta-feira, com exceção de Orígenes, que afirmou que foi nessa data ou no dia anterior.

Justino Mártir (151-155 d.C.): «Jesus foi crucificado na véspera do sábado [sexta-feira] e ressuscitou no dia seguinte ao sábado [domingo]. Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 67, p. 186»

Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) «No sexto dia [ou seja, sexta-feira], … Neste dia também, em memória da paixão do Senhor Jesus Cristo, fazemos ou uma oração a Deus, ou um jejum. No sétimo dia…» Sobre a Criação do Mundo, p. 341

Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) aborda o quarto dia e o facto de Jesus ter sofrido no sexto dia [sexta-feira] por nós. Em seguida, afirma: «Mas celebramos o dia do Senhor como um dia de alegria, porque nesse dia Ele ressuscitou, dia em que adotámos como costume nem sequer dobrar os joelhos.» A Epístola Canónica, Cânone 15, p. 278

Orígenes (225-254 d.C.): «Aquele de quem falaram os profetas, mas também às outras nações pagãs, que Aquele que foi crucificado ontem ou anteontem sofreu esta morte voluntariamente em nome da raça humana», Orígenes, Contra Celso, livro 1, cap. 31, p. 409.

No entanto, dos cerca de 80 escritores posteriores à Bíblia e anteriores a Nicéia, três escritores com uma mesma opinião não constituem um número muito elevado. Consulte a pergunta anterior para a discussão.

P: Em Mt 12,40, Jesus permaneceu no sepulcro três dias e três noites, ou ressuscitou no terceiro dia, como em Mc 8,31, ou ao longo de três dias, como em Mc 14,58, ou em três dias, como em Jo 2,19, ou será que o «terceiro dia» corresponde a hoje, como em Lc 24,21?

R: «Após três dias» era uma expressão idiomática hebraica conhecida na Bíblia, significando parte ou a totalidade de três dias.

O dia e a noite são contabilizados mesmo que seja apenas uma parte. O rabino Eleazar ben Azariah (século I d.C. ou c. 100 d.C.) afirma: «Um dia e uma noite constituem uma onah [uma porção de tempo], e a parte de uma onah equivale ao seu todo» (Mishná, Talmude de Jerusalém: Shabbath, Capítulo IX, parágrafo 3; Talmude da Babilónia: Pesahim 4a)

Parte de um dia conta como um dia inteiro. Para além da citação anterior, o rabino Simeão ben Gamaliel também discutiu este assunto com outros. «E quanto tempo dura uma “onah” completa? — explicou o rabino Simeão ben Gamaliel: Uma noite e meio dia. Mas será que exigimos que uma “onah” tenha essa duração? Não será [tal requisito] um tanto incongruente com o seguinte: se os lagares de vinho ou de azeite de uma pessoa estivessem impuros e ela desejasse preparar o seu vinho e azeite, respetivamente, em condições de pureza, como deve proceder? Deve enxaguar as tábuas, os ramos e as calhas;” Talmude Babilónico, Tratado Niddah, fólio 65a

Alguns tentaram argumentar que uma «onah» se referia apenas aos dias de impureza de uma mulher, mas a citação anterior demonstra que uma «onah» é um período de tempo geral.

Hoje em dia, por vezes, utilizamos o conceito de tempo inclusivo. http://www.apologeticspress.org/apcontent.aspx?category=6&article=756 menciona que, ainda hoje, se alguém fizer o check-in num hotel à noite e não sair até à hora do check-out, ser-lhe-ão cobrados dois dias completos.

Um exemplo bíblico é a aplicação de Levítico 12:2-3. Diz-se aí que os rapazes judeus deviam ser circuncidados no oitavo dia. Assim, se um rapaz judeu nascesse na segunda-feira, quando é que deveria ser circuncidado? Deveria ser circuncidado na segunda-feira da semana seguinte. E se ele tivesse nascido na segunda-feira às 23h59? Seria, ainda assim, circuncidado na segunda-feira da semana seguinte. Trata-se de uma contagem de tempo inclusiva.

Eis mais nove exemplos de contagem de tempo inclusiva retirados da Bíblia.

1. Em Génesis 42:17, José prendeu os seus irmãos durante três dias. Mas, no versículo 18, libertou dez deles no terceiro dia.

2. Roboão, em 2 Crónicas 10:5, disse ao povo: «Voltem para mim dentro de três dias». No entanto, em 2 Crónicas 10:12, o povo regressou «no terceiro dia».

3. Em 1 Samuel 30:12, um escravo egípcio doente disse a David que não comia nem bebia água há três dias e três noites. No entanto, uma pessoa não conseguiria sobreviver no deserto, sem qualquer água, durante 72 horas. Sem dúvida que o escravo se referia a parte de três dias.

4. Em Ester 4:16, Ester pede que jejuem por ela «durante três dias, de dia e de noite», e que ela faria o mesmo. No entanto, Ester 5:1 refere que «no terceiro dia» Ester ofereceu um banquete, pelo que se trata de um período de tempo equivalente.

5. Mateus 27:62b-63a: «dizendo: “Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador disse, enquanto vivia: ‘Ao fim de três dias ressuscitarei’. Por isso, ordene que o sepulcro seja guardado até ao terceiro dia”»,

6. Ao referir-se à morte e ressurreição de Cristo, o próprio Jesus disse em Mateus 12:40: «três dias e três noites»; Marcos 8:31 diz: «ao terceiro dia ressuscitará»; Marcos 14:58 diz: «durante três dias»; João 2:19 diz: «em três dias»; e Lucas 24:21 diz: «Este terceiro dia chega hoje».

7. Assim, «três dias e três noites» em Mt 12,40 (e, presumivelmente, em Jonas 1,17) equivale a «no terceiro dia» em Mateus 16,21; 17,23; 20,19 e Lc 13,32. Equivale a «Será que é o terceiro dia?» em Lucas 24,21.

8. Mas não há aqui nada de especial no número três. As expressões «sete dias» e «no sétimo dia» também são intercambiáveis. 1 Reis 20:29a diz: «Durante sete dias, os exércitos acamparam frente a frente e, no sétimo dia, a batalha teve início.»

9. A expressão «quatro dias» em Atos 10:30 significa «partes de quatro dias» em Atos 10:3, 9, 23 e 24.

P: Em Lc 22:3-4,7, será que Satanás entrou em Judas quando este se dirigiu aos sumos sacerdotes para trair Jesus, ou terá sido durante a Última Ceia, quando Jesus lhe deu o pão, em Jo 13:27?

R: Ambas as situações ocorreram. Satanás entrou em Judas quando este decidiu agir para falar com os sumos sacerdotes sobre a traição de Jesus, e Satanás voltou a entrar em Judas quando este regressou aos sumos sacerdotes para lhes dizer onde Jesus se encontraria.

P: Em Mt 26,34; Mc 14,30-71 e Lc 22,34, quantas vezes é que Pedro negou Cristo e quantas vezes é que o galo cantou?

R: Mateus 26:34, Lucas 22:34 e João 13:38 afirmam que, antes de o galo cantar (um número indeterminado de vezes), Pedro negaria Jesus três vezes. Marcos 14:30 afirma que, antes de o galo cantar duas vezes, Pedro negaria Jesus três vezes.

1. A primeira negação encontra-se em Mateus 26:70, Marcos 14:68 e Lucas 22:57.

2. A segunda negação encontra-se em Mateus 26:72, Marcos 14:70 e Lucas 22:58

3. A terceira negação encontra-se em Mateus 26:74, Marcos 14:71 e Lucas 22:60.

O galo cantou uma segunda vez em Mateus 26:75, Marcos 14:72 e Lucas 22:60. As Escrituras não especificam se o galo cantou ambas as vezes após Pedro ter negado pela terceira vez, ou se cantou uma vez anteriormente e a segunda vez após a terceira negação de Pedro. Seja como for, isso não tem realmente importância.

P: Em Mt 26,40, 42, 44 e Mc 14,27, 40, 41, por que razão estavam os discípulos a dormir, uma vez que Jesus lhes pediu especificamente que não o fizessem, mas que permanecessem acordados e orassem por Ele?

R: Não deviam ter adormecido. Os discípulos provavelmente estavam muito cansados após o stress de se encontrarem num local onde sabiam que os líderes pretendiam prender Jesus. Provavelmente pensaram que o Jardim era um local seguro e, naquele ambiente tranquilo, sentiram-se cansados.

Jesus nem sequer recebeu o apoio das suas preocupações e orações, apenas os seus roncos.

P: Em Mt 26, 69-75; Mc 14, 66-72; Lc 22, 54-62; Jo 18, 15-18, 25-27, como concilia estes quatro relatos, especialmente a segunda negação?

R: Não há qualquer problema se tiver em conta que as multidões, normalmente, não permanecem em silêncio. Primeiro, analisemos a sequência de acontecimentos; depois, eliminemos o que não constitui a resposta; e, por fim, apresentemos a resposta.

Sequência de acontecimentos:

1. Como «este discípulo» [João] era conhecido do sumo sacerdote, entrou no pátio. Depois, voltou a sair, falou com a rapariga/empregada/serva de serviço e conduziu Pedro para dentro pela porta. Jo 18, 15-16

2. Primeira acusação: No pátio, uma rapariga/empregada/serva do sumo sacerdote, que se encontrava à porta, aproximou-se dele (Mt), passou por ele (Mc), olhou para Pedro à luz da fogueira e disse a Pedro que ele estava com Jesus. Pedro estava a aquecer-se no pátio. Mt 26, 69; Mc 14, 66-67; Lc 22, 54-56; Jo 18, 17a

3. Primeira negação: Pedro negou Jesus, dizendo: «Mulher, não O conheço» (Lc), «Não sei do que está a falar» (Mt) ou «Não sei nem compreendo do que está a falar» (Mc), perante todos (Mt). Mt 26,70; Mc 14,68; Lc 22,57; Jo 18,17

4. Segunda ronda de acusações: Então Pedro dirigiu-se para o portão (Mt), e outra rapariga [allu] disse à multidão: «Este homem estava com Jesus de Nazaré» (Mt). Pedro foi acusado: «Tu também és um deles.» (Lc) A criada (Mc), ao ver Pedro novamente, disse à multidão: «Este homem é um deles.» (Mc) Perguntaram a Pedro: «Não és também tu um dos Seus discípulos?» (Jo) Mt 26,71; Mc 14,69; Lc 22,58a; Jo 18,25a

5. Segunda negação: Pedro, com um juramento, disse: «Não sou» (Jo), «Homem [anthrope], não sou.» (Lc) «Não conheço esse homem!» (Mt), e negou Jesus pela segunda vez. Mt 26, 72; Mc 14, 70a; Lc 22, 58b; Jo 18, 25b

6a. Terceira ronda de acusações: Cerca de uma hora depois (Lc), os que estavam por perto [uma pequena multidão?] afirmaram que Pedro era um deles e referiram o seu sotaque galileu. Mt 26,73; Mc 14,70b; Lc 22,59

6b Quer antes, quer depois de 6a, um dos servos do sumo sacerdote, parente do homem a quem Pedro tinha cortado a orelha, confrontou Pedro, afirmando que o tinha visto no olival. Jo 18:26

7. Terceira negação: Pedro praguejou, disse: «Homem, não sei do que está a falar» (Lc), «Não conheço esse homem!» (Mt) ou «Não conheço este homem de quem falam!» (Mc, Jo), e negou Jesus pela terceira vez. Imediatamente, enquanto ainda estavam na casa, o galo cantou. Jesus olhou para Pedro (Mt 26, 74-75; Mc 14, 71-72; Lc 22, 60-62; Jo 18, 27).

O que não é a resposta:

Uma ordem diferente não é a resposta, porque os relatos evangélicos utilizam expressões como «mais tarde», «depois» e «cerca de uma hora depois».

Mais de três negações é remotamente possível, como alguém sugeriu, mas não há nenhuma razão convincente para que Jesus tenha dito que Pedro negaria três vezes e que, na realidade, tenham sido mais de três vezes.

A resposta: (As multidões não ficam em silêncio)

Após a primeira negação de Pedro, pouco depois, uma segunda rapariga dirigiu-se à multidão a respeito de Pedro. O pátio situava-se no interior de uma casa e, provavelmente, não era assim tão grande. Esperaria que a primeira rapariga permanecesse em silêncio? – quase certamente que não. Ela repetiria o que tinha dito a Pedro. Esperaria que a multidão permanecesse em silêncio perante esta acusação grave? – muito improvável. Um homem não acusou Pedro, mas perguntou-lhe se ele estava com Jesus. É por isso que, embora as mulheres tenham acusado Pedro, ele respondeu ao homem.

Da mesma forma, na terceira negação, esperaria que alguém se dirigisse à multidão e que ninguém na multidão dissesse nada? Para além destas duas coisas ditas, provavelmente foram ditas também outras coisas.

P: Em Mc 14,1, como é que a mulher (Maria Madalena) ungiu Jesus dois dias antes da festa da Páscoa, uma vez que isto aconteceu seis dias antes da refeição pascal?

R: As palavras «a festa da» na Tradução King James não constam do grego original, nem em traduções mais modernas.

P: Em Mc 15,25, Jesus foi crucificado à terceira hora, ou o seu julgamento ocorreu à sexta hora, como diz Jo 19,14?

R: Primeiro, um facto que não faz parte da resposta; depois, a resposta.

Facto que não faz parte da resposta: Tal como Eusébio e outros salientaram, a forma grega de escrever «três» e «seis» diferia apenas num traço, pelo que pode ter sido um erro do escriba. Esta não é a resposta, porque a parte seguinte mostra por que razão os dois horários devem ser diferentes.

A resposta:

Marcos utilizou o dia judaico, que começava às 6h00 da manhã, pelo que Jesus foi crucificado por volta das 9h00. João, escrevendo principalmente para leitores gentios, utilizou o dia romano (em João 1:39; 4:6; 19:14), que começava à meia-noite, pelo que o julgamento teve início por volta das 6h00 da manhã.

Como nota histórica, os romanos e os gregos faziam começar o dia à meia-noite. O famoso astrónomo Cláudio Ptolomeu (século II d.C.) fazia começar cada meio dia à meia-noite e ao meio-dia, e foi aparentemente assim que surgiram as designações A.M. e P.M., de acordo com o «The Expositor’s Bible Commentary», vol. 2, p. 619.

P: O cético Bart Ehrman afirma que Jesus era apocalíptico (centrado no fim dos tempos) no Evangelho de Marcos, mas não no de João (Jesus, Interrupted, p. 81)

R: Jesus era apocalíptico (falava do fim dos tempos) em três evangelhos: Mateus 24-25, Marcos 13 e Lucas 17:20-37. É geralmente reconhecido que o Evangelho de João foi escrito mais tarde do que os outros evangelhos. O Evangelho de João tem aproximadamente a mesma extensão que os outros evangelhos. Ele fornece muitos detalhes sobre os discursos que não constam nos outros evangelhos, mas, aparentemente, não viu necessidade de repetir o que os outros evangelhos já tinham explicado de forma bastante clara. É claro que o livro com mais material apocalíptico na Bíblia não é um evangelho, mas sim o livro do Apocalipse, escrito por João.

P: Em Mt 26,14-16; Mc 14,43-45; Lc 22,1-6; e Jo 18,2, Ehrman considera que o facto de Judas ter revelado aos judeus onde Jesus se encontrava não foi muito significativo; em vez disso, Judas disse aos judeus que Jesus se considerava rei dos judeus, e que eles poderiam usar isso para levar os romanos a executá-lo. Ele admite que esta «é uma interpretação mais invulgar». [E quanto à entrada triunfal?] (Jesus, Interrupted, pp. 170-171)

R: É a única pessoa de quem ouvi falar que tem esta interpretação inovadora. Ehrman afirma que os líderes judeus poderiam ter seguido Jesus e prendido-o, mas não tinham uma acusação suficientemente forte para que os romanos o condenassem. Assim, Ehrman está basicamente a dizer que era importante para os líderes judeus: a) provar que Ele afirmava ser um rei, e b) conseguir prender Jesus quando as multidões não o pudessem proteger. E de que forma a alegação de Judas de que Jesus tinha dito isto, por si só, constituiria um testemunho credível?

E quanto aos ramos de palmeira e à entrada triunfal? Isso já lhes daria motivo para uma acusação que pudessem apresentar. Quanto a seguir Jesus quando este desaparecia todas as noites entre os seus seguidores, precisariam de um espião, alguém que se misturasse entre os seguidores e lhes prestasse contas. Os líderes judeus tinham um espião: Judas.

P: Em Mt 26, 26-29 e Mc 14, 22-23, será que o próprio Jesus comeu realmente o pão e bebeu do cálice na Última Ceia?

R: Sim, Jesus comeu com eles, segundo Lucas 22:15-16. Seria muito estranho para os discípulos estarem a fazer uma refeição completa enquanto Jesus não comia nada.

P: Em Mateus 26:26-29, Marcos 14:17-26, Lucas 22:15-38, João 13:3-29 e 1 Coríntios 11:24-25, o que disse exatamente Jesus durante a Última Ceia?

R: Nenhum relato afirma ser uma descrição literal.

Eis o que podemos observar.

Antes da Ceia

Jesus lavou os pés dos Seus discípulos e falou sobre o serviço (João 13:3-20).

Primeira declaração

«Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco antes do meu sofrimento. Pois digo-vos que não a voltarei a comer até que se cumpra no reino de Deus.» (Lucas 22:15-16) Isto também pode ter sido dito imediatamente antes ou depois da quinta declaração.

Segunda declaração

«Em verdade vos digo que um de vós vai trair-Me.» (Mateus 26:21)

«Em verdade vos digo que um de vós, que está a comer comigo, vai trair-me.» (Marcos 14:18b)

«Em verdade, em verdade vos digo que um de vós vai trair-Me.» (João 13:21b)

Terceira afirmação

«Aquele que mergulhou a mão no prato comigo vai trair-Me…» (Mateus 26:23-24)

«É um dos Doze — aquele que está a molhar a mão no prato comigo. O Filho do Homem irá tal como está escrito a seu respeito, mas ai daquele homem por quem Ele é traído! Seria melhor para ele se não tivesse nascido.» (Marcos 14:20b-21)

Jesus respondeu: «É aquele a quem eu der este pedaço de pão, depois de o ter molhado.» (João 13:26a)

Quarta declaração

«Foi o próprio senhor que o disse.» (Mateus 26:25)

Quinta declaração

«O que está prestes a fazer, faça-o depressa.» (João 13:27f)

Sexta afirmação

«Tomem isto e repartam-no entre vós. Pois digo-vos que, a partir de agora, não beberei do fruto da vide até que venha o Reino de Deus.» (Lucas 22:17b-18)

Sétima declaração

«Tomai e comei; isto é o meu corpo.» (Mateus 26:26)

«Tomai isto; este é o meu corpo» (Marcos 14:22).

«Este é o meu corpo, entregue por vós; fazei isto em memória de mim.» (Lucas 22:19b)

«Este é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim.» (1 Coríntios 11:24)

Uma oração

Agradeceu pelo cálice (Mateus 26:27)

Oitava declaração

«Bebam todos dele. Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos para o perdão dos pecados. Digo-vos que, a partir de agora, não beberei mais deste fruto da videira até ao dia em que o bebere de novo convosco no reino do meu Pai.» (Mateus 26:27b-29)

«Este é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos. Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da vide até ao dia em que o bebere de novo no reino de Deus.» (Marcos 14:24b-25)

«Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós. Vede! A mão daquele que me trai está com a minha sobre a mesa. Na verdade, o Filho do Homem irá como está determinado, mas ai daquele homem que O trair.» (Lucas 22:20b-22)

«Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, sempre que o beberdes, em memória de mim.» (1 Coríntios 11:25b)

Discussão sobre quem era o maior (Lucas 22:25-31)

A revelação a Pedro de que o galo cantaria quando ele O negasse três vezes (Lucas 22:34)

Discussão sobre a bolsa e as espadas (Lucas 22:35-38)

Canto de um hino (Mateus 26:30; Marcos 14:26)

As citações das Escrituras são retiradas da BSB.

P: Em Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24; Lc 22:19-21; 1 Cor 11:23-26, um cético propôs que a Última Ceia, tal como descrita na Bíblia, foi totalmente inventada, porque os judeus detestavam a ideia de partilhar o «corpo e o sangue»; assim, não só Jesus teria sabido disso, como os Seus discípulos e outros judeus teriam ficado indignados com esta instituição e rejeitado o Seu ensinamento. Há algum fundamento nesta alegação?

R: Não, nunca ouvi a alegação de que a Última Ceia fosse inventada. No entanto, vamos analisar isto.

Se todos os judeus tivessem ficado repugnados, o que dizer então de Paulo, o antigo fariseu? Em primeiro lugar, ele não ficou repugnado enquanto cristão e continuou a ensinar isto a outros, incluindo judeus.

Na Páscoa, o sangue do cordeiro era colocado nos umbrais das portas, pelo que os judeus estavam bem familiarizados com o sacrifício de sangue e com o sacrifício de cordeiros.

João Batista chamou, de facto, a Jesus de «Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo», em João 1:29.

Isto soa a uma acusação inovadora do século XX, sem qualquer contexto histórico. Deveriam, em primeiro lugar, encontrar no Talmude, em escritos judaicos posteriores, em escritos cristãos primitivos e posteriores, em escritos romanos ou em qualquer outro local, pelo menos alguma evidência de que os judeus rejeitaram isto, de que os cristãos não praticavam isto, etc. Uma pessoa poderia afirmar que Jesus era, na verdade, originário da Nova Zelândia, mas, sem apresentar qualquer evidência concreta, será que as pessoas também acreditariam nisso?

De qualquer forma, eis provas, para além da Bíblia, de que a Última Ceia era de facto praticada. Milhares de primeiros cristãos morreram pela sua fé. Foram acusados de serem ateus (porque não acreditavam nos deuses dos romanos) e de serem canibais (uma distorção, pois comiam e bebiam o corpo e o sangue de Cristo durante a Ceia do Senhor). Ora, por que razão seriam falsamente acusados de canibalismo se não participassem na Ceia do Senhor?

Inácio, discípulo do apóstolo João que faleceu antes de 116 d.C., menciona a Ceia do Senhor na sua Carta aos Romanos, capítulo 7, p. 77. «Desejo o pão de Deus, o pão celestial, o pão da vida, que é a carne de Jesus Cristo, o Filho de Deus, que mais tarde se tornou descendente de David e de Abraão; e desejo a bebida de Deus, nomeadamente o Seu sangue, que é amor incorruptível e vida eterna.»

«Tende, pois, o cuidado de ter apenas uma Eucaristia. Pois há uma única carne do nosso Senhor Jesus Cristo e um único cálice para [manifestar] a unidade do Seu sangue;» Carta de Inácio aos Filadelfianos, capítulo 4, p. 81.

Justino Mártir, na sua Primeira Apologia (147-151 d.C.), cap. 66, p. 185 «E este alimento é chamado entre nós de Eucharistia [a Eucaristia], da qual ninguém pode participar, a não ser aquele que acredita que as coisas que ensinamos são verdadeiras, e que foi purificado pelo batismo para a remissão dos pecados e para a regeneração, e que vive de acordo com o que Cristo nos ordenou. Pois não as recebemos como pão comum e bebida comum; mas, da mesma forma que Jesus Cristo, o nosso Salvador, tendo-se feito carne pela Palavra de Deus, possuía carne e sangue para a nossa salvação, assim também nos foi ensinado que o alimento que é abençoado pela oração da Sua palavra, e do qual o nosso sangue e a nossa carne são nutridos por transmutação, é a carne e o sangue daquele Jesus que se fez carne.»

Irineu de Lyon (182-188 d.C.), na sua obra «Contra as Heresias», livro 5, capítulo 2, p. 528, escreveu: «Mas se esta [carne] de facto não alcança a salvação, então nem o Senhor nos redimiu com o Seu sangue, nem o cálice da Eucaristia é a comunhão do Seu sangue, nem o pão que partimos é a comunhão do Seu corpo.»

Portanto, ou

a) Jesus celebrou realmente a Última Ceia, ou

b) Mateus, Marcos, Lucas, Paulo, Inácio, Justino Mártir, Irineu e todos os outros escritores da Igreja primitiva estavam completamente errados.

c) Não foram eles que escreveram isto; ao longo dos séculos, isto foi sistematicamente acrescentado aos seus escritos.

Para responder à objeção c), precisamos de conhecer as datas dos manuscritos mais antigos que contêm os versículos em questão. Aqui estão os versículos específicos que, durante a Última Ceia, mencionam explicitamente o corpo e o sangue de Jesus.

Mateus 26:26-28

p45 Chester Beatty I (os quatro evangelhos e os Atos) (100-150 d.C.) (anteriormente considerado do final do século II ou início do século III d.C.) (Mt 20:24-32; 21:13-19; 25:41-26:39

p. 37 (=Ann Arbor 1570) Mt 26:19-52 (meados do século III)

O Vaticanus (325-350 d.C.) e o Sinaiticus (340-350 d.C.) contêm todo o Evangelho de Mateus. Encontra-se uma fotografia de uma página do Evangelho de Mateus, proveniente do Codex Sinaiticus, no *New International Dictionary of the Bible*, p. 2004.

O Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) preservou apenas Mateus 25:7 até ao fim.

Marcos 14:22-24

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o Evangelho de Marcos.

Lucas 22:19-21

p75 Papiros de Bodmer 14/15 (a maior parte de Lucas e João) Contém Lucas 3:18-22; 3:33-4:2; 4:34-5:10; 5:37-6:4; 6:10-7:32; 7:35-39, 41-43; 7:46-9:2; 9:4-17:15; 17:19-18:18; 22:4-24:53. É normalmente datado de 175-200 d.C., ou de 175-225 d.C. No entanto, a sua caligrafia é muito semelhante à de outro documento, o Papiro Fuad XIX, que se sabe ter sido escrito entre 145 e 146 d.C.

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm todo o Evangelho de Lucas.

1 Coríntios 11:23-26

p. 46 Chester Beatty II, 100-150 d.C. 1 Cor 1:1-9:2; 9:4-14:14; 14:16-15:15; 15:17-16:22

O Vaticanus [B] (325-350 d.C.), o Sinaiticus [Si] (340-350 d.C.) e o Alexandrinus [A] (c. 450 d.C.) contêm a totalidade de 1 Coríntios.

P: Em Mt 26,27b-29, Mc 14,24b-25, Lc 22,20b-22 e 1 Cor 11,25b, tomaram o cálice depois do pão ou antes do pão, como Lc 22,17b-18 mostra claramente?

R: Ambas as coisas. Durante a Páscoa judaica, eram tomadas quatro taças em vários momentos da refeição. Foi na última taça, após a refeição, que Jesus disse: «Este é o sangue da nova aliança…» Mesmo que alguém não conhecesse os costumes judaicos, poderia ainda assim perceber a resposta, uma vez que Lucas 22 menciona tanto a taça antes do pão como a taça depois do pão.

Note-se que, em Mateus, Jesus ordena a todos que bebam do cálice. Isto contraria a prática anterior da Igreja Católica Romana, segundo a qual apenas os sacerdotes recebiam o pão.

Além disso, F.L. Godet, no seu comentário a 1 Coríntios, p. 63, afirma que a Ceia do Senhor é «o elo entre as Suas duas vinda: o monumento de uma, a garantia da outra».

P: Em Lucas 22:31,34, Jesus disse que Pedro O negaria durante a Páscoa, ou depois de terem partido, como afirmam Mateus 26:34, Marcos 14:30 e João 13:38?

R: Esta afirmação teria surpreendido tanto Pedro que ele provavelmente teria pensado que não tinha ouvido bem, se Jesus não a tivesse repetido após a Páscoa. A propósito, as Escrituras também não dizem que Jesus tenha dito isto apenas duas vezes.

P: Em Mt 26,57-68 e Mc 14,53-65, o julgamento de Jesus ocorreu à noite ou foi de manhã, como dizem Lc 22,54-71 e Mt 27,1,2,11-26?

R: Ambas as coisas, porque houve um julgamento perante o Sinédrio judeu e outro perante Pilatos.

O julgamento perante o Sinédrio judeu, em Mateus 26:57-68 e Marcos 14:53-65, teve início a meio da noite e terminou ao amanhecer. A propósito, era contra a Lei judaica realizar um julgamento à noite.

Lucas não relata o julgamento, exceto na perspetiva de Pedro, que se encontrava do lado de fora. Jesus entrou na casa do sumo sacerdote e, em seguida, ele e os sacerdotes saíram da casa.

O galo cantou pouco antes do amanhecer em Mateus 26:74-75, Marcos 14:72 e Lucas 22:60-62.

Chegou então o amanhecer em Mateus 27:1; Marcos 15:1; e Lucas 22:66.

Jesus foi então julgado perante o governador romano Pôncio Pilatos, em Mateus 27:1-2, 11-26; Marcos 15:1-5 e Lucas 23:1-5. Consulte também a próxima pergunta.

P: Em Mt 26,57-68, Mc 14,53-65 e Lc 22,60-62, qual foi a sequência de acontecimentos antes do julgamento perante o Sinédrio?

R: Eis a sequência.

1. Dirigiram-se primeiro à casa de Anás, sogro do sumo sacerdote Caifás, logo após a prisão de Jesus no Getsêmani (Lucas 22:54; João 18:12-13).

2. Quer em João 18:24, quer antes disso, Jesus foi enviado para a casa de Caifás. Mateus 26:56-57 e Marcos 14:51-53 omitem os detalhes anteriores e limitam-se a mencionar que foram para a casa de Caifás.

3. Pedro negou Jesus uma vez (Mateus 26:70; Marcos 14:68; Lucas 22:57; João 18:17).

4. Pouco depois, Pedro negou Jesus pela segunda vez (Mateus 26:71; Marcos 14:69; Lucas 22:58; João 18:25).

5. Cerca de uma hora depois, Pedro negou Jesus pela terceira vez. Ainda se encontravam na casa quando o galo cantou (Mateus 26:74; Marcos 14:71-72; Lucas 22:59-62; João 18:27).

6. Ao amanhecer, o conselho judaico perguntou a Jesus (ou voltou a perguntar-Lhe): «Se és o Cristo, diz-nos.» E chegaram a uma decisão (Mateus 27:1; Marcos 15:1; Lucas 22:66-71).

7. A essa altura, já era de madrugada, e Jesus, acompanhado pelos sacerdotes, saiu da casa de Caifás e dirigiu-se ao julgamento de Jesus perante o governador romano Pilatos (Mateus 27:2; Marcos 15:1; Lucas 23:1; João 18:28-38).

8. Pilatos enviou Jesus a Herodes, conforme se lê em Lucas 23:7-11a.

9. Herodes enviou Jesus de volta a Pilatos, conforme se lê em Lucas 23:11b-12.

10. Na noite anterior, a esposa de Pilatos teve um sonho em que não queria ter nada a ver com a condenação de Jesus. Mateus 27:19

11. Pilatos perguntou-lhes se queriam que Barrabás ou Jesus fossem libertados (Mateus 27:15-27; Lucas 23:18-25; João 18:39-40).

P: Em Mt 27,2, por que razão Pôncio Pilatos é chamado de governador, quando na realidade era um prefeito?

R: «Prefeito» (praefectus) era um termo mais específico para designar o governador de uma área pequena e difícil de governar.

P: Em Mt 27, 2, 11-26, uma vez que Pilatos era conhecido fora da Bíblia como um governante cruel e injusto, por que razão os Evangelhos mostram Pilatos como fraco e muito preocupado com a aparência de imparcialidade?

R: Existem duas explicações complementares.

Piso instável: Talvez o comportamento de Pilatos tenha mudado por volta do ano 33 d.C., uma vez que, nessa altura, Pilatos percebeu que se encontrava numa posição muito instável perante o Imperador. Pilatos ordenou que fossem colocados no palácio de Herodes, em Jerusalém, escudos com imagens do nome do Imperador. Os judeus recorreram ao Imperador romano, e o próprio Tibério ordenou diretamente a Pilatos que retirasse os escudos.

Uma segunda fonte de insegurança residia no facto de Pilatos ter sido nomeado para o cargo graças à influência do seu mentor, o anti-semita Sejano. Sejano foi executado por Tibério a 18 de outubro de 31 d.C., e Pilatos provavelmente já tinha tomado conhecimento da notícia por volta de 33 d.C. Antes disso, Tibério não demonstrara qualquer hesitação em punir concidadãos romanos por extorsão e traição. O próprio Pilatos foi destituído do cargo em 36/37 d.C.

Dois lados: Além disso, o «The Expositor’s Bible Commentary», volume 8, pp. 559-560, menciona também um segundo fator. «Psicologicamente, uma pessoa que, no seu íntimo, é fraca, insegura e egoísta, quando colocada numa posição de poder, pode tornar-se despótica e insensível. Por outras palavras, o caráter de Pilatos não mudou; apenas estava a revelar outro lado.» O comportamento de Pilatos, embora pudesse parecer de certa forma «a favor de Jesus», na realidade não o era, como demonstram a tortura e a crucificação de Jesus. Em vez de ser «a favor de Jesus», Pilatos estava, na verdade, a ser «contra o Sinédrio».

Pôncio Pilatos não era um homem seguro de si. Depois de Tibério o ter destituído do cargo em 36/37 d.C., Pilatos suicidou-se, segundo Eusébio.

P: Em Mt 27,2-14; Mc 15,2-15; Lc 23,1-24 e Jo 19,1-15, para além da Bíblia, que provas existem de que Pôncio Pilatos existiu?

R: Existem seis provas independentes fora da Bíblia.

1. O historiador romano não cristão Tácito (100 d.C.), em «Anais» 15:44, escreve: «Cristo, de quem os [cristãos] tiraram o seu nome, tinha sido executado por sentença do procurador Pôncio Pilatos, quando Tibério era imperador;»

2. O livro «The Bible As History», na página 373, apresenta uma imagem da face e do reverso de uma moeda cunhada pelo procurador romano Pôncio Pilatos.

3. Em 1961, foi encontrada uma inscrição que menciona Pôncio Pilatos no teatro romano do porto de Cesareia. Encontra-se uma fotografia da mesma no «Wycliffe Bible Dictionary», p. 1343, no «Wycliffe Dictionary of Biblical Archaeology», p. 456, e em «The Archaeology of the New Testament» (Finnegan), pp. 138-139. As partes que se conservam dizem:

Ao povo de Cesareia

Tiberieum

Pôncio Pilatos

Prefeito da Judeia

O «Dicionário do Contexto do Novo Testamento», p. 534, e «A Arqueologia do Novo Testamento» (Blaiklock), p. 58, também fazem referência a este facto.

4. Filo, o judeu, afirma igualmente que Pôncio Pilatos tinha trazido escudos dourados com o nome do imperador Tibério gravado e os tinha pendurado no palácio de Herodes. Os judeus consideraram isso ofensivo e recorreram a Tibério, que ordenou a Pilatos que retirasse os escudos, o que provavelmente fez com que Pilatos perdesse prestígio. (Sobre a Embaixada a Gaio 38-39 (299-306), p. 784-785.

5. Josefo, em «Antiguidades dos Judeus» 18.3.1 (escrito por volta de 93-94 d.C.) e «Guerras dos Judeus» 2.9.2, também menciona Pôncio Pilatos como governador.

6. Escritores cristãos primitivos.

Inácio (falecido em 107/116 d.C.), na «Carta aos Magnesianos», caps. 11-12, p. 64, menciona Pôncio Pilatos

Jesus foi verdadeiramente perseguido sob o governo de Pôncio Pilatos, verdadeiramente crucificado, morreu e ressuscitou dos mortos. Carta de Inácio aos Tralianos, cap. 9, p. 70

Justino Mártir (c. 150 d.C.) Jesus Cristo foi crucificado sob o governo de Pôncio Pilatos. «… e nós adoramo-Lo com razão, tendo aprendido que Ele é o próprio Filho do Deus verdadeiro, colocando-O em segundo lugar e o Espírito profético em terceiro, e iremos prová-lo.» Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 13, p. 166-167

Crucificado sob o mandato de Pôncio Pilatos. Primeira Apologia de Justino Mártir, cap. 61, p. 183

Melito de Sardes (170-180 d.C.) em «Padres Ante-Nicenos», vol. 8, cap. 4, p. 757, afirma que Jesus foi condenado por Pilatos.

Irineu, em «Contra as Heresias» (182-188 d.C.), livro 3, cap. 4.2, p. 417, afirma que Jesus, «que uniu o homem a Deus por Si mesmo», sofreu sob Pôncio Pilatos e ressuscitou. Jesus é o Juiz daqueles que são julgados.

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) cita 1 Timóteo 6:13 e menciona Pôncio Pilatos. Fragmento 4, p. 579 (História Eclesiástica de Eusébio, livro 6, cap. 14)

Tertuliano (198-220 d.C.) menciona Pôncio Pilatos. Na «Apologia» de Tertuliano, cap. 21, p. 35

Hipólito, bispo de Portus (222-235/6 d.C.), menciona Caifás, Herodes e o facto de Jesus ter sido açoitado por Pilatos. Contra a Heresia de Noeto, cap. 18, p. 230

Orígenes (225-254 d.C.) afirma que as multidões teriam influenciado Pilatos a condenar Jesus. Menciona também a sua hostilidade para com Herodes e a aparente amizade entre ambos. «Comentário a Mateus», de Orígenes, livro 12, cap. 1, pp. 449-450.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.) «finalmente prendeu-O [Jesus] e entregou-O a Pôncio Pilatos, que era então o procurador da Síria em nome dos romanos, exigindo com urgência violenta e obstinada a Sua crucificação e morte.» «Tratados de Cipriano», Tratado 7, cap. 13, p. 468

Pedro de Alexandria (306, 285-311 d.C.) refere que Jesus foi entregue a Pilatos. A Epístola Canónica, Cânone 9, p. 273

Lactâncio (c. 303-c. 325 d.C.) refere que, depois de Judas ter traído Jesus, os judeus levaram Jesus perante Pôncio Pilatos. «Instituições Divinas», livro 4, cap. 18, p. 119. Ele menciona Herodes no cap. 18, p. 120.

Atanásio (331 d.C.) refere que Pilatos, durante o julgamento de Cristo, lavou as mãos. «História dos Arianos», cap. 68, p. 295

Eusébio, o historiador da Igreja cristã (318 d.C.), menciona Pôncio Pilatos e afirma que, após ter sido destituído do cargo, este cometeu suicídio.

Pôncio Pilatos foi governador da Judeia, sucedendo a Gratus, entre os anos 26 e 36/37 d.C.

P: Em Mt 27, 2-14; Mc 15, 2-15; Lc 23, 1-24 e Jo 19, 1-15, para além da Bíblia, que mais sabemos sobre Pôncio Pilatos?

R: «Pôncio» era um nome de família romano. «Pilatus» significa «aquele que empunha um pilum», ou dardo. A maior parte do que sabemos sobre Pôncio Pilatos provém de Josefo. O imperador Tibério César tinha um amigo chamado Sejano, que pretendia exterminar todos os judeus, e Pôncio Pilatos e o seu contemporâneo Flaco eram provavelmente protegidos de Sejano. Quando Pôncio Pilatos se tornou governador (ou procurador) dos judeus em 26 d.C., foi o primeiro a levar para Jerusalém os estandartes com a imagem de César. Quando os judeus solicitaram formalmente que fossem removidos, Pilatos cercou-os com soldados e ameaçou matá-los. Josefo relata que os judeus se atiraram ao chão para demonstrar que preferiam morrer a violar a sua lei. Pilatos removeu os estandartes para Cesareia.

Pilatos retirou então o dinheiro do tesouro do templo para construir um aqueduto que levasse água a Jerusalém. Quando os judeus protestaram, Pilatos mandou soldados disfarçados de civis misturarem-se à multidão, os quais mataram muitos dos presentes. Lucas 13:1 também relata que Pilatos matou alguns galileus, cujo sangue misturou com os seus sacrifícios.

Quando alguns samaritanos se reuniram numa montanha para ver os recipientes sagrados que Moisés supostamente ali tinha colocado, Pilatos enviou tropas para os emboscar e matá-los. Os samaritanos recorreram a Vitélio, o legado da Síria, que enviou Marcelo para assumir temporariamente o comando da Judeia e ordenou que Pilatos se dirigisse a Roma em desgraça, em 36/37 d.C., para prestar contas das suas ações a César. Sejano tinha sido executado a 18 de outubro de 31 d.C., e Tibério tentava reverter as políticas antissemitas. Tibério César faleceu a 16 de março de 37 d.C., enquanto Pilatos se dirigia para Roma. Pilatos nunca mais regressou à Judeia. As tradições dizem que se suicidou por afogamento na atual Áustria ou Suíça.

Filo, o judeu, afirma que Herodes Agripa I descreveu Pilatos como «naturalmente inflexível, uma mistura de obstinação e implacabilidade».

O livro «Manual para Resolver Dificuldades da Bíblia», de hoje, na página 60, especula que a posição de Pilatos perante o imperador era especialmente precária. Enquanto o imperador (César) desejava estabilidade, Pilatos quase tinha provocado revoltas por três vezes. O imperador Tibério tinha recentemente mandado executar vários funcionários por traição. Se Pilatos fosse visto a tolerar alguém que afirmava ser rei, ou que não pagava impostos, ou que desejava o seu próprio reino, Pilatos seria apenas mais um dos muitos que Tibério já tinha mandado executar. Este ponto não passou despercebido aos judeus, que disseram corajosamente a Pilatos que, se o senhor libertasse este rei, não seria amigo de César.

P: Em Mt 27, 19-26; Mc 15, 7-15; Lc 23, 23-25; Jo 18, 38-40, quantas pessoas se encontravam na multidão perante Pilatos, Jesus e Barrabás?

R: Os arqueólogos escavaram a área em frente ao tribunal de Pilatos e afirmaram que, no máximo, poderiam estar 150 pessoas nessa área, de acordo com o livro *The Olive Tree Connection*, p. 48. Durante a Páscoa, poderia haver algumas centenas de milhares de pessoas em Jerusalém, mas apenas 150 poderiam estar perante Pilatos. Seria fácil para os sacerdotes selecionarem cuidadosamente as pessoas que desejavam que estivessem perante Pilatos quando este se ofereceu para libertar um prisioneiro.

P: Em Mt 27,26; Mc 15,15; Lc 23,20-25; Jo 19,16; At 2,23; Hb 12,2, o que sabemos sobre a crucificação antes de Cristo?

R: A crucificação era uma forma de execução horrível, mas comum, entre muitos povos.

Quem e quando: Era praticada pelos fenícios, cartagineses e egípcios. Heródoto, na sua «História» 3.125, menciona que os persas recorriam à crucificação de pessoas vivas. Na sua «História» 3.159, Heródoto refere também que Dario (512-485 a.C.) crucificou 3 000 cidadãos proeminentes da Babilónia. O «Anchor Bible Dictionary», volume 1, p. 1207, refere ainda que outras fontes antigas, não necessariamente fiáveis, mencionam que a crucificação era utilizada pelos povos da Índia, pelos assírios, pelos citas, pelos taurianos, pelos trácios, pelos celtas, pelos germânicos e pelos britânicos. Júlio César relatou que os numídios recorriam à crucificação. Quando Alexandre, o Grande, finalmente conquistou a cidade fenícia de Tiro, em 332 a.C., matou imediatamente entre 6 000 e 8 000 pessoas e crucificou 2 000 posteriormente.

Os judeus foram crucificados pelo selêucida Antíoco IV (167 a.C.), segundo Josefo em «Antiguidades dos Judeus», livro 12, cap. 5, p. 257. Em «Antiguidades dos Judeus», livro 13, capítulo 14.2, p. 285, Josefo refere ainda que o governante saduceu Alexandre Janeu (103-76 a.C.) crucificou 800 fariseus em Jerusalém, após ter matado as suas esposas e filhos perante os seus olhos.

Entre os romanos, Plauto (falecido em 184 a.C.) foi o primeiro escritor a fornecer provas da crucificação romana, e estas referiam-se a pessoas crucificadas antes do seu tempo. Por exemplo, 25 escravos do sexo masculino, envolvidos numa conspiração em Roma, foram crucificados em 217 a.C. Josefo referiu que existiam três formas principais de execução romana: decapitação/entrega aos animais, queima e crucificação. Afirmou ainda que ser queimado até à morte era considerado um castigo mais brando do que a crucificação.

Onde os romanos aprenderam essa prática: Tanto os gregos como os romanos adotaram a crucificação dos fenícios. (Os cartagineses podem ser considerados «fenícios ocidentais»). Inúmeras fontes atestam a crucificação cartaginesa e que os romanos podem ter adotado esta prática deles.

Vestígios arqueológicos: Embora a crucificação fosse amplamente mencionada e praticada, dispomos apenas de um único vestígio arqueológico de uma crucificação, de acordo com o livro *A Ressurreição de Cristo*, p. 36, nota de rodapé 28. Esse único artefacto consiste nos ossos de um homem chamado Yehohanan Ben Hagko. Um dos pregos ainda se encontrava cravado no seu tornozelo, uma vez que, aparentemente, as pessoas que o enterraram não conseguiram removê-lo. Este está catalogado na Autoridade de Antiguidades de Israel, sob o número 95-2067/5. Crucificação

Como símbolo cristão: Existem algumas descobertas arqueológicas muito interessantes sobre o uso da cruz como símbolo. É claro que Paulo (por volta de 52 d.C.) «pregou Jesus crucificado» em 1 Coríntios 2:2, «glorificou-se na cruz» em Gálatas 6:14 e foi perseguido por causa da cruz em Gálatas 5:11; 6:12. Mas como podemos saber com certeza qual era o aspeto da cruz?

Quando Herculano foi destruída pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., uma casa desenterrada revelou uma cruz (uma cruz latina semelhante a um «t» minúsculo).

Em Talpioth, um subúrbio de Jerusalém, foram encontrados ossuários (onde se guardavam ossos) anteriores a 70 d.C., apresentando quatro lados marcados com uma cruz que se assemelhava a um sinal de mais.

Segundo Justino Mártir (c. 138-165 d.C.), este comparou o crucifixo à letra grega Chi (semelhante a um X) no capítulo 60 da sua Primeira Apologia.

A cruz assemelhava-se à letra grega Tau, de acordo com os «Cinco Livros em Resposta a Marcião», de Tertuliano, livro 3, v. 120, p. 153.

Atanásio (323-326 d.C.) afirmou, na obra «A Encarnação», 25:3, que é apenas na cruz que um homem morre com as mãos estendidas.

Além disso, foram encontrados em Roma, no Monte Palatino, grafitos romanos que ridicularizavam os cristãos. Mostram uma cruz com os braços estendidos, de acordo com a obra *The Archaeology of the New Testament* (Blaiklock), p. 99.

P: Em Mt 27, 15-19; Mc 15, 6-7; Lc 23, 16-18 e Jo 18, 39-40, por que razão foi Jesus, que ainda não tinha sido declarado culpado, considerado para o «programa de libertação por misericórdia»?

R: Ninguém afirmou que a justiça romana fosse sempre justa. Uma vez que a condenação de Jesus era, aparentemente, quase um dado adquirido, suponho que fizesse sentido para Pilatos avançar e nomear para o perdão um homem que ainda não tinha sido declarado culpado. Por vezes, até mesmo os atos de misericórdia podem ser utilizados para fins injustos.

P: Em Mt 27, 19, por que razão a esposa de Pilatos se encontrava em Jerusalém?

R: Era comum as esposas acompanharem os governadores romanos. Antes desta altura, Tácito, em «Anais» 3:34-35, menciona que o Senado debateu uma proposta de Severo Cecina para proibir que as esposas acompanhassem os magistrados, mas a proposta foi rejeitada.

P: Em Mt 27,34 e Mc 15,23, será que outras pessoas ofereceram bebida a Jesus e Ele recusou, ou será que Jesus disse: «Tenho sede» e aceitou a bebida, como sugere Jo 19,28-29?

R: As pessoas crucificadas ficavam com uma sede extrema, e Jesus, aparentemente, não foi exceção neste caso, tendo dito que tinha sede. Ofereceram-lhe uma esponja embebida em vinagre. A bebida conteria fel, o que atenuaria a dor. Jesus aceitou inicialmente a esponja e provou a bebida, mas depois recusou beber mais. Jesus não quis recorrer a um analgésico enquanto sofria pelos nossos pecados.

P: Em Mt 27,35-36; Mc 15,24; Lc 23,34b; Jo 10,23-24, a minha esposa quer ir a um casino na Louisiana para celebrar o nosso 10.º aniversário de casamento. (Sinto-me desconfortável com isso, enquanto cristão, mas cedi aos seus desejos.) Combinámos não gastar mais de 200,00 dólares em jogos de azar. Esta é apenas a segunda vez que vamos a um casino em 10 anos. (Da última vez que estivemos num casino, gastámos talvez 100,00 dólares, no máximo, e isso foi há 3 anos.) Estamos a cometer pecado, de acordo com a Palavra de Deus?
Pessoalmente, não consigo encontrar nenhum passagem nas Escrituras que aborde diretamente o jogo. E concordo que a indústria do jogo está a levar as pessoas ao vício e é uma indústria de que a América poderia prescindir. No entanto, duvido que esteja verdadeiramente a cometer pecado, se apostar uma quantia tão pequena e tiver visitado apenas dois casinos em 10 anos. Cheguei mesmo a dizer à minha esposa que, seja o que for que ganhemos, devemos doar para caridade. Estou até a levar folhetos evangélicos para distribuir no casino. Acho que algo de bom pode resultar desta viagem. (Génesis 50:20) =) (No entanto, isso não me faz sentir melhor em relação a ir.)

Mas... eis um exemplo paralelo: deverão todos os cristãos deixar de comprar e beber vinho (para ocasiões especiais/casamentos), uma vez que a indústria do álcool está a levar milhões de pessoas a tornarem-se viciadas nesta bebida?

Mas então, que tipo de exemplo estou a dar aos meus filhos? E se o meu filho crescer a acreditar que ir a casinos é aceitável e depois se tornar viciado no jogo? Por outro lado, o meu filho poderia tornar-se viciado em vinho; no entanto, será o vício dele culpa minha, uma vez que bebo vinho ou cerveja em raras ocasiões? (E não sou viciado.)

R: Na Bíblia não existe nenhum versículo direto que proíba os crentes de jogar, nem há nada que diga que isso é aceitável. (Existem versículos tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento que afirmam que beber vinho com moderação é aceitável.)

É claro que, como cristãos, não devemos ler os mandamentos da Bíblia e tentar afastar-nos o mais possível deles sem, na verdade, infringir nenhum mandamento. Pelo contrário, devemos procurar conhecer o cerne da vontade de Deus para nós e permanecer nele. O jogo é uma área em que devemos obedecer a Deus com a nossa consciência e compreensão do que Lhe agrada.

Aspetos que indicam que algum jogo pode ser aceitável

Outras atividades recreativas são aceitáveis: referiu que não é viciado e que não gastará mais de 200 dólares. É possível gastar 200 dólares num parque temático (como a Disneylândia) e isso não é necessariamente um pecado.

Testemunho cristão. Uma vez que mencionou levar folhetos da Chick para as pessoas lerem, talvez queira verificar se a Chick tem algum folheto especialmente adequado sobre pessoas que perdem todo o seu dinheiro no jogo.

Agradar à sua esposa: Se é isto que a sua esposa deseja fazer, e não é proibido, deve fazer algo de que ambos gostem juntos.

Aspetos que indicam que o seu jogo pode não ser do agrado de Deus

Exemplo para as crianças: Será que o seu filho (e quaisquer futuros filhos) ficarão viciados no jogo, ou chegarão mesmo a jogar apenas uma vez, perdendo tolamente grandes somas de dinheiro? Para verificar se isto constitui ou não um problema, porque não «ensaiam» você e a sua esposa, em privado, explicar o seu hábito de jogar ao seu filho, uma vez que, de qualquer forma, terão de o fazer mais tarde? Veja como isso soará aos ouvidos dele.

Imoralidade inevitável: Haverá algum espetáculo obsceno que venha a assistir no local onde joga? Se for esse o caso, então não deve jogar, nem fazer qualquer outra coisa, nesse local.

O que mais poderia fazer: Se não jogar, existem outros passeios e atrações (e alguns restaurantes excelentes) que poderia visitar em vez disso.

Convicção: Acha que o seu mal-estar é o Espírito Santo a convidá-lo, ou será apenas outra coisa?

Talvez consiga pensar em mais razões «contra».

Procure seguir a Deus: ore para saber o que Deus deseja para si nesta situação. Não tenho nenhuma ordem nem permissão direta para lhe mostrar, mas rezo para que tome a melhor decisão.

P: Em Mt 27,38; Mc 15,32 e Lc 23,39, os ladrões insultaram Jesus, ou um dos ladrões arrependeu-se e voltou-se para Jesus em Lc 23,40-43?

R: Ambos os ladrões insultaram Jesus inicialmente. No entanto, o ladrão à direita de Jesus mudou de opinião mais tarde e acreditou em Jesus. Jesus disse-lhe que ainda naquele dia estaria com Ele no Paraíso.

P: Em Mt 27,44 e Mc 15,31-32, quando é que, exatamente, os ladrões insultaram Jesus?

R: As Escrituras não o dizem com exatidão. Mateus e Marcos mencionam, cada um, três grupos de pessoas que insultaram Jesus: os transeuntes, os sacerdotes e os ladrões. No entanto, estes versículos não especificam a ordem, caso o tenham feito apenas uma vez, nem quantas vezes. Em geral, não é comum alguém proferir apenas uma frase ofensiva e ficar por aí.

Hoje em dia, os cristãos podem ser ridicularizados pela sua fé por criminosos, completos estranhos e até mesmo por falsos líderes religiosos.

P: Em Lc 21,7, Jesus ensinou sobre os últimos tempos no Templo, ou no Monte das Oliveiras, como mostram Mt 24,3-44 e Mc 13,3-37?

R: Jesus ensinou isto no Monte das Oliveiras e, possivelmente, enquanto se deslocavam para lá. Lucas 21 nunca refere que Jesus estivesse no Templo quando ensinou isto.

P: Em Mateus 27:32, Marcos 15:21 e Lucas 23:26, foi Simão de Cirene quem carregou a cruz de Jesus, ou foi o próprio Jesus, como mostra João 19:17?

R: Ambos. Era costume, em geral, que o condenado carregasse a sua própria cruz, tal como diz João 19:17. No entanto, Jesus estava tão enfraquecido, após os açoites e as surras, que não conseguiu carregar a sua cruz durante todo o percurso. Assim, os romanos obrigaram um transeunte, Simão de Cirene, a carregá-la durante o resto do caminho.

P: Em Mt 27,32; Mc 15,21 e Lc 23,26, dispomos de alguma evidência extra-bíblica relativa a Simão de Cirene?

R: É muito provável que sim. Foi encontrado um ossuário (caixa de ossos) anterior a 70 d.C., proveniente do Vale do Cedron, em Jerusalém, com a inscrição «Alexandre (filho) de Simão», «Alexandre, o Cireneu». Para mais informações, consulte:

E. L. Sukenik, BASOR 88 (1942): 38. Inscrições não publicadas até 1962: N. Avigad, «A Depository of Inscribed Ossuaries in the Kidron Valley», IEJ 12 (1962): 1-12 + pls. 1-4.

Não publicado num formato de grande difusão até 2002-03. «Treasures in the Storeroom: Family Tomb of Simon of Cyrene», Biblical Archaeology Review, julho-agosto de 2003.

P. W. van der Horst, Epitáfios judaicos antigos: um estudo introdutório de um milénio de epigrafia funerária judaica (300 a.C.–700 d.C.) (Kampen: Kok Pharos, 1991). 140–41.
Biblical Archaeology Review, julho-agosto de 2003, p. 51. Cf. http://israelpalestineguide.files.wordpress.com/2010/06/alexander-simon-ossuary-a-second-look-from-bar.pdf

P: Em Mt 27,48; Mc 15,23; Lc 23,36; e Jo 19,29, o que é que, exatamente, foi dado a Jesus para beber na cruz?

R: Mateus 27:48 diz: «vinho azedo / vinagre de vinho»; Marcos 15:23 diz: «vinho misturado com mirra»; Lucas 23:36 diz: «vinagre de vinho»; e João 19:29 diz: «vinagre de vinho». No entanto, «fel / vinagre» não é uma substância, mas sim uma descrição de algo amargo, e a mirra era amarga.

P: Em Mt 27,37; Mc 15,26; Lc 23,38 e Jo 19,19, o que estava exatamente escrito no letreiro acima da cabeça de Jesus?

R: Primeiro, cinco factos relacionados com a resposta e, em seguida, duas respostas.

1. Em primeiro lugar, não havia uma única mensagem, mas sim três, pois João 19:20 refere que a placa estava escrita em aramaico, latim e grego.

2. Eis o que os evangelistas relatam.

Mateus 27:37 diz: «Este é Jesus, o rei dos judeus.»

Marcos 15:26: «O rei dos judeus.»

Lucas 23:38: «Este é o Rei dos Judeus.»

João 19:19: «Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus»

3. Os escritores antigos frequentemente parafraseavam as suas palavras. O que aqui temos é exato, mas não preciso. Assim, por exemplo, se um escritor dissesse: «Este é Jesus, o rei dos judeus» e outro dissesse: «o rei dos judeus», ambos poderiam estar a registar a mesma afirmação. O primeiro escritor limitou-se a registar uma parte mais extensa da afirmação do que o segundo.

4. Papias, um discípulo do apóstolo João, relata que o Evangelho de Mateus foi originalmente escrito na língua dos hebreus (aramaico?) e depois traduzido para o grego. Os outros autores escreveram em grego. Assim, existe uma tradução entre as palavras proferidas e o que os autores dos Evangelhos escreveram.

5. Independentemente das diferenças entre os três relatos, Marcos parece registar simplesmente o que é comum a todos eles.

Primeira resposta: As três mensagens em três línguas diferentes estão registadas em Mateus, Lucas e João. Marcos regista o que é comum entre elas. Pilatos provavelmente não sabia aramaico, pelo que teria sido escrito em latim e traduzido para grego e aramaico, para que todos pudessem lê-lo.

Segunda resposta: Uma vez que os autores dos Evangelhos registam palavras traduzidas, e alguns elementos como «Este é» versus «O» são frequentemente fundidos numa tradução, temos a certeza da mensagem dos letreiros, mas não temos a certeza das palavras exatas. No entanto, é a mensagem que importa aqui, não as palavras exatas.

P: Quais foram, exatamente, as sete coisas que Cristo proferiu na cruz, por ordem?

R: Embora a ordem apresentada no Evangelho não seja necessariamente a ordem em que foram proferidas, é mais simples partir do princípio de que estavam por ordem cronológica, a saber:

1. «Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem.» Lucas 23:34a

2. «Mulher, eis o teu filho… Eis a tua mãe.» João 19:25-27

3. Em verdade vos digo que hoje estareis comigo no Paraíso. Lucas 23:43b

4. «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» Mateus 27:46; Marcos 15:34

5. Tenho sede. Mateus 27:48; João 19:28-29

6. Está consumado. João 19:30

7. Pouco antes de morrer, Jesus disse: «Pai, nas Tuas mãos entrego o meu Espírito.» Lucas 23:46a

É claro que Jesus também poderia ter dito outras palavras.

P: Nos Evangelhos, Jesus morreu realmente na cruz, ou será que Deus, de forma milagrosa e imperceptível, substituiu-O por outra pessoa, como afirma o Alcorão muçulmano?

R: As diferentes perspetivas dos cristãos e dos muçulmanos constituem uma diferença fundamental entre as duas religiões.

Os cristãos afirmam que foi realmente Jesus, porque todos os relatos, tanto cristãos como não cristãos, indicam que foi Jesus. O Alá dos muçulmanos é diferente do Deus da Bíblia, e Alá enganou e iludiu todo o seu povo, levando-o a acreditar que Alá substituiu Jesus por outra pessoa.

Os muçulmanos afirmam que Alá é o mesmo que o Deus da Bíblia. A substituição de Jesus por Alá não seria detetável por ninguém e, por conseguinte, não haveria qualquer evidência histórica dessa substituição.

Ambos concordam em duas coisas: 1) Pelo menos, parecia que Jesus tinha morrido na cruz. 2) A certa altura, o deus do Islão enganou totalmente e iludiu deliberadamente o próprio povo de Alá.

P: Em Mt 27,45; Mc 15,33; e Lc 23,44-45, que evidência extra-bíblica existe de que «a escuridão cobriu a terra» durante a crucificação de Jesus?

R: Não é razoável esperar que todas as culturas tenham registado uma escuridão. Por exemplo, calcula-se que um eclipse solar tenha escurecido o Egito a 12 de dezembro de 504 a.C., mas não existem registos históricos, nem entre os egípcios altamente civilizados, nem de qualquer outro povo, sobre este facto. Consulte http://www.informationblast.com/500s_BC.html para mais informações. Isto ocorreu durante a Páscoa (ou seja, na lua cheia), pelo que não poderia ter sido um eclipse solar normal; tratou-se de uma escuridão invulgar. Além disso, a escuridão durou da sexta à nona hora. Os eclipses naturais não duram três horas. A duração máxima que um eclipse poderia, teoricamente, atingir é de até sete minutos, de acordo com https://www.wku.edu/eclipse/duration.php.

No entanto, o historiador samaritano não cristão Thallus escreveu em 52 d.C., menos de 20 anos após a crucificação. Ele escreveu que a escuridão acompanhou a crucificação de Jesus.

O historiador samaritano Talo, que não deve ser confundido com o filósofo grego Tales, era bastante conhecido.

O «Discurso Exortatório aos Gregos» do Pseudo-Justino Mártir (após 165 d.C.), cap. 9, p. 277, menciona Talus, Filo, Josefo e outros.

A obra «Teófilo a Autólico», cap. 29, p. 120, menciona Talus, bem como o historiador caldeu anterior Beroso, na p. 121.

A obra «Octávio», de Minúcio Félix, cap. 22, p. 186, menciona o historiador Talo.

A «Apologia» de Tertuliano, cap. 19, p. 33, menciona Talus e Josefo.

Júlio Africano, fragmento 18, p. 136.

Flegão foi um escritor grego da Cária que escreveu pouco depois de 137 d.C. Ele escreveu que, no quarto ano da 202.ª Olimpíada [33 d.C.], ocorreu «o maior eclipse solar» e que «fez-se noite na sexta hora do dia [12h00 do meio-dia], de tal forma que até apareceram estrelas no céu. Houve um grande terramoto na Bitínia, e muitas coisas foram derrubadas em Nicéia.» (The Case for Christ, p. 111.) Orígenes (225-254 d.C.) também menciona que Flegão escreveu sobre a escuridão no 13.º ou 14.º livro do escritor Flegão. Orígenes, *Contra Celso*, livro 2, cap. 14, p. 437; livro 2, cap. 33, p. 445; livro 2, cap. 59, p. 455.

O *Diatessaron* de Tatiano (c. 172 d.C.), secção 51, p. 123, refere que houve trevas quando Jesus foi crucificado, entre a 6.ª e a 9.ª hora. O *Diatessaron* de Tatiano, secção 52, p. 123, refere que houve um terramoto quando Jesus morreu.

Melito de Sardes (170-177 d.C.) afirma que a terra tremeu, o sol se escondeu e o dia se alterou, pois não podiam suportar ver o seu Senhor pendurado numa árvore. Extraído do «Discurso sobre a Alma e o Corpo», cap. 2, «Padres Ante-Nicenos», vol. 8, p. 756

Irineu, em «Contra as Heresias» (182-188 d.C.), livro 4, cap. 34, p. 512, afirma: «E os acontecimentos relacionados com a Paixão do Senhor, que tinham sido preditos, não se concretizaram em nenhum outro caso. Pois nem na morte de qualquer homem entre os antigos aconteceu que o sol se pusesse ao meio-dia, nem o véu do templo se rasgou, nem a terra tremeu, nem as rochas se fenderam, nem os mortos ressuscitaram, nem qualquer um desses homens [da antiguidade] ressuscitou ao terceiro dia, nem foi recebido no céu… Por isso, os profetas não falaram de mais ninguém senão do Senhor, em quem todos estes sinais acima mencionados se concretizaram.»

Tertuliano (c. 200 d.C.), em «Sobre o Jejum», cap. 10, vol. 4, p. 109, também menciona a escuridão que acompanhou a crucificação de Jesus. Ele também o menciona em «Resposta aos Judeus», cap. 12, p. 170.

Hipólito foi bispo de Portus (222-235/6 d.C.). Ele refere que, por causa de Jesus, «o sol escureceu, o dia ficou sem luz, as rochas se partiram, o véu rasgou-se, os alicerces da terra abalaram-se, os túmulos abriram-se e os mortos ressuscitaram». Contra a Heresia de um certo Noeto, cap. 17, p. 230

O texto ebionita Reconhecimentos de Clemente (c. 211-250 d.C.), livro 1, cap. 42, p. 88, afirma que Jesus sofreu por nós, que o sol se escureceu e que as montanhas se partiram em pedaços quando Ele foi levado à cruz. Ele ressuscitou.

Orígenes (que escreveu entre 225 e 254 d.C.) menciona a escuridão que se abateu sobre a terra e os túmulos que se abriram em *Contra Celso*, livro 2, capítulo 33, p. 445.

Cipriano de Cartago (c. 246-258 d.C.): «A Palavra de Deus é conduzida silenciosamente para o matadouro. E quando, junto à cruz do Senhor, as estrelas se confundem, os elementos se perturbam, a terra treme, a noite obscurece o dia, o sol...» «Tratados de Cipriano», Tratado 9, cap. 7, p. 486

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona o terramoto em Mateus. Carta ao Bispo Basilides, cânone 1, p. 94.

Arnóbio (297-303 d.C.), na obra Contra os Pagãos, livro 1, cap. 53, p. 428, menciona a escuridão durante a morte de Jesus.

Atanásio (318 d.C.) (implícito) afirma que o sol se escureceu e a terra tremeu quando o Salvador morreu. *A Encarnação do Verbo*, cap. 49.4, p. 63

Lactâncio (260-325 d.C.) refere que ocorreu um terramoto na mesma hora em que Jesus morreu e que o sol retirou subitamente a sua luz, tendo-se feito escuridão entre a sexta e a nona horas. «As Instituições Divinas», livro 4, cap. 19, p. 122.

Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) refere que os túmulos se abriram, a terra tremeu, as luzes se apagaram e o sol e a lua desapareceram, tendo as estrelas retirado o seu brilho enquanto Jesus sofria na cruz. «Epístolas sobre a Heresia Ariana», Epístola 5.6, p. 301

Após Nicéia (325 d.C.)

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.) (parcial) «A Criação é libertada pela mediação desta Oferenda pelo Pecado; as próprias rochas perdem a sua solidez e força.» Sobre a Trindade, livro 3, cap. 11, p. 65

Atanásio (c. 371 d.C.) afirma: «o sol retirou os seus raios, a terra tremeu e as rochas fenderam-se...» Carta Pessoal 61 (A Máximo), cap. 2, p. 578

Atanásio (356-360 d.C.) refere que o véu se rasgou, o sol se ocultou, as rochas se partiram em pedaços e os mortos nos túmulos ressuscitaram. «Quatro Discursos Contra os Arianos», Discurso 3, cap. 29, p. 424

Efraim, o Sírio (350-378 d.C.), afirma que houve trevas e um terramoto quando Jesus morreu. Hinos da Natividade, hino 3, p. 273.

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) referiu que o sol recuou no tempo de Ezequias e que houve um eclipse solar por ocasião da morte de Cristo. (Primeira Palestra Catequética, n.º 2, Pais Nicenos e Pós-Nicenos, p. 12)

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) afirma que o sol escureceu durante a crucificação. Primeira Palestra Catequética, n.º 4, cap. 10, «Pais Nicenos e Pós-Nicenos», p. 21, e que as rochas se fenderam. Palestra n.º 4, cap. 11, p. 22

Gregório de Nanzianzo (330-391), ao abordar a crucificação de Jesus, afirma: «Ele envolveu o mundo visível em trevas» e «… pois as portas misteriosas do Céu estão abertas; as rochas se fenderam, os mortos ressuscitam. Ele morre, mas dá vida, e pela Sua morte destrói a morte.» Sobre o Filho — Terceira Oração Teológica, cap. 20, p. 309

Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) afirma que o sol e a lua ficaram efetivamente escurecidos no tempo de Cristo. Menciona também «o sangue salvador de Cristo, o Senhor». Comentário sobre Joel, cap. 2, p. 119

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona a escuridão que se abateu quando Jesus foi crucificado. «A Cidade de Deus», livro 3, cap. 15, p. 51.

P: Nos Evangelhos, a menção à escuridão, ao terramoto e ao véu rasgado quando Cristo foi crucificado é apenas figurativa e não aconteceu realmente, uma vez que não foi registada em mais nenhum outro local, tal como afirma o livro «Algumas Perguntas Respondidas», pp. 37-38?

R: Não. Consulte a pergunta anterior para conhecer as provas relativas à escuridão e a pergunta sobre Mt 27,51 para conhecer as provas relativas ao terramoto.

P: Em Lc 23, 45-46, o cético Bart Ehrman afirma que o véu do Templo se rasgou enquanto Jesus ainda estava vivo, mas que, no Evangelho de Marcos, tal rasgamento ocorreu após a Sua morte. (Jesus, Interrupted, p. 68) Em seguida, questiona se o véu rasgado representa a rejeição por parte de Deus do sistema judaico de adoração ou se simboliza a expiação de Jesus por nós. (também em Jesus, Interrupted, p. 52)

R: Há dois pontos a considerar na resposta. 1) É claro que o véu rasgado pode representar mais do que uma coisa, especialmente quando as duas coisas estão intimamente relacionadas. No entanto, não simboliza, de facto, que Deus tenha rejeitado o sistema judaico de adoração; simboliza, antes, que, agora que Jesus expiou os pecados, o sistema judaico de adoração tinha chegado ao fim. (De facto, o Templo seria destruído no espaço de 40 anos.)

2) Lucas não especifica o momento em que o véu se rasgou em dois. Lucas 23:44-46 diz que houve trevas da sexta à nona hora, que o véu do templo se rasgou em dois e que Jesus clamou antes de morrer. Não especifica a ordem.

P: Em Lucas, o cético Bart Ehrman afirma, em *Jesus, Interrupted*, pp. 46-47: «A morte de Jesus é importante tanto para Marcos como para Lucas.» Mas, para Marcos, a sua morte é uma expiação; para Lucas, é a razão pela qual as pessoas perceberam que são pecadoras e precisam de se voltar para Deus em busca de perdão. A razão da morte de Jesus, então, é bastante diferente, dependendo do autor que se ler.» (também em *Jesus, Interrupted*, p. 94)

R: Ehrman está a tentar inventar uma diferença de crença entre Marcos e Lucas quando tal diferença não existe. Até o próprio Ehrman reconheceria que Lucas e os Atos foram escritos pelo mesmo autor. Provavelmente, uma das afirmações mais claras sobre a expiação feitas por Lucas encontra-se em Atos 5:30-31: «O Deus dos nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pendurando-O numa árvore. Deus exaltou-O à Sua direita como Príncipe e Salvador, a fim de conceder arrependimento e perdão dos pecados a Israel.» (sublinhado acrescentado para indicar onde Ehrman está errado.)

P: Em Mt 27,54 e Mc 15,39, o centurião disse: «Este era o/um Filho de Deus», ou «Este era um homem justo», como diz Lc 23,47?

R: Ambas as coisas. O centurião não estava limitado a proferir apenas uma frase. Os evangelhos, frequentemente, não citavam textualmente e não incluíam todas as palavras, pelo que é provável que o centurião também tenha dito outras coisas.

A maioria das pessoas concordaria que, durante todo o tempo que decorreu desde a morte de Jesus até ao momento em que quiseram certificar-se de que estava morto, passando pela descida do Seu corpo da cruz, o centurião teve tempo de sobra para proferir mais do que uma frase. Seria bastante estranho se o centurião tivesse permanecido totalmente em silêncio, exceto por uma única frase.

P: O que é uma «harmonia dos Evangelhos» após a Ressurreição?

R: Em primeiro lugar, devo reconhecer que, neste caso, me limitei a «reinventar a roda». Já nos anos 246-265 d.C., Dionísio, bispo de Alexandria, demonstrou que os autores dos Evangelhos não «discordavam nem se contradiziam entre si» e apresentou uma boa e bastante completa harmonia dos Evangelhos após a Ressurreição na sua Carta 5 — ao Bispo Basilides, cânone 1, «Ante-Nicene Fathers», vol. 6, pp. 94-95. De qualquer forma, eis aqui uma harmonização destes 29 acontecimentos, que coincide com a dele.

Os números referem-se a acontecimentos que devem ocorrer em ordem, e as letras, tais como a, b, c, referem-se a acontecimentos que podem ocorrer em qualquer ordem. As palavras em negrito indicam marcadores de tempo, ordem e localização. Os versículos sublinhados mostram onde se encontram passagens que não estão em ordem cronológica.

Após a ressurreição de Jesus: Mt 28, Mc 16, Lc 24, Jo 20-21

R1a. Quando o sábado terminou, Maria Madalena, a outra Maria [a mãe de Tiago], Salomé e as mulheres partiram para o sepulcro. Mt 28,1b; Mc 16,1-3; Lc 24,1; Jo 20,1

R2a. Houve um terramoto quando o anjo afastou a pedra. Os guardas ficaram como mortos. Mt 28, 2-4

R2b. O anjo afastou a pedra. Mc 16, 4; Lc 24, 2

R1b. Não foi encontrado nenhum corpo, e dois «homens» falam com as mulheres. Lc 24, 3-8; Jo 20, 2

R3. Na manhã em que Jesus ressuscitou, um anjo aparece às mulheres e diz-lhes para transmitirem aos discípulos que se dirijam à Galileia. Mt 28, 5-7; Mc 16, 5-8

R4a. Enquanto as mulheres regressavam apressadamente, Jesus também lhes aparece e diz-lhes para transmitirem aos discípulos que se dirijam à Galileia. Mt 28, 8-10

R4b1. Quando as mulheres regressaram do sepulcro, os discípulos não acreditaram nelas. Lc 24, 9-11

R4b2. Pedro e João correm para o sepulcro; João chega lá primeiro. Lc 24, 12; Jo 20, 3-9

R4b3. Em seguida, os discípulos regressam às suas casas [em Jerusalém]. Jo 20, 10

R4c. Os guardas informam os sacerdotes; estes, por sua vez, subornam-nos. Mt 28, 11-15

R4d. Enquanto Maria chorava, dois homens e, em seguida, Jesus, aparecem a Maria Madalena. Mc 16, 9-11; Jo 20, 11-18

R5. No mesmo dia, no caminho para Emaús, Jesus aparece a dois discípulos (que não faziam parte dos onze discípulos). Ele permanece com eles até ao anoitecer. Mc 16, 12; Lc 24, 13-29

R6. Imediatamente, os dois discípulos voltaram apressadamente para Jerusalém (a 7 milhas, 11 quilómetros de distância) e contaram aos 11 discípulos. Mc 16, 13; Lc 24, 33-35

R7. Em Jerusalém, à noite do mesmo dia em que Jesus ressuscitou, enquanto os dois conversavam com os discípulos, Jesus aparece, pela primeira vez, a dez discípulos. Jo 20, 19-23

R8. Outros discípulos contam a Tomé que viram Jesus. Jo 20, 25

R9. Oito dias depois, Jesus aparece, pela segunda vez, aos onze discípulos, incluindo Tomé. Mc 16, 14; Jo 20, 19, 26-31

R10. Jesus aparece-lhes (pela terceira vez) junto ao Mar de Tiberíades [Galiléia]. Eles pescaram 153 peixes. Mt 28, 19-20; Jo 21, 1-14

R11a. Por três vezes, Jesus pergunta a Pedro se este O ama. Jo 21, 15-23

R11b1. Jesus aparece a mais de 500 seguidores. 1 Coríntios 15:6

R11b2. Jesus aparece a Tiago, seu irmão. 1 Cor 15:7

R12. Na Galileia, Jesus aparece aos discípulos e confia-lhes a Grande Missão. Mt 28, 16-20; Mc 16, 15-18

R13. Regressam a Jerusalém, ficando ali ou em Betânia, um subúrbio.

R14. Enquanto comiam, Jesus ordenou-lhes que permanecessem em Jerusalém até receberem o poder do alto (Lc 24, 49; Atos 1, 4). Eles obedeceram a esta ordem. Lc 24, 52

R15. Jesus conduz-os a Betânia, um subúrbio de Jerusalém situado na encosta do Monte das Oliveiras. Lc 24, 50

R16. Quarenta dias após a ressurreição (Atos 1, 3), Jesus ascende ao Céu nas nuvens em Betânia, na encosta do Monte das Oliveiras. Mc 16, 19; Lc 24, 50-51; Atos 1, 9-11

R17a1. De regresso a Jerusalém, os apóstolos permanecem no templo. Lc 24, 52-53

R17b. Os 11 apóstolos escolhem Matias para substituir Judas. Atos 1, 15-26

R18. Em Jerusalém, no Pentecostes (50 dias após a Páscoa), os apóstolos são cheios do Espírito Santo. Atos 2

R19. Depois disso, os apóstolos viajam livremente. Mc 16, 20

P: Em Mt 28,1; Mc 16,2; Lc 24,1, Maria estava junto ao sepulcro logo após o nascer do sol, ou dirigiu-se ao sepulcro enquanto ainda estava escuro, como diz Jo 20,1?

R: Ambas as afirmações são verdadeiras. João 20:1 diz que elas caminharam até ao sepulcro enquanto ainda estava escuro, mas Mc 16:2 mostra que chegaram ao sepulcro quando o sol já tinha nascido. Se tivessem ficado em Betânia, e o sepulcro ficasse nos arredores de Jerusalém, teria demorado algum tempo a viajar do subúrbio de Jerusalém até à cidade.

P: Em Mt 28,1; Mc 16,1-2; Lc 24,1 e Jo 20,1, por que razão as mulheres se dirigiram ao túmulo, uma vez que havia um selo romano sobre ele, conforme se refere em Mt 27,62-66?

R: Existem duas respostas possíveis, mas a segunda é mais provável.

As mulheres pensaram que lhes seria permitido: não era um costume normal colocar um selo e uma guarda de soldados romanos sobre um túmulo. Os sumos sacerdotes e os fariseus pediram expressamente a Pilatos que «o túmulo fosse protegido até ao terceiro dia», em Mateus 27:64. As autoridades não pretendiam proibir os costumes funerários, mas apenas garantir que ninguém roubasse o corpo; por isso, era de esperar que as mulheres fossem autorizadas a fazê-lo.

As mulheres não sabiam do selo nem da guarda: vigiar o túmulo de um criminoso e colocar um selo romano e uma guarda de soldados romanos à sua volta era algo altamente invulgar. Lucas 23:55-56 refere que as mulheres seguiram José para ver onde o corpo de Jesus foi deposto e, em seguida, partiram para casa a fim de preparar especiarias e perfumes. Por outras palavras, não permaneceram no local a vigiar o túmulo. O pedido relativo ao selo e à guarda só foi feito no dia seguinte, de acordo com Mateus 27:62. Assim, é provável que as mulheres não tivessem conhecimento de qualquer selo ou guarda.

P: Em Mt 28:1; Mc 16:1-2, Lc 24:1, Jo 20:1, por que razão as mulheres foram ao túmulo para envolver o corpo, se José de Arimatéia e Nicodemos já o tinham envolvido em Jo 19:39?

R: Jesus morreu por volta das 15h00, e haveria algum intervalo de tempo entre o momento em que José de Arimatéia pediu o corpo, Pilatos verificar que Jesus estava de facto morto e o momento em que retiraram o corpo da cruz e o transportaram para o sepulcro. Não teriam tido tempo suficiente antes do anoitecer para um enterro adequado (à semelhança das múmias egípcias). Assim, José e Nicodemos, em João 19:38-39, realizaram a primeira parte, incluindo a aplicação de algumas especiarias, para impedir que o corpo se decompusesse durante alguns dias, e depois regressariam para o envolver adequadamente, ou seja, enrolar tiras de pano à volta dos braços, pernas, tronco e cabeça, à luz do dia no domingo. Pode parecer uma tarefa um tanto macabra, mas era um costume comum da época.

Além disso, embora não saibamos muito sobre as práticas funerárias judaicas daquela época, nas práticas funerárias egípcias, parte da preparação do corpo só ocorria alguns dias depois, de qualquer forma.

P: Em Mc 16,1-8; Mt 28,1-8; Lc 24,1-11; Jo 20,1-12, qual é o significado de as mulheres terem visto o túmulo vazio?

R: Há quatro pontos a considerar na resposta.

a) Embora os judeus não embalsamassem os seus mortos, utilizavam especiarias quando os sepultavam. Isto NÃO constituía, de forma alguma, um testemunho de que as mulheres acreditavam que Jesus ressuscitaria dos mortos. Pelo contrário, tratava-se das mulheres que, com vivacidade, vinham cumprir o seu dever com uma mistura de amor e desilusão. Continuaria a servir a Deus fielmente se enfrentasse uma desilusão?

b) Nas culturas grega e latina, as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Se alguém quisesse alterar a história para cativar mais os leitores, poderia simplesmente ter omitido esta parte, ou então ter dito que foram os homens a ver o sepulcro primeiro, em vez das mulheres. Isto indica que se limitaram a registar o que aconteceu.

c) Da mesma forma, na cultura judaica, as mulheres eram consideradas importantes, mas o seu testemunho era considerado sem valor, de acordo com a Mishná judaica, Rosh Ha-Shaná 1.8.

d) Deus poderia ter concedido a honra de serem as primeiras a ver Jesus ressuscitado a qualquer pessoa, mas escolheu concedê-la às mulheres. Talvez isto seja um sinal para todas as culturas, incluindo a nossa, de que, em geral, devemos honrar, acreditar e confiar nas mulheres tanto quanto nos homens.

P: Em Mc 15,47, será que Maria Madalena e Maria, mãe de José, viram onde Jesus foi deposto, ou foram as mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia, como diz Lc 23,55?

R: Ambas. Por um lado, «mulheres da Galileia» pode referir-se a mulheres que viajaram com Jesus desde a Galileia, não necessariamente nascidas na Galileia. Por outro lado, Magdala era uma cidade da Galileia, na margem ocidental do Mar da Galileia.

P: Em Mateus 28:1, o túmulo estava fechado, ou a pedra tinha sido removida, como diz Lucas 24:2?

R: Lucas 24, 2 diz que a pedra já tinha sido removida quando elas chegaram lá. Mateus 28, 2 também menciona que a pedra tinha sido removida, a título de explicação para Mateus 28, 1. Nada indica que as mulheres estivessem presentes quando a pedra foi removida.

P: Em Mc 16,4, o cético Bart Ehrman questiona se a pedra já tinha sido removida, ou se foi removida por um anjo [supostamente] quando as mulheres estavam lá (Mt 28,2)?

R: Em ambos os evangelhos, a pedra foi removida antes de o anjo falar com as mulheres. Mateus 28:2 não diz que as mulheres estavam presentes no momento em que a pedra foi removida.

P: Em Mt 28,1-8; Mc 16,1-8; Lc 24,1-10 e Jo 20,1-8, o que aconteceu quando Jesus ressuscitou?

R: Jesus estava novamente vivo no seu corpo físico. O seu corpo físico real, com as cicatrizes, ainda podia ser tocado (João 20:27; Mateus 28:9; Lucas 24:39) e comer (Lucas 24:41-43). Jesus afirmou que o Seu corpo pós-ressurreição tinha carne e ossos em Lucas 24:39, e penso que concordará que Jesus saberia melhor do que ninguém! No entanto, o corpo de Jesus era um corpo físico glorificado, capaz de atravessar paredes (João 20:19-20) e desaparecer (Lucas 24:31).

Tertuliano (198-220/240 d.C.) Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou na Sua carne. É o próprio fundamento do evangelho, a nossa salvação. «Cinco Livros Contra Marcião», livro 3, cap. 8, p. 328

Novaciano (250/254-256/7 d.C.) «Ele [Jesus] ressuscitou na mesma substância corporal em que morreu, o que é comprovado pelas feridas desse mesmo corpo, e assim Ele mostra as leis da nossa ressurreição na Sua carne, na medida em que restaurou na Sua ressurreição o mesmo corpo que tinha recebido de nós.» Tratado sobre a Trindade, cap. 10, p. 620.

Adamantio (c. 300 d.C.) discute a hipótese de Jesus ter sofrido apenas em aparência. «Se Ele sofreu em aparência, e não na realidade, Herodes julgou-O apenas em aparência; em aparência, Pilatos lavou as mãos em relação a Ele, e em aparência Judas traiu-O. Caifás, da mesma forma, entregou-O em aparência; os judeus prenderam-No em aparência, e os apóstolos… Até o Seu sangue foi derramado apenas em aparência; os evangelistas pregaram o Evangelho apenas em aparência; Cristo desceu do Céu apenas em aparência e ascendeu apenas em aparência. A salvação da humanidade também foi apenas em aparência, e não na verdade. Por que razão, então, diz Cristo: “Eu sou a verdade”?” Diálogo sobre a Verdadeira Fé, quinta parte, cap. 851a, p. 149

P: Em Jo 20,1, Maria Madalena foi sozinha ao sepulcro, ou foram Maria Madalena e a outra Maria (Mt 28,1), ou Madalena, Maria, a mãe de Tiago, e Salomé, em Mc 16,1, ou Madalena, Joana, Maria, a mãe de Tiago, e outras mulheres, em Lc 24,10?

R: Maria Madalena, Joana, Maria, mãe de Tiago, e as outras mulheres foram todas. João 20:1 NÃO diz que Maria foi sozinha. Se um certo número de mulheres foi, continua a ser correto, embora não tão preciso, mencionar uma, duas ou três delas. Se algumas chegaram mais cedo e outras logo a seguir, continua a ser correto que um relato diga que algumas chegaram e que outro relato mencione o grupo na totalidade.

P: Em Mateus 28, 2-5 e Marcos 16, 5, havia apenas um anjo, ou havia dois anjos, como em Lucas 24, 4 e João 20, 12?

R: Se houve dois ou mais anjos, então também é correto afirmar que houve um anjo. Este é um dos muitos exemplos em que os relatos evangélicos são exatos, mas não precisos.

P: Em Mt 28,8, as mulheres contaram aos discípulos, ou não contaram a ninguém, como diz Mc 16,8? (Jesus, Interrupted, p. 48)

R: É óbvio que o Marcos não quis dizer que as mulheres não contaram a ninguém durante o resto das suas vidas. Certamente, não contaram a ninguém que tivessem visto enquanto fugiam do túmulo. Se ler todo o texto de Mateus 28:8-10, verá que as mulheres correram sem ainda terem contado a ninguém, e foi então que Jesus as encontrou. Jesus disse para contarem aos meus irmãos (ou seja, aos discípulos). Se quisermos ser minuciosos, estritamente falando, Mateus 28 não diz, de facto, que as mulheres obedeceram e contaram a alguém. No entanto, as ações dos discípulos sugerem fortemente que as mulheres contaram aos discípulos.

P: Em Mt 28, 9, Maria Madalena reconheceu Jesus quando Ele lhe apareceu pela primeira vez, ou não o reconheceu, como diz João 20, 14?

R: Mateus 28:9 não indica com que rapidez Maria reconheceu Jesus; limita-se a referir que, por um momento, elas reconheceram Jesus. Em João 20:14, Maria não percebeu, à primeira vista, que era Jesus. Mas João 20:15-17 também mostra que, posteriormente, ela reconheceu Jesus.

P: Em João 20,29, são abençoados aqueles que acreditam sem ver, ou são abençoados aqueles que vêem, como diz Lucas 10,23?

R: Jesus está a dizer duas coisas diferentes em contextos distintos, e ambos são abençoados, mas de formas diferentes.

Em João 20:29, Jesus NÃO disse que aqueles que viram pessoalmente uma aparição após a ressurreição não eram abençoados. Pelo contrário, Jesus disse a Tomé, que duvidava: «Porque me viste [agora], acreditaste; bem-aventurados são aqueles que não viram e, no entanto, acreditaram.» (BSB) Tomé estava a fazer da aparição de Jesus após a ressurreição o fundamento da sua fé. Jesus estava a dizer que são mais abençoados (altamente elogiados) aqueles que, embora tenham os milagres a sustentar a sua fé, não fazem dos milagres o fundamento da sua fé, como Tomé fez.

Em Lucas 10:23, Jesus diz aos discípulos (incluindo Tomé) que eram abençoados (mostrados como sendo altamente favorecidos) por terem visto em primeira mão as coisas que viram.

Qual é o fundamento da sua fé em Cristo? Se for apenas os milagres, e se Satanás perpetrar um milagre falso? Se for apenas a apologética, e se encontrar um não-cristão que seja um melhor debatedor? Se for apenas ter uma resposta para todas as objeções à Bíblia, e se alguém apresentar uma nova objeção à Bíblia para a qual não tenha resposta? O fundamento da nossa fé deve ser a nossa relação com Cristo; todas estas outras coisas são úteis para sustentar a nossa fé, mas não devem constituir o seu fundamento.

P: Em Lc 24,44, os judeus dividiam a Bíblia em três secções, ou apenas em duas, como mostra Mt 5,17?

R: Os judeus referiam-se a ela de ambas as formas, tal como Jesus.

A Lei e os Profetas: Os judeus chamavam ao Antigo Testamento «A Lei e os Profetas», de acordo com Mateus 5:17-18; Lucas 24:27 (Moisés e os Profetas); Zacarias 7:12 (A Lei ou os profetas anteriores); 2 Macabeus 15:9; Manual de Disciplina de Qumran 9.11.

Divisão tripla (Lei, Profetas, Escritos) Prólogo do Eclesiástico (c. 132 a.C.), Filo de Alexandria (c. 40 d.C.) «…estudando naquele lugar as leis e os oráculos sagrados de Deus enunciados pelos santos profetas, bem como hinos, salmos e todo o tipo de outras coisas…» Vida Contemplativa 25, p. 700, Josefo (37-100 d.C.), Contra Apion 1.8, e o Talmude Babilónico (século IV d.C.). O Prólogo ao Eclesiástico refere «a Lei, os Profetas e os outros livros dos pais». Eclesiástico 39:1 diz: «lei, sabedoria, profecia». A Carta Haláquica de Qumran refere «o livro de Moisés, os Profetas, Davi e a história da geração» (4QMMT).

Jesus aparentemente não se preocupava muito com a divisão exata, desde que os leitores compreendessem o que Ele queria dizer, tal como se referiu à Lei, aos Profetas e aos Salmos em Lucas 24:44.

P: Em Lc 24,49, os discípulos deviam permanecer em Jerusalém, ou foram para a Galileia, conforme Mateus 28,10,16?

R: Primeiro, foi-lhes dito para irem para a Galileia, o que fizeram após um atraso de oito dias. Depois, regressaram a Jerusalém, e Jesus disse-lhes para permanecerem ali até receberem o poder do alto. Eis a ordem dos acontecimentos durante os 40 dias em que Jesus esteve nesta terra, após a Sua ressurreição e antes da Sua ascensão.

R2. «Ide para a Galileia», foi o que um anjo lhes disse na manhã em que Jesus ressuscitou (Marcos 16:7). Jesus também apareceu às mulheres e disse-lhes para transmitirem aos discípulos que fossem para a Galileia (Mateus 28:9-10).

R7. Em Jerusalém, à noite do mesmo dia em que Jesus ressuscitou, enquanto os dois conversavam com os onze, Jesus apareceu a dez discípulos (João 20:19-23).

R9. Oito dias depois, Jesus apareceu novamente a todos os discípulos, incluindo Tomé (João 20:19, 24-29).

R10. Dirigiram-se para a Galileia, junto ao Mar de Tiberíades [Galileia] (Mateus 28:19-20; João 21:1-24).

R14. Regressaram a Jerusalém, tendo ficado ali ou em Betânia, um subúrbio. (implícito)

R15. Enquanto comiam, Jesus ordenou-lhes que permanecessem em Jerusalém até receberem o poder do alto (Lucas 24:49; Atos 1:4). Eles obedeceram a esta ordem (Lucas 24:52).

R16. Jesus conduziu-os a Betânia, um subúrbio de Jerusalém situado na encosta do Monte das Oliveiras (Lucas 24:50).

R17. Quarenta dias após a Ressurreição (Atos 1:3), Jesus ascendeu ao Céu nas nuvens (Marcos 16:19; Lucas 24:50-51; Atos 1:9-11).

R19. Foram cheios do poder do Espírito Santo no Pentecostes, que ocorreu 50 dias após a Páscoa (Atos 2).

R20. Depois disso, deslocavam-se livremente entre Jerusalém e outras cidades.

Consulte a pergunta sobre a harmonia após a Ressurreição para conhecer a sequência completa dos acontecimentos.

P: O «Testimonium Flavianum» de Josefo, em «Antiguidades dos Judeus» 18.63-64, é historicamente fiável?

R: Primeiro, o que diz em grego; depois, uma discussão. Diz o seguinte: «Por volta dessa altura viveu Jesus, um homem sábio, se é que se deve chamar-lhe homem. Pois era alguém que realizava feitos surpreendentes e era mestre de pessoas que aceitavam de bom grado a verdade. Conquistou muitos judeus e muitos gregos. Ele era o Cristo. Quando Pilatos, ao ouvi-lo ser acusado pelos homens de mais alta posição entre nós, o condenou à crucificação, aqueles que desde o início o tinham amado não desistiram do seu afeto por ele. Ao terceiro dia, ele apareceu-lhes ressuscitado, pois os profetas de Deus tinham profetizado estas e inúmeras outras coisas maravilhosas a seu respeito. E a tribo dos cristãos, assim chamada em sua honra, ainda hoje não desapareceu.»

Michael J. Wilkins e J.P. Moreland, em *Jesus Under Fire: Modern Scholarship Reinvents the Historical Jesus*, pp. 212-213, afirmam: «A opinião académica sobre esta passagem pode ser dividida em três correntes: (1) aqueles que defendem a autenticidade essencial da passagem; (2) aqueles que rejeitam a passagem na sua totalidade; (3) aqueles que acreditam que a passagem tem um núcleo autêntico, mas que também inclui inserções cristãs. A investigação académica mais recente tem-se inclinado para a última opinião.» A versão árabe, da autoria de Agápio, bispo melquita de Hierápolis, na Síria, do século X, refere «boa conduta» em vez de «milagres»; após «três dias» surge a palavra «relato»; e «talvez» é inserido antes de «ele era o Messias». Eusébio de Cesareia (ativo por volta de 325 d.C.) cita esta passagem, mas Orígenes (225-254 d.C.) observa que Josefo falou de Tiago, mas NÃO falou de Cristo, em «Contra Celso», de Orígenes, livro 1, cap. 47, p. 416; livro 2, cap. 13, p. 437.

P: Quais foram os primeiros autores que se referiram aos evangelhos como «evangelhos»?

R: Eis a lista.

A Diogneto (c. 130-200 d.C.), capítulo 11, p. 29: «… a fé dos evangelhos está estabelecida, e a tradição dos Apóstolos está preservada…»

Justino Mártir (151-155 d.C.) «Pois os Apóstolos, nas memórias por eles redigidas, que se chamam Evangelhos, transmitiram-nos assim o que lhes foi encomendado;» Primeira Apologia de Justino, cap. 66, p. 185

Teófilo a Autólico (168-181/188 d.C.), livro 3, cap. 12, p. 114, afirma: «encontram-se tanto nos profetas como nos Evangelhos, porque todos falaram inspirados por um único Espírito de Deus.»

Hegesipo (c. 170 d.C.), em «Cinco Livros de Comentários sobre os Atos da Igreja», cap. 3, vol. 8, p. 764, menciona as Escrituras dos Evangelhos.

Cláudio Apolinário (160-180 d.C.) menciona Mateus, os Evangelhos e a Lei. «Padres Ante-Nicenos», vol. 8, cap. 772

Irineu de Lyon (182-188 d.C.): «Não é possível que os Evangelhos sejam em número maior ou menor do que são. … o “pilar e fundamento” da Igreja é o Evangelho e o espírito de vida; convém que ela tenha quatro pilares, que exalam imortalidade por todos os lados.» Irineu, Contra as Heresias, livro 3, cap. 11.8

Irineu refere «o exame dos Evangelhos» em Irineu, Contra as Heresias, livro 2, cap. 22.3, p. 390.

Cânone Muratoriano (c. 190-217 d.C.). O terceiro livro dos evangelhos é Lucas. Cânone Muratoriano 1. (Assim, Mateus e Marcos, cujos nomes não são mencionados, são contados como dois.)

Clemente de Alexandria (193-217/220 d.C.) menciona as profecias, os evangelhos e as palavras apostólicas em «Quem é o Homem Rico que Será Salvo», cap. 42, p. 604

Tertuliano (198-220 d.C.) afirma que Marcião «se esforça arduamente por destruir a credibilidade dos Evangelhos que são publicados como autênticos e em nome dos apóstolos, a fim de, na verdade, assegurar ao seu próprio Evangelho o crédito que lhes retira». «Cinco Livros Contra Marcião», de Tertuliano, livro 4, cap. 3, p. 348. Ver também livro 5, cap. 2, p. 432, e «Sobre a Ressurreição da Carne», cap. 33, p. 568

Tertuliano (c. 213 d.C.) «Ou talvez, afinal, ele estivesse apenas a acusar os Evangelhos de mentira, dizendo, na verdade: “Fora com Mateus; fora com Lucas!” Contra Praxeas, cap. 1, p. 597

Hipólito (225-235/6 d.C.) menciona os Evangelhos em «A Refutação de Todas as Heresias», livro 6, cap. 24, p. 85.

Orígenes (225-254 d.C.) dedica dois capítulos inteiros à razão pela qual os evangelhos — e nenhum outro livro — são assim designados, em «Comentário ao Evangelho de João», livro 1, capítulos 7 e 8, p. 300, 301

Orígenes (225-254 d.C.) referiu-se ao Novo Testamento e afirmou que existiam apenas quatro Evangelhos. «Comentário sobre o Evangelho de João» de Orígenes (225-231 d.C.), livro 1, capítulo 1, p. 299.

Novatiano (250-257 d.C.): «Pois tanto as antigas profecias como os Evangelhos testemunham que Ele é o filho de Abraão e o filho de David.» «Tratado sobre a Trindade», cap. 9, p. 618

Tratado sobre o Rebatismo, cap. 17, p. 677 (250-258 d.C.) «Pois, quanto a este batismo adúltero, sim, assassino, se existe algum outro autor, trata-se certamente de um livro elaborado por estes mesmos hereges em defesa deste mesmo erro, intitulado A Pregação de Paulo; no qual, contrariamente a todas as Escrituras, encontrareis tanto Cristo a confessar o Seu próprio pecado — embora Ele, por si só, não tivesse cometido pecado algum — como a ser quase compelido pela Sua mãe Maria, contra a Sua vontade, a receber o batismo de João. Além disso, que, quando Ele foi batizado, se viu fogo sobre a água, o que não está escrito em nenhum dos Evangelhos.»

Cipriano de Cartago (246-258 d.C.) menciona os Evangelhos na Carta 72, cap. 17, p. 383

Dionísio de Alexandria (246-265 d.C.) menciona os quatro «evangelistas» pelo nome. Carta ao Bispo Basilides, cânone 1, p. 94

Adamantio (c. 300 d.C.) menciona quatro que pregaram o evangelho, mas pregavam o mesmo, pelo que os quatro evangelhos constituem um único evangelho. «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», primeira parte, cap. 6, p. 43.

Victorino de Petau (martirizado em 304 d.C.) afirma que o mundo é composto por quatro elementos, tal como existem quatro evangelhos, quatro gerações desde Adão até Noé, desde Abraão até Moisés, quatro rios no paraíso, quatro soldados na crucificação, quatro seres vivos e quatro estações do ano. Sobre a Criação do Mundo, p. 341

Metódio (280-312 d.C.): «Por essa razão, também, foram-nos dados quatro Evangelhos, porque Deus concedeu o Evangelho à raça humana por quatro vezes», «O Banquete das Dez Virgens», Discurso 10, cap. 2, p. 348

Atanásio (318 d.C.) cita Lucas 19, 10: «como Ele [Jesus] próprio diz nos Evangelhos: “Vim para procurar e salvar o que estava perdido.”» A Encarnação do Verbo, cap. 14, p. 43

Atanásio (318 d.C.) cita Lucas 19, 10: «Ele [Jesus] diz Ele próprio nos Evangelhos: “Vim para procurar e salvar os perdidos.”» *Encarnação do Verbo*, cap. 14, p. 43

Alexandre de Alexandria (313-326 d.C.) refere-se a Deus, que nos deu a Lei, os profetas e os Evangelhos. Epístolas sobre a Heresia Ariana, Epístola 1, cap. 12, p. 295

Após Nicéia

A «História Eclesiástica» de Eusébio (318 d.C.), livro 3, cap. 24, p. 152, aborda os quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. «Padres Nicenos e Pós-Nicenos», Segunda Série, vol. 1, p. 152

Juvêncio (329 d.C.) (parcial) escreveu um poema épico utilizando os quatro evangelhos, mas não lhes chamou «evangelhos».

Hegemónio (século IV) menciona os «evangelhos» em «Disputa com Manes», cap. 5, p. 182

Diodoro (262-278 d.C.) recorre ao «Apóstolo Paulo e aos Evangelhos», em «Disputa com Manes», cap. 45, p. 221

Hilário de Poitiers (355-367/368 d.C.): «Mais uma vez, os Evangelhos completam o que falta uns nos outros: aprendemos algumas coisas num, outras noutro, e assim por diante, porque todos são a proclamação do mesmo Espírito.» *A Trindade*, livro 10, cap. 42, p. 193

Atanásio (367 d.C.) «Mais uma vez, não é enfadonho falar dos [livros] do Novo Testamento. Estes são os quatro Evangelhos, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João.» (Carta Festiva de Atanásio, n.º 39, cap. 5, p. 552)

«Synopsis Scripturae Sacrae» (350-370 d.C. ou século V)

O Cânone de Cheltenham (= Catálogo de Mommsen) (c. 360-370 d.C.) menciona os evangelhos.

Efraim/Efrem, compositor de hinos sírio (350-378 d.C.)

Basílio da Capadócia (357-378/379 d.C.)

Sínodo de Laodicéia (na Frígia) (343-381 d.C.) — o cânone 60, p. 159, enumera os livros do Antigo Testamento e do Novo Testamento. O cânone 59, p. 158, afirma que apenas os livros canónicos do Antigo e do Novo Testamento podem ser lidos na igreja.

Cirilo de Jerusalém (c. 349-386 d.C.) afirma que existiam apenas quatro evangelhos na Palestra 4:36, p. 27

Gregório de Nazianzo (330-391 d.C.)

Paciano de Barcelona (342-379/392 d.C.)

Anfilóquio, em «Iambi ad Seleucum» (antes de 394 d.C.)

Gregório de Nissa (c. 356-397 d.C.) menciona os Evangelhos em «Contra Eunómio», livro 2, cap. 4, p. 104, e em «Sobre as Mortes Prematuras de Crianças», p. 378

O Catálogo Sírio de Santa Catarina (c. 400 d.C.) menciona os Evangelhos.

Epifânio de Salamina (360-403 d.C.) menciona os quatro Evangelhos, as 14 epístolas de Paulo, Tiago, Pedro, João e Judas, os Atos dos Apóstolos, o Apocalipse de João, a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico.

O Papa Inocêncio I de Roma (c. 405 d.C.) menciona os quatro evangelhos.

O Comentário de Rufino sobre o Credo dos Apóstolos (374-406 d.C.) menciona os quatro evangelhos.

João Crisóstomo (martirizado em 406 d.C.) refere que existem quatro evangelhos, e não apenas um, na «Homilia 1.6 sobre o Evangelho de Mateus», p. 3 (vol. 10)

Orosio/Hósio de Braga (414-418 d.C.) menciona os evangelhos. «Defesa contra os pelagianos», cap. 7, p. 123

Sínodo de Cartago (218 bispos) (393-419 d.C.)

Sulpício/Sulpício Severo (363-420 d.C.) menciona os Evangelhos em «Diálogo 1», cap. 26, p. 37, e «Diálogo 2», cap. 13, p. 45, de Sulpício Severo

Jerónimo (417-420 d.C.) menciona cada um dos quatro evangelhos pelo nome, referindo-se a eles como a «equipa de quatro» do Senhor, na carta 53.9, p. 101.

Sozomeno (370-380/425 d.C.) menciona os Evangelhos na «História Eclesiástica» de Sozomeno, livro 2, cap. 14, p. 267.

Agostinho de Hipona (388-430 d.C.) menciona as Epístolas de Paulo e, em seguida, os quatro livros do Evangelho. Em «Sobre o proveito da fé», cap. 7, p. 350

João Cassiano (419-430 d.C.)

Vicente de Lerins (c. 434 d.C.)

A «História Eclesiástica» de Sócrates (c. 400-439 d.C.), livro 3, capítulo 16, p. 87, refere que Apolinário expôs os Evangelhos.

A «História Eclesiástica» de Sócrates (c. 400-439 d.C.), livro 3, capítulo 20, p. 89, menciona os judeus, a Lei de Moisés e Cristo nos santos evangelhos.

Provas da existência de hereges e de livros espúrios

O herege encratita Tatiano (c. 172 d.C.) escreveu uma harmonia dos quatro evangelhos denominada Diatessaron, que significa «através dos quatro».

X Megétio (c. 300 d.C.), que se autodenominava seguidor de Marcião, no seu debate com Adamantio afirma rejeitar os quatro evangelhos. «Diálogo sobre a Verdadeira Fé», primeira parte, cap. 1, p. 36

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) cita Mateus 5:23-24 tal como foi transmitido pelo Senhor nos Evangelhos. «Comentário sobre Malaquias», cap. 2, p. 410

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) cita Marcos 10:2-9 como «proferido pelo Senhor nos Evangelhos». Comentário sobre Malaquias, cap. 2, p. 412

O herege pelagiano Teodoro de Mopsuéstia (392-423/429 d.C.) faz alusão a Lucas 11:42 como «nos evangelhos». Comentário sobre Oséias, cap. 5, p. 63